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INTERVENÇÕES E METODOLOGIAS DIDÁTICAS: UMA ABORDAGEM DO PIBID/FÍSICA NO ENSINO MÉDIO

Fernanda Sousa, Éder Silva, Elizângela Gonçalves, Lucas Morais, Lidiane De Paula, Ana De Lima, Ivair Francisco, Elizângela Patrício, Elisângela S. Pinto, Gislayne E. Gonçalves, Raquel Barbosa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## INTERVENÇÕES E METODOLOGIAS DIDÁTICAS: UMA ABORDAGEM DO PIBID/FÍSICA NO ENSINO MÉDIO

Fernanda Sousa 1 , Éder Silva , Elizângela Gonçalves , Lucas Morais , Lidiane 1 1 1 de Paula , Ana de Lima , Ivair Francisco , Elizângela Patrício , Raquel 1 1 1 1 Barbosa 2 , Elisângela S. Pinto , Gislayne E. Gonçalves 1 1

1 Instituto Federal Minas Gerais, Campus Ouro Preto, Coordenadoria de Física, fernandaluizadesousa@gmail.com

## Resumo

A Física desempenha um papel de destaque no desenvolvimento científico e tecnológico, sendo de suma importância analisar as áreas de aplicações. Esse papel, no entanto, poderá ser visto e vivenciado de forma mais crítica e mais humanizada na medida em que os professores de Física buscarem desenvolver em seus alunos a capacidade de compreender e de intervir criticamente na sociedade. Nesse sentido, o PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência) /Física/ IFMG - Campus Ouro Preto, desenvolvido na escola parceira Escola Estadual Desembargador Horácio Andrade, em Ouro Preto, Minas Gerais, busca- promover o aumento do interesse e participação dos alunos durante as aulas de Física e de Ciências em geral, a fim de promover um melhor aproveitamento nesses conteúdos. Para tanto, procurou-se conhecer o ambiente escolar, o perfil do público (alunos e professores) e observar os alunos em sala de aula. Mediante a análise dessas atividades, foi realizada a pesquisa de metodologias que seriam aplicadas por meio desta proposta e com o auxílio do professor supervisor. Portanto, optou-se por trabalhar com aulas práticas, utilizando materiais alternativos e/ou de baixo custo, aplicação da metodologia de projetos interdisciplinares, monitorias, trabalho com textos científicos, além de acompanhar o dia a dia em sala de aula. Assim, todas as atividades citadas têm sido avaliadas por professores e alunos como uma maneira mais significativa de minimizar as dificuldades de aprendizagem no ensino de Física, bem como vem despertando o interesse dos alunos em relação à Ciência em geral.

Palavras-chave : Interdisciplinaridade, Ensino de Física, PIBID.

## Introdução

O ensino de Física tem se realizado mediante a apresentação de conceitos, leis e fórmulas, de forma desarticulada, distante da realidade dos alunos e professores e vazios de significado. Pois, os professores não incentivam os alunos a pensarem e serem críticos, o que gera desinteresse pelo trabalho escolar. Neste sentido, segundo Michelena:

Este desinteresse ocorre, em parte, devido à falta de significado, para os alunos, do conteúdo tratado, o que leva à indisciplina em sala de aula, à repetência e à evasão escolar. A disciplina de Física é apresentada, geralmente, sem relação com o dia-a-dia, sendo vista como uma disciplina difícil, desinteressante e uma grande lista de equações a serem decoradas para o dia da prova. (MICHELENA, 2008, p. 7)

As principais dificuldades enfrentadas pelos alunos estão associadas à falta de domínio matemático para resolução de problemas, além da ausência de interpretação de texto exigida pelos exercícios práticos e teóricos abordados pelo educador em sala de aula. Ainda existe o total desprezo que eles atribuem à

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disciplina, uma vez que se acredita que a Física não acrescentará nada de importante em suas vidas.

Diante dessas dificuldades, surgiram várias pesquisas que apontam para uma educação voltada à plena participação dos alunos no processo de ensino e aprendizagem tal como menciona Verceze (2008). Portanto, a estratégia relacionada ao ensino e aprendizagem em Física, para o desenvolvimento do presente trabalho, se fundamentou pedagogicamente, na teoria sociocultural de Vygotsky. Uma vez que, essa teoria enfatiza a interação social como primordial no desenvolvimento da pessoa que aprende. Pois esta concentra-se na relação entre a interação social do indivíduo e o seu desenvolvimento cognitivo, ou seja, o conhecimento é construído por meio das interações dos alunos com o meio e com outros indivíduos, e são essas interações as principais promotoras da aprendizagem. De acordo com Vygotsky (1978), o ser humano é um ser social, que constrói sua individualidade a partir das interações que estabelece entre si e com outros indivíduos, mediadas pelos padrões da cultura vigente.

