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A CONCEPÇÃO DOS ALUNOS DE LICENCIATURA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS SOBRE O CONCEITO DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA

Rafaela F. M. De Oliveira, Carolina R. De Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

1

## A CONCEPÇÃO DOS ALUNOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS SOBRE O CONCEITO DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA

## Rafaela F. M. de Oliveira , Carolina R. de Souza 1 2

1 Universidade de São Paulo - Programa de Pós de Graduação Interunidades - Ensino de Ciências rafaelafelixmunhoz@usp.br

2 Universidade Federal de São Carlos - Departamento de Metodologia do Ensino carolinasouza@ufscar.br

## Resumo

Este trabalho teve como objetivo conhecer as concepções sobre a Educação Tecnológica dos alunos do curso de Licenciatura em Física pela Universidade Federal de São Carlos, num momento em que essa discussão encontra-se em evidência no cenário educacional. Com base em referenciais teóricos que tratam da temática, encontrou-se uma discussão que relaciona educação tecnológica a algo maior que a simples utilização de equipamentos em sala de aula. No entanto, esta concepção utilitarista da tecnologia na educação é bastante comum. O estudo foi construído com base em uma revisão bibliográfica sobre trabalhos que discutem e analisam concepções sobre tecnologia e educação tecnológica. Através de entrevistas semiestruturadas, foram coletadas as concepções dos alunos do curso de Licenciatura em Física diurno e noturno. Foi interessante notar que surgiu uma nova concepção que nos revelou uma possível preocupação com a formação de um sujeito mais crítico e humano e que entenda a sua capacidade de criar e usar a tecnologia de maneira reflexiva, compreendendo assim suas implicações

Palavras-chave : Educação Tecnológica; Formação de Professores, Ensino de Física

## Introdução

Do professor recém formado, espera-se um profissional que esteja disponível para colocar em prática as diferentes perspectivas de ensino aprendidas no curso de formação inicial. Entretanto, observa-se que, em pouco tempo, este professor acaba pautando sua prática no ensino tradicional. Mas, se, ao longo do curso de licenciatura, concordamos que a física como é apresentada no ensino médio hoje não supre a necessidade de formação e preparação dos indivíduos para a vida, apoiar a prática no ensino tradicional, com aulas meramente expositivas, torna-se paradoxal. Entender o que acontece no processo de passagem de aluno de graduação para professor é um desafio. É verdade que muitos professores enfrentam condições precárias de trabalho, mas a mudança de estratégia em sala de aula ou escolhas de didáticas diferentes são esperadas deste recém-formado, além de uma prática mais atual, que vá ao encontro das teorias aprendidas ao longo do curso de licenciatura.

Neste cenário, refletir sobre as inovações nas propostas de ensino atuais e o envolvimento dos licenciandos com estas novas propostas se faz necessário para tentarmos compreender como se dá a dinâmica entre a formação inicial e a atuação

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23 a 27 de janeiro de 2017

em sala de aula. Considerando essa necessidade, propomos aqui o estudo das concepções dos alunos formandos no curso de licenciatura em física pela UFSCar frente à proposta de Educação Tecnológica, que embora muito discutida atualmente, é motivo de dúvidas e contradições em relação à sua prática.

Para o presente estudo, foi feito um levantamento teórico sobre os conceitos de Tecnologia e como eles se relacionariam com o ensino. Posteriormente a esta etapa, foi feita a análise das respostas dos alunos do Curso de Licenciatura diurno e noturno sobre suas concepções de Educação Tecnológica.

