USO DA AUDIODESCRIÇÃO COMO UMA FERRAMENTA DE ENSINO NO ENSINO DE CIÊNCIAS EXATAS
Sabrina Gomes Cozendey, Maria Da Piedade Resende Da Costa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão Social E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2017
Texto completo
## USO DA AUDIODESCRIÇÃO COMO UMA FERRAMENTA DE ENSINO NO ENSINO DE CIÊNCIAS EXATAS
## Sabrina Gomes Cozendey 1 , Maria da Piedade Resende da Costa 2
1 UFSCAR/Educação Especial/sgcfisica@yahoo.com.br 2 UFSCAR/Psicologia/piedade@ufscar.br
## Resumo
Este trabalho analisa o uso da audiodescrição no ensino de conceitos de física, buscando determinar as variáveis que influenciam na aprendizagem de conceitos. Foi desenvolvida uma audiodescrição de um recurso educacional distribuído pelo Ministério da Educação (MEC). A audiodescrição desenvolvida é incomum: congelando a imagem. Para analisar o potencial da audiodescrição o vídeo com e sem audiodescrição foi apresentado a alunos cegos, com baixa visão e videntes. A sequência de apresentação dos vídeos foi alternada para garantir uma melhor análise. A proposta foi testada em três momentos, primeiro com um grupo de 14 pessoas que eram cegos ou com baixa visão. Em uma segunda etapa, o vídeo com audiodescrição foi testado com um grupo de alunos da educação de adultos. Na terceira etapa, o vídeo foi usado com alunos do segundo ano do ensino médio. Para averiguar a compreensão do vídeo e do conceito explicado no vídeo foram desenvolvidas entrevistas semiestruturadas, e realizadas discussões com os participantes, estas discussões ocorreram logo após a apresentação do vídeo. Os resultados mostram que a audiodescrição feita em momentos em que a tela é congelada pode ser uma solução para audiodescrever filmes prontos. Os resultados também indicam que a audiodescrição é um recurso que promove a aprendizagem de todas as pessoas, assim não deve ser vista apenas como um recurso para pessoas cegas.
Palavras-chave : Ensino de Física, Audiodescrição, Deficiência visual.
## Introdução
A inclusão escolar traz um desafio aos educadores: ensinar ao mesmo tempo pessoas que aprendem de forma diferente. Na realidade todas pessoas aprendem de forma diferente, mas o sistema escolar tende a homogeneizar os estudantes. Este processo perde força quando a escola inclui um aluno cego por exemplo. Neste contexto a escola pode ignorar o aluno cego, o que ocorre em alguns casos, ou modificar sua proposta de ensino para que o aluno tenha condições de acompanhar a aula e aprender.
Ao receber um aluno com cegueira ou com baixa visão é preciso observar que estes alunos precisam de práticas educacionais diferenciadas, práticas estas que valorizem os sentidos não visuais. Algumas possibilidades para a inclusão do aluno cego ou com baixa visão seriam o uso de material táteis, material impresso em braile ou material ampliado, descrição de imagens, e uso da audiodescrição (AD) na apresentação de vídeos, teatros, entre outros.
A AD é uma modalidade de tradução que se caracteriza por uma narração adicional de aspectos visuais apresentados em uma imagem (VIEIRA, LIMA; 2010). Assim, com a AD a pessoa cega pode entender por exemplo onde ocorre o diálogo de um filme, que roupa o personagem está vestindo ou o que os personagens estão fazendo. A AD busca transmitir as informações visuais mais importantes para que a
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
23 a 27 de janeiro de 2017
pessoa cega ou com baixa visão possa acompanhar o recurso audiovisual e ter a oportunidade de tirar suas próprias conclusões sobre o que ocorre no vídeo, o que pode garantir ao aluno cego maior autonomia em seu processo de ensino e aprendizado.
Além da AD favorecer a independência do aluno cego ou com baixa visão ela pode favorecer a aprendizagem dos demais alunos da turma. Hoffner, Baker e Quinn (2008) e Ely et al (2006) apresentam em seus trabalhos relatos do uso da AD como um recurso de ensino em turmas que não tinham alunos cegos ou com baixa visão incluídos, os pesquisadores concluíram que a AD pode favorecer a aprendizagem dos alunos, ajudando-os a melhorar o vocabulário e ter maior atenção a detalhes.
