Análise do perfil dos pesquisadores que publicam trabalhos do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC) sobre o Ensino de Astronomia
Arian Rodrigues Batista, Agenor Pina Da Silva, Pedro Souza
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 23/01/2017
- Linha de pesquisa
- Ensino E Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Análise do perfil dos pesquisadores que publicam trabalhos do Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC) sobre o Ensino de Astronomia
## Arian Rodrigues Batista , Agenor Pina da Silva , Pedro Souza 1 2 3
- 1 Universidade Federal de Itajubá/IFQ, arian\_rodrigues93@yahoo.com.br
- 2 Universidade Federal de Itajubá/IFQ, agenor@unifei.edu.br
- 3 Universidade Federal de Itajubá/IFQ, pedrofilipedss@yahoo.com.br
## Resumo
Nesta pesquisa são apresentados os resultados da primeira parte de um trabalho de conclusão de curso cujo objetivo é identificar as principais concepções e tendências relativas ao Ensino de Astronomia presentes nos artigos apresentados no Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências no período de 1997 a 2015. Aqui, em particular, são mostrados os resultados iniciais sobre o levantamento do perfil dos pesquisadores que apresentaram trabalhos relacionados ao Ensino de Astronomia nesses eventos e o conhecimento específico de Astronomia presentes nesses trabalhos. A pesquisa realizada é de caráter bibliográfico, sendo que, entre os 7144 trabalhos apresentados foram encontrados apenas 68 artigos que abordam este tema nas edições desse evento, sendo que 134 autores participaram desses trabalhos. Foi possível observar que os principais conteúdos de Astronomia tratados nesses trabalhos são os comumente apresentados em livros, como Fases da Lua, Eclipse, Planetas, etc. Os dados mostraram ainda que a maior parte dos trabalhos são destinados ao Ensinos Fundamental. Todos os trabalhos analisados são destinados aos cursos presenciais.
Palavras-chave : Ensino de Astronomia; ENPEC; Estado da Arte.
## Introdução
A Astronomia é uma das ciências mais antigas desenvolvidas pelo homem. O seu estudo é registrado nos documentos escritos mais primitivos, em monumentos paleolíticos e até em pinturas rupestres. Ela desperta a curiosidade das pessoas em relação a vários fenômenos como, por exemplo, a origem do Universo e da vida. Essa ciência começou a ser desenvolvida pelas primeiras civilizações, devido a questões de sobrevivência como demarcação de tempo, o aprimoramento da agricultura, da caça e localização (QUEIROZ, 2008).
Esse ramo da ciência é de grande relevância para o desenvolvimento da sociedade. Possui um papel essencial no ensino de Ciências e pode estimular e enriquecer o processo de formação de cidadãos (QUEIROZ, 2008). Esse aspecto é enfatizado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), ao destacar que os temas relacionados à Astronomia devem ser abordados de modo multidisciplinar ao longo do currículo.
De acordo com Dias e Rita (2008), a Astronomia pode ser utilizada como um eixo norteador no ensino de Ciências e permite desenvolver diversas habilidades, entre elas a capacidade de análise e observação. Os autores ainda ponderam que a Astronomia tem importância no ensino formal, devido à motivação que ela pode propiciar nos alunos. Além disso, ainda segundo eles, cabe destacar que ela é uma fonte integradora do conhecimento, uma vez que contribui para desenvolvimento
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23 a 27 de janeiro de 2017
tecnológico e por tratar de vários fenômenos do cotidiano. Ela também está presente nos meios de comunicação e proporciona discussões constantemente na mídia.
Por outro lado, várias pesquisas na área de ensino de Astronomia apontam as dificuldades conceituais e metodológicas apresentadas pelos docentes para trabalhar com essa ciência (LANGHI e NARDI, 2005; QUEIROZ, 2008; FERREIRA e MEGLHIORATTI, 2011). Marins (2013) salienta que isso está relacionado à deficiência na formação de professores, a ausência de uma contextualização histórica, livros didáticos com distorções conceituais nas descrições e ilustrações, a falta de recursos didáticos e paradidáticos e a falta de uma política governamental destinada à 'Alfabetização Científica'.
