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A INCLUSÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TRANSTORNO DE ESPECTRO AUTISTA (TEA) POR MEIO DAS AÇÕES DESENVOLVIDAS NO LABORATÓRIO NACIONAL DE ASTROFÍSICA (LNA)

Mariana Cristina Santos Leite Rosa, Paloma Alinne A. Rodrigues

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão Social E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A PERCEPÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TRANSTORNO DE ESPECTRO AUTISTA (TEA) COM RELAÇÃO A UMA VISITA AO LABORATÓRIO NACIONAL DE ASTROFÍSICA (LNA)

Mariana Cristina Santos Leite Rosa¹, Profa. Msc. Paloma Alinne A. Rodrigues²

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Unifei/IFQ/mariana.rosa94@hotmail.com 2 Unifei/IFQ/palomaraap@unifei.edu.br

Resumo: Esse trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa desenvolvida na disciplina de 'Introdução a Pesquisa em Ensino de Ciências' da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) que teve o objetivo de analisar a percepção de um grupo de crianças e adolescentes com Transtorno de Espectro Autista (TEA) diante de uma visita realizada ao Observatório no Telhado (OnT), na sede do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) na cidade de Itajubá-MG. Além disso, objetivou analisar os momentos de maior impacto nos participantes durante a visita e, ainda quais estratégias poderiam ser adotadas para potencializar as ações relativas nas próximas visitas considerando as características dos visitantes com o TEA. Para tanto, foi elaborado um questionário fechado contendo questões sobre as atividades desenvolvidas. A partir da análise dos dados constatou-se que para as próximas visitas será necessário elaborar um roteiro das atividades informando às atividades que serão trabalhadas durante a mesma com as crianças e os adolescentes participantes. Essa ação permitirá controlar a ansiedade que atividades, não rotineiras, geram nas pessoas com TEA.

Palavras-chave : Visitas - Potencializar - TEA - LNA - Roteiro

## Introdução

A astronomia como afirma Martinez (2014), possui uma história que remonta aos primeiros momentos da civilização e ao domínio do meio ambiente. E assim seguiu ao lado dos grandes desenvolvimentos tecnológicos, do renascimento até a contemporaneidade.

Junto do seu contexto histórico que gera curiosidade sobre o seu surgimento e o da humanidade, a astronomia faz parte do cotidiano de cada pessoa. No entanto, ela não está presente apenas em livros de poesias, contos, músicas e ou ao olhar para o céu e observar a beleza dos astros visíveis. Desde a antiguidade faz-se uso dos conceitos de astronomia na sociedade, por meio da localização e orientação por estrelas, na orientação de Sistemas de Posicionamento Global (GPS - Global Positioning System'), nas transmissões de programas televisivos por meio de satélites, na tecnologia desenvolvida nas câmeras fotográficas, no calendário, na percepção das estações do ano, entre outros.

Dialogando com essa ideia, Ivanissevich et al .(2010) salienta que:

Na vida, quase tudo parece depender das estrelas. Ou melhor, tudo em nossas vidas depende efetivamente de um desses corpos celestes: o Sol, nossa estrela central. Basta lembrar que a vida existe, porque existe a luz do Sol. Apesar disso, muitas vezes, imaginamos que as estrelas, sempre

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23 a 27 de janeiro de 2017

cantadas em prosa e versos, servem apenas para alimentar nossos sonhos. Conhecer como nascem, vivem e morrem as estrelas é conhecer como surge a luz, bem como tudo aquilo que dá origem e serve de sustentação à vida. Essas questões, portanto, ligam a natureza do universo às próprias raízes da gênese humana. (IVANISSEVICH, et al . 2010, p.20)

Além da curiosidade que a astronomia desperta nas pessoas, o seu conteúdo curricular proporciona a possibilidade de trabalhar e desenvolver a visão integradora da ciência e, inter-relaciona as diferentes áreas do conhecimento. E assim, centros de pesquisas, no ponto de vista na formação do sujeito como cidadão, como participativo nas decisões em sua sociedade entre elas a ciência, apresentam projetos de interação de seus centros de pesquisas com a população.

Exemplo disso é o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), com sua sede situada na cidade de Itajubá em Minas Gerais. Esse centro de pesquisa é responsável por gerenciar a observação dos astrônomos brasileiros e estrangeiros nos observatórios em solo nacional. É responsável ainda, por planejar e desenvolver a infraestrutura necessária para pesquisa dos astrônomos brasileiros.

