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ESTUDO DA ESTRUTURA CURRICULAR DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

Antoine Franklim De Andrade, Iacopo Urbano Galvão, Ísis De Fátima Nogueira Porto, João Vitor Crisostomo Da Costa, Leticia Lemes Prudente, Monique França E Silva.

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Seleção, Organização Do Conhecimento E Currículo
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ESTUDO DA ESTRUTURA CURRICULAR DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

Antoine Franklim de Andrade 1 ; Iacopo Urbano Galvão ; Ísis de Fátima Nogueira 2 Porto 3 ; João Vitor Crisostomo da Costa ; Leticia Lemes Prudente ; Monique 4 5 França e Silva ; Adevailton Bernardo dos Santos 6 7

- 1 Instituto de Física/Universidade Federal de Uberlândia, antoine.franklin@hotmail.com
- 2 Instituto de Física/Universidade Federal de Uberlândia, iacopogalvao@hotmail.com
- 3 Instituto de Física/Universidade Federal de Uberlândia, isisporto23@gmail.com
- 4 Instituto de Física/Universidade Federal de Uberlândia, joao-vitor1212@hotmail.com
- 5 Instituto de Física/Universidade Federal de Uberlândia, ll\_prudente\_sp@hotmail.com
- 6 Instituto de Física/Universidade Federal de Uberlândia, franca\_monique@outlook.com 7 Instituto de Física/Universidade Federal de Uberlândia, adevailton@yahoo.com.br

## Resumo

Hoje existem vários meios de se ranquear os melhores cursos das universidades do país, e é de interesse de muitos recorrerem a estes indicadores de qualidade para realizar avaliações e melhorias dos currículos e procedimentos. O curso de Licenciatura em Física, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) não se encontra em posição de destaque em um dos mais importantes indicadores de qualidade do país, o Conceito Preliminar de Curso (CPC) que possui como principal critério de avaliação o desempenho dos estudantes, baseado no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). Neste artigo relatamos a análise do currículo do curso citado, comparativamente com a estrutura curricular dos cursos de Licenciatura em Física da Universidade Federal de São Carlos, da Universidade Federal do ABC e da Universidade Federal do Pernambuco, que obtiveram as maiores notas no CPC - 2014, utilizando como parâmetros os mecanismos de avaliação do CPC e o Parecer CNE/CES 1.304/2001. A metodologia utilizada foi a pesquisa documental. Dentre as conclusões pode-se destacar a falta de relação entre a carga horária dos cursos e a quantidade de doutores no corpo docente com os bons resultados dos alunos no ENADE, e por outro lado a possibilidade da presença no currículo de disciplinas diferenciadas das tradicionais modificar positivamente neste resultado.

Palavras-chave : Licenciatura em Física; currículo; CPC; ENADE.

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## Introdução

Foram instituídas no Brasil, as Diretrizes Nacionais Curriculares, concebidas pelo Governo Federal, no intuito de direcionar as instituições de ensino a programar os conteúdos a serem ministrados em cada curso. No caso do curso de Física, temse o documento oficial a Resolução CNE/CES 9/2002 (BRASIL, 2002), construída a partir do Parecer CNE/CES 1.304/2001 (BRASIL, 2001), o qual aborda as Diretrizes Nacionais Curriculares dos cursos de Física. Para os cursos de Licenciatura, têm-se ainda a Resolução CNE/CP Nº. 2, de 18 de fevereiro de 2002 (BRASIL, 2002) que instituíram as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em Nível Superior, Cursos de Licenciatura, de Graduação Plena . 1

Estes documentos determinam que a formação do licenciado em Física deva ser com uma carga horária mínima de 2800 horas, normalmente distribuídas ao longo de, no mínimo, quatro anos. A distribuição é 50% para um núcleo básico comum (disciplinas de física geral, matemática, física clássica, física moderna e contemporânea e disciplinas complementares) e a outra parte para os módulos sequenciais complementares definidores das ênfases (Físico - pesquisador; Físico educador; Físico - tecnólogo; e Físico - interdisciplinar). No caso do Físico educador, a parte dos módulos sequenciais especializados voltados para o ensino da Física, destina 400 horas para atividades de estágio, 200 horas para atividades complementares, além da necessidade de realizar uma monografia, a título de iniciação científica, para a conclusão do curso. Também são citados:

(i) instrumentalização de professores de Ciências do ensino fundamental; (ii) aperfeiçoamento de professores de Física do ensino médio; (iii) produção de material instrucional; (iv) capacitação de professores para as séries iniciais do ensino fundamental. Para a licenciatura em Física serão incluídos no conjunto dos conteúdos profissionais, os conteúdos da Educação Básica, consideradas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores em nível superior, bem como as Diretrizes Nacionais para a Educação Básica e para o Ensino Médio. (BRASIL, 2001)

Neste estudo ainda são consideradas as avaliações de cursos realizadas pelo Instituto Nacional de Estudos Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Um dos resultados das avaliações é obtido através do Conceito Preliminar de Curso (CPC), que é um indicador de qualidade que avalia, desde 2007, os cursos superiores. O cálculo do CPC tem como base o desempenho dos estudantes (55%), divididos na nota dos concluintes no Exame Nacional de Desempenho dos estudantes (ENADE) (20%) e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD) (35%); a titulação do corpo docente (30%); e a percepção discente sobre as condições do processo formativo (15%). Este último item é obtido por um questionário respondido pelos estudantes que realizam o ENADE, considerando a organização didático-pedagógica, a infraestrutura e instalações físicas, bem como as oportunidades de ampliação da formação acadêmica e profissional.

A prova do ENADE apresenta como componente de avaliação, um conteúdo de formação geral, comum aos cursos de todas as áreas (responsável por 25% da nota final) e um conteúdo específico a cada curso (responsável por 75% da nota

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final). O tempo máximo determinado para esta prova é de quatro horas, período em que o aluno realiza a prova e ainda, responde a dois questionários, os quais também fazem parte da avaliação: o Questionário de Impressões sobre a Prova e o Questionário do Estudante, visando

compor o perfil dos participantes, integrando informações do seu contexto às suas percepções e vivências, e a de investigar a capacidade de compreensão desses estudantes frente à sua trajetória no curso e na Instituição de Educação Superior. (INEP.- Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais)

A pesquisa aqui relatada tem como objetivo analisar o currículo e o Projeto Político Pedagógico (PPP) do curso de licenciatura em Física da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) comparativamente com currículos e PPPs dos cursos de licenciatura em Física com os melhores CPCs. A intenção é tentar identificar possíveis relações destes documentos e os currículos dos cursos com as notas do CPC. Os critérios utilizados neste estudo comparativo foram alicerçados em dois pilares: a parte da estrutura curricular tendo como referência o Parecer CNE/CES 1.304/2001, e como medida de referência sobre a avaliação dos cursos as notas de CPCs obtidas no site do INEP (ano de 2014). Para efeito informativo o curso de Licenciatura de Física da UFU obteve na última avaliação, realizada em 2014, o CPC contínuo de 2,502 e CPC faixa 3. Os cursos utilizados na comparação são os que obtiveram as maiores notas de CPC contínuo e consequentemente CPC faixa igual a 5, na mesma avaliação, a saber os cursos da Universidade Federal de São Carlos - campus Sorocaba (CPC 4,55), da Fundação Universidade Federal do ABC - campus Santo André (CPC 4,26), e da Universidade Federal de Pernambuco campus Caruaru (CPC 4,04).

Espera-se que os resultados deste trabalho possam contribuir como uma das fontes de consulta para a coordenação dos cursos Licenciatura em Física, tanto da UFU como de outras universidades, principalmente na elucidação dos critérios utilizados nas avaliações dos cursos e possíveis reformulações de estruturas curriculares.

## Metodologia

Este projeto compreende a análise dos documentos e avaliações institucionais, sendo eles, o PARECER CNE/CP 2, de 19 de fevereiro de 2002, ENADE e CPC, que são de ordem federal, e com isso, torna-se possível analisar comparativamente currículos dos cursos de Licenciatura em Física, buscando possíveis relações. A seleção dos currículos a serem analisados será feita a partir de uma análise do resultado do CPC, de forma que serão escolhidos os cursos de Licenciatura em Física que obtiveram as maiores notas e o curso de Licenciatura em Física da UFU, já que esta é a instituição de ensino em que foi realizada essa pesquisa.