Assim, a AD pode ser vista como um recurso inclusivo, um recurso que pode ser utilizado no ensino de pessoas videntes e de pessoas cegas ou com baixa visão.
## A audiodescrição
A AD pode aumentar o acesso às artes para as pessoas que frequentem exposições em museus, teatro, pessoas que assistem televisão ou cinema, e pode até mesmo melhorar a alfabetização das crianças (SNYDER, 2005). A AD 'é útil para quem quer realmente observar e apreciar uma perspectiva mais completa em qualquer evento visual, mas é especialmente útil como uma ferramenta de acesso para pessoas cegas ou com baixa visão' (SNYDER, 2005; p.3).
Em relação ao surgimento da técnica de AD, Franco e Silva (2010, p.20) relatam que:
a prática de se descrever o mundo visual para pessoas não-videntes é imemorial. No entanto, enquanto atividade técnica e profissional, a AD nasceu em meados da década de 70 nos Estados Unidos, a partir das ideias desenvolvidas por Gregory Frazier em sua dissertação de mestrado.
Ainda, segundo os referidos autores, 'uma década após seu nascimento, a AD foi gradativamente ganhando espaço também fora do território americano. A Europa foi apresentada à técnica em meados da década de 80, mais precisamente em 1985' (FRANCO, SILVA; 2010, p.21).
Desde então o uso da AD em filmes, séries, peças de teatro, e em museus são alvo de pesquisas acadêmicas. Tais pesquisas discutem e visam encontrar a melhor maneira de descrever um fato, buscando a compreensão de em que momento deve ocorrer a audiodescrição, se esta deve ser sucinta ou explicativa, se a audiodescrição deve sobrepor uma fala ou se esta deve ocorrer somente quando não há diálogos.
Para realizar a AD é preciso construir um repertório do que é necessário para ser informado para que o ouvinte possa compreender a construção imagética (SILVA et al, 2010). Segundo Silva et al (2010), a AD 'deve ser clara, objetiva e concisa, com linguagem direta e apropriada de acordo com o público-alvo (criança, jovem, adulto)' (p.10).
A AD deve ser feita preferencialmente nos intervalos das falas dos atores. Mas se não houver intervalo entre as falas dos atores? A AD poderá ser feita?
Camara e Espasa (2011) apresentam uma discussão sobre um documentário audiodescrito na Espanha que apresentava este problema, não tinha
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
espaço suficiente entre as falas dos atores para que a AD pudesse ser feita. O artigo relata um estudo de caso em que o documentário 'The Rhythms of Life' é audiodescrito na Espanha. Esta AD aumentou a duração do filme em 15 minutos, de 60 minutos para 75. Isso aconteceu porque no início do vídeo a imagem foi congelada para que fossem audiodescritas informações que eram de suma importância para a compreensão do vídeo. Outros documentários foram audiodescritos desta mesma forma na Espanha, outro exemplo é o documentário 'Incredible Human Machine'. Os autores discutem que esta técnica só pode ser utilizada porque o documentário não foi utilizado no cinema, se assim fosse, seria impossível congelar as imagens para fazer a AD, mas como o objetivo era tornar o conceito compreensível para o uso em nível de informação, a estratégia pode ser desenvolvida.
Camara e Espasa (2011) apresentaram uma possível solução para a AD de vídeos que não apresentam intervalos entre as falas dos atores. O problema é que a AD foi feita toda de uma vez, antes do documentário começar. O que pode ser um problema quando se pensa em uma turma inclusiva. Os alunos videntes podem ficar desinteressados se no início do vídeo houver uma descrição demorado do que ocorrerá no decorrer do vídeo.
Considerando que na falta de intervalos para fazer a AD o congelamento da tela pode ser uma estratégia viável, propomos neste trabalho fazer uma AD diferenciada. Utilizaremos o congelamento da tela para fazer a AD, mas no decorrer do vídeo, à medida que houver a necessidade de audiodescrever alguma imagem.
E para analisar as potencialidades da proposta, o vídeo audiodescrito será apresentado a alunos cegos e com baixa visão, e a alunos videntes.
## Método
Este trabalho teve como objetivo investigar a construção de uma AD feitas em momentos em que a tela é congelada, e as potencialidades desta AD como um recurso de ensino de física a alunos cegos e com baixa visão, e alunos videntes. O trabalho foi desenvolvido em duas partes principais. Primeiramente foi desenvolvida a AD de um vídeo de ensino de física e posteriormente foi desenvolvida uma proposta para o uso da AD.
