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''UM CLICK PARA O CONHECIMENTO": A FÍSICA OLHADA POR OUTRO ÂNGULO

Andressa C. R. Garcia, Laura De Faveri, Lorena Rodrigues, Fernanda Cátia Bozelli

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## 'UM CLICK PARA O CONHECIMENTO': A FÍSICA OLHADA POR OUTRO ÂNGULO

## Laura de Faveri , *Andressa C. R. Garcia , Lorena Rodrigues³, Fernanda 1 2 Cátia Bozelli 4

1

Universidade Estadual Paulista/Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, laura\_faveri@hotmail.com

- 2 Universidade Estadual Paulista/Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, andrgarcia@live.com

3

Universidade Estadual Paulista/Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, lorehrdp@gmail.com

Apoio: CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior

## RESUMO

O que fazer para tornar a aprendizagem de Física menos desencantadora? Como fazer com que os alunos sintam-se interessados pela Física diante de um mundo tecnológico em que a lógica do conhecimento não é o da cultura? No ensino de física, os professores possuem dificuldades em fazer com que os alunos compreendam os conteúdos que estão sendo trabalhados em sala de aula, e uma das estratégias utilizadas têm sido a relação com as situações que estão presentes no cotidiano, seja por meio de analogias, exemplos, experimentos, etc. Nesse sentido, 'Um Click para o conhecimento' é um projeto idealizado pelos membros do PIBID - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência de um curso de Licenciatura em Física, de uma Universidade Estadual Paulista em parceria com uma escola pública de ensino médio do interior do estado de São Paulo de forma a verificar à utilização da fotografia, como um recurso motivador para a aprendizagem e significação do conhecimento de física. O projeto foi dividido em três fases: 1ª Elaboração e divulgação do projeto junto à escola parceira; 2ª Seleção e revelação de fotografias; 3ª Mostra das fotografias. Em termos de resultados verificou-se que as fotografias puderam despertar o 'olhar crítico' dos alunos para a física; constituíram-se em excelente recurso para favorecer nos educandos o desenvolvimento da capacidade de abstração, elemento considerado primordial na edificação do raciocínio científico e na expansão das formas de comunicação utilizadas pela ciência. Ao final, na realização da Mostra de Fotografias na escola parceira com intuito de divulgar o resultado do projeto, bem como envolver os demais alunos e membros da comunidade escolar e demais escolas da cidade nos conhecimentos trabalhados, alcançou-se, não só sua dimensão científica, mas também cultural e social.

Palavras-chave : aprendizagem de física; fotografia; recurso didático

## INTRODUÇÃO

É inegável a busca por recursos, metodologias que possam motivar os alunos para as aulas de Física nos últimos tempos. Ao mesmo tempo, é inquestionável que a educação necessita de renovação diante do novo contexto de mundo que cerca a vida em sociedade. Nestes termos, pode-se dizer que uma necessária renovação também para o ensino de Ciências é almejada e ao longo dos anos vêm sendo apresentada (CACHAPUZ et al., 2011). Carvalho, Cachapuz e GilPérez (2012) ao citarem pesquisadores como Levy-Leblond, Pierre-Gilles de Gennes (prêmio Nobel de Física) enfatizam que a Ciência vem dando sinais a respeito do desinteresse de jovens pelos estudos que envolvem as Ciências: '[...] para que a Ciência sobreviva é preciso torná-la menos técnica e devolver-lhe uma vertente mais cultural e ética [...] falta encantamento pelo progresso futuro da Ciência, um crescente desinteresse cultural por ela' (p. 18). Dessa forma, é possível dizer que o

