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O ENSINO DE FÍSICA NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Leiliane Do Socorro Costa Araújo, Reginaldo Silva De Oliveira, Glória Maria Conde Lima

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
25/01/2017
Linha de pesquisa
Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O ENSINO DE FÍSICA NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

## Leiliane do Socorro Costa Araújo¹,*Reginaldo Silva de Oliveira², Glória Maria Conde Lima³

## Resumo

Neste artigo discutimos os desafios, as dificuldades e as perspectivas para o auxílio dos professores no processo do ensino-aprendizagem de Física à estudantes com necessidades educacionais especiais na rede de ensino regular. Haja vista, que o mesmo não assegura, de maneira eficaz, a realização de todo um trabalho em conjunto, fazendo assim com que a exclusão e a segregação social e escolar vivenciada no século XX seja substituída por uma inclusão e integração de todos. Geralmente, os professores demonstram um despreparo profissional, principal barreira para uma educação de qualidade para todos, principalmente quando o assunto é adaptar sua metodologia pedagógica de forma com que atenda a todos os seus alunos. Diante disso, torna-se necessário o desenvolvimento do fazer e pensar inclusivo dos docentes em formação inicial e continuada, para que a partir de um novo olhar sobre as metodologias e recursos didáticos saibam adequá-los às novas demandas, estabelecendo assim de forma coletiva a integridade dos alunos que necessitam de uma educação acessível e inclusiva.

Palavras-chave : Inclusão. Física. Integração. Ensino. Deficiência.

## Introdução

Discussões e movimentos a respeito do acesso e permanência de jovens com necessidades educacionais especiais na escola não se configuram como um fato novo no cenário brasileiro. Documentos atuais, tais como a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008) e o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 2011a) indicam a necessidade de mudanças no contexto escolar de modo que haja a 'garantia de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades' (BRASIL, 2011b) se concretize.

No âmbito escolar, o seu lugar tem sido garantido por lei e exige esforço e disposição para compreender ordenamentos epistêmicos nas áreas de saber já constituídas, uma vez que, no território das políticas públicas e em documentos nacionais e internacionais, avança-se muito em direção à inclusão. No entanto, é pouco o que se avança em relação a discussões que envolvem o processo ensino-

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aprendizagem de estudantes que possuem alguma deficiência ou dificuldades de ordenamentos teóricos e práticos em relação ao saber. Este tipo de preocupação surge à medida que educadores se deparam com uma realidade totalmente diferente da esperada, no sentido de atender de forma eficaz à essa diversidade no ambiente escolar. Com o objetivo de apresentar pistas para este problema, este trabalho volta-se para o processo de ensino-aprendizagem de estudantes com necessidades educacionais especiais na percepção do conhecimento na área de Física.

## Educação Inclusiva: uma realidade redundante

Desde a Antiguidade Clássica, o indivíduo que apresentasse ao nascer qualquer tipo de deficiência estava sujeito ao ato conhecido como infanticídio, onde crianças eram abandonadas ou lançadas de um penhasco. No século XXI, mesmo que esta atitude cruel não seja mais tão presente, várias pessoas ainda sofrem com atitudes onde são tarjadas de diversos conceitos em vários campos da sociedade civil. Na Educação, por exemplo, o indivíduo com deficiência é um "aluno especial", cujas necessidades específicas demandam mecanismos, aparatos e níveis de aperfeiçoamentos definidos de acordo com a particularidade que cada um apresenta, seja ela física, sensorial ou intelectual. No campo da medicina, o mesmo aluno é lidado como "paciente", enquanto na esfera da assistência social ele é um "beneficiário" carente de recursos essenciais à sua sobrevivência e sujeito a formas de concessão de benefícios temporários ou permanentes de caráter restritivo. Percebe-se então, um conceito de sujeito inferior, incapaz e incompleto sem as mínimas condições necessárias das múltiplas dimensões da vida humana.