## Produção da audiodescrição
Buscando analisar as potencialidades do uso da AD no ensino de Física foi desenvolvida uma AD para o vídeo 'Os Curiosos -Trabalho e Potência', desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Educação e Tecnologia de Formação a Distância (IBTF). Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons - © 2010 - MEC e MCT.
No quadro1 é apresentada a sinopse do vídeo.
Sinopse do vídeo 'Os Curiosos - Trabalho e Potência':
Essa atividade irá abordar o tema 'trabalho e potência'.
Primeiramente o professor explica o conceito de trabalho. Para auxiliar a compreensão do conceito de trabalho é apresentada na tela uma imagem em que há
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
uma pessoa sentada em uma cadeira, uma caixa no chão e uma mesa, na parede a um objeto que parece um relógio (mas não é). Esse objeto é redondo como um relógio, possui um único ponteiro que fica apontado para baixo, quando a pessoa da imagem levanta, senta, ou pega a caixa no chão, o ponteiro desse objeto oscila para que a pessoa vidente possa perceber que nesta ocasião houve trabalho.
Os conceitos de trabalho e o de potência são discutidos e apresentados na forma desafios propostos a duas equipes de estudantes, a preta e a vermelha.
- A equipe vermelha realizará uma demonstração onde irão produzir corrente elétrica com auxílio de uma bicicleta e de um dínamo. Ao pedalar a bicicleta, o deslocamento da roda irá acionar o dínamo que irá produzir uma corrente elétrica responsável por acender uma lâmpada (IBTF, 2010).
- A equipe preta realizará uma demonstração onde dois estudantes levantarão alguns pesos com auxílio de cordas realizando um trabalho. No decorrer da apresentação os estudantes irão cronometrar o tempo gasto no movimento e descobrir quem aplicou maior potência durante o experimento (IBTF, 2010).
## Quadro1: Sinopse do vídeo
Como pode ser percebido na sinopse do vídeo, ele poderia ser dividido em três partes, que poderiam proporcionar diferentes análises. A primeira parte é totalmente visual, a imagem apresentada no momento em que o professor explica o conceito só pode ser observada por quem enxerga. Na segunda parte do vídeo será analisado o funcionamento de um dínamo na produção de eletricidade para acender o farol da bicicleta, essa explicação pode ser compreendida por uma pessoa que tenha memória visual (cegueira adquirida) ou baixa visão. Na terceira parte do vídeo é discutido o conceito de potência em uma situação em que duas pessoas puxam um peso preso a uma corda para o segundo andar de um prédio, esta situação teoricamente poderia ser compreendida por todos os alunos.
- O vídeo elegido para ser audiodescrito contém muitos elementos visuais o que favorecerá a análise da AD como um recurso de ensino e aprendizado de conceitos de física.
Destaca-se que na AD da primeira parte do vídeo o objeto parecido com um relógio, que indicava quando ocorria trabalho e quando não ocorria trabalho, foi audiodescrito como um indicador de trabalho.
No desenvolvimento da AD em alguns momentos a tela foi congelada para que a AD pudesse ser feita, esta estratégia foi utilizada nos instantes em que o espaço entre as falas dos atores era muito pequeno, impossibilitando a AD. Nas situações em que entre os intervalos ocorridos entre as falas havia uma faixa musical pode-se fazer as audiodescrições utilizando a estratégia de diminuir o volume da música no filme para que a AD pudesse ser ouvida.
Com a AD o filme 'Os Curiosos - Trabalho e Potência' ganhou alguns minutos a mais, o filme original tinha 7:57 minutos, o filme audiodescrito ficou com 10:24 minutos, 2:27 minutos a mais. A estratégia utilizada para audiodescrever este filme, utilizando do congelamento da tela para fazer a AD, já foi utilizada em trabalhos espanhóis que tinham como objetivo audiodescrever documentários (CAMARA e ESPASA, 2011), a diferença da AD deste trabalho é que as audiodescrições foram feitas durante o filme, e no trabalho espanhol a AD na tela congelada é feita no início do filme.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Para desenvolver a AD foi utilizado o software Audacity 1.3.12-beta para gravar a segunda faixa de áudio a ser acrescentada no filme. A edição do filme, momento em que as faixas de áudio correspondente as audiodescrições foram acrescentadas ao filme, foi desenvolvida no software Corel Vídeo Studio 12 (Corel, 2011).