Ensino de Ciências, em geral, mas o de Física, em específico, torna desafiador cada vez mais o processo de ensino e aprendizagem. Algumas reflexões são possíveis diante desse cenário perturbador: O que fazer para tornar a aprendizagem de Física menos desencantadora? Como fazer com que os alunos sintam-se interessados pela Física diante de um mundo tecnológico em que a lógica do conhecimento não é o da cultura? No ensino de física, por exemplo, os professores possuem dificuldades em fazer com que os alunos compreendam os conteúdos que estão sendo trabalhados em sala de aula, e uma das estratégias utilizadas têm sido a relação com as situações que estão presentes no cotidiano, seja por meio de analogias, exemplos, experimentos, contextualizações, etc. Não se descarta aqui os inúmeros esforços que se tem empreendido diante desse cenário, na busca por estratégias, recursos, metodologias para as aulas de Física, de Ciências, mas nem sempre esses esforços são possíveis de serem concretizados diante de currículos prescritos que, na maior parte das vezes, desprofissionaliza os professores retirando sua autonomia. Para Cachapuz et al. (2011) é nesse momento que se deve compreender o esforço que vem sendo feito em torno da promoção da relação interdisciplinaridade/arte no ensino de Ciências. Essa relação pode atuar proporcionando 'um novo tipo de envolvimento intelectual e uma nova relação com o conhecimento' (p. 20).

[...] um possível caminho para fomentar e entusiasmar os jovens para o estudo das ciências é ajudá-los a reinventar uma outra relação com o conhecimento [...] o diálogo entre as ciências e as artes no ensino de ciências é um exemplo possível. É também uma forma de nos tornamos mais humanos. (CACHAPUZ, et al. 2011, p. 23).

Pensando nesse diálogo, ciências e arte, a fotografia vem sendo tratada como um recurso potencial para ser utilizada no processo de ensino e de aprendizagem, sendo considerada, por alguns pesquisadores, de relevante importância pedagógica para diversas áreas de ensino (BORGES; ARANHA; SABINO, 2010; MOTA, PACHECO, 2005; SEVERINO, 2010; SPENCER, 1980). Lopes (2005) defende a utilização da fotografia em sala de aula, pois ela permite ver o objeto do estudo por várias maneiras, além de poder dar uma ressignificação ao que se é observado. Já o trabalho desenvolvido por Santos et al. (2014) evidenciou a potencialidade do uso da fotografia, por entender que esta contribui para que o aluno tenha uma visão holística da realidade, observando-a não apenas como um recorte, mas em toda sua totalidade, superando o formato tradicional de trabalhar o conteúdo pelo conteúdo.

Em dezenove de agosto de 1826, datado oficialmente pelo governo francês, o homem criou a possibilidade de registrar momentos inesquecíveis, e hoje com um simples click é possível eternizar momentos e imagens, além de detalhes imperceptíveis ao olhar mais atento. Spencer (1980) considera que a fotografia colabora decididamente para a Ciência, pois nos dota de uma espécie de olho sintético - 'uma retina imparcial e infalível' - com capacidade de converter, em registros visíveis, fenômenos cuja existência, de outra maneira, não haveríamos de conhecer nem de suspeitar. Muitas pessoas não vivem sem a tecnologia, porém não têm nenhum interesse em conhecer a ciência que está por trás dela. Além disso, há a necessidade de se ter um mínimo de conhecimento geral, e a física faz parte de tudo isso. No nosso dia a dia, por exemplo, quantas vezes uma situação de risco, de dúvida, pode ser evitada com um pouco de conhecimento?

É com esse olhar e diante dessas reflexões que esse trabalho visa estabelecer uma discussão. Utilizando este recurso, as fotografias, a física pode-se

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tornar mais 'encantadora' e aproximar mais os alunos dessa área de conhecimento? Neste texto, como uma maneira de apresentar ponderações iniciais, nos ateremos a considerar os aspectos relativos à utilização da fotografia, como um recurso motivador para a aprendizagem e significação da física, além de possibilitar vivências em cenários reais.

