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O JORNAL ''A FÍSICA ONTEM E HOJE" COMO MEIO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E DISCUSSÕES DE CIÊNCIA EM SALA DE AULA

João Paulo Casaro Erthal, Pedro Oliveira Fassarella, Wyara De Jesus Nascimento

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O JORNAL 'A FÍSICA ONTEM E HOJE' COMO MEIO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E DISCUSSÕES DE CIÊNCIA EM SALA DE AULA

## João Paulo Casaro Erthal¹, Pedro Oliveira Fassarella², Wyara de Jesus Nascimento³

- 1 Universidade Federal do Espírito Santo/ Departamento de Química e Física, jperthal@gmail.com 2 Universidade Federal do Espírito Santo, pedrofassarella@gmail.com
- ³ Universidade Federal do Espírito Santo, wyara\_nascimento@hotmail.com

## Resumo

Este trabalho tem como objetivo apresentar um material no formato de um jornal, intitulado 'A Física Ontem e Hoje', voltado para a discussão e divulgação científica, assim como expor as vertentes pelas quais tal material tem sido utilizado. O jornal é produzido a partir do planejamento conjunto de bolsistas de iniciação à docência, estudantes de Licenciatura em Física, e os supervisores e coordenadores do projeto. A proposta tem dois objetivos básicos, sendo o primeiro fomentar discussões em sala de aula sobre conceitos físicos atrelados a fatores históricos, tecnologias e acontecimentos atuais, de maneira a despertar o interesse dos estudantes do ensino médio para temas relacionados à ciência. O segundo objetivo está relacionado com a divulgação científica dentro e fora do ambiente escolar, com a disponibilização do jornal produzido em bancas de jornal, nos murais das escolas participantes do projeto e em pontos específicos do campus universitário. Até o momento foram confeccionadas dezoito edições do jornal, sendo que cada uma conta com uma versão impressa, mais reduzida, e uma versão online, mais encorpada e de livre acesso. As atividades realizadas em sala de aula com a utilização do jornal têm apresentado bons resultados, com estudantes mais interessados e participativos durante as aulas. Os usufrutuários da comunidade, acadêmica ou não, tem tecido elogios às edições produzidas. Espera-se que tal atividade possa se estender e atingir um quantitativo maior de leitores, de modo a auxiliar na redução do analfabetismo científico, e que o jornal possa ser conhecido e utilizado por mais professores interessados em realizar um ensino de ciência pautado no diálogo e na troca de significados que façam sentido para os atuais estudantes.

Palavras-chave : Jornal de Física, divulgação científica, ensino de Física.

## Introdução

A prática docente no nível médio de ensino, nos últimos anos, tem levado os professores e estudantes de Física a certas frustrações e situações um tanto quanto desanimadoras. A precariedade da infraestrutura das escolas, principalmente públicas, e a redução da carga horária atribuída à disciplina torna extremamente difícil encontrar uma rotina em que a relação professor-aluno leve este último à aquisição de uma visão realista e crítica da Física.

- O atual sistema de ensino, em muitos casos, se comporta como uma verdadeira 'educação de sistema bancário', enunciada por Paulo Freire:

'Na visão bancária da educação, o saber é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão - a absolutização da ignorância, que constitui o que chamamos de alienação da ignorância, segundo o qual esta se encontra sempre no outro' (FREIRE, 2005, p. 213).

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Nessa visão, inúmeras informações são depositadas nos estudantes e depois, nas provas avaliativas, confere-se o saldo final, restando apenas dois possíveis resultados: aprovado ou reprovado. Nesse modelo, o estudante reproduz e decora um determinado conceito para a resolução de um problema que lhe é apresentado por meio de um único método, que ainda é adotado pela maioria dos professores, chamado de avaliação da aprendizagem.

Quando os estudantes são questionados a respeito da disciplina Física, por exemplo, em relação ao que ele espera da disciplina, ou o que torna a Física uma disciplina interessante, tem-se como resposta um resultado negativo a esse respeito. Isso se deve na maioria das vezes ao fato do ensino de Física continuar sendo muito verbalizado e muito pouco aplicável, pautado fortemente nos moldes tradicionais da educação, com práticas desatualizadas, conteúdos descontextualizados e de difícil compreensão.

Entretanto não é apenas a carga horária reduzida e o currículo que corroboram com as dificuldades encontradas no processo de ensino e aprendizagem de Física. A postura de muitos envolvidos no processo educacional, professores, pedagogos, diretores e familiares, privilegia os resultados dos estudantes em exames específicos ao invés de uma formação que tenha como foco a constituição de cidadãos críticos e reflexivos, com habilidades para enfrentar as problemáticas da vida adulta, como orientam os documentos balizadores da educação básica.

