HISTÓRICO SOBRE AS TECNOLOGIAS DE ILUMINAÇÃO UTILIZADAS PELO SER HUMANO: UM TEMA COM AMPLO POTENCIAL PARA DISCUSSÕES EM SALA DE AULA
Helder Moreira Braga, Eduardo Amorin Benincá, João Paulo Casaro Erthal
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Alfabetização Científica E Abordagens Cts No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## HISTÓRICO SOBRE AS TECNOLOGIAS DE ILUMINAÇÃO UTILIZADAS PELO SER HUMANO: UM TEMA COM AMPLO POTENCIAL PARA DISCUSSÕES EM SALA DE AULA
## Helder Moreira Braga , Eduardo Amorin Benincá , João Paulo Casaro Erthal 1 2 3
1 Universidade Federal do Espírito Santo, heldermb2@gmail.com
2 Universidade Federal do Espírito Santo,eduardoamorimb@hotmail.com
3 Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Química/Física/CCENS-UFES, jperthal@gmail.com
## Resumo
Neste trabalho é apresentado um estudo sobre a evolução dos instrumentos de iluminação desde a era pré-histórica até os dias atuais, os avanços tecnológicos no que tange à iluminação e os principais modelos utilizados pelo homem a partir do primeiro conceito de lâmpada. Após as lâmpadas a óleo animal e a gás, houve a popularização das lâmpadas elétricas, em especial das lâmpadas incandescentes que trouxeram ao homem um novo conceito de iluminação. Com isso, o trabalho descreve de forma sucinta do que são constituídas as lâmpadas incandescentes, de descarga, de indução e de LED, tal como sua eficiência e vida útil. Descreve-se ainda a OLED, que além de uma tendência, já é uma realidade, uma vez que as pesquisas sobre essa tecnologia têm crescido exponencialmente. O trabalho expõe a potencialidade que esse tema tem para ser trabalhado em sala se aula, e sua adequação a alguns dos temas estruturadores contidos nas orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais. É possível, com esta temática, realizar um trabalho de forma interdisciplinar entre o professor de Física e os professores de outras disciplinas como História, Biologia e Química. A discussão do tema em sala de aula pode fomentar uma aproximação entre ciência, tecnologia e sociedade, uma vez que a sociedade atual é dependente da iluminação, porém essa ainda não deu conta de conviver de forma ecologicamente sustentável em relação ao uso das tecnologias produtoras de luz.
Palavras-chave : iluminação, lâmpadas, CTSA.
## A iluminação e o ser humano
No decorrer da história, o ser humano sempre vivenciou diferentes momentos de transformação, buscando formas de evoluir e aprimorar tecnologias e técnicas. No que tange a iluminação, até chegar-se nas modernas lâmpadas de LED de hoje em dia, passaram-se milhares de anos buscando-se novas formas de aperfeiçoar ou encontrar melhores alternativas para iluminar ao seu redor.
Os primeiros indícios de utilização de iluminação produzida pelo ser humano ocorreram no período pré-histórico, quando os homens andavam em bando e se abrigavam em cavernas para se proteger do frio, de animais e até mesmo de outras tribos. Foi nesse período que o homem conheceu o fogo, que era advindo de fenômenos naturais, geralmente de raios em grandes tempestades. A partir de então, mesmo com a dificuldade de manter a chama acesa, houve grandes melhorias para a vida humana, pois o fogo começou a ser usado para cozinhar os alimentos, para se aquecer e também para iluminar a escuridão das cavernas.
Segundo historiadores, o desenvolvimento humano se iniciou expressivamente a partir do período neolítico, quando o homem passou a dominar o
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23 a 27 de janeiro de 2017
fogo. Foi desde então que se passou a obter o fogo pelo atrito de pedaços de pedra e madeira. Acredita-se que o domínio do fogo foi o grande responsável pelo inicio da evolução do homem, por trazer inúmeros benefícios e proporcionar ao homem condições para se desenvolver. Após o domínio da utilização do fogo, percebeu-se que a gordura que escorria ao se assar animais, fazia com que o fogo aumentasse. Foi então que os homens primitivos tiveram a brilhante ideia de armazená-la. Eles passaram a utilizar chifres de animais, conchas e rochas para fazer tal armazenamento e esses instrumentos eram chamados de lucernas. Era feito o uso de uma fibra vegetal como condutora do combustível, gordura animal, e esse seria o primeiro conceito de vela da história. Mais adiante, o homem começou a produzir objetos de cerâmica para armazenamento do combustível, denominadas lucernas de cerâmica. Esses foram grandes avanços, pois com isso era possível iluminar suas moradias e a partir de então o homem passou constituir moradia fixa, deixando de vagar em busca de abrigo quente e seguro (MUSEU DA LÂMPADA, 2016).
