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REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE FÍSICA NO PROEJA A PARTIR DAS FALAS DOS ESTUDANTES

Maryelly Silva Faria, Alessandra Riposati Arantes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Seleção, Organização Do Conhecimento E Currículo
Tipo
Pôster

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Texto completo

## REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE FÍSICA NO PROEJA A PARTIR DAS FALAS DOS ESTUDANTES

## Maryelly Silva Faria , Alessandra Riposati Arantes 1 2

- 1 Universidade Federal de Uberlândia/Instituto de Física/maryellyfaria@hotmail.com
- 2 Universidade Federal de Uberlândia/Instituto de Física /ale.riposati@gmail.com

## Resumo

Este trabalho investigou os desafios do ensino de física na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos PROEJA, que visa proporcionar uma educação profissional técnica de nível médio. A pesquisa foi desenvolvida no curso Técnico em Meio Ambiente da Escola Técnica de Saúde (ESTES) da Universidade Federal de Uberlândia, em parceria com a Escola Estadual de Uberlândia, situada no Estado de Minas Gerais. Esta investigação não trata apenas de levantar problemas, mas de analisar e refletir a partir dos resultados obtidos sobre perfil e anseios dos estudantes em relação à disciplina de Física, e com isso propor temas para a disciplina de física que poderiam contribuir para uma formação integral. A pesquisa utilizou uma abordagem qualitativa de Estudo de Caso, utilizando técnicas de coleta de dados tais como: observações, entrevistas e questionários no período de 2015 e 2016. Utilizamos como referencial teórico norteador os pressupostos de Paulo Freire, que aponta em seus estudos a importância de trazer ao educando uma leitura de seu contexto histórico-social.

Palavras-chave : PROEJA, Currículo, Física.

## O que é o PROEJA?

Visando ampliar o acesso de jovens e adultos à educação, em 2005, o governo federal criou o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (PROEJA). Esse programa foi criado por causa da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada em 2004. Os dados obtidos pela PNAD apontavam que 68 milhões de jovens e adultos trabalhadores com 15 anos ou mais não concluíram o ensino fundamental e, apenas, 6 milhões (8,8%) estavam matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) ( BRASIL, 2015 ). O PROEJA foi instituído pelo Decreto nº 5.478, hoje substituído pelo Decreto nº 5.840 de 2006, que traz as diretrizes que envolvem a oferta dos cursos do PROEJA.

O PROEJA é uma modalidade de ensino que objetiva dar acesso à educação àqueles que não a tiveram no tempo adequado, visando também a educação profissional técnica em nível de ensino médio. Segundo Machado (2006), o programa busca qualificar os trabalhadores de forma que os mesmos tenham assegurada a elevação do seu nível de escolaridade. Essa modalidade de ensino também busca minimizar a exclusão dos jovens e adultos do mercado de trabalho, e fazer um resgate educacional de forma a redimir uma dívida social do passado que ainda é um reflexo na sociedade brasileira. Por muitos anos se perpetuou uma educação elitista, que impossibilitou que muitos desenvolvessem suas habilidades e competências, limitando-os apenas a alfabetização (ARAÚJO E VARGAS, 2010).

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23 a 27 de janeiro de 2017

Os cursos do PROEJA no ensino médio têm duração de no mínimo 2.100 horas curriculares, organizadas pelas redes de ensino, considerando as Diretrizes Curriculares Nacionais e o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos. As modalidades EJA e PROEJA atendem públicos diversificados, sendo necessário considerar conhecimento prévio dos estudantes, interesses, experiências e necessidades de aprendizagem (GROSSI, 2016). De acordo com Scortegagna e Silva (2011 apud GROSSI, 2016):

Quando os alunos da EJA chegam até a escola (pela primeira vez ou retornam depois de algum tempo), trazem uma grande bagagem de conhecimentos e de cultura, provenientes das aprendizagens informais que ocorreram no decorrer de sua vida. Todos estes saberes precisam ser respeitados e considerados pelos professores, sendo o ponto de partida para a aquisição de conhecimentos sistematizados, o que torna a ação educacional mais efetiva e com significado ( SCORTEGAGNA; SILVA, 2011, p. 92 ).

Nesse sentido, deve-se pensar em um currículo para o PROEJA que valorize seus sujeitos (professores, estudantes, pais, gestores) e suas especificidades, proporcionando mais significação ao que é ensinado.

