DESENVOLVIMENTO DE UM APP ANDROID PARA AUXÍLIAR A CONFECÇÃO DE EXPERIMENTOS ALTERNATIVOS PARA O ENSINO DE FÍSICA
Carolina Gomes, Saulo Leite, Wellington Fonseca, Diorge Lima, Ubiratan Bezerra
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Ensino E Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## DESENVOLVIMENTO DE UM APP ANDROID PARA AUXÍLIAR A CONFECÇÃO DE EXPERIMENTOS ALTERNATIVOS PARA O ENSINO DE FÍSICA
Carolina Gomes 1 , Saulo Leite , Wellington da S. Fonseca , Diorge de S. Lima , 2 3 4 Ubiratan H. Bezerra 5
1 Universidade Federal do Pará, c.gomes@outlook.com.br
- 2 Universidade Federal do Pará, saulo.joel@yahoo.com.br
- 3 Universidade Federal do Pará, fonseca@ufpa.br
- 4 Universidade Federal do Pará, diorgelima@ufpa.br
5 Universidade Federal do Pará, bira@ufpa.br
## Resumo
O presente trabalho tem como objetivo apresentar um aplicativo desenvolvido pelos colaboradores do programa de extensão Laboratório de Engenhocas (Universidade Federal do Pará). Tal aplicativo, homônimo ao programa, visa auxiliar estudantes do nível básico de ensino na elaboração de experimentos que utilizem materiais alternativos e de baixo custo, e que possam demonstrar, de forma prática, os assuntos teóricos das ciências exatas. Assim, o aplicativo promove o aprendizado de forma lúdica e interativa, o que proporciona uma mudança na mentalidade da sociedade como um todo, já que disciplinas como matemática, física e química, geralmente vistas como extremamente difíceis e entediantes, passem a ser encaradas de forma diferente, o que dinamiza e abre novos horizontes à produção de conhecimento e assimilação de conteúdo. A utilização da tecnologia como aliada do ensino é uma das diretrizes do programa de Extensão Laboratório de Engenhocas, pois é uma forma de difundir metodologias de aprendizagem ativa, como o DIY (faça você mesmo, sigla em inglês), que incentiva a produção de projetos, e a m-learning, metodologia em que a aprendizagem se dá por meio de dispositivos móveis. Dessa forma, o aluno tem a possibilidade de desenvolver características como proatividade e raciocínio rápido na resolução de problemas.
Palavras-chave : Aplicativo, Experimentos de baixo custo, M-learning, Ensino de física.
## Introdução
O uso das Tecnologias de Informação e Comunicação Móveis e sem Fio (TIMS) tem grande importância no ponto de vista educacional, já que tais aparelhos podem ser utilizados como recursos pedagógicos, como por exemplo, por meio de aplicativos. Segundo Bento e Cavalcante (2013 apud MOURA 2012) 'O acesso a conteúdos multimídia deixou de estar limitado a um computador pessoal (PC) e estendeu-se também às tecnologias móveis', proporcionando uma nova forma de promover a busca pelo conhecimento e informação.
Tal consideração faz-se importante, pois no modelo atual de educação, em que o ensino se dá de forma tradicional, com o conteúdo sendo transmitido de forma passiva pelo professor, e com poucas didáticas que coloquem o estudante como protagonista na busca pelo conhecimento, a utilização da tecnologia pode ser uma
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23 a 27 de janeiro de 2017
aliada às técnicas de aprendizagem ativa para a otimização do ensino (Voelcker, 2012).
Dessa maneira, este trabalho foi elaborado de forma a contribuir no desenvolvimento da autonomia e proatividade dos estudantes do ensino básico a partir de um aplicativo que visa auxiliar na elaboração de experimentos científicos que utilizem materiais de baixo custo, e que possam de forma prática demonstrar os assuntos teóricos das ciências exatas.
## A importância da Tecnologia para o aprendizado
Para a utilização de aparelhos móveis como recursos pedagógicos é relevante considerar o extenso número de possibilidades para auxiliar no ensino: é algo que vai desde o uso de calculadoras até a consulta a bibliotecas virtuais. Assim, adequar a realidade desenhada pelas TIMS às necessidades dos estudantes é imprescindível (BENTO, 2013).
