OS ACELERADORES DE PARTÍCULAS EM AULAS DE FÍSICA: DIFICULDADES ENCONTRADAS POR PROFESSORES NA ELABORAÇÃO DE PROPOSTAS
Graciella Watanabe, Giselle W. Caramello, Roseline Strider, Marcelo Munhoz
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XII
- Ano
- 2010
- Data
- 26/10/2010
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## OS ACELERADORES DE PARTÍCULAS EM AULAS DE FÍSICA: DIFICULDADES ENCONTRADAS POR PROFESSORES NA ELABORAÇÃO DE PROPOSTAS
## PARTICLE ACCELERATORS IN PHYSICS CLASSES: DIFFICULTIES ENCOUNTEREB BY TEACHER IN THE DEVELOPMENT OF PROPOSED THEMES
## Graciella Watanabe 1 , Giselle W Watanabe Caramello 2 , Roseline Strieder 3 , Marcelo Munhoz 4
1 USP/Pós -Graduação Interunidades em Ensino de Ciências , graciella.watanabe@usp.br
2 USP/Pós -Graduação Interunidades em Ensino de Ciências e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo , gizwat@if.usp.br
32 USP/Pós -Graduação Interunidades em Ensino de Ciências e Universidade Católica de Brasília/Curso de Física , roseline@if . usp.br
4 USP/Departamento de Física Nuclear , munhoz@if.usp.br
## Resumo
A necessidade de uma integração maior entre o ensino de Física no âmbito escolar e a atividade científica em sua dimensão social cada vez mais parece contribuir com a formação cidadãos mais conscientes e críticos em relação às funções da ciência na nossa sociedade. Com essa preocupação, é desenvolvida uma proposta de trabalho, voltada para alunos do ensino médio ou visitantes em geral, pautada em visitas a um laboratório científico em atividade, mais especificamente, o laboratório do acelerador de partículas (Pelletron) do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Como parte dessas visitas está a preocupação com a formação de professores de Física do ensino básico. Dentre os objetivos dessa iniciativa, pretende-se fornecer subsídios para que os professores possam elaborar e implementar em suas práticas escolares, propostas temáticas que busquem discutir, além de conhecimentos científicos, aspectos de natureza social, econômica e política, associados à produção da ciência. Nesse trabalho, investigam-se as potencialidades e eventuais limitações dessa iniciativa . Nesse sentido, são analisadas atividades desenvolvidas pelos professores ao longo do curso, buscando identificar elementos das propostas por eles elaboradas. Tais elementos, a partir de categorias pré-definidas, permite identificar algumas dificuldades enfrentadas pelos professores no que se refere à articulação dos conhecimentos e sua participação como mediado desses saberes. Essas questões foram também analisadas do ponto de vista das estruturas de abordagens temáticas, permitindo localizar alguns aspectos essenciais a ser melhor contemplados nesse tipo de atividade de formação docente . Por fim, é realizada discussão do papel desse tipo de abordagem na formação docente .
Palavras -chave: formação de professores, acelerador de partículas , abordagem temática, ensino de f física .
## Abstract
The need for greater integration between the teaching of physics in schools and scientific activity in its social dimension increasingly seem to contribute to training citizens more aware and critical of the role of science in our society. With this concern is developing a proposal to work toward high school students or visitors in general, based on visits to a science lab in activity, more specifically, the lab's particle accelerator (Pelletron) at the Institute of Physics, University São Paulo. As part of these visits is the concern with the training of teachers of physics education. Among the objectives of this initiative is intended to provide support for teachers to develop and implement in their school practices, proposals that seek to discuss issues, and scientific aspects of social, political and economic, associated with the production of science. In this study, it investigates the potential and possible limitations of this initiative. In this sense, we analyzed the activities developed by teachers throughout the course, seeking to identify elements of the proposals they have prepared. These elements, from pre-defined categories, identified some difffficulties faced by teachers in relation to the articulation of knowledge and their participation as articulator of this knowledge. These questions were also analyzed in terms of structures thematic approaches, allowing locate some key aspects to be better addressed in this activity. Finally, discussion is made of the role of this approach in teacher education.
