A Instrumentação Científica e o Ensino de Física voltados para a Alfabetização Científica
Thiago Moura Zetti, Milton Souza Ribeiro Miltão, Juan Alberto Leyva Cruz, Ernando Silva Ferreira4
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 23/01/2017
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A Instrumentação Científica e o Ensino de Física voltados para a Alfabetização Científica
## Thiago Moura Zetti , Milton Souza Ribeiro Miltão², Juan Alberto Leyva Cruz , 1 3 Ernando Silva Ferreira 4
¹UEFS/Departamento de Física/zetti.tm@gmail.com
²UEFS/Departamento de Física/miltaaao@gmail.com
³UEFS/Departamento de Física/jalbertoleyva@yahoo.com.br
4 UEFS/Departamento de Física/ernandofisica@yahoo.com.br
## Resumo
O Campo do Saber da Física tem várias áreas de atuação, p.ex., Ensino de Física e Instrumentação Científica em Física. A primeira se ocupa do processo de socialização do conhecimento físico para a sociedade; a segunda, objetiva viabilizar a atividade experimental e observacional do Campo do Saber da Física, em um conjunto não específico de sistemas físicos. Existe uma relação importante entre essas duas áreas, relação essa que deve ser refletida na Alfabetização Científica da Física. Neste trabalho, objetivamos analisar como a instrumentação científica em Física contribui para o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes da rede pública de ensino da cidade de Feira de Santana, na Escola Modelo Luís Eduardo Magalhães e, particularmente, para a formação do estudante de licenciatura em Física, na Universidade Estadual de Feira de Santana. O público pesquisado foi constituído dos estudantes das turmas da Escola Modelo e dos bolsistas do PIBID que atuam nessa escola. A estratégia metodológica para implementarmos uma concepção pedagógica assentada nas epistemologias construtivista e dialógica, foi constituída da utilização de equipamento de baixo custo relacionado com a luz no estudo de fenômenos ópticos que ocorrem no cotidiano dos estudantes, tais como os fenômenos de absorção e emissão de fluorescência visível que ocorrem em plantas, lâmpadas e refrigerantes. Utilizamos para a coleta de dados, a metodologia da observação e do comportamento dos estudantes e monitores durante a apresentação dos experimentos. Com isso pudemos inferir que uma atividade desse tipo propicia uma participação dos estudantes, o que possibilita uma aprendizagem significativa, bem como a alfabetização científica.
Palavras-chave : Ensino de Física, Instrumentação Científica, Alfabetização Científica.
## Introdução
O Campo do Saber da Física tem várias áreas de atuação, particularmente, Ensino de Física e Instrumentação Científica em Física (ÁREA..., 1998; KLEIBER, 1935; LOPES, 2004). A primeira, o Ensino de Física, se ocupa do processo de socialização do conhecimento físico para a sociedade; e a segunda, a Instrumentação Científica em Física, objetiva viabilizar a atividade experimental e observacional do Campo do Saber da Física, em um conjunto não específico de sistemas físicos, tanto na elaboração de procedimentos experimentais e observacionais para estudar os fenômenos caros para a Física, quanto na averiguação e falseamento das suas leis.
Consequentemente, estudamos como a Instrumentação Científica em Física contribui para o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes da rede pública
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de ensino da cidade de Feira de Santana, na Escola Modelo Luís Eduardo Magalhães e, particularmente, para a formação do estudante de licenciatura em Física, na Universidade Estadual de Feira de Santana, no que tange à elaboração e utilização de experimentos de baixo custo voltados para a alfabetização científica e aprendizagem significativa. Assim sendo, o público pesquisado foi constituído dos estudantes das turmas da Escola Modelo e dos bolsistas do PIBID que atuam nessa escola.
- A partir dos referenciais teóricos da pedagogia assentada nas epistemologias construtivista e dialógica (FARIA, 1987; MILTÃO et all, 2006, 2008; MIZUKAMI, 1986), investigamos como a Instrumentação Científica em Física pode contribuir na formação dos sujeitos acima mencionados, propiciando um aprender e um ensinar significativos, garantindo uma alfabetização científica, entendida como ' o conjunto de conhecimentos que facilitariam aos homens e mulheres fazer uma leitura do mundo onde vivem ' (CHASSOT, 2000, p. 19), para eliminar o abismo entre cultura científica e tecnológica e cultura geral, de forma tal que ' os alfabetizados cientificamente não apenas tivessem facilitada a leitura do mundo em que vivem, mas entendessem as necessidades de transformá-lo - e, preferencialmente, transformá-lo em algo melhor ' (CHASSOT, 2003, p. 94), contribuindo ' para a compreensão de conhecimentos, procedimentos e valores que permitam aos estudantes tomar decisões e perceber tanto as muitas utilidades da ciência e suas aplicações na melhora da qualidade de vida, quanto as limitações e consequências negativas de seu desenvolvimento ' (CHASSOT, 2003, p. 99).
