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ALGUNS DADOS SOBRE O PERFIL DE LICENCIANDOS EM FÍSICA INGRESSANTES EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA PAULISTA

Jessica Dos Reis Belíssimo, Fabiano Willian Parma, Roberto Nardi, Maria José Pereira Monteiro De Almeida

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ALGUNS DADOS SOBRE O PERFIL DE LICENCIANDOS EM FÍSICA INGRESSANTES EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA PAULISTA

Jéssica dos Reis Belissimo , Fabiano Willian Parma , Roberto Nardi , Maria 1 2 3 José Pereira Monteiro de Almeida 4

1 UNESP/Faculdade de Ciências jessicabelissimo@gmail.com

2 UNESP/Faculdade de Ciências fabiano-wp@hotmail.com

3 UNESP/Departamento de Educação nardi@fc.unesp.br

4 UNICAMP/Departamento de Ensino e Práticas Culturais mjpma@unicamp.br

## Resumo

Relatamos aqui parte de um estudo longitudinal mais amplo, que visa compreender aspectos do imaginário de uma amostra de futuros professores de Física sobre temas como o conhecimento científico, o ensino de ciências e o processo de constituição de saberes para a docência, desde o ingresso na universidade até a conclusão do curso de licenciatura. Para tanto, os licenciandos vêm sendo acompanhados desde seu ingresso na instituição em 2014, quando responderam a um questionário inicial, com trinta questões sobre as temáticas acima citadas; anualmente novas tomadas de dados vêm sendo realizadas, procurando entender como se modificam seus imaginários sobre essas questões durante a formação inicial. A questão central é analisar como a pesquisa em educação e/ou em ensino de física interfere na formação desses futuros docentes. Nesta comunicação analisamos dados iniciais, referentes ao perfil dos licenciandos ao entrarem na universidade. Destacamos nesta comunicação respostas dadas a uma das questões, referente à procedência dos estudantes com relação ao ensino médio cursado. Os dados mostram que cerca da metade dos licenciandos estudou em escolas particulares; os demais em escolas públicas ou técnicas. Esses dados, bem como os demais que vêm sendo estudados, deverão ser relacionados visando responder à questão central do estudo. Estão previstas entrevistas ao final do processo, que deverão receber o tratamento da análise de discurso de linha francesa, originada por Pêcheux e desenvolvida no Brasil por Orlandi e outros.

Palavras-chave : Ensino de Física, Formação inicial de Professores de Física. Análise de Discurso. Procedência de ingressantes no ensino superior.

## Introdução

A pesquisa em Ensino de Ciências vem se consolidando nas últimas décadas no país, com o fortalecimento de grupos de pesquisa e a consequente instituição de programas de pós-graduação, que têm gerado considerável conhecimento acumulado nessa área. Nardi (2005) entrevistou pesquisadores considerados importantes neste processo, procurando entender os fatores que contribuíram neste processo. Uma das constatações é que, embora a pesquisa tenha avançado consideravelmente, a interferência no ensino de sala de aula na educação básica não tem acompanhado este ritmo. E um dos caminhos para reverter esta situação é envolver, desde a formação inicial, os futuros professores com a pesquisa e seus resultados. A investigação atual procura, portanto, acompanhar licenciandos de física, desde o início até a conclusão do curso, analisando como seus imaginários sobre a ciência e seu ensino vão se modificando,

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23 a 27 de janeiro de 2017

ou seja, como se constituem os saberes docentes para o ensino de física nesta amostra de licenciandos. A ideia central é analisar como a pesquisa interfere na formação de uma amostra de ingressantes em um curso de licenciatura em Física de uma universidade pública paulista. Ou seja, compreender detalhes do processo de formação de professores de Física, em especial a contribuição da pesquisa em ensino de física na constituição de saberes para a docência.

A fundamentação teórica deste estudo está embasada em discussões de autores nacionais e do exterior que estudam aspectos sobre a formação de professores e, de forma mais específica, como a produção acadêmica interfere na formação inicial ou continuada de docentes.

Nesta comunicação analisamos dados iniciais, referentes ao perfil dos licenciandos ao entrarem na universidade, quanto à procedência escolar anterior ao ingresso na universidade. Destacamos nesta comunicação respostas dadas a uma das questões, referente à procedência dos estudantes com relação ao ensino médio cursado antes do ingresso na universidade.

## Aportes Teóricos

A formação de professores é definida por Garcia (1999) como a área de conhecimentos, investigação e de propostas teóricas e práticas que estudam os processos através dos quais os professores, em formação ou em exercício, implicam-se individualmente ou em equipe, em experiências de aprendizagem através das quais adquirem ou melhoram os seus conhecimentos, competências e disposições.