Keywords: professionals formation, particle accelerator, thematic approach, teaching physics .
## Introdução
Nos últimos anos, vem sendo colocada a necessidade de uma integração cada vez maior entre o ensino escolar r de Física e a atividade científica em sua dimensão social, no sentido de buscar formar cidadãos mais conscientes dos espaços e funções da ciência na nossa sociedade . Assim, as discussões acerca do papel do pesquisador como facilitador do acesso ao processo de produção do conhecimento científico, trouxe uma preocupação àqueles que buscam a cooperação entre espaços não-formais e universidade (SILVA, et al . , 2005; GUISASOLA, et al . ,2005).
Uma das tentativas de se produzir discussões dessa natureza acontece no do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, no departamento de Física Nuclear, onde pesquisadores promovem visitas monitoradas ao acelerador de partículas Pelletron, como acorre em diversos laboratórios nacionais e internacionais (SILVA , et al.; 2005). Dentre o público visitante, destacam-se os alunos de ensino médio de escolas públicas e particulares da região metropolitana de São Paulo, acompanhados de seus professores.
Com a intenção de melhorar as visitas e, ao mesmo tempo, fornecer subsídios para que os professores possam elaborar e, futuramente, implementar em suas práticas escolares propostas que busquem discutir, além de conhecimentos científicos, aspectos de natureza social, econômica e política, associados à construção da ciência , foi desenvolvido um curso de formação de professores do ensino médio.
Para a elaboração das propostas, foi utilizado como referencial a perspectiva da Abordagem Temática, discutida por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002) ,
Jose Eduardo García (1998) e Watanabe (2008) . Tanto Delizoicov , Angotti e Pernambuco (2002) quanto García (1998) propõem uma prática educativa baseada em temas, ou seja, o tema é o cerne do currículo. Essa abordagem é entendida como contrária à abordagem conceitual, comumente utilizada no contexto educacional brasileiro, cuja lógica de organização dos currículos é estruturada pelos conceitos científicos. Na proposta de Watanabe e Kawamura (2008a; 2008b) há a incorporação das organizações temática e conceitual. Essas organizações tratam de separar e identificar aspectos gerais e conceitos relacionados ao tema a serem tratados nas salas de aula, de modo que as escolhas ficam nas mãos dos professores. Essa proposta dá liberdade para que a escola possa tratar questões mais próximas do cotidiano, já que inclui um mapa geral dos assuntos sociais, políticos e econômicos e outro dos conteúdos vinculados ao tema.
Nessa perspectiva, nesse trabalho, investigam-se as potencialidades e eventuais limitações que os professores enfrentaram ao elaborar propostas temáticas centradas no tema acelerador de partículas. Pretende-se contribuir para o universo de trabalhos que buscam a inserção dessa abordagem na educação básica, localizando alguns aspectos essenciais a serem melhor contemplados em cursos de formação de professores. Entende-se que a participação dos professores no processo de construção de propostas temáticas contribui para uma maior autonomia dos mesmos, tornando-os mais críticos em relação às escolhas e abordagens dos conteúdos escolares. Na seqüência desse trabalho são apresentados os pressupostos da Abordagem Temática, seguidos pela descrição do curso ministrado e pelos resultados encontrados. Por fim, são traçadas algumas considerações a respeito do papel desse tipo de abordagem na formação de professores.
## Algumas contribuições para a inserção de temas nas aulas
A inserção de temas no currículo de Física é uma tentativa de aproximar as questões da realidade com a escola. Dos estudos que têm apresentado alternativas para esse tipo de trabalho, destacam-se os que se apóiam nas ideias de Paulo Freire (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2002; SILVA, 2004); os que envolvem a perspectiva vygotskyana (MALDANER, 2007); os que têm como foco nos PCN (REIS, SOUZA e BISCH, 2007) e os que se relacionam com CTS (SANTOS e MORTIMER, 2000; AULER et al., 2009). Numa perspectiva semelhante, mas considerando mudanças menos ousadas no currículo de Física vigente, está o trabalho de Watanabe e Kawamura (2008a; 2008b) que, como brevemente anunciado anteriormente, procura delimitar duas organizações que contribuem na estruturação do trabalho docente: (i) organização temática , que representa as questões sociais, econômicas e políticas e, (ii) organização conceitual, que representa os conceitos científicos. Também cabe ressaltar a proposta de García (1998) que sugere a integração entre os conhecimentos (cientifico, escolar e cotidiano) para a promoção de um ensino contextualizado e ligado ao concreto. García (1998) também aponta para as tramas , como elemento essencial no trabalho docente, que integram diferentes conteúdos de modo que os campos conceituais possam interagir uns com os outros, estando hierarquizados.
