INTEGRAÇÃO CALOUROS E VETERANOS: O PROJETO APADRINHAMENTO COMO PROPOSTA PARA UMA MELHOR SOCIALIZAÇÃO E PERMANÊNCIA DOS ESTUDANTES NO CURSO DE FÍSICA
Éder Brambilla, Fernando Bernardo De Souza, Fernando De Almeida Pinto, Henrique Bacci, Lucas Barros Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Equidade, Inclusão Social E Estudos Culturais E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## INTEGRAÇÃO CALOUROS E VETERANOS: O PROJETO APADRINHAMENTO COMO PROPOSTA PARA UMA MELHOR SOCIALIZAÇÃO E PERMANÊNCIA DOS ESTUDANTES NO CURSO DE FÍSICA
Eder Brambilla , Fernando Bernardo de Souza , Fernando de Almeida Pinto , 1 1 1 Lucas Barros da Silva , Henrique Bacci , Alice Helena Campos Pierson 1 1 2
## Resumo
O presente trabalho tem como objetivo analisar o Projeto Apadrinhamento, proposto por estudantes do Diretório de Estudantes da Física e Programa de Educação Tutorial Licenciatura em Física da Universidade Federal de São Carlos, diante da alta taxa de evasão, particularmente nos semestres iniciais dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Física. A proposta procura promover a integração entre calouros e veteranos com o objetivo de ajudar no processo de integração dos novos estudantes com a comunidade acadêmica. Ela tem início na semana de recepção dos calouros quando ocorre a organização de grupos de até cinco calouros a serem assumidos por dois veteranos (padrinhos) que têm a função de ajuda-los nessa fase inicial com dificuldades tanto pessoais como, por exemplo, moradia como dificuldades de estudo, obtenção de materiais didáticos, entre outras demandas que possam aparecer. O projeto vem sendo desenvolvido desde 2015 e no ano atual, em sua segunda edição, procurou-se, a partir de um questionário respondido pelos alunos participantes, obter melhores informações sobre como se deu a interação nos diferentes grupos constituídos e verificar em que medida sua existência foi importante na integração dos calouros. Embora ainda estejamos trabalhando com dados bastante preliminares, já é possível identificar indícios de que a os grupos se mantiveram até cumprirem seu objetivo embora, mesmo sendo formado por mais de um calouro, a interação maior não se deu entre os calouros, mas entre cada um deles e seus padrinhos. Tem-se a hipótese de que um acolhimento adequado do calouro pelos seus colegas pode minimizar a desistência do curso, na medida em que oferece suporte e estímulo para sua permanência, entretanto não pudemos ainda verificar se tal fato efetivamente ocorreu pois o 1º semestre de 2016 ainda encontra-se em curso.
Palavras-chave : Recepção calouros, Evasão, Graduação em Física
## Introdução
A alta taxa de evasão em cursos de Física é fato conhecido e vários trabalhos relacionados a esse tema foram desenvolvidos na tentativa de justificar esse quadro, como na pesquisa: 'Evasão Universitária: o caso do instituto de Física da UFRJ'¹, (BARROSO e FALCÃO,2004), no qual se verificou que de 120 alunos ingressantes somente 10% o conclui e outros 10% graduaram-se em outro curso; estudo semelhante foi realizado na UnB (RIBEIRO et al, 2008), segundo o qual a evasão 2 entre o período 01/2001 a 02/2006 foi de 63,6% no curso de física, evidenciando o problema acima mencionado. Buscar formas de enfrentar a evasão nos cursos de licenciatura em física é bastante relevante frente ao déficit existente na formação de licenciados em Física, conforme já apontavam estudos realizados pelo Ministério da
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Educação em 2007 segundo os quais a licenciatura em Física chegava a formar 13 vezes menos professores quando comparada às outras licenciaturas (IBAÑEZ RUIZ; RAMOS; HINGEL, 2007). Tal quadro não tem se alterando de forma significativa até os tempos atuais.
Em meio a um alto índice de evasão dos alunos dos dois cursos de Física da Universidade Federal de São Carlos (bacharelado e licenciatura integral e licenciatura noturno), o Diretório Acadêmico da Física (DAF), em conjunto com a coordenação dos cursos de Física, procuraram soluções para tentar minimizar esse problema.
