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O PERFIL ACADÊMICO-PROFISSIONAL DE PROFESSORES BRASILEIROS PARTICIPANTES DA ESCOLA DE FÍSICA DO CERN

Luciano Denardin De Oliveira, Rene William Morais De Lima, João Batista Siqueira Harres

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O PERFIL ACADÊMICO-PROFISSIONAL DE PROFESSORES BRASILEIROS PARTICIPANTES DA ESCOLA DE FÍSICA DO CERN

## Luciano Denardin de Oliveira , Rene William Morais de Lima , João Batista 1 2 Siqueira Harres 3

- 1 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/Faculdade de Física, luciano.denardin@pucrs.br
- 2 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/Faculdade de Física, rene.william@acad.pucrs.br

## Resumo

Este trabalho é parte de uma pesquisa mais ampla sobre como professores de física integram à sua prática docente questões associadas à produção científica contemporânea a partir de uma visita a um centro de física avançada. Neste estudo é analisada a evolução de alguns indicadores do perfil acadêmico-profissional de professores participantes das edições anuais da Escola de Física do CERN em língua portuguesa. Oferecido desde 2009, este curso de formação continuada ocorre no próprio CERN e é promovido anualmente pela Sociedade Brasileira de Física. Foram analisados 103 currículos na plataforma Lattes de professores que participaram das edições entre 2009 e 2013. Os indicadores mostram que os professores participantes são majoritariamente das redes municipal, estadual e federal de ensino, oriundos de quase todos os estados brasileiros. Constatou-se que após a participação na escola de Física do CERN muitos professores buscaram cursos de pós-graduação. Além disso, identificou-se uma maior produção acadêmica, bem como uma significativa realização de atividades de divulgação científica envolvendo o CERN.

Palavras-chave : Escola de física do CERN em Língua Portuguesa; física de partículas; desenvolvimento profissional docente.

## Introdução

Este estudo apresenta a evolução de alguns indicadores do perfil acadêmico-profissional de professores participantes da Escola de Física da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) em língua portuguesa. O trabalho faz parte de uma pesquisa mais ampla sobre como professores de física integram à sua prática docente questões associadas à produção científica contemporânea a partir de uma visita ao CERN.

- O CERN foi criado em 1954 e está localizado na fronteira franco-suíça, próximo à Genebra. Lá se encontra o maior acelerador de partículas do mundo, o Grande Colisor de Hádrons (Large Hadron Collider- LHC), um acelerador de 27 quilômetros de comprimento, localizado 100 metros abaixo da superfície terrestre e que acelera prótons até 99,9999% da velocidade da luz. As colisões entre dois feixes dessas partículas que viajam em sentidos opostos são 'visualizadas' em quatro detectores distribuídos ao longo do perímetro do LHC.

Além de suas investigações em física de partículas e áreas afins, o CERN mantém diversos programas ligados à educação, divulgação científica e formação de professores. Dentre eles, inclui-se a Escola de Física do CERN em língua

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portuguesa ( CERN Portuguese Language Teachers Programme ) (CERN/PLTP), cujo objetivo central é proporcionar formação abrangente em física de partículas para professores atuantes na Educação Básica, fazendo que interajam e tomem conhecimento das pesquisas desenvolvidas no CERN (ABREU, 2015).

Destinado a professores de Ensino Médio (ou equivalente), a CERN/PLTP ocorre no segundo semestre de cada ano e tem carga-horária de 60 horas. O curso é ministrado no próprio CERN, geralmente em três turnos, ora com palestras e minicursos, ora com visitas às instalações da organização (GARCIA, 2015). Alguns temas das palestras ofertadas versam sobre, por exemplo: o histórico do CERN e pesquisas atuais em física de partículas; a física dos detectores do LHC; aplicações da física de partícula e o sistema de aquisição de dados do LHC. Em visitas guiadas os professores podem conhecer as salas de controle dos detectores e alguns aceleradores de partículas menores, descerem até o túnel no qual se encontra o LHC e outras instalações, interagindo com pesquisadores no seu próprio ambiente de trabalho. Também é oferecida uma oficina para a construção de uma câmara de nuvens utilizando materiais de baixo custo e de fácil reprodução para ser utilizada com alunos do ensino médio (GARCIA, 2015).

