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O USO DE VIDEOGRAVAÇÃO NO ENSINO DE CIÊNCIAS: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO A PARTIR DE PERIÓDICOS NACIONAIS

Célio Da Paz Farroco, Glauco S. F. Da Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

XXII Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF 2017

## O USO DE VIDEOGRAVAÇÃO NO ENSINO DE CIÊNCIAS: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO A PARTIR DE PERIÓDICOS NACIONAIS

## Célio da Paz Farroco , Glauco S. F. da Silva 1 2

1 Núcleo de Pesquisa e Atividades em Ensino de Física (NAPEF)/ PIBIC-CEFET/RJ -Campus Petrópolis, celiofarroco@gmail.com

## Resumo

Este trabalho tem como objetivo realizar um estudo tipo 'revisão bibliográfica' acerca do tema 'O uso de vídeos e videogravações para o ensino de ciências no Brasil'. Para isso foram selecionados alguns dos periódicos nacionais voltados para a pesquisa e ensino de ciências. A partir desses periódicos foram encontradas todas as publicações entre os anos de 2005 e 2016 que relatavam ou apresentavam algum envolvimento com o uso de vídeos, videogravação e videoanálise no âmbito do ensino de ciências, os quais foram organizados e catalogados segundo os critérios definidos por nós. Estes foram então analisados a fim de encontrar quais as principais tendências nesse tipo de atividade, assim como descobrir quais trabalhos já foram ou estão sendo produzidos até o momento, além de descobrir quais áreas que ainda não foram exploradas neste aspecto da videogravação, podendo talvez ser um campo promissor para o trabalho da pesquisa e de ensino de física.

Palavras-chave : Videogravação; videoanálise; codocência; ensino de física;

## Introdução

É consenso entre professores, pesquisadores e a população de um modo geral, que as tecnologias estão presentes no cotidiano das pessoas a ponto de transformar as relações sociais. Por exemplo, a comunicação entre as pessoas foi extremamente facilitada, pois o uso de aplicativos instalados em aparelhos celulares tornou possível realizar uma chamada para outra pessoa do outro lado do mundo.

Consequentemente, essas transformações nas relações entre as pessoas chegaram à escola, de tal forma, que nos parece caminhar na contramão quem não faz a opção de usar algumas das novas tecnologias a favor do ensino e aprendizado. Entre tantas opções de uso, uma delas, é a vídeo gravação. Em especial, se a opção é o uso de aparelhos celulares para a produção de pequenos vídeos. O uso da videogravação é uma ferramenta bem recorrente no ensino de ciências, tendo sido muito difundida entre os anos 80 e 90, sendo a exibição de filmes durante as aulas uma das formas mais utilizadas durante as aulas. Por fim, mencionamos o advento das tele aulas em meados da década de 90 como outra forma possível de utilização de vídeos e filmes como instrumento didático.

Considerando então, o grande desenvolvimento tecnológico e facilidade de filmagens, percebemos a falta de uma pesquisa que analise o uso da videogravação, especificamente, no ensino de Física.

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Assim, neste trabalho vamos apresentar uma revisão bibliográfica sobre o uso da videogravação no ensino e na pesquisa em ensino de física, considerando alguns periódicos nacionais publicados nos últimos 10 anos. Trata-se da fase exploratória do projeto iniciação científica ao qual este trabalho está vinculado. O projeto, recém-iniciado, tem o objetivo de investigar o papel da videogravação e a videoanálise na pesquisa sobre a codocência na formação inicial de professores de Física (CORRÊA & SILVA, 2014/2016).

## O uso de vídeos no ensino de Física

- O primeiro estudo que se tem indício do uso da videogravação, ou pelo menos um precursor, foi realizado ainda no século XIX. Tratava-se de uma série contínua de fotografias que juntas mostravam movimento, foram usadas para se fazer estudos sobre a locomoção em animais e humanos (ERICKSON, 2011).
- O uso de videogravação como ferramenta didática no ensino de ciências começou a ser utilizado já na década de 1950 pelo Physical Science Study Committee (PSSC). O PSSC utilizava uma série de filmes didáticos, num total de 47 filmes, elaborados com o que existia de melhor em tecnologia audiovisual e técnicas de cinematografia e que se constituíam na sua grande maioria de vídeos de experimentos que visavam um melhor entendimento dos alunos sobre o material didático também produzido pelo PSSC (ALVES FILHO, 2000).

