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ETNOFÍSICA E GASTRONOMIA DO NOROESTE MINEIRO: UM PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM ATRAVÉS DE UM ESPAÇO SOCIOCULTURAL

Júlio César Rodrigues Da Silva, Marli Teresinha Quartieri, Italo Gabriel Neide

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
26/01/2017
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão Social E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ETNOFÍSICA E GASTRONOMIA DO NOROESTE MINEIRO: UM PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM ATRAVÉS DE UM ESPAÇO SOCIOCULTURAL 1

Júlio César Rodrigues da Silva , Marli Teresinha Quartieri , Italo Gabriel Neide 1 2 3

1 Centro Universitário Univates, jcrs.engenheiro@gmail.com 2 Centro Universitário Univates, mtquartieri@univates.br 3 Centro Universitário Univates, italo.neide@univates.br

## Resumo

O presente artigo elucida um dos processos de uma pesquisa de mestrado profissionalizante em Ensino de Ciências Exatas que tem como objeto principal utilizar a Etnofísica para o ensino e a aprendizagem da disciplina de Física. Portanto trata-se de uma pesquisa qualitativa onde foi utilizado como método o estudo de caso. Este explana uma prática educativa desenvolvida com alunos do Ensino Médio de uma escola pública de Minas Gerais. O referencial teórico apresenta a Etnofísica como um programa de estudos oriundos do campo das Etnociências com referência as ciências naturais presentes nos aspectos socioculturais. Em outras palavras, significa analisar o modo de notar, de decifrar, de compreender, de esclarecer, de dividir, de trabalhar, de sentir, de experimentar os fenômenos físicos. Dessa forma, a atividade analisada nesse artigo foi desenvolvida com os alunos consistindo em utilizar o meio sociocultural como laboratório de Física. Os alunos participantes foram de uma turma do 2º ano do Ensino Médio com aproximadamente quarenta alunos, os quais foram divididos em 7 grupos, tendo como tema central de investigação a gastronomia mineira. Portanto, cada grupo deveria entrevistar um membro de sua sociedade buscando a física envolvida nos procedimentos para se fazer o prato culinário. Os temas pesquisados foram: a pamonha de milho, o arroz carreteiro mineiro, o feijão tropeiro, o queijo fresco, o frango com açafrão e o picadinho de carne e o tradicional pão de queijo. Foi apreendido que os procedimentos para se fazer os pratos típicos apresentaram muitos fenômenos físicos sendo a termologia um dos principais. Nesse aspecto, os pesquisadores criaram aulas que foram desenvolvidas nos ambientes socioculturais dos alunos. De modo geral, os procedimentos serviram para tornar as aulas de física mais interessantes e para proporcionar a participação das famílias nos processos de ensino e aprendizagem dos alunos.

Palavras-chave : Etnofísica, Gastronomia, Ensino Médio.

## Introdução

Com um público cada vez mais heterogêneo e, como mencionam Knijnik et al. (2012, p. 26), 'heteroglóssico ', uma questão norteadora para ser pensada é: O que 2 e como ensinar nas aulas de Física no Ensino Médio? Uma resposta pronta para essa questão seria tão incoerente, como argumentar que é possível dividir essas turmas em 'bons' e 'maus' alunos na disciplina de Física. Estereótipos como esses surgem no ambiente escolar e mostram que, muitas vezes, professores, conteúdos, metodologias e legislações educacionais, andam em direções contrárias.

Nesse sentido, o estudo da Física pode parecer, ao jovem dessa etapa

escolar, tão perto e ao mesmo tempo muito longe. Quanto ao professor, é importante que busque aproximar teorias à realidade do aluno. Tarefa fácil? Podemos responder que não. Mas inspirados nesse tipo de dificuldade, ao longo desse texto apresentamos uma proposta para o ensino da física que vai além do tradicional praticado constantemente nas salas de aula. Corroboramos com a ideia de difundir, ainda no Ensino Médio, uma Física ligada aos aspectos socioculturais dos alunos.

