CURRÍCULO E FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DO PIBID: A DIFICULDADE DA REINVENÇÃO DO CONTEÚDO ESCOLAR A PARTIR DAS IDEIAS DO MOVIMENTO CTSA
Thaisa Soares Cata Preta, Nataly Lopes
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Alfabetização Científica E Abordagens Cts No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## CURRÍCULO E FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ÂMBITO DO PIBID: A DIFICULDADE DA REINVENÇÃO DO CONTEÚDO ESCOLAR A PARTIR DAS IDEIAS DO MOVIMENTO CTSA
## Thaisa Soares Cata Preta , Nataly Lopes 1 2
## Resumo
O ensino de ciências e a formação de professores estão distantes das discussões atuais sobre o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, quando relacionado às discussões sociais, ambientais, de ética e de valores. Nesse sentido, este trabalho procura entender quais são essas dificuldades de reinventar o currículo a partir de ideias do movimento CTSA por meio de questões sociocientíficas, analisando uma atividade do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) realizada em uma escola estadual de educação básica em Araras - SP. A questão sociocientífica 'Drogas, violência e publicidade' desenvolveu conhecimentos de Física e demais ciências da natureza procurando problematizar o envolvimento dessas três ações e buscando estimular uma visão crítica desses aspectos sociais. Assim, a análise que desenvolvemos aqui nos permitiu concluir quais são os possíveis problemas e soluções que auxiliem no processo de aprendizagem e na estruturação de uma nova perspectiva educacional, destacando principalmente as dificuldades em atividades que sejam do ensino de física e outras ciências da natureza.
Palavras-chave : Questões sociocientíficas, currículo escolar, formação de professores, movimento CTSA
## Introdução
Este trabalho foi desenvolvido no âmbito do PIBID, sob a perspectiva do trabalho de questões sociocientíficas em uma escola de educação básica da cidade de Araras-SP. No segundo semestre de 2014, foi realizada uma sequência didática na escola com a questão sociocientífica: drogas, violência e publicidade. Deste modo, foi possível observar que existe uma resistência da escola e dos professores em adequar os conhecimentos que foram tratados na atividade pautada em Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) com os conteúdos que estão no currículo, observando que a problematização e as questões sociocientíficas visam apresentar diversas perspectivas sobre um determinado assunto, enquanto o currículo atual possui conteúdos descontextualizados e tendenciosos.
Neste sentido, este trabalho busca compreender, por meio da análise de conteúdo da Bardin (1977) da atividade desenvolvida, quais os processos do cotidiano escolar relacionados ao currículo e à formação de professores que dificultam a integração de atividades de cunho CTSA e de interdisciplinaridade,
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trazendo algumas justificativas, possíveis soluções e conclusões que auxiliem no processo de aprendizagem e na estruturação de uma nova perspectiva educacional.
## Discussão Teórica
De modo geral, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) trazem orientações para o desenvolvimento de habilidades para a sociedade tecnológica atual, esse documento deixa explícito que além de desenvolver as capacidades de compreenção do conhecimento científico, os alunos devem compreender a necessidade desse aprendizado, a aplicação no convívio social e princípios de cidadania.
Com esta compreensão, o aprendizado deve contribuir não só para o conhecimento técnico, mas também para uma cultura mais ampla, desenvolvendo meios para a interpretação de fatos naturais, a compreensão de procedimentos e equipamentos do cotidiano social e profissional, assim como para a articulação de uma visão do mundo natural e social (BRASIL, 2000, p.7).
Observamos também, nas orientações apresentadas, visões que contemplam os princípios do movimento CTSA, de modo que se observa a intecionalidade de uma formação crítica do cidadão e envolve a habilidade de compreensão de conhecimentos científicos. Porém, 'O controlo do aparelho cultural da sociedade, quer das instituições que produzem e preservam o conhecimento, quer dos actores que nelas trabalham, é essencial na luta pela hegemonia ideológica' (APPLE, 2001, p.58), desta forma a educação praticada atualmente não se aproxima expressivamente das necessidades da sociedade atual, os parâmetros curriculares não compreendem a realidade da escola e 'A ciência com a qual os estudantes têm contato na escola está cada vez mais distante de significar um pensamento emancipado, voltado às ações políticas nas decisões que envolvam sociedade e tecnociências' (LOPES, 2010, p.51).
