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QUE FATORES INFLUENCIAM AS CONCEPÇÕES DE PROFESSORES SOBRE O FENÔMENO DAS ESTAÇÕES DO ANO?

Vítor Freire E Salvador, Matheus Ramos Caloni

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
24/01/2017
Linha de pesquisa
Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## QUE FATORES INFLUENCIAM AS CONCEPÇÕES DE PROFESSORES SOBRE O FENÔMENO DAS ESTAÇÕES DO ANO?

## Vítor Freire e Salvador , Matheus Ramos Caloni 1 2

## Resumo

Este artigo se trata de uma pesquisa realizada por alunos de licenciatura em física que decidiram analisar quais fatores influenciam as concepções de professores referentes a um dos fenômenos que está visivelmente presente na vida de todos: as estações do ano. Para tal análise foi realizada uma pesquisa de campo de caráter qualitativa, entrevistando três professores de escolas de ensino fundamental da região metropolitana de Porto Alegre. A análise dos dados foi baseada na Análise Textual Discursiva (MORAES, 2003) para as entrevistas. Ao final do presente trabalho relatou-se que somente um dos três professores possuía um conhecimento cientificamente correto para a ocorrência das estações do ano. Concluiu-se também que os principais fatores que influenciam nas concepções dos professores são os meios de comunicação (jornal, revistas, televisão, etc.), livros didáticos e a formação acadêmica que possuem, embora esta última também seja uma das principais razões apontadas pelos docentes relacionadas ao seu despreparo.

Palavras-chave: ensino de ciências, estações do ano, concepções de professores.

## Introdução

A grade curricular de física no ensino médio é direcionada na abordagem de conteúdos como mecânica, termologia, fluídos, óptica, ondas, eletromagnetismo e, mais recentemente incluído, física de partículas. Ainda que instigante, o conteúdo de astronomia dificilmente é abordado em sala de aula. Apesar de omitida no nível médio, tal disciplina faz-se presente no ensino fundamental, época na qual se começa a aprender sobre ciências. No sexto ano do ensino fundamental é onde é encontrada a base para fundamentar a presente pesquisa, em que os professores trabalham com os alunos assuntos referentes aos movimentos do sistema Terra-Sol e o sistema solar como um todo. Com isso, foram investigadas concepções e suas origens de professores de ciências sobre um fenômeno presente no cotidiano: as estações do ano. Apesar de parecer algo trivial para um físico, é um assunto de grande complexidade. Verificar como pensam sobre tal fenômeno e que fatores influenciaram tal pensamento é de grande valor, pois observou-se em bibliografias a grande dificuldade de alunos e professores com o tema.

Pode-se, portanto, compreender quão importantes as ideias, concepções e ideologias que um professor possui são para a vida de um aluno, não somente sobre o tema abordado aqui, mas também na sua formação como um cidadão. O professor possui um papel extremamente importante no desenvolvimento de seus alunos, seja instigando-os a serem críticos, seja a mostrar-lhes algo interessante para que trabalhem em cima do

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23 a 27 de janeiro de 2017

que foi proposto, fazendo com que o aluno construa seus interesses e sua cidadania.

Assim, busca-se encontrar fatores que possam demonstrar a origem das concepções dos professores e analisá-las, verificando como e se contribuem para as concepções de seus alunos.

## Fundamentação Teórica

O fenômeno das estações do ano serviu à humanidade desde seus primórdios como referência para contagem do tempo, sendo que tais medidas

- '[...] tinham por base fenômenos naturais repetitivos. [...] desta forma, recorrer aos fenômenos naturais que fossem periódicos tornava-se a ferramenta mais favorável naquele momento onde despontava a aurora da nossa civilização. Os fenômenos periódicos mais utilizados foram os movimentos dos corpos celestes e, a partir daí estes fenômenos passaram a determinar as estações do ano, os meses e os anos. ' (DE PAULA, [entre 2006 e 2016]).

Assim, era possível realizar previsões relacionadas a contagem do tempo, surgindo os primeiros calendários que foram sendo aperfeiçoados ao longo da história humana. As concepções acerca do porquê desse fenômeno têm sido tema de pesquisa há algumas décadas. Em Manuel (1995), há análise quali-quantitativa sobre as concepções de alunos e professores, relativo ao sistema Terra-Sol, pontuando as ideias sobre distâncias relativas e suas correlações com as estações do ano. Segundo o artigo,

'Assumir que a Terra, em sua trajetória ao redor do Sol, não está sempre na mesma distância em relação ao mesmo, que no verão está mais quente devido a sua maior proximidade, e que no inverno está mais frio por um maior afastamento do Sol, é uma concepção espontânea e análoga. É uma representação que nasce do sentido comum e da lógica. ' (MANUEL, p. 227,tradução nossa, 1995).

Langhi propõe uma análise de livros didáticos, mostrando os principais erros conceituais presentes em tais materiais. Percebendo que em certos livros ocorre exagero na ilustração da excentricidade da órbita da Terra, Langhi relata que

'Nem sempre consta na legenda da ilustração a explicação de que as órbitas achatadas são devido ao ponto de vista (perspectiva) do observador, o que pode induzir a concepção de que é facilmente possível perceber a excentricidade da órbita de um planeta ao se traçar o caminho que ele faz em torno do Sol' (LANGHI, p.95, 2007).