Para criar a prática educativa descrita no item Materiais e Métodos desse artigo, primeiramente buscamos entender a realidade do cotidiano dos alunos. Para isso houve a necessidade de dialogar com os jovens envolvidos no trabalho. Nesse aspecto destacamos que esse tipo de ação deve ser um dos fatores para o planejamento didático do professor pois proporciona uma abertura para as distintas realidades de uma sala de aula. Dessa forma entendemos que essa realidade pode ser um fator de transformação e construção de conhecimentos. D'Ambrósio (2008, p. 8) ressalta que o importante '[...] é procurar nas tradições e práticas populares e nas profissões ligadas aos sistemas de produção, as relações entre o conhecimento científico e o conhecimento prático'.

Ainda nessa mesma linha de considerações de D'Ambrosio (2008), acreditamos que muito mais do que aprendizagem de teorias da física há a necessidade de se pensar na formação desse estudante para o convívio em sociedade. Esse aspecto é levantado pelo Plano Nacional de Educação (PNE) esclarecendo que o Ensino Médio deve promover: '[...] percepção da dinâmica social e capacidade para nela intervir'. E ainda '[...] habilidades para incorporar valores éticos de solidariedade, cooperação e respeito às individualidades' (BRASIL, 2001, p. 25). Portanto resgatar tradições e concomitantemente promover o ensino da Física, em nosso ponto de vista, é uma forma de educar para o mundo científico e explorar valores para o convívio social.

Muitos certamente nos perguntarão: Por que um professor de Física deveria se preocupar com essas questões? Respondemos, apropriando-nos e corroborando com as ideias de D'Ambrósio (2012, p. 87): 'O fato é que, ou se é mestre em sua totalidade e se fala de tudo, ou se é meramente repetidor de teorias feitas e congeladas, como num CD-ROM. Vejo nossa responsabilidade indo muito além da competência disciplinar'.

Nessa busca, o sentido seria de uma Física não totalmente pura ou teórica, mas capaz de tratar com os alunos do Ensino Médio sobre sua aplicação dentro da sociedade. Massoni (2010), em sua tese, enfatiza que o ensino de Física pode melhorar através da divulgação dos resultados e práticas pedagógicas. A autora também acrescenta que são necessários professores com disponibilidade para pesquisar novas mudanças.

A esperança parece ficar por conta das inúmeras propostas pedagógicas e da divulgação e análise de seus êxitos e dificuldades, que fornecem uma gama de possibilidades aos professores dispostos à transformação e que de fato se valem dos resultados da pesquisa em Ensino de Ciências (MASSONI, 2010, p. 64).

Na perspectiva de Massoni (2010), se o professor não inovar, nem buscar um diferencial para suas aulas, o momento escolar pode tornar-se a velha e conhecida 'Educação Bancária'. Seria um processo, em que o professor seria o centro de tudo e o aluno, um mero expectador, receptor de informações prontas. Nesse sentido,

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Freire (1981, p. 19) sustenta que:

Este procedimento ingênuo ao qual o educando é submetido, ao lado de outros fatores, pode explicar as fugas ao texto, que fazem os estudantes, cuja leitura se torna puramente mecânica, enquanto pela imaginação, se deslocam para outras situações. O que se lhes pede, afinal, não é a compreensão do conteúdo, mas sua memorização. Em lugar de ser o texto a sua compreensão, o desafio passa a ser a memorização do mesmo. Se o estudante consegue fazê-lo, terá respondido ao desafio.

