A CRIAÇÃO E AS AÇÕES DE UM PROJETO DE EXTENSÃO COMO LOCAL DE FOMENTO PARA DESENVOLVIMENTO E POPULARIZAÇÃO DO TEMA ASTRONOMIA NO SUDOESTE DO PARANÁ
Fabio De Souza Alves, Flavio Riuzo So, Ivanilton Antônio De Oliveira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 23/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A CRIAÇÃO E AS AÇÕES DE UM PROJETO DE EXTENSÃO COMO LOCAL DE FOMENTO PARA DESENVOLVIMENTO E POPULARIZAÇÃO DO TEMA ASTRONOMIA NO SUDOESTE DO PARANÁ
Fábio de Souza Alves , Flavio Riuzo So , Ivanilton Antônio de Oliveira 1 2 2
- 1 INSTITUTO FEDERAL - IFPR CAPANEMA - PR /fabio.alves@ifpr.edu.br
- 2 INSTITUTO FEDERAL - IFPR CAPANEMA - PR /flavio.so@ifpr.edu.br
- 3 INSTITUTO FEDERAL - IFPR CAPANEMA - PR /ivanilton.oliveira@ifpr.edu.br
## Resumo
- O presente trabalho vem apresentar as ações de um projeto de extensão implementado na cidade de Capanema no sudoeste do Paraná. A região é predominantemente agrícola e tem como principal atividade a produção de grãos possuindo muitas escolas no campo e pessoas que pouco tiveram contato com o tema Astronomia. Neste sentido, este trabalho pretende apresentar as ações, os desafios e os relatos das experiências vividas em um local onde a astronomia era praticamente desconhecida. A instalação do Instituto Federal - IFPR na cidade de Capanema permitiu a criação de um projeto extensão chamado 'Em Busca de Outros Mundos' que por meio da pesquisa e contato com a população está identificando as demandas locais afim de permitir a popularização dos conceitos da área de astronomia. O projeto fomentou a criação de um grupo amador de astronomia que tem oferecido apoio no desenvolvimento das ações. Como resultados foram feitos seminários, mostras, oficinas , participação das olimpíadas escolares oficinas e em eventos científicos que permitiram a aproximação da população com o tema e tem promovido um processo de formação não formal para os munícipes.
Palavras Chave: Astronomia, popularização científica, ensino não formal.
## Introdução
## O ensino de astronomia
- O ensino de astronomia em ambientes formais, não formais e informais tem sido alvo de inúmeras pesquisas acadêmicas durante as ultimas décadas. Apontamentos sobre a dificuldades dos professores em ensinar astronomia e problemas com os livros didáticos representam parte de um problema paradoxal sobre o ensino nesta área (LANGHI e NARDI, 2007).
- O que se observa é que quando tratamos do tema Astronomia percebemos que há nos diferentes públicos e idades grande interesse sobre o assunto. Com a expansão e acesso das informações pela internet milhares de pessoas passaram a conviver com imagens cada vez mais sofisticadas com alto grau de aperfeiçoamento.
- A expansão na comunicação em larga escala tem permitido como nunca o acesso a informações unindo pessoas apaixonadas pelo assunto com os profissionais que compartilham, curtem discutem e disseminam conteúdos com diferentes graus de confiabilidade a uma velocidade espantosa.
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No ensino formal a astronomia pertence ao eixo Terra e Universo prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN, porém o que ainda se vê é que esse conteúdo se restringe ao um pequeno espaço nas séries iniciais e praticamente inexistem no ensino médio (BRASIL, 1999).
A astronomia é um conteúdo interdisciplinar, entretanto, nem sempre os conteúdos básicos da astronomia fundamental são apropriados pelos alunos, durante a sua jornada escolar (LANGHI e NARDI, 2007). Desse modo, ainda que haja uma expansão no oferecimento desses conteúdos principalmente pela internet muitos alunos saem das escolas sem qualquer conhecimento formal sobre o assunto (DIAS e RITA, 2008).