Como consequências surgiram os primeiros vilarejos. A partir daí, as tochas começaram a ser utilizadas, principalmente para iluminar locais públicos e para caças noturnas. Com o uso das tochas em locais públicos percebeu-se que quanto mais alto a tocha era colocada, uma área maior era iluminada, resultando na construção dos castiçais e, posteriormente, dos candelabros, nos quais eram colocadas as lucernas. Segundo historiadores, e até menções existentes na Bíblia, velas em formato de bastão eram utilizadas desde aproximadamente 3.000 anos antes da era Cristã. Foram encontrados vestígios dessas velas no Egito e na Grécia (MUSEU DA LÂMPADA, 2016). Na Idade Média, as velas eram muito usadas em salões, monastérios e igrejas. Nessa época ainda se usava a gordura animal para sua fabricação. Devido a matéria-prima utilizada, as velas causavam mau cheiro e produziam grande quantidade de fumaça. Outra opção de matéria-prima usada na época era a cera das colméias de abelhas, mas esta não era suficiente para suprir a demanda da fabricação. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FABRICANTES DE VELA, 2016).
Depois de muitas tentativas de invenções para a melhoria da iluminação, o suíço Pierre Argand, em 1782, criou a 'lâmpada de Argand' ou lâmpada de dupla corrente de ar, que foi uma revolução para a época devido ao seu poder de iluminação. Ela possuía um pavio circular que era instalado no interior de uma chaminé feita de vidro, que servia para a passagem de corrente de ar para que houvesse a combustão, produzindo uma chama muito intensa. Em 1792, o engenheiro e inventor escocês William Murdock conseguiu produzir uma chama através de gás originado com a queima de um carvão mineral. Murdock trabalhou com James Watt e Matthew Boulton e, graças a ajuda de Boulton, teve êxito ao instalar abajures a gás em uma fábrica no distrito de Soho. Em 1803, Murdock se tornou sócio da Boulton & Watt e em pouco tempo todas as grandes fabricas estavam usando iluminação a gás, fornecido por eles para a maioria dos consumidores (BURINI JUNIOR, 1993).
Com a descoberta do petróleo em 1850, pelo escocês James Young, e com a perfuração do primeiro poço pelo norte americano Edwin Drake em 1859, na cidade de Tutsville, nos Estados Unidos, surgiu mais uma opção de combustível para a iluminação. O querosene, hidrocarboneto extraído do petróleo, surgiu como um concorrente ao gás natural e ao óleo animal, que eram os combustíveis mais usados para iluminação. Esse hidrocarboneto tinha um auto poder de iluminação e por isso sua utilização em residências foi tão grande que até 1911 era o derivado de
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petróleo mais usado no mundo, perdendo seu posto somente quando os automóveis com motores a gasolina se popularizaram (CEPA - USP, 2016). Outro derivado do petróleo, a parafina, começou a ser utilizada em velas a partir de 1953 e é bastante utilizada até os dias atuais.
Paralelamente a essas inovações, cientistas investigavam e pesquisavam modelos mais eficientes para iluminação, sendo que a descoberta de geração de energia elétrica foi fundamental para o surgimento de novas tecnologias, em especial as lâmpadas, presentes em praticamente todas as moradias modernas, que vem passando por sofisticações cada vez mais intensas.
Atualmente a energia elétrica vem sendo produzida em usinas com matrizes hidroelétricas, termoelétricas, eólicas, solares, entre outras. Mesmo com essa gama de possibilidades, alguns locais do planeta possuem uma demanda que nem sempre é suprida por fontes locais.