Nas diretrizes curriculares voltadas ao PROEJA não é especificada proposta de currículo para a Física; em geral trabalha-se o mesmo conteúdo do ensino médio regular. É um desafio para os professores eleger os conteúdos para esta modalidade de ensino, pois deve-se respeitar os interesses e saberes dos alunos, a carga horária reduzida, considerar outras estratégias metodológicas devido à diferença de público e um currículo que garanta uma boa formação tanto no nível médio como técnico (GROSSI, 2016). Além do mais, os cursos de Licenciaturas em Física não preparam os futuros professores para trabalhar com jovens e adultos, visto que poucas universidades oferecem disciplina especifica voltadas à EJA e ao PROEJA.

Um dos desafios para o currículo do PROEJA é promover uma educação de qualidade, que valorize seus sujeitos, os alfabetizem para a autonomia e os tornem bons profissionais (GOUVEIA; SILVA, 2015). Pensando nisso, escolhemos o curso PROEJA em Técnico em Meio Ambiente da Escola Técnica de Saúde (ESTES) da Universidade Federal de Uberlândia e Escola Estadual de Uberlândia para investigarmos quem são os sujeitos dessa modalidade de ensino, o que eles esperam do PROEJA em Meio Ambiente e quais suas concepções a respeito de ensino de Física, e partir dessa pesquisa repensar o currículo de física que possa contribuir para a formação integral dos estudantes. Nesta pesquisa teve como referencial teórico norteador os pressupostos de Paulo Freire, que aponta em seus estudos a importância de trazer ao educando uma leitura de seu contexto históricosocial.

## Paulo Freire e o Currículo

Segundo Menezes e Santiago (2014), a concepção restrita e fragmentada no campo do currículo é cada vez mais discutida com a intenção de superar essa visão e passar a ver o currículo como instrumento de ação política e pedagógica. Nesse prisma houve várias contribuições teóricas para o campo curricular, em destaque temos o aporte político-pedagógico de Paulo Freire. Para as autoras, no fim da década de 50 no Brasil a educação, em especial a educação de adultos e a

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educação popular, se deparou com a referência de Paulo Freire, que trouxe a ideia da educação libertadora para o campo curricular.

Bertolini (2004) comenta que Paulo Freire não desenvolveu uma teoria específica para o currículo, mas seu pensamento remeteu a conceitos que ajudaram a teorizar sobre o mesmo, como o diálogo, que é fundamento e princípio da educação como prática da liberdade.

Paulo Freire expressa suas críticas em relação à educação bancária, que traz os conceitos tradicionais em relação ao currículo. É uma educação onde os estudantes não sabem nada, são caixas vazias prontas para serem preenchidas com conteúdo de conhecimento exclusivo do professor. Esse conhecimento é obtido de forma fragmentada, e isso faz com que o aluno, e também o professor, sejam acríticos, percam a criatividade e a autonomia. Freire supera esse conceito da educação bancária com a ideia da educação libertadora, onde temos o professor trabalhando com seus alunos no intuito de pensar numa realidade de forma crítica e consciente. Dentro da dinâmica aluno/professor, Freire enfatiza o diálogo. O autor traz a prática dialógica como uma forma do sujeito construir o conhecimento crítico e ter uma educação comprometida com a democracia, colocando educador e educando como sujeitos da ação educativa (FREIRE, 1987).

Alguns princípios norteadores para a elaboração de um currículo que tenha em sua estrutura a ideia de educação libertadora são apontados por Freire, em destaque a importância do conteúdo programático e da educação no currículo crítico. Esses conteúdos devem ser relevantes para os educandos dentro de uma realidade crítica, e não fragmentados e desconectados da vivência dos alunos, eles devem compreender o todo para que a aprendizagem adquira um significado. Diferente da educação bancária, a educação para a liberdade não pode ser baseada em alunos como depósitos de conhecimentos que são pensados apenas pelos professores e gestores. 'Numa visão libertadora, [...] o seu conteúdo programático já não involucra finalidades a serem impostas ao povo, mas, pelo contrário, porque parte e nasce dele, em diálogo com os educadores, reflete seus anseios e esperanças' (FREIRE, 1987).

Scocuglia (2005) conta sobre a concepção de conhecimento cotidiano presente desde as primeiras falas de Freire como educador. Nesse pensamento vemos que a contextualização e as conexões com a vida dos atores educacionais (educandos, educadores, pais, gestores) devem estar envolvidas na construção curricular, que envolve conteúdos programáticos, metodologias e fundamentos epistemológicos. Essa contextualização e conexão com a vida dos atores traz um currículo que busca 'pertencer a todos os que fazem o processo educativo', e esse pertencer procura fazer com que todos do ambiente escolar se sintam parte do processo educativo, menos excluídos, e uma consequência disso é um currículo mais crítico e reflexivo.

