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AS CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO PRÉ-FÍSICA DA UTFPR-CM PARA O ENSINO DE FÍSICA NA GRADUAÇÃO

Cesar Vanderlei Deimling, Roseli Constantino Schwerz, Ivan Marcelo Laczkowski, Natalia Neves Macedo Deimling, Matheus Santiago De Campos, Hugo Pereira De Brito

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
O Ensino De Física Para A Graduação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AS CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO PRÉ-FÍSICA DA UTFPR-CM PARA O ENSINO DE FÍSICA NA GRADUAÇÃO

Cesar Vanderlei Deimling , Natalia Neves Macedo Deimling , Roseli 1 2 Constantino Schwerz 3, Ivan Marcelo Laczkowski 4 , Hugo Pereira de Brito , 5 Matheus Santiago de Campos 6

- 1 Universidade Tecnológica Federal do Paraná - campus Campo Mourão/Departamento Acadêmico de Física, cdeimling@gmail.com

- 3 Universidade Tecnológica Federal do Paraná - campus Campo Mourão/Departamento Acadêmico de Física, roselicc@gmail.com

- 5 Universidade Tecnológica Federal do Paraná - campus Campo Mourão/Acadêmico do curso de Engenharia Eletrônica, hpbrito@msn.com

## Resumo

O objetivo deste trabalho consiste em discutir as contribuições do projeto intitulado Pré-Física desenvolvido na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Campo Mourão, e destinado a acadêmicos dos cursos de Licenciatura, Tecnologia e Bacharelado ofertados neste campus. O projeto tem por finalidade promover aprendizagens relacionadas aos conteúdos básicos de Física necessários ao bom desempenho dos alunos ingressantes nos cursos de graduação, auxiliando-os em sua organização e rotina de estudos. Da mesma forma, este projeto visa contribuir para a diminuição da evasão e reprovação dos estudantes nas disciplinas que abordam os conteúdos de Física em seus cursos. O projeto, em andamento desde o ano de 2014, é coordenado por professores do Departamento de Física do campus e desenvolvido por dois monitores - acadêmicos dos cursos de graduação previamente selecionados mediante edital. Cada monitor é responsável por uma turma de 25 alunos e por duas horas/aula semanais. O projeto ocorre semestralmente e tem a duração de seis semanas letivas. Ao longo das atividades, são abordados os seguintes conteúdos: Algarismos significativos; Vetores; Decomposição de vetores; Cinemática; Diagramas horários; Leis de Newton; Conservação de Energia. Tais conteúdos são trabalhados pelos monitores - sob a supervisão dos professores coordenadores do projeto em sala de aula por meio de atividades teórico-práticas que contemplam exposições dialogadas e resolução de exercícios. A partir da análise de dados estatísticos sobre a participação dos estudantes no curso Pré-Física, é possível afirmar que este projeto tem contribuído tanto para a aprendizagem desses estudantes no que se refere aos conteúdos abordados quanto para sua aprovação e permanência nas disciplinas de física de seus cursos de graduação, o que vai ao encontro dos objetivos propostos por este projeto.

Palavras-chave : Ensino de Física; Graduação; Evasão.

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## Considerações Iniciais

De acordo com as diretrizes curriculares dos cursos de graduação vigentes, propostas pelo Ministério da Educação (BRASIL, 2002), e com as recentes diretrizes ainda em faze de implantação (Brasil, 2015), os cursos de ensino superior devem formar pessoas bem qualificadas, que sejam capazes de suprir as necessidades da sociedade contemporânea. Porém, para que essas diretrizes se tornem realidade, os cursos de graduação precisam abranger uma gama extensa de conteúdos, geralmente interdisciplinares, de modo a fornecer o suporte teórico e prático necessário aos profissionais egressos desses cursos.

Dentre os conteúdos abordados nos cursos de graduação da área de ciências exatas -sejam elas Licenciaturas, Tecnologias ou Bacharelados -, encontram-se aqueles trabalhados nas disciplinas de cálculo, geometria e física, as quais apresentam alto índice de reprovação de alunos. Na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Campo Mourão (UTFPR-CM), essa realidade de reprovação pode ser observada na Figura 1, a qual apresenta o percentual de alunos aprovados e não aprovados (reprovação, cancelamento e evasão), matriculados nas disciplinas de Física I, II, III e IV nos cursos de graduação (Licenciaturas e Bacharelados) deste campus entre os anos de 2011 e 2014.

