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Análises textuais em pesquisas qualitativas: uma comparação entre Análise Textual Discursiva e Análise Fenomenológica Hermenêutica

Sabrina Isis Brugnarotto Docpio, Geisa Da Silva Medeiros, João Bernardes Da Rocha Filho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Análises textuais em pesquisas qualitativas: uma comparação entre Análise Textual Discursiva e Análise Fenomenológica Hermenêutica

## Sabrina Isis Brugnarotto Dopico , Geisa da Silva Medeiros , João Bernardes da 1 2 Rocha Filho 3

1 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul / Faculdade de Física,

sabrina.dopico@acad.pucrs.br

- 2 Universidade de Caxias do Sul / Centro de Ciências Biológicas e da Saúde,

medeiros.geisa@gmail.com

## Resumo

Este artigo descreve uma investigação que avaliou a eficácia de dois tipos de análises utilizadas em pesquisas qualitativas quanto ao surgimento de novas correlações e ideias não explícitas: a Análise Textual Discursiva (ATD) e a Análise Fenomenológica Hermenêutica (AFH). A parte experimental da investigação consistiu em uma entrevista coletiva semiaberta com um professor especializado na temática da interdisciplinaridade no ensino de ciências, realizada por oito participantes, alunos de pós-graduação, e mediada pelos autores deste artigo. Na análise das respostas, quatro dos entrevistadores utilizaramse da ATD, enquanto os outros quatro utilizaram-se da AFH. A entrevista foi pautada por questões elaboradas em discussões com o grupo de participantes, e as respostas foram gravadas e transcritas. Os participantes foram incentivados a intervir em qualquer instante da entrevista a fim de realizarem as complementações que julgassem pertinentes. Os participantes que aplicaram a AFH fizeram anotações próprias, em acordo com as proposições do método, e não receberam a transcrição da entrevista, enquanto os que aplicaram ATD receberam-na dois dias após a entrevista. Todos encaminharam suas análises para os autores deste artigo no prazo de um mês. Por fim, os metatextos das ATD e AFH foram comparados quanto à emergência de correlações novas e ideias não explícitas nas falas do entrevistado. Como resultado, os metatextos das ATD mantiveram-se mais literais em relação às ideias trazidas no momento da entrevista, com menor emergência de novos significados e correlações do que nos metatextos das AFH. Ainda que a amplitude limitada do experimento recomende estudo mais aprofundado e replicação com maior número de participantes, o resultado sugere que pode haver uma diferença significativa quanto ao aspecto da emergência do novo entre essas metodologias de análise. As causas da diferença, se confirmada, podem estar relacionadas ao grau de estruturação e liberdade que cada metodologia dá ao pesquisador, assim como ao uso que ambas fazem da fenomenologia e da hermenêutica.

Palavras-chave : Pesquisa qualitativa, Ensino de ciências, Análise Textual Discursiva, Análise Fenomenológica Hermenêutica.

## Introdução

Esta investigação teve como objetivo comparar a Análise Fenomenológica Hermenêutica (AFH) com a Análise Textual Discursiva (ATD) quanto ao aspecto da emergência do novo. Ambas as metodologias se destinam à análise de textos ou observações produzidas no âmbito de pesquisas qualitativas, e são utilizadas com frequência na área do ensino de ciências. Comparou-se o mais objetivamente possível a quantidade de ideias e correlações não explícitas emergentes nas

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23 a 27 de janeiro de 2017

metanálises de duas metodologias usuais, aplicadas sobre uma mesma situação controlada de pesquisa. A opção pela emergência do novo decorreu de que ambas as metodologias contemplam esse item, que é objetivo, favorecendo a realização de uma análise comparativa.

O experimento consistiu, inicialmente, em uma entrevista coletiva semiaberta com um professor especializado na temática da interdisciplinaridade no ensino de ciências, e foi realizada por oito participantes convidados, alunos de pós-graduação escolhidos aleatoriamente, sendo mediada pelos autores deste artigo. Para a análise das respostas, quatro dos entrevistadores utilizaram-se da ATD, enquanto os outros quatro utilizaram-se da AFH. A entrevista foi pautada por questões elaboradas em discussões com o grupo de participantes, e as respostas foram gravadas e transcritas. Os participantes foram incentivados a intervir em qualquer instante da entrevista a fim de realizarem as complementações que julgassem pertinentes.

