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RECONHECENDO O HORIZONTE LOCAL: UMA EXPERIÊNCIA COM ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL ENVOLVENDO ELEMENTOS ASTRONÔMICOS

Juliana Conde, Alexandre Furlan

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## RECONHECENDO O HORIZONTE LOCAL: UMA EXPERIÊNCIA COM ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL ENVOLVENDO ELEMENTOS ASTRONÔMICOS

## Juliana Swenson Batista Conde 1 Alexandre Marcelo Furlan 2

Escola Municipal de Ensino Fundamental Ivan Engler de Almeida 1 Escola Municipal de Ensino Fundamental Ivan Engler de Almeida 2

## Resumo

Este estudo relata uma etapa de uma pesquisa que tem sido desenvolvida ao longo de 2016 com alunos do Ensino Fundamental envolvendo elementos astronômicos. O objetivo é estudar o horizonte local a partir do ambiente da escola, de modo que os alunos possam observar e registrar o horizonte local, diferenciando-o das imagens préestabelecidas sobre o referido conteúdo em livros didáticos, longe da realidade local do aluno. A partir da implementação da referida atividade, envolvendo elementos astronômicos e geográficos, como horizonte local e a observação constante do céu, busca-se compreender a regularidade dos movimentos dos astros no céu, em especial do movimento aparente do Sol. No campo do Ensino da Arte, no que se refere ao domínio da linguagem do desenho, buscaremos proporcionar aos estudantes situações de ensino nas quais possam observar o horizonte local, o qual se lhes apresenta em perspectiva real, e registrá-lo em uma superfície plana, segundo o conhecimento de elementos teóricos e técnicos do campo do desenho. Os resultados preliminares têm mostrado a necessidade de se desenvolver, nos estudantes, o hábito da observação e registro sistemáticos do movimento aparente dos astros no céu e a capacidade de relacioná-lo ao espaço geográfico e astronômico .

Palavras-Chave : Ensino de Astronomia. Horizonte Local. Educação Básica.

## Introdução

A observação do céu está entre as atividades mais empreendidas pelo homem, dada sua importância para a medição do tempo e o reconhecimento da regularidade dos movimentos dos astros no céu, como o do Sol e o da Lua, estabelecendo direta relação com as atividades humanas, dentre as quais, pode-se destacar a agricultura, a navegação, a orientação geográfica espacial.

Nesse sentido, este estudo propõe investigar que conhecimentos são revelados por um grupo de alunos do 4º ano do Ensino Fundamental da Educação Básica, de uma escola da rede pública de ensino, do município de Bauru-SP sobre o estudo do conteúdo geográfico-astronômico horizonte local a partir do ambiente da escola. Segundo Almeida (1994), a partir de suas interações com o mundo, para descobrirem o ambiente que os envolve, em uma perspectiva geocêntrica, os alunos utilizam-se do próprio corpo para estruturar percepções e ações que envolvam as relações espaciais, a localização de objetos, os deslocamentos e as distâncias, afirmando o autor que [...] 'A gênese da orientação espacial está no corpo, é a partir dele que, em primeiro lugar, os referenciais de localização devem ser determinados' (ALMEIDA, 1994, p. 43).

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23 a 27 de janeiro de 2017

Também, apoiando-se em pressupostos do campo do Ensino da Arte, no que se refere ao domínio da linguagem do desenho, este estudo busca proporcionar aos estudantes situações de ensino nas quais possam observar o horizonte local, o qual se lhes apresenta em perspectiva real ou fotográfica, e registrá-lo em uma superfície plana, segundo o conhecimento de elementos teóricos e técnicos do campo do desenho, como: posição em relação ao objeto ou ambiente observado, linha e ângulo de visão do observador e posição dos pontos de fuga sobre a linha do horizonte, com ênfase no entendimento das leis da perspectiva.

