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ALGUMAS DIFICULDADES ENFRENTADAS NO PLANEJAMENTO DE UMA AULA DE FÍSICA

Álvaro Luan Moraes Medeiros, Felipe Bandeira Netto, João Amaro Ferreira Neto (Orientador)

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ALGUMAS DIFICULDADES ENFRENTADAS NO PLANEJAMENTO DE UMA AULA DE FÍSICA

## *Álvaro L. M. Medeiros , Felipe Bandeira Netto , João A. Ferreira Neto 1 2 (orientador) 3

1 Universidade Federal do Pará / Bolsista do projeto 'Anime Ciência' vinculado a PROEX/UFPA / alvaro.luan@hotmail.com

2 Universidade Federal do Pará, bolsista PIBID, nettooo.z@hotmail.com

3 Instituto de Educação Matemática e Científica - Universidade Federal do Pará, amargont@yahoo.com.br

## Resumo

Este trabalho relata as dificuldades enfrentadas no planejamento - criação e testagem do material didático, elaboração de uma problematização e contextualização, planejamento da atividade, pensamento em situações de contorno, adequação da atividade no tempo de aula - de uma aula de Física utilizando a metodologia de ensino por investigação, por um grupo de professores estagiários do Clube de Ciências da Universidade Federal do Pará. Esses obstáculos foram percebidos por um professor à medida de seus surgimentos. A atividade de investigação foi elaborada a partir de uma prática da disciplina 'Laboratório Básico 1', do curso de Física, sobre plano inclinado e coeficiente de atrito estático. Entretanto, como não dispomos do equipamento, foram construídos planos inclinados e blocos para deslizamento, com materiais de fácil aquisição. O objetivo da atividade no Clube de Ciências foi a construção do conceito de ângulos e, para tentar isso, foram utilizadas trenas e fitas métricas para que os estudantes verificassem a altura da extremidade móvel do plano inclinado e construíssem uma tabela com os valores. A partir da exposição das dificuldades faz-se uma breve reflexão sobre a importância de vivências docente na formação.

Palavras-chave : Formação docente, Ensino de Física, Aula investigativa.

## Introdução

Com o intuito de evidenciar algumas dificuldades enfrentadas por um grupo de professores estagiários do Clube de Ciências da UFPA no planejamento de uma aula de física com características de investigação científica, serão relatados os processos de construção dos materiais utilizados e de planejamento e de aplicação em sala de aula com estudantes do 6º e 7º Ano. Estes obstáculos enfrentados pelos estagiários, foram percebidos por um integrante da equipe à medida que surgiam, na elaboração das estratégias metodológicas que seriam utilizadas na aula.

- O Clube de Ciências da Universidade Federal do Pará - CCIUFPA oportuniza aos graduandos de todas as licenciaturas uma vivência docente inicial e incentiva-os a refletir sobre uma prática inovadora, problematizada, através do desenvolvimento de projetos de iniciação científica infantojuvenil com a metodologia de ensino de ciências por investigação. Simultaneamente, inicia a vivência científica em crianças e jovens que estejam em idade escolar, principalmente daqueles que

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residem nos arredores do Campus Universitário do Guamá em aulas que acontecem nas manhãs de sábados 1 .

A maioria dessas crianças e jovens são oriundas de escolas públicas e conhecem o CCIUFPA principalmente por meio divulgações feitas, pelos professores estagiários, no começo do ano letivo estadual em escolas dos bairros próximos a Universidade Federal do Pará. As turmas do CCIUFPA são compostas por, no máximo, 25 estudantes, e os Sócios Mirins das turmas do 6º e 7º anos são alocados em uma única turma por motivo de falta de espaço físico disponível para as aulas no sábado. Estes estudantes são chamados de Sócios Mirins quando fazem parte do Clube de Ciências, e são distribuídos em nove turmas de acordo com suas idades, onde cada turma pode ter vinte e cinco alunos no máximo.