O laboratório conta também com um setor de divulgação e ensino informal que busca apresentar conceitos de astronomia de maneira não formal para a população da cidade e para os municípios vizinhos do sul de Minas. O público alvo do Laboratório são os alunos das escolas da rede municipal, estadual e particular.

Assim como acontece no modelo da divulgação e ensino do LNA, novos espaços de intercâmbio científico, centros e museus de ciência, por exemplo, proporcionam o diálogo entre ciência e a sociedade. A fim de complementar, de tornar significativo, trabalhar a interdisciplinaridade e auxiliar a formação de pessoas, a divulgação da ciência de maneira informal é de suma importância em uma sociedade.

Com este intuito foi construído no ano de 2012 o Observatório no Telhado (OnT) na sede do LNA, para suprir a demanda da divulgação científica não formal voltada a astronomia. O observatório já recebeu mais de 40 escolas e em torno de 2200 alunos desde a sua criação, com alunos do 4° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio. No ano de 2016 já foram atendidos 170 alunos somando a rede pública e privada de educação. Além das instituições de ensino, recebe-se também aproximadamente 50 pessoas mensalmente com o evento Sábados Crescentes.

Tendo em vista a formação do cidadão que atua na sociedade, que pensa e age de forma crítica por meio do conhecimento advindo do saber ciência e, que assim, pode influenciar de maneira positiva a todos ao seu redor, dentro de uma comunidade, a astronomia como ciência integrante de diferentes disciplinas, proporciona novos saberes, capacidade de reflexão e criticidade. Com isso, o laboratório entende a necessidade de atender a população de maneira geral, um público com idades distintas, diferentes níveis de saberes, classe social, deficiência física ou de outra natureza, entre outras.

Por outro lado, o formato atual das visitas realizadas pela equipe de divulgação e ensino do LNA não contempla de forma ampla a sociedade, visto que pessoas com deficiência, síndrome e/ou transtornos como, por exemplo, síndrome de Down e Transtorno do Espectro Autista (TEA), não são atendidas de maneira adequada.

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Na intenção de ampliar seu atendimento, alcançando-se a todo tipo de pessoa com qualidade e conforto, pois o contexto histórico - cultural gerado pela astronomia são de extrema importância na vida de um sujeito, o laboratório iniciou um projeto de pesquisa com crianças e adolescentes diagnosticas com Transtorno de Espectro Autista - Síndrome de Asperger (TEA-AS).

Como explica Junior (2012), o conceito de Espectro Autista é hoje dividido em dois grupos, a saber: Baixo e Alto Funcionamento. O primeiro é aquele onde há também uma limitação intelectual (cognitiva) e pouca melhora sintomática (clínica) e o segundo é composto pelos indivíduos que possuem histórico típico de Autismo (atraso de fala, fala na terceira pessoa, déficit importante na interação, entre outros) e que melhoraram muito conseguindo se alfabetizar, dialogar, usar o pronome 'Eu', entre outras aquisições e demonstram portanto uma inteligência normal, e pela Síndrome de Asperger (AS), que não possui atraso de fala, atraso no uso do pronome 'Eu', nem déficits cognitivos.

Desse modo, ao iniciar a dinâmica das visitas, foi necessário realizar um estudo sobre o conceito do TEA e aprender sobre os aspectos característicos dos autistas. A partir disso, constatou-se que alguns aspectos como deficiências sociais e de comunicação, interesses restritos, fixos e intensos, ansiedade, compreensão visual maior que a verbal, falta de concentração e comportamentos repetitivos, são características atribuídas durante um diagnóstico de autismo, que pode acontecer antes dos três anos de idade. Com esse embasamento, foi planejada e desenvolvida atividades durante a visita.

Ainda neste primeiro momento, foi confeccionado pelos estagiários do LNA dois brinquedos, um quebra-cabeças de palito de sorvete com a imagem da constelação de escorpião e um jogo de montar letras/desenhos com palitos de sorvetes coloridos que grudam através de velcro nas extremidades. Esses brinquedos foram desenvolvidos baseados nas pesquisas feitas e com a aprovação por meio de e-mail da mãe de um dos autistas que organizou a visita. Em um segundo momento, no dia doze de março de dois mil e dezesseis, durante todo o período da tarde de sábado, aconteceu a visita do público com TEA acompanhados dos seus responsáveis e/ou acompanhantes.