De acordo com Abensur (2012):

Torna-se preciso, então, considerar que a construção do currículo não pode esquecer a situação concreta e existencial dos educandos. A vida, o cotidiano, com seus problemas, suas possibilidades, seus limites e seus desafios; a cultura e a tradição, os valores e os princípios necessitam estar presentes no currículo da escola, deixando explícitos os seus caracteres político, histórico e cultural ( ABENSUR, 2012, p.293 ).

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Para Freire o currículo deve conter temas que são importantes histórica e socialmente para os estudantes, ele deve ser elaborado de maneira a ter participação da comunidade escolar. É uma proposta de um currículo flexível e democrático, construído para aproveitar a experiência, trajetória e conquista dos educandos. E é nesse ponto que surge novamente a importância do diálogo, para buscar com os estudantes o que seria importante e interessante para os mesmos no processo de aprendizagem.

- O pensamento de Freire relacionado à educação para a liberdade traz embasamento para a construção de um currículo democrático, que responda às necessidades dos alunos, ajudando a criar uma educação mais humanizada, onde toda a comunidade escolar se sinta pertencente ao ambiente e afaste problemas como a evasão e repetência por parte dos educandos.

## A pesquisa

- O presente trabalho foi desenvolvido, como trabalho de conclusão do curso de Licenciatura em Física, na Escola Estadual de Uberlândia (apelidada por MUSEU) e, como já mencionado, tem uma parceria com a Escola Técnica de Saúde (ESTES) para oferecer o curso técnico em meio ambiente na modalidade PROEJA. Os sujeitos envolvidos na pesquisa foram todos os alunos do curso técnico matriculados em 2016 no 1º, 2º e 3º ano do PROEJA, totalizando uma amostragem de 51 alunos.

Vale mencionar que o curso possui apenas uma turma de cada ano. No dia da aplicação do questionário, encontravam-se 24 estudantes no 1º ano, 18 estudantes no 2º ano e 16 estudantes no 3º ano. Dos 58 estudantes presentes, 7 optaram por não participar da pesquisa. A pesquisadora e autora deste trabalho aplicou a pesquisa no dia 14 de abril de 2016, onde verificou-se o perfil e as percepções dos alunos sobre o ensino de Física do curso técnico em meio ambiente na modalidade PROEJA da ESTES/MUSEU.

- A pesquisa realizada neste trabalho abordou, conforme Yin (2010), um estudo de caso exploratório, pois não exige controle dos eventos comportamentais, enfoca eventos contemporâneos, objetiva tornar os problemas sobre determinado assuntos explícitos e construir suposições que possam ser averiguadas posteriormente ( GIL, 2008). A abordagem utilizada foi quantitativa-qualitativa, pois em um primeiro momento quantificou-se os dados tanto na coleta como no tratamento destes e posteriormente, pretendeu-se averiguar a situação realidadeobjeto de estudo (RAMOS; RAMOS; BUSNELLO, 2005).
- O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário, com 17 questões fechadas para o estudo do perfil do aluno e 5 questões abertas para estudo das percepções sobre o ensino de Física. Ademais, procurou-se realizar uma pesquisa exploratória, de forma que houvesse uma experiência e informação maior sobre o problema enfrentado pelo PROEJA (TRIVIÑOS, 1987).

Para investigar o perfil do estudante do PROEJA foram realizadas perguntas com finalidade de descobrir sobre os alunos: a idade, gênero, raça, quando terminaram o ensino fundamental, utilização da biblioteca da escola, se trabalham e

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o que pretendem fazer após concluir o curso. O objetivo das questões foi investigar se os estudantes têm tempo para estudar em horário além do escolar, e também buscar conhecer os planos dos estudantes após a conclusão do curso, de modo a dar subsídios para a coordenação do curso, além de propor um currículo para o ensino de física que esteja em consonância com o perfil dos estudantes.

Buscando descobrir quais as concepções dos alunos a respeito do ensino de Física, as perguntas realizadas foram: a) Você gosta de estudar Física? Por quê? b) Você vê relação entre o que aprende em Física e o que aprende no curso técnico em meio ambiente? Ilustre sua resposta com exemplos c) Você tem dificuldades para aprender Física? Por quê? d) Como você gostaria de aprender Física? e) O que você gostaria de estudar em Física? As questões referentes ao ensino de física foram embasadas no trabalho de Ricardo e Freire (2007).