Para esse trabalho tomaremos como principais referenciais as perspectivas de Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002) e Watanabe e Kawamura (2008a; 2008b), essas últimas ligadas às idéias de García (1998) .
Na perspectiva defendida por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002), a estruturação do conteúdo programático por meio de temas é denominada de Abordagem Temática. Essa proposta se constitui em uma perspectiva curricular em que são identificados temas com base nos quais se selecionam os conteúdos científicos necessários para compreendê-los. Embora Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002) destaquem a perspectiva de Paulo Freire, os autores não consideram que uma Abordagem Temática se reduz apenas a ela, podendo ser também explorada no contexto de outros referenciais.
Quanto ao tema a ser tratado em sala de sala de aula, esses autores sugerem o tema gerador, proposto por Paulo Freire, em seu livro Pedagogia do oprimido (1975). Para Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2002), o tema gerador vem ao encontro de suas expectativas por valorizar os alunos e o processo de aprendizagem, de forma a privilegiar uma realidade social específica que necessita de mudanças. Esses temas são assim denominados porque podem propiciar o desdobramento de outros temas que, por sua vez, geram novas tarefas e desafios. Nessa perspectiva, os temas geradores são capazes de dar sentido aos conhecimentos fragmentados que são trabalhados nas escolas. Para os autores, há três momentos que organizam o trabalho com temas geradores. No primeiro deles, foca-se o estudo da realidade; no segundo, volta-se à organização do conhecimento e, finalmente, no terceiro, os indivíduos transpõem o conhecimento para o seu no seu cotidiano.
Na proposta de Watanabe e Kawamura (2008a; 2008b), as escolhas realizadas na organização temática e conceitual são tidas como fundamentais para propor um trabalho em sala de aula. No entanto, ressaltam que a seleção de temas que compõem a organização temática deve estar pautada em assuntos próximos do cotidiano do aluno ou de sua esfera de interesse (por exemplo, temas abordados pela mídia ou vivenciados em suas comunidades), assim como a organização conceitual deve estar pautada nos conceitos físicos que fazem parte do ensino médio. Vale ressaltar que os conteúdos escolares organizados e muitas vezes simplificados podem ser importrtantes e necessários na discussão sobre um tema, no entanto, apenas eles não podem permear todo o ensino de Física. Por isso a necessidade de incorporar aspectos gerais que permeiam o tema em questão , sistematizados na organização temática .
Como mencionado anteriormente, a organização temática formaliza as diversas questões, organizadas segundo os próprios critérios envolvidos. Tais critérios consideram aspectos relacionados ao desenvolvimento científico e tecnológico, suas aplicações e implicações sociais. Essa organização representa apenas, de forma sistematizada, os aspectos e idéias relativas ao tema do ponto de vista de um enfoque global, a partir do reconhecimento desse tema em diferentes espaços. Nesse sentido, ela está relacionada às questões sociais, políticas e econômicas que permeiam as pesquisas desenvolvidas nos laboratórios.
A organização conceitual evidencia alguns conceitos físicos, sem a preocupação de traçar os vínculos com outras disciplinas. No entanto, é importante ressaltar que tais vínculos são interessantes para uma discussão que se pauta nas trocas de informações e na formação crítica. As organizações conceituais visam abordar alguns conceitos físicos que se vinculam aos aspectos mais gerais dispostos na organização temática e, ao mesmo tempo, suprir parte da demanda da sala de aula incluindo os conteúdos tratados no ensino médio.