Figura 1: Percentual de alunos aprovados e não aprovados (reprovados + cancelados) nas disciplinas de Física I, II, III e IV em cursos de Licenciaturas e Bacharelados entre os anos de 2011 e 2014.

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A partir da análise da Figura 1, é possível observar que as disciplinas de Física I e Física III apresentam os maiores índices de alunos não aprovados,

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alcançando 38% e 47% dos alunos matriculados, respectivamente. Na disciplina de Física II o índice de alunos não aprovados cai para 30%, sendo que o menor valor encontrado foi para a disciplina de Física IV com 21% dos alunos matriculados.

Diferentes fatores podem desencadear este cenário. Entre eles pode-se considerar a deficiência de conhecimentos básicos e fundamentais de Matemática e Física, necessários para a compreensão dos conteúdos abordados no ensino superior. É importante ressaltar que este fator não está relacionado, certamente, apenas aos alunos, mas à precariedade de condições objetivas e subjetivas de trabalho e de carreira dos professores, das escolas (especialmente públicas) e das redes de ensino na educação básica, bem como à ausência de políticas públicas que considerem essa precariedade, tendo em vista sua superação em termos reais e não apenas formais.

Outros fatores que podem contribuir para baixo índice de aprovação nestas disciplinas podem se referir à: distância de amigos e familiares; dificuldades em criar e organizar uma rotina de estudos; falta de informação no momento da matrícula nas disciplinas (alunos que se matriculam em muitas disciplinas no mesmo semestre até 40h semanais).

Todavia, a explicação mais provável para os elevados índices de alunos não aprovados, apresentados nas disciplinas de Física I e III, pode estar relacionada à natureza dos conteúdos abordados, o que nos leva a crer que o primeiro dos tópicos apontados acima pode ser o principal desencadeador deste cenário. Analisando a vasta ementa das disciplinas de Física I e III dos cursos de graduação da UTFPRCM, foi possível notar alguns aspectos similares em relação aos pré-requisitos necessários para a compreensão dos conteúdos. Ambas as disciplinas abordam conteúdos de natureza vetorial, como, por exemplo, a cinemática vetorial, as leis de Newton, o Campo Elétrico e o Campo Magnético, os quais costumeiramente não recebem ênfase no ensino médio.

Assim, visando contribuir com o aumento do índice de alunos aprovados nos cursos de graduação, foi elaborado por professores do Departamento de Física da UTFPR-CM o projeto Pré-Física, que tem por finalidade promover aprendizagens relacionadas aos conteúdos básicos de Física necessários ao bom desempenho dos alunos ingressantes nos cursos de graduação, auxiliando-os em sua organização e rotina de estudos. Da mesma forma, este projeto visa contribuir para a diminuição da evasão e reprovação dos estudantes nas disciplinas que abordam os conteúdos de Física em seus cursos.

Considerando a recente democratização de acesso ao ensino superior em nosso país, e tendo em vista a deficiência de conteúdos que muitos estudantes podem apresentar no momento de ingresso nos cursos de graduação, tomamos como base a ideia defendida por Saviani (2009), em seu livro 'Escola e Democracia', no qual argumenta que o processo educativo é a passagem da desigualdade para a igualdade. Haja vista as dificuldades apresentadas por esses estudantes, especialmente daqueles advindos das escolas públicas, a democratização não apenas do acesso, mas da apropriação do saber de ensino superior, apresenta-se a eles como possibilidade no ponto de partida, mas deve se apresentar como realidade no ponto de chegada (ou seja, ao final do processo educativo). Por isso a importância de cursos como o Pré-física, que visam contribuir para a superação dessas dificuldades e, portanto, da desigualdade presente no processo educativo.

