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PRODUÇÃO TEXTUAL COMO FACILITADOR DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE FÍSICA I PARA LICENCIATURA EM QUÍMICA

Thiago Lacerda, Leandro Silva, Jorge Cunha, Isa Costa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## PRODUÇÃO TEXTUAL COMO FACILITADOR DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE FÍSICA I PARA LICENCIATURA EM QUÍMICA

## Thiago Lacerda 1 , Isa Costa , Leandro Silva , Jorge Cunha 2 1 1

1 Grupo de Ensino de Física e Física / Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, thiago.lacerda@ifrj.edu.br

2 Universidade Federal Fluminense / Departamento de Física, isac@if.uff.br

## Resumo

O ensino de física nas diversas graduações envolve muita descrição matemática dos conceitos com Cálculo Avançado, assim, por causa das ementas enormes somos levados a considerar que nossos estudantes entendem fácil e corretamente as ideias físicas e partimos para solução de problemas. Após dois semestres ministrando o curso de Física I na Licenciatura em Química no Campus Duque de Caxias do IFRJ percebemos que a maior dificuldade era tornar a Mecânica Newtoniana sólida nas mentes dos licenciandos. Diante da realidade de pouco tempo e muito conteúdo, pensamos no recurso da produção textual em casa no formato de trabalho científico (introdução, desenvolvimento e conclusão) para induzir os alunos a pesquisar, organizar as ideias e escrever sobre temas relacionados com a teoria, sendo que um desses seria solicitado como uma parte das avaliações. O presente trabalho pretende mostrar através de uma estatística simples de histogramas das médias que o aproveitamento dos estudantes na solução dos problemas melhora quando incluímos a produção de redação como tarefa do curso. Como base da proposta aplicamosa teoria de Vygotsky que coloca o sujeito não apenas comoelementoativo no processo de aprendizagem, mas tambémsendo capaz de formar seus próprios conceitos através de relações intra e interpessoais e das trocas com outros sujeitos e consigo próprio. Nesse contexto, coube ao educador orientar as discussões pela pesquisa, reflexão e escrita para que a aprendizagem ocorresse em cada indivíduo medianteformação e concretização de seus próprios conceitos.

Palavras-chave: licenciatura em Química, produção textual, solução de problemas de Física I

## 1. Introdução

Desde o advento da pesquisa em ensino de Física que trabalhos têm sido dedicados à busca do melhor desempenho/aprendizagem de graduandos nas disciplinas dos quatro primeiros semestres dos cursos de graduação das áreas científicas, quando em geral consta do programa conteúdos de Mecânica Clássica (CHAMPAGNE; KLOPFER; ANDERSON, 1980). É de se estranhar porque tais conteúdos sempre foram amplamente abordados no Ensino Médio. Setlik; Higa (2014) fizeram um estudo semelhante ao nosso aplicado ao Ensino Médio.

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23 a 27 de janeiro de 2017

Trazemos mais uma proposta alternativa que se fundamenta na teoria sócio interacionista de Vygotsky(1991), ressaltando o uso da linguagem escrita e a interação entre os sujeitos para promover a aprendizagem.

Os motivos para termos escolhido licenciatura em Química se devem aos seguintes fatos: um dos autores estar ministrando Física I para esse curso; uma das autoras ter mais de dez anos de experiência com as chamadas Físicas Básicas e ter constatado que os estudantes daquele curso são os que apresentam pior desempenho/aprendizagem.

Em particular na Mecânica Clássica, as dificuldades para aprendizagem mais apontadas são: falta de habilidade em cálculos matemáticos; concepções alternativas muito arraigadas.

As etapas pelas quais os licenciandos passam são: pesquisa do conteúdo proposto; interação emgrupos de estudo para a produção textual em casa; interação com a turma e o professor (professor reserva uns 20 minutos da aula, 15 dias antes das provas para discutir os temas e tirar dúvida) para conclusão dos textos.Toda essa dinâmica visa derrubar a barreira criada pelas concepções alternativas e a não supervalorizar os cálculos matemáticos para a manifestação da aprendizagem realizada.

Vale lembrar que não se deve esperar resultadossurpreendentes imediatos e textos perfeitos, pois, apesar de estarmos lidando com o público de uma graduação,ocorre a mesma dificuldadeem expressar-se matematicamente; muitos também precisam aprender a expressar-se, em Física, a partir da escrita. Inclusive, através desse trabalho, pudemos constatar e propor um assunto para futuras discussões, que é analisar o grau de comprometimento que o graduando de áreas exatas tem para escrever um texto científico organizado e claro.

## 2. Metodologia

A leitura de textos de divulgação científica pesquisados nas mais diversas fontes, sendo a internet a principal, com o objetivo de produção escrita pode ser um excelente recurso didático no Ensino Superior.Em geral alunos de áreas afins à Física chegam à Universidade sem conhecimentos prévios sólidos e se sentem perdidos na grande quantidade de conceitos expostos em Física I, indo desde a ideia de grandezas, posição e vetores até à abstração do momento linear, angular e suas leis de conservação.