Com a visita pode-se observar diferentes característica de cada indivíduo nas diversas tarefas elaboradas. Durante o período da tarde, eles brincaram com brinquedos como carrinhos, miniatura de bichos entre outros, com os brinquedos confeccionados pelos membros do laboratório, coloriram alguns desenhos impressos com lápis de cor e giz de cera na temática de astronomia e outros diversos, desenharam no quadro branco, observaram o sol por meio do telescópio Coronado, assistiram dois desenhos animados explicativos, com aproximadamente cinco minutos cada um deles que abordaram temas relacionados a astronomia e por último um lanche com alimentos levados pelos próprios visitantes. As atividades não aconteciam obrigatoriamente em uma sequência, apenas o lanche ocorreu em um momento pré-determinado, os demais aconteciam de acordo com a interação que ocorria.

A partir dessa ação sentiu-se a necessidade de analisar a percepção desse grupo de crianças e adolescentes com Transtorno de Espectro Autista (TEA) a visita realizada ao Observatório no Telhado (OnT), na sede do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). Tinha-se ainda o intuito de analisar quais estratégias poderiam ser

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adotadas para potencializar as ações relativas as próximas visitas considerando as características dos visitantes com o TEA.

## Metodologia

Desse modo, para essa pesquisa optou-se pelo método qualitativo, uma vez que ela permite um envolvimento maior do observador na situação pesquisada com os sujeitos analisados. Com enfoque na interpretação de cada sujeito e não os quantificar matematicamente em um padrão único e neutro. De acordo com Gerhardt e Silveira (2009, p.31), 'a pesquisa qualitativa não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização.' É importante analisar caso a caso, levar em consideração o contexto de cada indivíduo participante da pesquisa que busca qualificar os resultados que serão obtidos e entender o porquê de cada questão trabalhada acerca do tema.

A nosso ver, essa abordagem é necessária, pois trata-se da criança/adolescente com autismo. Sendo assim, para analisar as características de cada um, o qual não podemos estabelecer um padrão e sim analisar sujeito por sujeito. Ainda, segundo Gerhardt e Silveira (2009) a pesquisa qualitativa preocupase com aspectos da realidade que não podem ser quantificados, centrando-se na compreensão e explicação da dinâmica das relações sociais.

Essa pesquisa também possui características de estudo de caso. De acordo com Ponte (2006), um estudo de caso visa conhecer uma entidade bem definida como uma pessoa, uma instituição, um curso, uma disciplina, um sistema educativo, uma política ou qualquer outra unidade social. O seu objetivo é compreender em profundidade o 'como' e os 'porquês' dessa entidade, para evidenciar a sua identidade e características próprias, nomeadamente nos aspectos que interessam ao pesquisador. É uma investigação que se assume como particularista, isto é, que se debruça deliberadamente sobre uma situação específica que se supõe ser única ou especial, pelo menos em certos aspectos, procura descobrir o que há nela de mais essencial e característico e, desse modo, contribuir para a compreensão global de um certo fenômeno de interesse.

Desse modo, com o objetivo de potencializar as práticas de inclusão dentro do LNA foi enviado aos responsáveis, das crianças e adolescentes que participaram da primeira visita, um questionário com seis questões abertas. Amaro, Pávoa e Macedo (2005), salienta que o questionário é um instrumento de investigação que visa recolher informações baseando-se, geralmente, na inquisição de um grupo representativo da população em estudo. Assim, a aplicação de um questionário permite recolher uma amostra dos conhecimentos, atitudes, valores e comportamentos. O questionário foi enviado a mãe responsável do grupo por organizar a visita a qual ficou responsável por enviar aos demais participantes. Nas perguntas enviadas aos responsáveis, abordou-se questões sobre o comportamento das crianças antes e após a visita, a afinidade com o tema astronomia, como os visitantes lidaram com a temática após o encontro e pediu-se que fossem apontadas sugestões, críticas quanto as atividades desenvolvidas.

A partir disso, os dados foram separados em categorias de análise, é importante destacar que 'as categorias precisam de ancoragem na fundamentação

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teórica utilizada, mas também precisam estar em harmonia com os dados coletados durante a pesquisa (ANA, 2012, p.01).' As categorias podem ser escolhidas antes da coleta de dados, a priori, ou a posteriori. Quando definido antes, elas se sustentam apenas no referencial teórico adotado, quando escolhida após, leva-se para o contexto da pesquisa categorias que surgiram na prática, com a coleta dos dados.