Segundo Lüdke (2005) a interação entre a universidade e a escola de educação básica mostra-se como o alicerce de uma ponte, cuja construção deveria ter sido lançada há muito tempo, ou talvez até tenha sido, sem que tenhamos, entretanto, tido o cuidado de explorar devidamente toda a riqueza dessa possibilidade. Possibilidade dada às escolas e seus professores de crescerem recebendo complementações da formação obtida na licenciatura, e também dada à universidade pelo contato direto com problemas vitais da educação básica.

Tardif (2004) em suas pesquisas não desconsidera a relação dos conhecimentos oriundos das universidades com os saberes adquiridos e produzidos na prática docente, defendendo essa prática interativa entre saber profissional e os saberes das ciências da educação. De acordo com o autor, o saber dos professores é o saber deles, e está relacionado com a pessoa e a identidade deles, com a sua experiência de vida e com a sua história profissional, com as suas relações com os alunos em sala de aula e, com os outros atores escolares.

Portanto, uma questão presente ao longo dessa pesquisa refere-se a compreender, no âmbito do trabalho do professor, quais os papeis da teoria e da prática, bem como indagar quais são os tipos de teoria e de prática. Além disso, no período em referência, embora muitas das problemáticas investigadas tenham a ver com o binômio 'teoria-prática', outros aspectos do trabalho e da formação do professor foram objetos de estudos e pesquisas. Diversos autores (GOODSON, 2001; GARCÍA, 1999; NÓVOA, 2000; TARDIF, 2004) consideram os elementos da história de vida e do percurso profissional dos professores como essenciais para entender como estes lidam com as questões cotidianas da docência. Essas análises e investigações mostraram que os estudantes de graduação e professores da escola básica apresentam determinadas convicções, conhecimentos, habilidades e disposições que interferem positiva ou negativamente no trabalho docente, mas que

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não se formaram em razão de estudos de natureza acadêmica, e sim como consequência de diversos episódios e influências ligados à trajetória pessoal de cada indivíduo.

Para a análise dos dados recolhidos nos levantamentos e nas entrevistas, estão sendo utilizados aportes teóricos da Análise de Discurso na linha francesa, originada por Pêcheux e desenvolvidas no Brasil por autores como Orlandi e outros pesquisadores. Esta pesquisa é de natureza qualitativa, apoiando-se em aportes como os estabelecidos por Flick (2009).

## A Pesquisa

Os resultados aqui apresentados são parte de um 'estudo longitudinal sobre o imaginário de licenciandos em física', que visa analisar detalhes do processo de formação, focando principalmente na contribuição que a pesquisa e seus resultados para a formação de professores; neste caso, a formação inicial.

- O estudo procura acompanhar licenciandos, futuros professores de Física, desde o início da graduação até a conclusão do curso de licenciatura, visando analisar aspectos de seus imaginários e as alterações que ocorrem durante sua permanência no curso. Nesta comunicação analisamos dados iniciais, referentes ao perfil dos licenciandos ao entrarem na universidade. Destacamos nesta comunicação respostas dadas a questões, referente à procedência dos estudantes com relação ao ensino médio cursado e seus imaginários sobre o desempenho no ensino médio.

## Dados Iniciais

A recolha dos dados iniciou-se com a aplicação de um primeiro questionário, quando 49 dos 60 ingressantes no curso de licenciatura em Física se propuseram a responder 30 questões que visava conhecer aspectos de seus imaginários sobre a ciência, a física, a educação, a profissão de professor e vários outros temas definidos pelos pesquisadores.

Esses questionários, modificados anualmente, estão sendo aplicados no início de cada ano escolar, até que os licenciandos concluam o curso, ao final do ano de 2017. Os licenciandos assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, conforme recomenda a Comissão de Ética desta Unidade Universitária, no qual consta o compromisso de que suas identidades serão mantidas em sigilo e os dados coletados serão utilizados apenas para fins de pesquisa. O objetivo principal da pesquisa é estudar como o imaginário de cada um desses futuros professores pode se modificar, tendo em vista o acúmulo de conhecimentos decorrente, também, das disciplinas cursadas durante a graduação.

Uma das questões constantes no primeiro dos questionários aplicados, quando do início do curso, em 2014, procurava conhecer o perfil dos licenciandos: onde o aluno cursou o ensino médio, como foram suas aulas de física, seu desempenho escolar e também o motivo de sua escolha pelo curso de licenciatura em física. Os gráficos abaixo resumem as respostas dadas por 49 dos 60 licenciandos que responderam a esta questão do primeiro questionário.

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Os dados mostram que 49 (94%) dos respondentes cursaram o ensino médio regular, 4% (três licenciandos) o ensino médio integral e 2% (um deles) cursou o EJA, Educação de Jovens e Adultos. Da amostra, 47% dos alunos cursaram o Ensino Médio em escolas particulares, 37% de escolas públicas, 14% de escola técnicas e 2% foram bolsistas de escolas particulares.