A percepção da dificuldade dos alunos de Física I do 4º período do curso de Licenciatura em Química do campus Duque de Caxias do IFRJ nos levou a pensar em alguma estratégia, que colaborassenão somente para a motivação e avaliação da aprendizagem, mas para a própria construção dos conhecimentos de Física em sala de aula e sem prejudicar o tempo de aula considerado curto diante do tamanho da ementa e da dificuldade dos alunos na interpretação dos problemas. Assim, resolvemos colocar uma questão de cada prova para produção de uma redação sobre um assunto tirado de uma lista de temas já propostos e previamente estudados.

A metodologia aplicada em dois semestres letivos seguidos, 2015/2 e 2016/1, foi: selecionamos temas envolvendo diretamente ou de forma mais

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abrangente, os tópicos da ementa deFísica I (Mecânica) a serem divulgados no início de cada semestre; como a proposta de avaliação do curso é composta por três provas e cinco relatórios, incluímos em cada prova uma questão de redação, valendo 2,0 pontos num total de 10; dividimos os temas em três grupos para efeito de estudo ao longo do período e o professor explicava o que se esperava de cada tema de 15 a 20 dias antes da avaliação e pedia para os alunos esboçarem cada redação. O Quadro01 apresenta os grupos de temas trabalhados. Os alunos faziam grupos de estudos para fazer problemas, discutir os temas e tirar dúvidas com o professor; tudo fora do tempo de aula.

Quadro 01: Temas selecionados para o estudo prévio

Os temas, em sua maioria, estão diretamente ligados com a teoria e as práticas experimentais propostas na ementa do curso, mas alguns como 'A busca pelo referencial inercial', 'A massa inercial e a massa gravitacional' e 'Movimento circular e a fuga dos corpos' se distanciam do programa, porém acreditamos serem assuntos curiosos para dissertar,obrigando o estudante a pesquisar e ter a base por detrás dos temas bem consolidada, o que fica claro quando o professor é acessado para sanar dúvidas.

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## 3. Resultados

A partir das notas obtidas nas provas retiramos o valor que cada estudante conseguiu nas redações e fizemos a média de aproveitamento nos problemas apenas. Por outro lado, para termos um parâmetro de comparação calculamos o aproveitamento dos alunos em dois semestres anteriores, 2014/1 e 2014/2, nos quais os problemas tiveram o mesmo grau de dificuldade e não foi cobrada elaboração de redações. Diante do conjunto de aproveitamento das quatro turmas de licenciandos, construímos os histogramas expostos na Figura 01 e Figura 02 e organizamos o Quadro 02 para entender melhor o quantitativo de alunos em cada período.

Quadro 02: Estatísticas das turmas.

Nas Figuras 01 e 02 apresentamos o aproveitamento dos alunos apenas na parte de resolução de problemas das provas, o que representa 75% da nota final na disciplina Física I.

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Figura 01 : Histogramas do aproveitamento das duas turmas que não o

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Observamos que as interações aluno-aluno foram intensas durante o tempo reservado para as discussões em sala, sobre os temas da produção textual. Isso repercutiu nos resultados apresentados. Tal fato era de se esperar como previsto pela teoria sócio-interacionista de Vygotsky para a construção do conhecimento.

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Figura 02 : Histogramas do aproveitamento das duas turmas que tiveram a redação como tarefa.

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## 4. Conclusões

A partir dos histogramas das Figuras 01 e 02 podemos concluir que:

Com rendimento igual ou superior a 50% em 2014 - sem redação -temos 55,56% e 77,78% dos alunos, respectivamente para o primeiro e segundo períodos. Já em 2015/2 e 2016/1 - com redação -esse mesmo rendimento foi obtido por 72,72% e 88,88% dos alunos, respectivamente.

Em 2016/1, houve um percentual de alunos com aproveitamento acima do limite de 70% em todos os períodos anteriores.

- O aproveitamento abaixo de 50% caiu razoavelmente com o recurso da redação: de 66,66% para 38,40% dos alunos da amostra considerada.

Depois de todas essas constatações, concluímos que a produção textual repercutiu positivamente no aproveitamento/aprendizagem dos licenciandos em Química pesquisados.Cabe lembrar que a produção textual foi atingida após interações dos alunos entre si. Isso corrobora o que preconiza o princípio de Vygotsky de que o desenvolvimento intelectual acontece começando da 'fala social' para a 'fala interior', ou seja, o conhecimento é construído individualmente a partir de relações coletivas.

Pretendemos ampliar a aplicação da metodologia proposta em outros cursos para corroborar, ou não, as conclusões aqui obtidas e deixamos a sugestão para quem dela se interessar. Convém que os temas sejam alterados periodicamente para manter desafios para professor e alunos.

## Referências

CHAMPAGNE, Audrey B.; KLOPFER, Leopold E.; ANDERSON, John H.. Factorsinfluencingthelearningofclassicalmechanics. Am. J. Phys., 48 (12), Dec. 1980, p. 1074-1079.

SETLIK, Joselaine; HIGA, Ivanilda. Leitura e Produção Escrita no Ensino de Física como Meio de Produção de Conhecimentos. Experiências em Ensino de Ciências , V. 9, No 3, 2014, p. 83-92.

VYGOTSKY, Lev S. . Pensamento e Linguagem . São Paulo: Martins Fontes, 1991.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.