## Referencial teórico

Apresentamos algumas concepções de tecnologia que nortearam a análise das falas dos nossos entrevistados. Iniciando por Martins (2003), este autor nos diz que algumas das principais concepções sobre tecnologia defendidas consideram: tecnologia 'redutível à ciência' ou a 'ciência redutível à tecnologia', ou ainda, a 'ciência e a tecnologia como a mesma coisa'. Estas concepções representam o estereótipo mais comum. A primeira concepção atribui à tecnologia o valor de uma ciência aplicada, cujos princípios e os conceitos derivariam dos princípios, leis e conceitos científicos, conferindo ao desenvolvimento tecnológico uma posição de subalternidade em relação às investigações científicas. Essa visão remonta a designações ainda frequentes no mundo acadêmico de 'ciência pura' e em muitas estratégias de livros didáticos, que após a discussão de determinado conteúdo, com conceitos e teorias, apresentam os chamados 'exemplos de aplicação'. Nascimento e Linsingen (2006) argumentam que essa concepção clássica da relação entre Ciência e Tecnologia, emergida do mundo acadêmico, encontra sustentação no argumento de que elas são essencialmente neutras.

Outra visão corrente é interpretar a tecnologia como um conjunto de Técnicas (Rodrigues, 1999). Muitas pessoas ainda associariam as tecnologias com coisas complicadas que precisem de manual (Custer, 1995), como exemplo, computadores e celulares. Essas associações do termo tecnologia a artefatos sofisticados, aparentemente desenvolvidos com o objetivo de promover a qualidade das condições de vida, decorre do mito da máquina e da doutrina do progresso eterno (Acevedo Dias, 2002). Desta forma, a grande confusão que aparece nessas concepções é acreditar que a produção tecnológica consiste apenas nos equipamentos gerados para melhoria da vida das pessoas. A tecnologia, apesar de estar presente nos objetos que nos cercam, não restringe seu significado a estes objetos. Ela não é um produto. A tecnologia é um conhecimento que está por trás dos objetos (Grispun, 1999), nasce em função das demandas sociais e, como consequência, modifica hábitos e valores.

Por essa dimensão de importância, a tecnologia ganhou o status de educação em oposição à mera instrução de como funcionam as coisas, com o intuito de permitir que cada indivíduo desenvolva as capacidades necessárias para compreender de maneira crítica os impactos sociais originados pela tecnologia. Se na visão tradicional a tecnologia melhora a vida humana, não é pensado que ela é criada na trama das relações sociais, que podem ser desiguais e ter interesses distintos.

Nesse contexto, a educação tecnológica pode ser pensada como a formação de um sujeito mais crítico e humano, que entenda a sua capacidade transformadora e a sua relação com o outro. Uma pessoa capaz de criar e usar a

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tecnologia, mas que exerça a reflexão para compreender suas implicações e transformações. Para esse objetivo é necessário a compreensão da relação da tecnologia, ciência e sociedade bem como das contradições nas relações entre o progresso científico/tecnológico e econômico/social.

Nesse sentido, Cajás apud Ricardo (2006) propõe a reflexão sobre a transposição do conhecimento científico para o conhecimento escolar. O autor afirma que a incorporação dos saberes científicos aos sistemas educativos tem sido feita de maneira pouco orientada, por vezes, ficando a cargo dos livros didáticos, que nem sempre abordam os conhecimentos relevantes para a sociedade. Como solução, Auler (2001) propõe que a alfabetização científica/tecnológica deva ser ampliada, buscando a compreensão das interações da ciência, tecnologia e sociedade, de forma que associada ao ensino dos conceitos ocorra a problematização das construções históricas vinculadas à suposta neutralidade da ciência e da tecnologia. O estudo das ciências, tecnologias, suas relações e consequências sociais não é uma metodologia e nem uma proposta curricular de educação. Não deve ser tampouco reduzido a uma maneira de ordenar os conteúdos, embora também o seja. Nesse enfoque, os conteúdos deixam de ter importância em si mesmos e passam a ser percebidos em meio a problemas de relevância social.

Essa nova perspectiva educacional deve ir muito além dos objetivos centrados nos conteúdos e processos marcados pelas epistemologias internalistas. Santos (2005) atenta para o fato de que, no âmbito da proposta aqui colocada, o professor deve convidar o aluno à reflexão sobre seus métodos de pensamento, fomentar a elaboração de questões, planificar as estratégias e verbalizar as dificuldades e soluções. No entanto, a visão dos professores sobre o que venha a ser, ou qual o objetivo da educação tecnológica, repercute diretamente na prática diária. Os professores, preocupados em cumprir o currículo escolar numa concepção do ensino da tecnologia focado na transmissão de fórmulas e conceitos, somado ao foco em conteúdos fragmentados e transmitidos numa abordagem tradicional, muitas vezes quantitativa, dificultam o ensino tecnológico relacionado às questões sociais, econômicas e científicas.