Ao longo dos anos de 2012 a 2014, o grupo vinculado ao Programa de Educação Tutorial Licenciatura em Física (PET-LiF) desenvolveu um projeto de acompanhamento dos ingressantes do curso de licenciatura noturno em física e identificou alguns aspectos que poderiam contribuir com essa alta evasão. Dentre eles, destacou-se a grande dificuldade no acompanhamento das disciplinas, unida a um sentimento de isolamento e desconhecimento das possibilidades na nova realidade estudantil (PETROCELLI et al, 2013).
Paralelamente, estudos realizados pelas coordenações de curso de física (integral e noturno) identificaram que os anos que apresentaram maiores números de formandos foram os que os próprios alunos se organizaram em grupos de estudos e se integraram, garantindo que houvesse um apoio aos colegas que apresentavam dificuldades em disciplinas com maiores taxas de reprovação, organizado pelo conjunto dos alunos de uma mesma turma de ingresso.
Outro aspecto identificado como problemático e desmotivador para a permanência no curso, percebido por alunos veteranos da instituição e igualmente destacado em estudo realizado por Arruda e Ueno (2003), em estudo sobre a evasão nos cursos de física da Universidade estadual de Londrina, refere-se às relações estabelecidas entre calouros e veteranos:
Do ponto de vista das relações, os alunos mais antigos do curso, às vezes, transmitem seus medos e frustrações para os calouros, principalmente suas (más) impressões a respeito de certos professores. De fato, estes às vezes podem exercer uma pressão nos alunos, deixando-os inseguros, retraídos, dependendo da maneira como os tratam. (ARRUDA E UENO, 2003, 175)
Em meio a este cenário, surge o projeto Apadrinhamento, com os objetivos de: melhorar a integração dos calouros na universidade e na própria cidade de São Carlos (ressaltando que a maioria não é natural da localidade); facilitar e fortalecer a união dos ingressantes entre eles mesmos e com os veteranos que se dispuseram a serem interlocutores/ apoiadores diante dos percalços enfrentados nesse momento inicial da vida acadêmica e; gerar um ambiente agradável e acolhedor em que eles se sintam mais tranquilos para crescerem intelectualmente e socialmente.
Essa intervenção tem como perspectiva utilizar o padrinho como um intermediador desse processo de acolhimento e instrução, procurando dessa forma reduzir a evasão e um melhor desempenho durante o curso. A função de padrinho seria ajudar os calouros a superar obstáculos tanto pessoais, como por exemplo, moradia, alimentação, quanto as dificuldades encontradas no decorrer do curso, na obtenção de materiais escolares, entre outras demandas que surgem ao longo da vida acadêmica. Espera-se que com o desenrolar do ano letivo, à medida que os calouros se integrem com seus colegas e com a dinâmica universitária, o padrinho
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torne-se desnecessário, dando início a um novo processo de preparação dos ingressantes interessados em tornarem-se futuros padrinhos.
No primeiro ano de existência do projeto, 2015, foi realizada uma distribuição aleatória tanto de padrinhos quanto de calouros, o que, com o passar do tempo e em encontros realizados com alguns dos participantes para discutir o projeto, foi evidenciado um desligamento prematuro e rápido, conforme relatados pelos mesmos, devido à forma como foram montados os grupos, mas que ainda assim, houve uma parcela significativa de importância pessoal para os ingressantes daquele ano. Para o ano seguinte, atual 2016, considerando críticas e sugestões, foi adotado um processo de distribuição de grupos em que se considerou a possibilidade dos calouros já terem desenvolvido algum tipo de afinidade entre si e/ou com os possíveis padrinhos, o que poderia possibilitar um vínculo, e com isso, um interesse maior na realização das atividades. A partir dessa dinâmica foram montados grupos tais que cada dupla de padrinhos ficasse responsável por de dois a cinco calouros.
Este trabalho tem como objetivo analisar, a partir da situação atual do projeto e, considerando o que foi discutido e proposto no ano anterior, avaliar o potencial do projeto Apadrinhamento na melhoria da integração dos alunos ingressantes no meio acadêmico e, com isso, obter maior apoio, particularmente dos colegas, durante o desenvolvimento de seu curso de graduação. Entretanto estaremos no momento atual apenas analisando o potencial do projeto na melhoria da integração dos calouros, pois, em função de uma paralisação das atividades acadêmicas (greve dos estudantes) por praticamente três meses, o 1º semestre de 2016 encontra-se ainda em curso.
