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A CONSTRUÇÃO DE POEMAS COMO FATOR DE MOTIVAÇÃO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM DE FÍSICA

Danillo Diego Bartolomeu De Souza, Wagner Wilson Furtado, Guilherme Colherinhas De Oliveira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A CONSTRUÇÃO DE POEMAS COMO FATOR DE MOTIVAÇÃO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM DE FÍSICA

Danillo Diego Bartolomeu de Souza , Wagner Wilson Furtado , Guilherme 1 2 Colherinhas de Oliveira 3

1 Universidade Federal de Goiás/Licenciatura em Física, danillopaguema@hotmail.com

- 2 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física/Wagner@ufg.br
- 3 Universidade Federal de Goiás/CEPAE/gcolherinhas@gmail.com

## Resumo

O objetivo deste trabalho foi analisar se o uso de poemas no ensino de Física, elaborados pelos próprios alunos, utilizando conceitos físicos, induziria maior motivação e consequentemente uma melhoria na aprendizagem desses conceitos. Para atingir esse objetivo, foram realizadas duas etapas: a primeira, na qual os alunos criaram seus próprios poemas com conceitos físicos aprendidos em sala, e a segunda, quando estes foram apresentados em sala de aula. A análise da apresentação dos poemas construídos foi realizada pelos alunos e acompanhada pelo professor pesquisador e pelo professor regente da turma. Foi empregada uma metodologia alternativa interdisciplinar de ensino pautada em autores que criticam o uso incessante, sistemático e exclusivo do método tradicional e indicam metodologias alternativas como forma de complementação ao método tradicional. A pesquisa foi realizada em uma escola pública da cidade de Goiânia, Goiás, com 60 alunos do 1° ano do Ensino Médio. A metodologia de análise empregada foi de cunho qualitativo e quantitativo. Os elementos investigativos, utilizados para as análises, foram questionários com perguntas abertas e fechadas, notas de campo e os poemas elaborados pelos alunos. Aparentemente, no processo de criação houve pequena indução de aprendizagem e de motivação, pois a elaboração foi tida pelos alunos como chata e trabalhosa. Entretanto, no processo de apresentação dos mesmos em sala de aula, e suas respectivas análises, percebeu-se que houve um reforço dos conceitos físicos anteriormente estudados e um ligeiro aumento de interesse pela produzido pela metodologia utilizada. Concluiu-se que o uso de poemas elaborados pelos próprios alunos induz melhorias na aprendizagem dos conceitos físicos, tanto na elaboração quanto nas análises, porém deve ser usada como um complemento ao método tradicional de ensino.

Palavras-chave : Física e arte. Poesia no ensino de Física. Interdisciplinaridade.

## Física e Arte

As disciplinas da área das exatas, principalmente a Física, indiscutivelmente causam desconforto na maioria dos estudantes. Qualquer breve diálogo com alunos demonstra que a Física é tida como a disciplina mais difícil, sem sentido, e desinteressante do ensino médio. Esse desinteresse se deve, na maioria dos casos, ao tipo de ensino, dito tradicional, utilizado nessa Ciência. Tais métodos tradicionais, segundo Yamazaki e Yamazaki (2006), Zanetic (2005, 2006), Pietrocola (2004) e Almeida (1993) usados de forma sistemática, são tidos por muitos estudantes como entediantes, maçantes, desinteressantes e pouco proveitosos.

Nesse aspecto, inúmeras são as discussões sobre as possíveis causas da aversão que os alunos têm à Física. Alguns acreditam que o rigor matemático excessivo aliado ao método tradicional de ensino, realizado a quadro e giz, onde o

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professor é visto como figura central, responsável por transmitir conhecimento e o aluno a apenas recebê-lo, contribui para essa aversão.