Cabe salientar que a produção de uma seqüência didática envolve a escolha prévia de diversos fatores como: os interesses do professor, a etapa de aprendizagem do aluno, as possíveis disciplinas que podem abarcar o tema, as
concepções educacionais presentes em cada instituição etc. No entanto, para essa discussão, nos deteremos apenas nesses dois elementos (organizações temática e conceitual) tendo como assunto central o Pelletron enquanto um laboratório de pesquisas e suas implicações.
No próximo item discute-se o contexto no qual foi desenvolvido o curso analisado nesse trabalho.
## O curso de formação para os professores
- O curso do VI Encontro IFUSP -Escola 1 , de 40 horas, intitulado "Física Nuclear e Física de Partículas: uma abordagem através dos aceleradores de partículas" , ministrado por professores do Instituto de Física e alunos do programa de Pós -Graduação Interunidades em Ensino de Ciências da USP foi realizado entre os dias 15 e 19 de janeiro de 2010 , no períodos matutino e vespertino, contando com a participação de 37 professores da rede estadual e particular .
Como forma de delimitar os assuntos tratados no curso, optou-se por dividílo em dois grandes blocos. No primeiro, buscava-se discutir os aspectos de natureza científica (conceitos associados à física nuclear e de partículas, necessários para compreender a temática em questão); no segundo, a intenção foi promover espaços de reflexão e discussão a respeito das questões educacionais (elementos a ser considerados na elaboração de propostas temáticas) . No primeiro momento, foram desenvolvidas aulas de física moderna , realçando as questões provenientes do próprio acelerador . Também foram promovidas palestras, dentre as quais cabe ressaltar a presença de um dos autores do caderno da Nova Proposta Curricular r do Estado de São Paulo . Essas discussões iniciais tinham como objetivo dar subsídios para os professores para elaborar r uma proposta de aula tendo como tema central o acelerador de partículas.
- O primeiro dia foi iniciado com uma breve exposição sobre os aceleradores de partículas e uma contextualização histórica do tema. No período da tarde, os professores tiveram aulas no Departamento de Física Nuclear. Na primeira aula o tema discutido foi "Estrutura Nuclear e Forças" e na segunda aula "Reações Nucleares" .
No segundo dia, no período da manhã , os professores assistiram à palestra "Objetivos/Obstáculos no Ensino de Física Moderna", ministrada por dos autores da Nova Proposta Curricular r do Estado de São Paulo. Nesse momento, puderam dialogar sobre as finalidades e importâncias da inclusão de física moderna no ensino médio. No período vespertino, os professores assistiram à terceira aula do bloco de física dos aceleradores "As pesquisas no Acelerador Pelletron" e , no segundo momento , conheceram as dependências do laboratório aos moldes das visitas monitoradas ao acelerador.
No terceiro dia de curso, iniciou-se a discussão sobre a abordagem CTS (Ciência-Tecnologia-Sociedade), pautada nos trabalhos de Strieder (2008), Auler (2002), Auler et al. (2009) e Santos (2008) e sobre a Abordagem Temática (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNABUCO, 2002) . Neste momento, os professores
foram convidados a produzir uma proposta centrada no tema " aceleradores de partículas " para que , posteriormente, fosse apresentada no curso. Na parte da tarde houve a quarta e quinta aulas sobre os conceitos de física, intitulados "Aplicações da Física Nuclear" e "Física de Partículas".
Com o intuito de fornecer subsídios aos professores na elaboração de suas propostas, na quarta aula foi apresentada uma maneira de organizar as aulas a partir de temas, tomando como referência os trabalhos discutidos anteriormente, em especial considerando as organizações temática e conceitual . A partir disso, os professores em grupo produziram uma proposta que foi apresentada e discutida no último dia de curso. Esta proposta será analisa e discutida nas seções que se seguem.
## Resultados e discussões
Para a elaboração e apresentação das propostas os professores tiveram como recursos: projetores, computadores e vídeos. Os sete grupos que apresentaram as propostas de aula foram apenas orientados à considerar r a temática "Acelerador de Partículas" e os elementos das organizações temática e conceitual que elaboraram . Segue uma breve descrição das propostas elaboradas e apresentadas pelos professores.