Os participantes que aplicaram a AFH fizeram anotações próprias, em acordo com as proposições do método, e não receberam a transcrição da entrevista, enquanto os que aplicaram ATD receberam-na dois dias após a entrevista. Todos encaminharam suas análises para os autores deste artigo no prazo de um mês. Por fim, os metatextos das ATD e AFH foram comparados quanto à emergência de correlações novas e ideias não explícitas nas falas do entrevistado.

A ATD é um método analítico que se caracteriza por possuir diferentes etapas de desconstrução, categorização e reconstrução, culminando em um metatexto que contém a informação a ser transmitida ao leitor, composta pela reprodução do que foi observado, pela crítica ao fenômeno investigado e por conteúdos novos, implícitos ou decorrentes do material analisado. As etapas formais da ATD são a desconstrução, a emergência do novo e a comunicação (MORAES, 2003).

A IES é um método analítico recomendado para uso por pesquisadores que possuem, ou estão dispostos a construir, conhecimentos sobre fenomenologia e hermenêutica. Este método propõe a observação fenomenológica, seguida da análise hermenêutica, diretamente aplicadas à elaboração de um metatexto, imediatamente após a coleta de dados. O método supõe que o pesquisador experimentado é capaz de constituir um metatexto mais focado nos objetivos da investigação e nos detalhes sutis do fenômeno analisado se não se ocupar de processos de desconstrução/reconstrução, partindo imediatamente para uma reflexão crítica, em cuja elaboração emerge o novo (MEDEIROS; ROCHA FILHO, 2014, 2016).

Dessa forma, o objetivo do experimento relatado foi quantificar e comparar a emergência de ideias novas sobre interdisciplinaridade surgidas nas diferentes análises.

## Fundamentação teórica

A consideração da emergência de ideias novas durante os processos de análise é relevante para pesquisas na área da educação, em especial no campo das investigações qualitativas, pois usualmente aquilo que não é dito de forma objetiva é tão importante quanto o que está explícito no texto ou discurso. Uma pesquisa, nesta perspectiva

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Compreende um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que visam a descrever e a decodificar os componentes de um sistema complexo de significados. Tem por objetivo traduzir e expressar o sentido dos fenômenos do mundo social; trata-se de reduzir a distância entre indicador e indicado, entre teoria e dados, entre contexto e ação. (MAANEN, 1979, p. 520)

Segundo Godoy (1995), existem três tipos de pesquisas qualitativas: as documentais, as de estudo de caso e as do tipo etnográficas. A pesquisa documental é utilizada na análise de documentos que ainda não passaram por tratamentos que os validem. O estudo de caso é utilizado para análises minuciosas de fenômenos, e visa identificação e compreensão essenciais. Já as pesquisas etnográficas envolvem certo período de tempo para que sejam analisados comportamentos de determinadas comunidades. Em qualquer caso, a análise de textos ou discursos é muito utilizada.

- O processo de análise discursiva tem a pretensão de interrogar os sentidos estabelecidos em diversas formas de produção, que podem ser verbais e não verbais, bastando que sua materialidade produza sentidos para interpretação; podem ser entrecruzadas com séries textuais (orais ou escritas) ou imagens (fotografias) ou linguagem corporal (dança). (CAREGNATO E MUTTI, 2006, p. 2)

A formação de um discurso é advinda do interdiscurso e do intradiscurso, (PÊCHEUX, 1969). O interdiscurso é um conjunto de ideias que são expressas em forma de um 'novo' discurso, na fusão destas. Já o intradiscurso é construído a partir de uma ideologia. Atualmente, existem dois tipos genéricos de análises que podem ser aplicadas a pesquisas qualitativas: a Análise de Discurso (AD) e a Análise de Conteúdo (AC) (OLIVEIRA, 2008).

A AD leva o pesquisador a construir novos significados a partir da interpretação do fenômeno estudado. Já a AC é utilizada em pesquisas tanto de caráter qualitativo quanto quantitativo. A junção desses dois tipos de análises - AD e AC - gera um subtipo, comumente utilizado nas pesquisas realizadas no âmbito da educação, chamada de Análise Textual Discursiva (ATD). A ATD não visa a testar hipóteses, mas sim à compreensão de certo fenômeno por meio de categorizações e metatextos. No entanto, um texto gera a possibilidade de múltiplas interpretações induzidas pelo pesquisador a partir, também, de seus referenciais teóricos. Por isso, segundo Moraes (2003), existem dois níveis de leitura: um denotativo e outro conotativo. No nível denotativo as informações são comunicadas, como num relato, enquanto no nível conotativo, mais difícil, os significados é que são buscados. Na ATD deve-se, em princípio, alcançar esses dois níveis.

