PROPOSTAS DE ATIVIDADES DE CINEMÁTICA PARA DEFICIENTES VISUAIS APLICADA NO COLÉGIO PEDRO II PELO GRUPO DO PIBID/UFRJ - FISICA
Aline Guilherme Pimentel, Felipe Moreira Correia, Sandro Soares Fernandes, Deise Miranda Vianna
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 23/01/2017
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão Social E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PROPOSTAS DE ATIVIDADES DE CINEMÁTICA PARA DEFICIENTES VISUAIS APLICADA NO COLÉGIO PEDRO II PELO GRUPO DO PIBID/UFRJ - FISICA
Aline Guilherme Pimentel , Felipe Moreira Correia , Sandro Soares Fernandes³, 1 2 Deise Miranda Vianna 4
1 UFRJ, Instituto de Física, al1negp@hotmail.com
2 UFRJ, Instituto de Física, felipecifufrj@gmail.com
3 Colégio Pedro II, UFRJ, Instituto de Física, sandrorjbr@if.ufrj.br
4 UFRJ, Instituto de Física, deisemv@if.ufrj.br
## Resumo
Apresentamos nesse trabalho propostas de atividades para serem realizadas com alunos cegos aplicadas pelo PIBID/UFRJ - Física, no Colégio Pedro II, campus São Cristóvão III. As atividades aqui expostas foram realizadas em turmas de segunda série do ensino médio, em que há presença de alunos com deficiência visual. Nos deparamos com o desafio de planejar atividades para eles em que eles fossem protagonistas e não meros ouvintes, enquanto o restante do grupo resolvia os desafios propostos. Outro fator motivacional foi a constatação da falta de material para que os professores possam transpor os conceitos a serem ensinados de forma inclusiva. A primeira atividade é uma adaptação de um produto educacional elaborado pela equipe e que já foi utilizado em uma outra turma no ano anterior. Esse material foi desenvolvido para se trabalhar gráficos, tanto a leitura quanto sua construção para os movimentos uniforme e uniformemente variado frente a dificuldade dos alunos com esse tema. Já a segunda atividade foi para a comparação das velocidades angular e linear em esquemas de acoplamento de polias.
Palavras-chave : Ensino inclusivo, Atividades Investigativas, Cinemática,
PIBID
## Introdução
Os roteiros apresentados aqui são produtos educacionais produzidos pelo PIBID/UFRJ-Física que tem sido utilizado pelos licenciandos do Instituto de Física da UFRJ em suas práticas docentes no Colégio Pedro II.
- O Colégio Pedro II, Campus São Cristóvão III, onde atuamos, é uma tradicional instituição de ensino público federal, está localizado na cidade do Rio de Janeiro em São Cristóvão, com cerca de 1200 alunos, em turmas de 30 alunos, em média. A participação dos licenciandos no campus é supervisionada por dois professores participantes do subprojeto e esta equipe tem participação em 11 turmas do ensino médio.
- A atuação do subprojeto PIBID/UFRJ-Física é feita no turno regular das escolas. Os bolsistas participam da preparação das aulas regulares, em conjunto com os professores supervisores e coordenadores do projeto, e também participam da sua execução. Desta forma, os licenciandos interagem com os estudantes de varias formas, seja tirando dúvidas, resolvendo exercícios, desenvolvendo roteiros de atividades práticas e teóricas ou colaborando nas discussões em sala. Estas
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23 a 27 de janeiro de 2017
diferentes maneiras de atuação tornam o papel dos licenciandos dentro da sala de aula um elemento de grande relevância na formação do aluno.
Nesse trabalho apresentamos duas atividades que foram aplicadas no ano de 2016 em turmas da segunda série do ensino médio que continham alunos com deficiência visual. Nas atividades realizadas, buscamos valorizar uma metodologia de trabalho que levasse os alunos a realizarem atividades investigativas(BORGES, 2002), participando do processo de ensino através de discussões e enriquecendo sua compreensão dos processos de aprendizagem da ciência. Durante a aplicação da atividade, professores e licenciandos do projeto PIBID atuaram como orientadores, e os alunos puderam compreender a importância de criar vínculos entre a Física que eles estudam na escola e diferentes situações que fazem parte do cotidiano deles, além da inclusão dos alunos cegos nas atividades, fazendo-os deixarem de ser meros ouvintes para terem participação ativa no desenrolar da atividade.
## Motivação
Frente a dificuldade em encontrar recursos didáticos inclusivos direcionados para o estudo da física adaptados para alunos com deficiência visual e no interesse de fazer com que esses alunos possam realmente interagir com a física que está sendo ensinada, nos desafiamos a criar produtos educacionais de baixo custo onde permitimos que o aluno cego explorasse com objetividade o que era ouvido.
- O tato é o sentido que mais se servem os cegos, é o meio pelo qual o indivíduo entra em contato com o ambiente. Por esse motivo os materiais apresentados exploram muito esse sentido, contendo texturas e materiais diferentes, assim como uma mistura de cores para utilização do material com alunos de baixa visão. (VIANNA, 1999)
Ao pensarmos em aplicar o roteiro de gráficos para a turma, percebemos que os alunos com deficiência visual dificilmente conseguiriam compreender o que estava sendo proposto por se tratar de figuras, textos e gráficos impressos no papel e que eles não teriam verdadeiro acesso e, assim, estariam ali junto com os grupos apenas como ouvintes, sem que concluíssem por si os conceitos, como propostos em atividades investigativas, apenas absorvendo o que seus colegas iriam debater.