## METODOLOGIA

Esse trabalho, de natureza qualitativa, foi desenvolvido no âmbito do projeto PIBID - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - de um curso de Licenciatura em Física, de uma Universidade Pública do estado de São Paulo, o qual vem buscando, nos últimos anos, proporcionar aos licenciandos de Física o contato com a experiência da profissão docente em suas diversas facetas, mas de forma específica no contato com diferentes recursos e metodologias diante do desafio de se ensinar e aprender física. Um desses recursos tem sido o uso de fotografias como recursos didáticos nas aulas de Física. O projeto intitulado 'Um click para o conhecimento' foi dividido em três fases: 1ª Elaboração e divulgação do projeto junto à escola parceira; 2ª Seleção e revelação de fotografias; 3ª Mostra das fotografias. A 1ª fase foi realizada pelos 10 bolsistas de iniciação à docência, professor coordenador e professor supervisor no intuito de pensar como o projeto seria desenvolvido desde o slogan até as regras de participação, etc. Dessa forma, criou-se o slogan, bem como as instruções para a participação da escola por meio das turmas de alunos das três séries do Ensino Médio. A participação não foi restrita apenas as turmas em que o PIBID atuava, mas aberta a todos os alunos que quisessem participar.

Mostra de Fotografias

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' Um Click para o conhecimento ' é um projeto idealizado pelos membros do PIBID Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - da xxxxxxx, curso de Licenciatura em Física em parceria com a Escola Estadual xxxxx. Tem por objetivo envolver os alunos do Ensino Médio, das turmas em que o PIBID acompanha na escola junto aos professores supervisores, com o conhecimento da área específica desenvolvido na disciplina de Física por meio de fotografias tiradas do seu dia a dia, do seu contexto que sejam representativas do respectivo conhecimento. As fotografias deverão vir acompanhadas de legendas que expressem o conhecimento contido na imagem. Nesse sentido, é importante e, ao mesmo tempo, imprescindível que o autor(es) da fotografia expressem via oral e escrita o conhecimento inerente a imagem selecionada pelos mesmos. Ao final, espera-se realizar uma Mostra de Fotografias na escola parceira com intuito de divulgar o resultado do projeto, bem como envolver os demais alunos e membros da comunidade escolar e demais escolas da cidade nos conhecimentos trabalhados nas fotografias alcançando com isso não só sua dimensão científica, mas também a cultural e social.

Etapas de desenvolvimento: 1ª Etapa: Divulgação do projeto junto às turmas de alunos acompanhadas pelo PIBID. A partir do dia xxxx o professor coordenador de área juntamente com o professor supervisor e bolsistas deverão fazer a divulgação do projeto junto às turmas de alunos na escola parceira. É importante nesse momento da divulgação deixar bem claro aos alunos que a quantidade de fotografias a serem tiradas é ilimitada, uma vez que posteriormente, as turmas irão selecionar as que irão compor a Mostra. Contudo, os alunos devem ter consciência de que não basta apenas 'sair clicando'. Cada fotografia deverá expressar o conhecimento trabalhado na disciplina. O(s) aluno(s) deverá(ão) apresentar uma legenda (texto) que expresse o referido conhecimento. 2ª Etapa: Seleção e revelação das fotografias: As fotografias que comporão a Mostra deverão ser selecionadas junto às turmas de alunos e enviadas para o professore coordenador para revelação. 3ª Etapa: REALIZAÇÃO DA MOSTRA DE FOTOGRAFIAS: xxxxx

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Figura 1: Tutorial de divulgação do projeto junto a escola parceira.

De forma a facilitar o acompanhamento e recebimento das fotografias, bem como fazer esclarecimentos e tirar dúvidas, foi criado um canal de comunicação via rede social Facebook. Cabe ressaltar que as fotografias poderiam ser enviadas no período indicado (aproximadamente duas semanas) via esse canal ou por intermédio do professor supervisor na escola parceira.