Apesar desses entraves, Oliveira e Ataíde (2015) e Langhi e Nardi (2005) enfatizam que a Educação em Astronomia é um campo em crescente valorização no Brasil. Isso é constatado pelo aumento de trabalhos e artigos publicados em anais de eventos e revistas cientificas. Esse aspecto é mostrado nos trabalhos do tipo "Estado da Arte", como, por exemplo, em Iachel e Nardi (2010), Bussi e Bretones (2013) e Fernandes e Nardi (2015), que verificaram as contribuições das produções em Astronomia em eventos analisadas para o ensino e necessidades a serem supridas por futuras pesquisas no campo.
## Objetivos:
Baseado nos argumentos apresentados acima e a necessidade de conhecer com mais profundidade o perfil dos pesquisadores e o que eles estão propondo em seus trabalhos, pontuamos os objetivos da pesquisa da seguinte maneira:
- · Mapear o perfil dos autores que apresentaram trabalhos em ensino de Astronomia no Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC) no período de 1997 a 2015.
- · Verificar quais conteúdos específicos de Astronomia estão presentes nesses trabalhos.
- · Verificar à qual nível de ensino esses trabalhos são destinados.
## Metodologia
Para analisar as publicações apresentadas ENPEC no período de 1997 a 2015 adotou-se uma abordagem quantitativa. A abordagem quantitativa preocupa-se com aspectos numéricos relacionados a análise de dados e gráficos, que inferem diretamente nos resultados desta pesquisa. Segundo Gil (1999), ela é utilizada para obter conclusões correspondentes a coleta de dados.
Em relação ao tipo de pesquisa optou-se pela bibliográfica, que tem como objetivo estudar um material elaborado e já analisado, como livros, artigos científicos, teses e dissertações. Para Gil (1999), a principal vantagem deste método é que ele permite ao investigador analisar uma vasta gama de fenômenos, além de abordar as diversas posições acerca de um problema. Fernandes e Gomes (2003) afirmam que a pesquisa bibliográfica é uma das mais importantes fontes de pesquisa, pois constitui parte do processo inicial da investigação com relação a qualquer problema.
Na seleção dos trabalhos realizou-se uma pesquisa bibliográfica nas publicações do I ao X ENPEC utilizando a palavra chave 'Astronomia'. Foram encontrados 68 trabalhos num universo de 7144 apresentados nesses eventos. Os
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trabalhos foram analisados a partir da leitura dos seus respectivos resumos e, em caso de dúvida, foi feita a análise do corpo do texto dos trabalhos.
## Apresentação e Discussão dos dados
No Quadro 01 é apresentado o número de trabalhos apresentados em cada um dos eventos analisados. Apenas a partir VIII ENPEC estão disponíveis o número de trabalhos aprovados nos sites dos eventos. Pode-se notar desse quadro, apesar do número de trabalhos em ensino de Astronomia ter aumentado, que esse número ainda é pequeno quando comparado com a quantidade de artigos aceitos em cada evento.
O passo seguinte foi catalogar os trabalhos de acordo com a quantidade de autores, a instituição de ensino ao qual eles estão vinculados, estado e região das instituições. Além disso, procurou-se verificar se esses trabalhos estão voltados para a formação inicial ou continuada, o nível de ensino (superior, médio ou fundamental) e se era destinado à educação presencial ou a distância. Devido à grande quantidade de dados coletados nesta parte, o Quadro 02 é utilizado para ilustrar como foram catalogadas as informações obtidas.
Quadro 01 : Número de trabalhos apresentados por eventoQuadro 02 : Estrutura dos dados coletados
A partir da análise dos dados do Quadro 02 completo, pode-se constatar que uma quantidade significativa de trabalhos é direcionada à Formação Inicial de Professores. A maior parte dos trabalhos é voltada aos Ensinos Fundamental I e II, e poucos trabalhos são voltados para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Todos os trabalhos analisados são destinados aos cursos presenciais.
