Proposta de produção de jogo didático no ensino de Termologia para pessoas com deficiência auditiva
Hauriane Soares, Renato Germano, Mônica Castro
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXII
- Ano
- 2017
- Data
- 25/01/2017
- Linha de pesquisa
- Ensino E Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## UMA PROPOSTA DE PRODUÇÃO DE JOGO DIDÁTICO NO ENSINO DE TERMOLOGIA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Hauriane Soares 1 , Renato Germano 2 , Mônica Castro 3
1 Universidade Federal do Piauí / Departamento de Física, haurianesoares@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Piauí / Departamento de Física, rgermano@ufpi.edu.br
## Resumo
Este trabalho trata da necessidade do desenvolvimento e uso de recursos educacionais para o ensino de Física no Ensino Médio para deficientes auditivos que não compreendem aulas dialogadas, mesmo com o auxílio de intérpretes. Os alunos com esse tipo de deficiência têm a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como sua primeira língua e o Português como segunda, o que gera essa dificuldade em sua aprendizagem, até mesmo para aqueles capazes de fazer leitura labial. Como esses alunos devem ser recebidos em escolas de ensino regular juntamente com outros sem algum tipo de deficiência, a aula ministrada e os meios utilizados precisam atender a todos. Embora atualmente seja encontrada uma grande quantidade de recursos didáticos, poucos são voltados para essa pequena fração do alunado e a assimilação dos conteúdos da Física se torna mais complicada por não existirem símbolos próprios em Libras para muitos termos da linguagem científica, o que faz com que os intérpretes percam muito tempo com a datilologia de palavras ou expressões como, por exemplo, 'coeficiente de dilatação'. O presente trabalho objetiva a produção de um recurso educacional na forma de jogo didático para estudo da Termologia, fundamentado na compreensão dos processos de aprendizagem com maior eficácia no ensino de Física, segundo as teorias formuladas por David Ausubel e Lev Vygotsky, de modo a contribuir positivamente para o Ensino de Física para deficientes auditivos.
Palavras-chave : Jogo didático. Ensino de Física. Deficientes auditivos.
## Introdução
O número de deficientes auditivos no Brasil vem crescendo ano após ano, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 é de aproximadamente 9,7 milhões, entre os quais cerca de 1 milhão são crianças e jovens de até 19 anos. Isso mostra a necessidade de ações governamentais, leis e decretos com o objetivo de incluí-los da melhor forma possível.
Atualmente os alunos surdos são amparados por leis que tratam do ensino em classes de ensino regular, da oferta do ensino bilíngue e da oferta e formação de profissionais de apoio escolar (intérpretes), entre outros direitos.
Há também um conjunto de ações governamentais voltados para a Educação Inclusiva como a criação dos Centros de Formação de Profissionais da Educação e de Atendimento às pessoas com surdez (CAS), a criação de livros didáticos, paradidáticos e dicionários em Libras, entre outros, e tudo isso tem contribuído mais ainda para o aumento no número de matrículas de alunos com
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23 a 27 de janeiro de 2017
deficiência auditiva, segundo o Censo Escolar de 2010 realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
Neste contexto, ainda se encontram grandes dificuldades no ensino de Física nas escolas públicas para turmas onde há a inclusão de deficientes auditivos, devido a dificuldades de comunicação entre professor e aluno que precisa ser intermediada por intérpretes.
- O grau de dificuldade da disciplina também interfere negativamente na aprendizagem, por existirem muitos termos e palavras que não possuem sinais específicos conhecidos, fazendo com que o intérprete precise fazer a datilologia das palavras, o que toma muito tempo da aula.
Um recurso muito utilizado atualmente em sala de aula é o jogo didático. Com o uso do jogo a aula pode se tornar mais divertida, participativa e significativa para os alunos, porém, para Física, a quantidade de jogos disponibilizados para o ensino ainda é bastante reduzida.
- O objetivo da pesquisa é produzir um jogo didático que favoreça o processo de ensino-aprendizagem para o ensino de Termologia em escolas de Ensino Médio regular da rede pública de Teresina que atendam alunos com deficiência auditiva. Optou-se pela produção do jogo devido ao seu caráter lúdico, flexibilidade e liberdade, levando à compreensão de conceitos através da brincadeira e que possa proporcionar a aprendizagem de todos os alunos, deficientes ou não.
