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AVALIAÇÃO DA APREDIZAGEM: CONCEPÇÃO DOS PROFESSORES DE FÍSICA NO IFNMG - CAMPUS SALINAS

Brendany Tawane Silva Santana, Ébano Henrique Da Silva Rizério, Gustavo Henrique Pinheiro De Carvalho, Natanael Nunes De Oliveira, Amanda Cristina Dos Santos Almeida, Vinícius Santana Pedreira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AVALIAÇÃO DA APREDIZAGEM: CONCEPÇÃO DOS PROFESSORES DE FÍSICA NO IFNMG CAMPUS SALINAS

Ébano Henrique da Silva Rizério , Amanda Cristina dos Santos 1 Almeida 2 , Brendany Tawane Silva Santana , Natanael Nunes de Oliveira , 3 4 Gustavo Henrique Pinheiro de Carvalho , Vinícius Santana Pedreira 5 6

1 Orientador, Mestrando em Ensino de Física, MNPEF, UESB ebanorizerio@gmail.com

2 IFNMG, Licenciando em Física, amanda97c@gmail.com

3 IFNMG, , Licenciando em Física, brendanytsantana@gmail.com

4 IFNMG, , Licenciando em Física, nnoliveira@gmail.com

- 5 IFNMG, , Licenciando em Física, guhenrique@gmail.com

6 Orientador, Mestrando em Ensino de Física, MNPEF, UESB viniciuspedreira8@gmail.com

## Resumo

O processo de avaliação do aprendizado, no que se refere à prática da docência, tem se destacado como uma preocupação constante. Este trabalho apresenta o resultado de uma pesquisa sobre a concepção da avaliação da aprendizagem no ensino superior e foi desenvolvida no Instituto Federal do Norte de Minas - IFNMG do município de Salinas- MG no decorrer do 1º Semestre de 2016 - por discentes do curso de Licenciatura em Física da mesma instituição. Para isso foram realizadas entrevistas com professores de Física do ensino superior do IFNMG apoiadas na perspectiva da avaliação mediadora, ou seja, uma relação dialógica para a construção do conhecimento. As entrevistas revelaram a unanimidade da defesa de uma avaliação que se distancie do modo tradicional de provas discursivas ao final de cada etapa (unidade) e que assumem outras estratégias (presença em aula, trabalhos, experimentos, relatórios, pesquisas, resumos, dentre outras) visto que uma única forma de avaliar não se apresenta como instrumento eficaz para verificar a aprendizagem dos alunos. Há, também, a defesa do diálogo, que é um principio fundamental da avaliação mediadora. No entanto, ela não figura entre os instrumentos avaliativos listados pelos docentes, sendo excluído do processo formal de avaliação. Notouse, portanto, que os professores do IFNMG - Campus Salinas procuram se distanciar do modo tradicional de avaliação e que, gradualmente, estão inserindo outras formas de avaliação que possam contribuir com o processo de ensino- aprendizagem.

Palavras-chave : Aprendizagem, Avaliação Mediadora, Ensino de Física.

## 1. Introdução

São inúmeras preocupações acerca do ensino de Física no Brasil, como às relacionadas aos livros didáticos, abordagens de ensino, uso de novas tecnologias em sala de aula, prática do professor, dentre tantas outras. A prática pedagógica dos professores tem sido motivo de muitas discussões, fortalecendo uma linha de pesquisa preocupada com a formação de professores de Física. No âmbito desta última, a prática avaliativa do professor tem se destacado. Quando falamos em avaliação, é comum lembrarmo-nos de inúmeras reclamações dos alunos e dos

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professores sobre esse aspecto, o que demonstra certa preocupação de ambas as partes. Quando o assunto é avaliação na disciplina de Física, o problema parece ainda maior, com os alarmantes índices de notas baixas e consequentes reprovações. A prática avaliativa dos professores causa impactos e influência significativamente na vida escolar dos estudantes. A esse respeito, Abib (2010, p.141) afirma que:

Para o ensino de Ciências Naturais e, em particular, para o ensino de Física, essas influências são bastante conhecidas, dados os resultados extremamente precários da qualidade da aprendizagem nessa área por grande parte dos alunos da escola básica. Esse quadro chega a configurar, com denomina Fourez (2003), uma verdadeira 'crise no ensino de Ciências', na qual diversos fatores estão associados às suas proposições curriculares mais frequentes, entre eles, a questão da avaliação.

