Dificuldades enfrentadas pelos mediadores de um Espaço de Educação não formal
Brenda Braga Pereira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 23/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2017
Texto completo
## DIFICULDADES ENFRENTADAS PELOS MEDIADORES DE UM ESPAÇO DE EDUCAÇÃO NÃO FORMAL
## Brenda Braga Pereira 1
1 Universidade Federal de Itajubá/Instituto de Física e Química/Licencianda em Física, brendabragapereira@gmail.com
## Resumo
Neste trabalho apresenta-se uma discussão acerca das dificuldades encontradas pelos mediadores de um ambiente de educação não formal para atuar nessa função, ainda discute-se as estratégias criadas por eles para superação das mesmas e também qual tipo de formação é realizada para atuação destes nesse espaço. Sabe-se que no Ensino de Ciências, a divulgação científica realizada por museus e centros de ciência, ganha cada vez mais espaço na literatura. A compreensão sobre os profissionais que atuam nesses espaços também podem contribuir para disseminar conhecimento sobre a importância desses ambientes. Entretanto estudos sobre a relevância do papel, assim como os desafios dos mediadores, que atuam nesses espaços, ainda são pouco explorados. Sendo assim, foram realizadas observações de visitas mediadas e ainda entrevistas, do tipo semi-estruturada, com os mediadores do Espaço InterCiências da UNIFEI com o objetivo de compreender quais as dificuldades que eles enfrentam nesse centro de ciências, mas em especial no que se refere aos conteúdos específicos de Física. Com isso, foi possível realizar uma análise sobre essas adversidades, identificando-as e verificando quais as principais causas, na visão dos entrevistados, para tais dificuldades. Ainda foi possível verificar quais estratégias eles adotam para superá-las e por fim analisar o tipo de formação realizada nesse espaço.
Palavras-chave : Estratégias; Dificuldades; Mediadores; Formação.
## Introdução
A divulgação cientifica pode ser entendida como uma maneira de permitir o acesso, de pessoas em geral, as questões ligadas à ciência e tecnologia. Conforme Bueno (2010) a divulgação cientifica possui um público que não necessita de formação técnica ou cientifica sobre o assunto e, que, devido a essa diversidade, é necessário que haja a decodificação ou recodificação do discurso para que este se torne acessível.
Conforme Valério e Bazzo (2006), o processo de divulgação cientifica pode ser realizado por diferentes meios. Entre eles: revistas, jornais, filmes, séries, quadrinhos, televisão, rádio, palestras, seminários, parques, zoológicos, museus, centro de ciências entre outros. Nessa investigação discutiremos, em especial, os aspectos relacionados à divulgação cientifica que ocorre em museus/centros de ciências. Os Museus e Centros de Ciências têm como um objetivo motivar a popularização do conhecimento científico e, ainda, aproximar a Ciência e a Tecnologia da realidade da população.
Para Marandino (2008), esses espaços são locais propícios para motivar o interesse pela Ciência, uma vez que a interação entre objeto e o visitante podem além de aumentar a curiosidade despertar um interesse investigativo. Os centros de ciência são caracterizados como um ambiente de educação não formal, ou seja, são
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
23 a 27 de janeiro de 2017
ambientes diferentes da escola, nos quais se trabalha a divulgação cientifica e no qual existe um processo educativo determinado. (JACOBUCCI, 2008).
Nesse contexto de educação não formal, uma relação que deve ser levada em consideração são as interações monitor-visitante. Os processos de diálogo entre visitante e objetos museais, em geral, ocorrem por meio de uma relação entre mediadores desse ambiente e visitante uma vez que a maioria de centros de ciências do país possui pessoal para esse tipo de ação. Gaspar (1993) salienta que, para que haja aprendizagem nestes espaços, é necessário que entre os visitantes ou entre os visitantes e mediadores haja interações sociais.
Importante destacar que na literatura encontram-se diferentes trabalhos que procuram compreender como a mediação nestes espaços contribui para a formação de mediadores em centro de ciências (FERREIRA et al, 2008). É possível encontrar investigações que buscam identificar os saberes dos mediadores (OVIGLI e FREITAS, 2009;SILVA e OLIVEIRA, 2011); e outras pesquisas que destacam a importância de uma atuação em ambientes desse tipo para o desenvolvimento do profissional (OVIGLI e FREITAS, 2009;VALLE et al, 2011). No entanto, durante o levantamento bibliográfico, não foi possível encontrar pesquisas que apresentassem uma discussão sobre as dificuldades dos mediadores para atuar nessa função.
