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DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E O ENFRENTAMENTO DA EVASÃO NO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA NO SERTÃO PERNAMBUCANO

Ana Cláudia Souza Dos Santos Lima, Victor Alves Dos Santos, Getúlio Eduardo Rodrigues De Paiva, Samuel Dos Santos Feitosa, Daiane Maria Dos Santos Ribeiro, Marcelo Souza Da Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
O Ensino De Física Para A Graduação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E O ENFRENTAMENTO DA EVASÃO NO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA NO SERTÃO PERNAMBUCANO

Ana Cláudia Souza dos Santos Lima 1 , Victor Alves dos Santos , 1 Getúlio Eduardo Rodrigues de Paiva 1,2 , Samuel dos Santos Feitosa , Daiane 1 Maria dos Santos Ribeiro , Marcelo Souza da Silva 2 1,2

## Resumo

Muitas pesquisas revelam o alto índice de evasão nos cursos de Licenciatura em Física em diversas instituições de ensino superior espalhadas pelo país. Este trabalho tem como objetivo analisar os impactos de atividades de educação não formal no incentivo à permanência dos alunos no curso de Licenciatura em Física do IF Sertão-PE campus Salgueiro. Foi feito um levantamento dos principais fatores causadores dessa evasão na opinião de alunos evadidos e alunos regulares. Dados sobre a evasão foram obtidos no registro acadêmico da instituição, uma análise qualitativa foi realizada no decorrer de atividades não-formais como: Visitas guiadas ao museu de ciências e projeto Retalhos, relacionado com o Programa Internacional Despertando Vocações para as Licenciaturas (PDVL), buscando avaliar a expectativa de cada estudante em relação ao curso de licenciatura em física. Os resultados indicam uma multiplicidade de causas relacionadas à evasão e uma perspectiva de construção do sentimento de pertencimento durante as atividades.

Palavras-chave : Divulgação científica; evasão; licenciatura.

## Introdução

A evasão se dá quando o aluno desiste de continuar estudando. Altos índices de alunos evadidos são observados nos cursos da área das Ciências Exatas, principalmente Física e Química (BARROSO, 2004). As consequências da evasão são profundas, pois, para o aluno a evasão pode ser traumática e excludente e dispendiosa para o estado.

- O termo evasão é carregado de um sentido que tende a culpar o indivíduo que, por várias razões, interrompeu definitivamente sua trajetória em uma determinada oferta educacional. Dessa forma, historicamente, o termo também contribui para isentar a instituição e o respectivo sistema educacional e social de qualquer responsabilidade sobre esse fenômeno. É preciso ter claro que o afastamento definitivo de um estudante de determinada oferta educacional é fruto de múltiplos fatores sociais, econômicos, familiares, institucionais e pessoais. Tais fatores se reforçam mutuamente acabam resultando na chamada evasão (MOURA, 2007). É mais fácil dizer que o aluno não quer estudar, ou que é normal para o caso dos cursos de exatas altas taxas de evasão, do que buscar soluções para o problema. A literatura destaca que fatores como: base deficitária, consequentemente dificuldades com as disciplinas iniciais do curso e a desvalorização financeira e

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social da profissão são grandes responsáveis para aumento da evasão, mas não os únicos que culminam na interrupção de uma oferta educacional.

Compreender as causas da evasão é uma etapa indispensável para traçar estratégias de enfrentamento. No caso específico da educação superior, alguns fatores devem ser considerados. Qual carreira o estudante pré-universitário quer seguir? Qual a compreensão desse estudante acerca dos benefícios e dificuldades em sua futura jornada na graduação? Quais as perspectivas futuras de empregabilidade e reconhecimento social para a profissão escolhida? O quanto à instituição está preparada para receber um publico marcado pela diversidade cultural, social, étnica etc.? Quais as políticas públicas para acesso e permanência?

No tocante a estas questões relacionadas com o curso de licenciatura em Física é possível afirmar, grosso modo, que: Os estudantes pré-universitários não querem se tornar professores; além disso, eles, geralmente, são egressos de um ensino básico deficitário principalmente em matemática e ciências, não desenvolveram hábito de leitura; não compreendem com clareza quais as principais dificuldades serão enfrentadas durante o curso, têm uma imagem do professor como um sub profissional, mal remunerado e desvalorizado, vão passar por metodologias de ensino excludentes (SILVA, 2011) e voltadas a um perfil específico de estudante, vão encontrar instituições elitistas com epistemologias também elitistas. Com todos estes aspectos não é de se surpreender que os índices de evasão do curso de licenciatura em física sejam altos.