Nos últimos anos o Brasil sofreu com crises energéticas, reflexo principalmente da falta de chuvas, uma vez que a principal matriz de geração do país são as hidroelétricas. Com isso os custos estão cada dia mais elevados e são necessárias ações conjuntas entre políticos, empresários e a população para que se possa otimizar a utilização da energia elétrica para iluminação. Muitos estudantes ainda não possuem a consciência de utilização racional dos recursos energéticos e a discussão do tema em sala de aula, poderia auxiliá-los a compreender melhor como as tecnologias funcionam e como podemos utilizá-las de forma racional e consciente.
## Lâmpada Incandescente
Em 1802, Humphrey Davy, um químico inglês, percebeu que ao submeter filamentos de carbono a passagem de corrente, colocando-os entre dois polos de uma bateria, havia incandescência e emissão de luz. Vários testes foram feitos utilizando outros condutores, como platina, cobre, fios de cabelo, entre outros. Todos os metais emitiam luz ao incandescer, mas se rompiam rapidamente. Esses testes foram cruciais para o desenvolvimento da lâmpada incandescente (WANDERLEY, 2014).
As pesquisas para tentar conseguir fazer com que o filamento não se rompesse continuaram, em 1840 Werren de La Rue coloca um filamento de platina dentro de uma ampola de vidro e retira quase todo o ar de seu interior, percebendo que o filamento incandescia por um tempo maior até se romper, porém o custo da platina tornava inviável a produção de lâmpadas usando esse material.
Em 1879 Thomas Edison conseguiu baixar o custo dos materiais para a produção das lâmpadas, utilizando inicialmente um fio de algodão impregnado de carvão mineral confinado dentro de uma ampola de vidro fechada a vácuo, a qual se manteve acesa por 45 horas. Porém, no decorrer do tempo o filamento de carvão foi soltando fumaça, diminuindo a passagem de luz pelo vidro da ampola, e consequentemente reduzindo a luminosidade. Buscando aprimorar seu invento, Thomas Edison testou outros tipos de filamentos, tendo resultados satisfatórios com bambu a respeito da luminosidade e da durabilidade, com cerca de 600 horas de iluminação (WANDERLEY, 2014).
Com a criação da primeira usina hidroelétrica de corrente continua em 1882 no rio Fox em Appleton, e com a invenção da bobina de Tesla, em 1883, pelo
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inventor e engenheiro elétrico Nikola Tesla, a qual facilitava a transmissão da eletricidade por longas distâncias, as lâmpadas incandescentes se popularizam e se espalharam por todo o mundo. A partir de 1909 as lâmpadas passaram a ser construídas utilizando-se filamentos de tungstênio, com o ar de dentro do bulbo da lâmpada sendo retirado e o bulbo preenchido com a mistura de gases inertes, nitrogênio e argônio. Isso impedia que o filamento entrasse em combustão.
A eficiência de lâmpadas incandescentes é baixa, apenas 5% da energia é convertida em luz e 90% da energia é liberada em forma de calor para o ambiente. Sua durabilidade pode chegar a 1000 horas. (SANTOS et al., 2015). Devido a baixa eficiência quando comparada com tecnologias atuais, esse modelo foi retirado do mercado brasileiro.
## Lâmpadas de Descarga
Após o sucesso das lâmpadas incandescentes surgiram as lâmpadas de descarga, nas quais a luz é gerada pela agitação das moléculas de um gás no interior do bulbo da lâmpada, sendo tal agitação causada por uma descarga elétrica. As lâmpadas de descarga são classificadas em lâmpadas de alta pressão e baixa pressão. Dentre as de alta pressão têm-se as de Mercúrio, Sódio, Mista e Vapores Metálico, enquanto as de baixa pressão são as Fluorescente e Sódio de baixa pressão. Todas funcionam com o auxílio de um reator ou ignitor. Cada tipo de lâmpada possui um tipo de gás em seu interior, sendo normalmente utilizado o Argônio, o Criptônio, o Hélio, o Neônio, o Xenônio, o vapor de Sódio ou vapor de Mercúrio.