Assim, esse trabalho tem como objetivo, analisar e descrever quais as adversidades enfrentadas pelos mediadores do Espaço InterCiências da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI. Para tanto, essa pesquisa esteve pautada aos conteúdos específicos da área de Física e, ainda buscou considerar quais estratégias esses mediadores adotaram para contornar as dificuldades.
## Procedimentos Metodológicos
A partir das implicações e questões que orientam esse trabalho, verifica-se que a abordagem qualitativa mostra-se mais adequada para essa investigação. Sobre essa abordagem Neves (1996), pondera que ela preocupa-se com fatos que não podem ser quantificados, focando-se assim na compreensão das dinâmicas e relações sociais e, busca ainda entender os motivos e intenções dos atores envolvidos na pesquisa e, ainda, pode-se obter diferentes interpretações a partir de uma análise indutiva.
Segundo Godoy (1995), a abordagem qualitativa pode oferecer diferentes possibilidades para a realização de uma pesquisa. Uma delas é o estudo de caso que, tem por objetivo investigar uma única situação e deve ser aplicado quando se tem interesse em pesquisar um evento particular. Assim, temos por objetivo estudar quais dificuldades encontram os mediadores de um centro de ciências, em relação aos conteúdos específicos de Física e ainda quais as estratégias utilizadas por eles para enfrentar esses problemas.
Para esse trabalho investigou-se os mediadores do Espaço InterCiências, que caracteriza-se como um centro de ciências interativo, vinculado a Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI, que está em funcionamento desde 2012 e possui experimentos das áreas de Física e Matemática; e conta ainda com uma equipe de mediadores formada por alunos de Física e Matemática Licenciatura participantes do Programa de Educação Tutorial - PET.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Nessa investigação, foram utilizados dois instrumentos para coleta de dados sendo eles, a entrevista semi-estruturada e a observação. Dessa forma, foram realizadas entrevistas com todos os mediadores da área de Física do Espaço InterCiências, uma vez que a investigadora e autora deste trabalho possui a mesma formação; e que atuam nessa função a pelo menos um ano. Importante destacar que das 8 perguntas realizadas, para este trabalho foram analisadas apenas 4, que possuíam maior relação com os objetivos dessa investigação. Estas que foram: Posterior ao processo de seleção, houve algum tipo de formação? Se sim, como se deu essa formação? Você encontra algum tipo de dificuldade para atuar como mediador no espaço InterCiências da UNIFEI? Se sim, qual/quais dificuldades são essas? Em relação aos conteúdos específicos de Física houve ou ainda há algum tipo de dificuldade? Se sim, quais? Você utiliza/utilizou alguma estratégia para superar essa(s) dificuldade(s)?
Ainda, para essa investigação foi empregada à observação estruturada, pois foram acompanhadas as visitas com um objetivo definido. Este que foi identificar nas falas dos mediadores momentos em que eles apresentavam dificuldades com relação ao conteúdo de Física. Assim no caderno de campo haviam questões para serem observadas, como: Pedem ajuda para um colega na hora de explicar, perguntam para outros mediadores durante as visitas sobre determinados contéudos, evitam explicar determinado experimento. Vale ressaltar que nem todas essas questões foram evidenciadas nas observações, apenas a primeira e a última, todavia essas eram questõoes norteadoras que não necessariamente seriam observadas, mas que guiariam as visitas observaadas.
Cabe salientar que essa observação pode ser tida como participante natural e individual, uma vez que a investigadora deste trabalho faz parte do grupo analisado. Assim, foram observadas 5 visitas em que os mediadores atuavam e nas quais a pesquisadora não estava escalada. Nessas visitas procurava-se identificar quais dificuldades os mediadores enfrentavam com relação aos conteúdos específicos de física. Com o objetivo de registrar os fatos observados foi utilizado um caderno de campo.
Para análise dos dados o método adotado foi à análise de conteúdo, que conforme Bardin (2011) é tido como um conjunto de técnicas que visa obter a partir de sistematização do conteúdo e dos objetivos da pesquisa, indicadores que nos permitam inferir conhecimentos sobre essas mensagens. Ou seja, busca por meio dos dados obtidos, compreender modelos que pudessem nos auxiliar a responder as questões referentes ao problema dessa investigação.