## Metodologia
Com o objetivo de avaliar o alcance do projeto junto aos calouros ingressantes em 2016 e o quanto as relações estabelecidas durante as atividades de recepção aos calouros permaneceram por tempo suficiente para que o calouro se sentisse melhor acolhido pela instituição, optamos por utilizar como instrumento de tomada de dados um questionário on-line a ser respondido pelos participantes do projeto.
No período de junho o grupo PET disponibilizou um questionário divulgado tanto em redes sociais quanto por e-mail, que foi respondido pelos calouros dos cursos vinculados ao Departamento de Física (além dos cursos já citados, fez igualmente parte do projeto calouros do curso de Engenharia Física) com a finalidade de avaliar o andamento do projeto. Esse questionário teve como objetivo criar uma base de dados que nos possibilitasse tirar algumas conclusões sobre o projeto.
Como o foco central da pesquisa é trabalhar apenas com os alunos da Física, os alunos da Engenharia Física só foram informados do formulário via redes sociais. Além disso, também foi enviado um e-mail a todos os padrinhos solicitando que repassassem o formulário para seus respectivos afilhados.
Junto ao formulário, colhemos dados como identificação pessoal como nome, e-mail e curso, informações sobre a participação nas atividades de acolhimento empregadas pelo DAF no início do ano. Solicitamos também os nomes de todos os membros do grupo e de que forma o grupo havia se constituído.
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O formulário contava também com questões relacionadas à integração entre os componentes de cada grupo de padrinhos e 'apadrinhados'. Nesse sentido foi perguntado se o grupo permanecia unido ou, se houve afastamento do grupo, como ele se deu. A intenção era identificar, na visão do calouro, o porquê desse distanciamento. O objetivo principal dessas questões não era apenas aprimorar o controle de dados dos grupos, mas descobrir qual o nível de afinidade desenvolvido pelo calouro junto ao grupo.
## Desenvolvimento
Ingressam anualmente na UFSCar (campus São Carlos) 50 alunos no curso de Bacharelado e Licenciatura integral; 30 no curso de Licenciatura noturno; e 40 em Engenharia Física. Desse total de 120 calouros tivemos, no ano de 2016, mais 35 ingressantes nos cursos como transferência interna ou reingresso no mesmo curso e que, por já conhecerem a instituição, não participaram do projeto ou, se participaram, o fizeram como padrinhos.
Desse total de calouros, portanto, nem todos participam das atividades de recepção, seja por terem ingressado em chamadas que ocorreram após a 1ª semana de aula, seja por serem alunos que estão reingressando na UFSCar e que, portanto, já conhecem o espaço universitário, seja por não terem disponibilidade no período diurno, ou mesmo não terem interesse. Soma-se a essas causas, a falta de divulgação para os calouros do período noturno.
Gráfico 1 - Alunos ingressantes e reingressantes em 2016 - UFSCar/São Carlos
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Participaram, em 2016, do Projeto Apadrinhamento 48 calouros. Dentre esses, 18 são da Engenharia Física, 18 da Física Integral e, mesmo com a falta de divulgação no curso noturno, tivemos 12 calouros da Licenciatura em Física (Noturno). Portanto 40% dos alunos ingressantes no ano de 2016 participaram do projeto, o que nos parece uma boa adesão.
Responderam ao questionário on-line 34 calouros sendo que, seis deles não participaram do projeto. Tivemos, portanto, a resposta de 28 'apadrinhados', ou seja, 58% dos participantes.
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Em entrevista com quatro dos seis calouros que responderam ao questionário, mas não participaram do projeto, verificamos que dois simplesmente não participaram da recepção dos calouros e os outros dois nem sabiam que ocorreria uma recepção. Isso reforça alguns fatores já citados.
No gráfico abaixo temos a distribuição dos respondentes entre os três cursos participantes do projeto.
Gráfico 2 - Total de calouros 'apadrinhados' e 'apadrinhados' que responderam ao questionário, por curso
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Analisando a distribuição de questionários respondidos por curso vemos que a Licenciatura Noturna, embora contasse com um menor número de calouros participando do projeto, foi o curso que obtivemos o maior retorno (75% dos participantes), seguido pelo curso de Física Integral (56%) e Engenharia Física (50%).