Atualmente é de fundamental importância que o estudante, por meio do ensino de ciências, especificamente ensino de Física, possa compreender o mundo e os acontecimentos que o cerca, desde ações consideradas simples e cotidianas, até o uso de equipamentos tecnológicos modernos. Para que isso seja possível, é necessário desenvolver nos alunos habilidades e competências que permitam a interpretação de textos e comunicações sobre ciência e tecnologia, veiculadas pelos mais diferentes meios de comunicação, de tal forma a tornar possível o posicionamento crítico em relação ao desenvolvimento desses temas, muitas das vezes, presentes em seu cotidiano (MACHADO, 2007). Tais competências são destacadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais:

Ler e interpretar informações apresentadas em diferentes linguagens e representações (técnicas) como, por exemplo, um manual de instalação de equipamento, características de aparelhos eletrodomésticos, ou esquemas de montagem de móveis. (BRASIL, 2002, p. 8)

Acompanhar o noticiário relativo à ciência em jornais, revistas e notícias veiculadas pela mídia, identificando a questão em discussão e interpretando, com objetividade, seus significados e implicações para participar do que se passa à sua volta. Por exemplo, no noticiário sobre telefonia celular, identificar que essa questão envolve conhecimentos sobre radiações, suas faixas de frequência, processos de transmissão, além de incertezas quanto a seus possíveis efeitos sobre o ambiente e a saúde. (BRASIL, 2002, p. 8)

Compreender o desenvolvimento histórico da tecnologia, nos mais diversos campos, e suas consequências para o cotidiano e as relações sociais de cada época, identificando como seus avanços foram modificando as condições de vida e criando novas necessidades. Esses conhecimentos são essenciais para dimensionar corretamente o desenvolvimento tecnológico atual, através tanto de suas vantagens como de seus condicionantes. Reconhecer, por exemplo, o desenvolvimento de formas de transporte, a partir da descoberta da roda e da tração animal, ao desenvolvimento de motores, ao domínio da aerodinâmica e à conquista do espaço,

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identificando a evolução que vem permitindo ao ser humano deslocar-se de um ponto ao outro do globo terrestre em intervalos de tempo cada vez mais curtos e identificando também os problemas decorrentes dessa evolução. Compreender o desenvolvimento histórico dos modelos físicos para dimensionar corretamente os modelos atuais, sem dogmatismo ou certezas definitivas. (BRASIL, 2002, p. 14)

Apesar dessas orientações, o formato como o ensino de Física vem acontecendo no ensino médio, geralmente, não favorece o desenvolvimento de tais competências e se restringe ao uso da linguagem matemática atrelada às substituições em formalismos sem desenvolvimento de reflexões teóricas.

Para que a aprendizagem da Física ocorra de forma realmente eficaz, a utilização de uma linguagem cientificamente correta, de fácil compreensão e com situações bem contextualizadas torna-se fundamental para despertar o entusiasmo, o interesse e o gosto para o estudo. Nesse contexto, este trabalho apresenta as atividades realizadas com jornal 'A Física Ontem e Hoje' e sua contribuição na discussão de conceitos físicos em salas de aula, e na divulgação científica fora do ambiente escolar, em uma cidade do interior do Espírito Santo.

A divulgação científica é um processo de circulação de informações sobre ciência e tecnologia que não se restringe a um grupo seleto, possuindo um caráter abrangente. Segundo Bueno (1988, p.22), a divulgação científica deve apresentar uma linguagem acessível e possibilitar a veiculação das informações para o grande público, sendo definida como o ' uso de recursos e processos técnicos para a comunicação de informação científica e tecnológica para o público em geral '.

Trabalhos de divulgação científica pautados em mídias impressas ou digitais no formato de jornais, revistas e gibis têm aparecido de forma crescente em publicações relacionadas ao ensino de Física. Como exemplo, podemos citar o trabalho de Soares Neto e Furtado (2009), no qual apresentam uma história em quadrinhos para o ensino das fases da lua para estudantes do ensino fundamental, e o trabalho de Manegat e Weber (2008) no qual descrevem uma estratégia didática para utilização de textos de divulgação científica em aulas de Física.

Podemos ainda citar o trabalho de Anhussi (2009) no qual foi realizada uma investigação sobre a percepção dos professores a respeito da utilização de jornais em sala de aula e o trabalho de Ferreira e Queiroz (2012) no qual realizam uma revisão de literatura sobre trabalhos relacionados á textos de divulgação científica no ensino de ciências e concluíram que tais trabalhos são valiosos para que professores optem pela utilização de tal recurso em sala de aula.

