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A ESCOLA DE FÍSICA DO CERN: PREPARAÇÃO E PERSPECTIVAS

Camila Gasparin, Diego Verissimo, Joaquim Lopes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A ESCOLA DE FÍSICA DO CERN: PREPARAÇÃO E PERSPECTIVAS

## Camila Gasparin 1 , Diego Veríssimo², Joaquim Lopes 3

1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina/Departamento de Ensino, Pesquisa e Extensão, camila.gasparin@ifsc.edu.br

2 Colégio La Salle Brasília, verissimo.fis@gmail.com

- ³ Escola Técnica Pandiá Calógeras - RJ/Departamento de Ensino/jokakim77@yahoo.com.br

## Resumo

Neste trabalho procura-se mostrar dois aspectos relacionados à experiência de 20 professores brasileiros selecionados para participar da edição de 2016 da escola de física CERN, da preparação e da expectativa desse grupo quanto ao evento. De antemão é preciso considerar o aspecto emocional de cada um e o que os motivou a participar desse evento, buscando conhecer e se identificar com conteúdos conceituais e técnicos tratados no curso que ora irão realizar, quais as dificuldades percebidas e principalmente quais os ganhos que a realização desse curso poderá trazer para cada um e para a comunidade acadêmica dos locais onde lecionam como fazer para que isso interfira de maneira positiva suas aulas e assim, despertar o real interesse dos alunos, sendo uma ferramenta para favorecer o ensino aprendizado. A partir daí, concluímos que o papel do evento é de ser um instrumento de comunicação científica. Como disse O'Connor e Stocklmayer, 'a comunicação científica é um conjunto de etapas visando levar a Literacia Científica'. Sendo assim, é possível afirmar que as ações desse curso estão produzindo em nós, participantes, uma consciência do quanto é importante a capacitação do professor, para que possamos nos tornar um dos principais atores das mudanças no processo ensino-aprendizagem, nos permitindo incluir em nossas práticas, novas metodologias, que irão contribuir na qualidade do ensino, garantindo a formação continuada do agente e o melhoramento da qualidade de ensino visto que as mudanças sociais que poderão gerar transformações são decorrentes de um ensino de qualidade, onde será necessária uma qualificação profissional e pessoal. Ações como essa, produzem de certa forma, enorme desenvolvimento da cultura científica, a qual se constitui, ao mesmo tempo, de causa e efeito. Sendo assim, vemos a possibilidade de eventuais ajustes, pois eventos como esse vem se mostrando muito relevante nos estudos em ensino de ciências.

Palavras-chave : Física de Partículas, CERN, Ensino, Ciência, formação continuada.

## Introdução

A formação continuada de professores permeia as discussões e é um dos caminhos indicados para continuação da melhoria da educação brasileira. Nos diversos níveis de ensino, seja privado ou público, as contínuas e diversas demandas de atualização tecnológicas e de conhecimento necessárias para que os professores possam desempenhar suas atividades com qualidade, proporcionando maior aprendizado dos alunos e entendimento efetivo dos conceitos físicos, há a necessidade de complemento aos conhecimentos discutidos nas licenciaturas.

A Física Moderna é área da Física ainda pouco discutida em sala de aula, ficando para ser trabalhada no final do terceiro ano do Ensino Médio, caso haja

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sobra de tempo após todos os conteúdos mais tradicionais como Eletromagnetismo. Com as baixas cargas horárias semanais da disciplina de Física nas escolas, isto é quase utópico. Não 'sobra' tempo e a Física Moderna fica renegada ou restrita aos pequenos boxes extras ao longo dos capítulos dos livros didáticos, cujos textos não são aprofundados e, geralmente, são apresentados como curiosidade.

Ainda que seja compreensivamente tradicionalmente trabalhado no terceiro ano do EM, após o aluno ter contato com os conceitos de corrente elétrica, os efeitos de campos elétricos e magnéticos sobre partículas carregadas e demais tópicos relacionados, este conhecimento fica um tanto desconectado com a química, que apresenta a estrutura atômica logo no primeiro ano do EM, o que resulta na perda de uma preciosa oportunidade de interdisciplinaridade, tão desejável para o entendimento interconectado do conhecimento cuja exigência da linha de pensamento tem sido crescente em testes diagnósticos e de ingresso à graduação como o ENEM e vestibulares.