Para inúmeros docentes, a Física, a Química, a Biologia e a Matemática lidam com questões mais específicas, que estão fora da problemática que a Educação Tecnológica propõe, e, com esse tipo de pensamento, continuam a trabalhar uma pedagogia cujos conhecimentos são abstratos, fragmentados e incapazes de dar conta dos aspectos sociais em toda sua complexidade.

Uma análise, trazida por Fourez (1999), propõe que a ideologia dominante dos professores é de que as tecnologias sejam aplicações das ciências. E se são assim apresentadas aos alunos, estes tendem a inferir que uma vez compreendidas as ciências, as tecnologias serão automaticamente compreendidas.

## Análise dos dados

Se desejamos que a educação tecnológica ocupe um lugar mais relevante no ensino, devemos pensar a sua relação com a formação docente. Pautada sob a ótica dos autores estudados anteriormente, segue-se a apresentação de algumas concepções presentes no grupo estudado. A primeira a ser apresentada é a concepção de que a Educação Tecnológica é a utilização de aparatos tecnológicos que supostamente facilitariam o processo de ensino e aprendizagem. Algumas

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respostas deixam isso evidente. O entrevistado E-1 diz que a Educação Tecnológica é 'o uso de instrumentos virtuais dentro de sala de aula que podem, de alguma maneira facilitar o aprendizado do aluno'. Acrescentando a esta ideia, temos a fala de E-2:

Em minha opinião a Educação Tecnológica seria o uso de meios tecnológicos, como computadores, simulações, vídeos para gerar/construir os conceitos de ciência/física. (E-2)

Para alguns entrevistados, ensinar tecnologicamente significa ensinar utilizando aparatos, como evidenciado nas falas abaixo:

Entendo como a utilização de recursos audiovisuais como vídeos e simulações de problemas físicos para a maior compreensão dos conceitos apresentados. (E-6)

Seria uma abordagem que usaria materiais diferentes em sala (filmes, montagem de projetos, computadores…) para pensar em conceitos físicos, ou trazer exemplos de tecnologias conhecidas ou não muito que ajudem a visualizar o que foi previamente visto.(E-7)

É evidente a relação que se faz entre o Ensino Tecnológico e o uso de equipamentos como mediadores no ensino dos conteúdos da disciplina, mas sem torná-los referência dos saberes escolares. A utilização dos recursos não implica no conhecimento técnico-científico por trás deles. As práticas e conteúdos de ensino não mudam, há apenas uma reorientação pedagógica. Esses meios são utilizados para atrair os alunos, mas não significam mudanças na prática.

Em uma fala surgiu uma relação entre os conteúdos disciplinares e os instrumentos, mas reduzindo a Educação Tecnológica à utilização de aparatos como exemplificação ou motivação:

É uma proposta no qual o professor possa planejar uma maneira de facilitar o processo de aprendizagem, utilizando equipamentos e recurso os quais os jovens estão familiarizados. (E-5)

Existe um consenso de que as tecnologias estão muito difundidas entre os alunos, com o uso de celulares, computadores, internet etc, e ensinar a dominar essas tecnologias pode tornar o processo de ensino e aprendizagem mais efetivo. Isso enquadra-se no que Ricardo (2006) apontou como uma visão simplista, que se justifica numa função tradicional da escola de prover os alunos de capacidades de relacionar-se com o mundo que os cerca, e, como a tecnologia se faz presente no dia a dia de todos, surge o desejo de se utilizar dessas tecnologias.