## Objetivos
- O objetivo geral do trabalho é investigar como a Instrumentação Científica em Física se relaciona com o Ensino de Física, promovendo um conjunto de atividades experimentais de baixo custo que sejam formativas do conhecimento produzido no âmbito dos temas transversais que contempla o curso de Licenciatura em Física da UEFS.
Como objetivos específicos, podemos elencar os que seguem:
- (i) compreender como a Instrumentação Científica em Física contribui na formação do estudante do curso de licenciatura em Física;
- (ii) elaborar experimentos de baixo custo voltados para a melhoria da formação dos estudantes do ensino básico e que possibilitem a alfabetização científica e a aprendizagem significativa;
- (iii) apresentar os experimentos didáticos nos Colégios do Ensino Médio.
## Metodologia
Este trabalho teve e continua tendo suas ações pautadas em pesquisas bibliográficas relevantes, através de (i) estudos e discussões dos assuntos que fundamentam o referencial teórico; e (ii) estudo do significado de Instrumentação Científica, para a compreensão da relação entre Instrumentação e Ensino de Física. E também teve suas ações pautadas em pesquisas práticas de laboratório, através de (i) elaboração de experimentos de baixo custo relativos ao Campo do Saber da Física e que permitam uma compreensão fenomenológica da Física; e (ii)
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apresentação dos experimentos nos Colégios do ensino médio na cidade de Feira de Santana do Estado da Bahia.
No aspecto da coleta de dados, a metodologia empregada utilizou a análise e observações do comportamento dos estudantes (MARCONI e LAKATOS, 2006), através do diálogo e questionamentos destes com o professor, durante e após as atividades de apresentação dos experimentos. Esse trabalho foi realizado no período de 2 (dois) meses no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães na cidade de Feira de Santana-Ba com uma turma do 2º ano de ensino médio com cerca de 40 (quarenta) estudantes divididos em 8 (oito) grupos de 5 (cinco), sendo realizado em uma sala reservada para esta atividade.
## Discussão
Inicialmente elaboramos um experimento relacionado com a Mecânica e com a Óptica, com o objetivo de aprimorar o conhecimento dos estudantes nos conceitos de transformação de energia: Energia Eólica em Energia Elétrica. Depois, com o fito de introduzir o fenômeno da fluorescência, montamos alguns experimentos relacionados com fenômenos ópticos e fluorescência com o objetivo de aprimorar o conhecimento dos estudantes nos conceitos de óptica e situações recorrentes presente no cotidiano.
Os experimentos foram feitos com matérias adquiridos pelo Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães através do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e cedidos pelo Laboratório de Física (LABOFIS) da Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS. Antes e depois da realização das atividades, foram feitas as seguintes perguntas, que serviram de avaliação do processo:
- 1) Você conhece o que é um fóton ou um quanta de energia?
- 2) Você conhece o que é uma onda Eletromagnética?
- 3) A luz é uma onda eletromagnética?
- 4) Você sabe o que acontece quando a luz incide sobre uma superfície?
- 5) O que é a luz branca?
- 6) Sabe como se forma um arco-íris?
- 7) O que você entende como Fluorescência?
- 8) Como acontece a reflexão e refração da luz
- 9) Como é feita a correção dos problemas de visão?
- 10) Atividades experimentais como essas realizadas, contribuem para o seu aprendizado? Justifique.
