PROBLEMATIZANDO O CONCEITO DE INÉRCIA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA
João Pedro De Oliveira, Gabriel Garcia Pelegrina Silva, Gabriella Teresinha Lima Teixeira, Harumi Adriane Hiraichi, Lara Nicolau Silva, Leonardo Aleixo Rodrigues, Paulo Henrique Borges Ferreira, José Fernando Condeles, Nilva Lúcia Lombardi Sales, Alex Ricardo De Oliveira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2017
Texto completo
## PROBLEMATIZANDO O CONCEITO DE INÉRCIA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA
João Pedro de Oliveira , Gabriel Garcia Pelegrina Silva , Gabriella Teresinha 1 2 Lima Teixeira , Harumi Adriane Hiraichi , Lara Nicolau Silva , Leonardo Aleixo 2 2 2 Rodrigues 2 , Paulo Henrique Borges Ferreira , Alex Ricardo de Oliveira , José 2 3 Fernando Condeles 4 , Nilva Lúcia Lombardi Sales 5
1 Curso de Graduação em Física - Licenciatura/UFTM, joaofisica2014@outlook.com
2 Curso de Graduação em Física - Licenciatura/UFTM
3 Escola Estadual Francisco Cândido Xavier, alriolfisica2003@yahooo.com.br
4 Departamento de Física/ICENE/UFTM, condeles@fisica.uftm.edu.br
5 Departamento de Física/ICENE/UFTM, nilva@fisica.uftm.edu.br
## Resumo
Este trabalho é um relato de experiência dos pibidianos da UFTM a partir de uma atividade elaborada a partir dos Três Momentos Pedagógicos sobre Inércia. A proposta foi construir e aplicar uma atividade a partir de um roteiro que não fosse de característica expositiva e transmissiva, mas sim que levasse a dialogicidade para as salas de aula e auxiliasse os alunos na construção dos seus conhecimentos de física a partir de seus conhecimentos prévios. Esse roteiro foi pensado para fazer parte da realidade local dos alunos de primeiro ano das escolas públicas de Uberaba - MG, parceiras do projeto, que utilizavam o transporte público para se locomoverem até a escola. Essa atividade foi aplicada para 13 turmas da primeira série do Ensino Médio de três escolas parceiras. Ao final da aplicação dos roteiros, apesar de certas dificuldades, a atividade se mostrou de grande importância e satisfatória já que no decorrer das aulas a característica dialógica foi atingida e as respostas obtidas nos roteiros apresentaram explicações corretas sobre a primeira lei de Newton.
Palavras-chave : Três Momentos Pedagógicos, PIBID, ensino de física.
## Introdução
Neste trabalho iremos apresentar o relato de uma atividade realizada pelo Subprojeto de Física do Projeto de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) estruturada a partir dos Três Momentos Pedagógicos. Essa atividade foi realizada em quatro escolas parceiras e para as três séries do Ensino Médio. Porém nesse texto apresentaremos um recorte da atividade executada com as turmas da primeira série do Ensino Médio em três das escolas, já que uma escola ficou de fora por opção do professor supervisor. No total 13 turmas participaram dessa atividade.
A atividade foi desenvolvida tendo como base um roteiro estruturado a partir da dinâmica dos Três Momentos Pedagógicos sobre o conceito de Inércia (SANTOS, 2014). A adaptação do roteiro foi feita a pedido do professor supervisor, para que assim se adequasse melhor ao cotidiano dos alunos. Nesse trabalho pudemos contar com a colaboração do autor da proposta inicial, o que foi de grande importância, já que ele tinha experiência na aplicação desse tipo de atividade e orientou para que os erros fossem minimizados durante a execução.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Tomando como base os pressupostos teóricos relativos à dinâmica dos Três Momentos Pedagógicos, era importante conhecer o público alvo para melhor adaptar a prática. Para isso contamos com a ajuda do professor supervisor, que trouxe informações sobre o perfil de seus alunos e foram úteis para que os pibidianos pudessem conhecer, mesmo que superficialmente, as turmas nas quais a atividade seria desenvolvida.