O grupo 1 (G1), constituído por três integrantes, sendo um aluno de graduação e os demais professores da rede estadual, priorizou em sua aula aspectos conceituais, dando ênfase nas questões de aplicabilidade da ciência. A proposta contava com seis aulas que versaram sobre vários aspectos e incluíram a visita ao acelerador Pelletron (Figura 1). Na Os autores não citaram no trabalho a série que poderiam aplicar o curso.
Figura 1: Grupo 1 - Proposta de aulas
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Os professores da equipe 2 (G2) propuseram uma sequência didática (Figura 2) para os alunos da 3º série do Ensino Médio no 3º ou 4º bimestre. A abordagem escolhida priorizou as questões sociais e os conceitos relacionados à Física de partículas. Os autores também citaram a nova proposta curricular do estado de São Paulo como material a ser utilizado em conjunto à temática e a visita ao acelerador Pelletron.
Figura 2: Grupo 2 - Sequência didática
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O grupo 3 (G3) , composto por r professores do ensino médio, propuseram 6 aulas focadas em conteúdos de Física para alunos da 3º série , com ênfase em radioatividade (Figura 3) . Também inseriram as visitas ao acelerador Pelletron e fizeram de maneira sistemática as organizações temáticas e conceituais. A organização temática foi dividida em três blocos: 1. Pelletron e a ciência, onde os autores as pesquisas e tecnologias associadas ao acelerador; 2. Pelletron: fatores econômicos, sociais e políticos, priorizando as questões de investimentos; 3. Pelletron e a História: que aborda os interesses e necessidades da pesquisa nuclear e suas questões históricas. Na organização conceitual foram três as principais questões a serem trabalhadas: 1. Elementos radioativos; 2. Problemas e consequências e 3..Utilização e aplicação
Figura 3: Grupo 3 - Espaços curriculares
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A proposta do grupo 4 (G4) foi um estudo de caso a ser solucionado pelos estudantes . O grupo contava com um professor da rede estadual e dois alunos de pós-graduação do IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) que fizeram o curso por já atuarem como docentes e não terem formação pedagógica. Os autores não especificaram a série a ser trabalhada e introduziram a visita ao acelerador Pelletron no programa de aula. O estudo de caso proposto foi a construção de um acelerador de partículas em uma pequena cidade do interior. Nessa proposta, os alunos devem levantar questões sobre os riscos e benefícios da instalação desse laboratório. A decisão tomada pelos alunos também devem se
pautar nas questões econômicas e políticas que envolvem a cidade, segundo os autores da proposta. A Figura 4 mostra a sequência proposta pelo grupo .
Figura 4: Grupo 4 - Estudo de caso
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O grupo 5 (G5) tinha como integrantes professores mais experientes do ensino médio, todos com mais de 15 anos de experiência. A abordagem proposta foi dezesseis aulas para a 3º série , no 3º Bimestre do ensino médio. Os autores propuseram uma discussão interdisciplinar (Figura 5) entre Biologia, Química e Física (prática já implementada na escola de um dos integrantes).
Figura 5: Grupo 5 - Interdisciplinaridade
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O grupo 6 (G6) propôs aulas utilizando esquemas muito próximos aos mapas conceituais. Os integrantes dessa equipe eram alunos de graduação e professores do ensino médio. O foco da abordagem foi conceitual, utilizando o acelerador Pelletron como ponto de partida para articular diversos conteúdos de Física discutidos no ensino médio. A abordagem foi iniciada com um vídeo demonstrativo do funcionamento de aceleradores de partículas da série "Universo mecânico" , seguido de aulas conceituais. As visitas ao acelerador foram consideradas, mas não fundamentais para se abordar o tema proposto (Figura 6).
Figura 6: Grupo 6 - Esquema de aula
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A partir da análise das propostas apresentadas, é possível constatar r que a maioria das equipes (G1, G2, G3 e G6) se pautou nos conteúdos físicos para discutir os aceleradores de partículas e pouco em questões sociais e econômicas. Em certos momentos (como nas propostas de G4 e G5) aparece a preocupação com a motivação dos estudantes em relação ao tema e para isso são destacadas as pesquisas realizadas nos aceleradores, mais especificamente, as que possuem uma relação mais direta com a sociedade.
