Dinâmica de Orientação e Avaliação de Projetos Investigativos para participação em feiras de Ciências: Um Relato de Experiência
Alfonso Alfredo Chíncaro Bernuy, Rafael Parreira Silva, Joyce De Souza Madureira Leite, Aline Mares Costa Moura, Orlando Gomes De Aguiar Junior
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## DINÂMICA DE ORIENTAÇÃO E AVALIAÇÃO DE PROJETOS INVESTIGATIVOS PARA PARTICIPAÇÃO EM FEIRAS DE CIÊNCIAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
## Alfonso Chíncaro 1 , Rafael Parreira , Joyce Leite , Aline Mares , Orlando 2 3 4 Aguiar 5
- 1 Instituto de Educação de Minas Gerais/PIBID-FaE-UFMG, chincaro@mail.com
- 2 Instituto de Educação de Minas Gerais/PIBID-FaE-UFMG, rafaelps91@gmail.com
- 3 Instituto de Educação de Minas Gerais, Joycedsml@yahoo.com.br
- 4 Instituto de Educação de Minas Gerais, alinemares@hotmail.com
- 5 Universidade Federal de Minas Gerais/PIBID-FaE-UFMG, orlando@fae.ufmg.br
## Resumo
As Feiras de Ciências escolares desempenham um importante componente pedagógico, pois auxiliam no desenvolvimento de diversas habilidades nos estudantes, que geralmente não acontecem nos espaços formais de uma sala de aula. Esses eventos costumam contribuir para a socialização e troca de experiências, uma vez que há comunicação com a comunidade escolar resultando em ricas oportunidades de aprendizagem, tanto para quem ensina como para quem aprende. O objetivo deste texto é descrever a dinâmica de orientação e avaliação utilizado por um grupo de professores do Ensino Médio de uma escola pública estadual de Belo Horizonte no acompanhamento de projetos investigativos para Feira de Ciências escolar. Pretende-se, além disso, apontar potencialidades, dificuldades e conquistas alcançadas com este trabalho interdisciplinar. As considerações finais fornecem indícios de que o evento cumpre a maioria das metas para as quais foi planejado e aponta para a consolidação e continuidade de sua realização com periodicidade anual na escola.
Palavras-chave : Feira de Ciências, Projetos investigativos, Diário de bordo, Educação científica, Interdisciplinaridade.
## Introdução
Este trabalho é um relato de como um grupo de professores, de diversas áreas do ensino básico, orienta, acompanha e avalia projetos investigativos desenvolvidos por estudantes do Ensino Médio, dentro de uma proposta de realização de uma feira de ciências. A organização e execução da feira de ciências complementa o conjunto de ações que já são realizadas na escola, como a produção de um Jornal mural, visitas a espaços não-formais de ensino, atividades de divulgação da ciência no intervalo das aulas, participação em olímpiadas escolares, entre outras. Essas ações possibilitam uma contribuição para uma educação científica significativa na escola e conta com a parceria do Programa Institucional de Bolsas de Incentivo a Docência (PIBID-UFMG).
As feiras de ciências desempenham diversas oportunidades de ensinoaprendizagem, que passam pelo desenvolvimento da autonomia no estudante, que deve gerir todas as etapas do seu trabalho - a escolha do tema, a pergunta geradora da pesquisa, o registro do desenvolvimento do projeto e a comunicação
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23 a 27 de janeiro de 2017
dos resultados. O acompanhamento dos projetos passa por um conjunto de etapas no qual se valoriza tanto o produto comunicado (apresentação), como também o processo desenvolvido (diário de bordo e relatório). Os projetos com relevância técnico-científica, social e cultural são inscritos numa Mostra Estadual de Projetos de Ciências, a UFMG Jovem.
## Feira de Ciências para quê?
Em descrição feita por Hartmann e Zimmermann (2009) e Santos (2012), a partir do trabalho de Mancuso (2000), a produção científica escolar em uma feira de ciências pode ser classificada em três tipos: 1) trabalhos de montagem, em que os estudantes apresentam artefatos a partir do qual explicam um tema estudado em ciências; 2) trabalhos informativos em que os estudantes demonstram conhecimentos acadêmicos ou fazem alertas e/ou denúncias; e 3) trabalhos de investigação, projetos que evidenciam uma construção de conhecimentos por parte dos alunos e de uma consciência crítica sobre fatos do cotidiano.
