ASTRONOMIA EM CONCERTO: as potencialidades e dificuldades de um mini curso no contra turno de uma escola pública
Raul Victor Lopes, Pedro Assunção, Tiago Maciel, Paulo Gontijo, Elias Rodrigues
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ASTRONOMIA EM CONCERTO: as potencialidades e dificuldades de um mini curso no contra turno de uma escola pública
## Raul Lopes¹, Pedro Assunção², Tiago Maciel³, Paulo Gontijo GLYPH<31> , Elias Rodrigues 5
- 1 Universidade Federal de Minas Gerais/PIBID-FaE-UFMG, raulvsl@yahoo.com.br
- 2 Universidade Federal de Minas Gerais/PIBID-FaE-UFM, pedroass.souza@gmail.com
- 3 Universidade Federal de Minas Gerais/PIBID-FaE-UFMG, tiago.violas@yahoo.com.br
- 4 Universidade Federal de Minas Gerais/PIBID-FaE-UFMG, prgontijo@yahoo.com.br
- 5 Universidade Federal de Minas Gerais/PIBID-FaE-UFMG, eliasironmaiden@gmail.com
## Resumo
Este trabalho relata a experiência da inserção de um curso de astronomia para estudantes de ensino médio, realizado na Escola Estadual Maestro Villa Lobos - Belo Horizonte, em parceria do PIBID - FaE - UFMG. O relato mostra o processo de implementação de uma atividade no contra turno de uma escola pública. As dificuldades e as potencialidades do projeto são apresentadas para demonstrar a possibilidade da prática e incentivá-la. O interesse e dedicação dos alunos foi importante para um melhor resultado na aplicação e no desenvolvimento das aulas ao longo das edições. O curso foi aplicado três vezes, uma por semestre, tendo um boa taxa de permanência dos alunos inscritos e respostas positivas dos participantes. Apresentamos também a construção das aulas através da análise feita de uma pesquisa de opinião, em conjunto com a descrição de experiência anterior de um dos bolsistas.
Palavras-chave : divulgação científica, pibid, ensino de astronomia
## Introdução
A ideia inicial do projeto era lecionar um curso extra classe de forma a beneficiar alunos do matutino e vespertino. O projeto partiu de um ex-integrante do Grupo de Astronomia da UFMG, que realiza atividades de divulgação científica no Observatório Astronômico Frei Rosário - OAFR (Serra da Piedade/Caeté). Partindo de observações de estudantes visitando o observatório, o primeiro autor achou importante a necessidade de apresentar à estudantes de ensino médio um conhecimento básico e introdutório em astronomia. O interesse dos alunos observados ao assunto era excepcional, porém não lhes era dado oportunidade de aprender astronomia na escola, o que tornaria a visita a um espaço de divulgação muito mais satisfatória. Foi compreendido nesse tempo que é possível utilizar a astronomia para amenizar a imagem negativa que a Física possui, apresentando a disciplina de maneira mais atrativa.
Foi decidido oferecer aos alunos um curso leve e com abordagem de assuntos que afloram a curiosidade de muitos, mostrando pontos da astronomia que possam atrair os alunos de forma mais efetiva para os estudos em ciências.
Assim, o curso visava incluir uma base de astronomia no Ensino Médio sem discriminação de nível, apresentando conceitos abrangentes do conteúdo de
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astronomia dentro da capacidade de compreensão dos estudantes. Ao tratar de assuntos de interesse geral e curiosidades presentes em noticiários, as aulas propunham sustentar e aumentar o interesse dos participantes em continuar buscando novas fontes de ensino no futuro.
## Desenvolvimento
Com a adesão da escola em parceria com o PIBID foi dado início à produção deste curso, aproveitando a disposição da equipe. O começo do planejamento foi demorado por causa de questões de logística, que envolvia disponibilidade de espaço e material.
A escola se localiza no grande centro e possui uma área pequena em meio aos prédios da metrópole. Por sua posição central há uma grande demanda de vagas, resultando na lotação de todas as turmas. Assim, todas as salas disponíveis na escola são utilizadas para aulas, o que nos deixava sem uma sala de aula para realizarmos os encontros.