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## Métodos e Procedimentos

O Pré-Física, em andamento desde o ano de 2014, é coordenado por professores do Departamento de Física do campus e desenvolvido por dois monitores - acadêmicos dos cursos de graduação - previamente selecionados mediante edital. Cada monitor é responsável por uma turma de 25 alunos e por duas horas/aula semanais, divididas em dois encontros semanais. O projeto ocorre semestralmente e tem a duração de seis semanas letivas. Ao longo das atividades, são abordados os seguintes conteúdos: Algarismos significativos; Vetores; Decomposição de vetores; Cinemática; Diagramas horários; Leis de Newton; Conservação de Energia. Tais conteúdos são planejados e trabalhados pelos monitores - sob a mediação e orientação dos professores coordenadores do projeto -em sala de aula por meio de atividades teórico-práticas que contemplam exposições dialogadas e resolução de exercícios. O material elaborado aborda situações-problema baseadas nos conhecimentos prévios dos alunos e tem como base os seguintes materiais didáticos: Halliday (2012), Sears et al. (2008), Tipler (2014), Serway et al. (2016), NUSSENZVEIG (2013).

Durante a fase de planejamento, elaboração e/ou adequação do material que ocorre cerca de duas semanas antes do início das atividades -, encontros são realizados com o intuito de viabilizar um momento de interação entre monitores e professores orientadores, bem como de esclarecer possíveis de dúvidas e de avaliar o desempenho dos monitores quanto ao preparo do material que será utilizado na realização do curso.

O projeto Pré-Física constitui-se como atividade optativa dentro dos cursos de graduação da UTFPR-CM, podendo, quando da sua conclusão, ser pontuado como Atividade Complementar e constar no Histórico Escolar do estudante que o cursar. O Programa é destinado aos estudantes regularmente matriculados nos cursos presenciais de graduação da UTFPR que ainda não foram aprovados na disciplina de Física I de seus respectivos cursos. No início e ao final do curso, são aplicadas questões abertas aos alunos participantes (na própria ficha de inscrição), tendo em vista conhecer as principais características desses alunos e avaliar o andamento do projeto. Tais questões referem-se ao período em que o aluno se encontra matriculado, às suas possíveis reprovações em disciplinas de Física, ao motivo que o levou a se matricular no curso de graduação escolhido e também no curso Pré-Física, bem como à rede de ensino de sua escolarização básica (se pública ou privada). Tais questões encontram-se, ainda, em processo de análise. Parte dessa análise, porém, será apresentada no tópico a seguir.

## Resultados e Discussões

Tendo como base o alto índice de alunos que não são aprovados nas disciplinas de Física nos cursos de graduação, entendemos que medidas que visem contribuir para o desempenho acadêmico desses estudantes sejam necessárias. Dentre elas, destacamos os cursos de nivelamento, os quais já se encontram presentes na matriz curricular de algumas instituições de ensino superior como

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disciplinas básicas, eletivas ou como atividades complementares. Um exemplo desenvolvido na UTFPR-CM é o curso Pré-Física.

Neste curso, a escolha de monitores para conduzirem o curso frente aos alunos teve boa aceitação, revelada pelos muitos elogios presentes no questionário respondido pelos estudantes participantes do curso ao final do mesmo. Muitos elogiaram o preparo dos monitores e a forma como o conteúdo foi por eles trabalhado, o que revela o engajamento e comprometimento de toda a equipe envolvida no projeto no preparo do material e desenvolvimento do curso. Além disso, consideramos que, por meio dos monitores, os estudantes podem se apropriar do conteúdo a partir de um ponto de vista e de uma linguagem diferenciada daquela convencionalmente utilizada pelos professores em sala de aula, o que pode favorecer não só a aproximação dos estudantes com os monitores, mas, igualmente, a apropriação dos conteúdos estudados.

Um dado importante mapeado ao longo do desenvolvimento do curso se refere à frequência dos alunos. Podemos tomar como exemplo o primeiro semestre de 2015: do montante de 49 alunos matriculados (alguns alunos foram incluídos posteriormente devido à alta procura pelo curso), apenas 12 estudantes atingiram frequência superior a 75%. Não conseguimos encontrar um motivo significativo que justificasse a desistência e o excesso de faltas por parte de aproximadamente 75% dos participantes, todavia, avaliando as possíveis causas para esta evasão, podemos considerar: o horário, a duração e o número de encontros escolhidos para a realização do curso e o excesso de créditos semestrais cumpridos pelos estudantes em seus cursos de graduação.