- A atividade foi elaborada a partir do conteúdo que os professores supervisores estavam trabalhando para que encaixasse no planejamento deles sem exigir mudanças abruptas e pudesse contribuir com o andamento das suas aulas. Assim o conteúdo ministrado foi: Inércia, coincidindo com o tema do roteiro original. A contextualização do tema e a problematização ocorreu ao relacionar esse conceito com os meios de transporte que os alunos utilizavam, sendo o mais comum, o transporte público, o ônibus, mas sem deixar de lado os demais meios de transporte: carros, motos e vans.
A atividade foi pensada para ser executada com auxílio de computador e projetor na maior parte do tempo. Mas também estavam previstas algumas atividades em grupos nas quais os alunos teriam que responder questões propostas. O roteiro produzido utilizou tirinhas (histórias em quadrinhos) e vídeos com temas do cotidiano relacionados ao conteúdo ministrado.
- A proposta desse trabalho é então apresentar um relato da construção e aplicação de um roteiro estruturado a partir da dinâmica dos Três Momentos Pedagógicos (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNANBUCO, 2007) no contexto de uma atividade do projeto PIBID na cidade de Uberaba - MG.
## Discussão teórica dos Momentos Pedagógicos
Com base nos ideais de Paulo Freire (1987), os Três Momentos Pedagógicos visam a dialogicidade, onde os discentes participam de forma ativa durante as aulas problematizadas pelo professor, o que pode contribuir para que a atividade seja alvo de maior interesse dos alunos.
Segundo a dinâmica dos Momentos Pedagógicos proposta por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2007), o educador deve planejar a problematização do tema de acordo com três etapas importantes para a construção do conhecimento, são elas: Problematização, Sistematização do conhecimento e Aplicação do conhecimento.
Na Problematização inicial é importante que o professor apresente temas que se encontrem a nível regional, nacional ou global, que durante a discussão farão com que o aluno seja instigado a participar e apresentar seus conhecimentos de senso comum, dando início à construção do conhecimento. A problematização dentro da sala de aula deve fazer com que o aluno sinta a necessidade de responder à questão envolvida no seu cotidiano e que ele note também que talvez precise de um conhecimento a mais para isso, o que fará com que o educando se interesse e participe da discussão da problematização iniciada pelo professor (MUENCHEN e DELIZOICOV, 2014).
- O segundo momento, é a Organização do conhecimento, o educador deve utilizar das mais diferentes formas de abordagem para sistematizar e generalizar os conceitos citados pelos alunos na discussão da problematização, sempre sem
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
perder a característica dialógica entre professor e aluno que faz com que o interesse por parte dos pupilos seja mantido (SALES, 2014).
Enfim, o terceiro Momento Pedagógico é constituído pela aplicação do conhecimento, que se dá pela concretização do processo de construção do conhecimento, onde o professor utilizará diferentes formas de avaliação cobrando do aluno outros modelos de aplicação do conceito, além daquele já trabalhado no tema problematizado, cobrança essa que irá permitir ao educando aplicar o conceito em outras situações de seu cotidiano. Neste último momento o professor poderá voltar a questionar sobre a problematização inicial, o que permitirá aos alunos ter uma nova visão sobre a situação abordada.
Concomitantemente à preparação e aplicação dos Três Momentos é importante lembrar que o educador deve preparar suas aulas de tal forma que elas não se tornem de caráter expositivo e transmissivo, e que o conteúdo seja construído a partir dos conhecimentos prévios dos alunos, afinal o que permite a efetividade dos Três Momentos Pedagógicos é a diversidade metodológica e dialogicidade que garante a participação dos alunos e, portanto, maior fixação do conhecimento através da lapidação lenta do senso comum.
