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Palestras e noites de observações celestes: um instrumento para a popularização da Astronomia

Mayara Hilgert Pacheco, Gabriela Gasparoto, Kauana De Andrade Do Nascimento, Carlos Eduardo Dos Santos Goncalves, Gabriel Da Cruz Dias, Cleiton Feitosa Do Nascimento, José Cândido De Souza Filho, Viviane Oliveira Soares

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Palestras e noites de observações celestes: um instrumento para a popularização da Astronomia

Mayara Hilgert Pacheco¹, Gabriela Gasparoto Mendes , Kauana de Andrade do 2 Nascimento¹, Carlos Eduardo dos Santos Goncalves 2 , Gabriel da Cruz Dias , 1 Cleiton Feitosa do Nascimento , José Cândido de Souza Filho , Viviane 1 1 Oliveira Soares 1

1 Universidade Estadual de Maringá-Campus Regional de Goioerê, Departamento de Ciências, mayarahilgert@live.com, kauana.ans013@gmail.com, gcdias2@uem.br,feitocleiton@yahoo.com.br, jcsfilho@uem.br, vosoares@uem.br

## Resumo

O projeto Universo em Descoberta pretende através de visitas às escolas e praças do município de Goioerê-PR, divulgar e exemplificar o ensino da astronomia, tanto para a comunidade acadêmica como para a população em geral. O projeto tem como principal objetivo estimular alunos e professores, de todos os níveis de ensino, a desenvolverem atividades que despertem o interesse pela busca do conhecimento científico, além de aproximar a universidade e a comunidade, fornecendo acesso a informações teóricas e posteriormente incentivar a participação em noites de observação celeste realizadas no Campus Regional da UEM Goioerê-PR. O projeto de extensão universitária promove uma maior interação entre as instituições de ensino básico e superior, com a realização de atividades práticas, além de familiarizar seus alunos/expectadores com o que é considerada uma das mais antigas ciências, a astronomia, evidenciando a importância do desenvolvimento de ambientes que contribuem de alguma maneira para a formação dos alunos/espectadores. Atualmente mais 300 alunos da rede pública e particular de ensino foram atendidos entre palestras, participações em noite de observações celestes, feira de ciências e muitas outras atividades, estabelecendo uma nova parceria entre a universidade e as escolas do município, além da divulgação das ciências e tecnologia.

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Palavras-chave : Astronomia, Extensão Universitária, Divulgação Científica, Observação Celeste.

## Introdução

A astronomia é considerada a mais antiga das ciências naturais e também uma das mais apaixonantes (GLEISER, 2006). Aprender astronomia é realmente fascinante. Desde os tempos mais remotos, os homens aprenderam muito sobre o universo simplesmente observando o céu a olho nu. Mesmo sendo uma ciência cuja origem se confunde com a origem da humanidade, a astronomia, ainda hoje, tem forte influência sobre nossa cultura e conhecimento (CANIATO, 1993).

A forma definitiva de onde e quando começaram os estudos astronômicos ainda é algo que gera grandes dúvidas aos historiadores. Existem evidências, reveladas por descobertas arqueológicas, de que os povos pré-históricos já realizavam observações astronômicas. Desde a antiguidade o céu vem sendo usado como mapa, calendário ou relógio (GHEZZI, 2007). É provável que a origem de nossa curiosidade por observações astronômicas se confunda com nossas próprias origens (CANIATO, 2010).

No projeto intitulado 'Universo em Descoberta' desenvolvido no município de Goioerê-PR, busca-se através de visitas em escolas e praças deste município divulgar e exemplificar o ensino de astronomia com palestras e aulas diferenciadas. (CONLON, 2004). Os assuntos abordados são de interesse comum e não requerem conhecimentos prévios em física ou matemática.

Este projeto visa integrar a comunidade acadêmica e a população em geral, ao fornecer acesso a informações teóricas antes não trabalhadas em sala de aula. Pretende-se também incentivar a participação em noites de observação celeste realizadas na Universidade Estadual de Maringá - Campus Regional de Goioerê/PR.

## A importância do ensino de Astronomia

A astronomia apresenta um elevado caráter interdisciplinar. Ela possibilita diferentes interfaces com outras disciplinas como: química, biologia, geografia, história e evidentemente a física (SANTOS, PEREIRA & PENIDO, 2011).