## Análise Textual Discursiva

A ATD é uma tipologia de análise baseada em três etapas principais, que são a desconstrução, a emergência e a comunicação por meio de metatextos criados pelo pesquisador. A etapa da desconstrução consiste na fragmentação dos textos que serão analisados de acordo com o objetivo da pesquisa. Todos os elementos do texto que o pesquisador julgue pertinentes para sua pesquisa devem ser salientados nessa etapa. Estes elementos são chamados de unidades de significado, e são rearranjados em categorias.

As categorias podem ser criadas a partir de dois métodos: dedutivo e indutivo. No método dedutivo, são criadas categorias anteriormente à análise do corpus (textos ou material a ser analisado), e as unidades são selecionadas com base nessas categorias, chamadas de a priori. Já as categorias surgidas pelo

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método indutivo são chamadas categorias emergentes, pois vêm da leitura do corpus e da intensa impregnação com o material (MORAES, 2003).

Também, podemos unir esses dois métodos dando origem a um terceiro, chamado de intuitivo, que

- […] pretende superar a racionalidade linear que está implícita tanto no método dedutivo quanto no indutivo. Pretende que as categorias tenham sentido a partir do fenômeno focalizado como um todo. (MORAES, 2003, p. 198).

Nesta frase do autor Moraes (ibidem) vê-se o viés fenomenológico da ATD, embora seu eixo primário seja o significado, ou a hermenêutica do texto analisado. Na criação das categorias, a dedução é mais voltada para a objetividade, enquanto que a indução e intuição são métodos mais subjetivos, dando mais importância para o surgimento de ideias inovadoras. A indução é baseada na fenomenologia, que é o estudo dos fenômenos, colocando as ideias do pesquisador entre parênteses, colocando-se no lugar do fenômeno estudado para que possa se captar sua essência.

As categorias devem possuir relevância para o objetivo da pesquisa, e elementos que facilitem a aglutinação das ideias. Estes elementos são cruciais para a fase da comunicação, no metatexto final. Essas etapas são realizadas com o intuito de se chegar a algo novo, e não ao mesmo texto inicial, por isso é recomendada impregnação e conhecimento do tema investigado.

- A última etapa da ATD concentra-se na criação do metatexto, onde descrição e interpretação andam juntas. Além do metatexto se caracterizar pela visão mais empírica do estudo, deve conter as ideias e interpretações que o pesquisador obteve ao longo da análise, assim surgindo novas teses, pois

para a elaboração dessas 'teses' ou 'argumentos', seja para o Metatexto como um todo, seja para cada uma das categorias ou partes do texto, o pesquisador precisa, de algum modo, afastar-se dos materiais que analisa e dos produtos parciais já atingidos, procurando examinar o fenômeno a partir de um olhar abrangente, afastado dos textos analisados. (MORAES 2003, p. 203)

Sendo assim, o metatexto possibilita a expressão das ideias emergentes a partir do material analisado pelo pesquisador, relacionando-as com ideias já existentes e possibilitando a emersão de novos significados para o fenômeno.

## Análise Fenomenológica Hermenêutica (AFH) e sua Interpretação Essencial Sintética (IES)

A AFH, que também pode ser utilizada em pesquisas qualitativas, tem como objetivo a formulação de uma IES a partir das informações coletadas no ato da entrevista ou da observação, com o incremento dos conhecimentos do pesquisador associado a um referencial teórico. A AFH tem caráter fenomenológico e hermenêutico, e visa a descobrir nuances explícitas e implícitas ao fenômeno estudado, constituindo uma aproximação que transcende o significado, atingindo a natureza daquilo que se manifesta (MACHADO, 2006, p.17).

As análises qualitativas, apesar dos procedimentos mais ou menos bem delimitados, são métodos considerados subjetivos, pois implicam a não omissão das próprias tendências do pesquisador, que, no entanto, devem ser explicitadas. Esse tipo de análise se contrapõe aos métodos quantitativos, pois geralmente abarca uma quantidade incomensurável de aspectos do fenômeno investigado, tentando sua

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compreensão mais ampla. Ao contrário, a abordagem cientificamente mais estrita da pesquisa quantitativa tende a se voltar a aspectos mensuráveis do fenômeno investigado (CARVALHO 2000), tentando colocar as ideias que os pesquisadores possuem em suspensão para que sejam considerados apenas elementos objetivos. Contudo, o estudo de fatos difere do estudo de fenômenos, pois fatos podem ser traduzidos à forma de dados empíricos quantitativos, enquanto fenômenos são fatos estudados em sua natureza complexa (GARNICA, 1997). Assim, o fenômeno