A seguir é apresentada uma tabela (Tabela 1) que busca evidenciar os principais elementos considerados pelos professores ao elaborar propostas para sala de aula, considerando a temática acelerador de partículas. As divisões que aparecem na tabela buscam sistematizar r as discussões que se seguem. Assim, o critério utilizado para definir se determinado item se encaixa ou não em um dos tópicos depende do contexto da fala dos professores e o que eles entendem pelos termos discutidos, salientando que todos assistiram as aulas conceituais do tema e partimos do pressuposto de que esses termos já não são totalmente novos para os professores.
Tabela 1: Os elementos considerados pelos professores ao elaborar suas propostas
A análise dos dados obtidos através das propostas elaboradas pelos professores mostra a preocupação dos mesmos com os conteúdos físicos. Todos os professores, principalmente nas equipes que tinham alunos em processo de formação, priorizaram a ciência e suas implicações experimentais.
Cabe salientar, que apesar de discutirem e verbalizarem a necessidade de uma abordagem que enfoque todos os aspectos envolvidos do fazer científico e suas implicações, poucos professores levaram em conta essas discussões ao elaborar suas propostas. Outro fator que aparece de maneira sistemática nas apresentações é a necessidade da visita ao acelerador Pelletron para que as aulas possam fazer sentido às suas propostas . Nas falas dos professores, a visita é fundamental enquanto elemento motivador para os estudantes, dando mais significado aos conteúdos aprendidos. Neste contexto, parece que só há necessidade de se discutir o tema "Acelerador de Partículas" se houver a visita ao laboratório Pelletron .
Assim, mesmo que o tema seja interessante à primeira vista, todas as discussões priorizaram assuntos associados ao conteúdo da Física nuclear e não necessariamente ao laboratório de pesquisa. Sendo poucas as propostas que se observa a inserção de uma discussão sobre a construção da ciência e muito raramente os processos de desenvolvimento científico. Esse comportamento, possivelmente, se deve a necessidade dos professores em cumprir o programa curricular e a dificuldade em lidar com questões que remetem a um aprofundamento conceitual. Trabalhar questões dessa natureza também requer que alterações no currículo tradicional sejam realizadas (WATANABE e KAWAMURA, 2008). Essas alterações referem-se tanto às abordagens que podem ser dar de forma linear, tal
como apresentada nos livros didáticos, quanto aos conteúdos abordados que, na maioria das vezes, seguem uma estrutura rígida, em que os conteúdos científicos são tidos como "estáticos e verdadeiros", permanecendo inalterados ao longo da história. Assim, para que propostas diferenciadas sejam incorporadas na escola é necessário que um novo posicionamento frente às questões curriculares seja tomado, em que o cumprimento de programas não seja o único norteador da formação básica.
## Considerações finais
Esse trabalho levantou algumas questões sobre as dificuldades de professores em articular as questões sociais, políticas e econômicas com os temas prioritariamente conceituais, como ocorre com os aceleradores de partículas . Observou -se, nesse contexto, que a maioria das propostas elaboradas estavam baseadas nos conteúdos físicos , evidenciando a dificuldade encontrada pelos professores ao inserir discussões de cunho social nas aulas de Ciências .
Nesse sentido, pode-se dizer que o interesse maior sobre a Física nuclear (bomba atômica, radioatividade, medicina nuclear) são resquícios dos cursos de graduação que priorizam a desenvolvimento do raciocínio lógico, suprimindo as discussões dos processos de produção do conhecimento científico. Para os professores, parece difícil articular suas propostas ao Pelletron, por isso, acabam focando conteúdos que apresentam maior afinidade , como a energia nuclear.
Mesmo que a proposta apresentada aos professores possibilite outra abordagem dos conteúdos científicos e permita uma discussão mais ampla sobre a ciência, isso parece não ser preocupação primeira dos professores , já que poucos propuseram discussões sobre questões sociais, políticas e econômicas em suas propostas .
Assim, uma questão que ainda precisar r ser discutida do ponto de vista da formação docente é a necessidade de introduzir abordagens que envolvam discussões de cunho social, político, econômica e , principalmente , que dê subsídios para que os professores possam utilizar as temáticas para apresentar uma ciência em seus processos de produção e transformação.
## Referências Bibliográficas
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.