A discussão sobre o ensino de astronomia nas escolas perpassa pela ausência de um política efetiva que permita ao sujeito escolhas sobre os conteúdos que deseja aprender sendo também reflexo de professores que não tiveram ao longo da sua formação inicial e continuada os saberes necessários para atuar em sala de aula. Nos cursos de graduação como Pedagogia, Geografia, Ciências, Biologia, História, Artes e inclusive Física há registros de que pouco se trabalha com as disciplinas com enfoque na Astronomia (LANGHI e NARDI, 2005; DIAS e RITA , 2008).
Por consequência, muitas pessoas desconhecem os conteúdos, comentem equívocos conceituais disseminam mitos e crenças, constroem concepções alternativas e confundem ou não compreendem os pressupostos da construção científica. Muitos trabalhos já foram publicados sobre o tema como problemas conceituais em livros didáticos (BOCZKO, 2003, LANGHI e NARDI, 2007), concepções equivocadas dos professores (LEITE, 2002), ausência de recursos didáticos para elaboração de experimentos em sala de aula (BUCCIARELLI, 2001) e também o desinteresse pela carreira docente são problemas que provocam distorções entre o que se pretende ensinar e o que é proposto pelos documentos oficiais.
Atualmente, grande parte dos conteúdos pertencem a estruturas não formais e informais de ensino. Langhi e Nardi, (2009,p.2) definem esses locais da seguinte forma:
A educação formal ocorre em ambiente escolar ou outros estabelecimentos de ensino, com estrutura própria e planejamento, cujo conhecimento é sistematizado a fim de ser didaticamente trabalhado. Por isso, as práticas educativas da educação formal possuem elevados graus de intencionalidade e institucionalização o sendo sua obrigatoriedade garantida em lei (LANGHI e NARDI, 2009, p.2).
Em relação a educação não formal e informal os autores destacam que:
A educação não formal, por outro lado, com caráter sempre coletivo, envolve práticas educativas fora do ambiente escolar, sem a obrigatoriedade legislativa, nas quais o indivíduo experimenta a liberdade de escolher métodos e conteúdos de aprendizagem. Alguns exemplos de locais que oferecem a educação não formal são: museus, meios de comunicação, agências formativas para grupos sociais específicos, organizações profissionais, instituições não convencionais de educação que organizam eventos tais como cursos livres, feiras e encontros. No entanto, a educação não formal também
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não está livre de um determinado grau de intencionalidade e sistematização.(LANGHI e NARDI, p.3, 2009).
A educação informal não possui intencionalidade e tampouco é institucionalizada, pois é decorrente de momentos não organizados e espontâneos do dia-a-dia durante a interação com familiares, amigos e conversa ocasionais, embora também haja incertezas quanto à sua concreta significação, seguindo critérios definidos. A esse respeito, momentos de convívio durante uma observação casual do céu estrelado, uma visita ocasional a um colega que possua um telescópio, ou a um clube de astronomia amadora, com fins apenas 'hobbysticos', constituiriam, a princípio, exemplos de educação informal em astronomia (LANGHI e NARDI, 2009, p.3).
Nossa intenção é permitir a popularização dos conteúdos em Astronomia que segundo Langhi e Nardi, (2009, p. 3) definem como:
Quanto à definição de popularização, podemos determinar, para este trabalho, que o seu objetivo vai além da divulgação, pois considera as necessidades e expectativas de seu público-alvo, focando a dimensão ao cultural desta ciência, embora ainda haja controvérsias a respeito da utilização deste termo. No caso da popularização da astronomia, é notável o trabalho de clubes e observatórios astronômicos que voluntariamente dedicam-se em divulgar o conhecimento sobre astronomia para a comunidade onde estão inseridos.
Em alguns casos, encontra-se também planetários e universidades engajadas neste tipo de atividade embora seja necessário um cuidadoso estudo qualitativo e quantitativo a esse respeito, principalmente no tocante às diferentes formas de divulgação e/ou popularização (LANGHI e NARDI, 2009, p. 3).
Neste sentido, este trabalho apresentará algumas ações iniciais das experiências de um projeto de extensão denominado 'Em busca de Outros Mundos' furto da instalação do Instituto Federal no município de Capanema e a criação e apoio de um grupo amador de astronomia na referida cidade.