## Fundamentação Teórica
A melhoria na inclusão de pessoas com necessidades especiais tem encontrado obstáculos e isso inclui a comunidade surda. Os surdos são vistos como deficientes devido às suas limitações e tem suas capacidades pouco exploradas sendo postos à margem da sociedade, porém, nos dias atuais, existem muitas leis elaboradas buscando sua inclusão social, cultural e educacional tendo como uma de suas maiores conquistas o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais como a língua das comunidades surdas através da Lei N° 10.436 e isso tem colaborado para que os surdos tenham vida normal em sociedade, trabalhando e estudando, muitos deles chegando até o ensino superior.
No entanto a história nos mostra que, na Idade Média, os deficientes auditivos sofreram descaso e desprezo pela sociedade, não tinham seus direitos garantidos e, considerados inválidos, muitos chegaram a ser abandonados ou sacrificados por suas famílias. Essa visão de incapazes foi sendo gradativamente dissipada com o estudo da surdez pela medicina, onde passou a ser tratada como uma deficiência, a partir do século XVI.
Os primeiros registros de ensino de surdos no mundo datam de 1770, em Paris, com o Abade Charles-Michel de L'Epée cujo seu trabalho serviu como base para outros educadores. Daí em diante passaram a surgir escolas para surdos em outros países.
No Brasil a primeira instituição de ensino voltada para meninos surdos foi fundada em 1855 pelo professor surdo Edward Hernest Huet, que veio ao Brasil a convite do governo imperial. Em 26 de setembro de 1857 foi fundado o 'Imperial Instituto dos Surdos-Mudos', hoje Instituto Nacional da Educação dos Surdos (INES). A partir de 1950 surgiram as primeiras Associações de Surdos no país, em
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estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com o objetivo de lutar pelos seus direitos e garantir sua assistência em todos os sentidos.
Existem, atualmente, Leis e Decretos que atendem às pessoas com deficiência em geral e outros específicos para deficientes auditivos, apesar de muitos não serem conhecidos e respeitados. O simples fato de existirem já demonstra interesse por parte do poder público em melhorar a assistência oferecida às pessoas com deficiência.
Entre as Leis que garantem os direitos dos deficientes há a Constituição Federal de 1988 que afirma no artigo 208, parágrafo 3°, que o dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino e a Lei N° 9.394 de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que afirma também, no artigo 58, que a modalidade de Educação Especial
deve ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, havendo, quando necessário, serviços de apoio especializado (intérpretes).
Podemos citar também, entre Leis e Decretos que garantem os direitos dos deficientes auditivos, a Lei N° 10.098 de 2000, artigo 18, estabelece que o Poder Público implementará a formação de profissionais intérpretes de escrita em braile, linguagem de sinais e de guias-intérpretes, a Lei N° 10.436 de 2002 que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão com regras gramaticais próprias, o Decreto N° 5.626 de 2005 que além de regulamentar as duas últimas leis mencionadas trata também da inclusão da Libras como disciplina nos cursos de graduação, da formação de professor e instrutor de Libras, da formação do tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa e do ensino bilíngue tendo a língua portuguesa como segunda língua, a Resolução do Conselho Nacional de Educação CNE/CEB N° 2 de 2001 que trata das Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva de 2008, que se trata de um documento emitido pelo Ministério de Educação e Cultura/ Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (MEC/SECADI) e que acompanha os avanços nas conquistas dos deficientes e visa constituir políticas públicas para uma educação de qualidade, e a Lei mais recente, Lei N° 13.146 de Julho de 2015 (Lei Brasileira da Inclusão/ Estatuto da Pessoa com deficiência) artigo 27, que afirma, entre outras coisas, que a educação é direito da pessoa com deficiência, com sistema educacional inclusivo em todos os níveis.
Apesar do aumento de alunos surdos nas escolas de ensino regular e do aumento de ações governamentais visando sua inclusão, ainda existem poucos recursos voltados a eles. Entre os recursos conhecidos há aplicativos de celular que traduzem da Língua Portuguesa para Libras ou American Sign Language - Língua de Sinais Americana (ASL), que facilita a comunicação com alunos surdos para, por exemplo, professores que não sabem Libras. Há também dicionários ilustrados relacionando palavras, sinais de Libras, conceitos e ideias a desenhos, que estimulam a aprendizagem através do sentido da visão (OLIVEIRA; CARDOSO, 2011) e ações governamentais que visam a produção de recursos para alunos com diversas deficiências como livros didáticos em braile e em Libras, paradidáticos, dicionários, entre outros.