Além disso, a interdisciplinaridade e a contextualização, duas vertentes que se procura colocar em prática por meio deste trabalho, é um dos princípios norteadores gerais estabelecidos pelas Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio. Essas vertentes uma vez associadas a uma nova metodologia, dispõe-se da organização do conhecimento, pois o trabalho interdisciplinar precisa, segundo Carlos:

(...) a partir da necessidade sentida pelas escolas, professores e alunos, explicar, compreender, intervir, mudar, prever, algo que desafia uma disciplina isolada e atrai a atenção de mais de um olhar, talvez vários (CARLOS, 2007).

Neste contexto, as ações realizadas pelo PIBID/FÍSICA/IFMG - Campus Ouro Preto busca o envolvimento, interesse e participação dos alunos durante as aulas de Física e Ciências em geral através de aulas práticas, projetos interdisciplinares e textos científicos, almejando a melhoria no processo de ensino aprendizagem desses conteúdos.

## Metodologia

Inicialmente, procurou-se conhecer o ambiente escolar, o perfil do público (alunos e professores), por meio de um pré-teste e em sequência houve a observação dos alunos em sala de aula.

A atuação do PIBID na Escola Estadual Desembargador Horácio Andrade, atende a aproximadamente 450 alunos, onde é uma escola que apresenta baixo IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), alunos de classe baixa e média. Nesta escola atende-se 9 turmas de ensino médio (1° ao 3° ano) e 3 turmas de ensino fundamental (9°ano). Com relação aos professores são 3 professores de Física e a contribuição de professores de outras áreas como Biologia, Química, Geografia e Português afim de desenvolver o trabalho de maneira interdisciplinar.

Mediante a análise e observação do público alvo, foi realizada a pesquisa de metodologias que seriam utilizadas e trabalhadas com os alunos, com o auxílio do professor supervisor. Optou-se por trabalhar com aulas práticas, utilizando materiais alternativos e/ou de baixo custo, aplicação da metodologia de projetos interdisciplinares, estudo de textos científicos, monitorias, além de acompanhar o dia

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a dia em sala de aula. A partir do fluxograma da Figura 1, pode-se observar como são desenvolvidas as atividades.

Figura 01: Etapas utilizadas para desenvolvimento das atividades.

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## Resultados e discussões

Os principais resultados obtidos por meio deste trabalho serão descritos a seguir. A Figura 2 mostra a aplicação da aula prática sobre Leis de Newton, e a participação dos alunos durante essa atividade. Por meio desta figura, pode-se notar o interesse dos alunos pela atividade. Por meio dessa atividade pode-se mostrar as três Leis de Newton, através de experimentos de baixo custo, foi preparado três roteiros de atividades diferentes afim de demonstrar as três Leis de Newton Vale mencionar que cada aula prática se inicia com uma pergunta problema, a fim de incentivar os alunos a pensarem sobre os fenômenos físicos envolvidos. Além disto, o roteiro experimental foi construído baseando em perguntas, para fazer com que o aluno faça parte ativamente do processo de ensino. O modelo do roteiro é recomendado por Gaspar (2003) e segue a teoria do construtivismo proposta por Piaget (1987) e Vygotsky (1978).

Figura 02: Exposição e explicação da aula experimental sobre Leis de Newton, alunos durante a atividade (a) e (b) da 1ª Lei de Newton (c) e (d) da 2ª Lei de Newton (e) e (f) da 3ª Lei de Newton. Dados do autor.

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Já Figura 3 mostra a aplicação da aula prática sobre lentes . Esta é uma das 1 atividades aplicadas no projeto interdisciplinar 'A Física Aplicada ao Corpo Humano' e objetivou-se abordar todos os conceitos sobre lentes convergentes e associá-la ao funcionamento do olho humano, foi possível notar a participação dos alunos durante a atividade proposta. Durante a atividade construiu-se uma lente de água utilizando uma argola de arame e água, obtendo assim uma lente biconvexa e, portanto, convergente.

(b)

Figura 03: Exposição e explicação da aula experimental sobre lentes, (a) materiais utilizados no experimento (b) alunos durante a explicação do tema; (c) alunos realizando a montagem do experimento (d) alunos testando e observando o funcionamento do experimento. Dados do autor

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A Figura 4 retrata os alunos na monitoria, realizada com os estudantes do 1°, 2° e 3° anos do Ensino Médio. Vale mencionar, que os alunos que participam de tal atividade vêm apresentando melhor desempenho nas avaliações e um aumento de interesse em sala de aula, fato observado no dia a dia de sala de aula, durante as ações dos alunos bolsistas do PIBID.