Pietrocola (2004) afirma que o desinteresse vai além da linguagem matemática utilizada pela Física e sugere que se deva reviver as emoções e sentimentos associados à criatividade dos alunos:

As aulas de ciências são chatas e monótonas. Os alunos não conseguem conceber os conteúdos científicos para além das palavras e símbolos utilizados. Os significados se vinculam apenas ao caráter superficial dos conceitos e fórmulas. [...] A aula de ciências deve ser ocasião para se retraçar os passos, para se reviver as emoções e sentimentos associados aos atos de criação. [...] A imaginação deve ser pensada como a principal fonte de criatividade. Explorar esse potencial nas aulas de ciências deveria ser atributo essencial e não periférico nas aulas de ciências. (PIETROCOLA, 2004, p. 10-12).

Zanetic (2005, p. 21) critica o uso quase exclusivo da Matemática na Física e propõe mudanças que envolvem a conceituação teórica, a experimentação, a história da Física, a Filosofia da ciência e de sua ligação com a sociedade e com outras áreas da cultura, favorecendo a construção de uma educação problematizadora, crítica, ativa e engajada na luta pela transformação social.

Pietrocola (2004, p. 11) considera que a escola, por preconceito, separa atividades de raciocínio das de imaginação como se tratassem de áreas desconexas do pensamento. Para o autor, a escola ' muitas vezes relega a criatividade e a imaginação ao aspecto meramente motivacional das atividades, atribuindo ao lúdico unicamente capacidade de entreter '.

Yamazaki e Yamazaki (2006, p. 1) propõem algo denominado por eles como ' mudança significativa na prática de educadores ', que envolveria o uso de metodologias alternativas no ensino, tais como brincadeiras, jogos, desafios etc., que, para os autores, parecem provocar aprendizagem de forma mais eficiente, devido aos estudantes se mostrarem dinâmicos quando em meio ao processo.

Uma possível forma alternativa de ensino para a Física é o relacionamento da Ciência com a Arte. Snow (1995 apud ARTUSO, 2010), defensor dessa conexão, denunciava a distância e a dificuldade de compreensão entre essas duas culturas.

Num pólo os literatos; no outro os cientistas e, como os mais representativos, os físicos. Entre os dois, um abismo de incompreensão mútua - algumas vezes (particularmente entre os jovens) hostilidade e aversão, mas principalmente falta de compreensão. Cada um tem uma imagem curiosamente distorcida do outro. Suas atitudes são tão diferentes que, mesmo ao nível da emoção, não encontram muito terreno em comum. (SNOW, 1995, apud ARTUSO, 2010, p. 5).

Esse 'abismo de incompreensão mútua', citado por Snow, impede que físicos tenham interesse em elaborar novas metodologias envolvendo elementos da arte, voltando-se a métodos tradicionais de ensino. Porém, em uma rápida revisão da literatura da área é possível encontrar farto material evidenciando o contrário.

Zanetic (2006), em seu ensaio 'Física e Arte', ressalta a importância da ponte entre Física e Literatura como uma forma alternativa de ensino que contribua na construção de um diálogo inteligente com o mundo, podendo despertar interesse e amenizar a crise de leitura na contemporaneidade, que não pode ficar restrita somente a professores de Português.

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Artuso (2010) destaca a questão da interdisciplinaridade entre Ciência e Arte:

Essa interdisciplinaridade entre Ciência e Arte, aqui mais especificamente entre Física e Poesia, pode ser observada na literatura da área presente em vários momentos: em atividades paradidáticas (GOUVEIA, 2004), ao se trabalhar com projetos (QUEIROZ et al, 2009), ao se lançar questões iniciais e motivadoras (QUEIROZ et al, 2006; BARBOSA-LIMA, 2008), ao se propor atividades de síntese ou debates (LIMA, BARROS; TERRAZAN, 2004; SANTOS; PIASSI; VIEIRA, 2008), ao se realizar um levantamento prévio de concepções alternativas dos alunos (QUEIROZ et al, 2009), através de leituras e produções dos alunos (CARVALHO; ZANETIC, 2005), além de outras possibilidades também levantadas por Moreira (2002) e Zanetic (2005 e 2006). (ARTUSO, 2010, p. 3).