Notamos ainda que não ocorreu em nenhuma das falas o interesse em utilizar tais aparatos como fonte de discussão sobre a tecnologia: seus princípios, conceitos e relações sociais. Nota-se um desejo de sair das aulas tradicionais, mas os entrevistados não questionaram a pertinência dos conteúdos, eles apenas

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citaram tentativas de transmitir os mesmos conteúdos através de novas ferramentas.

Algumas concepções presentes nas entrevistas indicam que no grupo estudado existe a ideia de Educação Tecnológica como exemplificação dos conteúdos ensinados, tal como aparece na fala 'seria educar focando em como você vai aplicar aquele conhecimento que está sendo estudado' (E-12), ou ainda, 'Educação tecnológica é o ensino de ciência voltado para sua aplicação nas Tecnologias' (E-13).

Fica implícito que tais concepções nascem de uma relação de subordinação entre tecnologia e a ciência. O que implica conceber a Educação Tecnológica como a aplicação dos conceitos, leis e fórmulas aprendidos em aulas de física e somente. Essa subordinação fica mais evidente quando analisamos a definição que estes entrevistados deram para Tecnologia, em que prevalece o discurso que tecnologia seja algo criado para avançar nas pesquisas científicas, ou ainda, como aplicação da ciência. Nas falas acima, fica evidente a relação que se faz de que a ciência precede a tecnologia, por isso, primeiro deve-se ensinar o conteúdo teórico para depois a Educação Tecnológica assumir o caráter prático, finalizando o processo de ensino de um determinado conteúdo. Já nas falas que seguem, podemos verificar expressões que remetem ao Ensino Tecnológico o ensinar a usar, ou ensinar a lidar, com as tecnologias, mas sem remeter este ensino ao posicionamento crítico e reflexivo. Como exemplo, E-16 diz que a Educação Tecnológica é '...ensinar os usos e conceitos da tecnologia' ou 'processo de aprendizagem que habilite a lidar com os meios tecnológicos.' (E-18).

Abaixo, os entrevistados deixaram evidente que o Ensino Tecnológico continua vinculado à ideia de que tecnologia é uma aplicação da ciência:

A introdução dos conceitos e habilidades para o uso das tecnologias (…) Um momento onde os alunos fariam a ligação entre a ciência que entendem por física com as Tecnologias necessárias para realizá-la.(E-14)

A ciência e a tecnologia são inerentes a tal ponto que a evolução de uma inevitavelmente leva a evolução da outra, assim, o Ensino de Física (parte teórica) e da Tecnologia (parte prática) devem ser administrado conjuntamente.(E-21)

Historicamente, não é verdadeiro afirmar que tecnologia seja somente uma aplicação da Ciência. Tomemos o martelo como exemplo: sua construção não foi precedida de uma ciência, ele foi concebido como fruto de uma necessidade. Assim procedendo, as aulas transmitiriam uma noção de tecnologia como finalizadora do processo científico, sem considerar o processo histórico-cultural-social envolvido na trama do seu desenvolvimento.

Em alguns discursos, surgem referências aos saberes que tem sua origem nas tecnologias. Nos chama a atenção que a palavra 'sociedade' apareça, sugerindo que a tecnologia e a sociedade estariam associadas. Isso também ocorre na fala 'é o processo de instrução dos seres humanos sobre tecnologia'. Ou ainda,

No contexto do Ensino Médio, entendo que o ensino de física e tecnologia estão entrelaçados. Entendo que este estágio da educação não deva ser

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instrução e sim uma familiarização com ideias, técnicas e processos tecnológicos a fim de desmistificar a relação entre sociedade e tecnologia. (E-24)

Apresentando de onde surgiu, quais foram os avanços obtidos, as vantagens, desvantagens, melhorias, como viveram os grandes contribuintes para esse avanço, como seria o mundo se não houvesse tecnologia.(E-23)

Entendo como uma educação voltada para o entendimento do que é tecnologia, e pelo uso (ou incorporação) deste conceito à aprendizagem. Pode até ser de um produto final que tenha utilidade prática, mas não deve resumir-se a isto. Deve ser mais abrangente, desde coisas muito simples até que a relação ciência, tecnologia, sociedade e meio ambiente faça sentido para o aluno. (E-22)

A fala de E-22 revela um pouco mais de intimidade com esse saber e utiliza termos que remetem à abordagem CTS, que vão ao encontro do que Auler (2001) propõe sobre uma educação tecnológica. Uma análise possível permite concluir que estes alunos tiveram contato com alguma discussão referente ao tema, seja em aulas, seja em artigos.

