Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

PROMOVENDO A ARGUMENTAÇÃO COMO ATIVIDADE EPISTÊMICA EM AULAS DE FÍSICA

Fabiana O. Da Rocha, Valter César Montanher

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
23/01/2017
Linha de pesquisa
Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2017

Texto completo

## PROMOVENDO A ARGUMENTAÇÃO COMO ATIVIDADE EPISTÊMICA EM AULAS DE FÍSICA

Fabiana O. da Rocha 1 , Valter César Montanher 2

1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo - IFSP/Campus Piracicaba, rochaolf@gmail.com

2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo - IFSP/Campus Piracicaba, vcmontanher@ifsp.edu.br

## Resumo

Esse trabalho faz parte de uma série de estudos desenvolvidos em nosso grupo com o objetivo de entender a argumentação como atividade epistêmica para ensinar física, finalidade que pode ser sintetizada no argumentar para aprender. Na pesquisa aqui descrita procuramos averiguar evidências de argumentação a partir de uma sequência didática elaborada com esse fim. O tema irradiação de alimentos em uma perspectiva de discussão sóciocientífica foi discutida na disciplina de física moderna com alunos de licenciatura em física do sétimo semestre de uma instituição pública de ensino, recorremos a Aprendizagem Baseada em Casos (ABC) como estratégia de ensino promotora de argumentação. A ABC é uma estratégia de ensino e aprendizagem ativa centrada no aluno, que se vale de Casos sobre indivíduos enfrentando decisões ou dilemas, na qual os alunos são incentivados a se familiarizar com os personagens e circunstâncias de modo a compreender os fatos, valores e contextos presentes com o intuito de apresentar uma solução, que supõe um posicionamento, uma decisão. A análise preliminar das produções escritas dos alunos produzida em uma perspectiva dialógica apresentou poucas evidências de argumentação na perspectiva epistêmica com a qual trabalhamos, evidenciando a necessidade de aprender a argumentar, antes de argumentar para aprender.

Palavras-chave : Argumentação, Metodologias Ativas, Temas Sócio científicos.

## Introdução

A proposta de (Leitão, 1999, 2000b apud Chiaro, Leitão, 2007) aborda uma atividade cognitiva discursiva para aprendizado por meio da argumentação, tendo como objetivo a construção e modificação do conhecimento, pontos de vista, opiniões e conceitos prévios, com o intuito de argumentar para aprender, empregando-se o procedimento analítico de reformulação de argumentos, composto por argumento, dito pelo chamado proponente, um ponto de vista inicial aliado a justificativa; contra-argumento, dito pelo oponente, que consiste em qualquer comentário, ideia, perspectiva que possa contradizer o ponto de vista inicial e resposta, apresentada pelo proponente, que é a ideia inicial repensada, ou reafirmada de forma distinta pelas dúvidas geradas pelo contra-argumento ou modificadas pelo convencimento do discurso oponente.

'A argumentação é aqui entendida como uma atividade de natureza discursiva e social que se realiza pela defesa de pontos de vista e a consideração de objeções e perspectivas alternativas, com o objetivo último de aumentar - ou reduzir - a aceitabilidade dos pontos de vista em questão (Van Eemeren et al, 1996 apud LEITÃO, 2007).'

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

O aprendizado ou construção do conhecimento ocorre apenas quando há 'discussão' de ideais, contradição ou perguntas que façam duvidar ou repensar o ponto de vista inicial, criando-se um raciocínio crítico e reflexivo, habilidade desejável para o cidadão de hoje, em que a velocidade e a facilidade de acesso e a transmissão da informação, exige-se o desenvolvimento de um pensamento crítico reflexivo para avaliar, questionar a informação recebida, e usá-la para decidir e resolver problemas a respeito de diversas questões

Entendemos o pensar criticamente como: '[...] uma forma de pensamento racional, reflexivo, focado naquilo que se deve acreditar e fazer' (ENNIS, 1985, p. 46 apud Tarouco, Bulegon, 2015). Acreditamos que por meio da educação científica o indivíduo consiga se familiarizar com temas sócio-científicos relacionados com a física promovendo assim a alfabetização científica. (Zancan, 2000 p. 1).

'A Educação Científica se apresenta como meio de preparar as pessoas para lidar com esse mundo dinâmico, dando-lhes condições para que possam inferir sobre o processo no qual estão inseridos. Diante disso, é necessário refletir sobre a relevância da Educação Científica instituída nos diversos níveis educacionais e como ela tem contribuído para a formação da cidadania, dotando os indivíduos de capacidade para o posicionamento crítico diante de situações de interesse global e, principalmente, diante dos benefícios e problemas advindos dos usos e aplicações da Ciência e das novas Tecnologias'. SILVA; LIMA; LIBERTO; SILVA; SOUZA, 2011)).