Dentre as lâmpadas de descarga, se destacam as lâmpadas Fluorescentes que apareceram com o objetivo de substituir as lâmpadas incandescestes. Sua eficiência, luminosidade e economia fez com que ela fosse amplamente utilizada de forma predominante até os dias atuais. O crédito dessa descoberta é dado à Nikola Tesla e esta foi introduzida no mercado por volta de 1938. Ao contrário de algumas outras Lâmpadas de Descarga, as fluorescentes chegam à potência máxima em um curto intervalo de tempo. Também conhecidas como luz fria, elas chamavam atenção por emitirem menos energia em forma de calor. Inicialmente foram criadas as Fluorescentes Tubulares, nome dado pelo formato do bulbo que possui formato de tubo cilíndrico e posteriormente as Fluorescentes Compactas constituídas de conjuntos de bulbos tubulares curvos. Fazendo uma comparação das Compactas com as Incandescentes, a economia energética chegava a 80%. As Lâmpadas Fluorescentes necessitam do uso do reator ou starter e possuem filamentos contendo Mercúrio a baixa pressão e gás Argônio para auxiliar na partida. No caso da Fluorescente compacta o filamento está presente em cada bulbo do conjunto que a constitui. Ao passar corrente elétrica pelo filamento ocorre uma descarga no gás Argônio, fazendo com que haja uma agitação no interior do tubo de descarga e essa agitação causa o choque entre os elétrons do gás Argônio com os átomos de Mercúrio. Quando esses se estabilizam, liberam radiação ultravioleta com consequente produção de luz devido ao contato da radiação com o pó fluorescente que se encontra em toda superfície interna do bulbo (VIANA, et al., 2012 ).
## Lâmpada de Indução
Essas lâmpadas funcionam basicamente como lâmpadas fluorescentes, mas sem eletrodos. Em vez de eletrodos seu funcionamento baseia-se nos princípios de
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indução eletromagnética e da descarga em gás. Esta lâmpada possui um tubo de vidro que contem gás envolvido por bobinas eletromagnéticas constituídas por anéis de metal, que criam um campo eletromagnético utilizando uma alta frequência gerada por um reator eletrônico. A descarga elétrica induzida pelas bobinas forma um ciclo fechado causando a aceleração dos elétrons livres que ao colidirem com átomos de mercúrio provoca excitação nos elétrons. Ao descer de um estado energeticamente elevado para um estado inferior os elétrons emitem radiação ultravioleta, que ao passar através da camada de fósforo depositada na parede interna do tubo é convertida em luz visível.
## Lâmpada LED (Light Emitting Diode)
Essa tecnologia surgiu graças a descoberta do fenômeno físico conhecido como eletroluminescência em 1907 por Henry Joseph Rodada. A partir dai muitos estudos foram feitos até chegar aos LEDs que conhecemos hoje (HISTÓRIA DO LED, 2016). Esses dispositivos entraram no mercado no final de 1960. Eram pequenas lâmpadas de baixa potência usada principalmente como indicadores em aparelhos eletrônicos, e com o tempo começaram a ser usadas em displays alfanuméricos. Hoje o seu uso abrange uma vasta gama de tecnologias, que se estende desde brinquedos, utensílios domésticos, automóveis, iluminação, eletroeletrônicos, e até na medicina, auxiliando no tratamento de doenças.
- O LED, abreviatura inglesa que significa diodo emissor de luz é um dispositivo composto de camadas de materiais semicondutores sólidos que ao serem percorridos por uma corrente elétrica emitem luz. Os diodos são compostos pela junção de um semicondutor do tipo-N com um semicondutor do tipo-P que só permite a passagem da corrente em um sentido. Sem estarem submetidos a uma tensão, os elétrons em excesso do tipo-N preenchem os buracos do tipo-P criando a chamada zona de depleção, onde não é possível a passagem de corrente, pois não há elétrons livres e nem buracos livres. Ao ligar um diodo em uma bateria com o tipo-N ligado ao polo negativo e o tipo-P ao polo positivo, os elétrons do tipo-N e os buracos do tipo-P são repelidos para a junção P-N, e os elétrons livres que preenchiam os buracos são forçados para fora, desaparecendo com a zona de depleção, permitindo a passagem de corrente. A produção de luz ocorre através da eletroluminescência, que é a conversão direta da eletricidade em luz quando o material é percorrido por uma corrente elétrica (NOVOA ; TOMIOKA, 2009).