A partir de um olhar superficial, Física e Poesia parecem áreas totalmente distantes e desconexas. Porém, Richard Dawkins, citado por Zanetic (2006), destaca que, inspirado em vários trabalhos de seus colegas poetas, muitos artistas criticam as descobertas científicas, pois acreditam que elas podem matar a Poesia. Dawkins defende justamente o contrário. Ele afirma que '[...] os poetas poderiam fazer melhor uso da inspiração fornecida pela ciência enquanto os estudantes de Física podem fazer melhor uso de sua inspiração fornecida pelos conceitos físicos '.

Como exemplo do papel do uso de Poesia, citamos Moreira (2002) que explora os poemas já existentes na literatura portuguesa e brasileira como método alternativo interdisciplinar entre Física e Poesia, defendendo a valorização dessa junção como excelente ferramenta que envolve processos de imaginação e criatividade. Para o autor, ' ciência e poesia pertencem à mesma busca imaginativa humana, embora ligadas a domínios diferentes de conhecimento e valor ' (MOREIRA, 2002, p. 17).

Assim, considerando que inúmeros são os trabalhos na área envolvendo a relação entre Ciência e Arte, de modo geral, e mais especificamente entre Física e Poesia, nos propomos a analisar o ensino por meio da construção de poemas pelos próprios alunos, como fator de motivação para o aprendizado.

## Os caminhos da pesquisa

Todo o processo de escolha, reflexão, investigação, elaboração, aprimoramento, ressignificação, aplicação e análise da pesquisa ocorreu durante o Estágio Supervisionado. O desenvolvimento do projeto foi realizado em duas etapas: na primeira, o processo de criação dos poemas pelos alunos em sala de aula; na segunda, o processo de socialização e análise desses poemas.

O projeto foi aplicado em duas turmas do primeiro ano do Ensino Médio de uma escola pública da cidade de Goiânia, Goiás, com um total de 60 alunos, em seis encontros. Os elementos investigativos utilizados foram questionários, notas de campo das aulas e os poemas elaborados pelos alunos. Devido ao pequeno número de aulas disponíveis, foram selecionados somente cinco poemas para serem analisados em sala de aula. A seleção considerou os seguintes critérios: clareza do texto, pontuação e escrita correta do Português, elementos da Poesia, tais como rimas, e adequação aos conteúdos e conceitos da Física trabalhados até o momento (cinemática e leis de Newton). Foram, também, aplicados questionários antes, durante a após as intervenções, com o intuito de se analisar as impressões dos alunos durante toda a aplicação do projeto.

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## Resultados e análises

A pesquisa iniciou-se pela explicação aos alunos de seus objetivos e da metodologia a ser utilizada. No primeiro encontro, foi aplicado um pequeno questionário com questões abertas para levantar as impressões iniciais da turma. Em uma de suas questões, foi perguntado: ' Você acha possível haver Poesia no ensino de Física? Por quê? '. De modo geral, as respostas dadas indicaram que os alunos não conseguem perceber a real possibilidade dessa interdisciplinaridade:

- - Sim ,mas de uma forma bem superficial.
- - Sim, mas acho estranho.
- - Não, física é ruim, poesia é pior ainda.

Em um segundo momento, após serem apresentados poemas de outros autores, envolvendo conteúdos da Física, perguntamos, novamente: ' É possível haver Poesia no ensino de Física como forma de trabalhar a interdisciplinaridade, contribuindo de forma lúdica à aprendizagem de Física, tornando a disciplina mais interessante? '. Concordaram totalmente 15,5% dos alunos, 53,4% concordaram parcialmente, 8,6% não sabiam, 15,5% discordaram parcialmente e 6,9% discordaram totalmente.

Com isso, observamos que, neste momento, a maioria dos alunos concordava em parte com a possibilidade de envolver Física com Poesia e, assim, contribuir com a aprendizagem e despertar interesse pela disciplina. Vale ressaltar, que se no primeiro momento eles disseram ser a interdisciplinaridade algo muito distante, após a explicação da proposta e dos exemplos dados em sala, a maioria passou a concordar com a possibilidade.

## Os poemas elaborados e as análises em sala de aula

Após as aulas sobre os conteúdos da Física a serem abordados nos poemas, todos os alunos passaram a elaborá-los. Foram selecionados cinco desses e analisados em sala pelos próprios autores e pelos colegas, com a ajuda dos professores, a partir da projeção em uma tela e da leitura em voz alta pelo autor. Neste trabalho, apresentaremos quatro deles.