Para identificação dos sujeitos envolvidos na pesquisa foram utilizadas siglas, como M1, M2, M3…, correspondendo a mediador 1, 2, 3.... Importante ainda destacar que, não houve alteração das falas transcritas para assegurar a fidedignidade dos dados. Além disso, foram utilizados os métodos propostos por Carvalho (2006), na transcrição das falas, assim as reticências - significam pausa; parênteses duplos - inserção de comentários do pesquisador; dois pontos repetidos prolongamento de vogal ou consoante; e, barra - para truncamento de palavras.
## Apresentação e Discussão dos Dados
## Dificuldades com os conteúdos específicos
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
A partir dos dados obtidos buscou-se identificar as dificuldades enfrentadas pelos estudantes atuantes no Espaço InterCiências com relação aos conteúdos específicos de Física. A partir da análise foi possível perceber que as dificuldades estão relacionadas aos conceitos de: óptica, eletromagnetismo e momento angular. Podemos verificar isso na fala dos alunos:
'Eu encontro muita dificuldade no conceito da óptica...mas é por falha minha mesmo (...) então óptica pra mim foi sempre uma:: uma ementa que eu tive muita dificuldade (...)' [M2]
'Tenho dificuldade as vezes em explicar alguns experimentos relativos a óptica...câmara escura...da formação das cores...a parte do winhurst da sala eletromagnética.'[M5]
'Os conceitos da elétrica e da óptica...acho que porque eu não tive uma base legal para falar...óptica quase não vi no ensino médio e da elétrica acho dificil mesmo...até entendo mas para transmitir isso acho dificil.' [M6]
'(...) porque por exemplo...aquela prancha giratória...conservação do momento angular...ainda tenho um pouco de dificuldade (...)' [M4]
Por meio das observações realizadas durante as visitas, também identificouse momentos no quais essas dificuldades, relacionadas a esses mesmos conteúdos, apareciam. Isso fica claro nos argumentos a seguir:
'Você sabe explicar o winhurst? Eu não sei' - Fala de M6 para M4 durante a visita. [anotado em caderno de campo]
'Você explica o das lentes? Eu não gosto muito de explicar esse' - Fala de M8 para M1 em uma visita [anotado em caderno de campo]
Assim, a partir das entrevistas e das observações foi possível identificar que há algumas dificuldades enfrentadas pelos mediadores. Mesmo para aqueles que atuam há mais tempo. Pode-se ver que há necessidade de trabalhar tais conceitos com eles, de modo que estes possam vir a exercer cada vez melhor esta função.
Mediante a análise dos dados também foi possível observar que além das dificuldades já apontadas para o entendimento desses obstáculos, há outros entendimentos apontados pelos mediadores. Observa-se que as dificuldades enfrentadas pelos mediadores são semelhantes. Desse modo, buscou-se, por meio das falas dos entrevistados, compreender a origem desses obstáculos:
'(...)eu entrei no segundo semestre de--2014 nesse semestre eu havia começado física 1 é:: como eu tava aprendendo eu tava muito insegura...eu ainda tava aprendendo e tinha que explicar a parte de mecânica eu ficava meio assim né...em dúvida.' [M1]
- '(...) pode ser que minha dificuldade seja com a própria disciplina...as vezes não só dificuldade da disciplina...as vezes até consigo ir bem nas provas...dificuldade mesmo em absorver bem e conseguir passar os conceitos dessa determinada matéria...as vezes é um pouco abstrato.' [M3]
'(...) tem que estar dominando o assunto de uma forma bastante concreta e também cada experimento...eu faço uma lista de perguntas que eu não quero que os alunos façam porque são aquelas que tenho mais insegurança em responder ((fala rindo))...essas são as minhas dificuldades...aos poucos...até porque eu to no começo do curso de física...então eu não sei toda física...vou me formar e vai ter coisa que eu vou continuar não sabendo(...)' [M4]
Diante desses relatos verifica-se que as dificuldades enfrentadas estão relacionadas com áreas nas quais os alunos mediadores ainda não tiveram contato na graduação. Tais conteúdos são vistos no fim do segundo ano e no começo do
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
terceiro no curso de Física da UNIFEI. Logo, os mediadores que estão, atualmente, desenvolvendo atividades de mediação no Espaço InterCiências, ainda não cursaram as disciplinas que abordam tais conceitos. Sendo assim, torna-se complexo, para eles, explicar conceitos aos quais ainda não foram trabalhados em sala de aula.