Para possibilitar uma generalização de nossas análises, descreveremos sucintamente os experimentos desenvolvidos nessa etapa de nossa pesquisa. Em relação aos experimentos de Ótica e Fluorescência, foram utilizados os seguintes materiais:
- 1. Conjunto de materiais para o estudo de óptica:
- 1.1. 01 fonte de luz branca com adição de cores; 2 lâmpadas 12V 21W; 4 encaixes para diafragmas; e 2 portas articuláveis com espelhos planos de abertura 0 à 90º,
- 1.2. 01 diafragma com 1 fenda conjugada com filtro vermelho,
- 1.3. 01 diafragma com 3 fendas conjugadas com filtro azul,
- 1.4. 01 perfil acrílico bicôncavo,
- 1.5. 01 perfil acrílico plano-côncavo,
- 1.6. 01 perfil acrílico biconvexo,
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- 1.7. 02 perfis acrílicos plano-convexos,
- 1.8. 01 perfil acrílico semicircular,
- 1.9. 01 perfil acrílico prisma de 60º,
- 1.10. 01 lente convergente de vidro com 120mm de distância focal,
- 1.11. 01 disco giratório Ø23cm com escala angular e subdivisões de 1º,
- 1.12. 01 suporte para o disco giratório,
- 1.13. 01 superfície refletora conjugada: côncava, convexa e plana,
- 1.14. Lanterna 14 Led Ultra Violeta 380~400nm Preta;
- 2. Materiais fluorescentes (solução de clorofila e marcador de texto):
- 2.1. 01 Becker;
- 2.2. 01 suporte para conta gotas.
Primeiramente, organizamos os materiais do conjunto de óptica que seriam utilizados nos fenômenos ópticos que foram abordados (refração, reflexão, reflexão total e dispersão da luz). Posicionamos a fonte de luz branca sobre uma mesa, junto com o disco giratório com escala angular e seu suporte. À medida que cada fenômeno ia sendo abordado, um adequado tipo de perfil de acrílico era utilizado (vide a Figura 1), e a teoria que envolvia todo o processo era explicitada oralmente e com demonstração em um quadro negro. Além destes fenômenos relacionados com a luz, foram abordados também alguns problemas de visão (Miopia e Hipermetropia) bastante conhecidos pelo público presente. Para tal demonstração, foram utilizadas imagens simuladoras de olhos que apresentavam miopia, hipermetropia e normalidade, além de perfis de acrílico para simular como os feixes chegam aos olhos (vide a Figura 2).
Figura 1: Experimento sobre reflexão da luz.
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Figura 2: Experimento sobre problemas de visão.
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Para tratar da fluorescência, utilizamos uma lanterna de emissão Ultravioleta e alguns materiais fluorescentes fáceis de serem adquiridos pelos estudantes, tais como uma solução em clorofila e marcador de texto (vide a Figura 3).
Figura 3: Demonstração da fluorescência de um material (marcador de texto).
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Para a Óptica, a utilização da fonte de luz branca, perfis de acrílico e o disco giratório possibilitou dialogarmos com os estudantes sobre a sua composição e o seu comportamento em geral, ao atingir determinadas superfícies. Os estudantes puderam compreender os conceitos físicos que envolvem situações frequentes do seu cotidiano, tais como o aparecimento do arco-íris em momentos que antecedem
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e/ou procedem as precipitações, a imagem aparente vista de um peixe por uma pessoa fora d'agua e por que as pessoas com problemas de visão necessitam do uso de óculos ou lentes de contato.
No que se refere à fluorescência, os materiais de fácil acesso, utilizados neste trabalho, possibilitaram demonstrar como o material pode modificar o comprimento de onda da radiação luminosa que incide sobre elas, emitindo, dessa forma, radiação de coloração distinta daquela incidente, o que se torna bastante interessante quando a luz incidente está na faixa do ultravioleta, invisível ao olho humano, e a luz emitida, no espectro do visível.
Os estudantes do 2º ano do ensino médio se mostraram bastantes interessados na demonstração de tal experimento, como demonstram as questões representativas: 'porque o ocorre o arco-íris?' ; 'porque quando vemos uma pessoa submersa, ela parece estar mais perto da gente?'. Tais perguntas foram claramente respondidas com experimentos sobre a dispersão da luz e o fenômeno da refração. Eles também mostraram curiosidade, pois demonstravam tendências para averiguar ou ver fenômenos bem como expressaram desejos explícitos pela compreensão de tais fenômenos que estavam sendo estudados. Ademais, o mesmo ocorreu com os conceitos físicos, e o modo como estavam sendo representados, ao associar tais conceitos com a utilização de materiais e ferramentas que estavam no cotidiano de cada um. Dessa forma, ficou perceptível que este trabalho, bem como os anteriores, pode ser aplicado em salas de aula dos cursos de Física do ensino médio.
