Potencialidade no uso de vídeos de Divulgação Científica na aula de Física
Pedro Henrique Nantes Magnani, Márlon Pessanha
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## POTENCIALIDADE NO USO DE VÍDEOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NA AULA DE FÍSICA
## Pedro Henrique Nantes Magnani 1 , Márlon Pessanha 2
1 Universidade Federal de São Carlos / Departamento de Física / ph\_magnani@hotmail.com
2 Universidade Federal de São Carlos / Departamento de Metodologia do Ensino / marlonpessanha@yahoo.com.br
## Resumo
Cada vez mais, as novas tecnologias têm assumido um papel importante na vida dos alunos. Mediante o avanço e a popularização destas novas tecnologias, as quais o aluno utiliza no seu cotidiano, é inevitável o encontro delas e de suas ferramentas com a formalização e a transmissão de informações dentro do ambiente escolar. Neste trabalho buscou-se analisar, desde um ponto de vista pedagógico, a potencialidade deste encontro. Para isso, foi efetuada a análise da potencialidade de uso de mídias digitais em sala de aula, em específico de vídeos provenientes de canais do Youtube, os quais abordam temas científicos, mais especificamente, temas que envolvem conceitos de Física. Para que uma análise mais criteriosa pudesse ser feita, foram considerados critérios como: pré-requisitos necessários para entendimento da informação transmitida no vídeo; capacidade deste em despertar o interesse no aluno; e facilidade de seu uso durante uma aula/palestra. A partir das análises, foi possível perceber que a potencialidade de um uso educacional destes materiais existe, porém, fica à mercê da metodologia empregada e do planejamento didático em que ocupa um papel. Se, por exemplo, um professor adequar um determinado vídeo ao seu plano de aula, fazendo uma ligação direta com conteúdos e conhecimentos vistos nas aulas anteriores ou a serem vistos em aulas futuras, sua potencialidade poderá ser maximizada.
Palavras-chave : novas tecnologias, vídeos, metodologia, sequencia didática
## Introdução
O compartilhamento de informações de cunho científico pode ocorrer em diferentes meios, o que inclui além dos espaços educacionais formais, outros de caráter informal. Conforme definido por Gaspar (2002), a educação formal é aquela educação com reconhecimento oficial, oferecida em escolas e cursos com níveis, graus, currículos e diplomas; já a educação informal, é aquela na qual não há lugar, horário ou currículo, em que os conhecimentos são partilhados na interação sociocultural, abrangendo todos aqueles interessados por determinados conhecimentos.
Considerando as definições expostas pelo autor, podemos perceber que o contato com informações científicas não se dá exclusivamente nas escolas e cursos, mas ocorre também comumente em espaços de educação informal, em que há a chance de pessoas que são relativamente leigas em relação a tópicos de ciências, terem contato com um conhecimento científico, muitas vezes em uma linguagem mais simplificada. Neste sentido, os espaços de educação informal se apresentam como meio efetivos de popularização da ciência. Essa popularização da ciência é um dos fatores que predominam na própria divulgação científica, dando jus ao nome.
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23 a 27 de janeiro de 2017
Nos últimos anos, a divulgação científica tem ocorrido também em meios digitais, os quais estão acessíveis não somente aos alunos, mas também aos professores. Tais meios podem consistir em desde redes sociais até blogs ou vídeoblogs, de forma que a informação é, muitas vezes, transmitida e divulgada entre os próprios usuários de tais meios. De certa forma, o acesso facilitado aos meios digitais, algo potencializado especialmente pela Internet, tem ajudado na divulgação da ciência.
Considerando que na atualidade os meios digitais assumem uma importância enquanto instrumentos de divulgação científica e que tanto professores quanto alunos acessam tais meios digitais, tendo assim acesso e disponibilidade a materiais de cunho científico, o presente trabalho tem como objetivo geral analisar a potencialidade de uso de mídias digitais em sala de aula, em específico de vídeos provenientes de canais do Youtube que possuem um caráter científico, e que discutem e apresentam experimentações envolvendo conceitos e fenômenos físicos. O trabalho possui ainda, como objetivos específicos, (i) analisar a praticidade do uso destes vídeos, levando-se em conta o tempo hábil que um professor tem dentro de uma sala de aula (geralmente, duas aulas de 45 minutos por semana), (ii) analisar a aproximação destes vídeos com o ambiente formal dentro da sala de aula e (iii) analisar a aproximação destes vídeos com a linguagem informal do aluno.