## A Construção do nosso roteiro sobre Inércia usando os Três Momentos Pedagógicos
- O início do trabalho se deu pela leitura e discussão de textos acadêmicos sobre os Momentos Pedagógicos. Por se tratar de uma dinâmica diferente das aulas transmissivas tão comuns na nossa formação, iniciamos nosso trabalho com discussões sobre a diferença entre perguntar e problematizar.
Ainda assim, seguimos uma construção feita anteriormente por Santos (2014) que desenvolveu um roteiro sobre Inércia para estruturar sua aula seguindo a dinâmica dos Três Momentos Pedagógicos. Tal proposta foi estudada pelos pibidianos e pelos supervisores envolvidos na atividade, que optaram por fazer algumas modificações na contextualização inicial para aproximá-lo mais do cotidiano dos alunos da escola parceira. Isso porque o roteiro de Santos (2014) trazia um texto sobre a importância do uso do cinto de segurança nos carros, mas sabíamos que a maior parte dos alunos utilizavam ônibus e não carros para irem à escola.
Assim, nossa escolha foi trazer para o 1° Momento Pedagógico questões que permitissem problematizar o conceito de Inércia, no contexto dos meios de transporte. Para começar o diálogo com os alunos perguntamos qual o meio de transporte que eles utilizaram para irem à escola naquele dia? Era esperado que a resposta fosse de ônibus, já que a maioria dos alunos destas escolas usava o transporte público. Para aqueles que falavam que não iam de ônibus era perguntado se eles já usaram o transporte público. Dando continuidade outras perguntas eram feitas: Se vieram em pé ou sentados? Se já andaram em algum ônibus lotado? Se alguém já deu um esbarrão em outra pessoa quando o ônibus freou? Já bateram a cabeça no vidro ou se já deu um pulo quando o ônibus passou em uma lombada? Se algum objeto seu caiu enquanto o ônibus entrava em uma curva? Estas perguntas foram utilizadas para abrir uma discussão sobre as ações que acontecem dentro do ônibus e se em algum momento eles já pensaram por qual motivo isso acontece. Todo esse diálogo fez parte da Problematização Inicial.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Após essa discussão começamos as atividades do 2° Momento Pedagógico, a Organização do Conhecimento. Para isso entregamos a primeira atividade para os alunos, uma tirinha seguida de algumas questões. A tirinha mostrava um carroceiro que estava em alta velocidade e havia uma placa de pare, fazendo com que freasse bruscamente. Devido à ação de frear o carroceiro era arremessado para fora da carroça.
As questões que os alunos deveriam discutir em grupos e responder foram:
- 1. Observe a tirinha acima e descreva o que acontece.
- 2. Porque somos arremessados para frente quando colidimos com algo ou freamos bruscamente em um carro? Você acha que isso é uma 'regra' da natureza?
- 3. O que existe para proteger o motorista e os passageiros desse acontecimento?
- 4. Na opinião do grupo, há alguma forma de evitar o deslocamento dos corpos após uma freada brusca sem a necessidade de utilizar algum dispositivo de segurança? Quais motivos levaram vocês a chegarem nesta resposta?
Após um tempo para os grupos discutirem e registrarem suas opiniões, foi aberto um momento de discussão, para que todos os grupos expusessem suas opiniões e como chegaram às respostas. Incentivamos também o debate entre os grupos para que observassem as respostas dos colegas, e analisando se havia concordância ou não.
A seguir trouxemos a segunda parte da atividade, novamente com uso de uma tirinha e algumas questões. Desta vez a história trazia uma zebra, também em alta velocidade, que ao frear bruscamente na frente de um abismo, tem suas listras arremessadas para o pescoço. As questões para serem debatidas e analisadas pelos grupos nessa atividade foram:
- 5. Você acha que a tirinha acima tem relação com o que discutimos na outra atividade? Se sim faça uma breve comparação entre elas.