A partir do entendimento de que, o papel do mediador é falar sobre Ciência, divulgar esta por meio da fala e dos artifícios museais ali presentes, ter o conhecimento específico sobre o que se faz é de fundamental. Desse modo, a nosso ver, faz-se necessário uma formação baseada nos conteúdos específicos antes que os mediadores comecem de fato a atuar nesta função, para que estes possam a vir a desempenhar cada vez com mais segurança suas funções.
Na investigação de Gomes e Marandino (2008) sobre a formação de monitores, os autores destacam que existem diferentes modelos de formação um deles baseado nos conteúdos. Nesse modelo, considera-se que um bom entendimento sobre os conhecimentos específicos pode garantir uma boa mediação. Sobre os tipos de formação que ocorrem no Espaço InterCiências pode-se observar nas falas dos mediadores:
'Existe uma formação constituída a partir dos textos...que a gente vai lendo...vai debatendo aqui...tentando entender... como a gente sempre fala...o que a gente ta fazendo aqui (...) a gente ta tentando construir uma definição ao longo de todo trabalho...sobre qual nosso papel aqui...como mediador… como é:: atuante nesse espaço (…)' [M2]
'(...) uma formação é:: constantemente com leituras...acho que o aprendizado mesmo é com a experiência...Primeiro a gente também acompanhou os mediadores antigos...para aprender como falar...como abordar cada experimento.' [M6]
Desse modo, é possível perceber que no Espaço Interciências os tipos de formação que ocorrem são mais próximas dos modelos relação aprendiz mestre na qual a formação de novos monitores ocorre a partir da observação dos mais experientes. Também no modelo da educação e comunicação no qual a instituição forma a partir dos contextos educacionais envolvidos nesses ambientes. Todavia entende-se que é preciso uma articulação entre esses tipos de formações para um melhor desempenho dos mediadores nesses ambientes.
Entende-se que o mediador possui um papel muito importante para os museus e centros de ciências. Por isso, uma formação enriquece o ambiente e pode levar a um melhor aproveitamento das atividades desenvolvidas. Considera-se que isso aplica-se tanto para os profissionais quanto para os visitantes. Conforme Merzagora e Rodari (2007), o museu é o mediador, mas são esses profissionais que dão vida ao ambiente, que podem proporcionar ao espaço uma rica oferta de atividades que podem contribuir para o sistema escolar e para o público em geral.
## Considerações Finais
Com a realização dessa pesquisa foi possível compreender as dificuldades dos mediadores do espaço InterCiências da UNIFEI com relação aos conteúdos de Física. Desse modo, verificou-se que, uma quantidade significativa de mediadores possuem dificuldades com as áreas de eletromagnetismo e óptica. Isto pode ser entendido como um reflexo da graduação dos mediadores, pelo fato das dificuldades apontadas serem relativas aos conteúdos que são trabalhados, apenas a partir do
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
fim do segundo ano de curso. Por outro lado, atualmente, os mediadores começam a atuar no fim do primeiro ano. Uma saída poderia está relacionada com o fato dos alunos que já possuem estes conhecimentos tornarem-se responsáveis pelas salas na qual contém esses experimentos ou ainda investir em uma formação de modo mais geral baseada nos conteúdos para que estes possam mediar e, posteriormente, adquirir o conteúdo de maneira mais aprofundada nas disciplinas do curso.
Além disso, a partir dessa investigação foi possível verificar que os mediadores elaboram estratégias para superação desses obstáculos. Essas que em geral são relacionadas com a autonomia de cada um deles, no qual a partir da identificação de suas próprias dificuldades procuram meios como a internet, livros didáticos e colegas mais experientes para saná-las. Destaca-se ainda que a ausência de uma formação específica os levou a procurar novas alternativas, como ditas favorece a autonomia, mas nos leva a uma reflexão sobre a formação desses indivíduos, podendo levar a novas investigações sobre a necessidade de uma formação baseada em conteúdos e se esta é de fato uma boa alternativa. Ainda contribui para elaboração de novas estratégias para auxiliar esses alunos, visto que a compreensão das dificuldades torna-se fundamental para que isso ocorra.