Um dos critérios que foi observado nas grades curriculares foram as exigências do PARECER CNE/CES 1.304/2001, referentes à estrutura curricular do curso em Licenciatura em Física. Foram analisados se os currículos das universidades estudadas possuem as seguintes disciplinas:

- · Núcleo de formação específica - Disciplinas da área de Física básica, Física Clássica e Física Moderna, Matemática, disciplinas de formação geral como Biologia, Química, História da Ciência, além da disciplina de trabalho de conclusão

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de curso (TCC).

- · Núcleo de formação pedagógica - Disciplinas da área da educação: Práticas Pedagógicas, Didática, Orientações de Ensino de Física, Instrumentalização para o Ensino de Ciências no ensino fundamental e médio, metodologias de ensino e pesquisa, e estágios supervisionados.

Outro critério para análise da carga horária de cada curso, foi a Resolução CNE/CP n 2 de 19 de fevereiro de 2002 (BRASIL,2002), que estabelece que a carga horária do curso de física em licenciatura deve ser de no mínimo 2800 horas, sendo distribuídas em: 400 horas práticas, 400 horas de estágio, 1800 horas de conteúdos curriculares de natureza científico-cultural e 200 horas para atividades acadêmicas complementares.

Também foram analisados os critérios do CPC, sendo eles: Desempenho do Aluno (ENADE e IDD), Corpo Docente (Número de Mestres, Doutores e Regime De Trabalho), Processo Formativo Acadêmico e Profissional (Didático-pedagógica e Infraestrutura E Instalações).

## Descrições dos resultados

Inicialmente é importante destacar que todas as Universidades seguiram as exigências do PARECER CNE/CES 1.304/201 ao elaborarem a sua grade curricular. A distribuição das cargas horárias é mostrada na tabela 01. Relação das Universidades selecionadas e suas respectivas notas de acordo com o CPC (contínuo e faixa) de 2014 e os critérios utilizados no cálculo do CPC pelo INEP estão na tabela 02.

Pode-se observar que a carga horária total da UFU, UFSCar, UFABC e UFPE, são respectivamente 2.925, 3.270, 2.808 e 3.180 horas. Nota-se também que a UFABC possui a menor carga horária e a UFSCar apresenta a maior carga horária em comparação das demais.

Tabela 01: Distribuição da Carga Horária

Desta carga horária total, o Núcleo de Formação Específica do curso da UFU totaliza 1.575 horas distribuídas em 1.455 horas em disciplinas específicas do curso, e 120 horas destinadas para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Já a UFSCar destina para este mesmo núcleo a carga horária de 1.620 horas, com 1.550 horas para as disciplinas específicas e também 120 horas para o TCC. A UFABC

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apresenta neste Núcleo o total de 1.548 horas, com 30 horas para a realização do Projeto Dirigido, e as restantes 1.518 horas distribuídas para as disciplinas específicas. Vale ressaltar que no currículo da UFABC existem disciplinas diferentes das encontradas nos outros currículos, consideradas aqui como de cunho interdisciplinar, tais como Estrutura e dinâmica social, Transformações bioquímicas, Ciência Tecnologia e Sociedade, Seres vivos e Ambiente, Origem da vida, dentre outras; observando a ausência de algumas disciplinas tradicionais de matemática e física como álgebra linear e mecânica clássica. A UFPE distribuiu as 1.890 horas deste núcleo em 1.830 para as disciplinas específicas e 60 horas restantes para o TCC.

Tabela 02: Resultado do CPC

Referente ao Núcleo de Formação Pedagógica, na UFU totalizam 1.030 horas, destinadas em 630 horas para as disciplinas de práticas pedagógicas e educacionais, e as 400 horas restantes são do estágio supervisionado. A diferença

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da UFSCAR e a UFU é que são vinte horas a mais de estágios, ou seja, o total de 420 horas e as disciplinas pedagógicas possui 900 horas, o que totaliza 1.320 horas para este Núcleo de Formação. Na UFABC a carga horária neste núcleo é 808 horas distribuídas em 408 horas para as disciplinas pedagógicas e 400 horas para os estágios. A UFPE apresenta pouca diferença em relação à UFABC neste requisito, pois a carga horaria neste Núcleo é 810 horas, sendo igualmente dividido entre as disciplinas pedagógicas e os estágios.

