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TECNOLOGIAS MÓVEIS NO ENSINO DE FÍSICA: OBTENÇÃO DE DADOS SOBRE A POLUIÇÃO SONORA ESCOLAR ATRAVÉS DO PROJETO INTERNACIONAL NOISE TUBE

Adriana Oliveira Bernardes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Tecnologia Da Informação E Comunicação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## TECNOLOGIAS MÓVEIS NO ENSINO DE FÍSICA: OBTENÇÃO DE DADOS SOBRE A POLUIÇÃO SONORA ESCOLAR ATRAVÉS DO PROJETO INTERNACIONAL NOISE TUBE

## ADRIANA OLIVEIRA BERNARDES

UENF (Universidade do Norte Fluminense), adrianaobernardes@bol.com.br

## Resumo

As novas tecnologias digitais fazem hoje, fortemente parte da vida do aluno, entre outras, o celular, chamado recurso móvel, é utilizado por uma grande maioria, vem daí a importância de utilizarmos tais recursos como aliados na escola. Neste artigo obtivemos dados sobre a poluição sonora na escola, cujo tópico faz parte do 3o bimestre do 3o ano do Ensino Médio. O projeto possibilitou a contextualização da disciplina Física, o envolvimento do aluno com questões relativas ao ambiente escolar e sua melhoria. Os dados obtidos, em oito turmas de ensino médio matutinas, mostraram que, aproximadamente 50% das turmas apresentam níveis sonoros desfavoráveis ao aprendizado, que segundo as orientações da UNESCO, devem estar em torno de 50db, para que não haja prejuízo ao aprendizado do aluno. Na relação entre o rendimento da turma e o nível sonoro observamos que a turma de maior rendimento, é a que apresenta menor nível sonoro. O trabalho em si traz discussões sobre a utilização do recurso móvel como aliado ao processo de ensino, além de resultados referentes aos dados obtidos na escola, que foram discutidos pelos alunos, junto à comunidade escolar, apresentando o mesmo como pessoa ativa frente aos problemas enfrentados na escola e utilizando a ciência como geradora de conhecimento.

Palavras-chave : Novas Tecnologias, Tecnologias Móveis, Ensino de Física.

## Introdução

Contextualizar o estudo das ondas mecânicas no Ensino Médio é algo que se pode fazer de várias maneiras. Nosso cotidiano é repleto de situações nos quais o fenômeno relacionado ao estudo das ondas está vinculado: aviões supersônicos, tsunamis, são alguns exemplos, entre outros. Porém, nosso objetivo era contextualizar um tópico diretamente ligado aos problemas vivenciados pela comunidade escolar, por isso a discussão do que era poluição sonora, como ela poderia ser medida e de que maneira nos afetava, era essencial.

- O tópico faz parte do conteúdo do 3 ano do Ensino Médio, especificamente do o 3 o bimestre.
- O currículo mínimo estadual de Física foi elaborado por habilidades e competências e estabelece o conteúdo através do seguinte parágrafo:
- 9 Diferenciar a natureza das ondas presentes em nosso cotidiano;
- 9 Compreender as propriedades das ondas e como elas explicam fenômenos presentes em nosso cotidiano.

Nos dias de hoje, as novas tecnologias fazem mais e mais parte de nosso cotidiano e também na escola poderá ser utilizada como aliada.

No ensino de Física, as novas tecnologias vêm sendo cada vez mais incorporadas e a utilização de computadores, tablets, softwares, entre outros, tem sido comum.

Em relação às novas tecnologias:

As tecnologias hoje em dia assumem importância tão grande em nossas vidas que é difícil para a maioria das pessoas verem-se vivendo sem elas. Dentro das escolas essas tecnologias começam a ser utilizadas de forma ainda bastante modesta e têm alcançado grande popularidade entre os alunos. BERNARDES (2013, p.9)

Segundo BERNARDES (2010, p.2): '... é importante que novas tecnologias educacionais façam parte da vida escolar, que contando com tais recursos, ofereça um ambiente mais próximo do cotidiano do aluno, no qual recursos tecnológicos são utilizados'.

Especificamente, em relação ao uso do celular segundo MORAN (2013): 'O telefone celular é a tecnologia que atualmente mais agrega valor: é wireless (sem fio) e rapidamente incorporou o acesso à Internet, à foto digital, aos programas de comunicação (voz, TV), ao entretenimento (jogos, música-mp3) e outros serviços'.

Apesar das controvérsias, a utilização desses aparatos tecnológicos vem pouco a pouco sendo tidos pelos professores, não como inimigo da educação, mas, como aliados.

Nesse contexto, segundo MORAN (2013): 'Estas tecnologias começam a afetar profundamente a educação. Esta sempre esteve e continua presa a lugares e tempos determinados: escola, salas de aula, calendário escolar, grade curricular'.