## Divulgação científica e os meios digitais de comunicação: o uso educacional
Podemos afirmar que a divulgação científica, independentemente do modo como é feita, se trata de uma comunicação entre uma informação proveniente do âmbito científico com um indivíduo leigo no assunto, trazendo para este um conhecimento novo, uma quebra de expectativas ou uma ruptura de um conceito formado sobre determinado assunto. Contudo, definir a divulgação científica não é uma tarefa simples:
O que chamamos de divulgação científica compreende um conjunto tão grande e diverso de textos, envolvidos em atividades tão diferentes, que todas as tentativas de definição e categorização históricas acabam malogradas. A aparente obviedade da expressão divulgação científica faznos esquecer sua associação a todo um conjunto de representações de valores sobre a própria ciência, os textos que lhe são associados e o imaginário que os diferencia em termos de legitimação com relação ao conhecimento que veiculam os lugares por onde este e não aquele texto pode/deve circular. (SILVA, 2006, p. 53).
Ou seja, a divulgação científica possui uma variação de definição consideravelmente ampla, e isso faz com que o uso do termo possa se tornar confuso ou mal interpretado. Assim, para este trabalho, entre as muitas definições disponíveis na literatura, assumimos a seguinte:
Popularização da ciência ou divulgação científica (termo mais frequentemente utilizado na literatura) pode ser definida como o uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral. Nesse sentido, divulgação supõe a tradução de uma linguagem especializada para uma leiga, visando a atingir um público mais amplo. (ALBAGLI, 1996, p. 397).
Considerando tal definição, pode-se afirmar que o papel que a divulgação científica exerce na sociedade faz com que a população, principalmente aquela leiga
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sobre a informação presente na divulgação, tenha contato com aspectos do meio científico, sejam seus resultados, suas previsões ou qualquer outro. Neste sentido:
Entendida como um acervo de práticas no campo da Comunicação, a divulgação científica atua na exposição pública não só dos conhecimentos, mas dos pressupostos, valores, atitudes, linguagem e funcionamento da C&T [ciência e tecnologia]. Fazendo uso, para tal, de uma ampla gama de meios disponíveis[...] A conjunção entre essas premissas práticas da divulgação científica e sua diversidade de veículos pelos quais opera é que a confere a qualidade de recurso imprescindível na educação pública em ciências. (VALÉRIO, BAZZO, 2006, p. 35).
Quando uma informação é transmitida para um indivíduo, ela pode, dependendo das convicções adotada por este, causar um impacto significativo. A partir do momento em que se trata de informações de cunho científico, esse impacto pode ser tanto positivo quanto negativo, fazendo com que dentro da divulgação científica exista uma dimensão ética a ser considerada, onde a circulação das ideias e dos resultados de pesquisas é fundamental para avaliar seu impacto social e cultural, ou recuperar através de debates os vínculos e valores culturais que a descoberta do novo pode romper ou ferir (VALÉRIO, BAZZO, 2006). Cabe então ao próprio criador da informação ser rígido para com as fontes que utiliza; este aspecto, principalmente em se tratando de mídias virtuais, é muito mais explorado, já que nelas as pessoas podem criar, recriar e transmitir informações a sua própria vontade.
Materiais disponibilizados na educação informal, como em meios de divulgação científica, podem encontrar lugar na sala de aula de ciência. Contudo, devido a limitações próprias do espaço escolar, alguns materiais se apresentam 1 como pouco adequados para o uso em sala de aula, seja pelo custo de produção ou pelas dimensões envolvidas. Frente a estas dificuldades, um caminho que se apresenta como possível é o uso de materiais disponibilizados enquanto Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
As TIC podem ser definidas segundo diferentes características, tais como a interatividade, o fato de poderem ser utilizadas a qualquer momento, seu longo alcance e o fato de apresentarem um custo de uso reduzido se comparadas a outras tecnologias (GESTER, ZIMERMANN, 2003). A facilidade que tais tecnologias possuem fazem com que seu uso e manuseio dentro da sala de aula seja possível.