Em uma atividade investigativa, os alunos atuam como agentes construtores de seus conhecimentos, não se atendo somente na observação e manipulação, mas também refletindo, questionando, teorizando, testando e relatando com ajuda da mediação de um professor, o que dá a atividade semelhanças de uma investigação científica (AZEVEDO, 2010).

## Metodologia

O planejamento de uma aula, na qual os alunos participam ativamente, requer muito esforço, pois o ensino baseado em ideias construtivistas exige mudanças nas posturas de professores e estudantes (CARVALHO, 2010) e são as dificuldades, na elaboração e execução da aula, que muitas vezes nos levam a ministrar aulas da mesma maneira de nossos antigos professores. Contudo, para discutir sobre tais dificuldades, é importante que um professor viva essa situação para saber em quais momentos do desenvolvimento de seu trabalho exigirá um pouco mais esforço.

A atividade de investigação foi baseada em de uma prática que os discentes do curso de Física fazem na disciplina 'Laboratório Básico 1' com o objetivo de medir o coeficiente de atrito estático de diferentes materiais com ajuda de um plano 2 inclinado. No entanto, o objetivo da atividade proposta no CCIUFPA foi proporcionar, aos sócios mirim, condições para a construção de um conhecimento sobre ângulos e com isso medir o coeficiente de atrito.

Surgiu aqui a primeira dificuldade pois o Clube de Ciências não dispunha deste equipamento. Então foram construídas cinco unidades com materiais de fácil aquisição (madeira de pallet, dobradiças e parafusos) e também dez blocos (com pedaços de madeira de pallet de tamanhos aproximados), onde cinco tiveram suas duas maiores superfícies revestidas com EVA e fita adesiva, cada uma; e os outros cincos, somente uma superfície foi revestida com papel, deixando a outra com madeira. As figuras 01 e 02 mostram os planos inclinados e os blocos de madeira construídos, respectivamente.

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Figura 02: Blocos de madeira com diferentes superfícies. Foto: Álvaro Medeiros.

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Figura 01: Construção dos planos inclinados e blocos de madeira com diferentes superfícies. Foto: Álvaro Medeiros.

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A segunda barreira foi percebida durante a testagem da atividade, quando os estagiários perceberam que o uso de um transferidor para verificar a inclinação do plano, logo no início, poderia implicar em fuga da metodologia de ensino por investigação, pois, a equipe de professores poderia se sentir atraída a explicar aos estudantes o conceito de ângulo. Assim o instrumento de medida inicial foi trocado por uma régua de cinquenta centímetros. Entretanto, verificou-se que a superfície de EVA deslizava quando a extremidade móvel do plano tem uma altura maior do que o tamanho da régua, tendo que usar também trenas e/ou fitas métricas.

O planejamento de como a atividade seria apresentada aos estudantes, foi mais um momento de dificuldade pois 'é importante que uma atividade de investigação faça sentido para o aluno, de modo que ele saiba o porquê de estar investigando o fenômeno que a ele é apresentado, como diz Azevedo (2010, p. 21). Assim a prática foi planejada para começar com uma contextualização do experimento que foi feita, a partir da facilidade com que conseguimos deslizar alguns materiais no piso, pedindo que os sócios mirins (como são chamados os estudantes do CCIUFPA) deslizassem seus sapatos/sandálias no chão da sala, e logo em seguida, que eles repetissem o processo, dessa vez descalços e percebessem a diferença. E, também, sugerindo para aqueles que estavam de sandália, que trocassem por alguns instantes, suas sandálias com as de algum colega e observassem a diferença entre os deslizamentos.

Após as observações feitas pelos sócios mirins, cinco grupos foram formados, dando a autonomia para que às crianças os formassem, pois assim, acreditamos que elas se sentiriam mais à vontade para resolverem as questões que seriam colocadas pelos professores. Então foi entregue para cada equipe, um plano inclinado para que os integrantes pudessem observar e interagir, percebendo o que ele faz, e um bloco com uma face de madeira e outra coberta com papel. Pedimos que eles retomassem a questão da facilidade de deslizamentos, arrastando a face de madeira e a de papel no plano inclinado e tentassem explicar essa diferença.

