A PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO PIBID DE FÍSICA DA UFS/ITABAIANA
Tiago Nery Ribeiro, Lucas De Carvalho Dantas
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO PIBID DE FÍSICA DA UFS/ITABAIANA
## Tiago Nery Ribeiro , Lucas de Carvalho Dantas 1 2
- 1 Universidade Federal de Sergipe/Departamento de Física/Campus Prof. Alberto Carvalho, tnribeiro@globo.com
## Resumo
Este trabalho tem por objetivo apresentar um relato das experiências de ensino e de aprendizagem realizadas no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Federal de Sergipe (UFS), do subprojeto do Departamento de Física do campus Prof. Alberto Carvalho. O programa tem como principal objetivo a valorização do magistério e a qualificação profissional dos futuros professores, além de desenvolver projetos inovadores, elaborando materiais didáticos que sirvam de apoio para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. A implementação destes recursos possibilitou uma formação continua dos envolvidos no projeto, promovendo reflexões acerca de métodos e práticas que auxiliaram nas formas de levar o conhecimento para a educação básica, e assim elevar o rendimento dos alunos. Neste trabalho descrevemos o passo a passo de planejamento, elaboração e utilização das estratégias de ensino utilizadas durante o projeto, tais como: unidades de ensino potencialmente significativas, mapas conceituais, experimentos e o Ciências sobre rodas - busão da ciência do agreste e sertão. A elaboração de materiais didáticos foi uma atividade constante durante o PIBID/Física/Itabaiana, e oportunizou aos bolsistas um importante contato com a utilização de materiais didáticos alternativos que tinham por objetivo significar os caminhos da aprendizagem. Todos os materiais didáticos produzidos eram levados e expostos em sala de aula para alunos da educação básica da rede estadual no município, feiras de ciência, viagens do projeto Ciências sobre rodas e eventos de extensão da universidade, e nestes, conseguimos evidenciar um maior interesse dos alunos em participar das atividades, tendo uma significativa interação, o que nos levou a concluir que a dinamicidade e a ludicidade, neste caso, foram importantes para o ensino de Física.
Palavras-chave : PIBID, ensino de Física, materiais didáticos.
## Introdução
Este trabalho tem por objetivo apresentar um relato reflexivo acerca da elaboração e utilização de materiais didáticos nas atividades do subprojeto do Departamento de Física do campus Professor Alberto Carvalho da Universidade Federal de Sergipe, durante atuações nas escolas, em feiras de ciência, em espaços não formais de educação e projetos de extensão como o Busão da Ciência do Agreste e Sertão. Dessa forma, apresentaremos de forma breve, uma descrição do processo de elaboração e utilização desses materiais didáticos que tendem a transformar a realidade da escola.
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23 a 27 de janeiro de 2017
E é nessa transformação que acreditamos está inserido o principal valor do PIBID, que através dessas novas práticas possam aprimorar e dinamizar o ensino de Física nas escolas públicas, buscando desenvolver a criatividade de todos aqueles que participam do programa.
## O PIBID como agente qualificador na graduação
Os contatos entre futuro professor e classe de aula traz para o aluno bolsista experiências engrandecedoras, pois, possibilita ao futuro profissional da educação adquirir qualificação, além de permitir conhecer as dificuldades e desafios da profissão. Dominar a matriz curricular não é somente requisito básico do professor, é necessário também saber lidar com as diferenças individuais do aluno e a partir do conhecimento destas, desenvolver um plano de ensino que abranja todas as necessidades da turma. O PIBID também confere aos graduandos este contato antecipado que oferece uma qualificação extra junto com os estágios supervisionados da graduação.
No contexto das ciências exatas, em especial da Física, há uma cultura social construída de que é difícil, complicada e sem utilidade. O PIBID traz inovações em métodos e práticas tornando o ensino da Física mais acessível para os que possuem dificuldade do seu aprendizado. Além de inovar, quebra a inércia do ensino tradicionalista e acaba com o comodismo das escolas públicas de sempre transmitir o conhecimento com formas e práticas definidas e imutáveis. O aprendizado ocorre num fluxo entre ambas partes em questão, o professor aprende com os alunos e os alunos aprendem com o professor.