Ao final dessas atividades esperávamos que o conceito de inércia aparecesse nessas falas como explicação. O que permitiria que iniciássemos uma sistematização desse conceito a partir das ideias apresentadas por eles.
Na sequência apresentamos um vídeo que permitia problematizar o conceito de inércia que estava sendo construído com os alunos. Nesse vídeo, inicialmente coloca-se um pêndulo preso no teto de uma mini van, e observa-se o seu movimento durante momentos de aceleração e frenagem do veículo. Nessa situação observa-se que ao acelerar o carro, o pêndulo desloca-se para parte traseira do carro. E ao frear, o pêndulo é lançado para frente. Em seguida o pêndulo é substituído por um balão cheio de gás hélio preso ao solo do carro. Nesse momento pausamos o vídeo e perguntamos aos alunos o qual seria o movimento esperado para o balão, se seria o mesmo movimento do pêndulo ou o contrário. Informamos a eles qual o gás utilizado para encher o balão, no caso o hélio. A seguir exibimos o restante do vídeo que mostrava o balão executando um movimento oposto em relação ao do pêndulo. Abrimos então um novo espaço para que eles discutissem em grupos a seguinte questão:
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
- 6. Analisando o vídeo apresentado, vocês podem notar que houve uma diferença na movimentação do pêndulo com peso em relação ao balão fixado no assoalho do carro. Podemos fazer alguma ligação entre os dois fenômenos mesmo sabendo que os movimentos destes corpos são contrários quando o carro se movimenta? A lei da inércia é válida para estes dois casos? Discuta com seus colegas e busque encontrar uma solução para esta questão.
- O debate surgiu através da análise desse vídeo que serviu para conduzir a sistematização do conceito de inércia. Fechando assim as atividades do 2° Momento Pedagógico. A última questão apresentada aos alunos, que subsidiou o 3° Momento Pedagógico, a Aplicação do Conhecimento, foi:
Agora com uma nova perspectiva sobre o experimento, você continua tendo a mesma opinião na questão 2? Discuta com seus amigos e se necessário reformule sua reposta de acordo com o que foi apresentado.
Após um último momento de debate com eles, recolhemos as respostas escritas de todas as questões utilizadas nessa atividade. A pedido dos supervisores deixamos uma pergunta extra, essa extraída do roteiro inicial de Santos (2014), para que os alunos respondessem em casa. A ideia dos supervisores foi utilizá-la como atividade avaliativa.
- 7. Quando discutimos sobre equipamento de segurança, dividimos essa categoria em duas, a primeira é 'equipamento de proteção coletiva', significa determinados equipamentos que tanto nos protegem como aos outros também (ex.: placas de sinalização). A segunda categoria é 'equipamento de proteção individual', significa que ao utilizar este equipamento, estaremos protegendo somente a nós mesmos (ex.: capacete). Dos exemplos dados pelo grupo na questão três qual você acredita serem equipamentos de proteção individual e quais de proteção coletiva? Quais motivos levaram vocês a chegarem nessa resposta?
## Discussões iniciais sobre esse relato
Nesse tópico iremos apresentar análises iniciais da aplicação dessa atividade considerando apenas as observações dos pibidianos. Não há aqui o objetivo de uma análise sistematizada, pois não haveria tempo hábil para isso, uma vez que a atividade ocorreu no final do primeiro semestre de 2016. Por isso cabe apenas uma discussão inicial da aplicação da atividade.
Utilizamos a dinâmica dos Três Momentos Pedagógicos em uma atividade para construir o conceito de Inércia junto aos alunos do primeiro ano de ensino médio em escolas públicas da cidade de Uberaba-MG. A aplicação da atividade foi feita em duas aulas de cinquenta minutos cada, conduzida sempre por três graduandos, bolsistas do PIBID, em cada sala. Como havia 13 salas para aplicar a atividade nas 3 escolas parceiras, os autores desse trabalho se revezaram nessa tarefa.