Segundo Mancuso (1993, 2000) os benefícios/modificações produzidos pelas feiras de ciências nos professores e estudantes participantes são: 1) Crescimento pessoal e ampliação das vivências e conhecimentos; 2) Ampliação da capacidade comunicativa; 3) Mudanças de hábitos e atitudes; 4) Desenvolvimento da criticidade e da capacidade de avaliação; 5) Maior envolvimento, motivação e interesse; 6) Exercício da criatividade com a apresentação de inovações; 7) Politização principalmente pela formação de lideranças e visão de mundo.
Nossos objetivos estabelecidos para a Feira de Ciências apresentam principalmente características da classificação proposta por Mancuso (1993, 2000) para os trabalhos investigativos, e são os seguintes:
- · Incentivar a pesquisa em áreas de ciência, através da elaboração e execução de projetos científicos, auxiliando, assim, na construção do conhecimento.
- · Promover o desenvolvimento da criatividade e da capacidade inventiva e investigativa nos alunos para despertar vocações.
- · Frente a uma situação ou problema concreto, reconhecer a natureza dos fenômenos envolvidos, situando-os dentro do conjunto de fenômenos das Ciências.
- · Aprender a comunicar resultados de investigações de modo claro usando representações e linguagens próprias da ciência.
## Mecanismos de orientação, controle e avaliação
Uma parte importante para o desenvolvimento de uma Feira de Ciências é a definição dos mecanismos de orientação, controle e avaliação dos trabalhos. Esses mecanismos ajudam os professores a acompanhar o desenvolvimento dos projetos dos estudantes ao longo de todo o projeto, dando suporte e incentivo para que os alunos possam fazê-lo.
A orientação inicial acontece nas semanas que antecedem o início do projeto. Para isso o professor separa algumas aulas para orientar os alunos sobre os procedimentos que serão adotados no desenrolar do projeto. Essa orientação pode ser feita através de palestras ou em sala de aula e tem como objetivo responder às
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dúvidas frequentes que os estudantes têm sobre esse tipo de trabalho, tais como: 'Como deve ser a apresentação?', 'Como será feita a avaliação?' e 'Quais as datas de entrega dos diários?'. Essa primeira conversa com os estudantes pode ser chamada de pré-feira, no sentido de que é parte integrante da preparação de uma Feira de Ciências.
Nesta orientação definem-se os seguintes procedimentos a serem adotados no desenvolvimento da Feira, tais como:
- · Divisão dos grupos do trabalho;
- · Escolha do tema pelo grupo;
- · Produção dos diários de bordo;
- · Definição da pergunta a ser respondida no trabalho (objetivos);
- · Definição de datas, prazos e pontuação.
Ainda como parte das orientações da Feira, é entregue aos estudantes um guia contendo todas as informações acima elencadas. Isso evita que os alunos se sintam perdidos durante a fase de pesquisa e não percam os prazos estabelecidos pelo professor.
## A escolha do tema e a definição da pergunta geradora da pesquisa
Após a fase de preparação e orientação, os alunos, já devidamente divididos em grupos, devem definir um tema a ser trabalhado pelo grupo. A escolha do tema é livre, desde que contemple alguma área científica. Os alunos recebem como parte do guia, uma lista de temas sugeridos e/ou já apresentados em anos anteriores. Essa lista é produzida a partir de temas que chamem a atenção dos estudantes para a cultura científica e que sejam relevantes para a sociedade.
Após a definição do tema pelo grupo, os estudantes são orientados a se reunirem para definir uma pergunta geradora, ou seja, a pergunta a ser respondida por eles em seu trabalho na Feira. A sugestão para essa parte é que o grupo utilize a técnica de brainstorming para definir a pergunta que melhor se relacione com o tema escolhido, com o perfil dos estudantes e que possa ser apresentada de maneira satisfatória na Feira de Ciências. A justificativa utilizada pelos professores é a de que a pesquisa se tornará muito ampla se englobar todo um tema científico, sendo necessário focar as atenções em apenas uma pergunta. Isso encontra respaldo em Bachelard (1977) que afirma que:
Antes de tudo mais, é preciso saber formular problemas. E seja o que for que digam, na vida científica, os problemas não se apresentam por si mesmos. É precisamente esse sentido do problema que dá a característica do genuíno espírito científico. Para um espírito científico, todo conhecimento é resposta a uma questão. Se não houve questão, não pode haver conhecimento científico. Nada ocorre por si mesmo. Nada é dado. Tudo é construído. (Bachelard, 1977, p.148)
Um exemplo de tema escolhido pelos estudantes foi 'A evolução dos seres vivos' e a pergunta definida por eles foi 'Por que as espécies evoluem?', e 'O que leva um ser vivo a se modificar ao longo dos anos?', o objetivo desse trabalho foi, portanto, responder a esta pergunta considerando os aspectos científicos relevantes. A definição de uma pergunta geradora ajuda os estudantes a concentrar os seus esforços em uma pesquisa mais específica e evita o impulso comum de tentar 'explicar tudo'.
