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A INDÚSTRIA DE BIJUTERIAS LIMEIRENSE: UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA EM UMA PERSPECTIVA CTSA

Adenilson Francisco Tetzener Junior, Nataly Carvalho Lopes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Alfabetização Científica E Abordagens Cts No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A INDÚSTRIA DE BIJUTERIAS LIMEIRENSE: UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA EM UMA PERSPECTIVA CTSA

Adenilson Francisco Tetzener Junior , Nataly Carvalho Lopes 1 2

- 1 Universidade Federal de São Carlos/DCNME/adenilson.junior.qm@gmail.com
- 2 Universidade Federal de São Carlos/DCNME/natalylopes@cca.ufscar.br

## Resumo

O presente trabalho tem por objetivo propor uma sequência didática, com base na questão sociocientífica (QSC) referente à Indústria de Bijuterias da cidade de Limeira/SP. Dito isto, pretendemos que seu desenvolvimento ocorra por meio do Estágio Supervisionado do curso de Licenciatura em Física, durante o segundo semestre de 2016. Nesse sentido, temos o intuito de investigar potencialidades e limitações desse tipo de abordagem no ensino de física. Para tanto, pautamos o desenvolvimento da sequência na perspectiva do movimento CTSA. A partir dele, buscamos apresentar uma visão de ciência humanizada. Também dividimos as atividades de acordo com os três momentos pedagógicos. Assim, na Problematização Inicial, propomos a apresentação das informações sobre a relevância econômica da indústria, impactos sociais e ambientais. Na Organização do Conhecimento, apresentamos a abordagem dos conceitos necessários para o entendimento dos processos industriais em uma perspectiva que envolva diversos elementos da NdC, como o contexto histórico, por exemplo. E, por fim, na Aplicação do Conhecimento, sugerimos a realização de experimentos com base na epistemologia de Fleck, ou seja, não no sentido de provar hipóteses ou os conceitos apresentados na etapa anterior, mas no intuito de compreender a QSC, AL. Encerramos com a proposta de elaboração de materiais para alertar a comunidade em relação às atividades da Indústria de Bijuterias.

Palavras-chave : ensino, QSC, Fleck, experimentação, NdC

## Introdução

Percebemos que atualmente há cada vez mais necessidade de que a sociedade civil, políticos, cientistas etc. conheçam e se posicionem sobre os temas polêmicos em ciência e tecnologia. Principalmente ao presenciarmos discussões que envolvem várias instâncias sociais, como os recentes temas sobre legalização das drogas e do aborto, os problemas socioambientais acarretados pelo desastre de Mariana/MG, a construção da barragem de Belo Monte, as doenças causadas pelo mosquito Aedes Aegypti, entre tantos outros assuntos que têm tomado conta dos noticiários brasileiros e internacionais. Diante destes problemas, observamos uma inexpressividade da educação científica para formar sujeitos capazes de compreender, posicionar-se e agir para solucionar situações desta natureza.

Neste sentido, propomos a realização de um minicurso voltado a alunos do Ensino Médio, que tem por objetivo apresentar um conjunto de aulas que busquem problematizar e apresentar conceitos de ciência e tecnologia, mais precisamente da física, referentes a temas desta natureza, denominados pela área de ensino de ciências como questões sociocientíficas - QSC. Para tanto, elegemos como uma QSC os processos de fabricação das bijuterias, em vista da grande influência que

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esse setor exerce na região de Limeira, interior do estado de São Paulo, e os problemas ambientais e sociais que emergem desta temática, conforme iremos descrever adiante.

Assim, dada a QSC, propomos que os conteúdos da física relacionados ao tema fossem as propriedades atômicas e as propriedades da matéria, como, por exemplo, eletroafinidade e ponto de fusão, bastante relevantes nos processos da referida indústria. Então, a fim de subsidiar essa compreensão, apresentamos aos alunos diversos modelos atômicos, pois os mesmos permitem compreender as referidas propriedades, levando em consideração os aspectos do movimento Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente - CTSA, das QSC e dos três momentos pedagógicos, propostos por Gehlen, Maldaner e Delizoicov (2012).

Para guiar nossa pesquisa, questionamo-nos sobre quais são as potencialidades e limitações da proposta metodológica que apresentamos nesta discussão teórica inicial.

Objetivamos, então, propor para a área de ensino de física elementos teóricos para guiar a construção desta prática educativa em sala de aula.