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Entre os recursos didáticos conhecidos considera-se o jogo como uma ferramenta de grande utilidade no processo de ensino-aprendizagem. Segundo Melo (2011) 'acredita-se que o jogo, quando bem planejado, pode ser um aliado do professor para o trabalho em sala de aula e merece atenção, principalmente, por ser um objeto de interesse popular'.
Com base nisso espera-se que o uso do jogo como recurso didático favoreça o desenvolvimento cognitivo do aluno que estará desenvolvendo habilidades específicas exigidas ao jogar, despertando ainda o interesse dos alunos pela atividade realizada devido ao seu caráter lúdico, favorecendo sua aprendizagem:
Pode-se observar que a utilização de recursos lúdicos na educação apresenta possibilidades interessantes ao trabalho cognitivo, necessário para o desenvolvimento do aluno. Tudo indica que este objeto pode contribuir como um aliado na melhoria do ensino de Física. (MELO, 2011, p. 44).
- O uso do jogo favorece ainda a interação entre os alunos e, segundo Lev Vygotsky (2001), a aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo ocorre através do meio no qual a criança está inserida e das interações sociais que ocorrem no decorrer da sua vida. Uma criança não se desenvolve sozinha pois não possui instrumentos para isso, precisando da socialização que lhe possibilitará o desenvolvimento. Vygotsky trata também da formação da linguagem na criança como um processo psicológico superior adquirido através da interação com pessoas próximas a ela. No caso dos deficientes auditivos a linguagem falada não se desenvolve, em seu lugar, visando a comunicação com a criança, deve-se ensiná-la inicialmente a linguagem de sinais, que também é um sistema de signos, e, posteriormente, a linguagem escrita em língua corrente, permitindo que seu desenvolvimento cognitivo não seja prejudicado.
Por outro lado, as teorias de David Ausubel afirmam que a aprendizagem de novos conceitos deve ser baseada ou 'ancorada' em conceitos aprendidos anteriormente, chamados de subsunçores:
- Para Ausubel, a aprendizagem significativa é um processo por meio do qual uma nova informação relaciona-se com um aspecto especificamente da estrutura de conhecimento do indivíduo, ou seja, este processo envolve a interação da nova informação com uma estrutura de conhecimento específica, a qual Ausubel define como conceito subsunçor, ou simplesmente subsunçor, existente na estrutura cognitiva do indivíduo. A aprendizagem significativa ocorre quando a nova informação ancora-se em conceitos ou proposições relevantes, preexistentes na estrutura cognitiva do aprendiz. (MOREIRA, 1999, p. 153).
- O jogo didático será baseado nas ideias de Vygotsky e Ausubel ao promover a interação social entre deficientes auditivos entre si e entre eles e alunos ouvintes, criando um novo sistema de signos onde, cada figura apresentada, deve ser relacionada imediatamente pelo aluno a um conceito de Termologia e, apresentando novos conceitos sempre relacionados a seus subsunçores.
Busca-se fazer com que a aprendizagem dos alunos em relação aos conceitos apresentados seja significativa:
A aprendizagem é significativa quando novos conhecimentos (conceitos, ideias, proposições, modelos, fórmulas) passam a significar algo para o aprendiz, quando ele ou ela é capaz de explicar situações com suas próprias palavras, quando é capaz de resolver problemas novos, enfim, quando compreende. (MOREIRA, 2003, p. 2).
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Encontra-se na literatura exemplos do uso de recursos didáticos inclusivos como dicionários temáticos ilustrados e vídeos bilíngues, onde os alunos foram capazes de fazer relações e comentários sobre os conceitos que foram apresentados durante a utilização do recurso proposto, o que poderia indicar a compreensão e aprendizagem desses conceitos, mesmo que parcialmente. Por meio do jogo espera-se diminuir a diferença no nível de alunos de mesma série evitando que o professor se atenha mais em um grupo de alunos do que em outro fazendo com que a aprendizagem ocorra para todos os alunos, tanto ouvintes como não ouvintes, de acordo com a capacidade intelectual de cada um, de forma que o jogo seja realmente um recurso inclusivo.
