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AS INSEGURANÇAS DOS PROFESSORES EM FORMAÇÃO INICIAL: A CONSTRUÇÃO DO DIÁLOGO COM ALUNOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA EM QUESTÕES SOCIOCIENTÍFICAS

Claudinei José Martini, Nataly Carvalho Lopes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AS INSEGURANÇAS DOS PROFESSORES EM FORMAÇÃO INICIAL: A CONSTRUÇÃO DO DIÁLOGO COM ALUNOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA EM QUESTÕES SOCIOCIENTÍFICAS

Claudinei José Martini , Nataly Carvalho Lopes 1 2

## Resumo

O presente trabalho discute um problema de formação de professores junto a um grupo do PIBID na área de ensino de ciências na vivência de sua prática no início de sua carreira docente a partir da observação de situações ocorridas dentro de uma sala de aula. Portanto, este trabalho tem por objetivo principal analisar como essa transição aluno professor iniciante possa se converter de uma visão desafiadora e limitada para uma visão de oportunidades e aprendizado com a inserção de questões sociocientíficas. Para isso, foi abordado na discussão teórica a importância do planejamento e organização da mediação pedagógica no diálogo em sala de aula, para a aprendizagem e o desenvolvimento profissional deste professor, frente as suas inseguranças durante o transcorrer da construção de sua identidade docente. Neste sentido, como resultado foi apresentada uma análise de conteúdo dos diálogos realizados em sala de aula e discutido à luz da teoria de Bardin (1977) na qual as possibilidades de interpretação vão além dos significados, da leitura simples do real possibilitando a leitura da linguagem oculta presente no material analisado. Considera-se finalmente que metodologias com outra abordagem devam nortear os professores em sala de aula promovendo a problematização, organização do conhecimento e aplicação do conhecimento, permitindo que os estudantes pensem sobre ciência e tenham um raciocínio crítico sobre ela.

Palavras-chave : PIBID, Formação de Professores, Questões Sociocientíficas, Ensino de Ciências.

## Introdução

Como professor de física em formação inicial e participante do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID, âmbito no qual este trabalho foi realizado, é apresentado um problema que precisa ser discutido a partir da observação em sala de aula com outros professores também em formação junto à um grupo do PIBID na vivência de sua prática no início de sua carreira docente, caracterizado 'como um momento único e de transição na vida dos professores iniciantes' (PIZZO, 2004, p. 15), como também uma sequência dita 'de exploração' e 'de estabilização', que supostamente se verificam no início de carreira' (HUBERMAN, 1992, p. 37). Sob esta perspectiva, a constituição do grupo formado por alunos de licenciatura em Biologia, Física e Química traz para diante da sala de aula um olhar ainda de um aluno observador das práticas docentes e de situações que ocorrem na escola, de modo, que a insegurança destes jovens professores ao

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23 a 27 de janeiro de 2017

assumir uma turma de alunos se aflora tornando-se um momento de apreensão e reconhecimento do ambiente ao qual ele acaba de ingressar, agora como professor.

Diante desta situação, a insegurança no diálogo com os alunos a partir da discussão de questões sociocientíficas em sala de aula torna-se um obstáculo para a mediação de temas propostos perante as temáticas - 'Conceitos Éticos e Morais da Ciência e Tecnologia'. Tal tônica foi concebida e consolidada com o planejamento de uma investigação temática preliminar, pesquisando a obtenção dos temas para serem trabalhados em sala de aula junto aos alunos a partir de questionamentos realizados por meio de entrevistas dirigidas aos próprios alunos, bem como a equipe gestora, aos professores, funcionários e comunidade do entorno da escola, com o objetivo de originar uma situação de estudo.

Ao término do processo de entrevistas, o grupo efetivou as transcrições das entrevistas e a partir disto, realizou-se a análise e a reflexão das respostas dos participantes e a situação de estudo definida com o tema: 'Conceitos Éticos e Morais da Ciência e Tecnologia'. Assim, esta pesquisa se orienta questionando sobre quais elementos caracterizam a insegurança de professores de física/ciências iniciantes em sala de aula para produzir um diálogo por meio da inserção de questões sócio científicas no ensino da Física?