A produção de cores está relacionada com os materiais semicondutores que são usados na construção do chip LED, pois cada material emite um comprimento de onda característico, e esse comprimento de onda da radiação eletromagnética emitida é o que define as cores (RANGEL; SILVA e GUEDE, 2009). A luz branca pode ser obtida através de um chip LED que emite luz no espectro ultravioleta ou azul revestido com fósforo, método similar ao usado nas lâmpadas fluorescentes, ou através de LEDs de alto brilho RGB, que podem produzir quase todas as cores, inclusive a luz branca, que é obtida pela combinação de LEDs de cores diferentes.
Dentre as vantagens do LED, pode-se citar a alta eficiência, pois pouca energia é dissipada na forma de energia térmica, a maior parte da energia é convertida em luz, reduzindo o consumo de energia elétrica; a vida média longa, variando entre 25.000 e 50.000 horas, além de trabalhar com baixas tensões e baixas correntes; a dimensão reduzida; e a resistência a vibrações e choques mecânicos. Como desvantagens pode-se citar o alto custo de produção em
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comparação com outras lâmpadas; a dependência da temperatura de funcionamento, por ser feito de materiais semicondutores; e a sensibilidade a alterações de tensão.
## OLED - (Organic Light Emitting Iode)
OLED ou Diodo Orgânico Emissor de Luz é o que se tem de mais novo em questão de iluminação, apesar de ainda estar em fase de estudos e aperfeiçoamento. Trata-se de placas constituídas de várias camadas extremamente finas de material transparente como o vidro, sendo que os semicondutores comumente usados nos LEDs são substituídos por semicondutores orgânicos e estes ficam entre anodos e catodos. Os estudos começaram na década de 1960 e hoje essa tecnologia é usada em telas de monitores de TV, computadores, smartphones, tablets, e também na iluminação. A expectativa é que em médio prazo essa inovação vai estar presente em casas, empresas e na iluminação pública.
## Potencial de utilização do tema para o ensino de Ciência
Devido ao amplo contexto histórico e científico no qual o tema está inserido, a discussão desse em sala de aula pode fomentar atividades em uma perspectiva de Ciência Tecnologia Sociedade e Ambiente (CTSA). Em um enfoque CTSA, o Ensino de Ciências é a base para a formação para a participação democrática na formulação de políticas de ciência e tecnologia. Sendo assim, a educação científica objetiva-se em preparar os cidadãos para a participação democrática nos processos de formulação, validação e aplicação de decisões políticas que envolvam em algum âmbito a ciência e tecnologia (QUINATO, 2013). O desenvolvimento tecnológico das lâmpadas e as preocupações atuais com os processos de reciclagem dessas podem auxiliar no desenvolvimento de habilidades importantes para a formação de cidadãos mais conscientes, como:
Compreender o conhecimento científico e o tecnológico como resultados de uma construção humana, inseridos em um processo histórico e social (BRASIL, 2002,p. 67).
Reconhecer e avaliar o conhecimento tecnológico contemporâneo, suas relações com a ciência, seu papel na vida humana, sua presença no mundo cotidiano e seus impactos na vida social (BRASIL, 2002,p. 68).
Analisar, argumentar e posicionar-se criticamente em relação a temas de ciência e tecnologia (BRASIL, 2002,p. 64).
As discussões sobre os conceitos físicos envolvidos, como transformação de energia, eficiência luminosa, potência, corrente, tensão elétrica, entre outros, podem auxiliar na discussão de conceitos de forma atrelada a elementos presentes no cotidiano dos estudantes. Nessa vertente, pode-se destacar que ao se discutir elementos sobre a evolução das lâmpadas em sala de aula, o professor possui uma riqueza de conceitos a serem discutidos, os quais se encaixam dentro de alguns dos temas estruturadores contidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+):
- - Calor, ambiente, fontes e usos de energia: uma vez que é possível discutir as diferentes transformações de energia que ocorrem para que uma lâmpada produza luz.
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- - Equipamentos eletromagnéticos e telecomunicações: vários equipamentos eletrônicos modernos utilizam tecnologias provindas de estudos relacionados ás eficiência luminosa. Além disso, as lâmpadas geram campos eletromagnéticos.