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O instrumento de controle e avaliação principal dos trabalhos da Feira de ciências é o diário de bordo. O funcionamento desses diários está mais detalhado a seguir. Além disso, a avaliação é feita pelos professores também durante a apresentação dos projetos pelos alunos considerando aspectos como a clareza das explanações, o trabalho em grupo, a compreensão dos conceitos científicos envolvidos e a relevância do trabalho para a sociedade. Como forma de incentivo em algumas edições da Feira de Ciências pediu-se que os visitantes votassem no 'Favorito da Galera', elegendo-se assim o grupo preferido pelo público do dia.
## O Diário de bordo
O diário de bordo, é um instrumento utilizado para acompanhar o desenvolvimento dos projetos dos alunos ao longo do tempo da feira. É sugerido aos alunos que separem um caderno por grupo onde eles irão transcrever os pontos principais das discussões do grupo em relação ao desenvolvimento do tema e da pergunta geradora.
Os professores marcam datas específicas para a entrega do diário de bordo a cada dez dias, por exemplo. A periodicidade nas entregas dos diários é importante uma vez que impede que os alunos acumulem trabalho ou se percam em dúvidas. O período de tempo entre as entregas dos diários não deve ser muito longo para que haja um acompanhamento efetivo, bem como para que os professores possam estar cientes de quaisquer problemas encontrados pelos grupos. Isso é muito importante devido ao número muito limitado de aulas em cada turma.
É sugerido aos estudantes que, ao escrever o diário de bordo, procurem descrever os encontros do grupo e as discussões ocorridas, tentando responder perguntas como:
- · O que discutimos durante a semana?
- · Quais os desafios do projeto?
- · Qual a metodologia que está sendo desenvolvida?
- · De quais fontes estamos pesquisando?
- · Quais são os próximos passos a seguir?
- · Como iremos apresentar o trabalho para os colegas?
O retorno por parte dos professores para os alunos é feito através de anotações nos diários de bordo sobre o andamento dos projetos. Tais anotações podem envolver sugestões de estudo e material de trabalho, indicação de fontes confiáveis de pesquisa e lembretes sobre os prazos de apresentação da feira. Após a conferência do professor, os diários são devolvidos ao grupo para que eles continuem a sua escrita.
Consideramos o diário de bordo de grande importância para o desenvolvimento de uma Feira de Ciências uma vez que ele permite não só o acompanhamento por parte do professor ao longo de todo o trabalho, como também promove uma aproximação dos alunos à metodologia da produção científica (critérios, prazos, fontes, rigor científico etc).
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Figura 1 : Diários de bordo - O diário de bordo é um dos mecanismos de dialogo entre os estudantes, que registram fatos, etapas, investigações, descobertas, reflexões que surgem durante a pesquisa, e os professores que emitem comentários, sugestões, criticas e elogios.
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## Perspectivas educacionais
Destacamos a relevância da Feira de Ciências em nosso ambiente escolar nos seguintes aspectos:
- 1. Importância da Feira de Ciências para consolidação de uma identidade dos estudantes e professores com a escola e certo orgulho e estima por esse pertencimento;
- 2. Importância da Feira de Ciências como veículo de divulgação científica com a comunicação de resultados de um projeto investigativo;
- 3. Importância da Feira de Ciências como espaço de sociabilidade, ação e integração dos estudantes.
- 4. A oportunidade de integração, por meio da Feira, de equipe do PIBID com os estudantes, docentes e com a cultura da escola.
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Figura 2 : Durante a exposição dos projetos, se oportuniza um diálogo com os visitantes, constituindo- se em uma oportunidade de discussão dos conhecimentos, das metodologias de pesquisa e da criatividade dos alunos.