Ainda neste âmbito, o cotidiano escolar revela um panorama preocupante, pois a convivência com os alunos, a estrutura curricular da escola, os investimentos em educação, o comportamento dos profissionais da área, incluindo a formação de professores, mostram que existe uma responsabilidade conjunta para o desenvolvimento da qualidade da educação básica e pública no país. Diante destes problemas, a proposta do PIBID é aproximar os professores em formação inicial do cotidiano escolar e desenvolver uma visão crítica desse panorama. Neste contexto, o que pareceu mais crítico na instituição, além da falta de investimentos governamentais, foi a formação de professores e o currículo, que apresentam difícil adaptação a uma nova perspectiva educacional.
Quando observamos essa situação e refletimos sobre o processo educativo, a partir das ideias de Freire (1987), percebemos como a educação é influenciada pelas demandas sociais, políticas, econômicas e sem grandes perspectivas de abertura para que novas concepções educacionais se instalem. Esse comportamento é histórico, de modo que a classe social que coopera de forma ativa para o ganho de capital é responsável pela influência no desenvolvimento científico e educacional. Segundo Cachapuz (2011), com a Segunda Guerra Mundial observamos uma instauração da ciência e tecnologia como ferramenta de argumentação política e de poder.
Partidos políticos, grupos de pressão, sindicatos etc. usam a pesquisa para fornecer dados que dão azo aos dirigentes de disfarçar com jarguão
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científico decisões que normalmente já haviam sido tomadas. A ciência está sendo usada como arma polêmica contra rivais competidores (FERRAROTI, 1998, p.59 apud CACHAPUZ, 2011, p.62).
Neste contexto, o movimento CTSA por meio das questões sociocientíficas visa rever o papel social da ciência, cujos objetivos na educação deveriam ser conscientizar a população para que possa haver o discernimento do que é prejudicial ou não. Segundo Ratcliffe e Grace (2003, p.3 apud LOPES, 2010, p.62) essas questões devem apresentar aspectos característicos: ter base no conhecimento científico, envolver formação de opiniões em níveis pessoais e sociais, serem notificados pela mídia de maneira parcial e ideológica, possuir uma amplitude local e global, envolver análise de custo-benefício nas quais os valores são extremamente relevantes, considerar a sustentabilidade, envolver raciocínio ético e moral, envolver análise de risco e partir da vida cotidiana dos indivíduos. Assim, essas questões auxiliam para uma formação tanto do professor, como do aluno, também cooperando para uma mudança no quadro educacional.
Uma proposta para o aperfeiçoamento de metodologias é o diálogo de Paulo Freire (1987), por meio dele conseguimos dedicação, compreensão e participação adequada dos alunos. Entretanto, devemos dialogar com aspectos da realidade local e, por meio do conhecimento científico, revelar as circunstâncias problemáticas nas quais os alunos estão inseridos. Além disso, o autor acredita que para a construção de uma problemática adequada à linguagem e ao cotidiano dos alunos, devemos ter a participação de integrantes que vivem nessa realidade durante o levantamento de temas geradores, o que não acontece dentro das escolas. Além disso, a teoria de Paulo Freire (1987) nos traz algumas características e sentimentos que prejudicam o processo educacional. Para ele, a autodesvalia é uma delas e resulta da introjeção que fazem os alunos da visão que deles têm os opressores. Ele completa com a seguinte explicação:
De tanto ouvirem de si mesmos que são incapazes, que não sabem nada, que não podem saber, que são efermos, indolentes, que não produzem em virtude de tudo isto, terminam por se convencer de sua 'incapacidade'. Falam de si como os que não sabem e do 'doutor' como o que sabe e a quem devem escutar. Os critérios de saber que lhe são impostos são os convencionais (FREIRE, 1987, p. 28).