Na proposta desse artigo, nem professor, nem aluno e muito menos a escola é o 'centro de tudo'. É como se o planejamento didático docente saísse de um movimento uniforme e entrasse em um movimento variado. Assim, quanto mais profundo for o estudo do ambiente sociocultural mais ricas serão as abordagens na disciplina de Física. Essa importância também é tratada na obra de Gonzatti (2013, p. 5):

Como integram nosso cotidiano, podemos trabalhar com a compreensão desses conceitos a partir das vivências dos alunos e dos professores, isto é, usar a leitura e a observação do mundo do qual somos parte para iniciar um processo de alfabetização científica e construir significados que se aproximem do conhecimento formal da ciência. Nesse sentido, podemos argumentar quanto à importância de, em nível escolar, construir os significados corretos desses conceitos, formando uma base conceitual que favoreça a compreensão dos fenômenos pelos alunos ainda na sua fase de alfabetização.

As experiências dos alunos também identificadas por Gonzatti (2013) como 'vivências', é um dos alicerces defendidos pelo trabalho que resultou nesse artigo. Portanto para criar uma prática que abarcasse o mundo do aluno (seu viver/experimentar) e simultaneamente a disciplina de Física foi utilizado o contexto das ideias do campo da Etnofísica.

Para entender esse termo, podemos pensar no Etno pela acepção de D'Ambrósio, significando: '[...] que há várias maneiras, técnicas, habilidades'. (D'AMBRÓSIO, 2001, p. 13, grifos do autor). Agora quanto ao complemento Física: 'Fise e Fisio' são elementos compostos, vindo do grego e significando 'de natureza' (POZZOBON, 2011, p. 13). Ainda nessa busca: Física, do latim physica, ae: Ciência que estuda as propriedades gerais da matéria e da energia e suas leis fundamentais (AULETE; VALENTE, 2015). A Etnofísica pode ser entendida como os procedimentos culturais onde são utilizadas as energias e forças da natureza para realizar procedimentos do cotidiano.

Dessa forma, Souza (2013, p. 101) destaca: 'Assim, em analogia à Etnomatemática, um olhar Etnofísico significa considerar ontologicamente o modo de ver, de interpretar, de compreender, de explicar, de compartilhar, de trabalhar, de lidar, de sentir os fenômenos físicos.' Ainda nessa temática, Prudente (2010, p. 2) comenta que se pode entender a Etnofísica como uma menção às ciências populares sobre os conhecimentos Físicos. No campo histórico e sociológico, é pertinente a citação de Gonçalves (2011, p. 11), quando menciona: 'A memória coletiva é uma das bases da identidade e pode ser traduzida em consciência histórica da própria cultura, não só em termos abstratos, mas também como cultura material'. Portanto a gastronomia pode uma cultura material carregada de conhecimentos científicos.

Barreto e Miltão (2011, p. 677) trazem o seguinte conceito: 'Etnofísica, área da Física que busca compreender, a partir dos próprios grupamentos sociais, a sua

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visão de mundo'. Portanto, não apenas se sujeita a ser mais uma subárea do estudo da Física. A Etnofísica deveria compreender que toda ciência deve estar a serviço do homem, proporcionando melhorias de seu meio social. Conforme enfatiza D'Ambrósio (2015, p. 50): 'O foco de nosso estudo é o homem, como indivíduo integrado, imerso, numa realidade natural e social, o que significa em permanente interação com o meio ambiente natural e sociocultural'.

Registrar, disseminar e utilizar a Etnofísica de uma sociedade pode constituirse em uma ampliação de elementos culturais e uma importante ferramenta de ensino e aprendizagem. Ainda nessa acepção, esse entendimento de como os sujeitos de uma cultura 'fazem Física' evidencia que o professor em sala de aula pode encontrar em seu aluno um cientista do cotidiano, utilizador de conceitos, teorias e práticas distintas do mundo acadêmico. Sua vida e seu mundo seriam seu campo teórico e, ao mesmo tempo, prático.

Portanto essa pesquisa qualitativa de estudo de caso tem o objetivo de demonstrar os resultados de uma prática pedagógica desenvolvida com alunos do 2º ano do Ensino Médio de uma escola pública do Noroeste Mineiro, onde a Etnofísica esteve presente como elo direcionador dos processos de ensino e aprendizagem. Também busca evidenciar que é possível que as famílias e a comunidade escolar participem dos processos educativos e de formação promovidos pela escola.