Nas últimas décadas temos acompanhado o surgimento de novas tecnologias tais como notebooks, smartphones, tablets, etc., as quais possuem características que nos levam a defini-las como TIC. Tais tecnologias têm, cada vez mais, se tornado acessível a muitas pessoas e ocupado um papel relevante na sociedade, de modo que pensar o uso delas na educação é algo que não se pode evitar. No entanto, quando se fala no uso das TIC na educação, há de se considerar a relação destas tecnologias com o professor que a utilizará:
Em uma revisão da literatura sobre as barreiras para a integração das TIC em ambientes de ensino e aprendizagem, Bingimlas (2009), centrando-se no professor, destaca que entre os fatores que definem o insucesso no uso das TIC está o despreparo do professor em lidar com as TIC, a falta de um apoio técnico-pedagógico, a falta de confiança e a resistência a mudanças. Atualmente diversos países promovem a inserção das TIC na educação, e o professor muitas vezes não sendo um nativo digital como seus alunos são,
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permanece na inércia de suas estratégias tradicionais, mesmo quando utiliza as TIC. (PESSANHA, 2014, p. 39-40).
Ou seja, enquanto o uso das TIC se mostra como potencial pelas suas próprias características, há uma dificuldade intrínseca a este uso no que se refere a como o professor irá, de fato, planejar e executar atividades baseadas nas TIC. Neste sentido, há o risco de o professor, ao utilizar as TIC na educação, o faça apenas como um complemento ou suporte para suas aulas, apenas reproduzindo práticas e estratégias já adotadas e consolidadas na sala de aula comum (PESSANHA, 2014, p.40).
Um caminho possível para contornar tal dificuldade é pensar no uso de materiais provenientes das TIC com as quais os professores podem ter uma maior familiaridade, por exemplo, vídeos disponibilizados em mídias digitais.
Neste trabalho procurou-se explorar a junção do mundo formal encontrado nas escolas com o mundo informal da divulgação científica, a partir de um olhar sobre o potencial de uso de materiais disponíveis em mídias virtuais, es específico, os vídeos digitais. Através das mídias virtuais, as pessoas podem compartilhar praticamente todo o tipo de conteúdo digital (imagens, vídeos, áudios, simulações) assim como utilizar-se de ferramentas para a comunicação entre seus usuários (emails, chats, fóruns), além de facilitar a criação e publicação de conteúdos em páginas específicas (DOTTA, 2011). Áudios e imagens estáticas ou dinâmicas, como o que se encontra em vídeos digitais disponíveis na Internet em canais do Youtube, podem estar mais acessíveis aos professores e, além disso, envolvem uma tecnologia audiovisual já utilizada há mais tempo se comparada a outras tecnologias (por exemplo, as simulações computacionais, os experimentos automatizados ou a modelagem computacional). Deste modo, parte das dificuldades envolvendo o uso pedagógico de TIC, como a pouca familiaridade dos professores como alguns recursos, pode ser contornada com o uso de vídeos digitais.
Considerando isso, analisamos aqui o potencial no uso de vídeos de canais do Youtube, com temas que remetem à conceitos de Física. Tal escolha se deve ao fato de que, além de envolver uma tecnologia mais familiar ao professor, a divulgação científica feita por tais meios se apresenta como mais acessível ao ambiente escolar, principalmente em termos de espaço temporal que o professor possui dentro de uma sala de aula, assim como, em se tratando destes, a comunicação com o aluno passa a ser muito mais íntima, fazendo a transmissão da mensagem/informação algo muito mais interessante para ele (GIGLIO, SOUZA, 2013).
## Metodologia
A pesquisa realizada se caracteriza como um estudo qualitativo, em que a partir de mídias digitais selecionadas, foi feita uma análise da potencialidade de uso de vídeos específicos no espaço escolar, a partir das características destes. Foram executadas três etapas principais, sendo uma primeira dedicada à seleção das mídias digitais (canais do Youtube), uma posterior envolvendo a seleção de materiais disponíveis nas mídias digitais (vídeos de divulgação científica) e, por fim, uma etapa de análise dos materiais selecionados.