Observa-se que a maioria dos 49 alunos frequentou o ensino médio regular, exceto três deles; um que cursou ensino de jovens e adultos (EJA), e dois o ensino médio integral. Quase metade dos licenciandos (24/49; 48,98%) estudaram em escolas particulares; dezoitos deles estudaram em escolas públicas regulares e sete em escolas técnicas (ETEC, SENAI e outras). Outro dado quanto à formação, mostra que mais da metade dos licenciandos (27/49; 55,1%) frequentaram curso preparatório para o vestibular (cursinho) antes de ingressar na universidade.

Apenas 1% dos respondentes estudou fora do estado de São Paulo; 25% deles, na mesma cidade onde ingressaram no curso de licenciatura em Física, conforme mostra o gráfico abaixo.

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Avaliando as aulas da disciplina de Física que cursaram na educação básica, a maioria (64%) dos licenciandos sentiram-se satisfeitos; 21% mostram restrições. As causas da satisfação foram principalmente o bom desempenho do professor; os demais referem-se ao desempenho sofrível do professor, em geral não licenciado em física, e por falta de 'aprofundamento dos conteúdos'; em alguns casos por conta da metodologia de ensino empregada pelo professor se reduzir a conteúdos teóricos e resolução de problemas tradicionais.

Em relação a seu desempenho no ensino médio, quase metade dos alunos (43%) entendem que tiveram um bom desempenho no ensino médio; para 29% o desempenho foi excelente, 24% regular e 4% ruim. Especificamente com relação à disciplina de Física, o número de alunos com desempenho excelente é de 39% e nenhum dos respondentes considera seu desempenho ruim.

Os dados mostram ainda que 12 alunos não recordam o que foi estudo na disciplina de Física; os demais recordam de conteúdos de mecânica; alguns referem-se a temáticas como ondas, termologia, óptica e eletricidade.

Quase a metade da amostra de licenciandos frequentou cursos preparatórios para o vestibular; com relação a escolha pelo curso de Física, metade deles afirma que a escolha reflete a facilidade ou o gosto pela física e a matemática; vários destacam a influência dos professores de física para a definição por esta área.

## Considerações Finais

Esses dados, bem como os demais que vêm sendo estudados, deverão ser relacionados visando responder à questão central do estudo. Por exemplo, entender se a procedência do aluno, acadêmica e socialmente se reflete em seu desempenho no curso. Nesse sentido, poderão também ser cotejados com resultados recentes de

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pesquisa que mostram a escolha profissional de licenciandos (Kussuda, 2012) e outros estudos sofre a formação inicial de professores de física em outras instituições de ensino superior. Estão previstas entrevistas ao final do processo, a fim de analisar os discursos dos licenciados. Para tanto, os estudos de Pêcheux (1990) e Orlandi (1999) deverão ser apropriados.

## Referências

FLICK, U. Introdução à pesquisa qualitativa . 3.ed. Bookman/Artmed: Porto Alegre, 2009.

GARCÍA, C. M. Formação de professores : para uma mudança educativa. Porto: Porto Editora, 1999. 271p.

GAUTHIER, C. et al. Por uma teoria da pedagogia . Pesquisas contemporâneas sobre o saber docente. 3.ed. Ijuí: Unijuí, 2013.

GOODSON, I. Dar voz ao professor: as histórias de vida dos professores e o seu desenvolvimento profissional. In: NÓVOA, A. (Org.). Vidas de professores . Porto: Porto Editora, 1992, p. 63-78.

KENNEDY, M. M. The connection between research and practice. Educational Researcher , v.26, n. 7, p. 4-12, Oct. 1997.

KUSSUDA, S. R. A escolha profissional de licenciados em física de uma universidade pública . 2012. 179 f. Dissertação (Mestrado em Educação para Ciências) - Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2012.

LÜDKE, M. Aproximando universidade e escola de educação básica peça pesquisa. Cadernos de Pesquisa , v.35, n. 125, p. 81-109. 2005.

McINTYRE, D. Bridging the gap between research and practice. Cambridge Journal of Education , v. 35, n. 3, p. 357-382, Nov. 2005.

NARDI, R. A área de ensino de ciências no Brasil : fatores que determinam sua constituição e suas características segundo pesquisadores brasileiros. Tese (Livre Docência) - UNESP, Faculdade de Ciências, Bauru, 2005 .

NÓVOA, A. (Org.). Vidas de Professores . 2. ed. Porto: Porto Editora, 2000.

ORLANDI, E. P. Análise de discurso : princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 1999.

PECHEUX, M. O discurso : estrutura ou acontecimento. 3. ed. Capinas: Pontes, 1990.

TARDIFF, M. Saberes docentes e formação profissional . 4.ed. Petrópolis: Vozes, 2004. 325p.

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