A CERN/PLTP conta com a participação de professores brasileiros desde 2009 e o processo seletivo desses professores, bem como o acompanhamento das atividades no CERN, é realizado pela Secretaria de Ensino da Sociedade Brasileira de Física (SBF). Os professores selecionados têm o compromisso de socializar as experiências vividas no CERN, o que ocorre a partir de atividades de investigação com seus alunos, palestras de divulgação científica para a comunidade em geral, visitas virtuais ao CERN, uso de sites, blogs e redes sociais. Não é ambição do programa transformar o professor em um pesquisador em física de partículas, mas sim fazê-lo um multiplicador e divulgador científico, capacitando-o para discutir aspectos de física de partículas e de pesquisas atuais nesta área em sala de aula e em comunidades não científicas (ABREU, 2015).

Acredita-se que a experiência vivenciada até 2016 por quase duzentos professores pode ser potente para produzir, no âmbito profissional, mudanças significativas na forma como eles ministram suas aulas e pensam suas práticas pedagógicas. Assim, considera-se pertinente investigar essas questões, de forma que, neste trabalho foram analisados as produções bibliográficas e técnicas e o nível de formação acadêmico dos professores antes e depois de participarem da CERN/PLTP. Além disso, buscou-se construir um perfil acadêmico-profissional dos professores participantes das várias edições da CERN/PLTP e compreender as implicações que essa formação promove.

## Metodologia

Neste trabalho, apresenta-se os resultados de uma pesquisa envolvendo como sujeitos os participantes das edições anuais de 2009 até 2013 da CERN/PLTP. O objetivo desse estudo é delinear o perfil profissional desses professores antes e depois de suas participações nesse curso de formação continuada. Avalia-se a evolução do nível de formação acadêmica e da produção técnico-bibliográfica dos professores, analisando as possíveis implicações e contribuições da CERN/PLTP no desenvolvimento profissional desses professores.

As informações sobre a região brasileira e o tipo de rede de atuação dos professores foram obtidas em Garcia (2015). Além disso, analisou-se 103 currículos

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atualizados dos professores participantes disponíveis na plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os dados foram coletados em maio de 2015 e a análise contabilizou períodos iguais antes e depois da participação do professor na CERN/PLTP. Por exemplo, caso o professor tenha frequentado a edição de 2011, considerou-se a sua produção no período anterior de três anos (anos de 2008, 2009 e 2010) e no período posterior também de três anos (2012, 2013 e 2014). No ano de participação (no exemplo, 2011), avaliou-se cada trabalho individualmente a fim de verificar se era consequência da participação na CERN/PLTP ou não.

## Resultados e Análise

Com base na coleta de dados, foi possível avaliar que mais de três quartos dos sujeitos mantêm seus currículos relativamente atualizados. A atualização do currículo Lattes não é necessária para o professor do Ensino Médio, uma vez que sua carreira não é balizada por sua produção ao contrário do que é verificado em docentes do ensino superior. Essa significativa atualização recente dos currículos pode ter explicação no elevado número de professores que são mestres ou doutores ou que passaram a frequentar cursos de pós-graduação após a participação na CERN/PLTP.

Verificou-se que 62,5% dos participantes são das regiões Sul e Sudeste, sendo que os estados de São Paulo (24 professores), Rio de Janeiro (16 professores) e Rio Grande do Sul (10 professores) possuem os maiores índices de participantes. A região Nordeste, apesar de ser a segunda com maior percentual de participação (22,3%), tem um pequeno número de professores por estado. Bahia e Rio Grande do Norte já tiveram seis representantes nessas edições, enquanto que o estado do Ceará teve cinco. Os demais seis estados da região contribuíram com um número menor de participantes. Os estados de Acre, Alagoas, Amapá, Rondônia e Sergipe não contaram com representantes neste programa até a edição de 2013. Um ponto a ser destacado é que existe uma distribuição bastante uniforme de professores vindos das capitais e do interior dos estados (58 participantes de capitais e 55 do interior dos estados).