A organização e tratamento dos dados foram realizados pela ferramenta computacional Microsoft Excel .

## Resultados e discussões

Ao todo foram analisados 51 questionários, onde observamos, por exemplo, notável quantidade de estudantes do sexo feminino, esse dado é importante porque o professor terá que ter sensibilidade ao escolher os temas de física que sejam do cotidiano das mulheres. Nota-se uma grande diversidade de faixa etária com predominância de estudantes com idade maior que 30 anos, e mais da metade dos alunos concluíram o ensino fundamental antes de 2012, essa é uma das maiores queixas dos estudantes em relação às dificuldades para estudar, eles afirmam não se lembrar o que foi estudado há tanto tempo atrás, e o que era ensinado anos antes era diferente, deixando-os assim sem a base necessária para aprender física.

Devido à carga horária de trabalho dispõem de pouco tempo de estudo fora da sala de aula, inclusive, não utilizam a biblioteca da escola por esse motivo. É preciso levar em consideração a grande parcela de estudantes trabalhadores, pois os mesmos não têm o mesmo tempo disponível para estudo que um aluno do ensino médio regular, deve-se levar em conta que o aluno tem melhor aproveitamento em sala de aula utilizando metodologias ativas, dando ainda maior peso ao que é ensinado e como é ensinado.

Em relação ao anseio dos alunos sobre o que farão quando terminar o ensino médio, concluímos que 45% pretendem atuar na área de Técnico em Meio Ambiente, mas 25% pensam em fazer processo seletivo de ingresso ao ensino superior e 10 % fazer outro curso técnico. Devemos então, almejar um currículo que ajude a formar bons profissionais técnicos em meio ambiente, mas também não podemos excluir os estudantes que pretendem prestar um exame para ingressar na universidade, fazer outro curso técnico ou mesmo continuar trabalhando e parar de estudar. Esses jovens e adultos não podem ser excluídos mais uma vez da sociedade e perder oportunidades, pois eles têm as mesmas capacidades de um estudante do ensino médio regular, é preciso que todo o sistema escolar procure não marginalizar os estudantes jovens e adultos e explore seus potenciais.

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Sobre a disciplina de física, muitos estudantes apontaram ter dificuldades. Para eles, os pontos problemáticos são: matematização, não conseguem enxergar a relação entre a física ensinada com o cotidiano e com as disciplinas do curso técnico; precária interação professor-aluno e ausência de metodologias ativas na abordagem do conteúdo. Apesar de declararem ter muitas dificuldades para aprender física, muitos acreditam que a disciplina é importante para eles como profissionais e para a sociedade. Os estudantes ainda apontaram vários aspectos sobre como e o que gostariam de aprender em física. Existe uma grande variedade de respostas, colocarei aqui, respectivamente, os pontos que mais apareceram, como: com mais horários de aula, com ilustrações e exemplos, aulas teóricas e práticas, um professor que se disponha a compreender e ajudar; também afirmam querer uma Física que tenha a ver com o curso técnico em meio ambiente e seu cotidiano.

Levando todas as informações levantadas em consideração, foi pensado um currículo que possa vir a atender, de forma mais efetiva, o que esses estudantes esperam do PROEJA em meio ambiente. Esse currículo foi inspirado na Base Nacional Curricular Comum (BRASIL, 2015). Esse documento está em fase final de redação e visa ajudar na construção do currículo das escolas de educação básica de todo país. Usou-se esse documento para garantir que os jovens e adultos do PROEJA tenham uma formação comum, buscando respeitar suas especificidades e o curso técnico que escolheram estudar.

A Física é a mesma independente da modalidade de ensino, mas deve-se procurar trazer temas que melhor se encaixem no curso e anseios dos estudantes. Pensado nisso, pensamos para o primeiro ano introduzir cinemática e termologia, trazendo exemplos como: Velocidade média de escoamento de um fluído; distância média entre árvores. Efeito estufa; fenômenos naturais atmosféricos como frentes frias e inversões térmicas, El Niño, termômetros que medem temperatura do solo. Para o segundo ano temas relacionados a energia, como: usinas hidrelétricas e termelétricas; novas tecnologias de aproveitamento de energia elétrica; impactos ambientais: formação de represas nas hidrelétricas, desequilíbrio de fauna e flora, lixo atômico. Para o terceiro ano temas relacionados a ondulatória, como: A velocidade de transmissão da informação e a avaliação de seus impactos sociais, econômicos, culturais e políticos, poluição sonora; níveis de ruído e suas consequências para a saúde física e mental.