Também em Langhi (2004) investiga-se dificuldades encontradas por professores de séries iniciais com o ensino de astronomia. Seus resultados apontaram, principalmente, para o despreparo dos professores relativo a esse tópico durante suas graduações. Na prática em sala de aula, segundo Maluf (2000), muitos professores, dependendo de sua localização no país, possuem recursos didáticos que se restringem a livros didáticos, que muitas vezes possuem informações imprecisas e equivocadas, como demonstrado na literatura. Tal fator, apontado por autores como Barros (1997), Franknoi (1995), Maluf (2000) e Bretones (1999), é um sério problema que acaba por moldar determinadas concepções tanto de alunos quanto de professores que consultam essas bibliografias. Aqueles professores que buscam informações

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em fontes mais diversificadas deparam-se com incertezas e inseguranças, tais como notícias sensacionalistas, sites da internet duvidosos ou publicações com vocabulário de difícil acesso (Langhi, 2004).

Dessa forma, o aluno, que já vem com suas concepções prévias acerca das estações do ano, acaba recebendo informações equivocadas de seus professores, que em muitos casos, ao se depararem com livros-texto mal elaborados acabam por alimentar suas próprias concepções alternativas, já distorcidas previamente. Define-se como concepções alternativas uma ideia pré-estabelecida por pessoas que levam a erros conceituais (Langhi, 2004).

As principais concepções alternativas referentes a estações do ano a nível nacional, tem-se as contribuições de Nardi (1989), Panzera e Thomaz (1995), Bisch (1998), Leite (2002), Ostermann e Moreira (1999), Teodoro (2000), que, em comum, demonstram algumas concepções alternativas referentes às estações do ano, como o fenômeno sendo causado pela distância Terra-Sol, ou uma persistência geocêntrica na visão do Universo.

## Metodologia

- O presente trabalho foi realizado ao longo de um ano, havendo um semestre de planejamento e pesquisa bibliográfica e outro de aplicação e análise de resultados.

Foi gravada uma entrevista com três professores que lecionam a disciplina de ciências no ensino fundamental de escolas públicas localizadas nas cidades gaúchas de Porto Alegre e Canoas, referente às suas concepções e fatores que os influenciaram a pensar de tal forma.

## A entrevista

As três entrevistas tiveram duração média de onze minutos. Dois dos três professores estavam a lecionar o respectivo conteúdo a suas turmas. O terceiro professor entrevistado não estava abordando o tema no momento da pesquisa.

A metodologia de análise das entrevistas com os professores é fundamentada nas ideias de Moraes e Galiazzi, com a Análise Textual Discursiva (ATD) a fim de se chegar a novas compreensões a partir de construções de metatextos. Em pesquisas qualitativas, um texto pode gerar inúmeras possibilidades de interpretações que serão baseadas nas vivências de cada pesquisador. O objetivo desse tipo de análise é chegar a emergências de ideias a partir de sua comunicação. Sendo assim, a análise divide-se em três etapas: desconstrução e unitarização, categorização e descrição e interpretação (geração de metatextos).

## Análise dos Resultados

Realizada a partir de ATD. Assim, devido à extensão da análise serão somente listadas categorias emergentes extraídas da análise:

- 1. De que maneira o professor busca estratégias para ensinar seus alunos tal fenômeno;

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- 2. Concepções do professor referente à ocorrência das estações do ano;
- 3. Fatores que contribuíram para a formação de suas concepções sobre o fenômeno;
- 4. Formação acadêmica;
- 5. A visão do professor em relação a seus alunos.

A partir dessas categorias e suas análises aprofundadas, chega-se ao processo de comunicação que constitui em um metatexto que expressa as ideias obtidas a partir da entrevista, relacionando-as com os teóricos que estudaram temas pertinentes à presente pesquisa.

## Análise do Metatexto

Dentre as principais estratégias apontadas pelos professores para a abordagem deste conteúdo são experimentações, corroborando com Reginaldo, Sheid e Gullich, a saber

'A importância da experimentação no processo de aprendizagem também é discutida por Bazin (1987) que, em uma experiência de ensino não formal de Ciências, aposta na maior significância desta metodologia em relação à simples memorização da informação, método tradicionalmente empregado nas salas de aula. ' (REGINALDO, SHEID e GULLICH, p. 2, 2012).

Houve relatos sobre a extrema importância da pesquisa para poder buscar novas formas de ensinagem, porque os alunos aprendem de diferentes formas, exigindo que os professores repensem suas práticas de ensino para que todos os alunos possam estar felizes em sua vivência em sala de aula. Segundo Paulo Freire,

'O aprendizado do ensinante ao ensinar não se dá necessariamente através da retificação que o aprendiz lhe faça de erros cometidos. O aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica à medida em que o ensinante, humilde, aberto, se ache permanentemente disponível a repensar o pensado, rever-se em suas posições; em que procura envolver-se com a curiosidade dos alunos e dos diferentes caminhos e veredas, que ela os faz percorrer. ' (FREIRE, p.259, 2001).