Por um lado espera-se que a escola formal seja um lugar no qual haja ou se construa o respeito pela diversidade, um ambiente onde as diferenças sejam respeitadas, garantindo aos estudantes o acesso a novos conhecimentos que estabeleçam um diálogo dos saberes formativos com as questões sociais, por outro a própria seleção de conteúdos e, principalmente, o modo em que esses saberes científicos são difundidos, como superior a outros saberes, já se constitui por si só uma forma de opressão (CANDAU, 2008). Por isso, a valorização da cultura local, das relações entre os estudantes, pode colocá-los como indivíduos autores ativos e críticos, além de meros receptores de conteúdo (RIBEIRO, 2012).

Portanto, é perceptível que o aluno, a instituição, os professores bem como o ambiente social constituído por esses atores interferem na opção do aluno em evadir ou não.

- É bem aceito que os espaços informais e não-formais de educação apresentam grande potencialidade para desenvolver atividades complementares voltadas à alfabetização científica do público em geral, mas no que diz respeito a essas modalidades de educação existem ainda muitas questões em aberto (RIBEIRO et al ., 2015; GOMES, 2015). Por exemplo, como as atividades de educação não-formal podem interferir no combate à evasão? Esse trabalho é um relato da experiência de enfrentamento à evasão por meio da realização de atividades de educação não formal, a saber: Visitação ao Museu de Ciências Professor Antônio Carneiro (MCPAC) e desenvolvimento do projeto cultural denominado Retalhos .

As visitas guiadas ao Museu de Ciências aconteciam em parceria com a prefeitura municipal e o Espaço Ciência, os licenciandos dos primeiros semestres do curso de Física eram guiados em visitas periódicas às exposições pelos colegas dos semestres mais avançados. Nas visitas ocorriam interações com experimentos de física moderna, eletricidade, óptica, mecânica etc. Já o Retalhos consistiu em um

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projeto de extensão, fomentado pela coordenação de curso, elaborado e executado pelos próprios estudantes. Nele eram explorados diferentes saberes dos estudantes, por exemplo, os estudantes que possuíam conhecimentos acerca de instrumentos musicais e habilidade para tocá-los ficaram responsáveis por realizar apresentações musicais, aqueles com aptidão para as artes cênicas também participaram do projeto motivando a produção de oficinas teatrais.

Para avaliar as influências dessas ações, foram entrevistados os estudantes regulares que participam das atividades de educação não formal e estudantes evadidos, visando analisar quais eram suas perspectivas no curso e quais seriam suas opiniões sobre os principais fatores causadores de evasão .

## Materiais e métodos

Os números correspondentes à evasão foram obtidos no registro acadêmico da instituição para serem analisados. Foram feitas entrevistas com 17 alunos evadidos e com todos os 36 licenciandos participantes das atividades de educação não formal. Durante a entrevista foram levantadas duas questões, a primeira: 'Em sua opinião, quais os fatores que contribuem para a evasão dos alunos do curso de Física aqui no IF Sertão-PE campus Salgueiro?' e 'O que você sugere para reduzir os índices de evasão?'

A análise dos dados que foi realizada neste trabalho se aproxima da Análise de Conteúdo proposta por Bardin, considera as relações entre as respostas dadas pelos alunos ao questionário, o contexto das atividades não formais, os sujeitos envolvidos na pesquisa. Com base na análise de conteúdo, foi feita uma manipulação do texto, agrupando os dados em exemplos representativos, de modo que sua interpretação permitisse chegar a inferências acerca do conhecimento relativo às percepções dos estudantes sobre os motivos da evasão e de uma possível influência das atividades em espaços não formais para combatê-la (VENEU, 2015; BARDIN, 1995).