## O contexto da cidade de Capanema - PR
A cidade de Capanema no Estado do Paraná está situada a está localizada próximo a Ponte Internacional sobre o Rio Santo Antônio, que liga o Brasil, pelas rodovias PR-281 e PR-889 à 25 Km da Argentina (município de Comandante Andresito) configurando um municipio de fronteira.
- É uma cidade com uma população de aproximadamente de 18512 habitantes com um IDHM de 0,803 e um PIB per capita de R$ 13 mil é uma cidade com cerca de 5 escolas entre ensino básico, fundamental e médio e não há escolas particulares.
- O município tem como principal atividade o cultivo de grãos como o milho, o trigo o abacate e também a atividade da pecuária de leite. Há inúmeras cooperativas que mobilizam a economia local. Além disso, está em instalação a usina Hidrelétrica do Baixo Iguaçu com potencial de geração de energia de 350 MW equivalente a geração de energia para 1 milhão de habitantes.
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A figura 1 abaixo mostra a região no qual Capanema - PR está localizada.
Figura 1 - Localização da cidade de Capanema - PR
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## Desenvolvimento
Através da implementação do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Parana - IFPR na Cidade de Capanema um projeto de extensão denominado 'Em Busca de Outros Mundos' foi criado como forma de popularização e divulgação científica para o contexto local e regional.
O IFPR de Capanema foi instalado há dois anos e conta no atual momento com cerca de 68 alunos do ensino médio do curso técnico integrado ao Cooperativismo. O curso foi uma demanda social amplamente discutida pela população local. No próximo ano a instituição oferecerá 80 vagas e ampliará suas atividades com a criação do curso técnico em informática.
O projeto foi criado em razão da chegada de um corpo docente e de técnicos administrativos qualificados e que por meio de ações institucionais permitiram a criação de um processo de formação em astronomia antes desconhecido pelos alunos e pela população local.
Na ocasião da implementação do projeto foi feito o convite aos alunos para participação sendo que 11 alunos do ensino médio passaram a participar das ações do projeto. Na entrevista com os participantes todos alegaram que nunca tiveram o contato com o tema, porém possuíam grande interesse no tema. Outra questão é que segundo os relatos em nenhum momento em toda a fase escolar os alunos sequer tiveram contato com qualquer atividade relacionada ao assunto. A partir do projeto, uma série de ações foram executadas, entre elas a participação dos alunos em projetos coletivos e individuais que estão em processo.
Além disso, o IFPR oferece um conjunto de bolsas de estudo para o ensino médio com a perspectiva da inclusão social o que permitiu o ingresso de mais um aluno no referido projeto. O aluno selecionado está investigando todas as questões da OBA e estudando com acompanhamento do professor de Física.
Aprovado no comitê de pesquisa local o projeto deu inicio as suas atividades em março de 2016 oportunizando aos alunos a possibilidade de participação das atividades práticas e da avaliação, da Olimpíada Brasileira de Astronomia e
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Astronáutica - OBA e da Mostra Brasileira de Lançamento de Foguetes - MOBFOG sendo a única escola na região sudoeste a aplicar a avaliação.
Anteriormente a prova uma série de encontros foram realizados com os alunos participantes do projeto de extensão onde o convite foi estendido a todos os alunos interessados no tema.
O quadro 1 a seguir mostra algumas ações realizadas realizadas no IFPR Capanema - PR.
Quadro 1 - Ações com os alunos no IFPR - Capanema
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Ciclo de seminários de Astronomia com a participação dos alunos do IFPR Capanema.
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Participação das atividades práticas da OBA - comparação do tamanhos do Sistema Sol - Terra - Lua
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Participação das atividades práticas da MOBFOG Lançamento de Foguetes
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Observação do Sol com filtro
Participação das atividades práticas da MOBFOG Lançamento de Foguetes com a população local
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Participação na Prova da OBA
Participação nas atividades práticas da MOBFOG construção do Foguete.
Participação das atividades práticas da OBA - Relógio Solar.Investigação das questões das provas em todos os anos/séries para aproximação com o tema.
