PERCEPÇÕES E OPNIÕES DOS PROFESSORES DE CIÊNCIAS QUANTO AO ENSINO DE ASTRONOMIA
Renata Dos Santos Melo, Adevailton Bernardo Dos Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 24/01/2017
- Linha de pesquisa
- Ensino E Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PERCEPÇÕES E OPNIÕES DOS PROFESSORES DE CIÊNCIAS QUANTO AO ENSINO DE ASTRONOMIA
## Renata dos Santos Melo 1 , Adevailton Bernardo dos Santos 2
1 Universidade Federal de Uberlândia (UFU). E-mail: <renatadossantosmelo@outlook.com>.
2 Universidade Federal de Uberlândia (UFU). E-mail: <adevailton@yahoo.com.br>.
## Resumo
Astronomia é um assunto que desperta bastante interesse nas pessoas, independente da idade e do grau de instrução, sendo objeto de discussões tanto no ensino formal quanto não formal. Além disto é conteúdo curricular no Ensino Fundamental, quando as crianças começam a ter noção de onde vivemos, como são as estações do ano, fases da lua; e no Ensino Médio, que contempla alguns assuntos mais complexos, como a movimentação dos planetas, Lei da Gravitação Universal e, em algumas situações, a Teoria da Relatividade. As diretrizes curriculares do Ensino Fundamental e Médio afirmam que deve ser abordado os conteúdos de Astronomia nas aulas regulares, porém na prática isto não se verifica, sendo que alguns trabalhos prévios apontam que isso, dentre outras causas, é decorrência de dificuldades apresentadas pelos professores. Este texto relata uma pesquisa realizada com professores buscando identificar estas dificuldades e colher sugestões para superá-las. Os professores entrevistados, formados em Física, Geografia e Ciências Biológicas, apontaram a falta de espaço nas escolas, a ausência da disciplina na graduação e a pequena carga horária como alguns dos principais problemas enfrentados. A coleta de dados foi por meio de um questionário simples seguido de uma gravação de uma entrevista individual, sendo os dados do questionário analisados quantitativamente e os dados da entrevista qualitativamente. As propostas que mais apareceram nas entrevistas para reduzir as dificuldades e melhorar a abordagem de temas de Astronomia foram a obrigatoriedade da disciplina de Astronomia tanto na graduação quanto na pós-graduação, palestras nas escolas como atividades de ensino não formal e cursos de formação continuada.
Palavras-chave : Astronomia; formação de professores; ensino não formal.
## 1. Introdução
Astronomia é uma das mais antigas ciências e está presente desde o começo dos tempos. Os povos antigos utilizavam-se da observação das estrelas para se locomoverem e quando começaram a cultivar, estas observações ajudavam a prever quando eram as épocas de plantio, de colheita, e a aproximação das estações do ano. Pela importância em diversas culturas, algumas destas práticas astronômicas eram associadas a práticas religiosas. Ao longo do tempo se construiu teorias e modelos para a explicação da Terra e do Universo, tendo como um dos principais exemplos no ensino básico as discussões realizadas sobre o modelo heliocêntrico, desenvolvido por Copérnico. Uma outra discussão importante é o resultado das primeiras observações astronômicas e o novo olhar do homem em relação ao Universo, possibilitadas pela invenção e o uso do telescópio (OLIVEIRA FILHO E SARAIVA, 2014).
Questões que envolvem a dinâmica e a origem do sistema solar e do Universo sempre despertam a curiosidade das pessoas. Há grande quantidade de atividades de popularização da ciência, principalmente de ensino não formal, relacionadas com a astronomia. Discussões de assuntos de Astronomia tem forte
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23 a 27 de janeiro de 2017
presença na mídia e nos meios de comunicação, como por exemplo os sucessos obtidos recentemente pelos filmes Interestelar e Perdido em Marte que trazem conceitos de forma equivocada e não reproduzem fielmente alguns dados tal como a gravidade de Marte, consequentemente algumas pessoas interpretam tais informações contidas nos filmes e na mídia como verdadeira, o que aponta para a falta de conhecimentos básicos de astronomia, evidenciando a necessidade de seu estudo.