Considerando a restrita discussão da Física Moderna e Quântica nas licenciaturas em Física em comparação às numerosas disciplinas de Física Clássica, é necessário que sejam revistos e aprofundados os conhecimentos dos professores quanto a estes tópicos para que seja possível trabalha-los com segurança e qualidade junto aos alunos.

Nesta perspectiva, a Escola de Física do CERN (Organisation Européenne pour la Recherche Nucléaire - Organização Européia para Pesquisa Nuclear), promovida pela Sociedade Brasileira de Física em cooperação com o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), de Lisboa, é uma rica oportunidade para esta formação e qualificação continuadas. No entanto, ainda é necessário o maior entendimento dos professores quanto ao processo de inscrição, seleção e a preparação necessária para as atividades a serem desenvolvidas na Europa.

Desde 2007, o CERN mantém em suas instalações uma Escola de Física destinada a professores de escolas secundárias portuguesas, à qual os brasileiros têm acesso pelo acordo com o LIP desde 2010. Anualmente é selecionado um número limitado de professores para o curso, que é composto por dois períodos distintos. Primeiro, há um período de visita às instalações do LIP e pontos de interesse cultural e científico em Lisboa. Depois, todos seguem para Genebra para uma intensa semana de estudos na Escola de Física do CERN, sempre acompanhados dos professores coordenadores no Brasil, o professor Doutor Nilson Marcos Dias Garcia e professor Doutor Nelson Barrelo Junior.

No ano de 2016, as inscrições estiveram abertas de 28 de março a 02 de maio, através de site específico da Escola de Física do CERN na SBF. Para se inscrever, foi necessário elaboração de plano de socialização dos conhecimentos pós-escola, para que a multiplicação de professores e alunos atingidos pela Escola tenha maior alcance.

## Referencial Teórico

A formação dos professores é apontada por muitos como uma das principais responsáveis pelos problemas da educação, apesar de todo avanço tecnológico que aconteceu nos últimos tempos. A formação ainda deixa muito a desejar, existe certa dificuldade para colocar em prática concepções e modelos inovadores. As instituições de ensino não investem na capacitação dos professores

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além de remunerar mal. Além disso, o difícil acesso às novidades acaba prejudicando e/ou retardando a incorporação de novas dinâmicas em sala de aula. Por isso, tanto os cientistas quanto os gestores e a classe envolvida com a educação da população, deveriam entender que se as condições materiais, salariais, intelectuais e de infraestrutura não estiverem devidamente asseguradas, de nada resolverá debater sobre a melhoria na educação, pois a formação do professor é indissociável das políticas de melhoria das escolas e de definição de uma carreira docente digna, produtiva e prestigiada.

Paulo Freire escreveu que a formação é um fazer permanente que se refaz constantemente na ação. "Para se ser, tem que se estar sendo", disse ele. Em outras palavras, a articulação entre teoria e prática só funciona se não houver divisão de interesses e todos se sentirem responsáveis por facilitar a relação entre as aprendizagens teóricas e as vivências e observações práticas.

Nesse contexto, participar da escola de física CERN é um grande passo para a formação e aperfeiçoamento do profissional, pois a formação é algo que pertence ao próprio sujeito que se inscreve num processo de ser (nossas vidas e experiências, nosso passado etc) e num processo de ir sendo (nossos projetos, nossa idéia de futuro). Paulo Freire explica-nos que ela nunca se dá por mera acumulação. É uma conquista feita com muitas ajudas: dos mestres, dos livros, das aulas, dos computadores. Mas depende sempre de um trabalho pessoal, e é isso que esses vinte (20) professores estão fazendo, deve-se ressaltar que Toda e qualquer iniciativa neste sentido deve ser incentivada e é isto que o CERN também está fazendo. O departamento de educação do CERN realiza cursos para diversos profissionais europeus e, desde 2009, através de um acordo com o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) de Lisboa, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e a Diretoria da Sociedade Brasileira de Física, professores brasileiros do ensino médio podem fazer cursos de Física no CERN, juntamente com professores de Portugal e alguns países da África. São ações como essa, que buscam fortalecer as estruturas do saber intelectual ou social e promover a interação e caracterizar um diálogo mais claro e compreensível do professor com seu público, ou seja, os alunos, e também, construir meios de se aplicar novas tecnologias em sala de aula favorecendo o ensino aprendizagem, pois e assim, despertar o interesse dos estudantes em apreender conceitos de Física de Partículas e a importância do estudo desse tema.

