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DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DE FÍSICA EM ESPAÇOS FORMAIS E NÃO FORMAIS DE EDUCAÇÃO: O PROJETO CIÊNCIAS SOBRE RODAS.

Wanderson Cerqueira De Oliveira, Tiago Nery Ribeiro

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Pôster

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Texto completo

## DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DE FÍSICA EM ESPAÇOS FORMAIS E NÃO FORMAIS DE EDUCAÇÃO: O PROJETO CIÊNCIAS SOBRE RODAS.

## Wanderson Cerqueira de Oliveira , Tiago Nery Ribeiro 1 2

- 1 Universidade Federal de Sergipe/Departamento de Física/Campus Prof. Alberto Carvalho, wandersoncerqueirinha@gmail.com

## Resumo

A partir dos desafios atuais para o ensino de física nas escolas de educação básica em procurar intervir em um ensino que esteja ancorado ao cotidiano do aluno, faz-se necessários a atuação da universidade em ambientes formais e não formais de educação. Dessa forma, este trabalho tem por objetivo realizar uma reflexão a respeito dos termos educação científica em espaços formais e não formais de educação a partir de ações realizadas no projeto Ciências sobre rodas: busão da ciência do agreste e do sertão, uma ação de divulgação científica realizada pela Universidade Federal de Sergipe, campus Prof. Alberto Carvalho, em cidades do interior de Sergipe, Bahia e Alagoas, nas áreas de Ciências biológicas, Física, Geografia, Matemática e Química. No subprojeto de Física foi selecionado experimentos de fácil montagem e deslocamento, que oportunizassem, a partir da demonstração experimental, uma discussão conceitual sobre fenômenos da física e uma troca de experiências entre estudantes, professores e a comunidade. Durante a realização do projeto foi possível perceber a motivação de todos os participantes durante a exposição das atividades experimentais, o que pode ser um indicador que o projeto contribuiu para despertar o interesse pelas ciências e pelo fazer ciência.

Palavras-chave : Divulgação Científica, Ensino de Física, Ciências sobre Rodas, Espaços educativos.

## Introdução

Na atualidade a divulgação científica vem ganhando um espaço cada vez mais significativo no ambiente social, pois identificamos a criação de espaços como museus e centros de ciência que tem por objetivo a propagação da divulgação da ciência através de políticas de incentivo, difusão científica e financiamentos públicos direcionados a levar a ciência a um público que não tem nenhum contato com a mesma. Mesmo o aumento sendo evidente ainda encontramos uma parcela importante da população que não tem nenhum tipo de contato com a ciência.

No estado de Sergipe, atualmente temos dois ambientes de divulgação e popularização da ciência que são: a Casa de Ciência e Tecnologia da Cidade de Aracaju (CCTECA) e a Feira Estadual de Ciências, Tecnologia e Artes de Sergipe (CIENART). A primeira é uma casa de ciência localizada no parque da Sementeira, no munícipio de Aracaju, e conta com um planetário e diversos experimentos de ciências. A segunda é uma feira de ciência que conta com atividades desenvolvidas em todo o estado e ao longo do ano, concentradas a partir de oficinas pedagógicas realizadas em escolas de educação básica, e tem como seu momento final a reunião

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de todos os participantes durante a semana nacional de ciência e tecnologia, também na cidade de Aracaju.

Como podemos notar, as atividades de divulgação e popularização da ciência acabavam ficando concentradas na capital do estado, não oportunizando, em algumas vezes, o contato com tais eventos a estudantes oriundos de cidades do interior. Para preencher essa lacuna surge então o projeto Ciências Sobre Rodas: busão da ciência do agreste e do sertão (Edital 064/2009CNPQ/MCTI/SECIS/FAPS), que tinha por objetivo o desenvolvimento de dinâmicas de propagação científica e tecnológica em comunidades do agreste e sertão sergipano.

- O funcionamento do projeto Ciência sobre Rodas: busão da ciência do agreste e do sertão centra-se em estabelecer comunicação do cidadão por intermédio do ensino científico, expandindo os saberes na área de ciências através de métodos simplificados que ligam a estratégia a seu cotidiano permeado por ciência e tecnologia. Esses métodos estão voltados à realização de atividades interativas, o que foge da formalidade de uma sala de aula, não somente com alunos, mas também focadas no público das comunidades a serem visitadas pelo projeto.