Constata-se que mais da metade dos professores (52,7%) são das redes estaduais e municipais, 30,0% trabalham na rede federal de ensino e o restante são professores das redes particulares. Até 2013, apenas 19 professores de escolas particulares frequentaram a CERN/PLTP.

A participação de professores brasileiros na CERN/PLTP até a edição de 2014 foi financiada pela CAPES e estava vinculada ao Programa de Cooperação Internacional para Professores da Educação Básica. O programa brasileiro estabelece que a maioria das vagas deva ser preenchida por professores de escolas públicas, sendo destinadas, por ano, entre duas e cinco vagas para professores de escolas privadas, justificando a participação proporcionalmente menor por parte de professores de escolas privadas no curso. Destaca-se ainda que 35 professores participantes são também supervisores no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), outro programa mantido pela CAPES.

A análise dos currículos Lattes permite obter informações quanto à formação acadêmica dos docentes no ano em que participaram da CERN/PLTP e mapear sua evolução até o ano vigente. A Figura 1 apresenta o estágio de formação acadêmica

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dos professores no ano em que participaram da CERN/PLTP (antes) e em maio de 2015 (depois). Pode-se observar que a maioria dos professores, quando frequentou a Escola, possuía o título de mestre (50 participantes) , e apenas um já havia 1 realizado estágio pós-doutoral. No total, no ano em que estiveram nessa formação continuada mais de 67% dos participantes já tinham ou estavam buscando titulação de pós-graduação stricto sensu. Esse número alcança mais de 70% quando contabilizado em maio de 2015.

Comparando a formação anterior e posterior à participação na Escola, verifica-se uma diminuição no número de professores apenas graduados, especialistas, mestres ou cursando mestrado, e um aumento no número dos que são doutores ou que estão cursando doutorado. Isso mostra que esses professores seguem buscando qualificação profissional de mais alto nível.

Figura 1: Titulação acadêmica de mais alto nível ou em curso dos professores antes do ano da participação e depois, até maio de 2015, de participarem da Escola de Física do CERN entre 2009 e 2013.

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Analisando individualmente os currículos, foram recorrentes os casos nos quais professores concluíram sua formação de mais alto nível (graduação ou mestrado) há vários anos (alguns chegavam há mais de uma década) e, após a participação na CERN/PLTP, retomaram os estudos vinculando-se a programas de pós-graduação de mestrado e/ou doutorado.

Pela análise dos currículos, verificou-se que, dos 103 participantes, 57 professores não ingressaram em cursos de pós-graduação depois da participação na CERN/PLTP. Excluindo deste montante os que já eram doutores (10 professores) ou pós-doutor (um professor), 47% dos professores não avançaram na sua formação acadêmica de mais alto nível desde o ano em que frequentaram a CERN/PLTP. Desse percentual, 10 professores seguem apenas com o título de graduado, 18 são especialistas e 19 possuem título de mestre. Do total de 10 professores que continuam apenas com a graduação após a participação na CERN/PLTP, seis são da última edição avaliada (2013). Seguindo a tendência

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anterior, é possível que esses professores venham a buscar um curso de pósgraduação num futuro breve, uma vez que a participação na Escola ainda é recente.

Até 2015, excluindo os professores que já eram doutores, observa-se que 36% dos participantes estavam matriculados em algum tipo de programa de pósgraduação em nível de mestrado ou doutorado. Além disso, constatou-se que 55% dos mestrandos/mestres e 60% dos doutorandos/doutores são de cursos de pósgraduação na área de ensino. Desse total, quatro dissertações de mestrado e duas teses de doutorado versavam sobre a inserção de temas de física moderna e contemporânea no Ensino Médio. Desses seis trabalhos, duas dissertações e uma tese estão associadas ao ensino de física de partículas.

Em relação à produção bibliográfica e técnica, foi possível avaliar artigos publicados em periódicos, trabalhos apresentados em eventos e demais trabalhos (palestras, entrevistas, minicursos, etc.) a partir das informações disponíveis nos currículos Lattes dos participantes.