Para Hoffmann (2010), o tipo de avaliação assemelhada a uma sentença, que se resume a atribuição de notas é uma das grandes responsáveis pela evasão de crianças e jovens da escola, o que nos traz a necessidade de reflexão urgente acerca do assunto, levando-nos a uma oposição a esse tipo de avaliação e, por conseguinte, nos permitindo acreditar em uma avaliação mediadora, integrada a todo o processo de ensino:

A perspectiva de avaliação mediadora pretende, essencialmente, opor-se ao modelo do 'transmitir-verificar-registrar' e evoluir no sentido de uma ação reflexiva e desafiadora do educador em termos de contribuir, elucidar, favorecer a troca de ideias entre e com seus alunos num movimento de superação do saber transmitido a uma produção de saber enriquecido [...](HOFFMANN, 2009, p. 116).

Barros Filho e Silva (2002), em pesquisa orientada a fazer uma discussão crítica sobre a avaliação em cursos de Física, afirmam que a avaliação tem sido um aspecto bastante complexo e controverso no meio educacional, constituindo-se como o 'coração' de todo o processo de ensino-aprendizagem. Apontam que, mesmo em cursos baseados em pressupostos construtivistas, as avaliações têm, estruturalmente, as mesmas características que as de cursos tradicionais.

Entendemos que a área de pesquisa sobre a avaliação no ensino de Física ainda tem muitos desafios pela frente. É com o intuito de contribuir para as discussões acerca da temática no âmbito da formação docente, que este trabalho foi desenvolvido, procurando refletir sobre a avaliação na visão de professores de Física que atuam na rede federal de ensino do município de Salinas / MG.

Sendo uma pesquisa desenvolvida por alunos da licenciatura em Física, do IFNMG/campus Salinas, compreendemos a relevância da temática. Buscando contribuir com a discussão do tema no contexto da escola investigada, optamos por debruçar na área e colher elementos da visão de professores em exercício acerca do processo da avaliação de aprendizagem.

## 2. Metodologia

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Trata-se de uma pesquisa acerca do tema 'avaliação', apresentando seus primeiros resultados, que, nesta fase, teve como objetivo colher elementos das visões de professores de Física do Ensino Superior sobre a avaliação.

Foram realizadas entrevistas com professores de Física da rede federal de ensino do município de Salinas/MG. Utilizamos como critério de seleção dos sujeitos, lecionar em uma escola da cidade. Os sujeitos serão identificados nesta pesquisa como professores A e B.

- O roteiro de entrevista foi elaborado considerando os objetivos gerais da pesquisa mais ampla, que pretende discutir a avaliação a partir de concepções de diferentes sujeitos envolvidos nesta prática e, assim, investigar os instrumentos e práticas avaliativas comumente empregados/defendidos por eles.

Para este trabalho, como recorte de estudo, utilizamos cinco perguntas de nossa entrevista:

- 1. Para você, o que é avaliação?
- 2. Como você costuma avaliar os seus alunos na disciplina de Física?
- 3. Como você 'sabe' ou percebe que o aluno aprendeu?
- 4. Você considera importante inovar nas práticas avaliativas? De que forma? Você tem implementado essas inovações?
- 5. Você enfrenta alguma dificuldade na sua prática avaliativa? Qual(is)?

Na discussão dos resultados, elegemos os discursos mais representativos para as questões, item por item. Na questão em que não foi possível eleger discursos mais representativos, trouxemos os discursos de todos os pesquisados.

## 3. Discussão dos Resultados

## 3.1. Em defesa de uma perspectiva avaliativa

Os dois professores entrevistados, quando questionados sobre o significado de avaliação (questão 1), explicitaram uma concepção que procura se distanciar da perspectiva tradicional, como ilustra a fala do professor A:

É um método para verificação de aprendizagem.

Já o professor B, expressa:

A avaliação é uma espécie de diagnóstico da aprendizagem. Aprofunda o grau de conhecimento do aluno sobre determinado assunto.

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Os discursos sugerem que os professores entendem que a avaliação deve se preocupar com o desenvolvimento dos alunos, refletindo sobre a aprendizagem dos estudantes, não voltando sua preocupação para o aspecto quantitativo e sim para o qualitativo. Ao se distanciar da perspectiva tradicional, aproximam-se de perspectivas mais atuais, como a da avaliação mediadora (HOFFMANN, 2009).