Na aplicação da atividade, inicialmente, fizemos uma discussão com a sala toda sobre andar de ônibus, conforme o roteiro, percebemos que houve engajamento dos alunos no debate, pois era algo do cotidiano de todos, em turmas que os questionamentos iniciais não tiveram grande efeito, quando feito diretamente para um aluno, todos se aproximavam para a discussão, para assim fazermos um apanhado da opinião deles do possível motivo daquilo acontecer. Nessa parte não
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
rejeitávamos em hipótese alguma a opinião de cada aluno, apenas conduzíamos a conversa fomentando sempre uma reflexão crítica sobre o que comentavam.
Em seguida, para realizar as atividades previstas na etapa de Organização do Conhecimento, separamos os alunos em grupos de cinco ou seis. Percebemos uma dificuldade em retomar o ritmo da aula nesse momento, já que eram turmas de primeiro ano do ensino médio, que em geral se dispersavam facilmente. Mas depois dos grupos se acomodarem, tornou-se mais fácil prosseguir com a atividade. Os alunos mostraram ter opiniões diferentes dentro do mesmo grupo e isso os deixavam mais focados na atividade, pois ideias diferentes dos colegas abriam novas interpretações para o grupo como um todo. Então, demos voz aos alunos, para exporem a opinião de cada grupo sobre os questionamentos da primeira parte do roteiro, a maioria dos grupos colocaram respostas conforme o esperado nas três primeiras questões, na quarta questão, que tratava sobre: formas de evitar o movimento dentro do ônibus após uma freada brusca, houve uma dificuldade para compreendê-la em praticamente todos os grupos. Nesse caso o auxilio dos pibidianos foi necessário para que pudessem compreender o que estava sendo questionado. Com a opinião de todos dita, retomamos novamente as questões iniciais sobre o ônibus usadas na introdução do primeiro momento pedagógico. Percebemos desde a problematização inicial que eles tinham alguns conhecimentos prévios sobre o conceito de inércia, mas com muitas lacunas. Assim, após esse debate aproveitamos as ideias apresentadas pelos alunos e formalizamos o conceito procurando corrigir as falhas identificadas.
Após a exibição do segundo vídeo, observamos que reação de muitos alunos na maioria das salas foi de espanto, conforme o planejado no roteiro.
Após muita discussão sobre o movimento do balão com hélio, notou-se que muitos entendiam o movimento do pêndulo, contudo ainda acreditavam que a inércia não se aplicava ao balão. Então a discussão foi retomada para que os conceitos fossem melhor compreendidos. A retomada das primeiras perguntas sobre o movimento dos corpos dentro do ônibus com o uso de imagens projetadas ajudou bastante nesse momento.
Vale comentar aqui que o movimento do balão dentro da van é contrário ao movimento do pêndulo porque as massas de ar contidas dentro do carro durante o movimento são mais densas do que o balão com hélio. Isso faz com que as mesmas tenham mais dificuldade para sair do estado de inércia que o balão. Assim, quando o carro entra em movimento, as massas de ar ficam para trás, impulsionando o balão de hélio para frente, que por sua vez também acompanha mais facilmente o movimento acelerado/desacelerado do carro por ser menos denso.
Após isso, os alunos responderam a questão seis, disposta na segunda parte do roteiro, que serviu como uma síntese dos conteúdos que construímos com eles em relação ao vídeo.
Por fim, feita uma breve recapitulação das ideias que foram construídas junto com os alunos no decorrer da aplicação de toda a atividade, observamos que muitos alunos conseguiram compreender aquilo que foi proposto.
Na aplicação dessa atividade observou-se certa resistência inicial por parte dos alunos quanto à realização da mesma, por ter uma dinâmica diferente em relação ao que os mesmos tinham costume de ocorrer nas aulas. Porém, notou-se que durante a aplicação da atividade, em boa parte das salas, a maioria dos alunos
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
foi se soltando e participando cada vez mais e se envolvendo pelo assunto. Mesmo assim, ainda houve uma minoria de alunos que simplesmente não quiseram participar da atividade e muito menos realizar o que foi proposto.