Em relação à distribuição de trabalhos por região geográfica, os resultados mostram que 68% são provenientes da região sudeste, 15% da região Sul, 7% da região Nordeste, 6% da região Centro-Oeste e 4% da região Norte. Esse resultado é reflexo do maior número de unidades de ensino destinadas ao ensino de Astronomia no Sudeste: dois cursos de graduação (USP e UFRJ); cursos de Física com ênfase
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em Astronomia (UNIFEI e UFOP); cursos de pós-graduação em ensino ou educação em Astronomia; centros de pesquisas (LNA, ON e INPE).
A formação acadêmica dos autores foi consultada por meio da plataforma Lattes . Dos 134 autores que apresentaram trabalho, verificou-se que 27 não possuíam cadastro ou não haviam concluído ainda a graduação. Desse modo, esses dados foram desconsiderados e, com isso, analisamos o perfil dos 107 autores.
Para analisar o perfil em relação à formação inicial dos autores optamos por apresentar os dados divididos nos seguintes grupos: Licenciatura em Ciências Exatas , Física Licenciatura , Física Bacharelado (que contempla os autores com formação inicial específica em Astronomia) e Outros , conforme mostrado na Figura 01. No grupo Outros estão agrupados diversos cursos, como, por exemplo, Licenciatura e Bacharelado em História, Engenharia Agrícola e Pedagogia, entre outros. Pode-se verificar que o número de autores na categoria Outros é bastante elevada, sendo inclusive a maioria nos três últimos eventos. Alguns autores apresentam mais de uma graduação, por este motivo, a soma dos dados da Figura 01 é maior do que o número de autores (107).
Figura 1: Análise da Graduação dos Autores
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Na Figura 02 é mostrada a situação com respeito à pós-graduação em nível de mestrado. Dos 107 analisados, 93 possuem mestrado, mas com uma formação bastante diversificada. Na análise deste aspecto optamos por agrupar os resultados em Ensino de Ciências , Física , Educação e Outros (Química, Zoologia Energia Nuclear, etc). Os mestres em Astronomia e Astrofísica estão alocados no agrupamento Física . Foi possível observar que a maioria dos autores apresentavam o título de Mestre nas áreas de Ensino de Ciências ou Educação, como é de se esperar para este evento. No entanto, ainda é grande a incidência de trabalhos apresentados por autores que dedicam seus estudos a áreas não relacionadas à área de pesquisa do evento, tais como as de Física e Outros .
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Figura 2: Número de autores com o título de mestre
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Atualmente, dos 107 autores analisados apenas 55 apresentam o título de doutor, conforme mostrado na Figura 03. A quantidade de doutores nas áreas afins ao evento, ou seja, Ensino de Ciências e Educação, corresponde a grande maioria, sendo ainda possível detectar a presença de autores provenientes de outras áreas no agrupamento Outros (Engenharia Biomédica, Desenvolvimento Sustentável, Engenharia de Materiais, etc). É importante refletir sobre estes dados no sentido de constatar a pouca presença das pesquisas em Ensino de Astronomia nos programas de pós-graduação em Ensino de Ciências que foram divulgadas nas edições deste evento.
Figura 3: Número de autores com o título de doutor
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Com respeito aos conteúdos específicos de Astronomia abordados nos trabalhos, observa-se que são primordialmente: as Fases da Lua, O dia e a noite, as Estações do ano, Planetas e Sistema Solar. Esse resultado está de acordo com os apresentados por Langhi e Nardi (2010), que mostram que esses são os principais tópicos em Astronomia trabalhados nacionalmente. Em particular, neste evento os trabalhos referentes ao ensino de Astronomia se concentram fundamentalmente em aspectos básicos da Astronomia, sendo ainda irrisória a presença de trabalhos que abordaram conceitos ou temas da chamada Astrofísica em situações ou abordagens de ensino. São exemplos desses temas Radiações das Estrelas, Espectros de
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Emissão, Observação Telescópica, entre outros. Esta constatação aponta para possibilidades ainda inexploradas e muito bem-vindas na linha de Ensino de Astronomia.