O Núcleo de disciplinas optativas na UFU e UFSCar correspondem a 120 horas, sendo que ambas as faculdades disponibilizam disciplinas de áreas específicas e pedagógicas. Na UFU o aluno tem que cursar no mínimo uma disciplina em cada área de carga horária correspondente a 60 horas, o que totaliza as 120 horas. Na UFABC o aluno precisa cursar 252 horas de disciplinas optativas, já a UFPE são 270 horas.

Com relação à carga horaria destinada para o Núcleo de Formação Acadêmico-científico-cultural, não há diferenças discrepantes entre as universidades analisadas. A UFU e UFABC são 400 horas e a UFSCar e UFPE são acrescidas mais 20 horas em relação à UFU, ou seja, 420 horas de atividades complementares que contribuem para a formação acadêmica, científica e cultural do estudante do curso em licenciatura em Física.

## Análise

Analisando a carga horária total de cada curso, percebe-se que todos os currículos ultrapassam o mínimo de 2.800 horas estabelecido na Resolução CNE/CP n 2 de 19 de fevereiro de 2002, e que as diferenças entre as cargas horárias são pequenas, o que, de acordo com os dados desta pesquisa, leva a refletir que a carga horaria não é um fator totalmente relevante que possa interferir diretamente na avaliação da universidade, ou seja, no CPC, já que as universidades possuem notas diferentes.

As distribuições das disciplinas dos núcleos de formação específicas e pedagógicas, nos currículos analisados são coerentes com as indicações do PARECER CNE/CES 1.304/2001. Observa-se que a UFU segue rigorosamente as exigências deste documento. A UFSCar e UFPE apresentam algumas disciplinas complementares. A UFABC possui grandes diferenciais, com uma ampla elaboração estrutural do currículo, com disciplinas nas áreas de ciências naturais, humanas e educacionais, possivelmente contemplando melhor a interdisciplinaridade nas áreas do conhecimento.

A comparação entre a distribuição das disciplinas específicas e pedagógicas, com o resultado do CPC (tabela 02), leva a acreditar, em uma primeira análise que as diferenças curriculares apresentadas refletem diretamente na nota do ENADE, mais especificamente, nos quesitos de Formação Geral (FG) e Conteúdo Específico (CE). Isto porque, como a UFABC possui um currículo amplo e geral que aborda as diversas áreas de conhecimento, e os alunos obtiveram no quesito FG nota de 76,41 e no quesito CE 63,85, ambas as notas relativamente altas em comparação às outras universidades. A UFU, com notas de 49,05 para a FG e 33,84 para CE, teve os menores resultados, sendo bem inferiores em relação às outras universidades.

É possível considerar, a partir dos dados analisados, que haja uma forte tendência das universidades que possuem uma estrutura curricular ampla e geral,

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proporcionarem aos alunos, a possibilidade de obterem notas melhores no FG e CE, o que reflete diretamente na nota do ENADE. Por ouro lado, as instituições de ensino que seguem rigorosamente as exigências PARECER CNE/CES 1.304/201, sem disciplinas complementares, podem obter resultado opostos nestes mesmos quesitos, ou seja, há uma possibilidade dos alunos obterem notas médias e baixas, como o exemplo da UFU. Embora isso seja possível, acredita-se que outras variáveis não estudadas ainda, também possam ter influência nos processos avaliativos, tais como a escolaridade em nível Básico, a estrutura administrativa, o nível sócio econômico dos estudantes, sendo, portanto esta conclusão não definitiva. No entanto, é imprescindível, para conclusões concretas, a realização de outras pesquisas complementares em busca de novas possibilidades de critérios de avaliação disciplinar.