Na 2ª fase foram selecionadas cerca de 70 fotografias nas turmas de alunos participantes do projeto, de forma coletiva em sala de aula, ou seja, os próprios alunos escolheram as fotografias que iriam participar da Mostra representando cada turma. Analisando-as e identificando-as juntamente com suas respectivas legendas, foi realizada uma discussão sobre o aprendizado do conteúdo exposto em horário de aula pelo professor de física com auxílio dos bolsistas de iniciação à docência. Também houve um espaço para a exposição das dificuldades dos alunos em definir uma frase ou um texto que expressasse o conhecimento científico envolvido na fotografia. A 3ª fase, a realização da Mostra de Fotografias, foi realizada em um dia no anfiteatro da escola parceira. O local foi reservado para a Mostra e recebeu todas as turmas de alunos da escola durante os três turnos (manhã, tarde e noite), e ficou também à disposição para a visitação dos pais e toda comunidade da cidade. As fotografias que foram expostas na Mostra foram numeradas, a fim de identificação para a identificação de fotografias que fossem criativas ou que melhor expressassem o conhecimento científico envolvido. Na exposição havia uma urna em que os visitantes podiam depositar o voto. A página no Facebook recebeu todas as imagens, bem como as que não foram selecionadas, as quais também compuseram o quadro de fotografias expostos online.

## RESULTADOS

A proposta foi bem recebida pelos alunos, que entenderam com facilidade seu propósito e logo foi criada e divulgada a página online que ficaria disposta para o envio das imagens e exposição final do projeto. Algumas das frases de identificação foram discutidas e alteradas, mas foi dada uma liberdade para que a escrita não perdesse a característica do autor/observador, pois estes dados foram considerados importantes para o acompanhamento do projeto e desdobramentos futuros.

A identificação do processo físico impresso na imagem não foi apresentada com dificuldades, no entanto, foi encontrado um impasse no momento de expressar o conhecimento contido na fotografia que não se distanciasse do conhecimento cientificamente aceito.

As fotografias podem vir acompanhadas de um texto explicativo, embora saibamos que elas 'falam' por si só. Elas podem apresentar o conhecimento sem a necessidade de um texto escrito, ou ainda, podemos construir um texto escrito a partir de fotografias. Essa é considerada uma forma interessante de produção de conhecimento em aulas de Ciências, posto que ao desenvolvermos a atitude investigativa em sala de aula, isso auxilia nos processo de construção da leitura e da escrita; favorecendo o desenvolvimento de um olhar crítico do indivíduo. (SANTOS et al. 2014, p. 6).

A expressão pessoal do conhecimento é aparentemente um consenso com conceitos pré-definidos, isso pode ser observado com facilidade nas legendas apresentadas. Já os alunos que não apresentaram dificuldades em expressar o

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conhecimento materializado nas fotografias, não demonstraram problemas em analisar e expor as imagens dos outros colegas de classe, nem em classificar e comparar processos parecidos. Isso permitiu aproximar os alunos de habilidades relacionadas à investigação, como aponta os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (BRASIL, 2000).

A Física tem uma maneira própria de lidar com o mundo [...] Aprender essa maneira de lidar com o mundo envolve competências e habilidades específicas relacionadas à compreensão e investigação em Física. Uma parte significativa dessa forma de proceder traduz-se em habilidades relacionadas à investigação. Como ponto de partida, trata-se de identificar questões e problemas a serem resolvidos, estimular a observação, classificação e organização dos fatos e fenômenos à nossa volta segundo os aspectos físicos e funcionais relevantes. Isso inclui, por exemplo, identificar diferentes imagens óticas, desde fotografias a imagens de vídeos, classificando-as segundo as formas de produzi-las; reconhecer diferentes aparelhos elétricos e classificá-los segundo sua função; identificar movimentos presentes no dia-a-dia segundo suas características, diferentes materiais segundo suas propriedades térmicas, elétricas, óticas ou mecânicas [...] (BRASIL, 2000, p. 24).

A seguir algumas fotografias que compuseram a Mostra e suas respectivas legendas:

Figura 2: O termômetro

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Figura 3: A sinalização.

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O termômetro funciona com o princípio de equilíbrio térmico, ou seja, ao ser colocado em contato com o corpo ao passar do tempo ele atinge o equilíbrio térmico fazendo com que a substancia termométrica se dilate ou contraia, quando isso ocorrer ele indicará um valor, mas para ter esse valor é necessário ter escalas numérica no capilar, para isto ocorrer os termômetros são feitos baseados em dois pontos de fácil marcação. (aluna do 1ºano, Projeto PIBID, Escola Estadual parceira do projeto)

A unidade de medida e velocidade, distância e tempo. (aluna do 1º H, Projeto PIBID, Escola Estadual parceira do projeto)

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Compreendendo a inércia como tendência dos corpos em prosseguir em movimento em linha reta e velocidade constante ou em repouso, identificando a força enquanto a ação externa capaz de modificar o estado de repouso ou movimento dos corpos. (aluna do 1ºB, Projeto PIBID, Escola Estadual parceira do projeto).