## Análise dos resultados

Com base nos dados obtidos no registro acadêmico da instituição, é possível afirmar que os maiores índices de evasão ocorrem nas turmas do primeiro e segundo semestres. Segundo Barroso e Falcão (2004), a evasão se dá principalmente nos dois primeiros anos do curso universitário, com a justificativa de que as desistências ocorrem devidas às deficiências do Ensino Médio e da inadequada seleção, consequentemente, ao 'fracasso' nas disciplinas iniciais. Esse é um típico fator de evasão que pode ser combatido via políticas institucionais, é possível que a instituição prepare melhor os alunos ingressantes para que eles tenham melhor aproveitamento nas disciplinas iniciais. No caso do IF Sertão-PE, em 2013, foi implantada uma reforma curricular visando dar uma melhor base aos estudantes do primeiro período, essa reforma incluiu disciplinas de Matemática Básica e Física Básica para anteceder as disciplinas de Física Geral I e Cálculo I.

A tabela 1 mostra a porcentagem de evasão nos semestres iniciais a e sua relação com a reprovação.

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Tabela 01: Dados sobre evasão obtidos no setor de registro acadêmico.

De acordo com estes dados, é possível afirmar que durante o primeiro ano de curso das turmas ingressantes em 2011 e 2012, o índice médio de evasão foi de aproximadamente 68 %. Até de 2012, em cada 10 alunos reprovados nos primeiros períodos, 9 evadem. Após 2013, quando foi inserida a disciplina de Física Básica, esse índice caiu para 36%. Algumas pontuações são necessárias para que a disciplina de Física Básica represente um avanço no combate a evasão. É muito importante que essa disciplina não tenha meramente um caráter de 'nivelamento' voltado a 'melhorar' a compreensão dos alunos em relação aos conteúdos que deveriam ter sido vistos no ensino médio, tentativas dessa ordem já foram propostas desde os anos 40 do século XX e não passa de uma versão ineficaz do pensamento conteudista. A disciplina de Física Básica deve ter prioritariamente três objetivos claros:

Primeiro, instrumentalizar o estudante para as disciplinas de Física Geral e Experimental I, Cálculo Diferencial e Integral I, Geometria Analítica e Vetores, de modo a criar pré-sunsores como o objetivo de evitar o choque com o novo, no momento que o estudante se deparar com o formalismo destas disciplinas nos semestres seguintes. Segundo, apresentar episódios da história das ciências e discutir aspectos da natureza das ciências, buscando familiarizar o estudante de física com o desenvolvimento do conhecimento nessa área, pois de acordo com Ribeiro e Silva (2015), os estudantes do IF Sertão-PE, campus Salgueiro entram na graduação em Física sem conhecer a história da ciência e com uma visão deturpada de como se produz o conhecimento científico.

E, finalmente, à física quanto ciência, deve ser delegada um papel de encantamento pela natureza, para tanto é necessário que essa disciplina seja ministrada de modo a contemplar introdução sobre temas atuais da Física, que desperte o interesse dos estudantes, como Cosmologia, Geofísica, Teoria do caos, Física da Matéria Condensada e dos dispositivos eletrônicos, etc. Tais tópicos devem ser abordados com caráter de divulgação científica para mostrar ao aluno ingressante o quanto é maravilhoso estudar a natureza, pois estes estudantes vão passar três semestres estudando principalmente a mecânica do sec. XVIII esse fato pode desmotivar os estudantes que construíram uma expectativa de um curso mais atual. Nesse contexto, de reforma curricular visando desenvolver atividades de divulgação científica, os estudantes foram estimulados participar de visitas ao Museu de Ciências Professor Antonio Carneiro (MCPAC) situado em Salgueiro-PE obtendo, assim acesso a conhecimentos científicos por meio de atividades educacionais e interativas. Além disso, os estudantes foram estimulados a produzir e difundir ações culturais através de um projeto de extensão batizado de Projeto Retalhos, ilustrado na Figura 1. As ações executadas dentro do Retalhos tinham como objetivo despertar o interesse dos estudantes de graduação pelo curso a partir de suas outras habilidades e saberes, visando criar um ambiente de afetividade em que o

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estudante se sinta acolhido e amparado pela comunidade acadêmica, de modo a fomentar nesse estudante o surgimento do sentimento de pertencimento. Na parte superior da foto, um estudante do nível médio fotografa os estudantes da licenciatura que eram integrantes de uma banda tocando músicas autorais. Na parte inferior, é realizada uma oficina de teatro em que questões relativas ao movimento do corpo são explicadas à luz da física.

Figura 01: Registros fotográficos do projeto de extensão Retalhos.