No presente trabalho, as categorias escolhidas foram elaboradas a posteriori, definidas após a coleta dos dados. Sendo assim elaborou-se três categorias, (1) O que foi mais apreciado pelos visitantes durante a estadia no LNA (2) Comportamento dos autistas após a visita e (3) O que pode ser feito pelo LNA para melhoria em uma próxima visita? Cabe salientar que, com o objetivo de não divulgar o nome dos participantes, optou-se por utilizar as siglas A, B e C para designá-los. Desse modo, A1, A2, An são os pais e/ou responsáveis; B1, Bn os funcionários do Laboratório; e, C1, C2, Cn os visitantes com TEA. A seguir será apresentada a análise dos dados.

## Análise de dados

## (1) O que foi mais apreciado pelos visitantes durante a estadia no LNA

Mediante a análise, verificou-se que as respostas obtidas foram positivas e salientavam a maneira com que as crianças foram tratadas.

A1: 'Na minha opinião foi muito bom, Ambiente descontraio regado de informações (...)'

A2: 'Que maravilha ver a B1 e meus anjos animados com as atividades!! (...)'

A3: 'Eu e o C1 também queremos agradecer a vocês do LNA pela ótima acolhida foi uma tarde maravilhosa. '

Nas falas dos participantes A1, A2 e A3, pode-se observar a interação que ocorreu entre os funcionários do LNA e os visitantes, de maneira harmoniosa. A interação entre os participantes também tornou a integração alegre e descontraída. A maneira como a visita foi conduzida, pelos funcionários, tornou o contato próximo e com isso, os participantes sentiram-se confiantes e as atividades tornaram-se divertidas.

Ainda na primeira categoria, pode-se destacar que das atividades desenvolvidas três delas foram as que mais obtiveram sucesso entre as crianças, sendo elas a observação do sol através do telescópio coronado, os vídeos explicativos sobre astronomia e o lanche, como mostram as falas seguintes:

A2: 'Adorou. Saiu falando muito, que viu o sol (...)'

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A3: '(...) principalmente do lanche.'

A4: 'Ah da explicação da Kika com 'DE ONDE VEM'

Uma das características da pessoa com o TEA está relacionada com a dificuldade de concentração. No entanto, o intervalo para o lanche que ocorreu no meio das atividades ajudou na concentração e distração quanto à hora. A observação do Sol e os vídeos são atividades que tem pouco tempo de duração, na qual não torna a participação cansativa. Os autistas interagem melhor com conteúdo visual, por isso um dos vídeos e a observação do sol apareceram dentre as atividades citadas nas respostas dos participantes.

## (2) Comportamento dos autistas após a visita

Para complementar a análise do item anterior, no qual analisamos o que os visitantes mais gostaram, o presente item nos permite analisar a visita como um todo, trazendo f eedback com o comportamento após a mesma.De acordo com os dados, as crianças adoraram e saíram eufóricas falando sobre as atividades desenvolvidas e em todos aparecia a fala em que elas gostariam de voltar para uma nova visita.

A3: 'O C1 gostou tanto que quer ir amanhã de novo.'

A1: 'Que esta seja a primeira de muitas atividades e parcerias que faremos de agora em diante. Muito obrigada.'

A2: '(...) Estamos aguardando ansiosamente pelo próximo convite, muito obrigada!!'

Nas falas pode-se observar o interesse em marcar uma nova visita no LNA. O entusiasmo aparece tanto por parte dos pais quanto das crianças. Esse interesse, em retornar ao laboratório, aparece nas falas. Em A3 vê-se que o desejo é quase que imediato, é bastante positivo. Pode-se observar que as crianças e adolescentes conseguiram se ambientar no LNA, o local, as atividades e os funcionários não causaram desconforto ou repúdio aos participantes.

## (3) O que pode ser feito pelo LNA para melhoria em uma próxima visita

Além dos itens que foram analisados com as percepções dos visitantes durante a estadia no Laboratório e seu complemento após a visita, investigamos os pontos positivos e negativos desta, enfatizando neste item as ações que podem ser feitas pelo LNA para que haja ainda mais satisfação das crianças, adolescentes e seus acompanhantes e maior aproveitamento das atividades oferecidas.