## Discussão teórica: a proposta de metodologia de ensino a partir das QSC

Quando voltamos nossa atenção ao ensino de ciências, podemos nos deparar com diversas realidades e objetivos que este campo se propõe a investigar e desenvolver. É possível encontrar na literatura investigações que defendam um ensino que leve em conta uma ciência neutra e aquém da sociedade, além de outras pesquisas que consideram a relação social no desenvolvimento científico, por exemplo.

Paulo Freire também discorria sobre esse assunto quando argumentava a respeito das diferenças entre a educação bancária e a educação dialógica. Aquela apresenta o conteúdo programático que não leva em conta os interesses dos sujeitos no processo educativo; esta, por sua vez, considera os anseios da população.

Assim, conforme cita Santos (2011, p.22), "podemos dizer que o objetivo central da educação científica tem oscilado entre a formação de cientistas e a formação para a cidadania. Diante do exposto, é possível relacionar o ensino de ciências ao movimento Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA), pois o mesmo apresenta diversos objetivos que convergem no ensino científico, principalmente no que tange à formação científica para a cidadania.

- O contexto inicial do movimento CTSA se caracterizou pelo cenário de degradação ambiental gerado pela exploração sem limites da natureza, o que permitiu que o papel da ciência na sociedade fosse repensado, justificando assim o forte caráter ambiental do movimento em sua gênese. Por isso, optamos por utilizar o termo CTSA para enfatizar a preocupação ambiental (SANTOS, 2011, p. 24).

Além dessa preocupação, outra problematização que motiva o movimento CTSA diz respeito à perda de euforia sobre a linearidade do bem-estar da

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humanidade como consequência do desenvolvimento da ciência e tecnologia (C&T) (AULER; BAZZO, 2001, p.1).

Conforme argumenta Rothberg (s/d, s/p), esse pensamento linear é encarado como uma visão irreal da ciência.

Nessa configuração social imaginária, é possível apontar aqui os frutos do progresso científico, torna-se o cimento ideológico que sela a fusão de interesses identificados com o bem-comum, outra noção mítica sob a qual desaparecem distinções de toda ordem - desde as diferenças de classe ou status social até as diversas estaturas dos países na geopolítica atual.

Chamamos atenção, mais uma vez, para a relação entre uma educação baseada no movimento CTSA e uma educação dialógica. Ao criticar a neutralidade da ciência, tal movimento se aproxima da concepção freiriana, principalmente na América Latina, porque combate a ideia de uma sociedade tecnocrata e, consequentemente, silenciadora das vozes dos sujeitos sem conhecimento técnico. Diante disso, não são os especialistas que devem dar a última palavra no desenvolvimento das leis sobre ciência e tecnologia (C&T), pois se a ciência não se desenvolve de forma neutra, a palavra deles deve ter o mesmo valor dos outros sujeitos da sociedade (RICARDO, 2007, s/p).

Deste modo, apesar do movimento CTSA ir diretamente contra a educação bancária, a forma com que ele trabalha esse problema varia e, consequentemente, o slogan utilizado também. Considerando estes aspectos, assim como Lopes (2013, p. 96), posicionamo-nos em favor da utilização do termo 'questões sociocientíficas', que nos termos desta investigação são:

Questões sociais controversas com relação conceituais e/ou processuais com a ciência (SADLER, 2004). Elas são problemas abertos sem soluções claras; de fato, elas tendem a ter múltiplas soluções plausíveis. Estas soluções podem ser baseadas em princípios científicos, teorias e dados, mas as soluções não podem ser totalmente determinadas pelas considerações científicas. As questões e os potenciais cursos da ação são influenciados por uma variedade de fatores sociais, incluindo política, economia e ética. QSC podem ter natureza global, como a mudança climática e o uso de tecnologias genéticas, ou local, como crise ambiental em um bairro ou a determinação da localização de uma nova indústria. (SADLER, 2001, p.4 apud LOPES, 2013, p. 95, tradução da autora)

Nestes termos, percebemos que a fabricação de bijuterias na cidade de Limeira se configura uma QSC, uma vez que tem um forte caráter econômico, pois emprega um terço da população trabalhadora ativa. Além disso, também é constatado que a mesma indústria utiliza mão de obra de crianças e jovens, que deixam de ir à escola e não reconhecem os perigos relacionados à utilização de produtos químicos, como ácidos. Somado a esses dois fatores, também existe o problema ambiental da contaminação dos cursos d'água por metais pesados.