## Argumentação

Esta compreensão da argumentação e o contexto de diálogo, busca levar ao entendimento de que as situações de desacordo ou controvérsia fazem que as pessoas tentem persuadir a outros (ou a si mesmas) de que suas crenças são 'equivocadas'; para alcançar este objetivo oferecem razões e/ou evidencias (baseadas em crenças, valores, emoções e informações) que apoiem seu ponto de vista de uma forma mais ou menos eficaz.

'O engajamento em argumentação sobre tópicos curriculares exige dos participantes um contínuo esforço de formulação explícita e fundamentação de seus pontos de vista; ao fazê-lo, abrem-se para o participante oportunidades não só de expansão e elaboração do seu entendimento do tema (conteúdo) sobre o qual argumenta, mas, também, de compreensão e apropriação de formas de raciocínio características do campo do conhecimento em que aquele se insere. Por outro lado, a necessidade de examinar e responder a perspectivas contrárias (contraargumentação) impele o argumentador a avaliar ('testar') a força e sustentabilidade de suas próprias afirmações, à luz de críticas e ideias alternativas trazidas pelo oponente. O diálogo entre pontos de vista, que se estabelece na argumentação, confronta os participantes com múltiplas perspectivas acerca de um mesmo tópico possibilitando-lhes, portanto, exame, compreensão e apropriação de uma multiplicidade de posições sobre o tema'. (LEITÃO, 2011)

Ao referir-se ao campo específico de avaliação dos argumentos, se faz necessário compreender a que se faz referência quando se fala deste construto. Assim, se entende por avaliação do argumento, o exame objetivo e sistemático dos argumentos oferecidos tanto pelo proponente como pelo oponente. As ações responsáveis pela construção de um ambiente argumentativo em sala de aula, como

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

afirma Leitão (2011), podem ser agrupadas em três categorias gerais e que devem ser buscadas pelo tutor/professor para que os objetivos epistêmicos que propomos sejam alcançados:

- 1. Ações em nível pragmático -Criam condições para surgimento da argumentação.
- 2. Ações em nível argumentativo - Sustentam e expandem a argumentação.
- 3. Ações em nível epistêmico - Legitimam o conhecimento construído na argumentação.

O Episódio Argumentativo consiste em no mínimo três elementos, para que se alcance a unidade de análise triádica efetiva para este propósito: Argumento (Ponto de vista e justificativa), Contra-argumento (enunciado que coloca o Argumento à prova) e Resposta (reação ao Contra-argumento). Que o torna um instrumento analítico do ensino e aprendizagem promovido.

## Promovendo a Argumentação

Com o intuito de promover a argumentação em sala de aula, nos valemos da Aprendizagem Baseada em Casos que são problemas reais ou verossímeis colocados em forma de narrativa, com a pretensão de chamar atenção dos alunos e despertar interesse na investigação e resolução do problema, os Casos levam o aprendizado ao um novo patamar, a ação. Cria-se o Caso colocando as expectativas no fim ultimo de aprendizados adquiridos a partir da solução do problema.

- '[...] Um bom caso é o veículo por meio do qual se leva à sala de aula um pedaço de realidade a fim de que os alunos e o professor o examinem minuciosamente. Um bom caso mantém centrada a discussão em algum dos fatos narrados com os quais podem a vir enfrentar-se em certas situações da vida real' (LAWRENCE, 2001, p. 189 apud MONTANHER, 2012, p. 27)

A ABC é uma estratégia de ensino e aprendizagem ativa e centrada no aluno, que se vale de Casos sobre indivíduos enfrentando decisões ou dilemas, na qual os alunos são incentivados a se familiarizar com os personagens e circunstâncias de modo a compreender os fatos, valores e contextos presentes com o intuito de apresentar uma solução, que supõe um posicionamento, uma decisão. Ao trabalhar com um Caso, o aluno pode desenvolver certas competências e habilidades além dos saberes e conceitos mobilizados para a solução, entre eles a habilidade argumentativa.

Um caso nunca tem uma resposta especifica facilitando o uso da argumentação, pois dessa forma, haverá muitas ideias para serem questionadas, promovendo o desenvolvimento do pensamento reflexivo e crítico dos alunos.