Na primeira etapa, envolvendo a seleção das mídias digitais, se considerou diferentes critérios de seleção, entre eles, a popularidade e alcance dos canais, e o tempo de duração médio dos vídeos neles disponíveis. Já a segunda etapa, que
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envolveu a seleção dos materiais de divulgação científica, ocorreu a partir da verificação do número de acesso ao material. Entre os materiais disponibilizados, foram selecionados aqueles, entre os que possuíam um grande número de acesso, que tratavam de conceitos de física. A última etapa, que envolveu uma análise dos materiais selecionados, se deu a partir de critérios definidos de antemão. São eles: pré-requisitos necessários para entendimento da informação transmitida no vídeo; capacidade deste em despertar o interesse no aluno; e facilidade de seu uso durante uma aula/palestra.
## Resultados e Análises
Para o presente trabalho, levou-se em consideração a aproximação do ambiente formal da sala de aula com o informal presente no cotidiano do aluno. Logo, os vídeos do Youtube que foram escolhidos para a análise deveriam, em certa medida, possuir uma linguagem próxima àquela do aluno. Dessa maneira, dois canais do Youtube foram selecionados: Nerdologia e Smarter Every Day . Ambos canais possuem uma linguagem acessível, e ainda contam com perfis em redes sociais (como o Facebook e Twitter) em que são divulgados os novos materiais disponibilizados, possuindo, assim, um alcance considerável, devido ao seu grande número de 'seguidores' nas diferentes redes sociais, de modo que podem ser qualificados como meios com grande popularidade na Internet, em específico no âmbito da divulgação científica virtual.
É importante salientar que o canal Smarter Every Day possui áudio em inglês, o que poderia dificultar sua apresentação numa sala de aula. Porém o mesmo disponibiliza legendas em português em praticamente todos os seus vídeos, o que, junto a uma preparação adequada por parte do professor, faz dessa barreira algo possível de se contornar. Já o canal Nerdologia apresenta uma dificuldade diferente: o tempo do vídeo é demasiado curto em relação às informações e conteúdos abordados. No entanto, como o canal sempre toma o cuidado de apresentar todos os materiais consultados utilizados na criação dos vídeos, sendo disponibilizado links na descrição de cada vídeo, a dificuldade envolvendo o volume de informações em relação ao período de tempo pode ser contornado com um planejamento adequado do uso do recurso.
Outro ponto a ser destacado se refere à praticidade de uso de tais vídeos: em média, o tempo de duração dos vídeos do canal Smarter Every Day é de 10 minutos, enquanto que do canal Nerdologia é de 5 minutos por vídeo. Assim, ambos os canais possuem materiais que podem ser apresentados e discutidos dentro do tempo de uma aula, possibilitando que o recurso ocupe um papel específico e situado na aula planejada pelo professor.
## Seleção e análise dos materiais
A seguir, trazemos uma análise de dois disponibilizados no canal Smarter Every Day e de dois disponibilizados no canal Nerdologia .
## · Do canal Smarter Every Day
- -Vídeo 'How Laser Tattoo Removal Works - Smarter Every Day 123' (Disponível em: www.youtube.com/watch?v=D0B7F5UbTOQ)
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Resumo do vídeo e seu conteúdo: tratando elementos envolvendo óptica e termodinâmica, o vídeo mostra o processo de remoção de uma tatuagem.
Usando uma abordagem e uma linguagem informais, o apresentador tenta mostrar os principais fenômenos (sejam eles físicos, biológicos ou químicos) envolvidos no processo de remoção de uma tatuagem. Mesmo tentando manter essa abordagem por todo o vídeo, é inevitável o aparecimento de termos científicos mais específicos do que aqueles utilizados no cotidiano, e as explicações para os mesmos cabem aos profissionais presentes no vídeo (neste caso um cirurgião plástico que opera tal processo). Tanto a abordagem feita pelo apresentador quanto o tema tratado fazem do vídeo um material muito interessante de um ponto de vista pedagógico. Além disso, a temática é potencial em levar o aluno a se focar no assunto e conceitos explorados. Há de se ponderar, no entanto, em relação à forma como o vídeo pode ser utilizado: por tentar ter uma abordagem direta e explicativa, sempre, através de animações e afins, tentando explicar os processos complicados envolvidos, o vídeo pouco deixa para o espectador perguntas a serem respondidas. Ou seja, cabe ao professor definir a forma de uso do material dentro da sala de aula, por exemplo, exibindo aos poucos os trechos do vídeo, estabelecendo uma dinâmica que permitirá aos alunos apresentar explicações e compará-las com as do vídeo.