Portanto, para discutir essa QSC em sala de aula, percebemos que é necessário trabalhar com propriedades atômicas e modelos atômicos para compreender os processos industriais e os perigos relacionados aos mesmos, bem como apresentar os aspectos éticos, morais, ambientais e processuais dos elementos que contribuem para tornar esta questão controversa.

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Considerando isso, verificamos que a Proposta Curricular do Estado de São Paulo prevê esse conteúdo no 3º Bimestre da 3ª série do Ensino Médio . Dito isso, 1 com o estudo da natureza dos processos físico-químicos da produção de bijuterias, proporemos formas de atuar na prevenção de doenças causadas pelo trabalho com os metais e outros produtos químicos utilizados pela indústria de bijuterias.

Dessa forma, o minicurso que será ofertado aos alunos do Ensino Médio de uma escola pública de Limeira no segundo semestre de 2016 é norteado pelos três momentos pedagógicos de Gehlen, Maldaner e Delizoicov (2012), que é constituído em:

- 1º) Problematização Inicial, em que se apresentam aos alunos situações sociais contraditórias que requerem ação. Neste trabalho, essa etapa será realizada por meio de discussões sobre a importância econômica da Indústria e seus impactos socioambientais.
- 2º) Organização do Conhecimento, que consiste na discussão dos conhecimentos necessários para o entendimento/superação da situação problema apresentada. No contexto do nosso trabalho, esse momento será concretizado com o estudo dos modelos atômicos, propriedades da matéria, processos industriais, como, por exemplo, galvanoplastia e fundição de metais.
- 3º) Aplicação do Conhecimento, de maneira que os saberes discutidos na etapa anterior sejam utilizados para o entendimento e ação em relação ao problema inicial (GEHLEN; MALDANER; DELIZOICOV, 2012). Esse momento ocorrerá com a elaboração de materiais de alerta sobre os riscos atrelados à Indústria de Bijuterias e meios de mitigá-los ou evitá-los.

## Desenvolvimento das aulas

Como dito anteriormente, iniciaremos o nosso minicurso com a Problematização Inicial, em que faremos a apresentação da importância econômica da Indústria de bijuterias e os seus impactos ambientais e sociais.

Neste contexto, segundo Di Giulio (2007, p. 42), o polo industrial de Limeira apresenta 450 empresas registradas, que empregam 60 mil pessoas, quantidade equivalente a um terço de todos os trabalhadores da cidade.

A forte indústria de joias e bijuterias da microrregião de Limeira, que agrega oito pequenas cidades, respondeu por 60% do faturamento nacional obtido com exportação de produtos do setor em 2006 um montante de US$ 132 milhões de um total de US$ 220 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Joias e Gema (IBGM apud DI GIULIO,2007, p.1).

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Entretanto, apesar da grande importância econômica, devemos ressaltar que além das 450 empresas regulamentadas, existem ainda 200 empresas irregulares. Esses tipos de empresas informais costumam aceitar trabalho infantil. Tal característica chamou a atenção da mídia e, recentemente, no ano de 2013, a seguinte notícia foi veiculada pelo Globo Repórter: Crianças desgastam olhos e pontas dos dedos na fabricação de joias no interior de SP: O mercado de joias e bijuterias é responsável por 40% da economia em Limeira, cidade do interior de São Paulo, com 270 mil habitantes.

Ainda em relação a essa notícia, podemos verificar relatos de crianças que deixam de ir à escola, ou de fazer os deveres relacionados à mesma, para ajudar a família na produção das bijuterias; verificamos também relatos de jovens que não utilizam EPIs. Outra informação importante diz respeito ao fato de que devido à intensa atividade industrial da cidade, análises do esgoto do município indicam a presença de metais pesados, que são tóxicos ao meio ambiente. Para Misleh (2007), as indústrias não regulamentadas

Não têm nenhum tipo de registro de seus funcionários ou cuidado com sua segurança, bem como não trata seus efluentes (resultantes da galvanoplastia, processo eletrolítico de banho das peças que visa revestir suas superfícies com outros metais, mais nobres, como ouro e prata) antes de liberá-los na rede de esgoto. Para se ter uma ideia, uma empresa em Limeira, para funcionar, precisa de cinco licenças. Esse pessoal opera sem nenhuma.