Com a Declaração de Salamanca - documento elaborado na Conferência Mundial sobre Educação Especial, em Salamanca, na Espanha, em 1994 -, firma-se o objetivo de fornecer orientações básicas para a formulação e reestruturação de políticas e sistemas educacionais de acordo com o movimento inclusivo social. Nessa convenção participaram noventa e dois governos e vinte cinco organizações internacionais, que discerniram a necessidade e premência de que o ensino chegasse a todas as crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais no âmbito da escola regular.

A Declaração de Salamanca é considerada um dos principais documentos mundiais que visam a inserção social, ao lado da Convenção de Direitos da Criança (1988) e da Declaração sobre Educação para Todos de 1990. Ela é o resultado de um movimento a nível mundial que buscou consolidar a educação inclusiva, e cuja origem tem sido conferida aos movimentos de direitos humanos e de desinstitucionalização manicomial que emergiram a partir das décadas de 60 e 70.

A educação inclusiva apresenta como principais objetivos: o aumento da participação de todos os alunos na comunidade escolar e a redução do número de alunos vítimas da exclusão escolar e social, o que pode ser comprovado nas seguintes definições:

'[...] é o meio mais efetivo de combater as atitudes discriminatórias, criando comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando a educação para todos, além disso proporciona uma educação eficaz para a maioria das crianças, melhora a eficácia e, por fim, a relação custo-efetividade de todo o sistema educativo' (UNESCO, Declaração de Salamanca 1994, XI).

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- O movimento de inclusão já é realidade em alguns lugares. O campo educacional está sofrendo mudanças necessárias que precisam ser efetivadas e adaptadas às novas exigências.

Mas a realidade nos conta outra versão, visto que a Educação Inclusiva é na efetividade uma redundância, haja vista que a educação prever atender à todos. Uma versão altamente influenciada pelo poder e principalmente pelo sistema capitalista que separa as pessoas das outras. Em outras palavras, a inclusão na prática é diferente da do papel, já que ofertar à vaga porque existe a lei não é suficiente, lembrando que, a partir do momento em que a escola recebe uma pessoa com deficiência, todos, do porteiro ao diretor, têm que participar do processo de inclusão. Nesta perspectiva se fomenta um movimento de mudança da realidade para se conseguir reverter o quadro de exclusão de crianças, jovens e adultos com ou sem deficiência no sistema educacional.

Aceitar alunos com dificuldades de aprendizado é uma coisa; agora garantir o real acesso ao conteúdo é outra. Além disso, para que seja colocado em ação o projeto inclusivo, há necessidade de uma atitude positiva e disponibilidade do professor para que ele possa criar uma atmosfera confortável e hospitaleira na classe. A sala de aula afirma ou nega o sucesso ou a eficácia da inclusão escolar, mas isso não quer dizer que a responsabilidade seja só do professor. O professor não pode estar sozinho, deverá ter uma rede de apoio, na escola e fora dela, para viabilizar o processo inclusivo, como afirma à Declaração:

Para crianças com necessidades educacionais especiais uma rede contínua de apoio deveria ser providenciada, com variação desde a ajuda mínima na classe regular até programas adicionais de apoio à aprendizagem dentro da escola e expandindo, conforme necessário, à provisão de assistência dada por professores especializados e pessoal de apoio externo. (Declaração de Salamanca, 1994).

As salas especiais continuaram funcionando, pois, os professores não se achavam preparados e meramente bem instruídos, as escolas não tinham a estrutura necessária e os grupos de defesa dos direitos das pessoas com deficiência duvidavam da inclusão. Até que, em 2008, após anos de discussões, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva acabou com as opções de escolha entre ensino regular e especial.

Ensinar os conteúdos das disciplinas passa a ser tarefa do ensino regular, e o profissional da Educação Especial fica na sala de recursos para dar apoio com estratégias e recursos que facilitem a aprendizagem. É ele quem se certifica, ainda, de que os recursos que preparou estão sendo usados corretamente, informando também a escola sobre os materiais a serem adquiridos e buscando parcerias externas para concretizar seu trabalho.