## O Jornal 'A Física Ontem e Hoje'

O Jornal 'A Física Ontem e Hoje', foi criado no início de 2013, por um grupo do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) com o intuito de levar aos estudantes conhecimentos teóricos e práticos de maneira clara e atualizada, sempre trazendo a tona temas interessantes e relacionados com tecnologias cotidianas. A ideia inicial era de auxiliar o professor supervisor da escola parceira ao projeto a despertar o interesse dos estudantes sobre assuntos científicos e divulgar ciências no ambiente escolar.

Ao escolher o tema do jornal a ser produzido, procura-se abordar assuntos que estão em evidência na mídia, pois assim aumenta-se a probabilidade do aluno estar ciente do que vai ser trabalhado. Um exemplo é a décima quarta edição, que

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tem como tema a Luz, em comemoração ao ano internacional da luz em 2015. Outros exemplos relacionam-se com a décima terceira e a décima quinta edições, nas quais o tema tinha como pano de fundo os Jogos Olímpicos de 2016, que aconteceram no Rio de Janeiro, os quais oportunizaram o desenvolvimento de jornais específicos sobre determinada modalidade olímpica e a Física relacionada a elementos do esporte em questão. Nessa linha, foram produzidas duas edições: uma sobre o arco e flecha e outra sobre esportes aquáticos.

A cada edição são produzidas duas versões, uma impressa e outra online . As versões impressas são reduzidas devido aos custos para impressão e contam com três ou quatro textos sobre o tema do jornal, além de atividades relacionadas aos textos tais como: questões desafio, "racha cuca" e caça palavras. Na versão impressa, geralmente, aparecem algumas palavras destacadas em negrito, geralmente desconhecidas pelos estudantes, as quais tem seu significado exposto na versão online .

As versões online do jornal, as quais são mais robustas e os textos mais extensos e detalhados do que os do jornal impresso, contam com as respostas das questões desafio, "racha cuca", caça palavras, curiosidades, além do glossário contendo o significado das palavras que são destacadas em negrito nos textos. Todas as versões impressas e online estão disponíveis no site: http://www.fisica.alegre.ufes.br/jornal-do-pibid.

Na Figura 1 podem ser visualizadas as capas de algumas edições online do jornal "A Física de Ontem e Hoje".

Figura 01 : Capas de algumas edições do jornal "A Física Ontem e Hoje". Fonte: autores.

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Foram confeccionadas edições específicas sobre cientistas brasileiros, com intuito de se difundir e valorizar o trabalho de pesquisadores nacionais. Até o

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presente momento, foram confeccionadas dezoito edições do jornal 'A Física Ontem e Hoje', as quais estão listadas no quadro 1.

Quadro 01 : Listagem com os temas das edições do jornal "A Física de Ontem e Hoje".

As edições trazem ainda informações sobre eventos relacionados às Olimpíadas Brasileiras de Física (OBF), às Olimpíadas Brasileiras de Física para Escola Pública (OBEFEP), à congressos de ensino de Física, e à eventos de divulgação científica que ocorrem no campus universitário.

## Utilização do Jornal A Física Ontem e Hoje

Atualmente os jornais estão sendo utilizados em diversas vertentes, sendo as principais: o ensino de ciências em ambientes formais de aprendizagem e a divulgação científica em diferentes esferas sociais.

A primeira, e principal, está relacionada ao uso do material em intervenções didáticas, que acontecem trimestralmente, realizadas em salas de aulas pelos bolsistas do PIBID junto ao professor supervisor. É realizado um planejamento conjunto entre o coordenador de área do PIBID, o supervisor e os bolsistas para que se possa contemplar um tema que desperte o interesse dos estudantes e que esteja dentro do conteúdo a ser trabalhado pelo professor com uma turma específica do ensino médio. Nessa intervenção o jornal pode ser utilizado para introduzir um tema novo, auxiliar na explicação de conceitos que venham sendo trabalhados pelo professor ou trazer as aplicações do conceito físico que está sendo estudado. Um exemplo é a edição relacionada a quedas dos corpos, na qual existem explicações para fatos como o movimento de queda da Lua ao orbitar Terra, e o movimento de queda das Torres Gêmeas ao serem atingidas pelos aviões no ataque do dia 11 de setembro.