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Convém mencionar o incentivo à participação na UFMG Jovem e o que representa, para os jovens, um contato com o ambiente acadêmico e universitário. Nos últimos anos, esta escola tem participado sempre com vários trabalhos. Em 2016, serão apresentados os projetos (Forno Solar e Energia eólica: vantagens e desvantagens) selecionados a partir da Feira no âmbito escolar.
## Considerações finais
A realização de uma Feira de Ciências de acordo com a proposta do ensino por projetos envolve etapas fundamentais de preparação, desenvolvimento, comunicação de resultados e avaliação, assim como qualquer projeto de pesquisa ou de ensino.
Os projetos escolares tem como resultado um incentivo ao desenvolvimento de trabalhos investigativos que, segundo Moura, Barbosa e Moreira (2010), se baseiam em quatro pilares: a liberdade de escolha do tema; a formação de grupos, fomentando o trabalho em equipe; a visão de um laboratório sem fronteiras, através da utilização de variados recursos para a realização do projeto; e, por fim, a socialização dos resultados do projeto. Neste trabalho desenvolvido, o professor exerceu o papel de estabelecer relações e comparações que ajudaram a tornar a pesquisa e a aprendizagem mais significativas para o estudante.
Por outro lado à metodologia de ensino por projetos para Feiras de Ciências se constitui em uma boa oportunidade de formação continuada de professores, pois envolve a engajamento dos participantes, o planejamento da proposta, a implementação e a avaliação do trabalho, sendo que, em todas essas etapas, os professores se deparam com desafios que precisam ser discutidos coletivamente. Tal metodologia está em vias de ser melhor pesquisada e desenvolvida em programa de mestrado profissional ao qual este grupo de professores se prepara.
O trabalho realizado com os estudantes do segundo ano do Ensino Médio em uma escola pública estadual, fundamentado em um esforço colaborativo por parte de professores de diferentes áreas do conhecimento, mostrou-se bastante proveitoso visto os objetivos estabelecidos foram atingidos pela maioria dos projetos desenvolvidos. O engajamento e motivação dos estudantes com este tipo de trabalho e o reconhecimento da comunidade escolar e este empreendimento educativo, apontam para a permanência/integração desta ação ao currículo escolar.
Na apresentação do trabalho no SNEF serão acrescidos materiais que corroboram com a avaliação docente de que esta atividade tem cumprido com os objetivos propostos.
## Referências bibliográficas
Bachelard, Gaston. O racionalismo aplicado . Rio de Janeiro: Zahar, 1977. p.148
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Disponível em < http://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid > Acesso em 04 de Set. 2016.
HARTMANN, Ângela Maria; Zimmermann, Erika. Feira de Ciências: A Interdisciplinaridade e a Contextualização em Produções de Estudantes de Ensino Médio . In: ENPEC - Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 7., 2009, Florianópolis. Disponível em <
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http://posgrad.fae.ufmg.br/posgrad/viienpec/pdfs/178.pdf > Acesso em 08 de Ago. 2016.
MANCUSO, Ronaldo. Feiras de ciências: produção estudantil, avaliação, consequências . Contexto Educativo. Revista digital de Educación y Nuevas Tecnologias, n. 6, abr. 2000. Disponível em < http://www.redepoc.com/jovensinovadores/FeirasdeCienciasproducaoestudantil.htm > Acesso em: 20 Jul. 2016.
MANCUSO, Ronaldo. A evolução do programa de feiras de ciências do Rio Grande do Sul : avaliação tradicional X avaliação participativa . Dissertação (Mestrado em Educação) -Universidade Federal de Santa Catarina, 1993. Disponível em < https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/75883 > Acesso em 06 de Set. 2016.
MOURA, Dácio G; BARBOSA, Eduardo F; MOREIRA, Adelson F. O aluno pesquisador . Disponível em < goo.gl/oltRD3 > Acesso em 10 de Ago. 2016.
Santos, Adevailton Bernardo dos. Feiras de Ciência: Um Incentivo para Desenvolvimento da Cultura Científica . Revista. Ciência em Extensão. v.8, n.2, p.155-166, 2012. Disponível em < http://ojs.unesp.br/index.php/revista\_proex/article/view/717/677 > Acesso em 15 de Ago. 2016.
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