A princípio, esse educador não precisa saber tudo sobre todas as deficiências. Vai se atualizar e aprender conforme o caso. Ele pode atuar na sala comum de longe, observando se o material está sendo corretamente usado, ou estender os recursos para toda a turma, ensinando a língua brasileira de sinais (Libras), por exemplo. Quem souber se adaptar não correrá o risco de perder espaço, já que o profissional maleável sempre é bem-vindo.

A nova política começou a mudar os padrões ao definir com clareza como deve ser oferecida a Educação para todos os que têm deficiência. Como pode ser

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observado na figura abaixo que o número de alunos com necessidades especiais no ensino regular superou o de matriculados em salas especiais.

Figura 1: Ensino regular x Ensino Especial

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Diante disso, a nova política nacional para a Educação Especial é taxativa: todas as crianças e jovens com necessidades especiais devem estudar na escola regular. Desaparecendo assim, portanto, as escolas e classes segregadas. O atendimento especializado continua existindo apenas no turno oposto. É o que define o Decreto 6.571, de setembro de 2008. O prazo para que todos os municípios se ajustem às novas regras vai até o fim de 2010.

## Os professores de Física e os desafios da inclusão

O aumento progressivo de alunos com necessidades especiais matriculados na rede de ensino regular é significativo, por enunciar que o direito à escola está sendo garantido, no entanto, não se pode afirmar o mesmo no que se refere à estabilidade e à qualidade da educação. Sobre este assunto, MANTOAN apoia que:

A igualdade de oportunidades é perversa quando garante o acesso, por exemplo, à escola comum de pessoas com alguma deficiência de nascimento ou de pessoas que não têm a mesma possibilidade das demais de passar pelo processo educacional em toda a sua extensão, por problemas alheios aos seus esforços. Mas não lhes assegura a permanência e o prosseguimento da escolaridade em todos os níveis de ensino. Mantoan (2006, p. 189)

Em uma sala de aula que não apenas insira o aluno com deficiência, mas que o inclua no processo de aprender, é por vezes limitado em algumas situações no ensino de física, e vem sobrecarregando professores, pois, os mesmos não estão capacitados para tal, e mesmo assim são colocados em salas nas quais nem sempre conseguem responder, como alega Glat e Pletsch (2004), sobre 'o despreparo dos professores para lidar com alunos com significativos déficits cognitivos, psicomotores e/ou sensoriais na complexidade cotidiana de uma classe regular.'

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Apesar de críticas e sugestões para mudanças nas práticas educativas, no ensino de Física da Educação Regular, ainda há a predominância de um ensino pautado na oralidade do professor, e cujo resultado da aprendizagem tem se configurado como a memorização, na maioria das vezes temporária, de um amontoado de fórmulas, assim, no que se refere ao ensino de Física voltado para a inclusão de alunos com deficiência visual, questiona - se: De que forma o estudante compreende certos conceitos físicos e os aplica?

Como ocorre a construção do conhecimento em certas áreas da Física?

Tais indagações remetem-nos à compreensão num primeiro momento de como o professor que trabalha ou já trabalhou com estes estudantes conduz o processo ensino-aprendizagem. É evidente que concordamos com Camargo &amp; Silva (2003, p.1218) quando afirmam que

...é compreensível que os estudantes com deficiência visual tenham grandes dificuldades com a sistemática do Ensino de Física atual visto que o mesmo invariavelmente fundamenta-se em referenciais funcionais visuais.

Deste modo a Inclusão educacional é muito mais do que a busca por novas metodologias e recursos didáticos. É também levar em conta os desafios e dificuldades destes professores em lidar simultaneamente, com alunos ditos 'normais' e alunos com algum tipo de deficiência em sala de aula, os limites da formação profissional, o número elevado de alunos por turma, a rede física inadequada.