- '[...] Não é dito aos estudantes qual é o problema, sendo parte dessa tarefa definir a meta alcançada. Eles não podem comprovar com absoluta segurança se estão certos ou errados uma vez que não existe uma solução única para o Caso. Eles devem encontrar por conta própria o que é ou não relevante, e se existem lacunas significativas na informação de que dispõem'. (MONTANHER, 201, p. 11)

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Trabalhamos o caso em uma turma de 29 alunos de 7° semestre de licenciatura em física, na disciplina de física moderna. O caso escrito em formato de carta, conforme anexo, trata sobre a irradiação de alimentos, relacionando temas sóciocientíficos, aos conceitos físicos tratados na disciplina, o trabalho teve duração de 5 semanas, durante as 4 aulas semanais as sextas-feiras.

Os alunos foram divididos em 6 grupos entre favoráveis e não favoráveis a irradiação de alimentos. Cada aluno elaborou uma carta a favor ou contra a irradiação. As cartas foram trocadas entre alunos com posições contrárias e, posteriormente foram elaboradas cartas com contra-argumentos à posição da carta recebida e depois, em resposta a esta última, foi elaborada uma resposta pelo autor da carta inicial, segundo a sequência didática estabelecida com a finalidade de promover a argumentação. As aulas seguiram respectivamente a ordem abaixo:

- 1. Apresentação da carta (Caso), discussão do mesmo.
- 2. Elaboração da carta a cooperativa (Neto). [ Ponto de Vista + Justificativa]
- 3. Carta resposta da cooperativa (Cooperativa). [ Contra-argumento ]
- 4. Carta resposta a cooperativa (Neto). [Resposta (Reorganização ou mudança de ponto de vista + justificativa)]
- 5. Debate oral entre pares de grupos a favor e contra a irradiação de alimentos, o qual foi filmado para análise, iniciando com [ Ponto de Vista + Justificativa] o grupo proponente (por sorteio), grupo oponente [ Contra-argumento ], e grupo proponente [Resposta (Reorganização ou mudança de ponto de vista + justificativa)] na mesma ordem da sequência didática inicial.

## Resultados

Ema análise procurando evidências de argumentação segundo perspectiva de argumentação adotada dos discursos analisados apenas dois grupos, que trocaram cartas entre si, apresentaram argumentação segundo o perfil epistêmico de Leitão, utilizaram do argumento, afirmando que a radiação não é prejudicial e que traria benefícios:

- '[...]Vó não é para vocês pararem a produção por causa disso [...], [...] a radiação impede a multiplicação de microorganismos que causam a deteriorização do alimento, pela alteração da sua estrutura molecular, o que permite prolongar a validade de alguns produtos [...]'. (Carta CO-L2-FA-10001.pdf)

Do contra-argumento, como o L2 estava certo sobre os alimentos irradiados não fazerem mal as pessoas, H1 utilizou-se de outro recurso, o custo benefício:

'[...]Mas você já parou pra pensar nos danos que serão causados ao meio ambiente? Além dos altos custos de construção (planta) devemos também analisar o descarte desse material radioativo, que foi utilizado durante o processo de irradiação, você sabia que ele é lançado à natureza? [...]' (Carta CR-H1-DE-10001.pdf)

Por fim L2 construiu sua posição final e reformulou seu ponto de vista e justificativa:

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

'Sobre o que você falou a respeito do descarte, não sei se você sabe, mas no nosso país a várias normas e leis a serem seguidas, com punições severas com multa de altíssimo valor a ser pago pelas pessoas empresas ou grupo responsável por esse tipo de material.

- A também uma instituição chamada IPEM que cuida de todo esse processo desde a compra do material, liberação do ambiente, empresa ou laboratório que vai manusear tal material.
- O IPEM também recebe os descartes radioativos e também recebe os descartes radioativos e também fiscaliza tudo o que entra e sai dessas empresas.' (Carta CC-L2-FA-10001,2016)

Observando também alguns trechos da carta do G2, podemos evidenciar o não uso da argumentação, explicitando na carta inicial e final o uso dos mesmos argumentos, alterando apenas as palavras e sua ordem, como mostrados a seguir:

'Alimento irradiado é quando usamos um tipo de pastilha que nada mais é que um elemento radioativo (hoje eles utilizam um chamado Cobalto (Co-60)) e durante um tempinho deixamos o alimento em contato com esse elemento. Ele sofre a ação dessa irradiação e os bichinhos que estão no alimento morrem e sendo assim a fruta e outros tipos de alimentos demoram mais tempo para apodrecer.O nome irradiado provém da ação da radiação do elemento radioativo.