## - Vídeo 'A Baffling Balloon Behavior - Smarter Every Day 113' (Disponível em: www.youtube.com/watch?v=y8mzDvpKzfY)
Resumo do vídeo e seu conteúdo: utilizando uma abordagem mais simples, o vídeo envolve conceitos de dinâmica de fluidos, densidade e 2ª Lei de Newton, mostrando como diferentes pêndulos funcionam quando sujeitos à uma aceleração (o apresentador utiliza um pêndulo mais denso e outro menos denso do que o ar, ambos dentro de sua van, simulando neste caso a aceleração).
Já neste vídeo, o apresentador possui uma abordagem muito mais investigativa, deixando que o espectador, aqui representados por seus próprios filhos, tente teorizar e responder as perguntas que o mesmo lança a respeito do que virá a acontecer quando acelera ou freia sua van. A utilização deste material durante uma aula é muito mais intuitiva, principalmente por conta do fato de que recursos como pausar ou continuar o vídeo podem ser muito bem utilizados, deixando tempo para que os alunos incorporem os personagens representados pelos filhos, tentando adivinhar os fenômenos que podem ou não acontecer.
## · Do canal Nerdologia :
## -Vídeo 'GRAVIDADE | Nerdologia 5' (Disponível em: www.youtube.com/watch?v=CcM4eEE4R0Q)
Resumo do vídeo e seu conteúdo : falando especificamente do filme ' Gravidade ', o vídeo mostra erros e acertos cometidos pelo filme, sobre uma visão puramente científica, envolvendo conceitos como a própria gravidade e a conservação de momento.
Com uma interface muito chamativa, o canal faz uso de uma aparência muito voltada àquela já conhecida do aluno: quadro negro e giz. Porém, com uma abordagem muito mais dinâmica e utilizando uma linguagem muito mais próxima daquela do aluno (seja por meio de gírias, seja por meio de elementos da cultura cotidiana), o vídeo traz uma visão de que a ciência não fica restrita ao laboratório/sala de aula, mas sim está presente em um posicionamento crítico frente
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aos fenômenos. Porém, a nosso ver e para este vídeo em específico, o canal peca em manter o foco somente em um filme. As informações transmitidas são boas bases para uma possível discussão numa sala de aula, porém cabe ao professor analisar e discutir a veracidade destas informações com seus alunos, assim como encontrar um planejamento de aula adequado para a utilização de tal vídeo.
## - Vídeo 'SER INVISÍVEL É POSSÍVEL? | Nerdologia 12' (Disponível em: www.youtube.com/watch?v=wskKu-a8ywI)
Resumo do vídeo e seu conteúdo: neste vídeo, o canal procura falar sobre como um corpo material poderia se tornar invisível, mostrando conceitos de óptica como refração e reflexão.
Com uma interface padrão que é mantida em todos os seus vídeos, o canal traz uma visão mais divertida da ciência, estabelecendo ainda relações com o que é conhecido pelo aluno. Utilizando, ainda, gírias e outros elementos da cultura cotidiana do aluno, o vídeo apresenta o conteúdo científico em uma linguagem acessível. O vídeo traz uma análise clara e precisa, do ponto de vista científico, sobre o tema abordado. Os termos e fenômenos específicos são explorados claramente, e indo além, o vídeo apresenta uma ampla quantidade de informação em um tempo vídeo relativamente curto. Neste caso, caberia ao professor estabelecer discussões prévias, de modo a permitir a construção de conhecimentos prévios necessários para uma melhor compreensão do vídeo.