Como alternativa foi procurado o laboratório de informática da escola, onde há equipamento montado para as aulas, em local isolado na escola e sem muita circulação de alunos. O laboratório é mantido fechado e os computadores não são utilizados com os alunos, mas, para nosso uso, seria necessário apenas o espaço e um projetor com um computador apenas. Conseguimos acesso para vistoriar o laboratório e verificamos a estrutura viável para o curso, mas não conseguimos liberação para o utilizarmos como planejávamos.
Como ultimo recurso resolveu-se aplicar o projeto em um 'sexto horário', no contra turno na escola. A alternativa também iria favorecer o turno da tarde e prosseguimos com a implementação. Organizamos o cronograma para realizar dois encontros semanais, para não prejudicar os alunos prolongando a estada na escola além do habitual. Apresentamos a nova opção à direção que aceitou a proposta e permitiu a retirada de material da secretaria para as aulas.
- O inicio das aulas sofriam pequenos contratempos com o equipamento que muitas vezes não estava disponível para o uso, o que atrasava a apresentação ou, em caso extremo, adiamento para o dia seguinte. Esse problema foi resolvido com uma conversa com a direção e demais funcionários da secretaria sobre a dificuldade de manter o cronograma do curso, sendo que o horário era curto para a aula.
Os alunos apresentaram muita disposição em participar do curso no horário proposto, não indicando problemas inicialmente. Na inscrição para o curso, os alunos que tinham problemas para participação na atividade, requisitavam a mudança de horário e, na impossibilidade dessa mudança, deixavam para outra ocasião. Muitos estudantes apresentavam interesse mas já informavam que não podiam assistir às aulas, tendo compromissos à tarde (trabalho ou cursos).
Foi observado que os que participaram do curso não eram os únicos dispostos a se envolver em atividades no contra-turno, muitos alunos procuraram a equipe do PIBID para saber quais projetos seriam implementados na escola. Dentre alguns participantes, haviam aqueles que participavam por querer acrescentar conhecimentos sobre astronomia, mas que não tinham tanta curiosidade pela área quanto os companheiros, e que viam oportunidade em participar de projetos fora do horário padrão da escola.
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Nas 3 edições que foram aplicadas no projeto ingressaram no curso 74 alunos, tendo as turmas 25, 25 e 24 alunos, respectivamente. Pelo uso do formulário de inscrição se apresentaram 86 interessados em participar, porém os horários e datas de realização fizeram o número diminuir. A taxa de permanência nas aulas foi de 77%, com alguns estudantes desistindo da participação após acompanhar algumas aulas. As desistências justificadas, mostraram que o horário do curso era um fator crucial para o abandono das aulas, pelo conflito com o horário de almoço e outras atividades no período da tarde.
## Potencialidades e Dificuldades
Ao longo de todo o processo de desenvolvimento do curso encontramos obstáculos que haviam de ser contornados para dar-se andamento ao projeto desejado. Notamos que tais obstáculos não se originavam do desinteresse no projeto, mas sim da descrença de que algo assim poderia ser realizado.
Percebemos na escola que não havia incentivo para realizarmos nosso projeto no contra turno, pois não era esperado sucesso. O corpo docente não acreditava que os alunos se dispusessem a permanecer na escola por um horário além do obrigatório, ainda mais sendo um projeto que não envolvia pontos extras ou atividades práticas. Durante a primeira aplicação do curso tivemos que realizar inúmeras modificações em nosso cronograma por não termos o apoio para realização das aulas.
Percebemos que não recebíamos confiança quando não nos era fornecido o material requisitado, e tínhamos que procurar a direção para tentar acessar o equipamento. E ainda assim nossa necessidade não era tratada com urgência, apesar de nosso tempo ser escasso. Com isso, íamos prolongando a duração do curso, tendo que dar metade do conteúdo por dia em algumas ocasiões.
A maior parte dos estudantes apresentavam persistência durante esses empecilhos e continuavam acompanhando as aulas, à medida que iam sendo reorganizadas, sem perder o interesse nos temas abordados. A dificuldade em manter as atividades dentro do esquema planejado e seguir o cronograma fez com que alguns alunos não pudessem acompanhar as aulas, acabando por abandonar o curso. Destes desistentes, poucos abandonavam o curso sem prévio aviso, o que indica um baixo interesse na atividade por parte desses alunos.