## O uso do vídeo
O uso da AD ocorreu em duas instituições de ensino públicas direcionadas a inclusão de pessoas com DV e em duas escolas regulares de nível fundamental e médio.
O vídeo com e sem a áudio-descrição foi apresentado aos alunos para que o potencial de cada vídeo pudesse ser testado. A sequência de apresentação dos vídeos foi alternada para garantir uma melhor análise. A proposta foi testada em três momentos, primeiro com um grupo de 14 pessoas que eram cegos ou com baixa visão. Em uma segunda etapa, o vídeo com áudio-descrição foi testado com um grupo de alunos da educação de adultos (EJA) que tinha um aluno com baixa visão incluído. Na terceira etapa, o vídeo foi usado com alunos do segundo ano do ensino médio, nenhum dos alunos desta fase tinha deficiência visual. Para averiguar a compreensão do vídeo e do conceito explicado no vídeo foram desenvolvidas entrevistas semiestruturadas, e realizadas discussões com os participantes, estas discussões ocorreram logo após a apresentação do vídeo. Para guiar as discussões foram utilizadas algumas questões que buscavam constatar a compreensão de diferentes elementos apresentados no vídeo, dentre esses questionamentos estavam: O que você compreendeu do vídeo? Que conceito o vídeo apresenta? Como você explicaria esse vídeo para um amigo? Que imagem explica o conceito? O que essa imagem explica? O que você entendeu da explicação do professor?
Todas as discussões foram gravadas para favorecer a análise posterior.
## Resultados e análises
Serão apresentados alguns dados coletados neste trabalho de forma a identificar os aspectos que devem ser considerados ao utilizar a AD com um recurso de ensino e aprendizagem. Também são apresentadas algumas considerações a respeito do formato de AD utilizado no estudo: áudio descrições feitas em momentos em que a tela é congelada.
Em relação aos aspectos que devem ser considerados ao áudio descrever um recurso para ensinar física dois elementos se mostraram mais significativos: a AD de objetos reais e a AD de objetos irreais.
Na AD de objetos reais pudemos perceber que se o aluno não conhece o objeto descrito ele não compreende a explicação. Quando no vídeo foi apresentado uma bicicleta com dínamo, alguns alunos perguntaram o que era um dínamo. Por nunca ter andado de bicicleta e por nunca ter ouvido falar em dínamo alguns participantes não entenderam o que era um dínamo e assim toda a explicação da equipe vermelha (sinopse do vídeo). Foi preciso parar o vídeo e explicar aos participantes o que era um dínamo e como funcionava. Com as discussões desenvolvidas pode-se perceber que para a áudio descrição ajudar na compreensão do conceito, o aluno deve conhecer os objetos que fazem parte da situação que está sendo apresentada. Se o aluno não conhecer um objeto ou mais, a áudio descrição
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
pode ter sua potencialidade minimizada. Será necessário explicar o objeto que o aluno não conhece primeiramente, ou seja, descrever (ou áudio descrever) o objeto não conhecido, para depois poder continuar com o uso do vídeo.
O que notamos nesta situação foi que a dificuldade que os participantes cegos tiveram foi a mesma dificuldade encontrada pelos participantes videntes. Assim, no que se refere a AD, podemos inferir que ela terá uma potencialidade maior se os elementos apresentados na imagem foram conhecidos pelos observadores sejam eles videntes ou cegos.
É preciso destacar que os alunos (Cegos e videntes) só perceberam que havia um elemento apresentado no vídeo que eles não conheciam quando foi lhes apresentado o vídeo com AD. Com o vídeo sem AD a dificuldade não foi percebida pelos alunos.
Na AD de objetos irreais, ou seja, quando foram áudio descritas representações, os alunos cegos tiveram dificuldade de compreender a AD. Na primeira parte do vídeo havia uma animação em que uma pessoa levantava ou se sentava em uma cadeira, e pegava uma caixa que estava no chão. Durante a animação, um objeto presente no cenário da animação, buscava representar a variação de trabalho conforme a ação da pessoa. Tal objeto, que na AD foi nomeado como 'indicador de trabalho', não existe no mundo real. Portanto, trata-se de uma representação de um objeto irreal. Vale destacar, no entanto, que apesar de irreal, o objeto facilita a compreensão do conceito que era discutido no vídeo, o que permite concluir a relevância em audiodescrevê-lo.
