Levantamento histórico dos artigos publicados sobre informática no ensino de física nas principais revistas nacionais
Rafael Gomes De Almeida
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 23/01/2017
- Linha de pesquisa
- Tecnologia Da Informação E Comunicação
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Levantamento histórico dos artigos publicados sobre informática no ensino de física nas principais revistas nacionais
## *Rafael Gomes de Almeida 1
1 Universidade Federal do Rio de Janeiro, almeida.rg@hotmail.com
## Resumo
Considerando uma realidade de sala de aula cada vez mais preenchida por alunos que estão imersos em tecnologia desde o dia de seu nascimento, é ainda mais fundamental um domínio e conhecimento de como lidar tanto com este novo perfil de estudante quanto com as tecnologias que eles usam e as que o professor pode utilizar em sua atuação. A partir deste quadro ergue-se a motivação necessária para a construção deste estudo, que possui como objetivos resgatar e enunciar as publicações em três das principais revistas nacionais de ensino de física ligadas, de algum modo, a utilização, avaliação e/ou criação de produtos relacionados à informática no ensino de física, objetivando assim indicar alguns principais artigos que propiciem uma reflexão crítica quanto ao que já foi produzido e as análises já realizadas. Para o levantamento proposto foram analisadas a Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF), no período entre 1979 e 2016, a revista A Física na Escola (FnE), de 2000 a 2012, e a revista Caderno Brasileiro de Ensino de Física (anteriormente chamada de Cadernos Catarinenses de Ensino de Física), a partir do ano 1984 até o ano 2016 , sendo utilizado como critério para separação dos artigos escolhidos a leitura de todos os resumos que cotinham títulos ou palavras-chave que indicassem algum tipo de relação com a área de informática no ensino de física . Por fim, foi gerado como resultado deste estudo uma planilha esquemática que contém as referências de todos os artigos destacados e um panorama do quantitativo de publicações e da distribuição deles ao longo dos anos em cada uma das revistas, resultados estes que permitem uma busca mais fácil pelos periódicos, que motivam uma utilização mais consciente desta área de pesquisa e que revelam uma crescente preocupação com a implementação, pesquisa e reflexão deste tipo de abordagem.
Palavras-chave : informática no ensino, ensino de física, levantamento histórico.
## Introdução
Considerando as duas primeiras décadas do século XXI, quando mais e mais estudantes de graduação e professores universitários vêm desenvolvendo estudos na área de informática no ensino, revelou-se de suma importância uma recordação das publicações nacionais já feitas neste campo para que não sejam feitos trabalhos iguais, ou seja, mais do mesmo, e para que não sejam cometidos os mesmos erros já feitos e pensados anteriormente. Sendo assim, é relevante trazer não somente um levantamento dos títulos e sua referência, mas também, alguns artigos em destaque que colocaram de forma crítica e reflexiva a utilização deste recurso para ensino. Uma vez levantados estes pontos abrem-se questões como 'Como a informática no ensino de Física vem se desenvolvendo ao longo dos anos?'; 'Houve um aumento no número de publicações?'; 'Quais são as temáticas mais trabalhadas?' e 'Há preocupação com o conteúdo das pesquisas?' que podem ser melhores pensadas e possivelmente respondidas após a observação deste texto.
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23 a 27 de janeiro de 2017
Todo este trabalho foi feito a partir da análise de três das principais revistas do ensino de Física do Brasil, sendo elas a Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF), o Caderno Brasileiro de Ensino de Física (CBEF) e a Física na Escola (FnE). Foram analisados no total 162 artigos publicados desde 1979 até 2016, que foram selecionados através da leitura dos índices de cada edição das três revistas em busca de títulos que estivessem aparentemente próximos ao procurado, após apontar algum título era feita a leitura do resumo e das palavras chave para saber se realmente aquele artigo se encaixava no esperado. Então, finalmente, alguns artigos cujos resumos chamavam mais a atenção tinham seu conteúdo lido inteiramente. Estes artigos que foram lidos inteiramente receberam destaque na catalogação realizada e todos os outros têm seus registros guardados em uma planilha online que pode ser acessada no endereço:
<https://drive.google.com/open?id=0B9S0vq08ZJ07ZmJmVnBLWUd2WEU>
## Relações quantitativas por ano por revista
Ao olharmos dentro dos dados indicados na planilha acima temos a possibilidade de levantar algumas relações quantitativas de publicações por ano em cada revista analisada e também montar um esquema com a soma dos artigos publicados por década em todas as três juntas.