Também surgiu a ideia de que a Educação Tecnológica tenha por finalidade formar sujeitos conscientes e de que o Ensino de Física também teria um papel formador que vai além dos conteúdos abordados de maneira sistemática.

Entendo como ensinar as pessoas a fazerem bom uso e um descarte consciente das tecnologias. Hoje se fala muito em trocas de celular, porém não destina-se o velho a locais apropriados. (E-20)

A fala de E-19 nos revela que a tecnologia implicaria em melhoria da qualidade de vida: 'educação voltada para a conscientização do potencial que a tecnologia demonstra para a melhoria na qualidade de vida'.

- O que não é necessariamente verdade, pois existem implicações econômicas, sociais e culturais que permeiam a Tecnologia. No entanto, este mesmo entrevistado nos diz que:

Formação de conceitos e habilidades que garantam ao aluno a liberdade e capacidade de construir hipóteses e opiniões plausíveis com base no conhecimento acumulado. (E-19).

Nesta fala surge um esboço de convite aos alunos para a reflexão (Santos, 2005), mas não é apresentada nenhuma ideia de como os conteúdos devem ser abordados ou como este processo deve ser feito.

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## Conclusões

Ser professor é encarar constantemente novas estratégias e práticas com a finalidade de alcançar o objetivo social máximo da escola. Neste sentido, a reflexão, a autoavaliação e as reorientações devem ser uma constante na vida do profissional professor.

Quando executamos o processo reflexivo, tornamo-nos sujeitos da ação, colocando-nos como ator principal da complexa trama que envolve a escola. Mas, quando não há esse processo, acabamos por adotar os conteúdos escolares sem questionamento e afastar qualquer intenção de aproximação de novas práticas.

Nesse sentido, coube aqui verificar como os futuros professores estão preparados frente a proposta de Educação Tecnológica. E, com base nessa pesquisa, pudemos verificar que os alunos possuem um conjunto de concepções conhecidas como senso comum. Apesar de haver uma concepção mais próxima à proposta de Educação Tecnológica, ela esta presente em um grupo muito pequeno se considerarmos o total de alunos entrevistados.

A primeira concepção relaciona a Educação Tecnológica com ferramentas de ensino. Tais ferramentas funcionariam de maneira a facilitar o processo de ensino ou tornar este ensino mais sedutor, mas as práticas educacionais se mantém: os conteúdos não são questionados e o ensino ainda assume a forma tradicional. A segunda concepção atribui à Educação Tecnológica o status de aplicação dos conteúdos da ciência. Não seria uma concepção de todo equivocada (Ricardo, 2006), pois é difícil hoje separar com nitidez os avanços científicos dos tecnológicos, no entanto, caberia o questionamento do que se espera atingir com a adoção da tecnologia como objeto de ensino. Já alguns entrevistados apresentaram uma concepção que esboçaria uma relação mais íntima com a Educação Tecnológica encontrada na literatura, com o objetivo de formar um cidadão mais crítico e consciente.

Vale concluir que, apesar de amplamente discutida em muitos trabalhos, a concepção de Educação Tecnológica não está clara para a maioria dos entrevistados e mesmo a compreensão do que seja tecnologia é limitada. Atribuir à tecnologia um papel secundário em relação à ciência, ou atribuir importância ao ensino de ciência na escola baseando-se nas pesquisas científicas e nos consequentes avanços tecnológicos que essas pesquisas possam trazer (Ricardo, 2006) são visões recorrentes academicistas. Assim, as concepções que surgiram das falas dos entrevistados podem ser uma consequência do curso de Licenciatura em Física pela Universidade Federal de São Carlos estar atrelado ao curso de Bacharelado em Física.

## Referências

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