Solicitamos pelo questionário que as pessoas identificassem os membros dos seus grupos, a fim de podermos aprimorar o nosso mapeamento e também identificar o nível de afinidade entre participantes de um mesmo grupo. Apenas nove conseguiram identificar todos, 18 sabiam o nome de pelo menos um dos padrinhos e uma pessoa não se lembrava de ninguém. Ou seja, das 28 respostas de pessoas 'apadrinhadas', 27 se lembram de seus padrinhos, o que indica que houve alguma interação entre eles e que o processo de apadrinhamento não foi apenas mais uma das atividades desenvolvidas durante a recepção e depois esquecida. Tal fato pode indicar ainda que os padrinhos, de certa forma, tiveram alguma importância, nem que seja como referência para o estudante ou pelo menos como um suporte quando o calouro precisar.
Foi solicitado que os participantes informassem o tempo em que o contato com o grupo se manteve. Como resposta havia as seguintes possibilidades: uma semana; um mês; até três meses; e ainda mantém contato com o padrinho.
As respostas obtidas para o conjunto de participantes encontram-se na tabelas 3 e na tabela 4 organizadas por curso.
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Gráfico 3 - Tempo de contato que os 'apadrinhados' mantiveram com seus grupos
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Gráfico 4 - Tempo de contato dos 'apadrinhados' por curso
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Analisando a tabela 3 verificamos que nove pessoas perderam rapidamente o contato com seus padrinhos (a interação se deu apenas na primeira semana de aula), todos os demais o contato se manteve por pelo menos um mês, período que nos parece ser o mínimo necessário para justificar a importância do padrinho nessa etapa de integração com o curso. Quando questionados sobre a razão do afastamento, a maioria dos que perderam o contato na primeira emana a justificativa apresentada foi a falta de afinidade (não tinham muita coisa em comum com o grupo) ou terem conhecido outras pessoas com as quais elas se identificaram mais. A questão que fica aqui é discutir o porquê, para essas pessoas, os seus grupos não funcionaram da maneira como foram planejados. Apenas o que podemos concluir, é que, se o contato entre padrinho e 'apadrinhado' se extinguiu, é porque não se tinha mais preocupação em mantê-lo.
No caso daqueles que mantiveram o contato por até um ou três meses (oito participantes), a justificativa para o distanciamento que aparece com maior frequência é ter conhecido outras pessoas com as quais se identificava mais, fato que nos parece natural e indicador de que o calouro estava constituindo seu próprio grupo - construindo seu processo de integração com o curso. Em alguns casos a
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resposta é mais explícita: não fazia mais sentido, já que eu já estava entrosado na universidade. Situação semelhante entendemos ter ocorrido quando a justificativa dada era não ter mais entrado em contato com os padrinhos, o que entendemos estar implícito o não sentir mais necessidade de recorrer a eles para resolver questões acadêmicas ou mesmo aquelas relacionadas à vida numa cidade nova.
Considerando os 11 calouros que mantinham, até o momento da pesquisa, contato com seus padrinhos, entendemos que os resultados obtidos foram positivos, dado que, 21 calouros (75% dos participantes do projeto que responderam ao questionário) entendiam estar integrados à instituição. No entanto não temos como avaliar ainda a relevância do projeto na conquista desse objetivo sendo necessário a continuidade dos estudos.
Um dado que nos chamou a atenção é que os calouros mantiveram mais tempo contato com seus respectivos padrinhos do que entre si. Há pouca referência a outros participantes do grupo.
Analisando os calouros que mantêm contato até hoje com seus padrinhos é interessante observar que cinco deles fazem parte de um mesmo grupo constituído por padrinhos e 'apadrinhados' pertencentes ao curso de Engenharia Física. Considerando que no momento da organização dos grupos avaliou-se que seria interessante organizar grupos com integrantes de diferentes cursos buscando dessa forma uma maior integração entre os cursos, tal fato nos leva a reavaliar tal decisão. Pode reforçar essa hipótese o fato das outras duas pessoas do curso de Engenharia Física e que mantiveram contato por uma semana e um mês, comporem grupos onde elas eram as únicas pessoas de seu curso no grupo, logo a facilidade de ser romper os laços eram aparentemente maiores.