Em relação ao uso de tecnologias móveis, a UNESCO propõe (2013), entre outras coisas: 'que se criem políticas de aprendizagem com estes meios, que a formação do professor se dê de forma a propiciar a utilização de tais recursos e que se crie e disponibilize conteúdo educacional para os chamados dispositivos móveis'.

Segundo RODRIGUES (2012): 'As tecnologias móveis, como os celulares, smartphones e tablets, são responsáveis por romper os limites de tempo e espaço, consolidando um novo paradigma de produção de conteúdos de forma colaborativa'.

Em relação ao uso de novas tecnologias podemos considerar que:

Novas tecnologias educacionais vem sendo utilizadas com sucesso no Ensino Médio, sendo a utilização efetiva do computador importante para produção de recursos didáticos, os quais envolvam o trabalho conjunto de professores e alunos contribuindo para que o conhecimento seja construído de forma significativa. BERNARDES (2010, p.1)

Outra questão relevante e que deve ser considerada, é apresentada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação :

A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurarlhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores'. Além de assegurar que o ensino médio: adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes. (LDB, 2008)

## Objetivos

- 9 Mapear os pontos de poluição sonora na escola;
- 9 Verificar de que maneira a poluição sonora atinge os professores, funcionários e alunos;
- 9 A partir dos dados obtidos conscientizar a comunidade escolar em relação aos possíveis danos a saúde e ao aprendizado do aluno.

## Projeto Noise Tube

O Noise Tube é um projeto de pesquisa iniciado em 2008 pela Sony Computer Science Lab em Paris, que atualmente está sendo coordenado por um grupo da universidade de Brussel, que propõe o desenvolvimento de um projeto participativo do público em geral para monitorar a poluição ambiental.

O grupo desenvolveu um aplicativo móvel para celulares, que os transforma em sensores de ruído, permitindo assim que os próprios cidadãos monitorem a exposição do som ao qual estão expostos.

- O desenvolvimento do projeto em si estimula:
- 9 Que os cidadãos meçam a poluição sonora a que se submetem diariamente;
- 9 Que marquem pontos onde ela é excessiva;
- 9 Que influam nas tomada de decisões governamentais a partir dos dados.

## Metodologia

Com o objetivo de contextualizar a disciplina Física na escola, após ser ministrado o curso de Mecânica Ondulatória, na qual os alunos tiveram acesso a conteúdos, que exploram as habilidades e competências solicitadas pelo currículo mínimo estadual de Física, introduzimos o projeto.

Os conteúdos supramencionados são os seguintes: O que é uma onda? Tipos de onda; Velocidade de ondas periódicas; velocidade da onda em uma corda; O que são ondas sonoras? diferença entre ruído e som e nível sonoro.

Porém, o intuito era contextualizar a disciplina e dar significado a ela, mostrando sua aplicabilidade no dia a dia. Sendo assim inicialmente foi realizada uma palestra motivadora, seguida de uma mesa redonda sobre o assunto.

A palestrada foi assistida pelos alunos do 3 ano, bem como os mesmos o participaram de uma mesa redonda na qual era abordada a questão da Poluição Sonora.

Na época, não tínhamos obtido os resultados da poluição sonora na escola e chegamos à conclusão da importância da obtenção desses dados para que pudéssemos agir de forma mais efetiva junto à comunidade escolar e de forma sustentável.

## Aplicação de questionários sobre a opinião da comunidade escolar em relação à poluição sonora no ambiente

A pesquisa foi realizada com 15 professores que trabalham no turno da manhã funcionários no qual apresenta maiores problemas com barulho, 300 alunos do Ensino Médio e cinco funcionários.

Os dados foram coletados através de questionário, aplicado por alunos graduandos em Física do projeto PIBID (Projeto de Iniciação à Docência).

## Pesquisa 1 - Professores

- 1) Quando há ruído no exterior, a atividade desenvolvida na sua sala, lhe parece:
- a) Muito calma b) calma c) barulhenta d) extremamente barulhenta
- 2) Entre os ruídos, quais incomodam mais sua aula:
- a) O do corredor b) O do pátio c) de salas próximas d) de prédios próximos
- 3) O ruído que vem das outras turmas é:
- a) fraco b) moderadamente fraco c) forte d) extremamente forte
- 4) O ruído que vem da sala de aula o incomoda? Sim b) Não

## Pesquisa 2 - alunos

SÉRIE:\_\_\_\_\_\_\_\_

- 1)O ruído de dentro da sala de aula é?
- a) fraco b) moderadamente fraco c) forte d) extremamente forte
- 2) O ruído vindo de outra sala próxima o incomoda? Sim\_\_\_\_\_\_Não\_\_\_\_\_\_

## Resultados

## A aplicação dos questionário obteve os seguintes resultados:

Questionário Professor- Pergunta 1: Quando há ruído no exterior, a atividade desenvolvida na sala de aula lhe parece: Pergunta 2: Entre os ruídos, quais incomodam mais sua aula:

Figura 1 - Resposta dos professores a questão 1 e 2 respectivamente.