## Divulgação Científica Formação de Cientistas para o Futuro

A proposta de divulgar ciência surge da necessidade de novas pessoas com interesse em determinadas áreas tidas como 'chatas'. Pois os estudantes não conseguem ver essa aplicação e não se motivam a seguir esse tipo de carreira.

As escolas de física no CERN em língua portuguesa levam os professores que atuam no Ensino Médio para o CERN, para que os mesmos tenham contato com ciência e tecnologia do mais alto nível, divulgando assim ciência para diversos estudantes ao redor do mundo. O intuito da escola de física não é que formar uma pessoa em física de partículas, mas sim de motivar o professor a falar mais em suas aulas sobre o papel do CERN e da física moderna e como a ciência evoluiu desde Einstein. Ao motivar os estudantes para que estes sejam ambiciosos a seguirem carreiras de cientistas, em diversas áreas, formando cientistas para um futuro. A divulgação da ciência é vital para que existam novos pesquisadores, e em um evento de divulgação Carl Sagan foi 'fisgado'.

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Eu fui criança num tempo de esperança. Queria ser cientista desde os primeiros dias de escola. O momento que marcou essa vontade foi quando entendi pela primeira vez que as estrelas são sóis poderosos, quando comecei a compreender que elas devem estar tremendamente distantes para surgirem como simples pontos de luz no céu. Nem sei se já conhecia a palavra ciência naquele tempo, mas queria de algum modo mergulhar em toda essa grandiosidade. Eu estava seduzido pelo esplendor do Universo, deslumbrado pela perspectiva de compreender como as coisas realmente funcionam, de ajudar a revelar mistérios profundos, de explorar novos mundos - talvez até literalmente. Tive a boa sorte de ver esse sonho em parte concretizado. Para mim, o fascínio da ciência continua tão atraente e novo quanto naquele dia, há mais de meio século, em que me mostraram maravilhas da Feira Mundial de 1939. Divulgar a ciência - tentar tornar os seus métodos e descobertas acessíveis aos que não são cientistas - é o passo que se segue natural e imediatamente. Não explicar a ciência me parece perverso. (SAGAN,2006)

A divulgação científica não é algo recente, é muito importante, e Francisco (2005) utiliza frase de Einstein, que diz:

A comunidade dos pesquisadores é uma espécie de órgão do corpo da humanidade. Esse órgão produz uma substância essencial à vida, que deve ser fornecida a todas as partes do corpo, na falta da qual ele perecerá. Isso não quer dizer que cada ser humano deva ser atulhado de saberes eruditos e detalhados, como ocorre frequentemente em nossas escolas, nas quais [o ensino das ciências] vai até o desgosto. Não se trata também do grande público decidir sobre questões estritamente científicas. Mas é necessário que cada ser humano que pensa tenha a possibilidade de participar com toda lucidez dos grandes problemas científicos de sua época, mesmo se sua posição social não lhe permite consagrar uma parte importante de seu tempo e de sua energia à reflexão científica. É somente quando cumpre essa importante missão que a ciência adquire, do ponto de vista social, o direito de existir. (EINSTEIN in BERLINER, apud TAGEBLATT, 1924)

Os objetivos da divulgação científica passam por uma simplificação de termos e conceitos, além de experiências que ilustram conceitos e teorias, além de fazer parte das mudanças sociais que a ciência propicia. Cabe ressaltar que se os pesquisadores são os órgãos do corpo da humanidade, logo eles precisam estar conectados para que ocorra trocas de informações.

Dessa forma, se torna muito importante esse momento de formação a qual os professores selecionados CERN, pois os estudantes ficam curiosos com esses assuntos e assim como ocorreu com Faraday em suas palestras para um público diverso, ele relata na primeira conferência do livro: 'A história química de uma vela / Forças da Matéria', que gostaria de repetir os experimentos anualmente devido ao grande interesse que despertava no público que assistia a suas palestras. Essas palavras permitem concluir que, quando o público está interessado, o palestrante percebe e a atividade torna-se prazerosa para ambos, sendo assim, propiciando maior entendimento entre ambos e, quando este contexto é aplicado em sala de aula, podemos inferir maiores oportunidades de aprendizado do aluno e maior qualidade de ensino aprendizagem em geral.