Para Freire,
'[..] não é possível a qualquer indivíduo inserir-se num processo de transformação social sem entregar-se inteiramente a conhecer, como resultado do próprio processo de transformar; mas, também, ninguém pode se inserir no processo de transformar sem ter no mínimo, uma base inicial de conhecimento para começar. É um movimento dialético porque, de um lado, o indivíduo conhece porque pratica e, para praticar ele precisa conhecer um pouco. ' (FREIRE, 1987, p. 265)
O PIBID tem o potencial de proporcionar aos graduandos: o conhecimento na estruturação de projetos e a vivência deles dentro da sala de aula; o melhoramento das relações interpessoais e o aprimoramento da comunicação, rompendo a timidez e a vergonha; e o reconhecimento do seu desempenho perante a comunidade acadêmica e perante a sociedade. Mas, não só os alunos ganham com estas relações, a sociedade é beneficiada com a melhoria do ensino, e principalmente os alunos que aumentam as possibilidades de aprender, pois passam a ser protagonistas de sua aprendizagem, uma vez que tende a pôr em prática as teorias aprendidas e além de despertar em alguns o interesse em seguir a carreira acadêmica em licenciaturas. Segundo Cunha (2002, p. 90-91), a inovação traz não a ideia de 'simplesmente agregar novos elementos, mas romper com o paradigma dominante, introduzindo novas alternativas que quebrem com a estrutura tradicional do trabalho e interferem nos resultados de aprender e ensinar numa perspectiva emancipatória'.
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## Métodos e Práticas desenvolvidas no subprojeto do PIBID de Física da UFS/Itabaiana
## Experimentos
O subprojeto do PIBID de Física do campus Prof. Alberto Carvalho da Universidade Federal de Sergipe tem como uma de suas metas a construção, a partir de materiais de baixo custo e recicláveis, de experimentos clássicos que demonstram fenômenos propostos no ensino da Física. O uso da experimentação como ferramenta didática traz novos ares as aulas teóricas, aproximando as teorias com a realidade. Para os alunos das escolas públicas de nossa região que não possuem laboratório ou ambiente destinado a experimentação é uma grande oportunidade de observar estes fenômenos, muitos destes alunos de situação carente, encontram no projeto refúgio para as suas curiosidades acerca da Física.
Os experimentos construídos são apresentados em feiras de ciências, eventos escolares, praças, bienal do livro de Itabaiana e oficinas realizadas nos encontros de Física organizados pela nossa universidade. Os alunos bolsistas em conjunto com o professor coordenador da área e o supervisor do projeto na escola apresentam os experimentos aos alunos, oportunizando que percebêssemos um resultado imediato que foi o maior interesse e engajamento dos alunos, o que tornava as discussões mais leves e descontraídas. Apresentamos algumas experiências construídas na figura 1.
As vivências experimentais dos alunos despertam o interesse para dedicarse a aprender mais sobre o assunto, não somente acomodando-se com o quê em sala foi repassado. E nesta busca de novos conhecimentos e interesse na Física é que vão se rompendo os estigmas culturais, que para estudar a Física e entende-la se deve possuir grandes aptidões matemáticas. A Física é palpável e de fácil observação. A experimentação traz uma nova forma de ver e compreender o mundo exterior.
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Figura 1: Alguns dos experimentos construídos no projeto
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Fonte: Fotos tiradas pelos bolsistas
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## Unidades de ensino potencialmente significativas.
No desenvolvimento de oficinas nas turmas das escolas envolvidas no subprojeto de Física do PIBID utilizamos as Unidades de Ensino Potencialmente Significativas (UEPS), de forma que almejou-se uma sequência de ensino que tivesse por objetivo a promoção de uma aprendizagem significativa, visando possibilitar a retenção e a organização do conteúdo na estrutura cognitiva do aluno.
Para Ausubel, para que o material seja potencialmente, é necessário que ele seja capaz de conceber uma nova aprendizagem e para que seja significativo é necessário que atenda a dois importantes critérios: tenha capacidade de relação não arbitrária e não literal para com ideias particulares relevantes na estrutura cognitiva do aprendiz e de relação com a estrutura cognitiva particular de um aprendiz em particular. (AUSUBEL, 2003).
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A Unidade de Ensino Potencialmente Significativa foi a forma utilizada por Moreira (2011) para denominar uma sequência didática adequada para a implementação dos princípios teóricos da Teoria da Aprendizagem Significativa. As unidades de ensino foram alicerçadas ao processo e às circunstâncias que se propõem a Teoria de Aprendizagem Significativa, que é distinta fundamentalmente das características e natureza do material de ensino.
