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Qualificação dos professores de física e seus impactos no ensino básico

Dionattan Raimundo Dos Santos, Michael Nogueira Da Silva De Oliveira, Pedro Henrique Santos Oliveira, Alan Belmock Pedruzzi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

Qualificação dos professores de física e seus impactos no ensino básico

Dionattan Raimundo dos Santos 1 , Michael Nogueira da Silva de Oliveira , 2 Pedro Henrique Santos Oliveira , Alan Belmock Pedruzzi 3 4

- 1 Instituto Federal do Espírito Santo, dionattan11@gmail.com
- 2 Instituto Federal do Espirito Santo, michaelnogueira\_@hotmail.com
- Instituto Federal do Espirito Santo, pedrohenrique.academico@gmail.com

4 Instituto Federal do Espirito Santo, alanbelmock@yahoo.com.br

## Resumo

A presença de professores licenciados em Física para ministrar as aulas de Física nas Escolas de Ensino Básico é freqüentemente apresentada como uma das providências mais importantes para erradicar as deficiências de aprendizagem dos estudantes do ensino público. Este trabalho surge a partir da necessidade de se observar o impacto gerado diretamente pela qualificação dos professores que lecionam no Ensino Básico com ênfase no ensino de física nas Escolas de Nível Médio que hoje sofrem com a comum falta de professores qualificados para aplicar as disciplinas mínimas de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e também de acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE). Nesta concepção de formação qualificada, daremos enfoque nos planos atuais para reversão dos problemas apresentados tanto pelos professores em si, quanto pelos alunos que muitas vezes acabam desistindo da disciplina por não conseguir enxergar aplicações diretas do conteúdo nas condições atuais dos professores do País

Palavras-chave : Ensino básico, Qualificação em física, Ensino de física.

## Introdução

Quando se pergunta para um aluno do ensino médio sobre qual é a matéria mais difícil que ele tem, normalmente terá física, matemática ou química como resposta. Tal resposta tem raízes na qualificação dos professores dessas áreas.

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## XXII Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF 2017

Neste trabalho buscamos analisar o crescente mas insuficiente número de licenciados e discentes comprometidos na área de ciências da natureza e matemáticas e suas tecnologias. 'No Brasil, cerca de 68,7% dos professores de Física do ensino médio não possuem formação na área' (Tokarnia, 2016). Mas por que isto acontece? Qual é a média de formação anual de alunos no curso de física? Como isto afeta os alunos da educação básica? De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), entre 2002 a 2010 houveram 14.247 concluintes em física para uma demanda de 55.231 professores só no ano de 2002 no Brasil.

## Justificativa

Segundo os parametros curriculares nacionais, a escola é responsável pela formação de cidadãos capazes de pensar criticamente (BRASIL, 1998), todavia sem professores com uma formação adequada, os discentes podem não ter a oportunidade de desenvolver essa caracteristica fundamental para a vida na sociedade moderna.

## Mercadante em entrevista:

"A gente forma muito pouca gente em física por ano e é muito difícil reverter isso porque o professor que está lá para motivar o aluno não é formado, não tem licenciataura e dá aula improvisada para preencher carga horária sem formação específica.' (Tokarnia - 2016)

Declarações como essa reforçam a necessidade de se discutir sobre a qualificação dos profissionais da educação pautados na área de física do ensino básico e sobre o posicionamento do governo no que se refere às políticas de formação, complementação e acompanhamento destes professores.

## Desenvolvimento

No que se refere ao ensino no Brasil, Machado (2016) ressalta que o problema de formação docente vem desde o descobrimento do Brasil. O que nos faz perceber esta deficência histórica marcada na consagração de nosso ensino. Desde o ensino jesuíta até 1971 onde aprovou-se a Lei de Diretrizes e Bases 5.692, não havia regulamentação para prática docente no Brasil. A graduação nos cursos de

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XXII Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF 2017 3 ensino superior no Brasil é dividida basicamente em duas categorias: bacharelado e licenciatura. O bacharelado, segundo o MEC (Ministério da Educação), é o curso superior que 'confere ao diplomado competências em determinado campo do saber para o exercício de atividade acadêmica ou profissional'. A licenciatura, por sua vez, prepara o graduando para dar aula como professor na educação básica, ou seja, o prepara para a carreira de professor. Bonadiman (2007) argumenta que:

'as deficiências do ensino que é praticado em nossas escolas, e até mesmo nas universidades, manifestam-se na evasão escolar, no alto índice de repetência, na crescente difusão dos chamados cursinhos informais preparatórios e, principalmente, no fraco desempenho dos alunos quando colocados diante de situações em que são solicitados a explicitar seu aprendizado.' (Bonadiman, 2007, p.195)

O ensino básico atual do Brasil se encontra em uma situação alarmante, Temos quase 40% de professores que atuam nas escolas públicas do Brasil em disciplinas nas quais não são formados e de acordo com Tokarnia (2016):

'Nas escolas públicas do Brasil, 200.816 professores dão aulas em disciplinas nas quais não são formados, isso equivale a 38,7% do total de 518.313 professores na rede. Os dados estão no Censo Escolar de 2015 e foram divulgados hoje (28) pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. (...) A maior lacuna está em física. Do total de 27.886 professores que lecionam física, 19.161 não tem licenciatura na disciplina, o que equivale a 68,7% do total.' (Tokarnia - 2016)

Exclusivamente falando do currículo de física no ensino básico, a situação se mostra extremamente alarmante. A falta de professores capacitados e formados influencia diretamente na educação dos alunos do ensino básico. Logo, medidas eficazes precisam ser tomadas para contornar este problema, algo para capacitar os professores sem formação específica, como uma espécie de formação continuada ou projetos para 'reciclagem' destes professores.

Em 2006, o governo criou o Programa de incentivo à formação continuada de professores do ensino médio. Plano este que abrangia os cursos de Química, Física, Biologia, Matemática, História, Geografia, Língua Portuguesa e Língua Espanhola. As Secretarias de Educação teriam os recursos assegurados por meio de convênio com a SEB/MEC, para contratação das instituições selecionadas. O

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XXII Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF 2017 4 cadastro das instituições foi realizado por meio de licitação, cujo edital foi publicado em 16 de março de 2006 e retificado em 25 de abril e 22 de maio de 2006. Participaram da licitação 41 Instituições de Ensino Superior, individualmente, e quatro em consórcio.

Uma das mudanças necessárias para reverter esta situação crítica já está prevista no plano nacional de Educação (PNE 2014 - 2024). As metas 15 e 16 visam garantir a formação continuada, complementação e conclusão nos cursos de licenciatura dos professores atuantes na rede pública de ensino. O plano Plano Nacional e é claro quando visa:

'garantir, em regime de colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, no prazo de um ano de vigência deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da educação de que tratam os incisos I, II e III do caput do art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, assegurado que todos os professores e as professoras da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.' (Brasil, 2014, p.78)

Se tratando de planos de complementação pedagógica, um dos principais programas que utilizam esta abordagem aos alunos de graduação é o PIBID Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência que trabalha justamente na imersão do licenciando dentro das escolas e trabalhos relacionados à carreira docente e ao magistério. O PIBID não só contribui com a formação docente, como também contribui diretamente com a complementação acadêmica do licenciando, na produção de artigos, de projetos e subprojetos dentro de sua área específica, e também nas práticas de ensino, realidade escolar, preparo em geral. De acordo com observações feitas no curso de licenciatura em Física no Instituto federal do Espírito Santo, o programa auxilia na redução da evasão no curso e traz benefícios para a carreira acadêmica, como: didática, uso adequado de objetos de aprendizagem, etc.

No ano de 2016, o MEC abriu edital para 105 mil vagas para especialização de professores da rede pública, com proposta de incentivar a melhoria da qualificação dos docentes, permitindo que eles se especializem nas disciplinas que já lecionam, com base nas estratégias para concluir as metas do PNE 2014-2024.

O Brasil se encontra hoje no que se refere à formação de professores da área de exatas, em um estado crítico, pois, com as matrizes curriculares condensadas

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devido à necessidade de formação em curto prazo de professores, os alunos acabam não conseguindo acompanhar os cursos, conforme notado por Simas (2012)

'Cursos de Engenharia, Matemática, Física e outros da área de Exatas são os que mais causam evasão. O motivo é simples: os alunos não conseguem acompanhar disciplinas difíceis do primeiro ano, como Cálculo, e em muitos casos reprovam, o que desestimula a continuar na carreira. Na Unicamp, por exemplo, a taxa de evasão em Engenharia é de 25%.' (Simas, 2012)

Barroso e Falcão (2004, p. 1) afirmam que 'no curso de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dos 120 alunos que ingressam no curso por ano, aproximadamente 10% se formam e cerca de 10% concluem algum outro curso.'