Despertar o interesse pela astronomia faz com que os alunos desfrutem de sua curiosidade e ainda desenvolvam conceitos básicos, que posteriormente favoreçam seu melhor desempenho em diferentes disciplinas. O ensino de astronomia permite desenvolver noções sobre o sistema de localização, o raciocínio lógico, escalas numéricas, nossas origens, entre outros (TIGNANELLLI, 1998).

De acordo com Santos, Pereira & Penido (2011), estudar astronomia se faz importante devido à sua forte relação com outras ciências; além disso, ela apresenta muitos temas que estão diretamente ligados aos currículos oficiais.

Tignanelli (1998), aborda em seu trabalho que a criança procura suas próprias explicações e na maioria das vezes, estas são sustentadas pela sua fantasia, seja mítica ou até mística . 'Se não lhe forem apresentadas outras opções, esse pensamento persistirá durante toda a sua vida' (TIGNANELLLI, 1998 apud SANTOS, PEREIRA & PENIDO, 2011).

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Porém, na maioria das vezes, as concepções trazidas pelos alunos para a sala de aula, podem diferir muito das ideias a serem ensinadas (DRIVER, 1989 apud SANTOS, PEREIRA & PENIDO, 2011).

Muitos conteúdos que envolvem a astronomia são iniciados e ensinados no ensino fundamental, pelo professor, que, em geral, não possui formação, domínio suficiente, tempo e recurso sobre esses temas, e por fim acabam usando o livro didático deste nível de ensino como a principal fonte de seu próprio conhecimento. No entanto, esta discussão foge do escopo deste trabalho (SANTOS, PEREIRA & PENIDO, 2011).

Contudo, apesar do caráter interdisciplinar que a astronomia possui, a maioria dos professores atuantes não usufruem desta ciência durante o período de formação acadêmica. É possível que, sem esse despertar do aluno, surjam muitas dificuldades em disciplinas científicas nos anos seguintes e isso pode se refletir até mesmo na procura por cursos na área de exatas nas universidades.

## A informalidade como ferramenta de aprendizagem.

As situações vividas e problematizadas junto a um grupo de alunos que abordem situações corriqueiras, muitas vezes despercebidas, como o aparecimento da Lua no céu ou suas fases, representam uma oportunidade de aprofundar o conhecimento científico. (SANTOS, PEREIRA & PENIDO, 2011)

- O aprendizado informal refere-se a qualquer atividade que envolva a busca por compreensão, conhecimento e que ocorra sem obedecer a um currículo de uma instituição educacional. (LIVINGSTONE, 1999).

Desta maneira, a aprendizagem informal ou não formal acontece naturalmente e envolve a busca do entendimento, conhecimento ou habilidade que acontece além dos programas de ensino formais já conhecidos, como cursos estruturados e treinamentos, laboratórios entre outros. (MARDEGAN, 2013).

Os processos que norteiam a aprendizagem informal baseiam-se em oportunidades naturais que surgem no cotidiano do indivíduo. Isso ocorre de uma maneira que a própria pessoa tenha o controle do processo de aprendizagem (FLACH & ANTONELLO, 2010).

- O aprendizado informal e não formal se faz através da disponibilidade do indivíduo, uma vez que este pode desenvolver as atividades onde quiser e no momento que lhe for mais conveniente. (SOUSA, 2008). Atividades típicas de caráter coletivo para divulgação de ciências são incentivadas, como a criação de uma feira de ciências e realizações de noites de observação celeste, de forma que estas contribuam para a aprendizagem (GOHN, 2011).
- A aprendizagem não formal não se limita apenas à sala de aula, com o uso do giz e da lousa, com horário estabelecido para início e fim, mas sim na cultura, vivência e prática dos indivíduos envolvidos. Esta pode ser desenvolvida em ambientes como: um museu, um zoológico ou até em uma noite de observação celeste. (LANGHI, R. & NARDI R. 2009).

De acordo com Marsick (2001), de uma maneira geral os alunos precisam ser aprendizes estratégicos e que tenham a capacidade de associar seus conhecimentos às mudanças sociais, econômicas e ambientais que ocorrem em sua

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sociedade. De acordo com Wenger (1998), as razões pelas quais o indivíduo não perceba seu próprio aprendizado, tanto no trabalho como em âmbito escolar, devese aos elementos da aprendizagem consistir na sua própria prática.