Quando os participantes assistiram ao vídeo sem a AD não perceberam que existia esta representação. No entanto, quando assistiram ao vídeo áudio descrito alguns deles perguntaram o que era um indicador de trabalho. Uma vez explicado o que o indicador de trabalho representava, o trabalho pode continuar e os alunos entenderam o que estava sendo apresentado na imagem.
Como no ensino de física e de outras ciências o uso de representações para explicar um conceito é muito comum, quando estas são audiodescritas, e em alguns casos nomeadas com termos específicos (por exemplo: indicador de trabalho), fazse necessário explicações adicionais nas situações de uso do recurso audiodescrito, especialmente se a representação trata de um objeto irreal. Assim, cabe ao professor estar atento às representações audiodescritas e intervir com explicações adicionais, caso contrário a aprendizagem dos alunos poderá ficar comprometida.
Os alunos videntes não apresentaram dificuldades em compreender a representação, no entanto, pode-se perceber que os alunos compreenderam melhor a explicação que envolvia o objeto irreal quando o vídeo tinha AD.
Em relação ao formato da AD, feita em momentos em que a tela é congelada, todos os alunos aprovaram a formatação. Alguns alunos cegos e com baixa visão gostaram mais que outros. Alunos acostumados com a AD perceberam a diferença, mas disseram que da forma como foi feita a AD também estava boa, que o importante era ter a AD. Já outros alunos disseram que a AD feita em momentos em que a tela era congelada era melhor, pois lhes ajudava a entender o que estava sendo audiodescrito. Os alunos da educação de Jovens e Adultos acharam o vídeo mais repetitivo, porém mais explicativo, o que para eles era positivo pois favorecia a aprendizagem. Os alunos de nível médio também aprovaram a formatação da AD. Os alunos acharam o vídeo mais repetitivo, disseram que se o
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
vídeo fosse muito demorado poderia ser desagradável, mas que eles não se importavam em utilizar este tipo de recurso nas aulas de física, uma vez que os alunos cegos também poderiam aprender.
## Conclusão
Com as discussões e análises propostas neste trabalho foi possível perceber a importância da AD para as pessoas com deficiência visual e para pessoas videntes.
- A AD pode auxiliar as pessoas cegas e com baixa visão na compreensão de conceitos, de imagens e de representações. A AD não é tão importante para pessoa vidente como é para a pessoa cega, mas o recurso pode favorecer a aprendizagem da pessoa vidente, uma vez que a auxilia a ter maior atenção ao que é apresentado. Assim, o aluno pode aprender por meio da visão e da audição.
- O congelamento da tela para fazer a AD não gerou nenhum incomodo, os alunos cegos acharam mais diferente do que os videntes. Uma consideração que julgamos necessária com relação a esse tipo de AD é que ela não pode ser demorada, para que possa ser garantido a atenção de todos os alunos.
## Referências
CAMARA, Lidia; ESPASA, Eva. The Audio Description of Scientific Multimedia. In: TRANSLATOR, v. 17, ed. 2, Special Issue: Science in Translation, p. 415-437, 2011.
COREL. Corel Video Studio 12, 2011.
ELY, Richard; EMERSON, Robert; MAGGIORE, Theresa; ROTHBERG, Madeleine; O'CONNELL, Trisha; HUDSON, Laurel. Increased Content Knowledge of Students with Visual Impairments as a Result of Extended Descriptions. Journal of Special Education Technology, v.21, n.3, p31-43, 2006.
FRANCO, Eliana; SILVA, Manuela Cristina. Audiodescrição: Breve Passeio Histórico. In: Audiodescrição: transformando imagens em palavras / Lívia Maria Villela de Mello Motta, Paulo Romeu Filho (Organizadores). São Paulo: Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, 2010.
HOFFNER, Helen; BAKER, Eileen; QUINN, Kathleen. Lights, Cameras, Pencils! Using Descriptive Video to Enhance Writing. In: Reading Teacher, v.61, n.7, p. 576579, abr. 2008.
IBTF. Instituto Brasileiro de Educação e Tecnologia de Formação a Distância. Projeto Acessa Física. Vídeo: Os Curiosos - Trabalho e Potência, 2010.
SNYDER, Joel. Audio description: The visual made verbal. In: International Congress Series, v.1282, 2005, p.935-939.
VIEIRA, Paulo André, LIMA, Francisco. A teoria na prática: áudio-decrição, uma inovação no material didático. Revista Brasileira de Tradução Visual, v. 2, ed. 2, 2010.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.