## 3.2. Uma gama de instrumentos avaliativos...

Ao serem questionados sobre como avaliam seus alunos (questão 2), todos os professores fazem referência aos instrumentos avaliativos que utilizam. Os entrevistados mencionam mais de um tipo de instrumento, dentre os quais, a prova escrita foi citada por todos. O professor A cita os instrumentos que utiliza:

Avaliação qualitativa, testes, provas, trabalhos em grupo, experimento cientifico e relatórios de aulas práticas.

No discurso do professor B, observa-se:

Através de trabalhos que totalizam 40% do semestre e de provas abertas que representam 60% do semestre.

A entrevista por meio de questionário teve por propósito permitir que os professores expressassem livremente suas práticas e concepções em cada item. Percebemos que a preocupação central dos docentes foi relatar instrumentos avaliativos diversificados. Pensamos que é positiva essa diversificação. No entanto, não podemos deixar de destacar a ausência de um discurso que tenha se preocupado em explicitar ações para melhorias no processo de aprendizagem dos alunos, que se constitui como um importante momento de uma prática avaliativa mediadora.

## 3.3. A prova e outros recursos utilizados

É unânime nas respostas dos professores, a defesa de uma prática avaliativa preocupada com a aprendizagem dos alunos, como mostramos com os resultados da questão 1. Com isso, podemos afirmar que a intenção dos entrevistados concorda com uma perspectiva avaliativa que se mostre como alternativa à avaliação classificatória tradicional.

Quando questionados sobre como percebem que seus alunos aprenderam (questão 3), os professores evidenciam dados interessantes para análise.

A ideia mais defendida pelos entrevistados, é que costumam perceber que seus alunos aprenderam não só pelo que fizeram na prova e sim ao longo das situações propostas em sala de aula, quando o professor A diz:

Bons rendimentos em testes e provas, apresentação de boa qualidade e relatórios bem feitos.

E o professor B relata:

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Percebo pelos trabalhos avaliativos, pelas listas de exercícios, pela observação em sala de aula, através da participação e também das provas abertas.

Evidencia-se nos discursos a ideia de que as provas não possuem grande potencial para que percebam a aprendizagem dos alunos. Para Hoffmann (2009), esse é um ponto que merece reflexão:

Qual o significado de tarefas e provas realizadas ao final dos períodos letivos? Ou tarefas cujo sentido é o de coleta periódica de resultados alcançados pelos alunos? Em que medida refletem os professores sobre as tarefas dos alunos, seus entendimentos, desentendimentos, novas descobertas? (HOFFMANN, 2009, p. 118).

## 3.4. Em defesa das inovações

Todos os professores defendem que é importante inovar na prática avaliativa, quando questionados a esse respeito (questão 4). Os principais argumentos utilizados para justificar essa importância dizem respeito à tentativa de se distanciar dos métodos tradicionais, que, nesse contexto, podemos dizer que se referem às provas.

O professor A diz que é importante essas inovações e ele faz por meios de:

Textos, aplicativos, experimentos tecnológicos, o uso da tecnologia no ensino de física e literatura de cordel.

Já o professor B diz:

Sim. Considero muito importante. Tenho adotado situações diferenciadas e especificas para cada turma. Avalio a presença, resumos, exercícios, estudo dirigidos, provas abertas, etc.

Apesar da defesa unânime pelas inovações, os entrevistados não apresentaram muitos argumentos sobre esse aspecto. Os mesmos citaram alguns procedimentos ou instrumentos que utilizam para inovar, demonstrando o intuito de se distanciar do tradicionalismo. Esse é um ponto que merece ser mais bem investigado, visto que não tivemos na pesquisa dados suficientes que nos levem a compreender melhor a questão, não conhecendo, por exemplo, os objetivos avaliativos específicos dos professores diante das inovações citadas. Tais dados podem nos revelar, em um futuro aprofundamento desta pesquisa, formas de aproximação da avaliação mediadora pretendida.

## 3.5. Dificuldade dos professores

Ao serem questionados sobre se enfrentavam dificuldades na prática avaliativa e quais seriam essas (questão 5), os professores entrevistados apresentaram dificuldades distintas uns dos outros. Vejamos, abaixo.

O professor A diz que enfrenta dificuldade no processo avaliativo e cita:

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Nas avaliações ocorrem ''colas'' entre alunos.

- O professor B também diz que enfrenta problema na avaliação, mas diferente do abordado pelo professor A:

Em algumas atividades exijo acesso à internet aos alunos. Nem sempre eles têm notebook e acesso à internet para fazer os trabalhos.