Pelo que percebemos, os estudantes ficaram encantados, pois demonstraram grande arrebatamento e prazer através da iniciativa e entusiasmo em participar da construção do aparato experimental, bem como das discussões. Além disso, teceram considerações orais, tais como demonstra esta fala representativa: 'Então por isso que minha mãe usa óculos' , e expressaram suas opiniões sobre o tema em pauta da óptica, melhorando assim suas aprendizagens, o que pôde ser constatado através do questionário, por eles respondidos antes e depois da realização deste experimento, conforme mostram os gráficos 1, 2, 3, 4 e 5.
Gráfico 1. Comparação das respostas do questionário (antes e depois do experimento).
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No gráfico 1, sobre a experiência da fluorescência, podemos perceber que os estudantes tinham pouco conhecimento em relação a estes conceitos antes da aplicação do projeto. Isso fica evidente no alto percentual de resposta não coerentes e inexistentes. Após as atividades do projeto, notamos que houve um progresso no entendimento da fluorescência pelos estudantes, considerando que houve um aumento percentual nas respostas que condizem com o fenômeno.
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Gráfico 2. Comparação das respostas do questionário (antes e depois do experimento).
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No gráfico 2, temos uma situação um pouco alarmante, quando tratamos sobre os aspectos dos fenômenos da reflexão e refração da luz, pois houve um alto índice de respostas inexistentes passando da casa dos 90%, o que nos mostra que estudantes do 2º ano do ensino médio, ainda desconhecem esses termos e não conseguem associar com situações recorrentes do cotidiano. Com a demonstração destes fenômenos através das atividades experimentais e fazendo um paralelo com situações do dia-a-dia destes estudantes, pudemos notar um entendimento dos termos e os conceitos relacionados, chegando a uma margem de 50% de respostas coerentes.
Gráfico 3. Comparação das respostas do questionário (antes e depois do experimento).
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No gráfico 3, que retrata a demonstração experimental sobre os problemas de visão e que especialmente afetava uma boa parte dos estudantes que participaram do projeto nos mostra que, em sua grande maioria os estudantes tinham um pensamento bastante equivocado sobre este tema, em especial a miopia e hipermetropia. Com a demonstração da causa destes problemas e qual a maneira de fazer as necessárias correções, foram sanando as dúvidas e curiosidades acerca deste tópico, o que ficou bastante evidente nas respostas pós-oficina onde aproximadamente 70% das respostas foram coerentes.
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Gráfico 4. Comparação das respostas do questionário (antes e depois do experimento).
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Gráfico 5. Comparação das respostas do questionário (antes e depois do experimento).
No gráfico 4, sobre a experiência da dispersão da luz (que utilizamos como exemplo o arco-íris), constatamos um pequeno índice de respostas coerentes e parcialmente coerentes antes da aplicação do projeto, o mesmo é observado um pouco mais timidamente no gráfico 5, sobre a experiência da natureza da luz. Com a abordagem desta atividade relacionando a teoria da natureza da luz com o que é observado pelos estudantes na formação de arco-íris em dias com precipitações, percebemos um alto índice de respostas coerentes e parcialmente coerentes após as atividades, que juntos somam cerca de 90% das respostas.
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Dessa forma, podemos perceber como a Instrumentação Científica, através de experimentos, pode contribuir para a alfabetização do conhecimento físico.
Em relação ao aspecto da formação do estudante de licenciatura em Física da Universidade Estadual de Feira de Santana, a Instrumentação Científica em Física contribuiu visto que a montagem e utilização de equipamentos de baixo custo possibilitou uma prática de uma concepção pedagógica assentada nas epistemologias construtivista e dialógica, inclusive contribuindo para uma prática concreta das componentes curriculares 'Instrumentação para o Ensino de Física I e II' do currículo do Curso de Licenciatura em Física. A questão construtivista ocorreu não só na montagem em si dos equipamentos, mas na montagem em sala de aula com a participação dos estudantes da Escola. Por outro lado, a questão dialógica ocorreu na medida em que a participação dos estudantes foi efetiva em todos os momentos do processo.