Portanto, este trabalho tem por objetivo principal: 'Analisar como essa transição aluno - professor iniciante se converta de uma visão desafiadora e limitada para uma visão de oportunidades de aprendizado e crescimento pessoal e profissional com a inserção de questões sociocientíficas'.

Dessa maneira, ainda temos o interesse de investigar os motivos que conduzem os alunos ao desconforto de encarar uma sala de aula pela primeira vez, verificando de que maneira a insegurança em interagir com os alunos pode ser minimizada e como a educação dialógica pode contribuir ou não para a reflexão conjunta de alunos-professores e estudantes na escola.

## Discussão Teórica

Promover uma metodologia na qual o aluno construa seu conhecimento por meio da pesquisa, do planejamento e da ação é condição principal para o desenvolvimento de atividades na Educação Básica. O planejamento e a organização de uma aula não são algo simples, requerem tempo e disposição de todos para o êxito em estimular o aluno a construir seu conhecimento por meio da sua realidade e do seu cotidiano, partindo do pressuposto de que as pessoas possuem uma autonomia e dessa forma, podem exercer sua cidadania a partir de uma reflexão. Sob este aspecto, Ricardo (2010) justifica:

[...] mediar à relação entre eles e os saberes escolares que se pretende ensinar. Dito de outro modo: ampliar o espaço de diálogo entre professor saber a ensinar - e alunos. Um dos requisitos para isso consiste em transformar didaticamente o que foi um problema da Ciência em um problema para os alunos (RICARDO, 2010, p. 31).

No entanto, o início do desenvolvimento profissional do professor nem sempre conduz ao aspecto mencionado, pois sua formação pode ocorrer de diversos modos, pois não é um processo linear e fechado, mas sim, constituído por 'um processo e não uma série de acontecimentos. Para alguns, este processo pode parecer linear, mas, para outros, há patamares, regressões, becos sem saída, momentos de arranque, descontinuidades' (HUBERMAN, 1992, p. 38).

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Sendo a docência uma profissão que está diretamente ligado ao contato humano, por meio do diálogo, é imprescindível que este professor esteja bem formado para que se procure amenizar o desconforto, o medo e a insegurança de encarar uma sala de aula pela primeira vez.

No seu primeiro ano de docência, os professores são estrangeiros num mundo estranho, um mundo que lhes é simultaneamente conhecido e desconhecido. Ainda que tenham passado milhares de horas nas escolas a ver professores e implicados nos processos escolares, os professores principiantes não estão familiarizados com a situação específica que começam a ensinar (JOHNSTON; RIAN, 1983 apud MARCELO GARCIA, 1999, p. 114).

Essa fase de exploração da carreira marca as experiências tidas na base da tentativa, do 'ensaio' e 'erro', que mais tarde darão segurança ao professor, e 'é neste momento que os saberes da história de vida e os saberes do trabalho construídos nos primeiros anos da prática profissional ganham seu sentido, pois formam o alicerce no qual se assentam os fundamentos da personalidade do professor' (CORSI, 2002, p. 145).

Em compensação, a motivação que se encontra no início da vida profissional do professor, marcadas pela descoberta e pela sobrevivência ao mesmo tempo é colocada por Huberman (1992, p. 39) como 'o entusiasmo inicial, a experimentação, a exaltação por estar, finalmente, em situação de responsabilidade (ter a sua sala de aula, os seus alunos, o seu programa), por se sentir colega num determinado corpo profissional'.

Ou seja, a busca por uma identidade como professor não é algo imediato, mas sim construído ao longo de um período, conforme Pimenta e Lima (1999):

[...] a partir da significação social da profissão; da revisão constante dos significados sociais da profissão; da revisão das tradições. Mas também da reafirmação das práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas. Práticas que resistem a inovações porque prenhes de saberes válidos às necessidades da realidade. Do confronto entre as teorias e as práticas, da análise sistemática das práticas à luz das teorias existentes, da construção de novas teorias (PIMENTA; LIMA, 1999. p. 19).