Nas entrevistas, duas categorias de professores mostraram-se evidentes: dois aparentam motivação para pesquisar sobre o que desconhecem e um outro apresentou notável desmotivação e desinteresse.

As concepções dos três professores (dois biólogos e um matemático) foram bem distintas. Somente um deles (C) descreveu como sendo o fator essencial para a ocorrência do fenômeno o eixo de inclinação da Terra (área da biologia). Uma das professoras (A) não deixou evidente qual era sua concepção, dizendo apenas que não trabalha o conteúdo com sua turma, alegando que 'já não entro muito em detalhes, porque é da minha colega do ano anterior né. '[sic] .

Verificou-se junto à direção da escola que a matéria é ensinada no sexto ano. Uma outra professora (B), que leciona na mesma escola, deu a informação de que o conteúdo é abordado com o sexto ano. Portanto, por seus devidos motivos, a professora (A) se esquivava de dizer sua visão, talvez

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por insegurança ou por realmente não dominar o conteúdo -sua formação é em matemática.

A professora (B), que não leciona esse conteúdo apresentou a mesma concepção de muitas pessoas e alunos que acreditam que a ocorrência do fenômeno se dá pelas distâncias Terra-Sol. Relatou que como não trabalha o conteúdo, relatou não ter se aprofundado neles, assim como acredita que há uma falha em sua graduação quanto a seu preparo -sua formação é em biologia.

Dos principais fatores importantes para as concepções dos professores, que emergiram da análise, estão: carência de fator pesquisador dos professores, referente a atualizar-se constantemente e buscar o que desconhecem; falta de fontes bibliográficas confiáveis, como livros didáticos, internet e artigos, pois servem como suporte para esses professores; a formação acadêmica, que pouco contribuiu para o entendimento do tema. Esse último foi relatado por professores de biologia, cujas graduações, visando a formar docentes de ciências, abordam conteúdos diversos como química, física, matemática, etc. Entretanto, relatam serem abordados muito superficialmente, insuficiente para dar-lhes segurança e para servirem como base essencial para planejar uma aula para seus alunos.

Além de todas estas informações, a partir das entrevistas pudemos notar nos professores traços construtivistas, no sentido de se importarem com as concepções dos alunos e preferirem trabalhar a partir delas em vez de, apenas, assumir que o aluno é uma 'tábula rasa'.

'Dessa forma a pedagogia referente ao construtivismo não acredita que o aluno é um mero receptor de informações transmitidas pelo professor, nem uma tábula rasa que ao se deparar com algum conhecimento novo, seja considerado um completo ignorante do assunto. Pelo contrário, o professor que trabalha nessa pedagogia baseada na epistemologia construtivista, compreende que o aluno traz consigo uma história de conhecimento que já foi construída e não pode ser deixada de lado. O aluno utiliza toda essa vivência para construção de um novo conhecimento com o auxílio do professor. ' (DAHER, p. 10, [2006]).

Por fim, nota-se também um urgente interesse pela reformulação da grande curricular dos anos do ensino fundamental, para que sejam modificadas algumas propostas de ensino. E uma crítica referente ao despreparo perante tais especificidades que os professores de ciências, que em sua maioria são formados em biologia, não possuem em seu curso de graduação. Portanto, para o professor que trabalha com o ensino de ciências no ensino fundamental a constante atualização, a habilidade e o gosto de ser pesquisador se fazem necessários para que suas aulas sejam mais motivadoras e construtivas para seus alunos.

## Conclusões

A explicação por trás da ocorrência do fenômeno das estações do ano não é nada trivial, uma vez que, ainda que o próprio professor tenha acesso a explicações cientificamente corretas, sua verdadeira compreensão requer um grau de abstração elevado, pois envolve imaginar a Terra com seu eixo rotacional devidamente inclinado e a incidência dos raios solares nela à

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medida que translada o Sol. Dessa forma, os resultados obtidos nesta pesquisa coincidem com aqueles evidenciados na literatura: professores de ciências têm bastante dificuldade em assimilar a situação. Evidentemente, sem uma base apropriada sobre como o sistema Terra-Sol funciona, não há como abstrair devidamente o fenômeno.

Dois dos três professores entrevistados demonstraram não dominar a compreensão do fenômeno das estações do ano. Os fatores do despreparo apontados por eles também constam na literatura, como a carência de abordagem que as graduações oferecem acerca do tema e pobreza de biografia de qualidade.

Além de ser urgente uma reformulação nos cursos de licenciatura do Brasil, a fim de colocar nas escolas professores com uma formação mais consistente, deve-se evidenciar o fator pesquisador e proativo que o professor deve ter. Estímulos para que se tenha essa cultura são fundamentais, uma vez que a graduação não consegue preparar o profissional para toda a sorte de questionamentos que os alunos terão ao longo de sua jornada docente.

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