## Conclusões
Desde 2013 desenvolvemos trabalhos relacionados com a Instrumentação Científica e o Ensino de Física. Utilizamos experimentos relacionados com a Mecânica e a Óptica que permitiram localizar os indivíduos em um sistema de referência, como por exemplo, a régua e o relógio (que formam um sistema de referência), e utilizar os telescópios; utilizando materiais de baixo custo para modelizar um procedimento da Instrumentação Científica, elaboramos um experimento para apresentar em salas de aula do ensino médio na cidade de Feira de Santana, uma correlação de algumas teorias da Física estudadas neste nível de ensino: Mecânica, Transformação de Energia, Eletromagnetismo (Óptica) e Mecânica Quântica; e utilizamos um equipamento de baixo custo relacionando a luz com alguns fenômenos ópticos que ocorrem no nosso cotidiano, tais como os fenômenos de absorção e emissão de fluorescência visível, observados em materiais de baixíssimo custo e que fazem parte do dia-a-dia dos estudantes, a exemplo de cédulas de dinheiro, clorofila de plantas, flores, lâmpadas, refrigerantes, tintas e maquiagens fluorescentes, que possibilitaram dialogarmos com os estudantes sobre a natureza da luz, da fluorescência e o conceito de Óptica em geral.
Assim sendo, ao longo desses anos temos buscado, através de experimentos de baixo custo, compreender como a Instrumentação Científica em Física contribui para a formação do licenciando em Física, relacionando essa formação com a alfabetização científica. Neste trabalho, também procuramos demonstrar que, de fato, com a estratégia dos experimentos de baixo custo, a Instrumentação Científica é uma opção didática de peso na busca do interesse dos estudantes da Educação Básica para a Física, principalmente quando os experimentos utilizados se relacionam com questões do dia-a-dia e que permitem aprofundamentos para as teorias e leis gerais da Física.
Concluímos, portanto, que existe uma forte relação entre as áreas de Instrumentação Científica e o Ensino de Física, de maneira tal que contribui para o processo de ensino-aprendizagem das teorias e leis gerais da Física. Essa afirmativa decorre do fato de que:
- I. a participação ativa dos estudantes ocorreu através de diálogo e questionamento com o professor, durante e após a realização das atividades ilustrativas dos experimentos apresentados em sala de aula;
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- II. a aprendizagem e absorção dos conceitos físicos envolvidos ficam facilitadas durante a ação epistemológica-pedagógica que seja dialógica-de ação cultural e construtivista-relacional;
- III. em nosso estudo percebemos que o interesse dos estudantes pela Física é despertado através de fenômenos que advenham de seu dia-a-dia possibilitando posterior abstração; e
- IV. a formação do estudante de licenciatura é melhorada na medida em que o desenvolvimento e utilização de instrumentos de baixo custo nas escolas do ensino Médio possibilita uma prática pedagógica concreta das questões abordadas nos componentes curriculares 'Instrumentação para o Ensino de Física I e II'.
## Referências
ÁREA DE FÍSICA DA UEFS. Projeto do Departamento de Física da UEFS. Feira de Santana - BA: PUBLIFIS - Publicações da Área de Física, 1998.
CHASSOT, Attico. Alfabetização científica: questões e desafios para a educação. Ijuí: Editora Unijuí, 2000.
CHASSOT, Attico. Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social. Revista Brasileira de Educação. Nº 22: 89-100, Jan/Fev/Mar/Abr 2003.
FARIA, W. Teorias de Ensino e Planejamento Pedagógico. São Paulo: EPU, 1987.
KLEIBER, J. Compêndio de Física, 2a ed. Globo, Porto Alegre - RGS, 1935.
LOPES, J. Bernardino. Aprender e Ensinar Física. Lisboa. Fundação Calouste, 2004.
MARCONI, M., LAKATOS, E. M. Técnicas de Pesquisa. 6ª edição, Editora Atlas, São Paulo - SP, 2006.
- MILTÃO, M. S. R.; SIMÕES, M. T. M.; SERRA, D. S.; SOUSA, T. C. R. Considerações gerais sobre o uso da televisão e do vídeo na escola a partir da experiência de professores em sala de aula no nível secundário. Sitientibus Série Ciências Físicas. v. 04: 11-31, 2008.
- MILTÃO, M. S. R.; SIMÕES, M. T. M.; SERRA, D. S.; SOUSA, T. C. R. Considerações Gerais sobre o Uso dos Livros Didáticos a partir da Experiência de Professores em Sala de Aula no Nível Médio. Caderno de Física da UEFS. v. 04: 5180, 2006.
MIZUKAMI, M. G. N. Ensino: as Abordagens do Processo. São Paulo: EPU, 1986.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.