## Materiais e Métodos

As ações consistiram em uma pesquisa de campo feita pelos alunos e de aulas de física contextualizadas pelos dados obtidos pelas pesquisas. Todas as ações descritas a seguir aconteceram no mês de março de 2016. Os alunos envolvidos são do 2º ano do Ensino Médio de um escola pública localizada no Noroeste de Minas Gerais.

Primeiramente foi apresentado aos estudantes o tema central de toda a atividade: A Gastronomia do Noroeste Mineiro. No momento seguinte, a turma que conta com aproximadamente 40 alunos foi dividida em grupos ficando uma média de 6 alunos por grupo. Logo em seguida cada grupo foi orientado a criar no mínimo 5 perguntas que seriam utilizadas para entrevistar um membro de sua comunidade (familiar, amigo, vizinho, conhecido, etc). As respostas dessas perguntas deveriam indicar fenômenos físicos presentes em procedimentos da gastronomia da região. Os grupos interagiram entre si, criaram as perguntas e saíram a campo para proceder a investigação.

Os temas pesquisados foram 7, um para cada grupo: a pamonha de milho, o arroz carreteiro mineiro, o feijão tropeiro, o queijo fresco, o frango com açafrão, o picadinho de carne (tradicional em um comercio da cidade) e o habitual pão de queijo. Essas primeiras ações aconteceram extraclasse, com o tempo médio de 1 a 2 horas e foram todas acompanhadas por um dos autores desse artigo que é professor de Física da turma.

Algumas das perguntas criadas pelos alunos foram: O que é e porque é necessário 'afogar o arroz'? Há diferença entre cozinhar com fogão a lenha e com fogão a gás? Qual a diferença entre fritar e cozinhar? Por que é necessário escaldar a massa do pão de queijo e o que é escaldar? Como você sabe que está assado? Sem o olhar etnofísico, essas perguntas podem parecer simples. Por isso, foi através de um planejamento didático, com um profundo conhecimento de

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referenciais teóricos da Etnofísica que foi criado 7 aulas que foram lecionadas nos ambientes dessas pesquisas.

As aulas foram criadas pelos pesquisadores através da observação das perguntas feitas pelos alunos e das respostas dadas pelos entrevistados. O sentido maior era o de criar uma ambiente comum ao aluno que aos poucos fosse se abrindo para o mundo científico. Essas aulas duraram cerca de 3 a 4 horas acontecendo em 7 encontros, um para cada grupo.

Elas foram iniciadas com perguntas norteadoras onde o grupo de alunos deveria interagir e pensar em um conceito capaz responder à questão. Por exemplo: Qual a diferença entre cortar o alho e amassar o alho? Porque a faca corta e o amassador de alho esmaga? Qual conceito criado pelo grupo melhor explica esse procedimento? Dependendo do tema do prato típico, as perguntas norteadoras eram contextualizadas diferentemente.

Para auxiliar os alunos na criação de seus conceitos físicos, foi aproveitado o acontecimento do prato típico, assim a cozinha, o cozinheiro e os utensílios serviram de laboratório para observação e em alguns momentos para a prática. Dessa forma os fenômenos físicos apareciam aos poucos aos olhos dos alunos, assim aquilo que era comum ao seu dia a dia tornava-se um objeto de observação para uma construção científica.

Ao final de cada aula, os alunos o pesquisador e o cozinheiro (entrevistado) fizeram a confraternização saboreando os pratos gastronômicos produzidos. Como a maioria dos entrevistados eram familiares e os locais investigados eram as residências dos alunos, esses momentos serviram para que o grupo trocasse ideias sobre convívio familiar, histórias de vida, saberes de suas sociedades.