Neste sentido, metodologias de aprendizagem como a m-learning , em que o processo de aprendizagem dá-se por dispositivos móveis, ou seja, o acesso ao conhecimento pode ser feito independentemente do tempo ou lugar, mostram-se extremamente úteis, e segundo (FRANCISCATO, 2008 apud CHEN, 2007) 'a mlearning tem o potencial de criar algo novo e causar significante impacto na educação'.
Logo, a utilização de aplicativos que proporcionem novas formas de ensinar e que possibilitem uma diferente forma de interação entre professores e estudantes é de suma importância, visto que, segundo (FRANCISCATO, 2008 apud CRAWFORD, 2002) 'o uso destas tecnologias na educação pode aumentar a motivação do estudante, instigando-o a engajar-se no aprendizado'.
## Metodologia
Inicialmente foi realizada uma pesquisa a respeito do rendimento dos estudantes do ensino médio com o intuito de verificar em quais áreas do conhecimento os alunos apresentavam maior dificuldade. Para isso utilizou-se as médias das provas objetivas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que são apresentadas no Quadro (01).
Quadro 01: Médias das provas objetivas - ENEM 2014 e 2015
De acordo com o Quadro (01), os estudantes apresentaram dificuldades nas ciências exatas (G1, 2016). Também é possível notar que nas duas áreas que compõem esse grupo (ciências da natureza e matemática) a média diminuiu de um ano para o outro. Isto é preocupante, pois desde o ensino fundamental há uma
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rejeição à matemática, que depois, no ensino médio, se estende à física e química (REIS, 2005). Tais matérias são vistas como extremamente difíceis e essa ideia é repassada há muito tempo, criando um ciclo vicioso. Assim, a cultura em torno da complexidade das ciências exatas é vista de forma natural.
Por esta razão foi desenvolvido um aplicativo que tem como principal objetivo criar uma nova mentalidade a respeito de tais disciplinas. O aplicativo apresenta diversos tutoriais para a confecção de experimentos que de forma lúdica e interativa, explicam conceitos de física e química. A utilização de materiais alternativos e de baixo custo para a confecção dos experimentos é válida, pois segundo Lima e Fonseca (2012), esses materiais são facilmente encontrados e proporcionam aos alunos a possibilidade de reproduzi-los várias vezes.
Os experimentos são comumente realizados pelos integrantes do programa de extensão Laboratório de Engenhocas, que estimula a produção de conhecimento de forma ativa nas escolas públicas da região metropolitana de Belém-Pa. Os integrantes do Laboratório de Engenhocas são estudantes da Universidade Federal do Pará e são graduandos em cursos relacionados às ciências exatas.
## Desenvolvimento do aplicativo
O aplicativo foi desenvolvido na plataforma open source MIT App Inventor com arquitetura em Java, que utiliza uma interface gráfica para a criação de aplicativos de software para o sistema operacional Android. O fluxograma (figura 01) representa o funcionamento do aplicativo.
Figura 01: Página inicial do aplicativo
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Foi desenvolvida uma interface de fácil interação. Na inicialização do aplicativo foi colocado um aviso explicando que alguns experimentos precisam do auxílio de um adulto. No 'menu' (figura 02) pode-se escolher uma das áreas: física ou química, e dentro de cada uma é possível verificar diversos conteúdos que são, geralmente, ministrados no ensino médio.
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Figura 02: Página inicial do aplicativo
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O aplicativo funciona sem estar conectado à internet, pois os dados são armazenados no dispositivo do usuário. Na Figura 03 é possível observar os conteúdos de física e os experimentos relacionados a eles.
Figura 03: Exemplo de tutorial
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Na Figura 04 há um exemplo de tutorial, que mostra como se faz a montagem do experimento conhecido, quais os materiais necessários e quais conceitos físicos são envolvidos.
Figura 04: Exemplo de tutorial
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## Resultados e Discussões
O aplicativo teve como principal resultado a utilização pelos integrantes do Programa de Extensão Laboratório de Engenhocas para o desenvolvimento de atividades de extensão nas escolas públicas da região metropolitana de Belém. Assim, além de contribuir para a disseminação do conhecimento e informação, possibilitou a criação de um banco de dados para o próprio laboratório.