Após realizarmos a primeira edição do curso com sucesso, recebemos parabenizações da direção e dos alunos participantes, pelo resultado do projeto ter sido positivo, com permanência de boa parte da turma inicial. Conseguimos provar ser possível implementar uma atividade no contra turno com bom desempenho e participação dos alunos. A partir de então, recebemos mais apoio para utilizar os recursos necessários e um andamento melhor das aulas nas edições seguintes.
Com a aceitação dos alunos em participar de atividades além do horário de aula, vimos que era apenas uma questão de oferecer oportunidades em atividades que abranjam o interesse de um número viável de estudantes. Conseguimos, com isso, reprisar o Astronomia em Concerto com a mesma aceitação por parte dos estudantes e obtendo um mesmo número de participantes e, paralelo à segunda edição do projeto, houve outro trabalho realizado no contra turno que também despertou interesse dos alunos.
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Utilizar o contra turno aparentou ser um problema para a realização de nosso trabalho, mas por fim se revelou um horário com grande potencial a ser explorado pelo corpo docente das escolas públicas. Conseguimos utilizar esse intervalo entre os turnos para realizar um projeto despretensioso, desenvolvido em curto espaço de tempo, com aprovação dos alunos e eventual apoio da escola. Outros projetos podem ser idealizados para abordar temáticas diversas com outras metodologias, incentivando a realização de outras atividades que podem despertar o interesse de alunos e professores.
## As Aulas
Para se ter uma ideia do que seria apresentado, foi criado o questionário virtual, utilizando o formulários da Google , no intuito de avaliar os interesses e o conhecimento prévio dos alunos. As questões propostas não tinham como objetivo selecionar estudantes que possuíam melhores rendimentos. O formulário buscava observar o grau do conhecimento comum dos alunos, considerando conhecimentos da área e também eventuais crenças infundadas. As perguntas traziam alternativas que nos permitia avaliar o modo de pensar do aluno, desde um pensamento fechado, tendo uma resposta concreta para tais fenômenos, até um pensamento mais aberto e investigativo. Através das respostas obtidas traçamos o perfil da linha de raciocínio dos alunos e com isso iniciou-se o preparo das aulas. O roteiro do curso se adequou ao resultado do questionário, utilizando uma linguagem que fosse acessível aos estudantes.
No preparo das aulas empregamos conhecimento prático anterior, adquiridos nos trabalhos de divulgação realizados no observatório, conhecimento teóricos encontrados em diversos livros e documentários científicos. Alguns livros serviram de base para consulta de informações específicas que seriam apresentadas aos alunos, já os vídeo-documentários, foram usados para buscar formas de abordar determinados temas do mini curso de maneira clara. Analisamos cuidadosamente os conceitos que deveriam ser abordados para que certos tópicos pudessem ser corrigidos, através de uma construção mais aprofundada do assunto a ser tratado.
Os principais temas abordados, a pedido dos estudantes, foram inseridos na idealização do curso e desenvolvidos para um bom resultado, trazendo esclarecimento a perguntas que são costumeiras dentre jovens do ensino médio. As principais ferramentas que puderam ser utilizadas nas aulas desenvolvidas foram simulações e apresentações em slides. O uso de slides para as aulas, como um recurso visual, permite a apresentação de imagens que são importantes para a compreensão dos assuntos, e é possível inserir informações além daquelas colocadas no discurso do professor e que podem ser de interesse do estudante, como o uso dessas informações em diagramas e gráficos. As simulações foram empregadas para melhor compreensão de conceitos abordados que não são de fácil entendimento e que, assim, precisam de uma melhor exposição e uma demonstração dinâmica do fenômeno. Outro recurso utilizado que foi bem recebido pelos participantes foi o Stellarium , software de cartas celestes muito didático. O uso do software foi impulsionado ao mostrar as opções oferecidas com o detalhamento de seu funcionamento, para os alunos compreenderem a facilidade em iniciar o reconhecimento dos objetos no céu.
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Foi utilizado, em menor escala, o recurso de sala-virtual do site Edmodo que possibilitou manter contato entre a turma e o professor. Através deste meio pôde ser enviado à turma vídeos e sites que servem de complemento para o conteúdo das aulas e também para responder a perguntas que surgiram durante os encontros e que necessitavam de uma resposta mais elaborada. As simulações utilizadas em sala foram disponibilizadas, para que os alunos pudessem explorá-las com mais profundidade.