Portanto, pretende-se articular temáticas presentes em documentos oficias, tais como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (BRASIL, 1998) e, em especial, o Currículo Comum de Arte e de Ciências para o Ensino Municipal da cidade de Bauru (SP), considerando que os alunos do 1º ao 5º anos do Ensino Fundamental devem apropriar-se de conteúdos básicos da Arte por meio das experiências, vivencias e ampliações de repertórios individuais, bem como de conteúdos básicos de Ciências, dentre os quais se destacam aqueles voltados para a Astronomia, como, por exemplo, o ciclo dia e noite e as estações do ano. Neste caso, o foco está no desenvolvimento da capacidade de observação contínua, da coleta de dados, da formulação de hipóteses, da realização de experimentos e do equacionamento coletivo da pesquisa proposta, a partir de aulas interativas e cooperativas.

Vistos em suas formas bidimensionais e tridimensionais, os objetos e ambientes constituem-se em conteúdos curriculares a partir do 4º ano do Ensino Fundamental para o ensino de Arte, onde os alunos devem experimentar tais formas, permitindo-lhes descobrir novas experiências referentes a tamanho, peso, resolver problemas de quantidade e gravidade, bem como vivenciar situações de organização espacial, de modo a ampliar a compreensão de estar no espaço físico e cultural. Já para o ensino de Ciências, para o referido ano, é proposto o estudo de conteúdos, como: ambiente em que vivemos; o Planeta Terra e o Sistema Solar; movimentos da Terra - rotação e translação -; o Sol como fonte de energia e a água como fonte de vida (ciclo da água e estados físicos).

Nessa perspectiva, a partir da análise dos registros diários (desenhos e anotações) dos alunos, pretende-se, a partir desta comunicação, possibilitar um espaço de discussão e reflexão sobre a compreensão dos alunos sobre o conceito de horizonte local, com base na complexidade da transposição conceitual e didática de elementos de um espaço com profundidade física para outro cujas marcas visíveis planas não têm profundidade.

## Metodologia

O procedimento metodológico deste estudo propõe o trabalho, a partir de uma sequência didática, envolvendo atividades de ensino sobre o reconhecimento do horizonte local (ROS, 2009) a partir do ambiente da escola, a ser realizada com os alunos do 4º ano do Ensino Fundamental da Educação Básica, de uma escola da rede pública de ensino, do município de Bauru-SP. A ideia para esta comunicação surgiu a partir de nossa participação e envolvimento em um curso de formação continuada em Astronomia, oferecido aos professores da Educação Básica pela Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho'- UNESP -, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do referido município.

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Acreditamos que, alinhados à perspectiva da Astronomia observacional e de acordo do Compiani (1996) que afirma que Astronomia se torna estimulante do ponto de vista teórico-prático, pois o aluno vê-se frente a uma vastidão de novas informações e questionamentos, que aguçam sua criatividade e interesse, seja necessário e oportuno a proposição e posterior desenvolvimento de ações que possam contribuir para orientar a prática docente no processo de ensinoaprendizagem de conteúdo específicos que envolvam os conceitos de horizonte local e orientação geográfica.

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As atividades começam dentro da própria sala de aula, com discussões preliminares sobre o que sabem os alunos sobre o horizonte local. Na sequência, os alunos, de pé, em círculo e de costas uns para os outros, partindo do centro da sala, a princípio, fazem um reconhecimento do entorno. Em seguida, registram, por meio de desenhos, parte do interior da sala, a que previamente estabelecida coube a cada um desenhar. Por fim, com a mediação do professor, os alunos unem os desenhos, de modo que se justaponham, buscando representar a realidade local (Figura 1). Novamente, deve-se criar um ambiente de discussão para o levantamento de hipóteses e conclusões. Na sequência, o professor apresenta-lhes um modelo de horizonte formado pela junção de distintas fotografias (Figura 2), previamente tiradas do interior da sala de aula com uma câmera apoiada em um tripé (ROS, 2009). Seguem momentos de discussões e comparações entre o modelo criado pelos desenhos dos alunos e aquele montado com as fotografias.