Essa característica foi presenciada diversas vezes durante as atividades desenvolvidas e sem se atentar às consequências desses comportamentos, os profissionais da educação descrevem uma realidade do aluno, criam um ambiente próprio para ela e acabam interpretando uma dificuldade ou um descuido como uma incapacidade. Portanto, o educador se comunica com o aluno de forma depreciativa e desacredita na evolução e na formação do mesmo. Dessa forma, o professor não se esforça para modificar ou inovar seus processos educacionais, acreditando que o fracasso está no aluno e não na instituição escolar. Esse comportamento é também resultado de uma dificuldade profissional devido a formação restrita do professor, eles observam como obstáculo a inovação e a adaptação às dificuldades que encontram em cada novo momento de ensino.
Outro conceito observado durante as atividades é a educação bancária de Freire (1987), na qual o professor é formado com conteúdos específicos e elaboram suas aulas de tal modo que passam os conteúdos de forma descontextualizada e desestruturada, esse comportamento pode ser comparado a um depósito, no qual o aluno tenta internalizar, mas apenas decora os conceitos. Esse comportamento é observado claramente na educação do país e não apenas na educação básica, mas
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também nas universidades. O movimento CTSA esclarece que a educação em nosso país possui influências tecnocráticas e consumistas e defende que para reinventar um currículo para o progresso ambiental e social é necessário inserir ideias CTSA, questões sociocientíficas e criar um currículo que trabalhe com processos educativos que incluam ideias afins de substituir a tecnocracia e o consumismo por consciência e ação social.
De fato, os estudos CTS na área da educação preconizam uma nova imagem da ciência e da tecnologia em suas relações com a sociedade e o ambiente mediante a organização de programas e de materiais orientados para alcançar objetivos específicos, já largamente consensuais. Nessa ideia, a educação CTS preocupada com os problemas sociais, indissociáveis que são de aspectos científicos e tecnológicos, deve valorizar a construção de valores e a assunção de regras sociais e de atitudes que possibilitem aos cidadãos a tomada de decisões nas sociedades em que se inserem, de modo individual e coletivo (MARTINS; PAIXÃO, 2011, p.146).
As ideias e teorias apresentadas mostram claramente a necessidade de uma reformulação no currículo escolar e na formação de professores no Brasil. Percebemos que a formação do profissional da educação é o primeiro passo para a reformulação do currículo, sendo esses os responsáveis por novas ideias e perspectivas dentro do ambiente escolar.
## Metodologia da Pesquisa
O trabalho foi realizado na Escola Estadual 'Profa Maria Rosa Nucci Pacífico Homem', na cidade de Araras-SP. As atividades foram desenvolvidas no período de 4 semanas, tendo início no dia 04 de Novembro de 2014 e finalizando no dia 03 de dezembro de 2014. O tema da atividade foi Drogas, Violência e Publicidade. As etapas para a aplicação foram baseadas nos Momentos Pedagógicos Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2009), juntamente com as teorias apresentadas pela Pedagogia do Oprimido de Freire (1987) e ideias pautadas no movimento CTSA. Para fins de sistematização e compreensão das atividades, foi realizada uma análise do conteúdo da Bardin (1977), obtendo como categorias cada etapa desenvolvida e investigamos se cada um dos itens essenciais descritos pela definição teórica foram identificados na atividade realizada.
Dividimos a atividade da seguinte forma: levantamento dos temas geradores, voltado à identificação da linguagem local, pontuação de temas geradores e participação do público alvo no processo; Questionário, com o objetivo de analisar o comportamento dos alunos em atividades que envolvem os temas geradores; Problematização, momento de apresentação da controvérsia e demonstração de todos os aspectos alvo do tema abordado por meio do diálogo; Organização do conhecimento e aplicação dividida em Biologia, Química e Física, etapa de desenvolvimento dos conhecimentos científicos relacionados ao tema e resolução de exercícios em conjunto com os alunos; Avaliação por meio do diálogo e apresentação de documentário, momento no qual houve a divulgação de ideias conclusivas sobre a controvérsia da legalização e diálogo final com os alunos.
