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ACESSIBILIDADE NO ENSINO DE FÍSICA

Larissa Cristina Dos Santos, Rita De Cássia Dos Anjos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
26/01/2017
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão Social E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ACESSIBILIDADE NO ENSINO DE FÍSICA

## Larissa C. Santos , Rita C. Anjos 1 2

1 Universidade Federal do Paraná - Setor Palotina/Departamento de Engenharias e Exatas/, larissadossantos\_14@hotmail.com

## Resumo

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 80% dos casos com deficiência visual apresentam baixa visão, sendo que essa população necessita de orientação com abordagem educacional específica. Desenvolver materiais pedagógicos para o ensino de exatas para deficientes é uma maneira eficaz de investir na formação dos estudantes e transformação social do ensino-aprendizagem da rede pública. Este projeto visa contribuir significativamente na formação de nossos educadores (licenciandos UFPR) e alunos deficientes visuais e de baixa visão da rede pública de Palotina e região, envolvendo dois universos distintos e complementares: as instituições parceiras: escolas estaduais e municipais do município de Palotina e a instituição proponente: Universidade Federal do Paraná/ Setor Palotina. As primeiras atividades desenvolvidas foram o aprendizado do alfabeto Braille (leitura e escrita), o multiplano e informática adaptada. Os resultados parciais deste projeto desenvolvido serão apresentados e discutidos.

Palavras-chave : deficiência visual, braille, ensino de exatas

## Introdução

Desenvolver materiais pedagógicos para o ensino de exatas para deficientes visuais juntamente com uma formação dos licenciandos do curso de Licenciatura em Ciências Exatas da UFPR/Palotina voltada à inclusão, é uma maneira eficaz de investir no ensino-aprendizagem da rede pública. Objetiva-se formar docentes com uma fundamentação teórica sólida e uma nova postura frente à prática da inclusão, resultando em uma maior capacidade de reflexão e análise crítica, de forma a influenciar a escola em diferentes aspectos.

Para que as mudanças na sociedade sejam acompanhadas no ensino, são necessários novos profissionais, com capacidade de reflexão e com uma formação voltada para a inclusão de alunos com necessidades específicas, devido ao avanço de tecnologias, conhecimento e exigências do mundo no qual estamos inseridos (SHIGUNOV, 2002). O profissional (educador) que possui esta formação, amplia o seu campo de trabalho e se adéqua com mais facilidade às necessidades exigidas para um melhor ensino.

A capacidade de aprender ciências exatas de um deficiente visual é igual ou superior a de uma pessoa que tem boa acuidade visual. A criança deficiente visual cresce e se desenvolve de forma semelhante às videntes, pois o crescimento se dá de maneira sequencial com as mesmas etapas. As diferenças se encontram no processo de desenvolvimento, pois cada criança se desenvolve de acordo com suas

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potencialidades e ritmo. Entretanto, as semelhanças entre todas as crianças ainda são maiores que as diferenças (SÃO PAULO, 1993).

A capacitação de profissionais para o trabalho com deficientes visuais é muito necessária, por tal motivo deve-se contar com profissionais responsáveis e motivados. O intuito de capacitar, orientar e conscientizar professores é mediante parâmetros que permeiam toda a iniciativa. Instrumentalizar é criar condições para que o processo de aprendizagem ocorra; e planejar como utilizar estes recursos é profissionalizar os interessados em educação (BRASIL, 2002).

## O ensino e a deficiência visual no Brasil

No Brasil vem aumentando a cada ano o número de alunos com algum tipo de deficiência (visual, auditiva, física e mental) matriculados no ensino básico e no ensino superior, devido às recomendações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LEI Nº. 9394/96, Artigo 4º) (BRASIL, 2001). A figura 01 mostra o crescimento no número de alunos com necessidades especiais matriculados entre os anos de 2009 e 2016 no ensino básico, redes privada e particular. A figura 02 mostra o crescimento a partir da estatística de alunos portadores de deficiência visual e baixa visão nos cursos de graduação presenciais e a distância nos anos de 2011 a 213.