Das pessoas que afirmam ter perdido contato em uma semana, a principal justificativa foi ter conhecido outras pessoas com qual elas se identificaram mais. A questão que fica aqui é discutir o porquê para essas pessoas, os seus grupos não funcionaram da maneira como foram planejados. Apenas o que podemos concluir, é que, se o contato entre padrinho e 'apadrinhado' se extinguiu, é porque não se tinha mais preocupação em mantê-lo.
Fazendo uma análise mais focada em cada curso, vemos que no curso de Licenciatura Noturna somente uma pessoa informou que mantem o contato até o momento com o grupo, em especifico com um membro do grupo. As outras oito pessoas informaram que houve perda de contato entre uma semana e três meses, justificando o fato, por conhecer outras pessoas que se identificaram mais.
Para o caso da Engenharia Física, temos o outro lado da moeda, onde sete pessoas informam que permanecem em contato até o momento e apenas duas perderam o contato rapidamente. No caso dessas duas pessoas, quando tomamos como base uma das conclusões sugeridas anteriormente, temos que ambas compunham grupos, onde elas eram as únicas pessoas de seu curso no grupo, logo a facilidade de ser romper os laços eram maiores aparentemente.
Para a Física Integral, voltamos a um caso parecido ao da Licenciatura Noturna, onde apenas três pessoas informaram manter contato até o momento com os padrinhos, porém nenhum dos dez calouros informa ter mantido contato com os outros membros do grupo por muito tempo. Seus grupos eram basicamente misturados entre Licenciatura Noturna e Engenharia Física.
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## Considerações Finais
Não conseguimos obter dados sobre o histórico desses alunos ao longo desse período acadêmico, como informado anteriormente, pois devido a paralisação seguida de greve dos estudantes, o 1º semestre continua em curso, o que nos impossibilita obter dados sobre desempenho e desistência de estudantes.
Analisando a data em que a greve ocorreu com relação ao início do semestre, tivemos aproximadamente três meses de projeto. Mesmo que nenhum calouro tenha informado algum tipo de distanciamento próximo a essa data, ou por essa razão, não podemos deixar de supor que tenha havido distanciamento por parte de padrinhos ou calouros que não responderam o questionário. Visto que, por ser um momento delicado para a universidade, várias pessoas estavam bastante envolvidas com o movimento, dando a ele prioridade frente à outras eventuais demandas.
Para o próximo ano, acreditamos na hipótese de que, a partir das responsabilidades que a graduação proporciona, grupos constituídos por membros de um único curso podem levar a um maior aproveitamento do projeto. Como o projeto é recente, estamos visando a mudanças a partir das conclusões geradas nesse trabalho, pois acreditamos que com isso será possível atingirmos o objetivo de diminuir o número de alunos desistentes do curso.
## Referências
ARRUDA, S. M.; UENO, M. H. Sobre o ingresso, desistência e permanência no curso de Física da Universidade Estadual de Londrina: algumas reflexões . Ciência & Educação , Bauru, v. 9, n. 2, p. 159-175, 2003.
BARROSO, F. Marta; FALCÃO,B. M. Eliane; O caso do Instituto de Física da UFRJ in Anais do IX Encontro Nacional de Ensino de Física , SBF, Jaboticatuba/MG, 2004.
IBAÑEZ RUIZ, A. I.; RAMOS, M. N.; HINGEL, M. Escassez de professores no Ensino Médio: soluções emergenciais e estruturais. Brasília: Câmara de Educação Básica, 2007. http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/escassez1.pdf (Acessado em: 08/16).
PETROCELLI, G.; DANUELLO, M.V.B.; AGUIAR, S.; SANCHES, V.; PIERSON, A.H.C. Estudo da Evasão da Licenciatura em Física da UFSCar. In: XX Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2013, São Paulo. Anais do XX Simpósio Nacional de Ensino de Física . São Paulo; SBF, 2013. v..u. p.1-7
RIBEIRO, B.V. ; SILVESTRE, C.H.C.; SANTOS, D.D.A.; CUNHA, D.C.N.; LIMA, F.R.M.; GONÇALVES, G.C.; MENDES, R.F.P. ; Um estudo da evasão no curso de física na UnB, Relatório à Comissão de Graduação do IF/UnB, 2008. http://www.if.ufrgs.br/gra/agenda/relatorio\_a\_comissao\_de\_graduacao.pdf (Acessado em 08/2016).
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