Posteriormente, os estudantes seriam desafiados a deslizar o bloco de madeira sem puxar ou empurrar o mesmo. Os professores pensaram em duas possibilidades para este momento: na primeira, os integrantes do grupo teriam a ideia de colocar o bloco de madeira e inclinar o plano; na segunda os integrantes do grupo não teriam essa ideia e o professor responsável pelo grupo tentaria contornar a situação colocando água em um copo um pouco inclinado e depois perguntando o que acontece com a água, visando a resposta de que ela escorreu para dentro do copo e relacionando com os materiais que os estudantes tinham. Aqui é evidenciado

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um obstáculo que se apresenta frequentemente nos planejamentos das aulas do CCIUFPA.

Quando cada equipe deslizasse o bloco, inclinando o plano, foi pedido que medissem a altura na qual o bloco começa a deslizar. Em seguida, foi perguntado o que mais poderia ser feito com o plano inclinado, lembrando-os da comparação com os seus calçados, para estimular a comparação de alturas de deslizamentos de diferentes objetos e superfícies. Assim outro bloco de madeira (com superfícies de EVA e fita) seria entregue ao grupo para também ser comparado com os outros materiais. Também fora solicitado aos estudantes que anotassem as medidas das alturas e, em seguida, que fizessem uma pequena tabela com os dados.

Na aula, também foi pedido aos alunos que elaborassem explicações sobre a diferença de alturas dos materiais e que eles conversassem entre os grupos para que pudessem chegar em uma resposta conjunta.

Abaixo, a figura 03 mostra uma tabela feita por um dos grupos com as alturas de deslizamentos, e em seguida, algumas anotações de três grupos sobre as explicações e analogias construídas.

Figura 03: Tabela feita por um grupo de estudantes com as anotações das medidas das alturas de deslizamento durante a aula com auxilio e mediação de um dos professores. Foto: Álvaro Medeiros.

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(...) É o tipo de material, eles são diferentes o material mais liso escorrega mais rápido e o EVA e a borracha foram mais lentos.

Eu acho que a madeira é tipo a sola do sapato que desliza com mais facilidade. (...) Já o EVA e igual ao nosso pé que desliza com dificuldade e ambos não são iguais.

Grupo 1:

Grupo 2:

Grupo 3:

Porque o EVA é mais áspero que o papel e os objetos mais grossos demoram mais a deslizar. Cada objeto tem sua altura para deslizar.

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## Análise e Discussões

A construção dos objetos que foram usados no experimento exigiu certa criatividade, assim como nos outros momentos do planejamento, e foi o que permitiu a realização da aula, pois caso essa construção não fosse possível, os professores teriam de pensar em outra atividade. Pode-se citar que em muitas escolas, professores de física limitam suas aulas somente a teoria por não haver equipamentos que possam ser usados ao menos como demonstrações de fenômenos.

- A testagem do experimento, antes da execução da aula foi importante para que os professores pudessem perceber como os instrumentos de medida interfeririam na atividade e quais as possíveis falhas que poderiam vir a ocorrer com os materiais e, assim, ter tempo de reestruturar o processo de medição, evitando que, a equipe de professores fosse surpreendida e obrigada a improvisar em sala.

O ato de improvisar pode interferir no processo de ensino e aprendizagem em uma aula investigativa, uma vez que o professor pode não ter rapidamente uma ideia de como contornar a situação, no momento que observasse uma falha no planejamento, podendo deixar a turma frustrada a respeito do experimento; e, além disso, os alunos poderiam desviar suas atenções para algo que não fosse a atividade proposta pelo professor.

Na elaboração da aula, houve a necessidade de que os professores dominassem o conteúdo abordado para que não se sentirem perdidos quando estivessem planejando a problematização e contextualização, pois saberiam quais as etapas que deveriam seguir para alcançar algo com a atividade de investigação, assim como os procedimentos desta metodologia. Entendemos, assim como Ricardo (2010), que a problematização é a construção de situações-problemas, que levarão a uma contextualização do assunto em questão.