Os indivíduos cegos sofrem preconceitos desde a antiguidade, onde iniciouse o culto à beleza e ao corpo com suas funcionalidades. Com o avanço no número desses indivíduos, as pessoas com deficiência visual estão cada vez mais sendo inseridas na sociedade e em escolas comuns de ensino. A maioria dessas escolas ainda não oferece apoio especializado à criança, à família e ao professor de classe regular, o que prejudica o desempenho do aluno com deficiência visual em sua escola e em seu desenvolvimento futuro como cidadão (CARDOSO, 2006).

O ensino do Sistema Braille (escrita e leitura) é imprescindível no processo de comunicação desses alunos, como também a matemática por meio do Soroban. O sistema Braille é um código Universal de leitura tátil e de escrita, usado por pessoas cegas. Foi desenvolvido na França pelo jovem cego Louis Braille, a partir do sistema de leitura no escuro, para uso militar, de Charles Barbier. Utilizando seis pontos em relevo dispostos em duas colunas, possibilitando a formação de 63 símbolos diferentes. O sistema Braille é utilizado na literatura em diversos idiomas, na simbologia matemática e cientifica, na música e informática. A partir da invenção do sistema em 1825, Braille desenvolveu estudos que resultaram em 1837 na proposta que definiu a o sistema atual, ainda hoje utilizada mundialmente. Por sua eficiência e aplicabilidade, o sistema se consagrou como o melhor meio de leitura e de escrita para as pessoas com deficiência visual e baixa visão. Porém, o cego ainda enfrenta a dificuldade de não encontrar ao seu redor pessoas que conhecem a escrita Braille, dificultando dessa forma sua comunicação (BAPTISTA, 2000).

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Figura 01 : Estatística de alunos com necessidades especiais no ensino básico (BRASIL, INEP, 2009)

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Figura 02 : Estatística de alunos deficientes visuais no ensino superior (BRASIL, INEP, 2011)

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## O Braille no ensino de física

O aluno deficiente visual no ensino médio possui grande dificuldade em exatas. No ensino fundamental o deficiente visual trabalha com o soroban e o multiplano para o aprendizado de operações fundamentais na matemática. No entanto, no ensino médio, ao deparar-se com conceitos de física e química, este aluno possui dificuldade pela falta de materiais táteis e de recursos para acompanhamento das aulas. A política inclusiva dispõe sobre o atendimento educacional especializado na educação básica mediante recursos pedagógicos de acessibilidade, assim como a orientação dos estabelecimentos de ensino no atendimento educacional especializado, que pode ser realizado em contra turnos e

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salas de aula multifuncionais. No entanto, estas salas de aula multifuncionais não contemplam, em sua maior parte, profissionais de todas as áreas, o que coloca em risco o aprendizado destes alunos nestas áreas específicas.

A escrita Braille inclui os deficientes visuais na sociedade, proporcionando liberdade, interação e acesso a informação do mundo ao seu redor. Existem hoje na literatura a grafia em matemática e a grafia em química em braille (CERQUEIRA, 2006). No entanto, estes livros em Braille possuem apenas a grafia, esta não está inserida no contexto de um livro didático utilizado pela escola e pelo professor. Mesmo na era da inclusão, poucos docentes conhecem e conseguem utilizar a grafia Braille, visto que ele também possui alunos videntes em sala de aula.

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), hoje principal meio para a entrada em cursos de nível superior do Governo Federal, conta com acessibilidade para a realização da prova para diversas deficiências. No entanto, os alunos deficientes visuais possuem dificuldades na realização destas provas, uma vez que os conteúdos não foram trabalhados devido a deficiência de material pedagógico. A partir do ano de 2007, houve um crescimento efetivo no número de matrículas de estudantes com deficiência na Educação Superior, o que mostra alguns resultados da inclusão e o interesse dos nossos jovens deficientes pelo ensino superior. A partir da figura 02 é possível verificar que as matrículas cresceram, resultado da política inclusiva no país. Entretanto, os principais cursos procurados pelos alunos deficientes visuais estão na área de humanas, o que mostra a necessidade de uma formação mais sólida destes alunos em exatas.