A Figura 2 apresenta a média anual de artigos publicados por participante. Pode-se observar que, salvo na edição de 2013, o número de artigos publicados é maior ou igual no período posterior à participação na Escola quando comparado ao mesmo período anterior correspondente. Analisando individualmente os currículos dos professores, verificou-se que aproximadamente 5% dos artigos publicados relacionam-se de forma direta ou indireta à CERN/PLTP. As temáticas envolvem, em geral, a explicação do funcionamento do LHC e seus detectores ou a abordagem da física envolvida no LHC para uso em sala de aula, contextualizando-as com outras áreas da disciplina, como termodinâmica e eletromagnetismo.

Figura 2: Comparação entre a média anual de artigos publicados por participante antes e depois de frequentarem a Escola de Física do CERN.

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Em termos quantitativos, os participantes da edição de 2013 apresentam uma redução na sua produção no período posterior (2014) em comparação ao anterior da participação (2012). Por se tratar da análise de apenas um ano, existe a possibilidade dessa redução estar associada à demora da resposta dos aceites de artigos por parte dos periódicos.

A Figura 3 apresenta a média anual de trabalhos publicados em atas de eventos por participante. Observa-se que, salvo na primeira edição da CERN/PLTP (2009), em todas as demais edições a quantidade desse tipo de publicação ou

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reduziu ou se manteve igual no período posterior à participação na escola quando comparado ao mesmo período anterior correspondente. Uma possível explicação para a redução poderia ser que os professores passaram a submeter menos trabalhos para eventos de pequeno porte e dedicaram-se mais à produção de artigos para submissão em periódicos, uma vez que muitos passaram a cursar pósgraduação stricto sensu. Outra explicação possível seria a possibilidade dos professores optarem mais por participarem em eventos na modalidade de ministrantes de minicursos, não apresentando trabalhos nas formas de comunicações orais e pôsteres.

Figura 3: Média anual de trabalhos publicados em eventos por participante antes e depois de frequentarem a Escola de Física do CERN.

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A Figura 4 apresenta a média anual, por participante, em relação a demais trabalhos de divulgação científica. Para este indicador considerou-se atividades tais como apresentação de trabalhos, minicursos, palestras e comunicações realizadas pelos professores. Também foi considerado a realização de mostras de atividades científicas, participações e entrevistas em programas de rádio ou TV.

Uma possível explicação para o valor médio superior deste item quando comparado às publicações em periódicos e em atas de eventos pode ser a de que esses trabalhos abrangem diversas formas de divulgação. Além disso, a submissão e o desenvolvimento dessas atividades podem ser, em alguns casos, de menor exigência; por exemplo, não havendo a necessidade de avaliação por árbitros externos. Todavia, observa-se um aumento significativo dessas contribuições para a divulgação científica em todas as edições no período posterior à participação na escola. Esse aumento é importante, pois indica que os professores, após a ida ao CERN, desenvolvem mais atividades nos moldes de palestras, minicursos e mostras interativas e divulgação científica. Este fato é um forte indicativo de que o professor da Educação Básica pode perceber-se como um coformador, e a sua participação na CERN/PLTP passa a ser entendida como uma atividade relevante em sua carreira profissional. Ademais, essa participação provavelmente faça o professor se sentir valorizado pela oportunidade, levando-o ao compromisso e ao desejo de socializar a experiência, desenvolvendo atividades diferenciadas a partir da vivência

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no CERN, bem como atendendo à solicitação dos organizadores da CERN/PLTP no que diz respeito à realização de atividades de divulgação científica das pesquisas lá desenvolvidas. Pela análise dos currículos observa-se que muitos professores realizam atividades e projetos com os seus alunos em sala de aula, mas também ministram palestras em outros estabelecimentos de ensino. Essas palestras estão contabilizadas neste indicador e um grande número de trabalhos incluídos nesta categoria está associado diretamente ao CERN. Além disso, alguns professores realizaram, em contextos diferentes, atividades envolvendo visitas virtuais ao detector ATLAS do LHC, caracterizada, no currículo Lattes, como mostra de atividades. Entrevistas em rádio e TV também são comuns.