No Brasil, o PSSC chega em 1962 revolucionando a forma de se ensinar Ciências. A partir daí, a videogravação passou a se difundir por todo o mundo, sendo usada nas mais diferentes frentes, tanto na filmagem de experimentos para melhor análise, como a apresentação de vídeos como ferramenta didática. Ainda hoje estes vídeos podem ser facilmente encontrados na internet em sites de vídeos como o youtube , sendo ainda utilizados por diversos professores como material didático auxiliar em suas aulas.

Entre os anos de 1980 e 1990, a videogravação começou a ser usada para que professores filmassem suas próprias aulas. O objetivo era que estas aulas pudessem ser analisadas posteriormente com o intuito tanto de melhorar a qualidade do ensino quanto de permitir que os professores pudessem produzir e ter acesso a materiais que antes acabavam não sendo compartilhados e por sua vez se perdendo com o tempo.

Com o passar dos anos as tecnologias se tornaram cada vez mais acessíveis e com melhor qualidade, dando assim aos pesquisadores novas janelas de possibilidades para o trabalho e a pesquisa envolvendo o uso da videogravação.

## Metodologia:

Em nosso trabalho, buscamos fazer um estudo tipo revisão bibliográfica, com o intuito de analisar os tipos de trabalho realizados no Brasil envolvendo o uso de videogravação. Uma revisão bibliográfica é geralmente um tipo de estudo em que primeiramente são selecionados diversos periódicos, eventos ou outras fontes de trabalhos de pesquisa, dos quais são então coletados o máximo possível de

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trabalhos que abordam um determinado tema de interesse. A partir daí os trabalhos são organizados e categorizados seguindo critérios definidos pelo pesquisador com o intuito de se perceber tendências de pesquisa, descobrir a popularidade de determinado tema, encontrar referências para determinado trabalho, entre outros.

De acordo com Salem (2012) trabalhos de pesquisa sobre estados da arte e revisão bibliográfica sempre estiveram presentes nas investigações em ensino de ciências. No entanto, a autora afirma que com o crescimento da área de pesquisa em ensino de ciências, por exemplo, com o reconhecimento da CAPES ao criar uma área específica, aumenta-se a preocupação de identificar as tendências de pesquisa produzidas pela própria área. Dessa forma, '(...) muitos trabalhos vêm buscando mapear o estado da arte do campo (...) [e] passam agora a ocupar a atenção de um número maior de pesquisadores e com um caráter mais diversificado e abrangente' (SALEM, 2012, p. 29).

Dentro dessa perspectiva, porém menos abrangente, este trabalho explora a pesquisa bibliográfica como forma de entender, ainda que preliminar, algumas tendências do uso da videogravação no próprio ensino de física e na pesquisa desta área. Assim, seguimos as etapas estabelecidas por Rezende, Ostermann & Ferraz, (2009) para uma pesquisa bibliográfica: (i) o levantamento do universo de trabalhos; (ii) classificação e caracterização dos trabalhos selecionados.

## Levantamento do universo de trabalhos

Para realizar este trabalho, selecionamos alguns periódicos brasileiros, levando-se em consideração a sua tradição na área e classificação do QUALIS (A12; B1) da Capes para área de ensino relacionados à pesquisa e ao ensino de física. O nosso universo de trabalho ainda tem como critério as publicações entre 2005 e 2016 dos periódicos abaixo listados no quadro 1.