Figura 04: Monitoria realizada com os alunos. Dados do autor.

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Já a Figura 5 mostra a aplicação da aula prática sobre o microscópio caseiro. Esse experimento consiste da colocação de uma lente (extraída do drive de um DVD) junto a câmera do celular. Essa lente é fixada por meio de um suporte podendo esse ser de papel e com o auxílio de uma fita adesiva. Com esse

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experimento os alunos conseguem observar os grandes detalhes de uma flor, grão de açúcar, etc. Ainda é possível abordar conteúdos de óptica e de Ciências em geral.

Figura 05: (a) e (b) Alunos durante a aula prática sobre Microscópio caseiro (c) montagem do experimento e (d) Foto de uma pétala de flor obtida através do microscópio caseiro. Dados do autor.

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A Figura 6 mostra a aplicação da aula prática que aborda o tema sobre o disco de Newton. Esse experimento foi desenvolvido por meio de um CD e uma folha de papel A4 cortada do tamanho do CD, colorida em sete faixas com as cores primárias e anexada ao CD. Com o auxílio de um barbante colocou-se o CD em movimento. Trata-se de uma intervenção com os alunos do tempo integral, que foi elaborada como uma forma de entretimento em que é possível abordar a Física. Essa atividade despertou bastante a curiosidade dos alunos, houve o envolvimento, interesse e participação dos mesmos.

Figura 06: Aula prática sobre o disco de Newton (a)e (b) montagem do experimento, (c) aluna testando o disco de Newton construído. Dados do autor.

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(c)

Assim, diante desses resultados, o Ensino de Física e o Ensino de Ciências vem sendo promovido por meio de intervenções como atividades experimentais, aulas práticas através do desenvolvimento de projetos interdisciplinares tais como: Física aplicada aos Esportes, Física aplicada ao Corpo Humano, Física aplicada ao Trânsito e Física aplicada ao uso racional da água. Além de trabalho com textos científicos e monitorias. Vale a pena mencionar que todas as atividades experimentais foram desenvolvidas com o auxílio de um roteiro de orientação que sempre se iniciam com uma situação problema relacionada ao tema.

Os alunos sempre são dispostos em grupos permitindo assim a relação entre eles e com o objeto de estudo, ou seja, com os materiais para a montagem do experimento e com o experimento em si.

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## Conclusões

Pode-se concluir que as ações realizadas pelo PIBID/FÍSICA/IFMG Campus Ouro Preto tem sido avaliada por professores e alunos como estratégias de ensino bastante significativas, que motiva os alunos para o ensino de ciências em geral, bem como minimiza as dificuldades de aprendizagem desses alunos com relação aos conteúdos abordados durante as aulas de Física. Além disto, proporciona aos alunos bolsistas do PIBID um contato direto com o seu futuro ambiente de trabalho, por meio de experiências concretas de ensino, elaboração de atividades de intervenção didática, trabalho por meio da metodologia de projetos, dentre outras. Ademais, norteia os professores da escola parceira em suas atividades de sala de aula. Por fim, proporciona uma parceria entre o IFMG Campus Ouro Preto com a rede estadual de ensino.

## Agradecimentos

Os autores agradecem ao Instituto Federal Minas Gerais - campus Ouro Preto, à Escola Estadual Desembargador Horácio Andrade e ao Prodocência pelo apoio.

## Referências

CARLOS, Jairo Gonçalves. Interdisciplinaridade no ensino médio: desafios e potencialidades. Brasília: UnB, 2007. 172 p. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências, Universidade de Brasília, Brasília, 2007.

GASPAR, Alberto. Experiências de Ciências para o Ensino Fundamental . São Paulo: Ática, 2003.

MICHELENA, Juleane Boeira. Física térmica: uma abordagem histórica e experimental. Porto Alegre: UFRGS, 2008. 125 p. Dissertação (Mestrado) Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.

\_\_\_\_\_\_. O nascimento da inteligência na criança . Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.

VERCEZE, Rosa Maria A Nechi. A interação professor/aluno na sala de aula . Em: A interação professor/aluno na sala de aula, 2008, Rio de Janeiro. Cadernos do CNLF (CiFEFil). Rio de Janeiro: CIFEFIL, v. XII, 2008.

VYGOTSKY, Lev Semenovitch. The Development of Higher Psychological Processes. Cambridge MA: Harvard University Press. Mind in Society, 1978.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.