Então, começando com a Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF), que teve em seu período recortado (de 1979 até início de 2016) 95 artigos aceitos, que mantiveram uma média por ano, com alguns anos com menos trabalhos e outros com um pouco mais. Pode-se notar no histograma a seguir (Figura 1) que uma edição em especial teve artigos muito acima da média, esta foi uma edição somente de textos sobre informática no ensino de física e por isso se destacou enormemente.
Figura 1: Histograma do quantitativo de publicações por ano na RBEF ligadas a informática no ensino de física.
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Seguindo agora para a Física na Escola (FnE), para a qual em comparação com as outras duas selecionadas não tem um tempo tão grande em anos e volumes produzidos e ela, infelizmente, foi interrompida no ano 2012, portanto, para este periódico foi tomado como recorte o intervalo de tempo entre o ano 200 e o ano 2012. Todavia, mesmo com a interrupção (que por sinal acabou com o retorno dela este ano) não impede a Física na Escola de ser uma das revistas de ensino de física de grande relevância no cenário nacional. Agora, como já era de se esperar, ela foi a revista com o menor número de artigos ligados a informática no ensino com somente 12 publicações em intervalos salteados e inconstantes. A distribuição de publicações por ano pode ser vista no histograma abaixo (Figura 2).
Figura 2: Histograma do quantitativo de publicações por ano na A Física na Escola ligadas a informática no ensino de Física
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Comentando enfim a terceira revista analisada, os Cadernos Brasileiros de Ensino de Física (CBEF) chamada, em primeiro momento, de Cadernos Catarinenses de Ensino de Física que mudou de nome já após os anos 2000 e é um exemplo louvável da valorização do campo de estudo da informática no ensino de física, pois além de muitos artigos publicados sobre este campo, temos em edições especiais no ano 2012 uma quantidade também assombrosa de artigos para serem consultados, além disso, no mesmo ano, foi criada uma seção chamada 'Objetos de Aprendizagem, Recursos Digitais e Virtuais sobre o Ensino de Física' que traz sempre algo ligado à temática em questão.
Neste periódico foram destacados 55 artigos no total, que de modo similar a RBEF, possuem uma concentração (já mencionada) só que no ano 2012, quando foram publicados 22 dos 55 textos. É possível verificarmos igualmente um crescimento até que significativo das publicações, principalmente, a partir de 2010 como pode ser observado no histograma mais a frente (Figura 3).
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Figura 3: Histograma do quantitativo de publicações por ano no Caderno Brasileiro de Ensino de Física ligadas a informática no ensino de Física
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Finalmente, após observarmos os três histogramas que montam uma imagem panorâmica de publicações por revistas por tempo, visando responder duas das perguntas levantadas no início deste trabalho: 'Como a informática no ensino de Física vem se desenvolvendo ao longo dos anos?' e 'Houve um aumento no número de publicações?', apresentamos o último histograma (Figura 4) que exibe a junção do número de pesquisas divulgadas por década:
Figura 4: Histograma geral do quantitativo de publicações ligadas à informática no ensino de Física ao longo das décadas
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Vemos facilmente que houve SIM aumento do número de publicações com o passar dos anos e, de modo mais surpreendente, temos em pouco mais da metade da presente década um número de aplicações de informática no ensino de Física maior do que o da década passada. Com toda certeza este número tende a ser cada vez maior, fator que comprova o grande desenvolvimento do uso e da pesquisa nesta grande área.
## Usos comuns no ensino de Física
Para aprimorarmos este estudo, buscou-se tomar como referência três artigos encontrados na lista arquivada na planilha com link colocado anteriormente, que propuseram reflexões críticas quanto a utilização de informática no ensino de Física e trouxeram também em seus corpos textuais classificações para as linhas de pesquisa comuns que existiam ou que se acreditavam serem as linhas mais promissoras de serem desenvolvidas. O primeiro referencial levado em conta foi o de Paulo Rosa (ROSA, 1995) que dispôs a divisão da seguinte forma:
'As potencialidades do uso de computadores no ensino de Física são grandes. Entre elas podemos citar:
- 1. Coleta e análise de dados em tempo real.