De acordo com Conlon (2004), a aprendizagem induzida pelo indivíduo tem papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e competências do aluno. E ainda Svensson, Ellström & Åberg (2004), reportam que as competências e habilidades do indivíduo são melhor desenvolvidas quando há um arranjo entre a aprendizagem formal e a aprendizagem informal, levando em conta que esses processos estão interligados possuindo a mesma importância para a construção de conhecimentos práticos e teóricos.

## Metodologia

Através de reuniões e encontros semanais o grupo de astronomia amadora Ralph Alpher planeja, com seus integrantes e professores a realização de apresentações, criações de objetos astronômicos, seminários, cursos e organização de noites de observação celeste (Fig. 01a).

Em geral as noites de observação celeste são marcadas de acordo com as fases da lua, sendo o melhor período nas proximidades de quarto crescente e de quarto minguante. Neste período, a baixa luminosidade da lua possibilita a melhor observação deste satélite e dependendo da época do ano, constelações, galáxias e alguns planetas também são visíveis.

Também se realiza o estudo e criação de mapas celestes, obtidos com auxílio do software gratuito Stellarium. Após o mapeamento celeste e consultas meteorológicas, as observações celestes são realizadas com a utilização de dois telescópios: o primeiro da marca Celestron com tubo óptico de 9,25 polegadas e o segundo, um telescópio Newtoniano Skywatcher com tubo óptico de 1,25 polegadas (Fig.01b).

Além disso, são realizados seminários entre os membros do grupo, a fim de ampliar os conhecimentos astronômicos dos membros e os familiarizar, cada vez mais, com os equipamentos que serão utilizados para atender melhor aos colégios e aos visitantes em geral. (Fig.02).

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Figura 01: (a) Noites de Observação realizadas na Universidade Estadual de Maringá no Campus Regional de Goioerê/PR e em (b) Telescópios utilizados para nas noites de observação celeste.

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Figura 02: Ciclo de Seminários temáticos realizados pelos alunos integrantes do grupo de astronomia amadora Ralph Alpher.

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## Resultados e Discussões

Estudos e atividades que se desenvolvam com a utilização da aprendizagem informal estão de certa forma, ligados a uma base epistemológica sociocultural do aluno (FLACH &amp; ANTONELLO, 2010) e nada melhor para se entender o contexto no qual estamos inseridos, do que começarmos a indagar nossas origens, proporcionando um ambiente de experimentação e de exploração de conceitos científicos. Isto evidencia a importância das noites de observação celeste, após o aluno ter acesso às informações teóricas repassadas através das aulas e palestras ministradas nas escolas.

Até o presente momento foram realizadas visitas em diversas escolas do município de Goioerê/PR para a divulgação de temas como: sistema solar, fases da Lua, constelações, mitologia das constelações, os solstícios e equinócios, entre outros relacionados com astronomia, física, ciências em geral. O atendimento em maioria é voltado para alunos do ensino fundamental e médio.

As palestras ministradas têm como pretensão familiarizar seus alunos/expectadores com alguns conceitos básicos e prepará-los para as noites de observação celeste.

Em algumas destas noites de observação, a imagem obtida pelo telescópio foi projetada na parede externa do bloco de aulas da universidade, possibilitando que todos os presentes visualizassem coletivamente, imagens da superfície lunar. Embora esta metodologia tenha evitado formação de filas e minimizado a ansiedade dos interessados em realizar a observação, notou-se que a imagem projetada não possuía a mesma resolução e qualidade quando comparada à imagem obtida diretamente na ocular do telescópio. Desta forma, nas observações realizadas posteriormente, optou-se pela observação individual, realizada diretamente na ocular do telescópio. A Fig.03a e Fig.03b. apresenta a captura de imagens através de uma câmera acoplada na ocular e a projeção da Lua cheia com auxílio de um projetor (Fig.03c).

Durante as observações utilizou-se também um computador com o software gratuito Stellarium. Com o qual, os alunos puderam visualizar objetos do céu profundo, estrelas duplas e outros corpos celestes que não puderam ser focalizados pelo telescópio.

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Figura 03: Captura de imagens realizadas pelos alunos em noites de observação em (a) Lua e em (b) Saturno, em (c) projeção da Lua com auxílio de uma câmera e um projetor.

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## Conclusões

As visitas proporcionaram aos professores e estudantes da Universidade Estadual de Maringá do Campus Regional de Goioerê/PR, mais uma forma de ampliação de suas capacidades criativas e de ação.