Quando arguidos acerca da relevância e pertinência dos conteúdos abordados ao longo do curso, todos os alunos matriculados afirmaram que o PréFísica auxiliou significativamente na compreensão dos conceitos teóricos abordados e que os mesmos foram escolhidos apropriadamente, o que os possibilitou a relação direta e o suporte necessário aos conteúdos abordados nas disciplinas de Física presentes em seus nos cursos de graduação. Talvez este dado se torne mais significativo quando analisamos o número de alunos provenientes de escola pública - cerca de 95% dos estudantes que se matriculam no curso Pré-Física. Assim, podemos inferir que o projeto tem contribuído de alguma forma para a superação da deficiência de conteúdos básicos de Física por parte dos alunos ingressantes nos cursos de graduação.

Outro dado importante de ser ressaltado se refere ao aproveitamento dos alunos que participaram do curso no primeiro semestre de 2015 e que obtiveram frequência igual ou superior a 75% no curso Pré-Física: o índice de aprovação desses alunos nas disciplinas de Física que cursavam em seus cursos de graduação neste mesmo semestre foi de 100%. Neste sentido, confirma-se a contribuição deste projeto na formação e no desempenho dos estudantes em seus cursos de graduação, especificamente nas disciplinas de Física a eles vinculados.

## Considerações Finais

Tendo em vista a avaliação positiva do curso Pré-Física realizada por parte dos alunos matriculados e da equipe de trabalho, e considerando a falta de vagas para abranger todos os alunos interessados em realizar o curso, entendemos que

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essa ação deva continuar nos próximos semestres, tendo em vista possibilitar que novos estudantes possam melhorar ainda mais seu rendimento acadêmico nos cursos de graduação.

Análises voltadas à avaliação do desempenho acadêmico dos estudantes que cursaram o Pré-Física em suas disciplinas de Física na graduação estão em processo de realização. Tais medidas terão por objetivo comparar o índice de aproveitamento dos estudantes que passaram pelo Pré-Física com os demais que não tiveram a oportunidade de frequentar o curso, tendo em vista, de um lado, possibilitar a avaliação real da melhoria do desempenho acadêmico e do índice de aproveitamento desses estudantes e, de outro, justificar a realização futura de novas edições do curso.

Ademais, considerando os esforços empenhados nos momentos de planejamento e desenvolvimento do curso por parte dos monitores e professores orientadores, bem como o bom desempenho dos alunos devidamente matriculados que obtiveram mais de 75% de frequência, consideramos necessárias novas estratégias que visem minimizar a evasão e o grande número de faltas por parte dos alunos no Pré-Física.

## Referências

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP 1, de 18 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, cursos de licenciatura, de graduação plena. Diário Oficial da União , Brasília 04/03/2002, Seção 1, p. 8-9.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. RESOLUÇÃO Nº 2, DE 1º DE JULHO DE 2015. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Diário Oficial da União , Brasília 02/07/2015, Seção 1, p. 8-12.

HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. Fundamentos de física . 9. ed. Rio de Janeiro, RJ: LTC, 2012.

NUSSENZVEIG, H. Moysés. Curso de física básica. 5. ed. São Paulo, SP: E. lücher, 2013.

SAVIANI, D. Escola e democracia : teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre educação e política. 40.ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2008. 112 p. (Coleção Educação Contemporânea).

SEARS, Francis Weston; ZEMANSKY, Mark Waldo; YOUNG, Hugh D.; FREEDMAN, Roger A. Física . 12. ed. São Paulo, SP: Pearson Addison-Wesley, 2008-2009.

SERWAY, Raymond A.; JEWETT, John W. Princípios de física. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2016.

TIPLER, Paul Allen; MOSCA, Gene. Física: para cientistas e engenheiros. 6. ed. Rio de Janeiro, RJ: LTC, c2009.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.