A etapa seguinte, parte da escolha de um local, situado em ponto mais alto possível no âmbito da escola, a fim de favorecer a observação do horizonte distante. Novamente, dispõe-se os alunos em círculo (360º), de costas uns para os outros, de modo que possam desenhar parte do horizonte local, segundo a perspectiva da qual observam (Figuras 3, 4, 5 e 6). Mais uma vez, unem-se os desenhos produzidos e inicia-se, com a mediação do professor, um debate sobre as hipóteses, os detalhes, as expectativas, as dificuldades, as curiosidades e as inferências dos alunos sobre a sequência didática desenvolvida. Os recursos materiais necessários para a

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realização da atividade (ROS, 2009) devem ser providenciados com antecedência, a fim de contemplar todos os alunos com papel sulfite, lápis, borracha e lápis de cor, dentre outros materiais.

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## Resultados

Resultados de pesquisas na área de Ensino de Ciências, para os quais, o grande desafio da Educação, em distintos momentos de nossa história, é resgatar os valores que reforcem o vínculo entre o homem, a sociedade e o ambiente (LANGHI; NARDI, 2007), têm reforçado a importância, durante a escolaridade fundamental, de o estudante poder refletir sobre a natureza do conhecimento e do fazer científico e tecnológico. Embora estes estudos, por sua complexidade, possam ter mais espaço nos anos finais do Ensino Fundamental, sob a orientação do professor e apoiados em exemplos concretos, é durante os anos iniciais da Educação Básica que esta aprendizagem se inicia e poderá se completar na fase

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adulta (BRASIL, 1997).

Nesse sentido, alguns resultados preliminares deste estudo, ainda em fase de análise, destacam que os alunos, de modo geral, mostraram-se favoráveis à proposta de trabalho, por oferecer-lhes momentos de discussão e reflexão sobre o que já sabem e o que aprenderam a respeito de horizonte local e orientação geográfica-espacial. A ênfase assenta-se na falta do hábito da observação contínua do movimento aparente do Sol e de sua posição na esfera celeste ao longo do dia. Acredita-se que a dificuldade encontrada pelos alunos de dar sentido ao fenômeno observado possa estar intimamente associada, conforme afirmam Nardi e Langhi (2005) com a incipiente formação inicial ou continuada de professores da Educação Básica em Astronomia e seu ensino, advindos de distintos cursos de licenciatura, impossibilitando à referida área do conhecimento assumir lugar de destaque nas salas de aula de diversas escolas em nosso país.

## Considerações Finais

Este estudo, ao propor a realização de atividades didáticas com os alunos da Educação Básica envolvendo elementos astronômicos, físicos, geográficos, matemáticos, além daqueles do campo do ensino de Arte, considera a importância da construção ativa do conhecimento pelo aluno em um ambiente onde possa fazer suas próprias descobertas. Nesse sentido, pretende contribuir com o processo de ensino e aprendizagem de determinados conteúdos de Astronomia, Geografia, Matemática, Arte e demais áreas afins e suas relações, buscando possibilitar e facilitar ao estudante um contato prático com tais conceitos.

## Referências

ALMEIDA, R. D.; PASSINI, E. Y. O espaço geográfico : ensino e representação. São Paulo: Contexto, 1994.

BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais (PCNs). Brasília: MEC/SEF, 1997. 126p.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental

: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília, DF, 1998. 138p.

COMPIANI, M. As Geociências no ensino fundamental: um estudo de caso sobre o tema 'A formação do Universo'. Campinas: FE/UNICAMP, 1996, 216pp. (Tese de doutorado).

LANGHI, R.; NARDI, R. Dificuldades interpretadas nos discursos de professores dos anos iniciais do ensino fundamental em relação ao ensino da Astronomia. RELEA Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia, n 2, p. 75-92, 2005. Disponível em: &lt;http://www.iscafaculdades.com.br&gt;. Acesso em julho 2016.

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LANGHI, R.; NARDI, R. Astronomia nos anos iniciais do Ensino Fundamental: interpretação das expectativas e dificuldades presentes em discursos de professores. Revista de Enseñanza de la Física , Buenos Aires, v.20, p.17-32, 2007.

ROS, R.M., Estudio Del Horizonte Local, Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia -RELEA , n.8, p. 51-70, 2009. Disponível em: &lt;http://www.iscafaculdades.com.br&gt;. Acesso em agosto 2016.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.