'Física no Ensino Médio possui uma deficiência em relação ao número e qualificação dos docentes, principalmente na rede pública. Isso pode ser explicado devido a diversos fatores que devem ser considerados, dentre eles, podemos citar: as condições de trabalho aos quais os mesmos são submetidos, os problemas encontrados pelos professores na sala de aula, a formação acadêmica, a infraestrutura dos locais de trabalho, dentre tantas outras variáveis.' (Santana, 2005, p.1)

## Considerações finais

Percebe-se que o Brasil se encontra em um ciclo: tem o ensino precário porque não forma professores o suficiente; e não forma professores o suficiente devido ao ensino precário. Logo precisamos atuar diretamente no ensino médio para começar a reparar os danos e evasões causados nas graduações. Para isto o uso de projetos de complementação, como o PIBID, que contribui diretamente na carreira docente e traz melhoras evidentes em curto prazo tanto na graduação quanto no ingresso dos licenciandos no magistério. Outro método eficaz para corrigir os já professores não graduados em física que lecionam no ensino médio é o de complementação pedagógica, que deve ser executado junto com a formação continuada, para a maximização das capacidades de docência dos professores. Atuando intensivamente nesta área, e investindo em políticas públicas para o incentivo na formação de professores poderemos de fato, reverter esta situação que

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já há muito tempo torna o nosso ensino básico precário. Desta forma conseguiríamos aos curtos passos sanar estas deficiências do ensino básico no Brasil e assim avançar tanto na formação humana, quanto na formação científica.

## Referencias

BONADIMAN, H. NONENMACHER, S. E. B. O GOSTAR E O APRENDER NO ENSINO DE FÍSICA : Uma proposta metodológica. In Caderno Brasileiro Ensino de Física, v. 24, n. 2: p. 194-223. Ijuí, RS: Agosto de 2007.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências Naturais. - Brasília: MEC / SEF, 1998.

BURCHARD, C. P.; SARTORI, J. Formação De Professores De Ciências: Refletindo Sobre As Ações Do Pibid Na Escola. 2º Seminário sobre Interação Universidade/Escola. 2º Seminário sobre Impactos de Políticas Educacionais nas Redes Escolares. UFSM - Santa Maria. 2011

DINIZ-PEREIRA, J. E. As licenciaturas e as novas políticas educacionais para a formação docente. Educação & Sociedade . Campinas. v. 20, 68, p. 109-125, 1999.

MACHADO, Camila Correia; CAMARGO, Sérgio. Uma breve revisão histórica sobre a formação de professores de Física. Anais do IX Congresso Nacional de Educação - EDUCERE / III Encontro Sul Brasileiro de psicopedagogia . PucPR, out. 2009.

MOREIRA, Marco Antonio. Ensino de Física no Brasil: retrospectiva e perspectivas. Revista brasileira de ensino de física. São Paulo. Vol. 22, n. 1 (mar. 2000), p. 9499 , 2000.

SANTANA, Adam David de Oliveira; Et al. MOREIRA, Marco Antonio. Ensino de Física no Brasil: retrospectiva e perspectivas. Revista brasileira de ensino de física. São Paulo. Vol. 22, n. 1 (mar. 2000), p. 94-99 , 2000. . In XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física. Uberlândia, 2005.

SILVA, Ana Maria. DIFERENTES OLHARES SOBRE A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS EXATAS . Trabalho de conclusão de curso. Uberaba - MG, 2009. Acesso em 01 de Maio de 2011.

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SIMAS, Anna. As graduações campeãs de desistência . Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/vida-na-universidade/ufpr/asgraduacoescampeas-de-desistencia-26khijqty1gurtas1veawhyz2. Acesso em: 30 de abril de 2012.

TAKAHASHI, Fábio. Professores terão de melhorar alunos para ganhar diploma. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2013/05/1271974professores-terao-de-melhorar-alunos-para-ganhar-diploma.shtml. Acesso em 02 de maio de 2013. VINÍCIUS, André. Entenda a diferença entre bacharelado, licenciatura e cursos rápidos. Disponível em: <https://www.oficinadanet.com.br/artigo/carreira/entenda\_a\_diferenca\_entre\_bachar el ado\_licenciatura\_e\_cursos\_rapidos> Acesso em 21 de Junho de 2010.

TOKARNIA, Mariana. Quase 40% dos professores no Brasil não têm formação adequada. Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/201603/quase-40-dos-professores-no-brasil-nao-tem-formacao-adequada> Acesso em 21 de Maio de 2016.

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