Notou-se que o projeto desenvolvido, proporcionou aos seus alunos/espectadores o contato de forma ampla e exemplificada com a astronomia, que por sua vez não é abordada com frequência em sala de aula. Desta forma, fica evidente a grande importância do desenvolvimento de ambientes de aprendizagem não formal, que contribuem de maneira eficaz para a formação dos alunos/espectadores.

Até o presente momento mais de 300 alunos da rede pública já foram atendidos, através de palestras, observações celestes, sessões de cinema e muitas outras atividades, desenvolvendo uma parceria entre a universidade e as escolas do município de Goioerê, uma melhoria da educação local e regional, além da divulgação das ciências e tecnologia.

## Referências

CANIATO, R., O Céu , Coleção na sala de aula, São Paulo-SP: Editora Ática. 1993.

CANIATO. R., (Re) Descobrindo a Astronomia , Campinas-SP: Editor Átomo. 2010.

CONLON, T. J. A review of informal learning literature, theory and implications for practice in developing global professional competence. Journal of European Industrial Training , Bingley, v. 28, n. 2-4, p. 283-295, 2004.

DRIVER, R. Student's conceptions and the learning of science. International Journal of Science Education , v.11, n.5, p.481-490, 1989.

FLACH, L.; ANTONELLO, C. S. A teoria sobre aprendizagem informal e suas implicações nas organizações. Revista Eletrônica de Gestão Organizacional , Recife, v. 8, n. 2, p. 193-208, 2010.

GHEZZI, I.,RUGGLES C. Chankillo: A 2300-year-old solar observatory in Coastal Peru. Science , v. 35, n. 5816, p. 1239-1243, 2007.

GLEISER, M., NEVES, F. Poeira das Estrelas . NEVES, F.; GLEISER M., NORTON R., RODRIGUES, L., PIMENTEL, P. CONSTANZA, M. D., BAESSA, F., FERNANDES, F., CHAGAS, C., BOECKER, R Rede Globo de Televisão. Fantástico 2006. 76 min. Disponível em:

http://memoriaglobo.globo.com/programas/jornalismo/programasjornalisticos/fantastico/poeria-das-estrelas.htm. Acesso em: 02 de maio de 2016.

GOHN, Maria da Glória, Educação Não-Formal e Cultura Política .vol.26. 5º Ed. São Paulo-SP. Editora Cortez, 2011.

LANGHI, R. &amp; NARDI R. Ensino de Astronomia no Brasil: Educação formal, informal, não formal e divulgação cientifica. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 31, n. 4, 4402. 2009.

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LIVINGSTONE, 1999. LIVINGSTONE, D.W., Exploring the icebergs of Adult: Findings of the First Canadian Survey of Informal Learning Practices, Universidade de Toronto (CA), 1999 .

MARDEGAN, F. Aprendizagem informal: como os indivíduos aprendem em seus locais de trabalho?. Disponível em:

http://www.abd.org.br/abd/f01/docs/artigos/2013/260313/aprendizagem-informal.pdf. Acesso em 23 de março de 2016.

MARSICK, V. J. Informal Strategic Learning in the Workplace. Second Conference on HDR Research and Practice Across Europe , University of Twente, Enschede. The Netherlands. 2001.

SANTOS, J. H. M., PEREIRA, F. N.V., PENIDO, M. C. M. (2011). Proposta de sequência didática para o Ensino de Astronomia no Fundamental; conhecendo a Lua . Disponível em &lt;http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/viiienpec/&gt;Acesso em 02 de janeiro de 2016.

SOUSA, R.S. O Aprendizado informal em Ambientes de Redes Sociais Virtuais . 2008. p. 62. Trabalho de conclusão de Curso. (Graduação em Ciência da Computação) - Universidade Federal de Pernambuco. 2008.

SVENSSON, L.; ELLSTRÖM, P.; ÅBERG, C. Integrating formal and informal learning at work. The Journal of Workplace Learning , v. 16, n. 8, 2004, p. 479-491.

TIGNANELLI, H. L. Sobre o ensino da astronomia no ensino fundamental. In: WEISSMANN, H. (org.). Didática das ciências naturais: contribuições e reflexões . Porto Alegre-RS. Editora Artmed, 1998.

WENGER, Etienne. Communities of Practice: Learning, Meaning, and Identity . New York: Cambridge University Press, 1998.

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