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Avançando nas atividades como propõe o projeto de extensão os alunos participaram do II Seminário de Iniciação científica de Capanema - PR. Na primeira edição o campus contou com apenas 9 trabalhos com variados temas, neste ano houve 35 trabalhos sendo 10 do referido projeto. O quadro abaixo mostram um pouco das apresentações feitas por alunos de primeiro e segundo anos do curso técnico em Cooperativismo.
## Quadro 2 - Participação dos alunos do ensino médio em evento científico
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Aluna do projeto apresentando o trabalho sobre o Aluno do projeto apresentando o trabalho sobre o estudo do Sol para o Público participante
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estudo de Buracos Negros a comissão avaliadora.
Como atividades desenvolvidas pelo projeto foi feita uma preparação dos alunos nas atividades práticas da OBA. Em seguida foram feitas observações do Céu direta e a observação do Sol com filtro específico. Cada aluno participante do projeto desenvolve um tema de pesquisa sendo, os temas investigados, (sistema solar, nebulosas e aglomerados, constelações, meteoritos, galáxias, buracos negros, o Universo, a Lua, o Sol, Plutão, as Estrelas, o clima da região e a investigação das questões aplicadas na prova da OBA.
Os alunos fizeram atividades práticas como a participação na MOBFOG e 1 na OBA 2 apresentando resultados promissores. Os resultados mostram a necessidade da demanda social em se trabalhar com o tema. Foram feitas 4 ações com o público, sendo três palestras e uma atividade de lançamento de foguetes.
Diante dessas ações um conjunto de pessoas da cidade e do IFPR fudaram o grupo de astronomia amador de Capanema - GAAC - Ronaldo Rogério de Freitas Mourão que pretende auxiliar nas ações do projeto nos próximos meses Houve também o interesse de uma microempresária que atua na área de artes da cidade que apaixonada pelo tema propôs a parceria para a criação de materiais que permitam o acesso dos conteúdos aos estudantes e a toda população, réplicas de foguetes em escala estão em construção e serão entregues em março de 2017.
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## Considerações finais
O processo de construção está em andamento e pretende-se estender as ações para as escolas públicas da cidade e região fato que será conduzido nos próximos meses com eventos que ocorrerão no IFPR - Capanema, com a articulação do projeto com a secretaria da educação do município.
Além disso, os coordenadores do projeto estão em contato com as escolas para permitir a formação e a capacitação dos professores sobre o tema e a aplicação e a participação dos alunos das escolas na olimpíadas escolares, tal processo requer tempo para execução em razão das peculiaridades de cada escola.
Ações desta natureza atendem os pressupostos da extensão e corroboram com as afirmações de Langhi e Nardi, (2009) sobre a popularização da ciência. Como ultima ação em 2016 o IFPR através do projeto de extensão e do grupo amador de astronomia participará da Semana Mundial do Espaço que promoverá uma observação do céu noturno na praça da Cidade.
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília: Ministério da Educação, 1999. 364 p.
BOCZKO, R.; LEISTER, N. V. As fases da lua e o mês. In: FRIAÇA, A. C. S. et. al. (Orgs.) Astronomia: uma visão geral do universo . São Paulo: EDUSP, 2003.
BUCCIARELLI, Pablo. Recursos didáticos de Astronomia para o ensino médio e fundamental . São Paulo, 2001. 57 f. Monografia (Licenciatura em Física)- Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
DIAS, Cláudio André C., SANTA RITA, Josué R. Inserção da astronomia como disciplina curricular do ensino médio, Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia RELEA , n. 6, p. 55-65, 2008
LANGHI, Rodolfo, NARDI Roberto, Ensino de astronomia: erros conceituais mais comuns presentes em livros didáticos de ciências, Cad. Bras. Ens. Fís ., v. 24, n. 1: p. 87-111, abr. 2007
LANGHI, Rodolfo, NARDI Roberto, Astronomy education in Brazil: formal, informal, nonformal education, and scientific popularization, Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 31, n. 4, 4402, 2009.
LEITE, Cristina. Os professores de ciências e suas formas de pensar Astronomia. São Paulo, 2002. 160 f. Dissertação (Mestrado em Educação, Instituto de Física e Faculdade de Educação)-Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
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