Esses temas, apesar de partirem dos anseios dos educandos, ainda não trazem a prerrogativa de Freire. Em momento posterior essa perspectiva curricular será organizada em temas geradores, de forma a buscar as situações em que os sujeitos demonstram compreensão acrítica, assim será possível se aproximar da educação para a liberdade descrita no referencial teórico.

## Conclusões

Levando em consideração todos esses apontamentos realizados pelos estudantes, concluímos que o currículo do PROEJA deve valorizar a integração curricular e também dar oportunidades para esses jovens e adultos seguirem com qualquer escolha, seja ser um bom profissional na área de Técnico em Meio Ambiente ou ingressar no ensino superior. É necessário privilegiar atividades que

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utilizem todo o tempo que esses estudantes se encontram no âmbito escolar, devido à grande carga de trabalho que eles mantêm semanalmente. Deve-se também priorizar questões cotidianas e que tenham alguma relação com o Técnico em Meio Ambiente, onde o professor deve buscar aulas mais práticas e metodologias adequadas ao público alvo.

Procurando atender todos os apontamentos dos estudantes, propomos, para a modalidade de PROEJA em meio ambiente, temas para a componente curricular Física que prioriza os assuntos ligados direta ou indiretamente com as disciplinas específicas do curso TMA. A Física é a mesma para qualquer modalidade de ensino, a abordagem e escolha dos temas que devem ser feitos com cuidado, levando em consideração a carga horária de cada disciplina e a área do curso técnico.

- O desafio do professor do PROEJA é grande, pois ele lidará com um tempo menor de aula, grande diversidade de alunos, a necessidade de valorização da vivência dos mesmos, e a preocupação com a integralização entre a física com as disciplinas específicas. É evidente que ensinar a mesma física do ensino regular utilizando metodologia tradicional, não atingirá com eficácia esses alunos. Além desses apontamentos, acreditamos também que seria importante que todas as disciplinas da educação básica fossem trabalhadas de forma integrada, trazendo mais significados para os estudantes.

Por fim, é importante mencionar que o currículo não é o único fator importante para ensinar jovens e adultos, o papel do professor é muito relevante, ele deve ser observador e ter sensibilidade de buscar o que melhor atenda às necessidades dos seus estudantes, os integrando à sociedade e ao mundo do trabalho.

## Referências

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ARAÚJO, M. E. M.; VARGAS, V. B. Educação de Jovens e Adultos: Proeja e sua Trajetória. 2010. Disponível em: <www.senept.cefetmg.br/galerias/Anais.../EDUCACAO\_DE\_JOVENS.pdf>. Acesso em: 01 de mar. 2016.

BERTOLINI, M. A. A. Construindo currículo para o ensino fundamental: uma perspectiva freireana. In: Seminários Paulo Freire: reflexões sobre o currículo, formação de professores, educação de jovens e adultos e movimentos socais, 2004, João Pessoa. Anais. João Pessoa: UFPB, 2004.

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GOUVEIA, D. S. M.; SILVA, A. M. T. B. Learning at 'young adults education": dilemmas and social representation. Ens. Pesqui. Educ. Ciênc. (Belo Horizonte). Belo Horizonte, v. 17, n. 3, p. 749-767, dez. 2015.

GROSSI, M. C. A. J. Ensino de Física inclusivo envolvendo alunos com deficiência visual na Educação de Jovens e Adultos. 2016. 107 f. Dissertação (Mestrado) Mestrado profissional de Ensino de Física, Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2016.

MACHADO, L. PROEJA: o significado socioeconômico e o desafio da construção de um currículo inovador. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf2/boletim\_salto16.pdf>. Acesso em: 01

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RAMOS, Paulo; RAMOS, Magda Maria; BUSNELLO, Saul José. Manual prático de metodologia da pesquisa: artigo, resenha, projeto, TCC, monografia, dissertação e tese. 2005.

RICARDO, E. C.; FREIRE, J. C.A. A Concepção dos alunos sobre a física do ensino médio: um estudo exploratório. Revista Brasileira de Ensino de Física , Brasília, v. 29, n. 2, p.251-266, nov. 2007.

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YIN, R. K. Estudo de Caso : Planejamento e Métodos. Bookman editora, 2010, 248 p.

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