Figura 4: Menino pulando

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Figura 5: O controle remoto.

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Durante o dia, em nossos empregos ou em nossas casas, realizamos diversas atividades que dependem de certos dispositivos ou fenômenos e normalmente não temos noção de como eles funcionam ou ocorrem. Utilizamos, por exemplo, a radiação magnética para controlar à distância televisores, aparelhos de DVD, videocassetes, videogames, computadores etc. (aluno do 1ºI, Projeto PIBID, Escola Estadual parceira do projeto).

Física está presente em literalmente todos os lugares e para minha surpresa na diversão também. (aluna do 1ºB, Projeto PIBID, Escola Estadual parceira do projeto).

Figura 6: Circuitos elétricos.

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Ver as fotografias que foram tiradas nos permite reflexões importantes, pois a partir do momento em que conseguimos chamar a atenção do aluno para os conteúdos que são trabalhados em sala de aula, estamos redimensionando a dinâmica educacional, partindo do princípio que estes conteúdos sejam significativos para o aluno. Assim, de acordo com Delizoicov; Angotti e Pernambuco (2009, p. 152): 'Ver seu trabalho apresentar resultados é ver os alunos aprendendo e gostando de aprender'.

[...] propiciar o novo em Ciências Naturais é trazer para o ambiente escolar as notícias de jornal, as novidades da Internet, é visitar museus e exposições de divulgação científica, como parte da rotina da vida escolar. O próprio espaço físico pode ser uma forma de criar demandas: murais, jornais murais; nas bibliotecas, revistas e jornais de divulgação científica, livros instigantes de ficção científica ou

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mesmo de literatura; filmes nas videotecas; exposições de curiosidades e demonstrações, não só na sala de aula de Ciências, mas nos pátios e nos corredores [...]. Feiras de ciências, semanas culturais, visitas a parques e museus, conferências, idas a congressos [...] a clubes de Ciências e de Astronomia podem fazer parte da agenda permanente de uma escola, provocando novos desafios a ser enfrentados na sala de aula. (p. 153-154)

O projeto tornou-se dinâmico e de fácil acesso, pois a página criada deu espaço para a exposição de ideias e aberta ao público em geral, interação entre as salas que participaram, oportunizando outros alunos a criarem uma nova legenda ou frase com vários pontos de vista que identificassem a concepção do mundo físico exposto em uma única imagem.

No cotidiano da sala de aula, o processo de comunicação proveniente da utilização das imagens fotográficas como material de apoio didático, pode viabilizar uma prática educacional mais direcionada à formação de cidadãos críticos, desde que, na linguagem da Comunicação Visual o conceito de Educar transmude para Ensinar a olhar . Num mundo onde vivemos rodeados de imagens, o fundamental é saber interpretá-las, de modo que, ao observar uma imagem, o indivíduo seja capaz de desvendar seus vários sentidos. (REIS, s.d., p.01).

Figura 7: Alcance da página para recebimento das fotografias.

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Ao mesmo tempo, as fotografias puderam despertar o 'olhar crítico' dos alunos para a física que está no seu dia a dia seja em aplicações tecnológicas ou objetos de uso comum, como o termômetro. A figura 4 chama a atenção por explicitar, na exploração da imagem, a análise de uma situação que era comum para os alunos em momentos de lazer. Isso permitiu a possibilidade de exercitar a capacidade de investigação fazendo o questionamento sobre a representatividade científica da imagem.