- 2. Simulação de fenômenos físicos.
- 3. Instrução assistida por computador.
- 4. Administração escolar.
- 5. Estudo de processos cognitivos.'
(Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo, v. 17, nº 2, p. 183, jun. 1995)
Entretanto, ele não foi o único considerado para isso, outros nomes que podem ser citados para tal classificação são os de Trindade e Fiolhais (FIOLHAIS & TRINDADE, 2003), que abordaram de maneira similar a colocado por Rosa, mas expandiram um pouco além. Levando em conta que o texto original encontra-se não concentrado, é mais conveniente colocar a organização destes autores de modo indireto, ela consistiu então das categorias: (1) Aquisição de dados por computador; (2) Modelização e simulação; (3) Multimídia; (4) Realidade Virtual; e (5) Internet. Tendo no primeiro item um uso de sensores e softwares para a tomada de dados, no segundo a criação de 'micromundos' que simulam um modelo de realidade, no terceiro o uso de imagens, hipertextos, animações e applets, no penúltimo o acesso a programas em 3D para mostrar e adquirir dados em tempo real e no último ponto a conectividade na busca de outros usos colocados antes.
- O último referencial que se destacou nesta classificação é o de Macêdo (MACÊDO, 2014), que elencou trabalhos apresentados da área de informática no ensino de Física no SNEF de 2011. Ele os dividiu da seguinte maneira: (a) Aquisição de dados e experimentos com o computador; (b) Utilização de Objetos de Aprendizagem no ensino de Física; (c) A utilização de ambientes virtuais de aprendizagem no ensino de Física; (d) Análise curricular de cursos de Física; e (e) Estado da arte relacionado às TIC. Logo, vale super a pena consultar seu artigo para ter acesso ao quantitativo de apresentações em cada uma destas categorias.
Portanto, após termos pensado nestes autores supracitados, tornou-se possível construir uma classificação própria que está presente na planilha digital com link disponibilizado acima. Que ficou organizada com os seguintes pontos: (1)
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Computador como instrumento de medida; (2) Simulações modelizações e Objetos de aprendizagem (OA); (3) Utilização de redes e ambientes virtuais via internet; (4) Gerenciamento de informações de currículo, avaliações e administração escolar; (5) Personalização do estudo e acompanhamento do desenvolvimento dos estudantes e seus processos cognitivos; e (6) Análise e revisão crítica de trabalhos sobre informática no ensino de Física.
Após feita a classificação, pode-se notar que quase a totalidade dos trabalhos pesquisados encontram-se nos pontos (1) e (2) de minha classificação, parece que é o assunto mais acalorado ainda, mesmo sendo um assunto relativamente antigo, afinal, o ponto (1) foi o primeiro a aparecer no uso da informática no ensino de Física e o ponto (2) já se mostrava presente desde a década de 90.
Vale também destacar um aspecto diferencial da revista a Física na Escola (FnE) que teve um número consideravelmente grande de trabalhos no ponto (3), o que é ótimo para quem deseja se especializar neste ramo de uso da informática no ensino de Física.
Os pontos menos presentes são os (5) e (6), infelizmente para o ponto (6), pois releva uma preocupação em menor grau quanto a efetividade e qualidade do uso de aulas com informática e, quanto ao ponto (5), provavelmente tem sua explicação pelo fato de ainda ser uma tendência nova para o grande campo em debate.
## Conclusão
Como foi proposto, o levantamento realizado torna possível uma visão panorâmica do quantitativo dos artigos publicados em três importantes revistas de ensino de física no Brasil, mas também, para os pesquisadores desta área do ensino de física, é possível buscar de maneira mais rápida os textos relacionados a este tema. Outro ponto importante, é que, basicamente com a leitura das principais referências destacadas na planilha, pode-se formar uma visão mais crítica quanto ao uso, a produção e a avaliação de materiais vinculados a metodologia informática no ensino. Portanto, acredita-se que o projetado para este trabalho foi cumprido, ficando para futuros estudos um aprofundamento do já feito aqui.
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## Referências
ALMEIDA, Rafael Gomes. Artigos Revistas XXII SNEF. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em:
<https://drive.google.com/open?id=0B9S0vq08ZJ07ZmJmVnBLWUd2WEU> Acesso em 03 set. 2016.
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