- - Universo, Terra e vida: o modelo atual de vida da espécie humana possui certa dependência da iluminação. Além disso, discussões sobre a poluição produzida para a produção de lâmpadas e o armazenamento dos resíduos dessa produção são de extrema importância para a manutenção do planeta.
## Considerações finais
O tema tem potencial para ser desenvolvido de forma interdisciplinar com o professor de História, possibilitando que o aluno possa compreender o desenvolvimento tecnológico da iluminação desde a pré-história até os dias atuais, mostrando aos alunos o impacto social propiciado. Também pode ser mostrado como se deu determinado desenvolvimento tecnológico e em que contexto social e político isso ocorreu, permitindo evidenciar a influência desses elementos para o êxito das descobertas. O assunto pode, ainda, ser trabalhado juntamente com as disciplinas de Química e Biologia, no que diz respeito aos materiais que constituem as lâmpadas, quais os impactos ambientais que estes podem trazer, e que riscos oferecem aos seres vivos. Pode-se fazer também um trabalho de conscientização de uma melhor forma de se descartar lâmpadas, em especial as que causam maiores impactos ambientais.
É possível trabalhar esse tema em cima de projetos de trabalho, principal proposta do educador espanhol Fernando Hernández. Ele se baseia nas ideias do filósofo e pedagogo norte-americano John Dewey (1859-1952), que defendia a relação da vida com a sociedade, dos meios com os fins e da teoria com a prática, saindo do modelo tradicional de ensino (PORTES, 2016). O ensino através do desenvolvimento de projetos situa-se como uma proposta de intervenção pedagógica que dá à atividade de aprender um sentido novo, no qual a aprendizagem se dá com tentativas de resolver situações problemas, gerando situações de aprendizagem reais e diversificadas, fazendo com que os alunos desenvolvam a capacidade de autonomia e autodisciplina.
Trabalhando em cima dessa proposta com o terceiro ano do ensino médio, é possível abordar quase todo o conteúdo na área da Física previsto para essa série. Devido a vasta diversidade de fenômenos e processos envolvidos no funcionamento e no desenvolvimento das lâmpadas, o professor pode desenvolver e coordenar vários projetos com os alunos, podendo estudar desde conceitos mais básicos como corrente elétrica, tensão, resistência até conteúdos mais avançados como indução eletromagnética, ondas eletromagnéticas, e alguns conceitos de Física moderna.
A próxima etapa desse trabalho refere-se à elaboração de um projeto para que o tema possa ser trabalhado em sala de aula, numa perspectiva integradora entre o uso de tecnologias, conhecimentos científicos e responsabilidade social, trazendo para os estudantes uma formação mais adequada às orientações contidas nos documentos balizadores da educação brasileira.
## Referências
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BURINI JUNIOR, E. C. Racionalização no uso de energia elétrica: a lâmpada incandescente . Dissertação (Mestrado em Energia). Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993.
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NOVOA, L. M. de; TOMIOKA, J. Estudo da estrutura do White Light Emitting Diode - White LED . II Simpósio de Iniciação Científica da Universidade Federal do ABC. Santo André, 23 a 27 de novembro de 2009. Disponível em: < http://ic.ufabc.edu.br/II\_SIC\_UFABC/resumos/paper\_5\_89.pdf > Acesso em 27 jun. 2016.
PORTES, K. A. C. A ORGANIZAÇÃO DO CURRÍCULO POR PROJETOS DE TRABALHO . Disponível em: < http://www.ufjf.br/virtu/files/2010/04/artigo-2a3.pdf >. Acesso em: 29 ago. 2016.
RANGEL, M. G.; SILVA, P. B.; GUEDE, J. R. B. LED - Iluminação de Estado Sólido . XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação - Universidade do Vale do Paraíba, 2009. Disponível em: < http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC\_2009/anais/arquivos/0508\_0224\_01.pdf > Acesso em:13 jun. 2016.
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VIANA, A. N. C.; BORTONI, E. C.; NOGUEIRA, F. J. H.; HADDAD, J.; NOGUEIRA, L. A. H.; VENTURINI, O. J.; YAMACHITA, R. A. Eficiência Energética: Fundamentos e Aplicações. 1ª. ed. Campinas, SP. PEE- Programa de Eficiência Energética ANEEL, 2012.
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