## Poema 1 (sem título)

O sentimento sobre física É o sentimento contrário à função horária do Espaço no movimento uniforme

É um movimento retrógrado Ao sentimento da felicidade É um movimento progressivo Me tirando a sanidade.

A autora explicou o poema para a turma da seguinte maneira:

- No poema, eu quis expressar como a física deixa as pessoas loucas pela sua complexidade e quando tentamos resolver algo em física ficamos com um sentimento ruim, algo contrário à felicidade que deixa a gente louco.

Essa aluna, de forma criativa, expressa por meio desse poema o que ela sente em relação à Física. Para escrevê-lo, ela no mínimo teve que assimilar conceitos de Física, tais como, movimento retrógrado, uniforme, progressivo, além de usar elementos do poema como a rima. Muitos alunos concordaram com a autora sobre a dificuldade de aprender Física.

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## Poema 2 (sem título)

Tranquilo no busão Correndo, mas paradão De repente sinto uma força Que me leva para o chão

O ônibus brecou A inércia me afetou Minha cara bateu no chão

E o chão na minha cara socou

Ao serem indagados em quais pontos o poema se identificava com conceitos físicos e que conceitos eram esses, vários alunos responderam. Destacamos duas respostas:

- - Tranquilo no busão. Correndo, mas paradão. Dependendo do ponto de vista pode estar parado ou correndo. Exemplo, um menino dentro do ônibus está parado em relação a outro menino que esteja no ônibus, porém está em movimento ou 'correndo' em relação a uma pessoa que esteja fora do ônibus.

Analisando a fala desse aluno, verificamos que ele compreendeu o conceito de referencial e que o poema elaborado conseguiu trabalhar esse conceito com bastante propriedade. Outro aluno afirmou:

- De repente sinto uma força. Que me leva para o chão. O ônibus brecou. A inércia me afetou. Quando o motorista freia, por inércia tendemos a permanecer em movimento e caso falte equilíbrio, eu além de continuar o movimento 'para frente' posso ser afetado pela força da gravidade batendo a cara no chão.

Neste resultado, o aluno mostra que se apropriou do conceito de inércia e de força gravitacional trabalhado no poema elaborado pelo colega. Foi observado, também, por um aluno, o seguinte trecho do poema:

- Minha cara bateu no chão. E o chão na minha cara socou. Essa é fácil, 'Lei da ação e reação'.

Novamente, o poema conseguiu apresentar um conceito físico, e o aluno conseguiu relacionar o trecho do poema a esse conceito sem ele estar explicito.

## Poema 3 - Leis

Toda lei pertence a uma nação Exceto as leis da Física Desde a ação e reação Até a inércia e massa vezes aceleração

A Física é universal Newton disso sabia A gravidade não é ocasional Enquanto uma maçã caia

Todo corpo tende a inércia primeira Toda ação tende a uma reação segunda Princípio da dinâmica terceira

Inércia, ação, reação e dinâmica Leis que você não pode violar Física mecânica Aquela que faz o mundo funcionar

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Neste poema, a aluna explica que a palavra chave é 'Leis', relacionando as leis da Física com as leis jurídicas e tenta fazer um paralelo ressaltando a importância da Física. Na análise pela turma, a autora foi indagada sobre a ordem das leis e admitiu que havia se equivocado e que o erro não era licença poética.

## Poema 4 - Realidade

Estamos no espaço a flutuar As batidas do coração a acelerar Uniformemente Nossos corpos em movimento constantemente

Não temos influência do ar, mas ainda posso respirar Por te ter Por te amar E assim continuo sem nunca parar

se mantivermos nossas velocidades vetoriais eu talvez te alcance rápida demais Para que você não se canse

E as estrelas tão inertes quanto nós Na nossa função de espaço Pouco a pouco estamos sós

Então, quando no espaço a flutuar Sem influência do ar Sinto algo a me puxar Queda livre... Efeito gravidade

Me puxando de volta para a realidade

Nesse poema, a aluna relaciona seu conflito amoroso, no qual a mesma sai da realidade por imaginar-se em uma situação feliz, mas que no final se torna um fim trágico ao perceber que era tudo ilusão, a gravidade que puxa para baixo a coloca no chão e na realidade.