## Conclusão

Podemos concluir nossa reflexão colocando como preciosa oportunidade de formação continuada de professores a Escola de Física do CERN promovida pela SBF em parceria com o LIP. Através dela, os professores podem aprimorar e até adquirir conhecimentos sobre Física de Partículas tal que estejam plenamente

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instrumentalizados para trabalhar estes conceitos com seus alunos e difundindo estas discussões.

Pela importância da Física Moderna para a compreensão da Física contemporânea e da tecnologia desenvolvida atualmente, podemos enaltecer a relevância da formação continuada de professores e as discussões destes tópicos na sala de aula, de tal forma que nenhuma formação básica de conhecimento científico possa ser considerada completa sem estas.

Além desta oportunidade aqui citada, existem outras como a do Perimeter Institute do Canadá que também propicia aos professores a possibilidade de maior contato com a Física Moderna e Contemporânea trabalhadas no Instituto e possibilitadas pelas pesquisas desenvolvidas ali.

Apesar da necessidade de preparação prévia para a Escola de Física do CERN, a oportunidade é válida e muito valorosa a todos os professores que buscam estar melhor qualificados para sua profissão.

## Referências

ALVES, Yuri de Melo Alves; MILTÃO, M.R.S. Programa para Formação Continuada de Professores na Modalidade Presencial: o curso de licenciatura em Física e a Física Moderna e Contemporânea . Caderno de Física da UEFS. Pgs 11-20. Nº 12. Vol 2. Ano 2014. Disponível em: <http://dfis.uefs.br/caderno/vol1 2n2/a2YuriAlvesMiltao.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2016.

BASTOS, Taitiâny Kárita; BASTOS, Fernando. Formação continuada de professores de ciências: algumas reflexões. Disponível em: <http://posgrad.fae. ufmg.br/posgrad/viienpec/pdfs/644.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2016.

BATISTA, José de Ribamar Xavier. Formação Continuada de Professores de Física para a Introdução da Física Moderna no Ensino Médio. Disponível em: < http://leg.ufpi.br/subsiteFiles/ppged/arquivos/files/eventos/evento2009/GT.2/3 7\_Jos%C3%A9%20de%20Ribamar%20Xavier%20Batista.pdf >. Acesso em: 21 ago. 2016.

BALAN, Ana Maria Osório Araya; FARIA, Felipe Pereira; LINO, Alex; SANTOS, Thiago Pereira; SILVA, João Ricardo Neves. Grupo de Professores de Física Moderna: A importância do ambiente de discussão na formação continuada de professores. Disponível em: < www.unesp.br/prograd/ENNEP/Trab abalhos%20em%20pdf%20.../T11.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2016.

FOGAÇA, Jennifer. Formação continuada de professores. Disponível em: <http://educador.brasilescola.uol.com.br/trabalho-docente/formacao-continuadaprofessores.htm>. Acesso em: 21 ago. 2016.

HYPOLITTO, Dinéia. Formação Continuada: Saída possível para a melhoria do ensino. Conceitos, polêmicas e controvérsias. Ano IX, nº 35, pg 289290. Disponível em: < http://www.usjt.br/proex/arquivos/produtos\_academicos/289\_ 35.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2016.

SALES, Nilva Lúcia Lombardi. Problematizando o ensino de física moderna e contemporânea na formação continuada de professores: uma análise das contribuições dos três momentos pedagógicos na construção da autonomia docente. 2014. 217 f. Tese (Doutorado) - Curso de Ensino de Ciências (modalidade Física e Química), Usp, São Paulo, 2014. Disponível em: <http://www.

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teses.usp.br/teses/disponiveis/81/81131/tde-03122014-110755/pt-br.php>. Acesso em: 21 ago. 2016.

FRANCISCO, R. H.P. A divulgação científica. Revista Eletrônica de Ciências. v. 29 , 2005 .

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