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Na figura 1 acima, observamos que 80% dos professores afirmam que quando há ruído no exterior, sua turma fica mais barulhenta, 20% afirmam que a turma fica extremamente barulhenta. Ainda na figura 1, os professores afirmam que os ruídos que mais incomodam são os do corredor (40%), 30% afirmam que são os do pátio, 20% das salas próximas e 10% de prédios próximos.

Para pergunta 3: O ruído que vem das outras turmas é: e para Pergunta 4: O ruído dentro da sala de aula o incomoda?

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Figura 2 - Resposta dos professores a questão 3 e 4.

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Na figura 2 acima, observamos que sobre o ruído que vem das turmas, 50% afirma que é fraco, 30% que é moderadamente fraco e 20% forte. Ainda na figura 1 acima, observamos que 80% dos professores às vezes ouvem professor ou aluno falar na sala vizinha, 10% sempre e 10% frequentemente.

## Questionário Alunos

Para a pergunta 1, Esse ruído normalmente é: e para pergunta 2: O ruído vindo de outra sala próxima o incomoda?

Figura 3 - Resposta dos alunos a questão 3 e 4 do questionário.

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Na figura 3 acima, 40% dos alunos afirmam que o ruído é moderadamente fraco, 30% fraco, 27% forte, 3% extremamente forte. Ainda na figura 3, 50% dos alunos afirmam que o ruído da sala próxima o incomoda, 50% diz que não.

## Obtenção dos dados da poluição sonora

O nível sonoro foi medido, utilizando celulares com programa do projeto Noise Tube, em todas as turmas do Ensino Médio matutino: 1001, 1002, 1003, PROEMI,

2001, 2002, 3001 e 3002, as quais apresentam maiores problemas com a poluição sonora, em relação às turmas noturnas.

Foram realizadas três medidas e obtida a média aritmética para cada uma das turmas. Os alunos foram divididos em grupos que mediram os níveis sonoros em cada uma das salas, corredor e pátio da escola, tendo sido obtidos os dados apresentados na tabela 1 abaixo:

Tabela 1 - Nível sonoro nas salas de aula de Ensino Médio do CEC.

O rendimento da turma foi obtido através de dados da escola, que informa as médias das turmas todos os bimestres ao professores.

Concluímos que todas as turmas da escola alcançam níveis indesejáveis de poluição sonora, já que segundo a UNESCO, um ambiente propício ao aprendizado deveria estar em torno de 50db.

Através do gráfico da figura 1 abaixo, verificamos que para a maioria das turmas, quanto maior o nível sonoro medido na turma, menor o rendimento.

Figura 1 - Relação entre nível sonoro e rendimento da turma.

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Através do gráfico acima podemos observar que as turmas de maiores rendimentos possuem níveis sonoros baixos e as turmas de níveis sonoros próximos a 70db apresentam os menores rendimentos. Tais informações foram discutidas

junto aos alunos, promovendo dentro da escola conhecimento para melhorar seu ambiente. Os dados foram apresentados à direção que para o próximo ano consultará os alunos em busca de solução para o problema.

## Considerações Finais

A escola convive com uma série de problemas e alguns deles estão diretamente ligados à atuação dos alunos, por isso estes precisam se conscientizar da importância em intervir positivamente em relação a esses problemas.

A poluição sonora é um desses problemas e sua discussão promove a contextualização da disciplina Física.

A utilização das novas tecnologias vem sendo reforçada e a UNESCO tem um plano de incentivo a sua utilização em sala de aula.

Neste trabalho mostramos que podemos contextualizar a Física na escola, formar um aluno cidadão, que se preocupa com o ambiente em sua volta e que podemos utilizar as novas tecnologias para promover um estudo mais contextualizado da Física.

## Referências

BERNARDES, A. O. Algumas considerações sobre a importância das feiras de Ciências. Revista da Educação Pública . Disponível em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao\_em\_ciencias/0006.html. Acesso em 15/12/2013.

BERNARDES, A. O. Produção de um documentário amador por turmas de ensino médio e EJA (Ensino de Jovens e Adultos) com o uso do Windows Movie Maker. Revista Tecnologias na Educação. Dezembro de 2010.

BERNARDES, A. O. Trabalhando com recursos lúdicos no Ensino Médio: produzindo vídeos educativos para o ensino de Física. Revista da Educação Pública. http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/fisica/0029.html

LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). Acessado em 10 de outubro de 2013: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf

MORAN, J. M. A integração das tecnologias na educação . Acessado em 30 de maio de 2013. http://www.eca.usp.br/moran/integracao.htm

RODRIGUES, N. Tecnologia móvel na educação: a escola a qualquer tempo e em todo lugar. Revista Inova Educ. Acesso em 10 de outubro de 2013.

UNESCO. Tecnologias Móveis na Educação.

http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-

view/news/learning\_with\_mobile\_technologies-1/ Acesso em 10 de outubro de 2013.

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