## Resultado e Discussão

De todo o processo demonstrado anteriormente, acreditamos que um dos pontos mais importantes foram os momentos de criações feitas pelos alunos. Seja pela escolha dos temas, ou pela escolha dos entrevistados ou ainda pela confecção das perguntas para as entrevistas a campo, os alunos aprenderam e demonstraram gradativamente que a física está presente em vários aspectos do seu cotidiano e que é possível criar conceitos físicos diferentes daquelas descritas nos livros didáticos. Isso veio de encontro com, Souza (2013, p. 101) quando afirma que: 'um olhar Etnofísico significa considerar ontologicamente o modo de ver, de interpretar, de compreender, de explicar, de compartilhar, de trabalhar, de lidar, de sentir os fenômenos físicos.' Em alguns momentos os grupos se apropriaram de alguns desses elementos citados por Souza, senão por todos e sem teorias prontas suas explicações e conceitos eram construídos.

Portanto, as aulas de física criadas pelos professores, mesmo carregando como tema principal a Gastronomia do Noroeste Mineiro, foram distintas nos 7 grupos de alunos. Houveram observações de ciências mais profundas em alguns grupos enquanto outros grupos estavam mais conectados à parte prática que acontecia frente a seus olhos. Enfim, conforme D'Ambrósio (2008, p. 8) esclarece, '[...] é procurar nas tradições e práticas populares [...] as relações entre o conhecimento científico e o conhecimento prático'. Em outras palavras consistiu em momentos onde predominou o saber fazendo e em momentos onde predominou o fazer, agora sabendo.

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Figura 01: Pão de queijo após assado pela mãe de uma aluna participante. Fonte: Dos autores.

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## Considerações Finais

A pratica descrita nesse artigo faz parte de um dos procedimentos que foram utilizados dentro de uma pesquisa que avalia o uso da Etnofísica como uma metodologia de ensino e aprendizagem para disciplina de Física. Dessa forma, mergulhados em todo o processo descrito na introdução, tivemos a pretensão de acompanhar o trabalho dos alunos, observando e registrando as informações encontradas.

Nos processos de investigação feita em campo pelos alunos foi observado que os investigados utilizam a física no preparo do prato típico, de uma forma tão habitual e intermitente que o mesmo passa a ser muito comum ao seu cotidiano. Portanto o exercício diário leva a um conhecimento muito aperfeiçoado demonstrando que a prática também gera uma forma de aprendizagem.

Ainda nessa investigação, percebemos que mesmo sem perceber, os entrevistados utilizam conceitos de física, muitos deles ligados a termologia. Entre os observados podemos elencar: condução, convecção e irradiação e de calor; fontes energéticas de madeira e a gás; bons e maus condutores de calor, entre outros. Dessa forma se seus conhecimentos forem direcionados para o ensino, certamente estão presentes dentro de alguns programas do ensino da física no ensino médio.

Portanto a Etnofísica desse grupo investigado, além de demonstrar as riquezas científicas que uma cultura pode carregar, ainda remete ao entendimento de que seu uso em práticas educativas, pode representar um valoroso processo de ensino e aprendizagem. Não que pretendemos mudar o atual cenário do ensino da física do ensino médio brasileiro, pelo contrário nossa proposta corrobora com a ideia de que é necessário abrir discussões acerca do tema.

Por fim, para o entendimento se essa proposta pode realmente auxiliar o aluno em sua aprendizagem, destacamos a informação comentada por Gardner (1995, p. 162) o autor afirma: '[...] argumento que um indivíduo 'entende', sempre

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que ele é capaz de aplicar conhecimentos, conceitos ou habilidades [...]'. Portanto, acreditamos que que nessa pratica de ensino, cada momento individual ou em grupo contém indícios de uma nova aprendizagem seja também individual ou em grupo. Indicamos a outros profissionais do ensino da física que avaliem e busquem utilizar a gastronomia e a Etnofísica como um dos procedimentos para melhor exploração de temas da física.

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