Os estagiários também tiveram que pensar em possibilidades de contorno de situações, tal como evidenciada na etapa em que os sócios mirins deveriam deslizar o bloco no plano inclinado, sempre se preocupando em se manterem como facilitadores do processo de aprendizagem.

Os sócios mirins conseguiram expressar suas ideias de forma sucinta e é possível inferir que os grupos conseguiram relacionar as dificuldades de deslizamento dos diferentes materiais com a diferença de atrito (como é mostrado acima nas anotações dos grupos) mesmo que este conceito não tenha sido citado diretamente, permitindo assim, que os professores verificassem uma aprendizagem inicial sobre o problema abordado. Essa verificação de aprendizagem por parte dos professores foi feita a partir das interações com o experimento, da participação em grupo e dos esforços que os estudantes apresentaram nas elaborações de explicações para o fenômeno levado à sala de aula.

Como o experimento e discussões foram realizadas em cerca de uma hora e quinze minutos, não foi possível dar prosseguimento a construção do conceito de ângulo com os sócios mirins, deixando essa etapa para uma aula futura. A adequação de atividades para uma aula, é um algo que deve ser pensado com cuidado no planejamento, a fim de não deixar pontos importantes da metodologia abordada para outras aulas, já que alguns detalhes do experimento podem ser esquecidos pelos sócios mirins e professores.

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## Considerações Finais

Os obstáculos enfrentados pela equipe de professores no planejamento da atividade contribuem à formação de cada um de modo singular, de forma que eles têm a oportunidade, assim como dito por Cachapuz (2000), de, refletir sobre as suas atitudes como profissional e sobre a abordagem dos conteúdos, para que os seus alunos desenvolvam a capacidade de um pensamento crítico e exercitem sua autonomia e seu autocontrole.

Podemos perceber que o planejamento prévio das atividades investigativas, possibilita a prevenção de possíveis erros, dando assim fluidez no desenvolvimento da aula, e também, a diminuição de surgimento de situações inesperadas. Consequentemente, pode-se evidenciar que uma aula bem planejada, resulta em uma aula bem executada, onde se consegue realizar tudo o que foi elaborado, abrangendo o que se pede para que se tenha o desenvolvimento de uma aula de investigação cientifica, onde o aluno participa de todas as etapas da atividade experimental, desde os questionamentos estimulados pelos professores até a execução, manuseamento do mesmo, e a criação de seus próprios conceitos.

## Referencias

CACHAPUZ, A. F. (org.). PERSPECTIVAS DE ENSINO . ed 1. Centro de estudos de educação em ciências - Porto. 2000. 46 p.

CARVALHO, A. M. P (org.). ENSINO DE CIÊNCIAS: unindo a pesquisa a pratica . Coleção ideias em ação. São Paulo: Cengage learning, 2010.154 p.

\_\_\_\_\_\_ CARVALHO, A. M. P. Critérios estruturantes para o ensino das ciências. In. Ensino de ciências: unindo a pesquisa a pratica Coleção ideias em ação. . CARVALHO, A. M. P (org). São Paulo: Cengage learning, 2010. 1 - 17 p.

\_\_\_\_\_\_ AZEVEDO, M. C. P. S. ensino por investigação: problematizando as atividades em sala de aula. In. Ensino de ciências: unindo a pesquisa a pratica . Coleção ideias em ação. CARVALHO, A. M. P (org.). São Paulo: Cengage learning, 2010. 19 - 33 p.

ZOMPERO, A. F. LAMBURU, C. E. ATIVIDADES INVESTIGATIVAS NO ENSINO DE CIÊNCIAS: aspectos históricos e diferentes abordagens. Revista Ensaio, Belo Horizonte, v. 13, n. 03, p. 67 - 80, set-dez 2011.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.