Foram desenvolvidas cinco unidades de ensino com os seguintes temas: Looping - Conservação de energia; Energia e as suas transformações; Ondas sonoras; Momento angular; e hidrostática.
Durante a aplicação das UEPS conseguimos evidenciar que se tornaram um material de ensino que teve o potencial de oportunizar a utilização de conhecimentos prévios dos alunos, permitiu a realização de princípios básicos da Teoria da Aprendizagem Significativa como a diferenciação progressiva e reconciliação integrativa, utilizou situações de ensino desafiadoras que permitiu a abertura na criatividade dos alunos e a utilização de diferentes estratégias e instrumentos facilitadores de aprendizagem.
## O busão da ciência do Agreste e do sertão
Os alunos bolsistas do PIBID participaram com experimentos e oficinas elaboradas no âmbito do programa em viagens do projeto intitulado Busão da Ciência do Agreste e do sertão, no qual, junto com outros cursos de licenciatura do campus Prof. Alberto Carvalho, visitavam escolas públicas de cidades do interior dos estados de Sergipe, Bahia e Alagoas, possibilitando um enriquecimento cultural e científico dos alunos da educação básica e da população, bem como oportunizou o aprimoramento profissional dos alunos bolsistas e fundamentou o seu papel na popularização da ciência.
Cada exposição itinerante envolvia temáticas distintas, com temas que abordavam questões voltadas para a realidade e problemáticas que envolviam as localidades visitadas, o que refletia na escolha dos experimentos a serem desenvolvidos, procurando sempre chamar a atenção para aspectos sociais, ambientes, econômicos, regionais e culturais de cada comunidade visitada.
## Mapas Conceituais
Os mapas conceituais foram desenvolvidos por Joseph Novak com o objetivo de representar, de forma gráfica, uma estrutura cognitiva com os conceitos que a compõem. Esses conceitos tendem a seguir um padrão de ir do mais geral para o mais específico dando ao mapa uma aparência hierárquica.
No subprojeto do PIBID de Física, os mapas conceituais se tornaram uma ferramenta importante na representação dos quadros conceituais e suas proposições para a determinação do conhecimento dos alunos bolsistas sobre os conceitos da Física, pois esta é uma das funções do mapa.
Os mapas foram utilizados para o planejamento das aulas e das oficinas, na identificação de conhecimentos prévios dos alunos participantes do projeto, no
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desenvolvimento dialogado do conteúdo, como resumo final das atividades desenvolvidas e como forma de avaliação.
## Considerações finais
O PIBID tem um papel fundamental na melhoria da educação brasileira, apesar das dificuldades que vem enfrentando, conseguimos identificar um crescimento conceitual entre todos os participantes do programa, graças a novos métodos e práticas de ensino desenvolvidos, muitas vezes partindo de ideias simples, vem contribuindo significativamente para a formação dos docentes e para as escolas. Tornando o graduando, um partícipe que compreende o seu papel perante a sociedade e aprende a conviver e compreender com as diferenças e assim conduzir o seu trabalho visando a efetivação da captação do conhecimento.
Para Imbernon,
'O ensino que se pretende uma mera atualização cientifica, pedagógica e didática e se transforma na possibilidade de criar espaços de participação reflexão e formação para que as pessoas aprendam e se adaptem para poder conviver com a mudança e a incerteza'. (IMBERNON, 2010, pg. 15)
Enfim, o professor deve estar sempre a atualizar os seus métodos para não cair na inércia do comodismo. Ser professor é assumir o risco, e aceitar os novos modelos sem nenhum tipo de discriminação (FREIRE, 1997).
## Referências
AUSUBEL, D. P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Plátano edições técnicas, 2003, Lisboa/Portugal. Tradução de The acquisition and retention of knowledge: a cognitive view. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 2000.
CUNHA, M. I. In: LEITE, D.; MOROSINI, M. Universidade futurante: produção do ensino e inovação. 2. ed. Campinas, SP: Papirus, 2002.
FREIRE, P. Ação Cultural para a liberdade e outros escritos. 8. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1987.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997
IMBERNON, F. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a Incerteza. 8ed. São Paulo: Cortez, 2010.
MOREIRA, M. A. Unidades de Enseñanza Potencialmente Significativas UEPS. Aprendizagem Significativa em Revista/Meaningful Learning Review - V1(2), pp. 43-63, 2011
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