- [...] significa aquilo que se mostra, que se manifesta […] significa aquilo onde algo pode tornar-se manifesto, visível em si mesmo. [...] Os gregos identificavam os fainomena simplesmente como ta onta que quer dizer entidades. Uma entidade, porém, pode mostrar-se a si mesma de várias formas, dependendo, em cada caso, do acesso que se tem a ela. (MARTINS; BICUDO, 1989, p.22)

A fenomenologia, portanto, tem como ideologia o reconhecimento de que todo o fenômeno observado é influenciado pela percepção humana, pois

- [...] na fenomenologia o ego do pesquisador é o maior instrumento para a coleta de dados [...] não procura a evidência como ela se dá em si mesmo enquanto originária, mas ao invés disto abre horizontes pela descoberta das pressuposições a respeito do fenômeno. (RAY, 1989, p.120, tradução nossa).

Após o fenômeno ser percebido surge a hermenêutica, como instrumento na compreensão da realidade a partir das observações reflexivas e descritivas dos fenômenos, sendo toda a experiência vivida um processo de interpretação (SEIBT, 2012). O método fenomenológico hermenêutico, assim, é dirigido a estudos de fenômenos do cotidiano, como na análise de entrevistas ou observações, implicando a união do fenômeno com o observador. Nesse caso, observações são interpretadas sob demanda, em tempo real, sendo indissociáveis do ato investigativo, em si.

## Metodologia

Para que fosse realizada a comparação entre a ATD e a AFH quanto à emergência do novo foi realizada uma entrevista com um professor de pósgraduação, especialista em interdisciplinaridade no ensino de ciências, sobre o tema da interdisciplinaridade no ensino de ciências. Oito estudantes de pós-graduação, habituados ao uso das metodologias de análise qualitativas, foram convidados a participar da pesquisa como entrevistadores e analistas. Quatro desses participantes realizaram a ATD, enquanto os outros quatro realizaram a AFH. No ato da entrevista, que foi gravada e transcrita, todos realizaram anotações e fizeram perguntas ou complementações em relação ao roteiro original, que também foi elaborado com o apoio do grupo.

A entrevista foi direcionada para os seguintes tópicos:

- a) Identificação geral do entrevistado: formação e experiências profissionais;
- b) Significado ou o conceito da interdisciplinaridade no contexto do ensino de ciências;
- c) Diferenças entre um trabalho interdisciplinar e outro, que não seja interdisciplinar;
- d) Avaliação da própria formação (graduação, extensão e pós-graduação) em relação à interdisciplinaridade no ensino de ciências;
- e) Aspectos positivos e negativos da realização da interdisciplinaridade no ensino de ciências;

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- f) Dificuldades envolvidas na proposição e realização de processos interdisciplinares no ensino de ciências;
- g) Exemplos de situações onde ocorreram processos interdisciplinares no ensino de ciências.

Após as respostas serem transcritas, estas foram enviadas para os quatro participantes que fizeram a ATD, pois este método pressupõe o acesso à transcrição da entrevista. Os quatro participantes que fizeram AFH utilizaram apenas suas próprias anotações. Em trinta dias, todos entregaram suas análises aos autores deste artigo.

## Análises e resultados

Após os participantes enviarem seus metatextos e IES para os autores deste artigo foram feitas comparações destas com a transcrição, sendo selecionados trechos comunicando ideias não explícitas, ou seja, interpretações que superam a literalidade do discurso do entrevistado.

No conjunto dos metatextos e IES foram identificadas 48 ideias consideradas não explícitas no discurso do entrevistado. Algumas apareceram tanto nas ATD como nas AFH, enquanto outras apareceram exclusivamente nos textos finais de uma ou de outra metodologia. Essas ideias serviram para a constituição de um quadro contendo 48 linhas, cada linha contendo uma ideia considerada nova, podendo haver conteúdo apenas na coluna do metatexto, apenas na coluna da IES, ou em ambas, quando houve correspondência.

Das 48 ideias novas que surgiram nas análises, três apareceram exclusivamente nos metatextos, 13 apareceram tanto nos metatextos quanto nas IES, e 32 apareceram exclusivamente nas IES. Três exemplos de ideias que surgiram igualmente nos metatextos e nas IES são mostrados no Quadro 1. O conteúdo total do quadro original foi omitido neste artigo para o cumprimento da extensão máxima tolerada do texto.