Assim, a identidade profissional deve adaptar-se ao contexto social, político e histórico, num processo crítico-reflexivo de sua prática, conferindo a essa identidade a capacidade de constante reconstrução e ressignificação num movimento de ação-reflexão, reflexão-ação.

Essa junção de identidades propõe que o professor seja alguém que subsidie o aluno no processo de construção do saber, organizando-o de forma que o aluno tenha acesso a ele. Mais que transmitir conteúdo das disciplinas programadas, é necessário ensinar os alunos a serem cidadãos, mostrar a eles seus deveres e direitos. O professor deve trabalhar valores para formar pessoas que saibam a importância de respeitar, ouvir, ajudar e amar o próximo. Paulo Freire (1996, p. 106) diz: 'Me movo como educador, porque primeiro me movo como gente'.

Desta forma, o professor mediador ajuda seus alunos a desenvolver as competências do pensar à medida que propõe problemas, dialoga, ouvindo-os, ensinando-os a argumentar, abrindo espaço para que expressem seus pensamentos, sentimentos, desejos, de modo que tragam para a aula sua realidade vivida. O importante não é transmitir conteúdos específicos, mas despertar uma nova forma de relação com a experiência vivida valorizando o saber popular, através

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de uma metodologia conscientizadora através da investigação, para que o homem se liberte do conteúdo pronto e acabado e se torne um sujeito ativo do processo de busca do conhecimento, auxiliado por grupos que anteriormente procuraram conhecer as suas realidades cotidianas, para compartilharem os saberes nas salas de aula.

## Barreira (2006) afirma que:

[...] para que uma aprendizagem ocorra, ela deve ser significativa, o que exige que seja vista como a compreensão de significados, relacionando-se às experiências anteriores e vivências pessoais dos aprendizes, permitindo a formulação de problemas desafiantes que incentivem o aprender mais, o estabelecimento de diferentes tipos de relações entre fatos, objetos, acontecimentos, noções e conceitos, desencadeando modificações de comportamentos e contribuindo para a utilização do que é aprendido em diferentes situações (BARREIRA, 2006, p. 8).

Portanto, o exercitar a prática em sala de aula, seja através de estágios, programas institucionais e outros podem contribuir para que o aprendiz-professor durante sua formação desenvolva-se articulando diversas situações de aprendizagem, entre elas as questões sociocientificas, gerando resultados com discussões nas quais 'estão implícitos/explícitos também os valores das pessoas e isso é um aspecto fundamental para a educação de maneira geral' (GUIMARÃES, 2011, p. 25). Se um dos objetivos do ensino de ciências na educação básica é permitir que os estudantes pensem sobre a ciência e tenham um raciocínio crítico sobre ela, é essencial que os professores sejam preparados para isso e que a mediação seja um fator importante para a argumentação em sala de aula.

Sendo assim, as questões sociocientíficas desenvolvidas no grupo se orientam para um repensar do ensino tradicional, apontando para um modelo de formação inicial que privilegie o professor reflexivo, 'investigador da sala de aula', que aprende com suas próprias situações 'a partir da análise e interpretação de sua própria atividade por meio do conhecimento na ação, reflexão na ação e reflexão sobre a reflexão na ação' (ALMEIDA, 1999, p.11).

## Metodologia

- O trabalho que realizamos foi orientado de acordo com os três momentos pedagógicos de Delizoicov (2002): Problematização; Organização do Conhecimento e Aplicação do Conhecimento, cada qual com sua função específica e distintas entre si. Nesta perspectiva, a proposta educacional desenvolvida está atenta para as questões sociocientíficas atuais no domínio das relações entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente (movimento CTSA) na educação em ciências. O objetivo foi desenvolver pesquisas no estudo de temas científicos e tecnológicos potencialmente problemáticos.

Para fins deste trabalho, empregamos como metodologia de interpretação dos dados a teoria de análise de conteúdo de Bardin (1977), transcritas dos diálogos produzidos na relação disciplinar.