Outro ponto analisado foi a titulação do corpo docente. De acordo com os dados, todas as universidades possui um quadro docente bem qualificado. No caso da proporção de docentes doutores a UFU, UFSCar e UFABC tiveram notas superiores a 4, só a UFPE que teve nota 3,11. Desta maneira, pode-se considerar que apenas a proporção de professores mestres e doutores não reflete diretamente nos resultados dos alunos no ENADE e no IDD, pois a UFU possui um quadro docente com melhor qualificação que a UFPE, porém o resultado no ENADE e no IDD são inferiores. A partir dessa analise, percebe-se que a titulação do professores, apesar de importante, não deve ser a única variável determinante no resultado da avaliação do conhecimento dos alunos, e nesse caso, é importante realizar novos estudos, principalmente considerando as metodologias de ensino, a execução de políticas pedagógicas e administrativas, dentre outros fatores para possíveis conclusões.

Uma nota importante a ser descrita é o Índice de Desenvolvimento (IDD), pois estabelece um comparativo entre uma nota que os discentes possuem antes de entrar no curso (ENEM) e o desempenho ao concluírem o curso (ENADE). Apesar de serem avaliações diferentes, há uma padronização a partir dos resultados nacionais. A análise deste Índice permite tentar responder a seguinte pergunta: ter boa nota no ENADE significa ter boa nota no IDD, ou seja, representa que os discentes tiveram um bom desenvolvimento educacional ao longo do curso? Pelos dados analisados a resposta é não. Observando a tabela 1, nota-se que a UFABC teve a maior nota no ENADE (4,82) e o segundo maior CPC contínuo (4,26), em relação, as outras universidades, mas no IDD, a nota foi 3,40, sendo inferior a UFSCar e UFPE. Uma das possíveis hipóteses para estes resultados é que os alunos ao entrarem na UFABC obtiveram notas no ENEM maiores ou superiores a nota média nacional e ao realizarem o ENADE, apesar de obterem bons resultados, o aumento em relação ao obtido no ENEM não é muito grande.

## Considerações Finais

Este trabalho foi idealizado com o intuito de avaliar o curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Uberlândia, analisar se está em conformidade com o PARECER CNE/CES 1.304/2001, e compará-lo aos outros cursos de Física mais bem avaliados pelo INEP.

Concluímos primeiramente que todos os cursos mencionados, inclusive o da UFU, estão de acordo com o PARECER CNE/CES 1.304/2001. Também foi possível concluir que seguir rigorosamente aquilo que o documento sugere, não é garantia

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para boa avaliação, pois o curso da UFU não possui uma estrutura curricular diferente do que é exposto nas prerrogativas do PARECER e o CPC não é um dos maiores. A hipótese mais importante que se obtêm com o estudo, apesar de não conclusiva, é que a presença de disciplinas diferenciadas dos currículos tradicionais, com cunho interdisciplinar, principalmente no que se refere às do Núcleo de Formação Pedagógica, pode contribuir com a melhora do desempenho dos estudantes, como foi observado no caso da UFABC. Foi observado ainda, que a carga horária dos cursos, assim como a quantidade de doutores na composição do corpo docente não é critério decisivo no bom desempenho dos alunos.

Este estudo comparativo entre os cursos de Física não tem a pretensão de definir quais são precisamente os pontos frágeis de um currículo, pois os dados obtidos nesta pesquisa se mostraram insuficientes para concluir quais variáveis refletem uma boa nota dos alunos no ENADE. Para suprir as deficiências encontradas neste trabalho, propomos novas pesquisas futuras, incluindo entrevistas com os coordenadores, professores e alunos de cada instituição, com o intuito de conhecer, ampliar e divulgar de maneira mais aprofundada a metodologia de ensino de cada uma.

## Referências

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. PARECER CNE/CES 1.304/2001. Diretrizes Nacionais Curriculares para os Cursos de Física. Aprovado 06/11/2001.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº. 2: institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior. Aprovada em 18 fev. 2002. DOU de 4 mar. 2002. Seção 1, p. 9.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CES nº. 9, estabelece as Diretrizes Curriculares para os cursos de Bacharelado e Licenciatura em Física. Aprovada em 11 de março de 2002, DOU de 26 março de 2002. Seção 1, p. 12.

INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Disponível em: < http://portal.inep.gov.br>. Acesso em 29 de jun. de 2016.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.