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Quadro 1: Exemplos de ideias que emergiram das análises. Fonte: autores.

Os números desta pesquisa, em si, já fornecem uma indicação de que a AFH favorece o surgimento de maior quantidade de ideias novas do que a ATD. Em acréscimo, essa indicação é reforçada quando se considera a complexidade com que as novas ideias foram apresentadas nas IES, comparativamente à consistência mais denotativa daquelas surgidas nas ATD, mesmo nos exemplos mostrados no Quadro 1. Os participantes que utilizaram a ATD alcançaram evidenciar uma quantidade menor de aspectos sutis no discurso do entrevistado, e fizeram poucas ilações e correlações, mantendo-se fiéis apenas àquilo efetivamente dito na entrevista, com fraco surgimento do novo. Pode-se argumentar que isso talvez se deva à maior estruturação da ATD em relação à AFH. As IES, por outro lado, trouxeram experiências pessoais e reflexões teóricas, além das declarações do entrevistado, gerando novas reflexões e incluindo sutilezas não explícitas .

## Conclusões

- O objetivo do experimento foi de realizar uma comparação entre duas metodologias de análise de textos, observações e discursos, em pesquisas no ensino de ciências, no tocante ao surgimento do novo - um item que ambas incluem em seus propósitos. Os resultados sugerem que, nas mesmas condições, a AFH/IES tende a produzir elementos novos em maior número e complexidade do que a ATD/Metatexto.

A ATD tem um caráter hermenêutico e estruturado, caracterizado pela objetividade, desconstrução e reconstrução do corpus, o que facilita o trabalho do analista. Já a AFH tem caráter fenomenológico associado ao hermenêutico, sendo menos estruturada, mais intuitiva, sem etapas de desconstrução e reconstrução, dando maior flexibilidade e liberdade ao analista, mas exigindo dele maior conhecimento.

- O experimento aqui relatado sugere, portanto, que a ATD pode ser uma alternativa eficaz para pesquisadores iniciantes, pois oferece um caminho mais bem delimitado, enquanto a AFH exige muito mais conhecimentos do pesquisador, sendo favorável a investigadores sêniores, ou aqueles dispostos a estudar filosofia.

## Referências

CAREGNATO, Rita Catalina Aquino; MUTTI, Regina. Pesquisa qualitativa: análise de discurso versus análise de conteúdo. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, p.679-684, 2006.

CARVALHO, José Murilo de. História intelectual no Brasil: a retórica como chave de

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leitura. Topoi (Rio de Janeiro), v. 1, n. 1, p. 123-152, 2000.

GARNICA, Antonio Vicente Marafioti. Algumas notas sobre pesquisa qualitativa e fenomenologia. Interface-Comunicação, Saúde e Educação. São Paulo, v. 1, n. 1, 1997.

GODOY, Arilda Schmidt. Pesquisa qualitativa: tipos fundamentais. Revista de administração de empresas, v. 35, n. 3, p. 20-29, 1995.

MACHADO, Jorge Antonio Torres. Os indícios de Deus no homem: uma abordagem do método fenomenológico de Martin Heidegger. EDIPUCRS, 2006.

MARTINS, Joel; BICUDO, Maria Aparecida Viggiani. A pesquisa qualitativa em psicologia: fundamentos e recursos básicos. Sociedade de Estudos e Pesquisa Qualitativos. Moraes, 1989.

MEDEIROS, G. S.; ROCHA FILHO, J. B. Olhar para o Sol: concepção da Análise Fenomenológica Hermenêutica (AFH). Dissertação de mestrado. Programa de PósGraduação em Educação em Ciências e Matemática. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 59p. 2016.

MORAES, Roque. Uma tempestade de luz: a compreensão possibilitada pela análise textual discursiva. Ciência e Educação, Bauru, vol. 9, no 2, p. 191-211, 2003.

PÊCHEUX, Michel. Analyse automatique du discours. Dunod, 1969.

OLIVEIRA, Cristiano Lessa de. Um apanhado teórico-conceitual sobre a pesquisa qualitativa: tipos, técnicas e características. Revista Travessias, v. 2, n. 3, p. 1-16, 2008.

RAY, William. Literary meaning: from phenomenology to deconstruction. Basil Blackwell, 1989.

SEIBT, Cesar Luís. Heidegger: da fenomenologia 'reflexiva' à fenomenologia hermenêutica. Princípios - Revista de Filosofia, Natal, v. 19, no 31, p. 79-98, 2012.

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