Para finalizar, aponta-se que os objetivos propostas para esse trabalho foram atingidos, foi possível compreender as dificuldades dos mediadores e os porquês envolvendo tais obstáculos. Entende-se que, essa proposta mostrou-se interessante, uma vez que salienta a importância de compreender e analisar esses problemas. Sendo assim, considera-se possível repensar novas estratégias que possam suprir esses problemas, com intuito de melhoria dos processos que envolvem ensino e aprendizagem em ambientes de educação não-formal. Visto que, com o entendimento de que os mediadores são de fato muito importantes para os museus e centros de ciências, uma formação de qualidade pode contribuir para o desenvolvimento das atividades desses espaços.
## Agradecimentos
A autora do trabalho agradece à Fapemig pelo apoio financeiro, concedido na forma de auxílio à participação coletiva em evento técnico ou científico no país, processo PCE-00852-16. E também ao programa PET - Programa de Educação Tutorial pelo auxílio para realização dessa pesquisa.
## Referências
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Edições 70. São Paulo, 2011.
BUENO, W. C. Comunicação Científica e Divulgação Científica: Aproximações e rupturas conceituais. Inf. Inf., Londrina, v. 15, n. esp, p. 1 - 12, 2010.
CARVALHO, A. M. P. . Uma metodologia de pesquisa para estudar os processos de ensino e aprendizagem em salas de aula. In: Flávia Maria Teixeira dos Santos; Ileana Maria Greca. (Org.). A pesquisa em ensino de ciências no Brasil e suas metodologias. 1 ed. Ijuí: Unijuí,, v. 1, p. 13-48, 2006.
COSTA A. G. Should explainers explain? In 'Jcom' 4(4). Disponível em: http://jcom.sissa.it/archive/04/04/. 2005
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
FERREIRA, T.; BONFÁ, M.; LIBRELON, L.; JACOBUCCI, D.; MARTINS, S. Formação de Monitores do Museu De Ciências da Dica: Preparo além da Prática. XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - Curitiba - 2008.
GASPAR, A. Museus e Centros de Ciências - Conceituação e proposta de um referencial teórico. Universidade de São Paulo - Faculdade de Educação. São Paulo, 1993.
GODOY, A. S. Pesquisa Qualitativa - Tipos Fundamentais, In: Revista de Administração de Empresas, v.35, n. 3, p. 20-29. Mai/Jun, 1995.
GOMES, J. A.; MARANDINO, M. A formação de monitoresem Museus e Centros de ciências, um estudo da estação ciência. Relatório final de Iniciação científica FAFE/FEUSP, 2008.
JACOBUCCI, D. F. C. Contribuições dos espaços não-formais da educação para a formação da cultura científica. Uberlândia, 2008.
LAKATOS, E.M. & MARCONI, M.A. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: 4ª ed, Atlas, 2001.
MARANDINO, M. (Org.). Educação em museus: a mediação em foco. São Paulo: GEENF/USP, 2008.
MERZAGORA, M. e RODARI, P. La scienza in mostra, PBM Bruno Mondadori. 2007.
NEVES, J. L. Pesquisa Qualitativa - Características, usos e possibilidades, In: Caderno de Pesquisas em Administração, v.1, n. 3, São Paulo, 1996.
OVIGLI, D. F. B.; FREITAS, D. Contribuições de um centro de ciências para a formação inicial do professor. I Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia - 2009.
SILVA, C. S.; OLIVEIRA, L. A. A. Mediadores de Centros de Ciências e os seus papéis durante as visitas escolares. Revista Ensaio, v.13, n.02 , p.47-64 , Belo Horizonte, 2011.
VALÉRIO, M.; BAZZO, W. A. O papel da divulgação científica em nossa sociedade de risco: em prol de uma nova ordem de relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Revista Iberoamericana de Ciencia, tecnologia e sociedade, setembrodezembro, 2010.
VALLE, G. J. S.; CARVALHO, A. A.; TAGLIATI, J. R.; SILVA, L. F. A Contribuição de um Centro de Ciências para a Formação de Professores. XIX Simpósio Nacional de Ensino de Física - SNEF. Manaus - AM , 2011 .
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.