## Resultados e Discussão

- O cenário apresentado para a constituição dos diálogos entre alunos e professores em formação inicial ocorreu em uma sala de aula do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Profª Maria Rosa Nucci Pacífico Homem e contou

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com a participação de 5 bolsistas do PIBID e a professora da sala que orientou o grupo. Neste momento, os temas que seriam trabalhados com os alunos já estavam definidos, sendo assim, realizou-se uma dinâmica de grupo com os estudantes, divididos em grupos de oito pessoas, na qual, escolheram livremente um dos três eixos temáticos a serem desenvolvidos: Homens Criando Humanos; Alimentação e Saúde; Bélicos, objetivando a contextualização sobre: ética, moral, ciência e tecnologia.

Assim, os diálogos produzidos neste momento pontual é que constituem os dados desta pesquisa perante uma série de outras atividades que se desenvolveram no período de fevereiro a dezembro de 2015. Os recursos utilizados para a coleta dos dados foram concretizados por meio de gravações de áudio e vídeo, bem como, registros de observações obtidos nas anotações de campo. As transcrições a seguir constituem o grupo, identificados nas falas por: 'PIBID 1,2,3,4 e 5' e da professora orientadora, identificada por 'PROFESSORA'.

PIBID 1 'Bom a gente vai começar uma atividade com vocês, primeiro a gente vai anotar três, três coisas na lousa que serão grupos que vocês terão que escolher (barulho) de acordo com o teor da conversa vai ter com vocês, tá, que a gente vai realizar uma atividade depois com vocês durante diversas semanas e a gente vai se especificar no assunto que vocês escolherem aqui mas daí a gente vai conversar com vocês sobre cada assunto que tá dentro desses assuntos maiores (riso) não sei se deu pra entender mas eu anotando aqui (barulho) e ai a gente vai chamar gente aqui na frente pra estourar uma bexiga pra ver qual assunto vai ser falado'.

PROFESSORA -' Ô PIBID 1 deixa eu só fazer um comentário antes hã é que eu não falei para eles o motivo de vocês estarem trabalhando esses assunto com eles acho que é interessante eles saberem porque que eles vão trabalhar isso ... né'.

PIBID 1 'Bom ...'

Neste diálogo entre a professora da sala de aula e o aprendiz, nota-se em um primeiro momento na fala de Pibid 1, durante a explicação sobre a atividade que estava sendo proposta, pouca interação dos alunos da sala, cabendo a professora uma intervenção. Tal fato é justificado pelo desconhecimento prévio dos alunos na introdução do tema. A professora sugere que Pibid 1 explicite melhor o que será trabalhado, o que na resposta surge aparentemente uma insegurança na devolutiva para os alunos, pois a frase não é completada. Isto demonstra que não basta apenas o professor deter o conhecimento e transmiti-lo, mas sim, compreender a situação adaptando-a a realidade dos alunos.

PIBID 2 'Anota, anota os temas primeiro vai, é o seguinte, a gente vai trabalhar é... dentro de três grandes temas que são o que a..., o que a... Pibid 1 vai colocar na lousa e dentro de cada bexiga tem na verdade outros temas que são relacionados com cada um desses por que a gente não consegue falar de tudo sobre, sobre cada um dos temas grandes, então a gente tem vários outros temas é... específicos que é..., pra dar uma ideia pra vocês do que pode ser tá'. 'Aí o que acontece... a gente tirou isso é... da ideia que a gente precisa trabalhar... (vozes ao fundo), primeiro tema já foi primeiro tema, cadê o papelzinho (vozes ao fundo)'. Lembram que no semestre passado a gente fez uma entrevista, uma pesquisa, ou não, pelo menos a gente contou pra vocês que fez uma pesquisa aqui na escola, com o pessoal ao redor... A gente fez uma pesquisa pra saber o que as pessoas acham que tem de problema tanto na escola, quanto ao redor da escola, quanto na cidade, quanto no país, quanto no mundo... E aí dá pra ter uma ideia que foi bem variada as respostas né... Se vocês pensarem sobre cada um dos assuntos é bem variado... Disso a gente percebeu que... Era muito comum as pessoas falarem sobre respeito, sobre... É... Cidadania, sobre as pessoas é... Não entrarem em conflitos... De várias formas as pessoas acabaram falando sobre isso, então a gente resolveu que queria trabalhar isso relativo a ciência, porque a gente faz Química, Física, Biologia na faculdade, então a gente tem que tratar isso pelo lado científico... Beleza? Vocês acompanham isso? Então a ideia é trabalhar isso, trabalhar questões éticas e morais dentro de temas da ciência. Só que pra gente fazer isso a gente não vai chegar aqui e vai ficar falando, falando, falando, falando, falando e vocês só vão escutar ou vocês talvez entendam ou não. Entendeu? A gente quer trazer pra vocês temas que são polêmicos, temas que dá pra todo mundo discutir, porque se a gente só falar a gente