Em geral, os vídeos de ambos os canais se apropriam de uma linguagem cotidiana que, em alguns momentos, se aproxima de uma linguagem da ciência. Na relação entre as linguagens informal e formal, conforme comenta Gaspar (2002), ocorre a construção de conceitos espontâneos e científicos. Tal construção, segundo o autor, consiste em um processo gradativo, que a nosso ver, pode ser facilitado e ganhar significado com o uso de vídeos, como aqueles aqui descritos. Em todos os vídeos são explorados diferentes signos, além das palavras, que podem auxiliam na construção de conceitos. Gaspar (2002) ainda afirma que a construção do novo conceito se dá de forma facilitada quando o aprendiz tiver em mente alguma pré-concepção a ele relacionada. No caso dos vídeos, as situações que são exploradas, envolvendo elementos comuns do cotidiano dos alunos, em uma linguagem majoritariamente informal, mas que também passa por termos formais, se apresenta como algo potencial em aproximar determinados conteúdos àquilo que os alunos já possuem em suas explicações e pré-concepções.
Quanto à forma de uso do vídeo, o grande desafio repousa em não simplesmente reproduzir, mesmo que com o recurso diferenciado, práticas e estratégias já adotadas e consolidadas na sala de aula comum (PESSANHA, 2014), as quais normalmente trazem resultados insatisfatórios. Entre os vídeos analisados, pelo menos um deles possui, explicitamente, elementos que podem remeter a uma mudança na prática de sala de aula: o vídeo 'A Baffling Balloon Behavior - Smarter Every Day 113', em lugar de uma explicação direta, apresenta diferentes questionamentos, que em sala de aula, podem ser explorados. Neste sentido, a inovação das práticas em direção a uma participação mais ativa e interativa dos alunos, que inclusive pode envolver levantamento de hipóteses e explicações, pode ser facilitada com o uso do vídeo.
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## Considerações finais
A partir das análises realizadas, podemos dizer que os quatro vídeos selecionados para a análise se revelam como potenciais materiais para um uso educacional, pois, em geral, apresentam: elementos que podem levar os alunos a se interessar pelo tema abordado e, consequentemente, pela aula ministrada (por exemplo, os vídeos envolvem, a partir de uma linguagem informal, discussões contextualizadas e relacionadas com o cotidiano, algo que o aluno não é acostumado, ainda hoje, a ver dentro do ambiente escolar); elementos que permitem aos alunos que tragam à tona suas reflexões acerca dos fenômenos estudados; e por fim, elementos que demonstram que tais materiais são plausíveis de serem utilizados dentro de uma sala de aula, já que possuem discussões breves sobre determinados assuntos, os quais não divergem do conhecimento científico, e com uma linguagem acessível que pode levar a um melhor entendimento do que é discutido.
Vale destacar que o presente trabalho consiste em um recorte de um estudo mais amplo, o qual foi realizado no âmbito de um trabalho de conclusão de curso que avaliou outros elementos para além daqueles aqui apresentados.
## Referências
ALBAGLI, S. Divulgação científica: informação científica para a cidadania? Ciência da Informação , v. 25, n. 3. Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT, 1996.
DOTTA, S. Uso de uma mídia social como ambiente virtual de aprendizagem. In: SBIE Simpósio Brasileiro de Informática na Educação, XXII, 2011, Aracaju, Anais , Aracaju, 2011, p. 610-619.
GASPAR, A. A educação formal e a educação informal em ciências. In: MASSARINI, L.; MOREIRA, I. C.; BRITO, F. Ciência e Público: caminhos da divulgação científica no brasil , p. 171-184, 2002. Disponível em: <http://www.museudavida.fiocruz.br/brasiliana/media/cienciaepublico.pdf>, Acesso em: jul. 2016.
GERSTER, R.; Zimmermann, S. Information and communication technologies (icts) and poverty reduction in sub saharan africa: a learning study (synthesis) . Gerster Consulting, Richterswill, 2003.
GIGLIO, K.; SOUZA, M. Mídias, redes sociais e ambientes virtuais: pensando a educação em rede. X Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância, 2013.
PESSANHA, M. C. R. Estrutura da matéria na educação secundária: obstáculos de aprendizagem e o uso de simulações computacionais. 2014, Teses de Doutorado, Instituto de Física, Instituto de Biociência, Instituto de Química, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, Universidade de São Paulo USP, São Paulo, 2014.
SILVA, H. C. O que é divulgação científica? Ciência & Ensino , v. 1, n. 1, p. 53-59, 2006.
Valério, M.; Bazzo, W. O papel da divulgação científica em nossa sociedade de risco: em prol de uma nova ordem de relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Revista de Ensino de Engenharia , v. 25, n. 1, p. 31-39, 2006.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.