## Metodologia
A execução do projeto será fundamentada na teoria de Lev Vygotsky (2001) sobre pensamento e linguagem e na teoria da Aprendizagem Significativa Crítica de David Ausubel. Após uma pesquisa mais aprofundada a respeito do tema abordado que servirá de base para os procedimentos a serem tomados no decorrer do projeto, o mesmo será executado com alunos do 2° ano do Ensino Médio na Unidade Escolar Matias Olímpio, escola da rede estadual de ensino, localizada em Teresina no Piauí.
Inicialmente serão elaborados dois questionários, um voltado aos professores do Ensino Médio da escola citada acima que lecionem em turmas com deficientes auditivos e outro para os intérpretes de Libras dessas turmas. A análise dos resultados desses questionários será útil para compreendermos as dificuldades e obstáculos encontrados pelos professores e intérpretes ao lidarem com alunos deficientes auditivos no dia-a-dia em sala de aula e como a questão da linguagem interfere no seu aprendizado, baseando-se para isso na teoria de Vygotsky. Os problemas apontados pelos professores e intérpretes servirão como norteadores na produção do recurso educacional.
Na sequência, com base na pesquisa bibliográfica para fundamentação teórica a respeito do Ensino de Física para deficientes auditivos com recursos educacionais, se dará início à elaboração do recurso educacional, um jogo didático sobre conteúdos de Termologia, o que ocorrerá entre os meses de abril e setembro de 2017. Será produzido um 'jogo de memória' onde os alunos devem formar pares utilizando cartas com figuras apresentadas anteriormente como a representação de um conceito físico.
A construção do jogo didático será baseada nas ideias de Ausubel sobre os subsunçores e a importância de conhecimentos anteriores dos alunos, servindo como ponto de partida para a assimilação de novos conceitos. Para isso serão acrescentados no jogo novas figuras e novos conceitos que dependam dos anteriores a cada fase do jogo que o aluno avança. A quantidade de figuras por fase será cada vez maior e sempre serão relacionadas a um conceito dado em fases anteriores de forma que estes sirvam como subsunçores.
Após o desenvolvimento do jogo será elaborada e ministrada uma aula para sua aplicação em turmas do segundo ano do ensino Médio, no mês de outubro de 2017. Os alunos jogarão em duplas e a aula será gravada para posterior observação a respeito da receptividade do jogo pelos alunos e as dificuldades encontradas.
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## O jogo didático
- O produto a ser desenvolvido trata-se de um jogo didático sobre Termologia voltado para alunos com deficiência auditiva, mas não se limitando a eles.
- No jogo pretende-se usar a ludicidade para fazer a associação de conceitos a imagens de preferência coloridas e de contornos bem definidos, partindo da mesma prerrogativa do uso da Libras, fazendo com que os alunos se lembrem de um conceito através da visualização de uma imagem específica.
- O jogo será apresentado em fases onde haverá um aumento no nível de dificuldade com o objetivo de estimular o interesse através do desafio. No decorrer do jogo surgirão conceitos novos juntamente com sua imagem específica e as fases anteriores apresentarão conceitos que servirão como subsunçores daqueles apresentados nas fases seguintes. Passar de fase exige, portanto, a aprendizagem de conceitos anteriores onde serão ancorados os próximos.
Para cada etapa do jogo haverá uma pontuação para a quantidade de pares formados, essa pontuação por par deve ser cada vez maior a cada fase aumentando de acordo com o nível de dificuldade para tornar o jogo mais interessante, de forma que os alunos não joguem apenas com o objetivo de aprender os conceitos, mas também como diversão.
## Considerações Finais
Espera-se, com a utilização do jogo didático, diminuir os problemas de aprendizagem encontrados em escolas de ensino inclusivo, permitindo que alunos com deficiência auditiva tenham suas potencialidades exploradas ao máximo e que tenham acesso à educação até os níveis mais elevados, de forma que sua deficiência não interfira no seu desenvolvimento cognitivo e na sua vida como cidadão.
- O jogo é apenas um dos muitos recursos que podem ser utilizados com essa finalidade, mas que sirva de porta de entrada para o desenvolvimento de muitos outros tipos de recursos voltados, não apenas para deficientes auditivos, como também para alunos com outros tipos de deficiência, tornando o ensino inclusivo uma realidade.
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