## Descrição teórica das categorias
Durante o processo de levantamento dos temas geradores deve-se analisar o cotidiano, o ambiente social do aluno, suas primeiras ideias, sua interpretação dos fatos e a comunicação dentro de cada tema. Além disso, o aluno pode participar
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ativamente de todo o processo explicitando quais são suas perspectivas dentro do que foi apresentado. É nesse momento que iremos identificar os temas mais significativos, trazendo problemas relacionados à sua realidade, discutir e identificar cada um dos pontos importantes para a estrutura da atividade. Para tanto, foi levado um questionário aos alunos, de modo que pudéssemos obter as primeiras ideias deles sobre a temática.
Assim, o questionário tinha como objetivo analisar a interpretação dos alunos em uma investigação da situação social ou pessoal que esteja ligada ao tema. Foram formuladas perguntas que conseguissem conhecer dos alunos suas tendências e escolhas primeiras. Além disso, um comportamento era esperado dos alunos, teriam três possíveis resultados: Não levar o questionário a sério; ter seriedade, mas medo de expor suas respostas, devido às consequências familiares e escolares respondendo o que é moralmente certo; ter seriedade e sinceridade.
- A problematização possui, dentro dessa atividade, o objetivo teórico apresentado por Freire e CTSA. Freire (1987 apud GEHLEN; MALDANER; DELIZOICOV, 2012, p.3) indica que é nesse momento que os estudantes são desafiados a expor os seus entendimentos sobre determinadas situações significativas que são manifestações de contradições locais. Essas situações serão elaboradas a partir do processo inicial de levantamento de temas geradores. É nesse momento também que mostramos ideias de várias ramificações que estão ligadas ao tema, devemos abordar a raiz social, política, cultural, ética, ambiental, etc. Controvertendo todas essas tendências, é possível iniciar o processo de levantamento do tema e discutir utilizando a argumentação dos participantes do diálogo.
- O processo de organização apresenta os conhecimentos científicos envolvidos no assunto trabalhados durante a problematização e tem o objetivo de iniciar um processo de compreensão por parte do aluno e formulação de uma posição em relação ao tema. Delizoicov (1991 apud GEHLEN; MALDANER; DELIZOICOV, 2012, p.8) esclarece que a prática educativa necessita ser desenvolvida segundo um modelo didático-pedagógico que propicia a ruptura entre o conhecimento do estudante e conhecimento sistematizado, isto é, entre a 'cultura primeira' e a 'cultura elaborada' (SNYDERS, 1998 apud GEHLEN; MALDANER; DELIZOICOV, 2012, p.8). Portanto, nessa etapa devem ser apresentados todos os conhecimentos científicos e elaborados que estavam presentes no contexto da atividade.
- O termo 'Avaliação através do diálogo' foi utilizado para descrever uma atividade na qual o grupo do PIBID voltaria a problematização inicial para constatar, através do diálogo com os alunos se o conhecimento científico conseguiu realmente causar a ruptura desejada pela organização do conhecimento. As notícias e situações trazidas na problematização devem ser apresentadas novamente e toda a problemática e a controversa deve ser retomada para que o discurso revele essa mudança.
## Interpretações das atividades realizadas
- O levantamento de temas geradores não foi realizado como esperado pela teoria apresentada, deveríamos ter levado em conta o cotidiano do aluno por meio do dialogo realizado com a população local e com os próprios alunos. Entretanto, quando analisamos quais eram os assuntos locais, consideramos ideias isoladas e
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diferentes da realidade dos participantes da atividade. O tema escolhido para ser utilizado como gerador na atividade foi Violência, Drogas e Publicidade, sendo elaborado apenas com a presença dos professores da escola, alunos do PIBID e professor orientador da universidade. Portanto, não foi devidamente estruturado e abordado com integrantes da comunidade os entornos da escola.