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não vai saber se tá, se vocês tão entendendo, se vocês não estão entendendo, se tá rolando uma dinâmica ou não, tá! Então a ideia é essa, a gente quer trabalhar com ética e moral dentro de temas que são da ciência, mas a gente quer trabalhar com temas polêmicos sobre isso... Beleza?

Na fala de Pibid 2, nota-se uma forma acelerada de pronunciar o que será proposto em sala de aula e sem muita participação dos alunos, ou seja, não se encontrou uma comunicação, mas, uma dificuldade em se estabelecer um diálogo inicial.

PIBID 1 'Vocês se recordam de quando a gente veio aqui falar de ética, moral, ciência, tecnologia, semestre passado a gente veio, demorou um pouco pra voltar (risos), mas a gente voltou então hoje à gente vai trazer alguns assuntos que envolvem isso e que tão dentro desses assuntos maiores... e vamos discutir um pouquinho com vocês, no final da discussão vocês vão escolher qual assunto vocês preferem, que acharem mais fácil pra trabalhar...

PIBID 2 - ' e cada um vai trabalhar com um grupo diferente... beleza?'.

PIBID 1 'Certo? Alguma dúvida?'. (vozes ao fundo)

PIBID 2 'é vaga limitada gente...'.

PIBID 1 'é vaga limitada, no final quem for escolhendo primeiro vai pegando a vaga e se a pessoa demorar muito pra escolher vai ter que escolher o que sobrar... certo?'.

PROFESSORA -' Na verdade o que sobrar é o que vai escolher...'. (vozes ao fundo).

Neste outro trecho pode-se analisar novamente a inferência da professora da sala procurando auxiliar os professores aprendizes, porém os três pressionam os alunos a escolher o tema na tentativa de impor uma condição. Ensinar a pensar exige dos professores o conhecimento de estratégias de ensino e o desenvolvimento de suas próprias competências do pensar. O professor não é apenas aquele que transmite o conhecimento, mas, sobretudo, aquele que subsidia o aluno no processo de construção do saber.

PIBID 3 'embalagens? Na verdade pessoal é... alguém lê o rótulo do produto que consome? Ninguém lê? (Alunos respondendo) ninguém lê? (alunos falando)'.

PROFESSORA 'Ô... Pibid 3 fala pra que o rótulo é aquilo quem vêm grudado...'. (alunos rindo).

PIBID 3 'Mas... (alunos falando), vocês acham assim, por exemplo, que... é... tudo que é colocado pra gente, o que tá lá na gôndola do supermercado... ou que tá na lanchonete... tem cantina aqui na escola?'.

ALUNOS 'Não!'

PIBID 3 'Não? Ou seja, você tá no supermercado, na padaria ou em qualquer lugar e... o que é colocado pra gente no alimento hã... vocês acham que faz bem ou mal pra gente?'.

ALUNOS 'o quê?'.

PIBID 3 'Muitos alimentos... o que deveria fazer bem ou mal?'.

ALUNOS -

'Mal!'.

PIBID 3 'Por exemplo, se a gente consome um... quem gosta de Doritos aì? Pegar o Doritos...'.