Quadro 01: Periódicos analisados

Todas as publicações foram encontradas de forma sistemática através de pesquisa pelo termo 'Vídeo' e 'Videogravação', da seguinte forma: primeiramente, em seus títulos e em seguida nos seus resumos,usando os buscadores disponíveis para cada periódico : Scielo , para a Revista Brasileira de Ensino de Física e a

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Revista Ciência & Educação; enquanto que para os demais periódicos foi feita uma busca em seus banco de dados próprios.

## Classificação e Caracterização dos trabalhos

Desta forma, todos os trabalhos encontrados foram classificados em quatro categorias:

- A. Uso de vídeos com fins experimentais : nesta categoria são colocados artigos que usem o vídeo ou a videogravação como fonte de dados e para análise de experimentos realizados dentro e fora de sala de aula, pelo professor e/ou pelos alunos;
- B. Uso de vídeos como ferramenta didática : aqui são colocados os artigos que trabalham com material audiovisual voltado para o auxílio do aprendizado, como por exemplo, o uso de documentários ou qualquer outro tipo de vídeo educativo contendo um tema de interesse;
- C. Uso de vídeos como forma de análise e reflexão: nesta categoria se encontram todos os trabalhos que citam o uso da videogravação para se fazer algum tipo de análise no âmbito do meio escolar, incluindo a relação professor/aluno, seus papéis e todos os trabalhos que visam utilizar a videogravação para a análise ou autoanálise do trabalho docente;
- D. Artigos que trabalham com vídeos como ferramenta secundária: aqui são alocados todos os trabalhos que apenas citam o uso de videogravações como fontes de dados, mas que estas não desempenham nenhum papel central no trabalho; ou que não se encaixem nas categorias anteriores;

A partir desses critérios fomos capazes de encontrar e organizar cada periódico, chegando a um total de 54 publicações, organizadas em gráficos e tabelas apresentadas nas seções posteriores deste artigo.

## Resultados:

Através dos dados obtidos com a pesquisa fomos capazes de montar a Tabela 1 em que todos os 54 artigos encontrados de cada periódico foram organizados nas categorias A, B, C e D, permitindo assim uma melhor visualização das tendências encontradas. Cada linha da tabela representa um dos periódicos pesquisados e nas colunas estão os trabalhos encontrados em suas respectivas categorias

Percebemos então uma forte tendência à categoria C, talvez isto se dê ao fato de esta ser a categoria mais abrangente entre todas, uma vez que as categorias A e B estão restritas a conteúdos muito mais específicos.

Uma análise mais profunda indica que esta tendência à categoria C se dá mais nitidamente nos trabalhos encontrados na Revista Ciência & Educação, Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências e Investigações em Ensino de Ciências, isto se dá, provavelmente pelo fato de estes serem periódicos mais específicos para

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pesquisa, carecendo de sessões para o relato de atividades, por exemplo, estas que poderiam abranger tanto os trabalhos da Categoria A quanto da Categoria B e que se encontram mais presentes em outros periódicos, como no caso da Revista Brasileira de Ensino de Física.

Tabela 1: Categorização dos trabalhos encontrados por periódico

Podemos perceber também que o número de trabalhos não é muito vasto como era de se esperar em uma revisão bibliográfica, uma vez que 54 trabalhos são um volume muito pequeno se formos considerar que a pesquisa varreu mais de 10 anos e em 6 periódicos diferentes. Parece-nos, então, que o uso de videogravações no ensino de ciências não seja uma prática assim tão comum quanto era de se imaginar, especialmente se consideramos que esta pesquisa reflete todo um contexto nacional.

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Figura 1: Uso de vídeo gravação em periódicos nacionais

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Outro detalhe que pode ser percebido com uma visão mais detalhada é que todas as revistas apresentam certa tendência à categoria C, com exceção da Revista Brasileira de Ensino de Física, que por sua vez tem seus trabalhos mais voltados para as categorias A e B ( Figura 2 ). É possível explicar esse resultado se considerarmos a ideia de a RBEF é uma revista que atrai um público mais amplo em relação às outras selecionadas, uma vez que pesquisadores de diversas áreas da física, não apenas do ensino, buscam publicar neste periódico.