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Os estudantes que participaram dessas atividades, e alguns estudantes evadidos foram entrevistados. Foi pedido para que se manifestassem a opinião deles sobre as causas da evasão e possíveis ações para evitá-la. Na tabela 2 estão sumarizadas as respostas de cada grupo.

Tabela 02: Exemplos de respostas representativas.

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Como pode ser observado, mesmo na opinião dos estudantes como um todo a evasão não está associada apenas aos motivos mais aparentes, fatores como a falta de integração com o ambiente acadêmico e social da instituição. Nesse sentido, os estudantes que participaram das atividades de educação não-formal apresentaram um padrão geral para suas respostas, este padrão está relacionado com o desenvolvimento de afinidades ou afetividades, seja pelo curso, pelos assuntos ou pelos colegas. Enquanto os estudantes já evadidos revelam em suas respostas certo desânimo, decepção com as reprovações e medo de investir muito tempo sem ter a certeza do sucesso acadêmico.

Avaliando as entrevistas concedidas pelos sujeitos da pesquisa foi observada uma compreensão em comum, a de que cada indivíduo vive em uma realidade distinta, e ainda, a própria instituição possui suas peculiaridades. Por sua vez um aluno afirma em seu relato que o fator que contribui para o aumento da evasão é a criação da identidade dos alunos e dos professores com o curso de física. 'Muitas vezes alunos e professores nem sempre se sentem parte integrante do curso de física'. Para Silveira e Miltão (2015), essa identidade pode ser construída no espaço de educação não-formal.

## Considerações finais

Diante do exposto, é possível afirmar que não se pode atribuir a responsabilidade pelo aluno evadir-se apenas a fatores mais superficiais que são facilmente diagnosticados, determinar os fatores que conduzem a evasão é uma atividade complexa e que deve ser feita cautelosamente. De acordo com os dados, e especialmente com as entrevistas, puderam ser constatadas que tanto na opinião dos alunos evadidos quanto na opinião dos alunos regulares que participam das atividades não-formais as causas que culminam na evasão são bem diversas. Refletir, na perspectiva do aluno, sobre quais as dificuldades presentes na instituição de ensino pode se configurar como um avanço.

É possível destacar que as visitas ao museu e o desenvolvimento de atividades artísticas e culturais criam um ambiente de afetuosidade, estimulam relações sociais entre alunos, técnicos, professores, comunidade, permite a interação entre sujeitos de diferentes níveis de formação tornando possível a criação do sentimento de identidade e pertencimento ao curso. Estes são fatores sociais que são mais fortemente desenvolvidos no âmbito da educação não-formal e que atuam significativamente do combate à evasão. Finalmente, sendo a instituição de ensino

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um espaço em que a diversidade seja respeitada, deve ser garantindo o direito aos estudantes acesso a novos conhecimentos que estabeleçam um diálogo formativo com as questões sociais, para tanto é necessário estar sensível às peculiaridades de cada estudante, como o tempo de aprendizado, condições econômicas etc. Só assim será possível ajudá-los a superar suas dificuldades, e não evadir.

## Referências

BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Lisboa: Edições 70, 1995.

BARROSO, M. F.; FALCÃO, E. B. M. Evasão Universitária: o caso do instituto de Física da UFRJ . In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 9,2004.

CANDAU, V. M. Multiculturalismo e educação: desafios para a prática pedagógica. In: Moreira, A. F. Candau, V. M. (Orgs.). Multiculturalismo: diferenças culturais e práticas pedagógicas. Petrópolis, (2008), RJ: Vozes.

GOMES, E. A.; CATÃO, V.; SOARES, C. P. Articulação do conhecimento em museus de ciências na busca por incluir estudantes surdos: analisando as possibilidades para se contemplar a diversidade em espaços não formais de educação . Experiências em Ensino de Ciências V.10, No. 1, 2015.

MOURA, D. H.; SILVA, M. S. 2007. A evasão no curso de licenciatura em Geografia oferecido pelo CEFET-RN . HOLOS, 23(3): 26-42.

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RIBEIRO, D. M. S; BEZERRA, A. C; SANTOS, A. F; MELO, M. M; SILVA, M. S. Radioatividade: o que pensam os visitantes do museu de ciência Antônio Carneiro em Salgueiro-PE. Caderno de física da UFES 13(02): 2501.1-9, 2015.

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