- O questionário teve um resultado negativo, pois obtivemos as respostas moralmente corretas que podem ter sido impulsionadas por medo das consequências ou por falta de comprometimento. Também encontramos os alunos que não levaram a sério, deixaram questões em branco ou responderam optando por alternativas que tinham menos associação com o tema. Os alunos não consideraram a atividade com seriedade para a educação, consideraram como uma atividade complementar. Esse comportamento foi evidenciado quando os alunos tiveram os seguintes comportamentos: Colocaram todas as opções de uma mesma questão, comunicaram que iriam responder de qualquer jeito no dia da aplicação, mesmo alertados previamente pelo professor que era uma pesquisa que deveria ser respondida com seriedade, e alguns entregaram em várias questões em branco. Os alunos, semelhante aos professores, já estão adaptados a uma forma estabelecida de currículo, quando se deparam com uma situação nova de aprendizagem, consideram como atividade de recreação.
Durante a problematização, foram levados vários problemas relacionados as drogas, a violência e a publicidade, mas não foram considerados todos os aspectos possíveis. Vários ramos sociais não foram levados em conta como a ética, todos os processos políticos e científicos. Um ponto bastante significativo observado foi a resistência em apontar os elementos controversos da legalização, que são muito importantes na parte do processo de formação de opinião por parte dos alunos, o medo da instituição de que o assunto pudesse induzir ao uso, falou mais alto e tivemos que realizar uma problematização bastante restrita, apontado apenas aspectos prejudiciais para a sociedade. Esse momento mostra uma falha na formação dos professores, pois eles optam por prejudicar o processo pedagógicodidático, causando tendências e caindo em contradição com a teoria apresentada.
Os momentos de organização e aplicação de conhecimento foram complicados e pouco adaptados aos conhecimentos dos alunos, provavelmente devido a falhas nos processos anteriores. Uma grande dificuldade que tivemos durante a elaboração, foi identificar quais os conhecimentos prévios dos alunos para saber o nível de informação a ser levada. Consultando os currículos e os próprios alunos, elaboramos conhecimentos que necessitavam de conteúdos já estudados para a compreensão, mas não é porque o aluno deveria ter aprendido, que ele realmente aprendeu.
Durante o processo de explicação do conteúdo, foram apresentados vários termos científicos que os alunos não conheciam e nós repetimos a 'educação bancária' que criticamos. Isso é resultado de problemas no planejamento, estudo e reflexões sobre o tema, sendo que deveríamos utilizar um vocabulário mais adequado para levar novos conhecimentos aos alunos. Outro grande problema para a adaptação de novas perspectivas educacionais é a falta de comprometimento e seriedade da própria instituição. Várias vezes, a escola mudou o ambiente de aplicação, cancelou atividades e encurtou o tempo que foi previamente estabelecido para a aplicação do conhecimento, portanto o conteúdo foi bastante prejudicado.
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Por fim, a avaliação por meio do diálogo foi realizada inicialmente com a apresentação de um documentário sobre a situação da legalização das drogas no Brasil (Quebrando Tabus ). Novamente a escola não cooperou para a finalização da 1 atividade, após o intervalo seria finalizado o documentário e discutido o assunto com os alunos, mas os alunos tinham uma prova no mesmo dia e horário e poucos alunos participaram da discussão final que seria importante para a análise.
## Considerações Finais
Uma análise comparativa, entre os resultados obtidos e a teoria, tornou possível observar que o início da atividade pelo levantamento temático e a falta do público alvo no processo não foi suficiente para a identificação da linguagem local e para a pontuação de temas geradores, dificultando a inestigação da realidade. Em relação ao questionário aplicado, não houve comprometimento e nem seriedade dos alunos. A problematização apresentou uma controvérsia parcial, sendo que alguns aspectos dos temas foram omitidos, tornando essa etapa tendenciosa e dificultando o diálogo dos alunos, que não estruturaram de forma adequada suas posições políticas.
A etapa de organização de conhecimento foi limitada, nos conhecimentos de física os alunos apresentaram dificuldades principalmente em operações matemáticas, não tendo suporte para o desenvolvimento de todo o raciocínio teórico. Além disso, apresentaram dificuldade em ligar conceitos ao problema apresentado e a falta de tempo tornou impossível um aprofudamento teórico. Por fim, a avaliação foi falha, por problemas na comunicação da escola com os licenciandos do PIBID, os alunos da escola tiveram que participar de outra atividade no mesmo dia e não puderam concluir a discussão.