Nesse trabalho temos por objetivo realizar uma reflexão a respeito dos termos educação científica em espaços formais e não formais de educação a partir de ações realizadas no projeto Ciências sobre rodas: busão da ciência do agreste e do sertão, bem como as possíveis contribuições do mesmo para os espaços educativos onde ocorreu. Para elaboração do trabalho utilizou-se da pesquisa bibliográfica e da descrição das atividades desenvolvidas durante o projeto na área de Física.

## A divulgação científica em espaços formais e não formais de educação

A divulgação científica ou popularização da ciência, que são os termos mais frequentemente utilizados na literatura acadêmica, pode ser definida como sendo a utilização de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral (BUENO apud ALBAGLI, 1996). Significa dizer que é a realização da divulgação do conhecimento científico para o público em geral.

Do ponto de vista do espaço educacional, é possível definir três tipos de situações educativas: a educação formal, a educação não formal e a educação informal. A educação informal está ligada ao senso comum e ao processo pelo qual as pessoas adquirem conhecimentos a partir de acontecimentos durante a vida. Na educação informal, os agentes educadores são os pais, a família em geral, os amigos, os vizinhos, colegas de escola, os meios de comunicação de massa, por exemplo. Opera em ambientes espontâneos, onde as relações sociais se desenvolvem segundo gostos, preferências, ou pertencimentos herdados (GOHN, 2006, apud WHARTA et al, 2015).

A educação formal vai ocorrer no ambiente escolar, compreendido desde os primeiros anos da educação básica até os últimos anos da universidade. Ela tem um espaço específico para ocorrer, é institucionalizada, metodicamente organizada, dividida em disciplinas e prevê uma lista de conteúdos.

A educação não formal é um processo permanente, mas não organizado, pois pode ocorrer em diversos espaços, valorizando a troca de experiências que

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pode ocorrer entre os indivíduos, sendo promovida, principalmente, em espaços sociais coletivos. Segundo Gadotti (2005), a educação não formal se diferencia da formal não pela oposição, mas por realizar-se fora do sistema formal de ensino. A educação não formal se realiza em espaço e tempos distintos da educação formal. Assim, o tempo da aprendizagem na educação não formal é flexível, respeitando as diferenças e as capacidades de cada um. Uma das características da educação não formal é sua flexibilidade tanto em relação ao tempo quanto em relação à criação e recriação dos seus múltiplos espaços (GADOTTI, 2005, apud WHARTA et al, 2015).

Para Gohn,

A educação formal é aquela desenvolvida nas escolas, com conteúdos previamente demarcados; a informal como aquela que os indivíduos aprendem durante seu processo de socialização - na família, bairro, clube, amigos, etc., carregada de valores e cultura próprias, de pertencimento e sentimentos herdados; e a educação não formal é aquela que se aprende 'no mundo da vida', via os processos de compartilhamento de experiências, principalmente em espaços e ações coletivas cotidianas. (GOHN, 2006, p. 28).

Ainda segundo Gohn, quanto aos objetivos de cada um dos três tipos de situações educativas, destaca para a educação formal os concernentes ao 'ensino e aprendizagem de conteúdos historicamente sistematizados', que prepara o indivíduo para atuar em sociedade como cidadão ativo. A educação informal tem como objetivo socializar os indivíduos e desenvolver hábitos e atitudes, isso ocorre de acordo com a cultura e os valores de cada grupo. A finalidade da educação não formal é proporcionar conhecimento sobre o mundo que envolve os indivíduos e suas relações sociais. Esse tipo de educação surge dos interesses e necessidade das pessoas de cada grupo e quando visa à justiça social, fortalece o exercício da cidadania (GOHN, 2006 apud Cascais e Terán, 2011).

A partir das definições apresentadas nos parece óbvio enquadrar o projeto ciências sobre rodas como um espaço de divulgação e popularização da ciência não formal. Por outro lado, a resposta não nos parece tão simples, uma vez que também depende do público e das circunstâncias as quais o projeto se desenvolvia. Por exemplo, quando o projeto se desenvolvia em uma praça, espaço público coletivo ou mesmo no ambiente escolar, a um visitante ocasional, ela poderia proporcionar uma educação não formal, mas no ambiente escolar organizado, na qual a visita do busão da ciência se fez como parte efetiva do conteúdo curricular, ela poderia se definir como um espaço formal, e ambas as situações ocorrerão no projeto.