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Com tudo, uma das características das pessoas com o espectro autista é a ansiedade, sendo ela trabalhada diariamente pelos pais com as crianças. Desse modo, as atividades esporádicas, como exemplo, a visita realizada no LNA deve constar dentro do quadro de rotinas do visitante com TEA. Assim, pode-se apontar a fala de um dos pais:

A1: 'Como temos a ansiedade nos autistas mais atenuada e muitos se tem que trabalhar como vai ser, acho que pode ser passado um prévio roteiro aos pais para melhor trabalhar com que eles de como vai ser esta visita. Mas a atenção e o carinho que todos foram recebidos é que torna a visita muito positiva.'

Sendo assim, para as próximas visitas será enviado aos pais um roteiro previamente elaborado pelos funcionários do Laboratório. A nosso ver, isso ajudará a tornar a visita ainda mais harmoniosa, descontraída e tranquila. Visto que as crianças/adolescentes chegarão mais calmas e menos ansiosas quanto ao que será desenvolvido. É importante destacar que, os autistas têm uma necessidade de imutabilidade que se manifesta por meio de uma resistência a qualquer mínima mudança no ambiente habitual. Há menor modificação, como a deslocação de um móvel ou a mudança de alguma rotina (GUERREIRO e ROCHA, 2006).

## Conclusão

A presente investigação teve o objetivo de analisar a percepção das crianças e adolescentes quanto à visita, assim como analisar as estratégias que podem potencializar a inclusão do público com TEA as visitas ao ONT. Por meio do questionário verificou-se que as atividades desenvolvidas não causaram desconforto e irritação aos participantes, ponto positivo e importante a ser destacado, mas evidenciou que é necessário adotar cuidados para que os visitantes possam desenvolver suas habilidades, sem nervosismo, estresse para que se absorva todo o conteúdo que é passado pela astronomia, para que compreendam em seu cotidiano e que tornem significativos.

Com essa pesquisa ainda foi possível notar que as atividades desenvolvidas foram de grande sucesso, entre elas: a observação do sol com o telescópio solar coronado, os vídeos instrutivos sobre astronomia e a pausa para o lanche contribuíram para os bons resultados da primeira visita. Os autistas são mais visuais que verbais, portanto, o trabalho com imagens, o telescópio e vídeos, obteve maior aceitação entre as crianças. Dentre as sugestões abordadas nos questionários, destaca-se a apresentação de um roteiro da visita para auxiliar no controle da ansiedade com os autistas antes das atividades, que contribuirá para melhorar a participação dos mesmos nos trabalhos a serem desenvolvidos no dia da visita no laboratório. Essa sugestão foi abordada pela mãe de um dos visitantes, salientando a importância do mesmo no cotidiano das pessoas com TEA. A partir dessa pesquisa, espera-se melhorias em relação às futuras visitas, uma vez que as mesmas já estão em fase de agendamento pelo grupo de pais e responsáveis das crianças autistas com a equipe de divulgação do LNA.

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## Referências

AMARO, A.; PÁVOA, A.; MACEDO, L.; A arte de fazer questionários, 2005

ANA; As categorias de análise. E-Letramento Letramento Digital, Autoria e Colaboração em Rede, nov. 2012. Disponível em: http://pesquisaletramentodigital.blogspot.com.br/2012/11/as-categorias-deanalise.html , Acesso em: 13 de junho de 2016

GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T.; Métodos de pesquisa. EAD Série Educação a Distância, 2009

JUNIOR, W. C.; Que grau de autismo meu filho tem?. Revista Autismo Informação gerando ação, ed. 02, abr. 2012. Disponível em: http://www.revistaautismo.com.br/edicao-2/que-grau-de-autismo-meu-filho-tem , Acesso: 14 de junho de 2016

MARTINEZ, I. G.; O desenvolvimento dos conteúdos atitudinais e procedimentais utilizando um jogo no ensino de astronomia, 2014

PONTE, J. P.; Estudos de caso em educação matemática, 2006

ROCHA, M. H.; GUERREIRO, M. F.; SANTO, A. M. E.; COELHO, M. M.; Necessidades Educativas Especiais de Carácter Permanente/Prolongado no Contexto da Escola Inclusiva. Autismo "Perda de contacto com a realidade exterior", nov. 2006

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