## Considerações finais
Essa atividade utilizou-se além de questionamentos iniciais relacionados ao cotidiano dos alunos, como o meio de transporte utilizados por eles para ir para a escola, um roteiro dado aos alunos que continha charges e perguntas relacionadas ao tema, para a partir disso desenvolver uma discussão com os alunos e construir o conceito de inércia.
Essa forma de abordagem do conteúdo, relacionando-o com o cotidiano do aluno por meio de charges, vídeos e questionamentos iniciais foi de grande importância para que os pibidianos adquirissem experiência dentro das salas de aula utilizando uma metodologia de ensino dialógica. O uso de um referencial teórico que não estavam acostumados a trabalhar, os Três Momentos Pedagógicos, mostrou-se um desafio maior para planejar e construir as aulas comparando com a forma tradicional. O fato dos alunos construírem o conhecimento e os professores ficarem no papel de orientadores da turma, fez com que inicialmente surgisse uma insegurança por parte dos graduandos, mas percebeu-se que dentro de sala que isso não ocorreu.
A maior dificuldade encontrada na elaboração da atividade seria abandonar o tradicionalismo, ou a transmissão do conteúdo, na concepção bancária de Paulo Freire (1987) para dar lugar à construção do conhecimento de forma dialógica. Além claro, de tornar a dialogicidade uma dinâmica comum durante a atividade, já que tal ação também era novidade para os pibidianos. Houveram ainda algumas dificuldades técnicas como falhas no projetor, falta de tempo devido à rotina da escola que por vezes atrasou o início das atividades.
Algumas turmas que eram taxadas como problemáticas participaram mais que o suposto, já outras turmas que se esperava uma participação maior deixaram a desejar e não corresponderam ao esperado. Essa diferença de reações durante a execução mostra para os pibidianos que nem sempre as atividades saem como o esperado e funcionam da mesma forma em toda a turma.
No final da atividade o saldo foi positivo para todos, graduandos, supervisores e alunos. Isso pôde ser visto quando os supervisores relataram que vão usar essa atividade em outras turmas nos anos seguintes, que houve um retorno positivo por parte dos alunos, no sentido de que a atividade foi interessante pela abordagem e que os ajudou a compreenderem melhor o conteúdo e para os pibidianos a experiência na construção desse tipo de atividade e na vivência dentro de sala de aula.
Agradecemos a Capes pelo apoio financeiro via Projeto Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID).
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## Referências
DELIZOICOV, Demétrio; ANGOTTI, José André; PERNAMBUCO, Marta Maria. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos . 2. ed. São Paulo: Cortez Editora, 2007.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido . 17.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
MUENCHEN, Cristiane; DELIZOICOV, Demétrio. The three pedagogical moments and the production context of the book named Física. Ciência & Educação . v. 20, n. 3, p. 617-638, set. 2014 .
SALES, N. L. L. Problematizando o ensino de física moderna e contemporânea na formação continuada de professores: análise das contribuições dos Três Momentos Pedagógicos para construção da autonomia docente . 2014. 217p (Doutorado) Universidade de São Paulo. Faculdade de Educação, Instituto de Física, Instituto de Química e Instituto de Biociências. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014
SANTOS, R. A. F. O. Construindo o diálogo em aulas de física: uma proposta a partir dos momentos pedagógicos . 2014. 41 f. Trabalho de Conclusão do Curso de Licenciatura em Física - Instituto de Ciências Exatas, Naturais e Educação, Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Uberaba. 2014.
A Baffling Balloon Behavior - Smarter Every Day 113. SmarterEveryDay. 2014. 4 minutos e 40 segundos. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=y8mzDvpKzfY. Acesso em: 10 de setembro de 2016.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.