Figura 4: Média anual de trabalhos de divulgação científica desenvolvidos por participante antes e depois de frequentarem a Escola de Física do CERN.

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Apesar de verificar-se uma redução nos trabalhos apresentados em eventos (Figura 3), a análise dos currículos indicou um aumento na participação de eventos após a participação na Escola. Em geral, essa participação não estava vinculada à apresentação de trabalhos na forma oral ou em pôster, os quais constituem, na maioria das vezes, as publicações nas atas dos eventos. O aumento significativo na participação ativa de professores em eventos deve-se mais pela oferta de cursos de curta duração (minicursos), exposições e comunicações. Nesse sentido, o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), principal evento na área de ensino de física no país, tem promovido em suas últimas edições vários minicursos, exposições e outras atividades sob a responsabilidade de professores participantes da formação no CERN. Elas expressam uma importante contribuição desses professores na divulgação das experiências vivenciadas no CERN, refletindo o papel incorporado pelo professor como um protagonista na educação nacional, sendo um agente ativo na coformação de seus pares.

## Considerações Finais

Este trabalho objetivou caracterizar a participação dos professores brasileiros na CERN/PLTP e identificar as possíveis mudanças na sua trajetória

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acadêmico-profissional após ter frequentado essa modalidade de formação continuada.

Constatou-se um aumento no número de professores que buscaram cursos de formação stricto sensu após a participação na CERN/PLTP. Talvez essa busca ocorresse de forma natural independentemente da participação na Escola, dado o perfil do professor. Todavia, o fato de muitos profissionais com título de mestre já há bastante tempo retornarem à universidade depois de participarem da CERN/PLTP pode caracterizar essa experiência como agente desencadeador desse processo. Cabe ressaltar ainda que quase 60% dos professores mestres/mestrandos, doutores/doutorandos obtiveram ou deverão obter brevemente essa titulação em programas de pós-graduação da área de ensino.

Verificou-se que a participação de professores em eventos da área tem diminuído em termos de comunicações orais e painéis e aumentado na forma de minicursos, exposições e mostras. O fato dos professores oferecerem minicursos em eventos vai ao encontro de um dos objetivos do CERN em relação à CERN/PLTP, que é o de transformar o professor em um multiplicador e divulgador da ciência. Os dados mostram que os professores assumem esse compromisso, tendo uma postura ativa e protagonista, oferecendo pequenas capacitações e formações continuadas em eventos regionais e nacionais. Nessas e outras oportunidades divulgam as pesquisas do CERN, relatam a experiência na CERN/PLTP e realizam atividades teórico-práticas envolvendo física de partículas para serem replicadas em sala de aula. Possivelmente essas vivências possam motivar outros professores a se candidatem a edições futuras da CERN/PLTP.

Em linhas gerais, pode-se destacar que o programa CERN/PLTP tem propiciado, tanto pela vivência em si, no contexto do Centro, como pela capacitação dos participantes, uma oportunidade para a qualificação dos professores de física nas escolas de Ensino Médio. Por fim, acredita-se que outras pesquisas envolvendo os professores participantes na CERN/PLTP devam ser realizadas. Entre elas, destaca-se a análise mais detalhada das atividades didáticas desenvolvidas pelos professores na volta ao Brasil e as possíveis mudanças nas suas concepções sobre ensino e natureza da ciência.

## Referências

ABREU, P.T. As escolas de professores no CERN em língua portuguesa. In: GARCIA, N.M.D. (Org.) Nós, professores brasileiros de física do ensino médio, estivemos no CERN . São Paulo: Sociedade Brasileira de Física: Editora Livraria da Física. 2015. p. 37-58.

GARCIA, N.M.D. A Escola de Física CERN e sua contribuição na formação de professores brasileiros de Física do Ensino Médio. In: GARCIA, N.M.D. (Org.) Nós, professores brasileiros de física do ensino médio, estivemos no CERN . São Paulo: Sociedade Brasileira de Física: Editora Livraria da Física. 2015. p. 59-82.

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