Segundo Gadotti (2005) a educação não-formal é mais difusa, menos hierárquica e menos burocrática que a educação formal. O autor ainda fala que na educação não formal não é necessário se seguir uma sequência de conteúdo, sua duração pode ser variável ou até mesmo ter ou não certificação. Ainda situa que a educação não formal é bastante flexível com relação ao tempo e espaço, tornando possível respeitar as diferenças e capacidade de cada um. Na prática os estudantes podem experimentar algo fora do ambiente escolar, muitas vezes podendo escolher métodos e conteúdos de aprendizagem. Alguns estabelecimentos que promovem esse tipo de aprendizagem são museus, meios de comunicação, feiras, cursos, observatórios, planetários dentre outros.
Segundo Langhi e Nardi (2010) os temas de Astronomia não são estudados ou pouco contemplados na Escola Básica. Os autores apontam a falta de formação dos professores, locais inadequados de pesquisas, livros didáticos com conteúdos errados, falta e afinidade do professor com a disciplina como alguns dos motivos para que isso ocorra. Ainda pontuam que até mesmo os cursos de graduação deveriam ter conteúdos de Astronomia, mas a maioria não os apresenta como disciplina obrigatória, incluindo os cursos de Física.
Os docentes que lecionam nos anos iniciais do Ensino Fundamental normalmente são formados em pedagogia, e os conceitos de Astronomia não fazem parte do seu curso, fazendo com que o professor desconsidere conteúdos em sala de aula, ou apresente grandes dificuldades ao compartilhar conhecimentos básicos (LANGHI E NARDI, 2005).
Vendo esses problemas, Dias e Rita (2008) aplicaram um questionário para noventa e dois alunos da última série do ensino médio do município de Campos dos Goytacazes-RJ, para verificar qual a porcentagem de acerto dos alunos com relação as questões que deveriam ser ensinadas no Ensino Médio segundo as propostas vigentes da época o PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais). Foram aplicadas 5 questões de múltipla escolha, cada questão tinha quatro alternativas ou a opção de deixar em branco. A somatória de acertos foi de 28%. A porcentagem pequena de acertos pode estar relacionado com a falta de preparo do professor, que podemos ver no estudo feito por COSTA, L. B. et al. (2010), que em muitos casos seguem livros didáticos com conteúdos errôneos TREVISAN, R. H; LATTARI, C. J. B.; CANALLE, J. B. G (1997).
Este texto relata os resultados de uma pesquisa, realizada com professores de ciências do Ensino Básico em exercício, objetivando identificar as dificuldades que os mesmos indicam possuir em relação ao ensino de Astronomia. A pesquisa ainda busca coletar e identificar, na opinião dos professores que participaram da pesquisa, as atividades que poderiam ser realizadas para tentar reduzir e/ou superar as dificuldades apontadas. Além das contribuições para melhorar os conhecimentos sobre o ensino de Astronomia nas redes de ensino, espera-se também com este
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estudo subsidiar programas de formação continuada de professores, incluindo atividades que podem ser realizadas em espaço de ensino não formal.
## 2. Metodologia
A pesquisa foi realizada com 10 professores do Ensino Básico em exercício na rede de ensino de Uberlândia. Os instrumentos de pesquisa utilizados foram um questionário padronizado e uma entrevista, aplicados a todos os participantes. O questionário foi de múltipla escolha. A entrevista foi de perguntas e respostas, gravadas em áudio, realizada após o entrevistado terminar de responder o questionário. O questionário foi feito com o intuito de ter uma análise quantitativa de determinados temas e a entrevista tinha o objetivo de obter dados qualitativos na opinião dos entrevistados. A obtenção de dados do questionário foi tratada por meio de análise estatística e a entrevista por análise de conteúdo (BARDIN, 1977).
A entrevista, com áudio gravado por recurso eletrônico, abordava alguns tópicos semelhantes as perguntas contidas no questionário, no entanto foi realizada de modo bem informal, solicitando que o entrevistado relatasse livremente a sua opinião. Deste modo outros temas apareceram nas gravações. Para finalizar a entrevista eram solicitados aos professores comentários e sugestões de atividades para melhorar o ensino de Astronomia.
## 3. Resultado e discussão
Dentre os professores que participaram da pesquisa haviam professores de Física, Geografia e Ciências Biológicas. Para não possibilitar a identificação dos mesmos, neste texto as citações serão descritas usando a letra 'P' juntamente com um número.
- O questionário continha as perguntas abaixo e o resultado obtido no questionário está representado na figura 1.
- 1. Você teve a disciplina de Astronomia em seu curso?
- 2. Você, como professor (a), sente-se seguro com conteúdos que envolvam astronomia?
- 3. Os alunos se sentem mais empolgados com conteúdos que envolvam astronomia?
- 4. Você utiliza de equipamentos e/ou espaços para facilitar/acrescentar conteúdos de ciências?