Figura 2: Relação de artigos da RBEF

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## Discussão:

Como vimos através desta pesquisa, o uso de vídeo/videogravações no contexto do ensino de ciências está presente nas mais diversas situações, entretanto ainda assim é uma prática pouco difundida, podemos perceber isso pelo pouco volume de publicações feitas a respeito nos últimos anos em periódicos nacionais.

Neste trabalho tomamos certo cuidado no que se tratava da categoria C, uma vez que esta categoria nos desperta grande interesse tendo em vista que nosso trabalho futuro será sobre o uso da videoanálise em aulas de ensino médio em regime de co-docência no contexto do Estágio Supervisionado.

Estes artigos presentes na Categoria C apresentam características muito semelhantes entre si, como por exemplo a videogravação de uma aula com o objetivo de analisar os conceitos científicos que os estudantes do ensino médio possuem ou desenvolvem durante o estudo do tema 'origem da vida' (GRIMES &amp; SCHROEDER, 2015), ou também a filmagem de uma aula de química funciona com uma abordagem CTS, entre outros (MELO, &amp; AMARAL, 2011).

Nesse âmbito, nosso trabalho é um pouco diferente uma vez que visa analisar um contingente mais amplo de situações e agentes através da perspectiva da codocência na formação inicial de professores. Este tipo de trabalho já vem sendo realizado por nosso grupo de pesquisa a algum tempo, por exemplo, CORRÊA &amp; SILVA (2014).

A partir daí, fizemos uma análise mais cuidadosa nesta categoria e percebemos que a maioria dos trabalhos feitos dizem respeito a gravação de aulas ou reuniões para análises futuras, cada uma com as suas especificidades, porém nada foi encontrado no que diz respeito a este aspecto da pesquisa, focado na codocência ou nas práticas de estágio. Portanto, explorar o uso da videogravação como instrumentos de coleta de dados e reflexão sobre a ação, parece ser um campo de pesquisa a ser explorado, como mostra o nosso trabalho anterior CORRÊA &amp; SILVA (2016).

## Referências

ALVES FILHO, J. P. Atividades experimentais : do método à prática construtivista. Tese (Doutorado em Educação: Ensino de Ciências Naturais) 312f. UFSC. Florianópolis, 2000.

CORREA, M. &amp; SILVA, G. S. F. A perspectiva da codocência na prática de ensino de física e no estágio supervisionado. In: IV Congresso Internacional sobre Professorado Principiante e Inserção Profissional à Docência, 2014. Curitiba-PR. Atas Congreprinci, 2014, v4, 1-10, 2014.

CORREA, M. &amp; SILVA, G. S. F. A codocência e a videogravação na prática de ensino de física para formação docente reflexiva. In: XVIII Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, 2016. Cuiabá-MT. Atas… v. 18, p. 1-12.

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ERICKSON, F. Uses of video in social research: a brief history. International Journal of Social Research Methodology . v. 14, n. 3, May 2011, p. 179-189, 2011.

MELO, R. C. &amp; AMARAL, E. M. R. Analisando a implementação de uma abordagem CTS na sala de aula de química. Ciência &amp; Educação , Bauru, v.17, n.2, p. 383-399, Bauru , 2011.

GRIMES, C. &amp; SCHROEDER, E. Os conceitos científicos dos estudantes do Ensino Médio no estudo do tema "origem da vida". Ciência &amp; Educação , Bauru, v.21, n.4, p. 959-976, Bauru, Dec. 2015.

REZENDE, F; OSTERMANN, F. &amp; FERRAZ, G. Ensino-aprendizagem de física no nível médio: o estado da arte da produção acadêmica no século XXI. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo, v. 31, n. 1, p. 1-8, 2009.

SALEM, S. Perfil, evolução e perspectivas da pesquisa em Ensino de Física no Brasil . 385f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências-modalidade Física). Instituto de Física/Faculdade de Educação- Universidade de São Paulo, 2012.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.