São duas radiações diferentes, uma provem de um elemento radioativo e a do microondas, precisa ser ligadas pela eletricidade e age apenas na parte liquida do alimento, agitando as suas moléculas e fazendo o alimento aquecer.

Ele já nascera protegido contra algumas pragas, o alimento nascerá forte.

Todo alimento é bom ser lavado sendo ele irradiado ou não!

Existem pequenos indícios na alteração sobre sabor, cor e textura, mas nada que indique que uma maça passara ter sabor de banana! Risos.'( CO-G2-FA-80001.pdf)

- ' O elemento é radiativo porque irradia (emana) a grosso modo uma forma de energia ( que é bem intensa) chamada radiação. Vale lembrar que a palavra radiação não serve apenas para elementos nucleares. Quando você coloca a carne na churrasqueira, você está lidando com uma radiação também, do calor que está sendo irradiado em direção a carne, para que ela possa assar.

Ela é usada sim para eliminação de bactérias e fungos, aumentando assim seu tempo de vida. Vale lembrar que o tempo de exposição de um alimento ao um determinado isótopo varia mudando muito pouco seu aspecto e seu sabor e sua textura.

A questão de higiene tem que ser levada sempre em consideração sendo ele irradiado ou não. E quando se diz que não precisa lavar e justamente pelo fato da ação do isótopo em cima dos alimentos que age em cima das bactérias.'(CC-G2-FA80001.pdf)

## Comentários finais e perspectivas

A análise preliminar das produções escritas dos alunos produzidas em uma perspectiva dialógica apresentou poucas evidências de argumentação na perspectiva epistêmica com a qual trabalhamos.

'A argumentação surge, portanto, em situações discursivas nas quais mais de uma alternativa de ação (raciocínios práticos) ou mais de um

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

ponto de vista sobre um tópico (raciocínios teóricos) são, ou podem ser, considerados. Importante ressaltar que a oposição entre pontos de vista, enquanto condição pragmática necessária para que se inicie uma argumentação, não deve ser entendida somente em seu sentido mais óbvio e prototípico como, por exemplo, nas controvérsias que geram o debate político ou a argumentação judicial.' (LEITÃO, 2011, p.18)

Evidenciando então a necessidade de aprender a argumentar, antes de argumentar para aprender. Leitão (LEITÃO, 2011) afirma que há duas formas de ocorrer a argumentação em sala de aula a planejada e a não planejada, porém mesmo optando pela planejada e dando fortes oportunidades para os alunos desenvolverem a argumentação, ela não ocorreu.

'Em situações planejadas, como diz o próprio nome, o surgimento da argumentação depende da criação deliberada de situações de reflexão sobre tópicos curriculares, a partir do planejamento de atividades cuja execução exija dos alunos engajamento em argumentação. Incluem-se, aqui, discussões em pequenos grupos, role-plays, simulações de fóruns e debates, entre outros'. (LEITÃO, 2011, p.18)

Ao que parece a estratégia de ensino e a sequência didática, que solicitava um ponto de vista mais justificativa, um contra-argumento e finalmente uma resposta, não foram suficientes para que tal ocorre-se. A análise até aqui evidencio que o contra-argumento é muitas vezes a apresentação de um ponto de vista contrário ao inicial mas alheio a questão tratada inicialmente, e a resposta repete o ponto de vista inicial, as vezes com palavras diversas e outras com um tema alheio tanto ao ponto de vista inicial como ao do contra-argumento. Apesar de análise ser incipiente nos leva a crer que uma formação inicial sobre o que é argumentar e como se argumenta se faz necessário, para que o discurso em estratégias de ensino ativas que promovem o debate de questões controversas seja argumentativo na perspectiva epistêmica aqui proposta.

## Referências

LEITÃO, Selma. Argumentação e desenvolvimento do pensamento reflexivo. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre - Rs, v. 20, n. 3, p.454-462, 08 fev. 2007.

SILVA, Aparecid a de Fátima Andrade da; LIMA, Camilla Soares Amoroso; LIBERTO, Natália Aparecida; SILVA, Simone Augusto; SOUZA, Vinícius Catão de Assis. Contribuições da Argumentação e do Estudo de Casos para o Ensino de Ciências: uma análise sob a perspectiva de Stephen Toulmin. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, 8., 2011, Campinas Sp. Anais Viçosa - Mg: Enpec, 2011. p. 2 - 4.