- 5. Você utiliza de equipamentos e/ou espaços para facilitar/acrescentar conteúdos de Astronomia?
- 6. Você conhece sites e/ou materiais confiáveis para o ensino de Astronomia? 6.1. Você os utiliza em suas aulas?
- 7. Você costuma se manter informado das novidades astronômicas?
- 8. Em sua localidade você costuma ver divulgação cientifica na área astronômica?
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- 9. Você já participou de cursos de formação de professores para ensino de Astronomia?
- 10. Você participaria de um curso de formação de professores para ensino de Astronomia?
Figura 01: Tabela de resultados quantitativos do questionário.
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Em relação a presença de disciplina de Astronomia na formação inicial foi observado que grande parte dos professores não tiveram e os que tiveram foi como optativa.
Apesar deste resultado, todos os professores mostraram interesse e conhecimento na área, até mesmo os que não tiveram a disciplina na graduação. Algumas respostas deixam bem claro que há como falar de astronomia nos conteúdos de Física, incluindo os que não envolva astronomia diretamente.
Entrevistadora: 'De alguma forma você envolve astronomia nos conteúdos que tem que ser abordados dentro de sala de aula?'
P8: 'Dá para falar de astronomia, rotação de plantas, Lei de Kepler, geral, mecânica mesmo. Também falo de astronomia quando vou explicar relação de força, como estrela morre, como a estrela nasce, mas é muito individual'
P9: '(...) dá para relacionar a física inteira com a astronomia se a gente quiser abordar, igual estou te falando, vai falar de termodinâmica dá para envolver, vai falar de gravitação não tem como não envolver, e vai, e outras 'n' coisas que dá para envolver'
Mesmo em muitos casos não tendo a Astronomia no currículo dos professores, a maioria dos professores relatou que se sentiu seguro em trabalhar assuntos de astronomia, e 9 de 10 entrevistados afirmam que os alunos possuem grande interesse na área. Alguns deles relataram a forma como abordam astronomia:
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Entrevistadora: 'Então é trabalhado o conteúdo de Astronomia?
P2: 'Sim. (...) eu utilizo aqui por enquanto só palestras com o professor J., vídeo-aula (...) materiais simples (...). Estamos pensando em montar um relógio de Sol aqui, né. Porém a escola não tem área que pegue Sol o ano inteiro. A ideia temos, só temos que achar o local mais adequado possível. Pelo menos uma vez no ano fazer uma aula noturna, pegar o telescópio e ver qual astro é mais fácil de observar (...) Outra coisa que utilizamos aqui na escola para trabalhar, isso é, levamos os alunos nos locais onde está ocorrendo eventos (...)'
Entrevistadora: 'Você aplica conteúdo que envolva astronomia dentro de sala de aula?'
P10: 'Aplico. Toda vez que a gente vai trabalhar com astronomia sempre tem um interesse maior dos alunos, sempre tem mais perguntas e vai numa discussão além do que estou trabalhando do meu planejamento, sempre vai além'
P9: 'Empolgante a reação dos alunos, na maioria das vezes o resultado é uma coisa que a gente não espera (...)'
Também foram relatadas outras dificuldades. Algo que foi citado por alguns professores é que não há tempo para abordar astronomia em suas aulas regulares pois eles já tem de abdicar até mesmo dos próprios conteúdos que jugam ser 'importantes'.
P3: '(...)Antigamente a gente tinha uma carga horária de 3 aulas, então dava para fazer muitas coisas. A escola aqui é mais voltada para o vestibular. (...) O foco dele é o ENEM e o vestibular, então o foco da gente foi mais direcionado para o ENEM, para o vestibular. E duas aulas só que é nossa carga horária fica ruim. Então a gente tem que correr o máximo para dar os conteúdos. E a Astronomia ela fica no terceiro ano, no nosso planejamento'
Entrevistadora: 'Nesses dois anos iniciais é abordado algo?'
P3: 'Nada. A gente vê que tem aluno que tem interesse, que pesquisa, que vê, que assiste canais de televisão e conhece algumas coisas'
Mesmo os professores tendo bastante interesse no ensino de Astronomia, enfrentam bastante dificuldades com relação ao espaço que a escola oferece. Foram observados relatos de que as escolas não têm um espaço em que se pode trabalhar com os alunos, somente laboratório de informática e sala de aula.