Para a divulgação do curso utilizamos o cartaz mostrado na figura 1, colando-o no mural do pátio da instituição. Os encontros aconteciam uma vez por semana no contra turno, de onze e meia até meio dia.
Figura 1: Cartaz do mini-curso
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O mini curso foi então dividido em média de oito aulas, sofrendo variações dentre suas edições. De uma edição para a outra foram inseridas ou retiradas informações que não incentivavam os estudantes, ou que não traziam conteúdo que se mostrava crucial para o objetivo do curso. As apresentações foram divididas como mostramos abaixo, em um escopo geral, tendo sido alterados detalhes dentro de cada aula.
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## Prática de Observação
Entre as duas primeiras edições do curso foi realizado um passeio com os alunos para serem feitas observações. O local visitado foi a Serra do Rola Moça, numa participação do Projeto Astrocultura que realiza palestras e observações no parque.
Propusemos a visita com intuito de conectar os alunos à prática observacional que não foi possível explorar durante a realização do curso. Os alunos foram preparados para a atividade durante a aula de simulações, utilizando o stellarium para instruí-los no reconhecimento celeste e a respeito do movimento dos astros observados.
A visita incentivou os alunos a se familiarizarem com os recursos utilizados, se instruindo para ter um melhor aproveitamento da oportunidade. Infelizmente o dia que havíamos marcado para a atividade não favoreceu a prática de observação, e não pudemos praticar o conhecimento que os alunos haviam experimentado com a carta celeste virtual e as simulações, mas assistimos a uma palestra sobre poluição luminosa e outra sobre astrofotografias.
- O passeio não produziu a experiência que desejávamos, mas foi possível alimentar o desejo dos alunos em práticas observações do céu e aprender mais sobre o que é possível enxergar.
## Metodologia
O curso é estruturado de forma a utilizar de aulas teóricas em sua maioria, apresenta novos conceitos para os alunos buscando ampliar suas concepções sobre astronomia. A abordagem era de caráter expositivo utilizando aulas com roteiros semi estruturados, para podermos aproveitar da curiosidade dos alunos para gerar discussões na turma. Dentre os encontros alguns são neste formato de roteiro, incentivando a participação dos estudantes na discussão.
Tais discussões utilizam questionamentos trazidos para incitar o pensamento dos alunos sobre o assunto da aula e proporcionar o raciocínio a respeito do tema tratado. Um questionamento levantado, durante a segunda aula, foi a respeito da 'escuridão da noite', que nos levou a discutir o porquê a noite ser escura, imaginando os pensamentos do século XVII; na aula seguinte o professor apresentou brevemente o que é conhecido como ' Paradoxo de Olbers ', uma linha de pensamento que desbancava a infinitude do Universo.
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## Considerações Finais:
Os alunos participantes do curso tiveram uma bom envolvimento nas discussões, apresentando sugestões de tópicos a serem abordados durante as aulas e com questionamentos imprevistos que produziam uma maior interação de todos.
As aulas serem implementadas em um horário incomum para a escola apresentou bons resultados e opiniões positivas dos estudantes. Vimos ser possível realizar atividades neste período da jornada escolar, com participação animada dos alunos e uma aceitação numerosa para o tipo de iniciativa proposta. Atividades que envolvem participação mais ativa dos estudantes trazem resultados muito significativos para a escola, crescendo o número de projetos que podem ser desenvolvidos.
- O conteúdo do curso conseguiu informar os estudantes de pontos a respeito da escala do sistema em que nosso planeta se encontra, da evolução do pensamento astronômico e da dimensão do Universo conhecido, proporcionando um passo adiante na busca do conhecimento científico e uma atração pela Ciência.
## Referências
A história da astronomia / Heather Couper e Niegel Henbest - Larousse do Brasil,
2009
Física Conceitual / Paul Hewitt - Bookman, 2011
Astronomia & Astrofísica / Kepler de Oliveira e Maria de Fátima Saraiva - Livraria da
Física, 2013
Ensino de Astronomia na escola / Marcos Daniel Longhini - Editora Átomo, 2014
http://astro.unl.edu/animationsLinks.html
http://gruposputnik.com/Paginas\_com\_Flash/Animacoes.htm
http://daed.on.br/astro/
http://www.stellarium.org/pt\_BR/
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.