PIBID 3 'Então, mas você sabe o que você tá comendo?'.

ALUNOS - 'não sabe'.

PIBID 3 'O que tem no Doritos?'.

ALUNOS - 'Cenoura (várias pessoas falando), corante...'.

PIBID 3 'Corante e o que mais?'.

ALUNOS 'Trigo'

PIBID 3 -'

Trigo...'.

ALUNOS 'Água...'.

PIBID 3 'Água..., queijo... (alunos falando)... Olha, você vê o queijo lá no doritos? (alunos falando) Hã? Quê? (risos) Você vê o queijo lá no alimento? (alunos falando). Tem o sabor de queijo. Corante tem lá? Conservante?'.

ALUNA

- 'Tem'.

PIBID 3 'Conservante não tem?'.

ALUNOS 'Tem (alunos falando)'.

PIBID 3 'Mas você lê a embalagem? (alunos falando) então pessoal é... esse tema que a gente tá discutindo aqui ó que tem a parte de embalagens é... fazer vocês refletirem um pouquinho sobre a importância da gente tá lendo o produto com tempo... Por quê? De repente você pega lá o Nescau, energia que dá gosto, né... (alunos conversando), não é? E às vezes a propaganda, a mídia ela vai...

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faz umas manipulações lá na televisão, principalmente pro público mais jovem, por que veio que nem eu né... não adianta mais tomar Nescau né... mas vocês... eles usam muito o público jovem pra mostrar um marketing que as vezes o cara toma lá um copinho de Nescau lá e nossa o cara fica super homem (alunos falando) o cara vira o rei do skate (alunos falando), então eu só queria alertar vocês, como eu tenho que ser meio rápido, alertar vocês um pouquinho e deixar esse recado pra vocês. Começarem a olhar o rótulo dos alimentos, ler o que tá escrito, ficar atento a conservantes, a gorduras, a gorduras saturadas, ficar atento a... Que você falou ai agora de pouco..., sal, quantidade de sal, sódio né, ficar atento a isso, tudo bem pessoal? Então vou abrir espaço pra outra pessoa. Vocês tem alguma pergunta? (conversa)....'.

Neste outro trecho, observa-se um diálogo entre Pibid 3 e os alunos, na qual busca-se compreender alguns significados relacionados às experiências e vivências anteriores do professor mediador, buscando propor uma problematização na argumentação, abrindo espaço para que os alunos expressem seus pensamentos, sentimentos, desejos, de modo que tragam para a aula sua realidade vivida.

PIBID 4 'Vocês sabem o que é T.I. ou Tecnologia da Informação? T.I. seria a prática que o ser humano criou pra manipular celulares, ou seja, seu celular tem um aplicativo ou é equipado com antivírus, por exemplo... (alunos falando ao mesmo tempo)'.

PIBID 4 - '... então a parte da TI seria a tecnologia da informação pra combater e armazenar todos esses dados da rede, ou seja, pra gente viajar pra outro país, pra gente fazer compra no supermercado, pra gente ter um celular em mãos a gente precisa da tecnologia da informação. Todos esses dados são armazenados em um computador muito potente, digamos assim, então a gente tenta... a gente tem que ter esse lugar pra armazenar todos esses dados. Então por que a gente selecionou em bélicos? A tecnologia foi desenvolvida no período de guerra e aí a gente também vai entrar na questão: Isso é importante? Quanto é importante a gente armazenar coisas pessoais, como por exemplo (alunos conversando)... nosso facebook, instagram , ou qualquer coisa do tipo sendo que outra pessoa possa ver. A ideia da Tecnologia da informação seria é... é necessário a gente ter tanta informação assim jogada na rede? O quanto isso pode ser prejudicial pra nós mesmos'.

Na fala da bolsista observa-se que a mesma procura primeiramente estimular uma maior participação dos alunos com uma pergunta direta ao tema e em seguida uma breve explicação sobre o que será trabalhado. Para tanto, é imprescindível que ela domine não apenas o conteúdo de seu campo específico, mas também a metodologia na missão de organizar o acesso dos alunos ao saber.