P5: 'Um ambiente próprio não, mas por exemplo, cada sala tem um Datashow que poderia ajudar nessas disponibilidades. Mas ambiente físico não'
P3: 'Espaço aqui nós temos a sala de aula. Você pega um Datashow, mas até que você liga...'
P6: 'A escola é muito carente de espaço para a gente trabalhar, então o que usamos mais são filmes e documentários (...)'
Com isso percebemos que as escolas não oferecem espaço para os professores trabalharem. Uma das formas que os professores usam para tentar inserir o conteúdo de Astronomia é por Datashow, mas muitos reclamam que demora muito a ligar e que a aula é pequena.
As entrevistas apontaram que alguns professores orientam suas práticas em orientações curriculares, sejam em relação ao ensino de ciências ou de Astronomia, enquanto outros não o fazem. Por outro lado também houveram relatos de
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desconhecimento das diretrizes Curriculares Nacionais (BRASIL, 2013) e que estas nem sempre são obedecidas.
P7: 'A gente adota o CBC . Mas no CBC mesmo ele não coloca como 1 matéria fundamental referente a astronomia. É só como alternativa. Para gente trabalhar mais relacionado principalmente com outras disciplinas. E como a disciplina de geografia acaba trabalhando também, trabalha sobre a Terra, a gente deixa para trabalhar com isso mais para o final do ano (...)'
P6: 'Conheço algumas coisas, mas estou tentando atualizar (...) mas não tem assunto de astronomia'
P2: 'No meu curso de pós-graduação eles falaram um pouco sobre isso (...) na minha escola o material que usamos é apostilado'
Entrevistadora: 'Os conteúdos das diretrizes são abordados dentro de sala de aula? '
P1: 'Não, não são'
Os resultados obtidos indicam uma semelhança com alguns já indicados em pesquisas prévias (LANGHI e NARDI, 2005; LANGHI e NARDI, 2010), mas também dá voz a algumas problemáticas apontadas pelos professores. Houveram relatos relacionados a estrutura das escolas como por exemplo a ausência de local ideal para poder ter uma aula dinâmica, restringindo as atividades pedagógicas somente dentro de sala de aula.
Houveram também reclamações sobre a quantidade de conteúdos que tem que abordar seguindo as diretrizes, e que no caso da Astronomia é deixada de lado por não tem tempo para abordar o assunto. Este resultado parece colocar a astronomia em um assunto de menor importância e, talvez, por este motivo, o resultado do questionário apontou que 80% dos professores relatam possuir equipamentos e/ou espaços para facilitar o entendimento dos conteúdos de ciências, mas apenas 40% utilizam de equipamentos e/ou espaços para facilitar o entendimento dos conteúdos de Astronomia.
Em relação as sugestões de atividades de formação continuada a principal indicação foram de cursos, sendo inclusive solicitado cursos no nível de pósgraduação. Em relação aos cursos, foram relatadas algumas dificuldades quanto a participação, principalmente em relação ao horário, ao local, e aos materiais e metodologias a serem utilizadas. Para contornar alguns destes problemas, foram sugeridas atividades práticas como oficinas, utilização de espaços abertos diferentes das salas de aulas, que tivesse opção de ser online, e que os materiais fossem inovadores, diferentes dos que normalmente se encontram nos livros didáticos. Também houve a sugestão de que fosse realizada uma consulta (votação) para a escolha das melhores estratégias a serem utilizadas. Por fim também houve a sugestão, principalmente tentando adequar a formação a horários escassos dos professores, que se optasse por várias palestras. Abaixo destaca-se alguns dos relatos sobre o tema:
P1: 'Depende da duração e qual o horário. Pratico, pode ser fora, um local que tenha equipamentos para trabalhar isso lá, material de fácil manuseio que possa dar uma boa orientação (...)'
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P3: 'Eu gosto de coisas bem organizadas. Acho que em sala de aula rende mais (...). Aí tem que ver o horário (...). Seria melhor vocês fazerem as opções e a gente vê dentro daquelas opções que vocês acham que pode dar certo. Ou também tem muita coisa online, vocês podem controlar o tempo certinho'
- P5: 'De palestras com algumas coisas que fossem (pausa) que os alunos mesmo pudessem fazer, sabe?! Coisas práticas, essa mescla de palestra com experimentos. Isso só na teoria as vezes fica cansativo'
- P6: 'Um curso de pós-graduação nessa área'
- P7: 'Apresentações atualizadas a respeito de planetas, do Universo, relacionando com a Física, com teorias científicas (...). Também com aulas práticas que pudesse observar o céu com equipamentos próprios, seria ideal'
- P8: 'Provavelmente não faria o curso. Eu até incentivo as pessoas a participarem, mas por mim mesmo, talvez não, mas dependendo do que oferecesse no curso, poderia até participar. Acho que na questão de astronomia, para quem gosta de astronomia, cosmologia e tal, acho assim que tem que ser ligado a própria graduação, que não tem ligação nenhuma, a gente só faz as coisas só opcional (...)'