## CONCLUSÃO

A ciência na escola deveria ser momento privilegiado, para exercitar a imaginação e com isso ser uma fonte de prazer permanente. No entanto, o que tem ocorrido é justamente o contrário, as aulas de Ciências não tem despertado o interesse dos alunos. Os mesmos não conseguem conceber os conteúdos científicos além das definições e vinculando-os apenas ao caráter superficial de conceitos e fórmulas. Este projeto oportunizou um espaço para mostrar a relação da física com a vida dos alunos. Verificouse, assim como destacado por Cravo (2015 , p. 27) que a fotografia contribuiu para a produção visual do aluno, para a sua compreensão, questionamentos e evocou uma leitura crítica da realidade. Ao mesmo tempo o projeto oportunizou a criação de um espaço para que o professor pudesse acompanhar o aprendizado dos alunos individualmente, bem como da sala como um todo e o potencial do recurso utilizado.

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Oportunizou também a participação dos alunos em termos de discussão sobre os conhecimentos envolvidos nas imagens. Também permitiu a oportunidade de outros alunos contestarem e questionarem se concordavam ou não com os termos usados, auxiliando na construção do conhecimento. Assim como, Santos et al. (2014), apreendemos que as imagens, incluindo as fotografias se constituíram em excelente recurso para favorecer nos educandos o desenvolvimento da capacidade de abstração, elemento considerado primordial na edificação do raciocínio científico e na expansão das formas de comunicação utilizadas pela ciência.

## REFERÊNCIAS

BORGES, M. D.; ARANHA, J. M.; SABINO, J. A fotografia de natureza como instrumento para educação ambiental. Ciência &amp; Educação , v. 16, n. 1, p. 149-161, 2010.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC/ SEF, 2000. 58 p.

CACHAPUZ, A. F. et al. A necessária renovação do ensino de Ciências . São Paulo: Cortez, 2011.

CARVALHO, A. M. P.; CACHAPUZ, A. F.; GIL-PÉREZ, D. O ensino das Ciências como compromisso científico e social . Os caminhos que percorremos. São Paulo: Cortez, 2012.

CRAVO, G. M. A Fotografia como representação do conhecimento didático: uma abordagem da semiótica. 2015. (Monografia). Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2015.

DELIZOICOV, Demétrio; ANGOTTI, José A.; PERNAMBUCO, Marta Maria. Ensino de Ciências : fundamentos e métodos. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2009.

LOPES, A. E. Ato fotográfico e processos de inclusão: análise dos resultados de uma pesquisa-intervenção. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED, 28., 2005. Disponível em: http://28reuniao.anped.org.br/textos/gt15/gt151254int.pdf. Acesso em: 15 de julho de 2016.

MOTA, A.; PACHECO, D. C. Fotografias, memórias e autobiografias. In: \_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_.

(Orgs.). Escolas em imagens . Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2005. p. 7-12.

REIS, W. D. A fotografia como suporte didático para professores do ensino fundamental . Alagoas: Secretaria do Estado da Educação. Disponível em: &lt; http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer\_histedbr/seminario/seminario6/Ensino%20Fundam ental/Fotografia.doc.&gt;. Acesso em: 22/08/2016.

SANTOS, M. T. et al. A Fotografia e o ensino de Ciências : Impressões de licenciados sobre a experiência de fotografar. In: Congreso Iberoamericano de Ciencia, Tecnología, Innovación y Educación, 2014, Buenos Aires, Argentina. Disponível em: &lt; http://www.oei.es/historico/congreso2014/memoriactei/1260.pdf. Acesso em: 19/08/2016

SEVERINO, F. E. S. A mediação pedagógica da fotografia no ensino dos temas transversais. Educação &amp; Linguagem , São Paulo, v. 13, n. 21, p. 175-188, jan./jun., 2010.

SPENCER, D. Color Photography in Practice . 2. ed. Londres: Iliffe &amp; Sons,

1980. 244 p.

TOMIO, D.; GRIMES, C.; RONCHI, L. D. As imagens no ensino de ciências. O que dizem os estudantes sobre elas. Caderno Pedagógico , v. 10, n. 1, p. 25-40, 2013.

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23 a 27 de janeiro de 2017

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