Portanto, quando analisamos essas informações, podemos refletir e propor aos alunos discussões sobre os seguintes questionamentos: 'A indústria de bijuterias de Limeira garante o sustento de milhares de famílias da cidade. Como podemos garantir os empregos da população e, consequentemente, seu sustento, evitando o trabalho infantil e a devastação ambiental? Até que ponto o desenvolvimento econômico pode justificar os problemas apresentados? Que conhecimentos científicos são necessários para o entendimento dos riscos dos processos químicos utilizados na produção das bijuterias e nas lesões por esforço repetitivo?'. Com isso em pauta, podemos iniciar o segundo momento do minicurso: a Organização do Conhecimento.

Entretanto, gostaríamos de ressaltar que consideramos o conhecimento como um conjunto complexo de saberes, chamado aqui de Natureza da Ciência (NdC), que

De uma perspectiva bem ampla e geral, podemos dizer que a natureza da Ciência envolve um arcabouço de saberes sobre as bases epistemológicas, filosóficas, históricas e culturais da Ciência. Compreender a natureza da Ciência significa saber do que ela é feita, como elaborá-la, o que e por que ela influencia e é influenciada (MOURA, 2014, p. 33).

Dessa forma, como temos o interesse de discutir com os alunos os modelos atômicos, iremos introduzir um panorama histórico sobre a forma que esse tema foi pensado desde a antiguidade.

Portanto, iniciaremos a nossa discussão com as ideias pré-atômicas dos gregos, formulação da tabela periódica, descobrimento de partículas subatômicas, radioatividade e terminaremos com uma breve introdução ao modelo padrão, com base no material de apoio ao professor produzido por Pinheiro, Costa e Moreira (2012). Além disso, após discutir as bases históricas, iremos apresentar os conceitos

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de raio atômico, carga nuclear, energia de ionização e outras definições necessárias para a compreensão dos processos de fabricação de bijuterias.

Para encerrar a Organização do Conhecimento, discutiremos com os alunos os procedimentos mais comuns utilizados pela indústria na fabricação de bijuterias, como: processo de cera perdida, fundição a baixa fusão, galvanoplastia, montagem das peças, entre outros.

Terminadas as discussões dos processos industriais, podemos voltar a nossa atenção à fase da Aplicação do Conhecimento, momento no qual recorreremos à experimentação.

Assim, basearemos o desenvolvimento das atividades práticas nos pressupostos apresentados pela epistemologia de Fleck. Segundo Massoni e Moreira (2015), para tal epistemólogo, a experimentação é entendida como o resultado de indagações da sociedade e da comunidade científica na busca por respostas a problemas pertinentes às mesmas, não no sentido de provar hipóteses, mas no intuito de compreender o que acontece. Ela é uma entre muitas ferramentas que corroboram o entendimento de situações pertinentes para uma comunidade.

Assim, um conceito científico não é algo dado; algo que um pesquisador moderno, munido de técnicas e materiais atuais (os recursos atuais também não resultam de uma lógica instantânea) poderia obter, isolar, controlar. Somente a comunidade organizada de pesquisadores, apoiada no saber popular e trabalhando durante algumas gerações, consegue alcançar esse objetivo (...) (FLECK apud MASSONI, MOREIRA,2015, p.246).

Contudo, de acordo com Andrade, Lopes e Carvalho, (2009, s/p), esse tipo de postura em relação à experimentação não é difundido em contexto didático, de modo que os autores verificaram que

ao analisarmos trabalhos que visam identificar os objetivos do laboratório didático de física na educação científica (GRANDINI, 2004; BORGES, 2002; MACEDO; KATZKOWICS, 2003; CASTRO et. al., 2000 e HODSON, 1994), o que encontramos são atividades que buscam o desenvolvimento de habilidades práticas, a comprovação/verificação de leis e teorias, que auxiliam na compreensão de conceitos assim como visam o ensino do método científico.

Assim, percebemos que uma experimentação que busque somente comprovar leis e teorias é uma metodologia insuficiente para permitir aos alunos perceberem a relação entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente, pois ela exclui diversos elementos que fazem parte da natureza da ciência.