Sobre a dificuldade na atribuição de notas, Hoffmann (2010) alerta que em educação, a medida (quantificação) como indicador só tem sentido a partir da interpretação feita pelo professor do que, de fato, representa quanto à produção de conhecimento pelo aluno.

A cobrança do sistema de ensino acerca das metas de aprendizagem com perfil tradicional é também uma dificuldade bastante presente no discurso docente em geral. De acordo com Hoffmann (2009, p. 112, 124), o argumento de que não é possível alterar o paradigma da avaliação diante das exigências burocráticas do sistema, traz implícita a ideia que a avaliação classificatória praticada não é opção do professor, mas decorrente de exigências burocráticas. Para esse quesito, a autora explicita sua crença de que não se possam iniciar mudanças pelas alterações do sistema, considerando que mudanças em estatutos não poderão provocar a tomada de consciência dos educadores sobre o significado da prática avaliativa. Acreditamos que esse é um ponto muito polêmico, controverso e que necessita ser mais discutido no meio educacional, na busca de nos aproximarmos do ideal de avaliação mediadora que estamos defendendo.

## 4. Conclusões

Conseguimos perceber, com a análise das respostas dos professores da rede federal de ensino de Salinas-MG, vários aspectos importantes da visão de nossa amostra sobre a avaliação. Esses aspectos pretendem contribuir com a discussão de uma prática avaliativa mais eficaz no ensino de Física, ao passo que podem também servir para discussão/reflexão com os próprios docentes investigados.

Constatamos que foi unânime entre os professores, a defesa por uma avaliação que se distancie da avaliação tradicional. Esse foi um dado bastante satisfatório. Hoffmann (2010) afirma que essa consciência é essencial para que os professores, de fato, assumam uma prática avaliativa mais condizente com melhorias na aprendizagem dos alunos. Apesar dessa consciência, são muitas as dificuldades postas e nem sempre essa ideia se concretiza na prática.

Quando foram questionados sobre como avaliam seus alunos, se preocuparam em citar instrumentos avaliativos diversificados, demonstrando que não se restringem somente a provas, mas lançam mão de outras estratégias como presença, experimentos, trabalhos, relatórios e aula em laboratório, trabalhos de pesquisa, uso de aplicativos e resumos. Não encontramos nos discursos, demonstração de como tais instrumentos, além de diagnosticar, serviriam para

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contribuir com avanço dos alunos em seus processos de aprendizagem, ponto fundamental de uma avaliação mediadora.

Um dado que muito nos chamou atenção foi a expressão dos professores de que a prova não é o instrumento mais eficaz para perceber se os alunos aprenderam. Ao invés disso, defendem que o diálogo no dia a dia em sala de aula seja mais acertado, expressando que nem sempre as percepções por esses dois 'instrumentos' coincidem. Vale lembrar que o diálogo (ou algo que o incorpore) não figura entre os instrumentos avaliativos listados pelos docentes. Este é um ponto que revela: por um lado, a relação dialógica é um princípio fundamental da avaliação mediadora; por outro, este princípio é excluído do processo avaliativo 'formalizado', materializado na atribuição de notas por meio de outros mecanismos.

Os resultados sinalizam que os docentes investigados incorporaram a defesa por uma avaliação que procura se distanciar da tradicional e que, gradativamente, procuram colocá-la em prática, mesmo com muitos problemas a serem vencidos. Informações relevantes para a prática docente foram evidenciadas e discutidas. Acreditamos, assim, que os resultados do estudo serão importantes para que os educadores reflitam acerca da prática avaliativa frente às dificuldades existentes, sempre em busca de uma avaliação que possa contribuir com a melhoria do processo de ensino-aprendizagem em nossas escolas.

## 5. Referências

ABIB, Maria Lúcia Vital dos Santos. Avaliação e melhoria da aprendizagem em Física. In: CARVALHO, Anna Maria Pessoa et al. Ensino de Física. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

BARROS FILHO, Jomar; SILVA, Dirceu. Buscando um sistema de avaliação contínua: ensino de eletrodinâmica no Nível Médio. Revista Ciência & Educação, v.8, nº1, p.27 - 38, 2002.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação mediadora: uma prática em construção da préescola à universidade. Porto Alegre: Mediação, 2009.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação: mito e desafio - uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Mediação, 2010.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.