Quando se está trabalhando dentro da sala de aula, pode-se observar o interesse dos estudantes, pois o conteúdo que está explícito no jornal é de fácil compreensão e possui certo apelo visual, com figuras ilustrando os temas, chamando a atenção dos leitores. Quando o jornal é lido e discutido dentro de sala,

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a atividade pode fomentar o desenvolvimento de habilidades de leitura, de interpretação de textos e de aprimoramento de conceitos físicos.

Uma estratégia interessante é pedir para que os estudantes produzam pequenos textos sobre o entendimento que tiveram a respeito do que foi lido. Como no final do jornal sempre existem algumas atividades, o professor pode separar alguns minutos de sua aula para a discussão e resolução dessas. O professor pode solicitar aos estudantes que busquem as respostas para essas atividades nas versões online , e ainda que realizem a leitura dessa versão na íntegra. Pode-se, ainda, trabalhar com as versões online dentro do ambiente escolar, desde que a escola possua infraestrutura para tal, com computadores e acesso a internet.

Além dessas atividades, o jornal pode ser utilizado em uma segunda vertente dentro do ambiente escolar, com sua exposição nos murais da escola e com informações sobre o acesso das versões online , de modo que se possa divulgar informações científicas para toda a comunidade escolar e permitir que professores de outras disciplinas realizem atividades com seus estudantes utilizando as versões online .

- O jornal também vem sendo utilizado em uma vertente de divulgação científica dentro do campus da universidade na qual é produzido. Os jornais são disponibilizados para os alunos, funcionários e professores. Alguns exemplares são deixados no balcão na biblioteca, e em outros locais de grande movimentação. Inúmeras vezes o jornal fora elogiado dentro do campus por diversos estudantes de vários cursos.

Outra vertente de divulgação é a distribuição dos jornais na comunidade. Na Física estudamos as leis na natureza, seu funcionamento e suas respostas aos nossos estímulos. Com base nesses estudos originaram-se várias descobertas tecnológicas. Se hoje temos celulares, computadores, internet e várias outras coisas, foi porque houve inúmeras pesquisas, experimentos, erros e acertos por parte dos pesquisadores. Tais aspectos, na maioria das vezes, não são frutos da reflexão da população em geral, que utiliza das tecnologias, mas não vislumbra como essas funcionam ou como foram idealizadas. Em vista disso, alguns exemplares são deixados em uma banca de jornal na praça central e os interessados podem ter acesso e levar para casa, ampliando a ideia de divulgação e levando aos cidadãos um pouco sobre ciência e o fazer científico.

Outra estratégia, realizada com menos frequência, é a divulgação científica realizada na praça central da cidade, onde em uma tarde são apresentados os produtos que são confeccionados pelo PIBID de Física, dentre esses os banners sobre cientistas e os jornais, com intuito de apresentar e discutir ciência, informalmente, com os transeuntes. Tal divulgação teve bastante aceitação pela sociedade, pois várias pessoas se mostraram interessadas pelos trabalhos que estavam sendo expostos.

## Considerações finais

A inserção de jornais com conteúdo científico na educação pode propiciar uma aproximação entre o estudante e a leitura, ajudando a desenvolver uma maior consciência crítica e maior capacidade argumentativa do estudante em relação a conteúdos específicos. De acordo com Martins e colaboradores (2001) estratégias didáticas que utilizam diferentes textos científicos e expõem variadas formas de

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argumentação podem trazer diversos benefícios que oportunizam o estudante a tornar-se um participante da cultura científica.

As atividades desenvolvidas com o jornal "A Física Ontem e Hoje" nas salas de aula do ensino médio têm permitido uma aproximação entre o estudante e os temas científicos que, muitas vezes, não são abordados ou discutidos no ambiente escolar, propiciando uma maior relação entre a sala de aula e os conhecimentos históricos ou as tecnologias atuais relacionados a temas diversos. Durante os momentos de utilização do jornal em sala de aula, pode se instaurar um clima bastante propício para o desencadeamento de interações sociais e trocas de significados importantes para que o conhecimento possa ser construído pelos estudantes.

Um dos objetivos do jornal é procurar desenvolver uma maior proximidade entre o leitor e a ciência. Atualmente, o uso do jornal nas salas de aula beneficia diretamente com cada versão impressa, cerca de quarenta estudantes por inserção nas escolas parceiras do projeto. São disponibilizadas cinquenta cópias na banca de jornal e o mesmo quantitativo disponibilizado no campus universitário. Desta forma o uso das versões impressas do jornal tem propiciado: o aumento do interesse dos estudantes com relação à leitura; a aproximação da escola com questões cotidianas; o desenvolvimento de habilidades de escrita; a construção de um conhecimento mais amplo e multidisciplinar por parte do estudante tendo que relacionar conceitos, em determinados textos do jornal, com diversas áreas de conhecimento; a redução do analfabetismo científico, uma vez que traz a tona temas, muitas das vezes, desconhecidos pelos leitores.