A partir disso, planeja-se que o aplicativo possa receber atualizações para contemplar as outras áreas do Laboratório de Engenhocas, como robótica pedagógica, nanotecnologia e supercondutividade e assuntos relacionados à geração e consumo de energia.
Espera-se que com o aplicativo, estudantes do ensino fundamental e médio possam aprender conteúdos relacionados às ciências exatas de forma lúdica e interativa, para que tenham mais interesse nessas áreas do conhecimento e percebam que fazer ciência pode ser prazeroso e instigante.
Neste sentido, a criação do aplicativo também visou a disseminação de práticas de ensino como a m-learning e DIY (faça você mesmo, sigla em inglês), métodos que permitem ao estudante maior autonomia e diversidade na forma de aprender. Assim, quando o aplicativo for disponibilizado, pretende-se atingir tais resultados e gerar dados para ver o nível de aceitação e melhoria promovida pelo aplicativo.
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## Considerações finais
Na perspectiva apresentada durante o trabalho, a proposta é que se inicie uma forma diferente de ensinar, buscando metodologias que aproximem o estudante da produção de conhecimento, de forma a guiá-lo e encorajá-lo a ser independente e procurar compreender, com o uso da razão, os fenômenos do mundo que o cerca.
Assim, pode ser possível alterar a realidade de grande parte das escolas públicas brasileiras, colaborando para a melhoria na educação em todos os níveis (fundamental e médio) e incentivando os alunos a ingressarem no ensino superior, principalmente nas áreas relacionadas às ciências exatas, com destaque para as engenharias.
A criação do aplicativo também favoreceu os estudantes do Laboratório de Engenhocas, que tiveram a oportunidade de aprender conhecimentos a respeito de assuntos que não são ministrados em sala de aula e aprofundar outros que são vistos de forma superficial e sem muitas aplicações.
Desse modo, por meio do programa de extensão, os graduandos têm a possibilidade de adquirir características indispensáveis tanto para a vida acadêmica como social, pois podem aprender desde conteúdos relacionados a programação (que na engenharia é algo essencial) até técnicas de comunicação oral, escrita e produção científica, além de utilizar o conhecimento obtido na universidade em prol da comunidade.
## Referências
BENTO, Maria Cristina Marcelino; CAVALCANTE, Rafaela Dos Santos. Tecnologias
Móveis em Educação: o uso do celular na sala de aula. ECCOM , [S.L], v. 4, n. 7, jan./jun. 2013. Disponível em:
<http://www.fatea.br/seer/index.php/eccom/article/viewFile/596/426>. Acesso em: 02 set. 2016.
FRANCISCATO, Fabio Teixeira; MEDINA, Roseclea Duarte. M-learning e android: um novo paradigma?. Renote- novas tecnologias na educaação, Rio grande do sul, v. 6, n. 2, p.111-222, dez./dez. 2008. Disponível em:
<http://seer.ufrgs.br/index.php/renote/article/view/14671/8580>.Acesso em: 03 set. 2016.
G1. ENEM 2015: nota média cai em três das quatro áreas do conhecimento. Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/enem/2015/noticia/2016/01/enem2015-nota-media-cai-em-tres-das-quatro-areas-do-conhecimento.html> Acesso em: 03 set. 2016.
LIMA, Diorge Souza; Fonseca, Wellington Silva. Aplicação Da Metodologia P2BL No Ensino Básico Dos Cursos De Engenharia No Campus Universitário De Tucuruí-Ufpa . Belém: II Encontro de Projetos Integrados, 2012.
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REIS, Leonardo Rodrigues. Rejeição à matemática: causas e formas de intervenção. Brasília:2005. Disponível em:
<http://www.ucb.br/sites/100/103/tcc/12005/leonardorodriguesdosreis.pdf > Acesso em: 4 set. 2016.
VOELCKER, Marta Dieterich. Tecnologias digitais e a mudança de paradigma na educação : a aprendizagem ativa dos educadores como favorecedora de diferenciação e sustentação da mudança. 2012. 240 f. Tese (Doutorado) Programa de Pós-graduação em Informática na Educação., Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/70613/000878301.pdf?sequence= 1>. Acesso em: 02 set. 2016.
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