A proposta deste projeto foi a utilização do Braille para transcrever fórmulas e figuras para os alunos deficientes visuais. Não objetivamos a tradução para o braille dos livros utilizados, uma vez que torna inviável para o aluno acompanhar a aula devido ao volume dos livros, e estes variam conforme a escolha da escola. O projeto desenvolverá os livros para física, depois matemática e química. Atualmente são três livros utilizados na rede pública, referentes aos três anos do ensino médio. Da mesma forma, serão três volumes em braille, com os conteúdos dos três anos. Os livros serão descritos em capítulo e em cada capítulo o aluno encontrará as principais expressões e fórmulas trabalhadas em sala de aula pelos professores. O lado esquerdo do livro possuirá a fórmula em Braille e do lado direito, correspondente na folha, a mesma fórmula em tinta, para facilitar o auxílio do professor, mesmo este não conhecendo a escrita Braille. Um exemplo da fórmula escrita em braille e em tinta está descrito na figura 03.

Figura 03 : Fórmula do movimento uniforme escrita em braille

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O ensino de exatas para o deficiente visual será mais efetivo uma vez que o aluno possuir um contato com as expressões em sua linguagem, isto permitirá uma

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participação do aluno nas atividades em sala de aula e um desenvolvimento melhor do ensino-aprendizado de exatas.

## Física em braille na rede

O site www.fisicaembraille.ufpr.br foi criado com o objetivo de ser uma fonte para os professores que possuem alunos deficientes do ensino médio em sala de aula mas não possuem material com acessibilidade. Na maioria dos casos o material existe e já foi utilizado em determinada escola, no entanto não é divulgado. O site fará a divulgação de materiais, metodologia e jogos que facilitem e auxiliem o ensino de exatas para alunos deficientes visuais e de baixa visão.

Com a colaboração de educadores e Instituições interessadas, estamos agregando material para futuras consultas, além de incentivar os professores e chamar a atenção para a inclusão no mundo atual.

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## kit acessibilidade ótica

O aluno deficiente visual possui maior facilidade de assimilação e aprendizado a partir do manuseio dos objetos. Dessa forma, a partir de trabalhos manuais já realizados, construímos o kit acessibilidade ótica. Este kit contém dois experimentos relacionados a ótica e podem ser adquiridos junto à empresa desenvolvedora, figura 05.

## 1 Quadro prisma ótico :

Quadro em aço 1.2 mm de espessura medindo 800x500 mm com apoio traseiro retrátil com limitador de abertura pintura em epóxi pó liso o painel principal é acompanhado por tarugos espaçadores com furo que permite a passagem de barbantes com cores primárias para simbolizar o feixe de luz incidente, triângulo equilátero em acrílico transparente 2mm de espessura com fundo em aberto permitindo o tato de maneira fácil. Ilustra a dispersão da luz branca em um prisma

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óptico, construído primeiramente pelo professor deficiente visual Eder Pires de Camargo e seu grupo na UNESP de Bauru (CAMARGO,2008).

## 2 Quadro magnético de aço com imãs para ensino de ótica física:

Quadro em aço 1.2 mm de espessura medindo 800x500 mm com apoio traseiro retrátil com limitador de abertura pintura em epóxi pó liso. O quadro é acompanhado por tiras magnéticas flexíveis emborrachados de 1mm de espessura que permite demonstrar a formação de imagens por espelhos e lentes. Construído primeiramente a partir do projeto de mestrado profissional em ensino de física sob a orientação do professor Antônio Carlos Fontes dos Santos na UFRJ. Os imãs possuem a forma de retas e cilindros, representando os raios de luz, convergentes e divergentes, permitindo formar imagens em espelhos e lentes.