Por isso, acreditamos que em ambos os espaços educacionais, o nosso objetivo sempre foi proporcionar o conhecimento de uma forma fácil e acessível a todos os participantes do projeto, pois entendemos que o contato com as ciências e seus aspectos metodológicos, por menor que seja, tem o potencial de contribuir para uma educação científica mais efetiva. Dessa forma, o projeto ciências sobre rodas: busão da ciência do agreste e do sertão, se credencia como uma ação de divulgação científica 'polivalente', uma vez que tem por finalidade a popularização da ciência em espaços não formais e formais de ensino, pois o trabalho de divulgação científica contém sempre uma intenção pedagógica que deve ser ajustada a cada público com os meios disponíveis (ANGULO et al., 2012 apud WHARTA et al, 2015).

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## O projeto Ciências sobre rodas - busão da ciência no Agreste e no Sertão

- O projeto Ciências sobre rodas: busão da ciência no Agreste e no Sertão foi concebido com o objetivo de, a partir de viagens ao interior do estado de Sergipe e atualmente também no interior dos estados da Bahia e Alagoas, desenvolver atividades com propostas de cunho investigativo e científico nas seguintes disciplinas: ciências biológicas, física, geografia, matemática e química.

As viagens contam com a participação de docentes e discentes de licenciaturas do campus Prof. Alberto Carvalho da Universidade Federal de Sergipe na cidade de Itabaiana/SE, os quais desenvolvem atividades experimentais de demonstração com o intuito de fornecer ao público alvo um contato com o conhecimento científico, oportunizando uma interação com objetos construídos com o objetivo de gerar discussões sobre situações e fenômenos apresentados de forma lúdica e aproximar a universidade da comunidade.

- O projeto conta com uma caminhonete-laboratório itinerante que realiza visitas a praças, feiras, espaços públicos e escolas da educação básica em cidades que, de alguma maneira, nunca teve a oportunidade de ter contato com nenhuma espécie de evento ligado a divulgação e popularização da ciência. Cada exposição era concebida a partir de duas ou três temáticas escolhidas adequadamente segundo a região e o público alvo, mas normalmente versavam sobre questões relacionadas a temas como: água e meio ambiente, energia e transformações químicas, recursos naturais do estado de Sergipe e relação ciência e tecnologia nas diferentes áreas de conhecimento.

Vale salientar que além das atividades experimentais desenvolvidas, também eram desenvolvidas peças teatrais que abordavam o tema da questão do 'fazer ciência e aprender ciência'.

A viagem da caminhonete-laboratório, figura 1, era organizada da seguinte forma: preparação das atividades pelas equipes de docentes e discentes de cada área; visita aos locais para identificação das condições de infraestrutura local e realização das atividades, distribuídas de acordo com os temas abordados; alocação das atividades no local escolhido para a atividade; visitação que eram guiadas pela curiosidade e interesse de cada visitante que eram orientados a fazerem seu próprio plano de visitas (WHARTA et al, 2015).

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Figura 01: Foto da caminhonete-laboratório do projeto Ciências sobre rodas - busão da ciência no Agreste e no Sertão.

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Durante as viagens, buscava-se propor atividades científicas interativas, simples e desafiadoras, adequadas a diversidade do público, ou seja, atividades que atendesse estudantes do ensino fundamental, ensino médio e, principalmente, o público geral.

Dessa forma, o 'busão da ciência', como é chamado popularmente onde chega, buscou popularizar a ciência além dos muros da universidade, de modo a oportunizar as comunidades que não tem acesso a centros ou museus de ciência, um modo de motivar a alunos e a população em geral a se interessarem pelo universo da ciência.

## O projeto ciências sobre rodas: a participação do Departamento de Física

O projeto Ciência sobre Rodas: busão da ciência possui uma estrutura que permite a participação do Departamento do curso de Física do campus Prof. Alberto Carvalho a partir da demonstração de experimentos lúdicos construídos na disciplina Instrumentação para o ensino de física e no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e o Programa de consolidação das Licenciaturas (PRODOCÊNCIA).