- O jornal pode ser utilizado em qualquer nível educacional. A linguagem acessível oportuniza que seja utilizado com estudantes do ensino fundamental e o aprofundamento do professor nos temas expostos, pode fazer com que o material seja discutido no ensino universitário. Algumas edições já foram utilizadas para discussões da disciplina de Introdução à Física, ofertada para estudantes ingressantes no curso de Licenciatura em Física.

A incorporação dos jornais como recurso educacional auxiliar para turmas de ensino médio aponta na direção das novas tendências curriculares, assim como de novas concepções sobre a educação científica. A diversidade de abordagens presentes nas dezoito edições permite que professores possam utilizar os jornais em atividades nos mais variados níveis de ensino.

- O projeto do jornal "A Física Ontem e Hoje" continua ativo e novas edições estão sendo desenvolvidas. A próxima tem foco nos conceitos de astronomia, tendo como tema central 'Buracos Negros'. Essa edição também será utilizada para uma inserção dos bolsistas de iniciação a docência em turmas específicas do ensino médio.

Como perspectivas futuras, pretende-se confeccionar alguns jornais especiais com foco em cientistas laureados com o prêmio Nobel de Física e desenvolver atividades nas quais os estudantes do ensino médio, que usufruem do jornal, possam produzir edições voltadas para estudantes do ensino fundamental, aumentado, assim, o quantitativo de habilidades desenvolvidas durante a formação desses estudantes. Pretende-se ainda aumentar o quantitativo de versões impressas para serem disponibilizadas ao público em geral e incrementar a divulgação das versões online , por meio de web noticiários da universidade e da prefeitura municipal.

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O trabalho com os jornais tem propiciado reflexões sobre a potencialidade da divulgação científica e suas contribuições para o ensino de Física em sala de aula. Tais reflexões aparecem como fundamentais para uma melhor formação dos licenciandos envolvidos, de modo que possam ser capazes de avaliar a viabilidade de tal prática em suas futuras aulas. Por fim, a utilização dos jornais em sala de aula apresenta-se como uma ferramenta extremamente rica que possibilita o estabelecimento de relações entre os conhecimentos de ciência e suas inferências com a sociedade, permitindo que o trabalho que é desenvolvido nas escolas contribua para a efetiva aprendizagem científica por parte dos estudantes.

## Referências

ANHUSSI, E. C. O uso do jornal em sala de aula: sua importância e a concepção de professores. Presidente Prudente, UNESP, 2009, 156p. Dissertação (Mestrado) Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, 2009.

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO MÉDIA E TECNOLÓGICA. PCNs+ Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias . Brasília: MEC, SEMTEC, 2002. 144 p.

BUENO, Wilson da Costa. Jornalismo Científico no Brasil: aspectos teóricos e práticos. São Paulo, Departamento de Jornalismo e Editoração, ECA/USP, 1988.

FERREIRA, L. N. A.; QUEIROZ, S. L. Textos de divulgação científica no ensino de ciências: uma revisão. ALEXANDRIA Revista de Educação em Ciência e Tecnologia , v.5, n.1, p.3-31, maio 2012.

FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido . 43ª ed. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2005.

MACHADO, E. T. S. Utilização do jornal no Ensino de Física . 2005. 40f. Trabalho de conclusão de curso (Licenciatura em Física) Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2007. Disponível :

https://www.ucb.br/sites/100/118/TCC/1%C2%BA2007/UTILIZACAODOJORNALNO ENSINODEFISICA.pdf Acesso em 28/05/2016.

MANEGAT, T. M.; WEBER, S. S. F. O uso de textos de divulgação científica em aulas de Física e a avaliação de sua aprendizagem: abordagens inovadoras. In: XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2008, Curitiba. Disponível em: http://www.cienciamao.usp.br/dados/epef/\_ousodetextosdedivulgacao.trabalho.pdf Acesso em 16/10/2016.

MARTINS, I.; CASSAB, M.; ROCHA, M. B. Análise do processo de re-elaboração discursiva de um texto de divulgação científica para um texto didático. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v.1, n. 3, Porto Alegre: ABRAPEC, 2001.

SOARES NETO, F. F.; FURTADO, W. W. As fases da lua em histórias em quadrinhos no ensino fundamental. In: XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2009, Vitória. Disponível em:

http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xviii/sys/resumos/T0333-1.pdf Acesso em: 21/10/2016.

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