Em vista disso, propomos uma atividade experimental que tenha por objetivo estudar o processo de galvanização de um determinando metal com o intuito, não somente de entender o processo, mas de verificar os perigos à saúde associados à prática industrial, as consequências ambientais que podem ser acarretadas etc. Dessa forma, acreditamos que seja possível ter na experimentação, aliada a uma abordagem teórica que leva em conta elementos da NdC, uma ferramenta importante não só para o entendimento de conceitos e fenômenos, mas também o da cultura científica, que é

aquilo que está implicado nas ciências, aquilo que as faz existir, que as mantêm vivas através de gerações, que as renova. Cientistas, técnicos, pessoas, processos, técnicas, métodos, contextos, produtos, trocas, regras, crenças, autoridade, terminologias, critérios, valorização, reconhecimento,

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criatividade, rupturas, história, egoísmo, falta de ética, política, submissão, interesse, ética, autonomia, liberdade, visões de mundo, restrições, desinteresse, comunicação, linguagem, entre outros tantos, são aspectos dessa cultura (CARVALHO apud ANDRADE, LOPES, CARVALHO,2009, s/p).

Com essas características delimitadas, passamos para o desenvolvimento das atividades da Aplicação do Conhecimento, em que propomos experimentos que abordem as práticas da indústria de bijuterias, não com intuito de comprovar os elementos teóricos, mas em compreender os processos e os potenciais riscos associados aos mesmos.

Diante do que discutimos anteriormente, um experimento qualitativo iria se constituir em procurar traços de metais pesados em amostras de água de Limeira, sendo realizadas, após, a discussão de seus impactos no meio ambiente e na saúde, bem como, a criação de propostas sugestões de ação.

A intenção do experimento é detectar metais pesados na água utilizando métodos químicos qualitativos. Por meio dele, é possível relacionar a fabricação das joias aos impactos ambientais na cidade, além de relacionar os EPIs necessários para a manipulação de ácidos e outros compostos químicos que exigem cuidados e questionar os parâmetros de tratamento de esgoto e água, verificar o método de tratamento de água da cidade e analisar se o mesmo consegue tratar elementos pesados.

Um exemplo de experimento demonstrativo seria fazer uma eletrólise, cujo princípio é bastante semelhante ao da galvanoplastia, sempre discutindo com os alunos os perigos associados com lesões por movimento repetitivo e inalação de gases. Dessa forma, proporemos maneiras de prevenir esses problemas com os alunos.

Nesse contexto, o experimento proposto é o da eletrólise aquosa do cloreto de sódio. A partir destas discussões, e levando em consideração que a elaboração deste minicurso tem por objetivo a formação de cidadãos críticos em C&T para tomada de decisões, pediremos que os alunos se dividam em grupos e desenvolvam materiais para divulgar os riscos relacionados à indústria de bijuterias e formas de evitá-los ou mitigá-los.

## Conclusão

Pretendemos que o desenvolvimento desta sequência didática ocorra durante o Estágio Supervisionado, no segundo semestre de 2016. Neste contexto, iremos até a escola, localizada em Limeira/SP, onde já estamos realizando atividades desde o começo do ano de 2016, e divulgaremos a mesma a todos os alunos do Ensino Médio, de modo que sua participação seja livre, e em horário alternado ao das aulas obrigatórias.

Com o início da mesma, na fase de Problematização do Conhecimento, proporemos uma discussão aberta com os alunos, pela qual esperamos indagá-los sobre o relacionamento entre ciência, sociedade, tecnologia, ambiente, tendo como base as reportagens e informações da Indústria de Bijuterias que tratam do trabalho

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infantil, da importância econômica e dos impactos ambientais. Aliado a isso, esperamos que durante a apresentação do panorama histórico dos modelos atômicos, prevista na fase de Organização do Conhecimento, discutamos aspectos da cultura científica, que citamos anteriormente.

Então, durante a fase de Aplicação do Conhecimento, iremos propor aos alunos que se dividam em grupos e desenvolvam materiais de alerta e conscientização para indicar os riscos atrelados à indústria de bijuterias, apresentando os processos mais comuns, conceitos importantes para o entendimento dos mesmos, e que problemas esse tipo de atividade industrial pode acarretar à sociedade e ao ambiente, bem como maneiras de amenizá-los ou sanálos.

Dito isso, pretendemos gravar todas as aulas, para posterior transcrição, além de acompanhar os materiais produzidos pelos alunos, de modo que, por meio da análise dos mesmos, esperamos compreender as potencialidades e limitações do ensino de física por meio de uma QSC.

## Referências

ANDRADE, J. A. N. de.; LOPES, N. C.; CARVALHO, W. L. P. de. Uma análise crítica do laboratório didático de física: a experimentação como uma ferramenta para a cultura científica. In: Atas do VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências . 2009, Florianópolis.

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