Em espaços não formais de educação, os experimentos eram apresentados pelos monitores, que eram estudantes do curso de licenciatura em Física, para todos os participantes do evento. Inicialmente esses experimentos eram elaborados e discutidos na universidade, de forma que os monitores apresentassem não efetuando as respostas, mas questionando e discutindo os fenômenos físicos observados com todos aqueles que participavam do busão.

Por exemplo, nos dias 09 e 10 de julho de 2016 foi realizada uma edição do projeto ciências sobre rodas em escolas dos municípios de Estância e Itaporanga D'Ajuda. Participaram do evento cerca de 200 jovens do ensino fundamental e médio da rede pública estadual de Sergipe, devidamente acompanhados pelos seus professores. Os estudantes passaram por todos os ambientes de todas as áreas, entretanto, o caráter lúdico da Física despertou mais atenção e curiosidade por experimentos como: o passarinho e o sapo equilibrista, a cadeira de prego, o poço sem fim, a torre de Pisa, o reflexo em espelho plano, tubos sonoros, caleidoscópio, periscópio, borbulhador mágico, entre outros. Na figura 2 podemos visualizar a aplicação dos experimentos.

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Figura 02: Foto das apresentações do subprojeto de física no projeto Ciências sobre rodas - busão da ciência no Agreste e no Sertão.

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Durante a apresentação das atividades foi possível identificar que o material desenvolvido atraía a atenção de pessoas de várias idades e diferentes classes sociais, oportunizando interação e reflexão sobre fenômenos físicos para diferentes faixa etárias, relacionando situações do cotidiano do público em geral. Contamos, por exemplo, com o depoimento de um professor que ao sentar na cadeira de prego disse: ' me sinto criança novamente' , até o depoimento de um aluno do ensino médio que dizia: ' estou conseguindo visualizar situações que estudei na Física em sala de aula' . Por isso, acreditamos que no âmbito escolar, as atividades de física podem contribuir para despertar o interesse dos alunos pela ciência, estimulando cada vez mais ao questionamento dos fenômenos observados.

A partir das apresentações tínhamos contato com os alunos e conseguíamos visualizar a animação e motivação dos mesmos ante as apresentações. Podemos até receber discursos como do tipo: ' depois dessa feira já sei que vestibular vou fazer' , ou seja, despertando a consciência do aluno para a escolha do curso que prestará vestibular no futuro.

Em espaços formais de educação, os experimentos do busão eram apresentados a partir de uma sequência didática elaborada de forma que fosse utilizada pedagogicamente segundo a metodologia de Miller et al (2013), utilizada para experimentações que se enquadram em um ciclo mais conhecido por 'POE', que significa 'Prever, Observar, Explicar', no qual tivemos por objetivo investigar adequadamente todo o processo experimental de forma que ele seja demonstrado de uma forma eficaz, permitindo a discussão relativa a conceitos e informações úteis para os alunos.

Para Miller et al (2013), esse ciclo provoca no aluno uma situação na qual eles são levados a resolver determinada situação-problema, de forma que não é importante se há um acerto ou erro, o importante é que o professor consiga extrair

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ideias sobre os fenômenos físicos para uma discussão sobre o tema em questão. Essas ideias são relacionadas com os conceitos científicos de modo a haver uma confrontação para redimir possíveis inconsistências conceituais. Por fim, concilia-se o novo conhecimento a estrutura cognitiva do aluno.

Por exemplo, em visita realizada na Escola Estadual Eduardo Silveira, na cidade de Itabaiana/SE, em duas turmas de 2º ano do Ensino Médio, a atividade foi aplicada pelos monitores, apresentando inicialmente o aparato experimental para um grupo de, no máximo, cinco alunos, de forma que eles tenham a oportunidade de, a partir da observação, prever o que está acontecendo, daí uma diferença, já que no espação não formal o próprio aluno escolhia o experimento a ser visualizado. Nesse momento o bolsista registra as concepções dos alunos referente ao fenômeno observado para a possível confrontação com os conceitos físicos a serem abordados. Em seguida o aluno observa o aparato em funcionamento e confronta com as suas primeiras observações.

Após esse primeiro momento, a discussão segue-se mediada por questões previamente elaboradas a partir de discussões entre os monitores e o professor. Por exemplo, no experimento chamado de 'Poço sem fim', no qual tem por objetivo demonstrar a formação de imagens infinitas a partir da colocação de um espelho e um vidro espelhado (semi espelho) em paralelo, foi realizado as seguintes questões: Por que observamos infinitas imagens? Realmente existem infinitas imagens? Por que a partir de certo ponto percebemos a diminuição na intensidade da luz?