Quando os conceitos de transmissão de movimentos circulares são apresentados mostrando acoplamento de polias, nós, professores videntes, costumamos fazer o uso de desenhos no quadro, o que impossibilita que o aluno cego absorva por completo o que está lhe sendo apresentado. Desenvolvemos, então dois experimentos onde os alunos podiam tatear e perceber as relações que antes haviam sido expostas no quadro branco.
## Primeira atividade: Adaptação do roteiro de Gráficos
O roteiro original se encontra disponível na página do blog do projeto PIBID/UFRJ -Física: http://pibidfisicaufrj.blogspot.com.br/2015/05/atividadeenvolvendo-graficos.html
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Tendo em vista a falta de interação dos alunos cegos na atividade se fossem distribuídos em diferentes grupos da turma, fizemos uma adaptação desse roteiro para que as questões apresentadas se tornassem tateáveis para eles.
Na primeira parte da atividade, foram apresentados diferentes tipos de gráficos e duas questões que utilizavam os tipos de gráficos apresentados. Utilizando materiais como: barbante, cola quente cartolinas e papéis de texturas diferentes e com o auxílio do NAPNE (Núcleo de Apoio ao Portador de Necessidades Específicas) do Colégio Pedro II, que imprimiu as legendas necessárias em braile, transformamos as questões nos seguintes materiais adaptados:
Figura 01: Gráficos de setores apresentados nas questões propostas
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Figura 02: Gráfico de linha apresentado nas questões propostas
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Figura 04: Adaptação feita para a questão de gráfico de setores
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Figura 03: Adaptação feita para a questão de gráfico de setores
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Após lermos as questões para os alunos, eles mexiam com as adaptações feitas a fim de responde-las, analisando as diferentes texturas e identificando-as através das legendas em braile.
Figura 05: Alunos mexendo com os gráficos para responder as questões apresentadas
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Na segunda parte da atividade, apresentamos uma situação problema em que os alunos deveriam montar os gráficos posição x tempo e velocidade x tempo da problematização em questão:
Figura 06: Situação problema proposta aos alunos
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Com o auxílio de um material disponibilizado pelo NAPNE chamado de tábua de geoplano, os alunos puderam montar os gráficos e ainda perceber como as funções se comportam em cada tipo de movimento que já havia sido estudado.
Figura 07: Montagem feita pelos alunos do gráfico sxt da questão 3.a
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Figuras 08 e 09: Alunos montando os gráficos
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Segunda atividade: Diferenciação entre velocidade angular e velocidade linear em transmissão de movimento e acoplamento de polias
Quando esse tema é abordado em sala de aula, nós, professores videntes, costumamos utilizar de desenhos no quadro para explicar o que acontece, tal como a seguinte representação:
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Figura 06: Como são desenhados os fenômenos no quadro
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Ao ser exposto dessa forma no quadro para todos os alunos, os que possuem deficiência visual são prejudicados pois são vedados a eles o acesso a informação e não se pode supor que eles conseguirão imaginar o fenômeno sem nunca terem visto, tendo em vista essa problematização foi criado o seguinte kit:
Figura 07: O Kit de demonstração de transmissão de movimento
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Tudo produzido com material de baixo custo de forma a não ser uma problemática a confecção desse kit. Com esse material é possível a comparação da transmissão de movimento circular com raios iguais e diferentes tanto no acoplamento de 'polias' como quando as polias estão no mesmo eixo
Figura 08: Transmissão de movimento: raios iguais e raios diferentes
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Figura 09: Acoplamento de polias num mesmo eixo: raios iguais e raios diferentes
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## Considerações Finais
Com essas atividades, os alunos cegos que antes não conseguiam compreender os fenômenos que lhes eram apresentados puderam não só fazer parte de verdade da atividade e ainda nos retribuíram com a gratificante frase 'seria mais fácil aprender física se fosse assim'. Nos vimos no desafio de criar novos materiais para auxiliar nesse processo de um ensino inclusivo na Física e, assim, disponibilizar materiais numa área que não é tão abordada.
Desenvolvendo propostas como essas, buscamos privilegiar um modelo em que o aluno faz parte do processo de ensino. Nesse tipo de atividade investigativa e inclusiva, os professores e licenciandos também passam de avaliadores para avaliados, pois são continuamente forçados a pensar, montar diferentes estratégias de aulas e deve estar sempre pronto para situações problemas, que não havia ainda passado. É desafiador, contudo, o retorno poderá ser mais confortante e efetivo para a aprendizagem do aluno. A satisfação maior das nossas atividades é perceber que nossos alunos atingiram os objetivos propostos, ou planejados, nos roteiros de atividades.
## Referências
ARAGÃO, Gabrielle Barbosa. Um experimento inclusivo : o plano inclinado. Rio de Janeiro: UFRJ, 2016. 20f p. tese conclusão de curso, Instituto de Física, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.
VIANNA, Tatiana de Abreu Sampaio. Relacionamentos que exigem tato : Um estudo acerca do trato com o deficiente visual. Rio de Janeiro, UNIRIO, 1999. 47f p. tese conclusão de curso, Centro de Ciências Humanas, Universidade do Rio de Janeiro, Escola de educação, Rio de Janeiro, 1999.
Borges, A.T. Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. V19, N3, 2002, UFSC, Florianópolis, p.291-313
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.