Os estudantes com deficiência visual têm muitas dificuldades com os métodos que normalmente são utilizados nas aulas de Física, haja vista que se fundamentam basicamente em referenciais visuais. Mesmo que os outros sentidos sejam de extrema importância para os alunos, a visão parece dominar toda e qualquer atividade que se concretize no ambiente escolar. Como por exemplo, as anotações no caderno, textos transcritos na lousa, provas escritas, recursos visuais (datashow), entre outros métodos, não proporcionam as condições primordiais para o ensino destes alunos e os conduzem ao baixo rendimento escolar. Por tanto a uma grande diferença no processo de ensino, que necessita ser desenvolvida, para não repercutir em desvantagem na aprendizagem. Como cita CAMARGO:

Os indivíduos citados estão aptos a aprender qualquer conteúdo ensinado, [...] mas em linhas gerais, não encontraram ou não encontram condições educativas específicas para sua aprendizagem no contexto escolar (um dos ambientes mais importantes de inclusão). Representam uma quantidade significativa de cidadãos que necessitam ou já necessitaram de algum tipo de preocupação diferenciada quanto às práticas de ensino de Física. Diferenciadas não no sentido excludente, mas no sentido de uma atenção especial as características próprias desses indivíduos, características estas, que exigem a elaboração ou adaptação de métodos de ensino e formas de avaliação. Diferenciadas também no sentido de inovadoras, pois, supõe-se que os métodos de ensino, as atividades, as formas de avaliação etc [...] desenvolvidas ou adaptadas e aplicadas a indivíduos com deficiência visual, poderão auxiliar outras pessoas (com deficiência visual ou não) em seu aprendizado de Física. (CAMARGO, 2005, p.6).

Infelizmente, como enfatizam os autores acima citados, as capacitações e as formações na área, que deveriam abranger as redes regulares de ensino público acabam sendo uma realidade distante, pois fomentar uma aprendizagem significativa para os alunos com deficiências, a começar de suas particularidades e histórias pessoais, são implicações que acabam adquirindo proporções ainda maiores e complexas quando as escolas não contam com recursos pedagógicos

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adaptados, diversos autores, dentre os quais, Glat, Fontes e Pletsch (2006, p.4), concluem que a escola precisa, além de reorganizar sua estrutura de funcionamento, metodologia e recursos pedagógicos, conscientizar e capacitar seus profissionais. Em um sistema educacional inclusivo torna-se fundamental a especificidade da experiência em processos diferenciais de aprendizagem da Educação Especial, tanto como campo de conhecimento quanto como área de atuação aplicada (GLAT &amp; BLANCO, 2007).

## Conclusão

São muitos os desafios a serem enfrentados na inclusão, mas as iniciativas e as alternativas realizadas pelos educadores são essenciais no aprendizado, mesmo que não apresente números consideráveis, a inclusão tem sido admitida e revela ações que devem ser consideradas práticas para apoiar o professor em pleno exercício. Ter um segundo professor em sala, é um exemplo a ser seguido, pois há a necessidade de se ter presente durante todas as aulas ou em alguns momentos, nas mais diversas modalidades, seja como intérprete, apoio, monitor ou auxiliar, já seria uma grande ajuda, esse professor poderá possuir formação específica, a participação do professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) poderá ocorrer na realização do planejamento e no suporte quanto à compreensão das condições de aprendizagem dos alunos, como forma de auxiliar a equipe pedagógica.

São essas atuações que irão promover aos alunos a possibilidade de reorganização do entendimento, à medida que são respeitados os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem, centralizando os esforços para além da convivência, e sim para as eventualidades de participação e de aprendizagem efetiva, tornando a aula produtiva e satisfatória para todos os alunos.

## Referências

BRASIL-MEC-SEESP. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. 2008. Disponível em:

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MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Igualdade e diferenças na escola - como andar no fio da navalha. Inter-Ação: Rev. Fac. Educ. UFG, 31 (2): 185-196, jul./dez. 2006.

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