Após toda a dinâmica, fez-se novamente a pergunta quanto à possibilidade de relacionar Poesia e Física. Os resultados foram: 10,7% concordaram totalmente, 39,3, concordaram parcialmente, 10,7% não souberam responder, 16,1% discordaram parcialmente e 23,2 discordaram totalmente. Comparando esse resultado com o apresentado anteriormente, ou seja, com a mesma pergunta feita antes da elaboração dos poemas, vemos que houve um aumento significativo dos alunos que discordavam da possibilidade. Antes, somente 31,0 % discordavam ou não sabiam responder e agora 50,0 % não concordavam ou não sabiam. Esses resultados sugerem que após os alunos participarem da proposta metodológica, a desaprovação aumentou.

Numa avaliação final, perguntamos: ' O que você achou dessa proposta de aprendizagem de Física? Sentiu-se desafiado? ', destacamos algumas respostas:

- - Achei interessante, pois essa proposta quebrou um pouco esse tipo de aula mecânica que é sempre a mesma coisa.
- - Gostei, porem achei difícil, mais para descontrair do que aprender algo relevante.
- - Foi frustrante tentar aplicar física no poema maioria das vezes não ficava boa.
- - Achei ruim, pois existem outros jeitos lúdicos de se aprender física sem ser com poesia.

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- - Achei ruim, pois não estaremos trabalhando poesia pelo que ela é sim estaremos trabalhando conceitos de física de forma que rime. Não estaremos aprendendo física, estaremos decorando conceitos físicos para serem introduzidos em um poema.
- - Desperdício do tempo da aula, poderíamos ter aprofundado o conteúdo.

As observações dos alunos foram muito importantes, no sentido de que não basta uma metodologia nova no ensino sem que os alunos estejam motivados, também, para sua utilização. Se já não há motivação para a Física, maiores dificuldades existirão ao se adotar uma metodologia que não os motive. Outro ponto importante é o que afirma um dos alunos quando fala que ' não estaremos aprendendo física, estaremos decorando conceitos físicos para serem introduzidos em um poema '. Isso nos traz a reflexão de que as atividades lúdicas devem ser bem estudadas, estruturadas e bem aplicadas, para não se passar a impressão de que é uma metodologia voltada para memorização ou para simplesmente arrumar palavras que 'rimem', como dito por um dos alunos.

Em outras questões, percebemos que, na opinião dos alunos, a técnica não atingiu o objetivo almejado, pois trouxe dificuldades. Percebemos que alguns alunos, como já afirmado por alguns autores de referência deste trabalho, não conseguem trabalhar a interdisciplinaridade, fazendo afirmações do tipo ' poesia não tem nada a ver com Física '. Importante ressaltar que um dos alunos afirmou não ter dificuldades em elaborar poemas usando a física, por ter costume de escrever. Isso nos mostra que no caso do domínio de diferentes áreas pelo aluno, a interdisciplinaridade entre elas é facilmente estabelecida.

Quando perguntamos quais foram os pontos positivos e negativos na aplicação do projeto e o que poderia melhorar, algumas opiniões, que refletem a opinião geral da turma foram:

- - Fazer o ensino de física de uma maneira diferente, porém o poema não é uma boa opção a meu ver. Outra forma de aplicar a física seria melhor.
- - Facilita a compreensão teórica da física. Os negativos é a dificuldade de expor os conceitos físicos com uma coerência relacionando ao cotidiano.
- - Cansativo, desinteressante.
- - Achei péssimo porque não aprendi nada.
- - Não me despertou interesse.
- - Deveríamos aprofundar mais no conteúdo.
- - Tentou fazer a turma interagir com esse método um tanto chato.