Figura 05 : Kit acessibilidade ótica

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O conjunto de quadros é acomodado em uma caixa fabricada com madeira reflorestada com abertura da tampa de forma deslizante através de guias trabalhadas na lateral da caixa além e pegadores que facilitam o transporte.

Com o kit o educador poderá trabalhar em sala de aula com alunos deficientes visuais, de baixa visão e videntes, incentivando a prática inclusiva. O kit vem com os roteiros das seguintes práticas: Dispersão da Luz, para ser trabalhado com o prisma ótico. O prisma permite ao aluno deficiente entender de maneira tátil o que é a luz e como podemos representá-la. Com o quadro magnético e imãs é possível trabalhar os roteiros: Leis da reflexão e refração; Espelhos planos; Espelhos esféricos e Lentes.

No ano de 2015 celebramos mundialmente o Ano Internacional da Luz, destacando a importância da luz e de tecnologias ópticas em nossas vidas. O desenvolvimento e disseminação deste kit busca inserir o deficiente visual também neste mundo. Perguntas como o que é luz e como é a sua interação em diferentes meios, são perguntas plausíveis de serem respondidas também por um deficiente visual, a partir de materiais e métodos de ensino-aprendizagem específicos

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## Conclusão

Neste artigo apresentamos as motivações e os resultados parciais do desenvolvimento de materiais para o ensino-aprendizado de exatas para alunos deficientes visuais e de baixa visão. Os livros em Braille que contemplam fórmulas e expressões de física em Braille estão sendo confeccionados, juntamente com o desenvolvimento do site. O primeiro kit proposto, relacionado a ótica já pode ser adquirido. O objetivo é continuar propondo materiais que aprimorem o ensino de exatas para deficientes visuais. Os materiais estão sendo avaliados pelos licenciandos do curso de exatas da UFPR - Setor Palotina e nas escolas da rede pública da cidade de Palotina e região.

## Referências

SHIGUNOV NETO, Alexandre; MACIEL, Lizete Shizue B. (Org.) Reflexões sobre a formação de professores. Campinas: Papirus, 2002.

SÃO PAULO (Estado) Secretaria da Educação. Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. O deficiente visual na classe comum. São Paulo, SE/CENP, 1993.

BRASIL. Ministério da Educação. Apostila do Deficiente Visual e Educação e Reabilitação. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Brasília: MEC, 2002.

BRASIL . Ministério da Educação. Secretaria da educação especial. Estabelece as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília: MEC, 2001.

CARDOSO, M, S. Aspectos Históricos da educação especial: da exclusão á inclusão

uma longa caminhada. In: STOBAUS, C, D. ; MOSQUEIRA, J, J, M. (Orgs.).Educação especial: em direção à educação inclusiva. 3. ed. Porto Alegre:

EDIPUCRS, 2006.

BAPTISTA, José António Lages Salgado. A Invenção Do Braille e a Sua Importância na Vida dos Cegos. Comissão de Braille. Lisboa, Portugal: Gráfica 2000, 2000.

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BRASIL. INEP/MEC. Instituto de Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo Escolar da Educação Básica - Caderno de Instrução, 20092013. Disponível &lt;http://portal.inep.gov.br/basicaGLYPH&lt;31&gt;censoGLYPH&lt;31&gt;escolarGLYPH&lt;31&gt;questionarios&gt;. Acesso em: 04/2015.

BRASIL. INEP/MEC. Censo da Educação Superior, 2011. Disponível em: &lt;http://portal.inep.gov.br/web/censo-da-educacao-superior&gt;. Acesso em: 01 de janeiro. 2015.

CERQUEIRA, Jonir Bechara (et al.). Código matemático unificado para a Língua Portuguesa - CMU. Editora: MEC / SEESP. 2. ed. 2006. Edição Braille.

CAMARGO, E. P.; Como ensinar óptica para alunos cegos e com baixa visão. Física na Escola, v.9, n.o 1 - Maio de 2008.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.