## Considerações Finais
Como dito anteriormente, este trabalho apresenta os resultados da primeira parte de um trabalho de conclusão de curso de graduação, cujo objetivo é identificar as principais concepções e tendências relativas ao Ensino de Astronomia presentes nos artigos apresentados no Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências no período de 1997 a 2015. A partir da análise dos dados verificou-se que do I ao X ENPEC foram aprovados 7144 trabalhos. Entretanto, apenas 68 são referentes ao Ensino de Astronomia, conforme mostrado no Quadro 01. Apesar disso, pode-se verificar que houve um aumento no número de publicações no decorrer dos eventos.
Outro ponto a ser destacado é a predominância de trabalhos provenientes das regiões Sul e Sudeste. Nessas regiões estão localizados um maior número de instituições voltadas ao ensino e à pesquisa nesta área. Isso, além do maior incentivo pelos órgãos de fomento justificam esse resultado.
Dos 107 autores analisados, verifica-se principalmente a partir do VIII ENPEC que houve um aumento no número de pesquisadores com formação inicial em Licenciatura em Física. Em relação à formação em nível de pós-graduação Mestrado, os resultados mostram que a maioria dos autores, são das áreas de Educação e Ensino de Ciências, como era de se esperar neste caso (Figura 2). Entretanto, o número de autores presentes no grupo Outros aparece com destaque em ambos.
## Referências
BUSSI, B.; BRETONES, P.S. Educação em Astronomia nos Trabalhos dos ENPECs de 1997 a 2011. In: Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 9., 2013, Águas de Lindóia. Atas... Rio de Janeiro; ABRAPEC, 2013 (no prelo).
DIAS, C.A.; RITA, J. R.S. Inserção da astronomia como disciplina curricular do ensino médio. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia - RELEA, Limeira, n. 6, p. 55-65, 2008.
FERNANDES, L.A.; GOMES, J.M.M. Relatórios de pesquisa nas ciências sociais:
características e modalidades de investigação. Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/ConTexto/article/view/11638. Acesso em: 23 abr. 2016.
FERNANDES, T.C.D.; NARDI, R.Uma análise dos trabalhos sobre educação em Astronomia nos Encontros Nacionais de Pesquisa em Educação em Ciências. X Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Águas de Lindóia, SP, 2015.
FERREIRA, D.; MEGLHIORATTI, F.A. Desafios e Possibilidades no Ensino de Astronomia.Disponível em:http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2356-8.pdf, Acesso em:3 de maio de 2016.
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GIL. A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1999.
IACHEL, G.; NARDI, R. Algumas tendências das publicações relacionadas à astronomia em periódicos brasileiros de ensino de física nas últimas décadas. Ensaio: Pesquisas em Ensino de Ciências, Belo Horizonte, v. 12, n. 2, p. 225-238, maio-ago., 2010.
LANGHI, R.; NARDI, R. Dificuldades interpretadas nos discursos de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental em relação ao ensino da Astronomia. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia - RELEA, n. 2, p. 75-92, 2005.
LANGHI, R.; NARDI, R. Formação de professores e seus saberes disciplinares em astronomia essencial nos anos iniciais do ensino fundamental. Revista Ensaio v.12, n.02, p 205-224, maio-ago, 2010.
MARINS, F. A.Q. Astronomia: Um tema mais que necessário no Ensino Médio; Monografia (Curso de graduação em Física Licenciatura). Universidade Federal do Fluminense Niterói, 2013.
OLIVEIRA, P.R.L.; ATAÍDE, A.R.P.. A temática nas publicações da área de Ensino de Ciências: um olhar sobre a abordagem histórica; Anais II CONEDU - Volume 2 , Número 1 , ISSN 2358-8829; 2015.
QUEIROZ, V.A astronomia presente nas séries iniciais do ensino fundamental das escolas municipais de Londrina. 2008. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática) - Universidade Estadual de Londrina, Londrina.
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