BULEGON, Ana Marli; TAROUCO, Liane Margarida Rockenbach. Contribuições dos objetos de aprendizagem para ensejar o desenvolvimento do

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

pensamento crítico nos estudantes nas aulas de Física. Ciência e Educação, Bauru - Sp, v. 21, n. 3, p.743-763, 29 out. 2014.

MONTANHER, Valter Cesar. Aprendizagem baseada em casos nas aulas de física do ensino médio .2012. 259 f. Tese (Doutorado) - Curso de Física, Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas - Sp, 2012.

ZANCAN, G. T. Educação científica: uma prioridade nacional. São Paulo em Perspectiva , v. 14, n. 3, p. 3-7, 2000.

LEITÃO, Selma; DAMIANOVIC, Maria Cristina. Argumentação na escola: O Conhecimento em Construção. Campinas - Sp: Pontes Editores, 2011. 46 p.

MONTEIRO, Maria Amélia; NARDI, Roberto; BASTOS FILHO, Jenner Barretto. Dificuldades dos professores em introduzir a física moderna no ensino médio:: a necessidade de superação da racionalidade técnica nos processos formativos. In: ACADêMICA, Cultura. Ensino de Matemática e ciências I . São Paulo: Unesp, 2009. p. 145-159

## Anexo - Caso Irradiação de alimentos

## Irradiação de alimentos: Um Caso de Ensino para Explorar Conceitos de Física das Radiações

Carauari, 13/08/2016

Caro Hilton,

Há muito que não nos vemos; estou com saudades.

Desculpe-me incomodá-lo com esta carta.

<!-- image -->

A questão que descreverei abaixo está afligindo seu avô e a mim.

Desde que seus pais morreram e você partiu de Carauari, indo morar com sua tia em Campinas, lá se vão 10 anos, sobrevivemos do que produz a fazendinha que seu pai nos deixou em herança.

O pessoal da cooperativa tem nos ajudado a plantar, colher e vender. Apesar do pouco estudo das pessoas daqui tudo ia muito bem, sem maiores preocupações.

Desculpe-me tomar tanto o seu tempo, mas aconteceram coisas preocupantes nestes últimos meses.

Um grupo de estrangeiros comprou algumas glebas de terra aqui perto, onde plantam frutas, verduras e criam gado. Causou-nos certa estranheza tamanha produção, dada a dificuldade em levar os produtos daqui para vender em Manaus ou Rio Branco, as estradas são péssimas e, com o calor e a demora no transporte, chega tudo estragado.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Neste meio tempo o pessoal do posto de saúde descobriu algo perturbador.

Eles estão colocando radioatividade nos alimentos! Alegam que isto mata os bichos e as frutas duram mais fora da geladeira, podem assim vender a maior parte da produção para o exterior e centros urbanos distantes.

Procuramos nos informar com uns textos que obtivemos na internet sobre o assunto, porém ficamos ainda mais confusos. Cada um diz uma coisa.

Não estamos conseguindo vender mais, tem gente que comprava da cooperativa que só está comprando o tal irradiado, dizem que dura mais e não têm bicho, seu avô pensa até em vender as terras.

Não temos clareza do que seja um alimento irradiado e se há diferença entre irradiar o alimento e esquentá-lo no micro-ondas entre inúmeras outras dúvidas. Não sei se é preconceito de nossa parte e seja comum comerem alimentos irradiados aí na cidade grande ou mesmo se você coma alimento irradiado, não sabemos como determinar se um alimento é irradiado ou não, ou se eu comer o alimento irradiado vou ficar radioativo. Alguns pensam em plantar semente irradiada crendo que o alimento vai nascer já irradiado e que o alimento irradiado não precisa nem lavar, fora as dúvidas sobre os efeitos da radiação sobre o sabor, cor e textura do alimento.

Fale com seus amigos da universidade para ajudar a gente daqui. Todos na cooperativa aguardam sua opinião sobre a irradiação de alimentos para o consumo humano, prometi a eles que lerei sua carta na assembleia assim que chegar. O que acha que devemos fazer?

Um abraço de sua avó,

Deolinda.

## PROPOSTA INICIAL DE TRABALHO

Você é aluno do último ano de física no IFSP e tem que ajudar os seus avôs e os amigos da cooperativa que moram em Carauari no Amazonas argumentando a favor ou contra a irradiação dos alimentos e explicando para o público da cooperativa as dúvidas que eles manifestaram e que podem surgir sobre o assunto. Escreva uma carta a sua avó e cooperados com seu ponto de vista e as justificativas que o levaram a defender seu ponto de vista sobre o assunto.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.