Analisando as atividades, percebemos que as ideias de currículo preestabelecidas levam a escola a interpretar atividades de nova perspectiva como recreativas e não formativas. Não houve cooperação dos alunos, eles apresentaram a mesma postura da escola e interpretamos esse comportamento como resultado de uma padronização curricular.
Além disso, a estrutura e elaboração da atividade, para alcançar os objetivos esperados, devem ser minuciosamente elaboradas levando em conta aspectos teóricos, da instituição, dos participantes e da questão sociocientífica escolhida. Não existiu uma investigação temática como proposta por Freire, que atenderia aos objetivos esperados nas etapas posteriores e esse erro gerou consequências em cada etapa, resultando em um processo falho. Essa falha é resultado da falta de experiência dos alunos do PIBID, mas pode ser observada como uma etapa positiva, sendo que os resultados negativos levam a uma elaboração mais específica em atividades futuras.
Outro ponto importante é a participação dos alunos da escola, eles são fruto de uma opressão social e tendem a agir como os opressores solicitam, quando não agridem sem argumentação e sem razão. Além disso, foram submetidos a processos educativos semelhantes desde sempre, nos quais as mudanças nunca são aplicadas de forma eficiente. A autodesvalia de Paulo Freire (1987) foi observada em comentários sobre o desempenho dos alunos dentro da sala de aula.
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Outro aspecto observado foi a dificuldade que sentimos durante a discussão sobre a legalização da maconha, houve uma tendência ao lado que parece mais adequado e interessante para a escola, nesse ponto observamos a opressão, na qual os opressores depositam ideias nos alunos e a ideia de limitar o conhecimento do aluno fere os princípios de CTSA e Pedagogia de Freire.
Deste modo, o sucesso de uma nova perspectiva será realmente observado quando todos os aspectos importantes realmente trabalharem em sintonia, pois não é uma ilusão acreditar que existe um ensino que esteja adaptado ao momento histórico que vivênciamos. Por fim, este trabalho colabora para a formulação de atividades que utilizam questões sociocientíficas e ideias do movimento CTSA. Os equívocos apontados e todos os resultados obtidos estabelecem quais as dificuldades podem ser encontradas. Além disso, traz uma alternativa de currículo que pode ser aprimorado para posteriormente ser trabalhado, visando o objetivo de melhorar os métodos atuais de ensino que já não trazem mais resultados satisfatórios.
## Agradecimentos e apoios
Apoio: Capes -PIBID. Agradecimento: Escola Estadual 'Professora Maria Rosa Pacífico Nucci Homen'.
## Referências
APPLE, M. W. Educação e Poder . Tradução de João Menelau Paraskeva Porto: Porto Editora, 2001.
BARDIN, L. Análise de conteúdo . 1. ed. Portugal: Edições 70, 1977.
BRASIL. Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio . Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasilia: MEC, 2000.
CACHAPUZ, A. F. Tecnociência, poder e democracia. In: SANTOS, W. L. P.; AULER, D. (Org.). CTS e educação científica: desafios, tendências e resultados de pesquisa. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2011, p. 49-72.
DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de ciências : fundamentos e métodos. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2009.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido . 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
GEHLEN, S. T.; MALDANER, O. A.; DELIZOICOV, D. Momentos Pedagógicos e as Etapas da Situação de Estudo: Complementaridades e contribuições para a educação em ciências. Ciência & Educação , v. 18, n.1, p. 1-22, 2012.
LOPES, N.C. Aspectos formativos da experiência com questões sociocientíficas no ensino de ciências sob uma perspectiva crítica . 2010. 230 f. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência) - Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2010.
MARTINS, I. P.; PAIXÃO, M. F. Perspectivas atuais Ciência-Tecnologia-Sociedade no ensino e na investigação em educação em ciência. In: SANTOS, W. L. P.; AULER, D. (Org.). CTS e educação científica : desafios, tendências e resultados de pesquisa. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2011, p. 135-160.
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