- O bolsista realizava uma análise das respostas, discutindo com os alunos pontos pertinentes da demonstração e servindo como um objeto de investigação dos conhecimentos relevantes ao estudo do tema. Na figura 03 apresentamos o momento da discussão com os bolsistas dos conceitos físicos envolvidos na demonstração.

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Figura 03: Discussão dos conceitos físicos entre os alunos e os bolsistas promovida a partir da demonstração experimental

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A partir da demonstração da imagem infinita de lâmpadas visíveis para o aluno, observou-se o despertar do interesse e da curiosidade em responder as perguntas. Ao observar o tamanho da caixa e apenas uma fileira de lâmpadas quando apagadas, sendo elas acesas surgiram novas dúvidas: como será que uma caixa tão pequena pode me mostrar um poço sem fim? E aí, aquilo que era 'mágica' ou 'brincadeira', toma um tom mais pedagógico, uma vez que passa a ser necessário uma resolução para tudo aquilo que está acontecendo.

Um importante dado a ser observado foi a aproximação existente entre a universidade e a comunidade, uma vez que a partir de eventos desse tipo notamos que a população e os alunos se sentem mais à vontade para se aproximar,

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perguntar e discutir sobre as atividades que estão sendo desenvolvidas. Assim, se de um lado a população ganha mais um espaço para visitar, do outro os monitores, que serão os futuros docentes de física, ganham a oportunidade de aprender mais, a partir de situações que acentuam o seu processo de formação, como por exemplo, a sensação que é possível discutir do conhecimento científico com pessoas 'leigas', trocando informações e tendo visões diferentes sobre os fenômenos físicos observados nos experimentos.

## Considerações finais

Foi possível observar durante as atividades experimentais de Física do projeto Ciência sobre Rodas que as pessoas retornavam diversas vezes para interagir com os monitores, e isso pode ser um indicador que o projeto contribuiu para despertar o interesse pelas ciências e pelo fazer ciência, fazendo com que alunos que já poderiam ir embora permanecer na escola para as atividades do busão. Também vale notar que, em todas a comunidades visitadas recebíamos convite para retornar, só que agora com total apoio de professores e diretores das escolas.

Dentre os vários objetivos do projeto, podemos citar que ele nos vem proporcionando: importantes discussões no âmbito do processo de produção do conhecimento científico e as suas relações sócio-políticos da ciência e da tecnologia, o início da inserção de comunidades na discussão sobre o conhecimento científico, oportunizar alunos e escolas de comunidades afastadas da capital a realizarem experimentos com equipamentos de baixo custo e incentivar a prática experimental nas atividades escolares, oportunizando assim a motivação dos profissionais de educação para o planejamento e realização de experimentos com os seus alunos.

## Referências

\ALBAGLI, S. Divulgação científica: informação científica para a cidadania? Ci. Inf., Brasília, v. 25, n. 3, p. 396-404, set./dez. 1996

CASCAIS, M. G. A. e TERÁN, A. F.. Educação formal, informal e não formal em ciências: contribuições dos diversos espaços educativos. XX Encontro de Pesquisa Educacional Norte Nordeste (XX EPENN), 23 a 36 de agosto de 2011, Manaus-AM.

GOHN, Maria da Glória. Educação não-formal, participação da sociedade civil e estruturas colegiadas nas escolas. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v. 14, n. 50, p. 27-38, jan./mar. 2006.

MILLER, K.; LASRY, N.; CHU, K. e MAZUR, E. Role of physics lecture demonstrations in conceptual learning. Physical Review Special Topics - physics education research 9, 020113 (2013)

WARTHA, E. J.; SILVA, E. L.; SANTOS, A. R.; SANTOS, C. A.; BARBOSA, C. J. V.; RIBEIRO, T. N.; CARMO, R. S.; MAROTTI, P. S.; ALMEIDA, R.N. e VANEVARRI, S. C. Divulgação e popularização científica no projeto 'ciência sobre rodas' como espaço educativo. REnCiMa, v. 6, n. 3, p. 113-131, 2015.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.