PIBID 5 - 'Escolhe gente!'.

PIBID 5 'Gente vamos prestar atenção!!! Obrigada'.

Nesse sentido, de acordo com a fala de Pibid 5, a preocupação no início da carreira designa de três questionamentos que o professor faz a si mesmo: a questão da sua preocupação em se localizar enquanto professor diante dos olhares dos alunos e de situações inesperadas que possam surgir; o domínio da classe e a preocupação em entender algumas posturas e atitudes comportamentais dos alunos como também, se o aluno está aprendendo e, como posso melhorar essa relação de aprendizagem.

Tais desafios indicam uma nova metodologia na formação inicial de professores nos cursos de Licenciaturas embasada na construção de sua identidade profissional, consciente e seguro de sua função, a partir dos contextos sociais e históricos, desde que, universidade e escola se encontrem e promovam um aporte de conhecimentos na formação do professor, para que reflita como o universo da Física pode ser introduzido ao mundo dos alunos a partir de novas ações em sala de aula e estes tenham acesso a uma cultura científica na formação do cidadão crítico.

## Conclusões

Esses argumentos transcritos nas falas apresentadas, configuram-se em atitudes e dificuldades encontradas no contato inicial com os alunos na sala de aula

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e, de um esforço em buscar uma comunicação buscando estabelecer uma relação pedagógica rápida, devido ao entusiasmo inicial encontrada na profissão.

Outro fator analisado foi a busca por uma identidade profissional que apenas está se iniciando, pois não é algo que está próximo, mas que está sendo construído na qual, a inexperiência na profissão pode ser um fator desencadeante desta insegurança na comunicação. Contudo, para que o diálogo ocorra entre as partes, os argumentos construídos a partir da contextualização no desenvolvimento de questões sóciocientíficas deveriam suscitar discussões mais críticas com os alunos e consequentemente subsidiar o professor na sua formação, demonstrando que a ansiedade, o entusiasmo, a busca em se firmar como 'o professor da sala' são elementos que caracterizam essas inseguranças.

## Referências

ALMEIDA, M. I. N. de. O desenvolvimento profissional, formação contínua e sindicato de professores In: \_\_\_\_\_. O sindicato como instância formadora dos professores : novas contribuições ao desenvolvimento profissional. 1999, p.1-30. Tese (Doutorado) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo.

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo . Lisboa: Edições 70, 1977.

BARREIRA, Carmen. Aprendizagem Significativa . Disponível em: <www.ellerni.org/docs/aprendizagem%20significativa.pdf>. Acesso em: 22 fev. 2016.

CORSI, M. Adriana. O início da construção da profissão docente: analisando dificuldades enfrentadas por professores de séries iniciais. Dissertação de Mestrado, São Carlos: UFSCar, 2002.

DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia : Saberes necessários à prática educativa. 30. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GUIMARÃES, Márcio Andrei. Raciocínio informal e a discussão de questões sociocientíficas: o exemplo das células-tronco humanas . 2011. 218 f. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência) Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2011.

HUBERMAN, Michaël. O ciclo de vida profissional dos professores. In: NÓVOA, António (Org.) Vidas de professores. Lisboa: Porto Editora, 1992. p. 31-61.

MARCELO GARCIA, Carlos. Formação de Professores: para uma mudança educativa. Trad. Isabel Narciso. Porto, Portugal: Porto Ed., 1999. (Coleção Ciências da Educação - século XXI).

PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Formação de Professores: identidade e saberes da docência. São Paulo: Cortez, 1999.

PIZZO, Silvia Vilhena. O início da docência e a trajetória profissional segundo a visão de professoras em final de carreira. Dissertação (Mestrado em Educação) Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP, 2004.

RICARDO, Elio Carlos. Problematização e Contextualização no Ensino de Física. In: Anna Maria Pessoa de Carvalho. (Org.). Ensino de Física (Coleção Ideias em Ação). 1ed.São Paulo: Cengage Learning, 2010, v., p. 29-51.

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