Analisando essas opiniões, percebemos que houve pontos positivos, apesar de não terem se adaptado bem ao método. Apesar da maioria das opiniões ser variações de que o método é cansativo e desinteressante e péssimo por não trazer aprendizagem, consideramos importantes as opiniões que ressaltaram a dificuldade de elaboração dos poemas, a dificuldade de relacionar a Física com o cotidiano e a superficialidade dos conteúdos abordados nos poemas.

## Considerações finais

Apesar de termos realizado um recorte da pesquisa para apresentar nesse trabalho, foram feitas outras perguntas relativas a gostar ou não da Física, o que eles entendem por Física, quais as maiores dificuldades com ela, quais as áreas das Ciências eles preferem, se gostam de Poesia, qual a importância de se estudar Física, dentre outras. Constatamos que, como citado por alguns autores, os alunos se sentem desmotivados pelo estudo da Física. A desaprovação quanto à disciplina é evidente, pois a maioria da turma disse não gostar dela. Inúmeros podem ser os

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fatores que contribuem para essa aversão. Isolando algumas variáveis, e pautados em alguns autores, consideramos que as falas dos alunos e os resultados obtidos podem sugerir que o desinteresse pelo aprendizado de Ciência, especialmente pela Física, se deve ao uso de forma sistemática de metodologias ditas tradicionais e que metodologias alternativas são bem vindas nesse processo, fazendo-se necessárias atividades diferenciadas. Por meio das análises, percebemos que os alunos desaprovaram a etapa de criação dos poemas, acharam chato, desinteressante, difícil, alguns decoraram conceitos apenas para aplicar na atividade que se tornou menos produtiva que as aulas tradicionais. Dos 60 alunos, apenas cinco elaboraram poemas razoáveis. No entanto, na etapa de análise ao se projetar o poema em sala, tivemos resultados mais satisfatórios, pois a participação foi maior com os alunos demonstrando maior interesse, e indicando que houve reforço do aprendizado, mesmo que de modo superficial, visto que os poemas foram elaborados por alunos e, portanto não possuíam potencial de análise profunda, o que reforça a ideia de atividade complementar à tradicional. É importante ressaltar que esses alunos eram do primeiro ano do Ensino Médio e que tinham tido pouco contato com a Física até aquele momento, pois estavam estudando a cinemática e a introdução à dinâmica, com as Leis de Newton. Acreditamos que se o trabalho fosse elaborado por alunos que tivessem tido contato com toda a Física, os resultados seriam mais promissores.

Concluímos que uma nova metodologia de ensino deve estar associada à motivação dos alunos com a sua utilização. Se já não há motivação para a Física, maiores dificuldades teremos se adotarmos uma metodologia que não os motive. Nesse sentido, esse trabalho mostrou que o uso de poemas construídos pelos alunos no ensino de Física induz aprendizagem, porém de forma superficial e que deve ser utilizada somente como complemento ao método tradicional de ensino.

## Referências

ALMEIDA, M. J. P. M & RICON, A. E. Divulgação científica e texto literário: uma perspectiva cultural em aulas de Física. Cad. Catarinense de Ensino de Física , v. 10, n.1, 1993.

ARTUSO, A. R. Física e Poesia: Possibilidades através da resolução de problemas. Anais do XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física , 2010, Águas de Lindoia, 2010.

MOREIRA, I. C. Poesia na Sala de Aula de Ciências? A literatura poética e possíveis usos didáticos. Física na Escola , v. 3, n. 1, p. 17-23, 2002.

PIETROCOLA, M. Curiosidade e imaginação: os caminhos do conhecimento nas ciências, nas artes e no ensino. In: CARVALHO, A. M. P (Org.). Ensino e pesquisa : unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Pioneira Thomson, 2004.

YAMAZAKI, S. C. & YAMAZAKI, R. M .O. Sobre o uso de metodologias alternativas para o ensino aprendizagem de ciências. In: Jornada da educação da grande região de dourados . 2006.

ZANETIC, João Física e cultura. 2005. Ciência e Cultura , São Paulo, v. 57, n. 3, p. 21-4.

ZANETIC, João: Física e arte: uma ponte entre duas culturas. 2006. Pro-Posições , v. 17, n. 1 (49), jan./abr., p. 39-57.

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