P10: 'Acho que mais interessante que eu procuraria no curso de Astronomia, seria se nesse curso de Astronomia tivesse 'coisas' experimentais ou outras visões do que eu poderia usar em sala de aula (...)'
## 4. Conclusão
Apesar das diretrizes curriculares apontar que deve-se abordar astronomia nos conteúdos das disciplinas de ciências tanto do Ensino Fundamental quanto do Ensino Médio, na prática isto raramente acontece, ou não acontece. Dentre as principais problemáticas levantadas para a ocorrência deste fato algumas concordam com estudos prévios (LANGHI e NARDI, 2005; LANGHI e NARDI, 2010) pois estão relacionados a formação inicial dos professores, locais e materiais inadequados para as atividades e aos livros didáticos. Este estudo ainda acrescenta a possível visão de que a Astronomia é um assunto de pouca importância considerando outros mais tradicionais.
Apesar das problemáticas alguns resultados são animadores pois indicam que alguns professores que não tiveram a disciplina de Astronomia em seu curso, mas com interesse próprio procuram se manter informados dos assuntos e tentam trazer isso para seus alunos, e afirmam que os mesmos se sentem empolgados com as aulas que envolvam astronomia, que vários tem curiosidade e interesse na área.
A principal sugestão para atividades de formação continuada foi a realização de cursos, no entanto foram apontadas algumas dificuldades para participação, principalmente em relação a metodologia, ao horário e aos locais. Para facilitar e motivar a participação foram sugeridas atividades práticas, como oficinas, utilização de espaços abertos diferentes das salas de aulas, opção de ser online, e que os materiais fossem inovadores diferentes dos que normalmente se encontram nos livros didáticos.
Por fim, mesmo que tenham professores que gostem de assuntos de astronomia e os abordem em suas aulas, sempre haverá dificuldades. Uma das formas de superá-las é que os professores de ciências, tanto do Ensino
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Fundamental quando do Ensino Médio, tenham formação adequada, inicial e continuada, e que pesquisas como esta, principalmente considerando a opinião dos próprios professores, podem auxiliam a elaborar propostas mais adequadas e alinhadas com a realidade das escolas e dos professores.
## 5. Referências
BRASIL . Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais Para o Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação, 2013.
BARDIN, L. Análise de conteúdo . Lisboa, Edições 70, 1977.
COSTA, L. B.; SANTOS, A. B.; AUTH, M. A.; MARTINS, D. C. Formação continuada em astronomia com professores das séries iniciais no município de Canápolis, MG: Um caso de parceria colaborativa. Em extensão, v. 9, n. 1, p. 125140, jan./jul. 2010.
DIAS, C. A. C. M.; RITA, J. R. S. Inserção da astronomia como disciplina curricular no ensino médio. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia - RELEA , n.6, p. 55-65, 2008.
GADOTTI, M. A questão da educação formal/não-formal . Institut International Des Droits De L'Enfant (IDE), Sion, Suisse, 2005.
OLIVEIRA FILHO, K. S.; SARAIVA, M. F. O. Astronomia e Astrofísica . Departamento de Astronomia - Instituto de Física, Porto Alegre, 2014.
LANGHI, R.; NARDI, R. Dificuldades interpretadas nos discursos de professores dos anos iniciais do ensino fundamental em relação ao ensino de astronomia. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia - RELEA , n. 2, p. 75-92, 2005.
LANGHI, R.; NARDI, R. Ensino de astronomia no Brasil: educação formal, informal, não formal e divulgação científica. Revista Brasileira de Ensino de Física , v 31, n. 4, 4402, 2010.
MINAS GERAIS, Secretaria de Estadaso de Educação de Minas Gerais. Conteúdos Básicos Comuns . Belo Horizonte: Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, 2007.
TREVISAN, R. H.; LATTARI, C. J. B.; CANALLE, J. B. G. Assessoria na avaliação do conteúdo de astronomia dos livros de ciências do primeiro grau. Caderno Catarinense de Ensino de Física , v 14, n. 1, p. 7-16, abr. 1997.
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