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CONCEPÇÕES DE UMA LICENCIANDA EM FÍSICA: OBSTÁCULOS PARA O ENSINO- APRENDIZAGEM DOS ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Ingrid Aparecida Da Cruz, Helena Libardi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXII
Ano
2017
Data
26/01/2017
Linha de pesquisa
Equidade, Inclusão Social E Estudos Culturais E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## CONCEPÇÕES DE UMA LICENCIANDA EM FÍSICA: OBSTÁCULOS PARA O ENSINO- APRENDIZAGEM DOS ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Ingrid Aparecida da Cruz , Helena Libardi 1 2

## Resumo

Este trabalho é um estudo de cunho qualitativo desenvolvido paralelamente a um projeto de iniciação científica. Este consistiu em uma monitoria voluntária de física para estudantes do ensino médio, no Centro de Educação e Apoio às Necessidades Auditivas e Visuais (CENAV) em Lavras, MG, entre 2014 e 2015. O objetivo da monitoria era auxiliar os estudantes surdos nas tarefas e exercícios de física que tinham dificuldade. Constatamos vários fatores que atrapalhavam a aprendizagem destes estudantes nas aulas, principalmente nas aulas de física. Investigamos quais seriam os maiores problemas enfrentados por eles nas salas de aula para propor possíveis soluções, que se consolidou. Por meio dos relatos dos estudantes, observações e estudos teóricos, constatamos alguns problemas. Estes foram subdivididos em algumas categorias, envolvendo professor, intérprete, estudante e turma. Verificamos que uma das maiores dificuldades para os estudantes surdos estava relacionada à resolução de exercícios, principalmente os que envolviam vários passos, como os relacionados as Leis de Newton. Observamos por meio de atividades que o uso de figuras, desenhos, objetos, o detalhamento do exercício, leitura pausada identificando o que se pede e os dados contidos, auxiliaram na resoluções de problemas. Fazendo todas as etapas de forma clara e propondo a formalização escrita das respostas com o intuito de fazer estudante se apropriar do resultado do problema proposto, até mesmo a forma de falar fez muita diferença para o aprendizado do estudante. Este trabalho só fez ressaltar para nós como temos que mudar as metodologias de ensino nas aulas, independentemente da área. Chegamos a conclusão que a maioria desses problemas podem ser sanados ou minimizados por simples ações dos professores. Optar por uma metodologia de ensino e recursos didáticos que adotam a perspectiva do ensino inclusivo pode proporcionar um aprendizado significativo para todas as partes envolvidas no processo.

Palavras-chave : Estudante surdo, física, metodologia de ensino, ensino inclusivo.

## INTRODUÇÃO

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- O ensino de Física para estudantes com necessidades educacionais especiais (NEE) é um tema que não pode continuar a passar despercebido pelos educadores. A inclusão, além de um direito para todos os estudantes, é também um dever do docente. A adaptação dos PCN s com estratégias para a educação de estudantes com NEE já garante esta inclusão (BRASIL, 2001).

A Educação especial no Brasil deixou de ser uma segregação em salas de aula de ensino especial, para integrar o estudante nas classes regulares (MENDES, 2006). Ela ultrapassa a simples concepção de atendimentos especializados tal como vinha acontecendo anteriormente. Devemos garantir que a educação especial

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promova a formação do indivíduo, visado o exercício de sua cidadania, em qualquer nível de estudo.

A monitoria voluntária de física teve início em 2014, simultaneamente ao meu projeto de iniciação científica e a participação no grupo de pesquisa em ensino inclusivo, vinculado ao PIBID - FÍSICA da Universidade Federal de Lavras.

A monitoria tinha como objetivo inicial auxiliar os estudantes que frequentavam o Centro de Educação e Apoio às Necessidades Auditivas e Visuais (CENAV). No CENAV, os estudantes recebem aulas de reforço escolar; participam de aulas de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais); aulas de esporte; alfabetização em LIBRAS e em Braile; atendimento fonoaudiológico; informática inclusiva, com softwares específicos e AVD (Atividades da Vida Diária e orientação e mobilidade).

A monitoria auxiliou estudantes dos três anos do ensino médio durante 6 meses, entre 2014 e 2015, por 3 ou 5 horas semanais. A princípio, a monitoria atendeu a todos os estudantes (com baixa visão e surdos), mas como os estudantes surdos apresentaram maiores dificuldades, focamos no auxílio a estes estudantes. Percebemos vários fatores que atrapalhavam sua aprendizagem nas aulas, principalmente nas aulas de física. Nos propusemos a tentar sanar algumas destas dificuldades e resolvemos investigar quais seriam os maiores problemas enfrentados por eles nas salas de aula e propor possíveis soluções.

## REFERENCIAL TEÓRICO

No processo educativo em estabelecimentos de ensino, os conhecimentos e habilidades são disponibilizados sempre com o objetivo desenvolver o raciocínio, ensinar a pensar sobre diferentes problemas, auxiliar no crescimento intelectual e na formação de cidadãos capazes de gerar transformações positivas na sociedade. Mas percebe-se hoje que esta formação está fragmentada. Isso se deve ao fato da educação ainda enfrentar processos que impedem que seja disponibilizada ao individuo (nós) de forma plena, como o processo de inclusão.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (BRASIL, 2013), no Capítulo 5, Artigos 58 a 60, regulamenta a educação especial e ressalta a importância da inserção dos estudantes com deficiência nas escolas de ensino regular, afirmando ser dever do Estado garantir o acesso ao ensino desde a educação infantil. O movimento da Inclusão escolar no Brasil é recente e tem como marco referencial a Constituição Federal (BRASIL, 1988). A inclusão não cabe no paradigma tradicional da educação, requer um modelo diferente das propostas existentes.

Para o ensino de física, isso não é diferente. O ensino de física vem sendo reestruturado constantemente dentro das salas de aulas, mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido. Os estudantes, em geral, tem muitas dificuldades em aulas de física, devido a vários fatores. Mas a maioria dos problemas está relacionada a metodologia de ensino e recursos didáticos utilizados nas aulas.

Cada vez mais estudantes com deficiência chegam ao ensino médio e o ensino de física fragmentado se torna um problema maior ainda. Como desenvolvemos nosso trabalho junto a estudantes com deficiência auditiva, na próxima sessão apresentamos este nosso público.

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## Deficiência auditiva

Segundo Redondo e Carvalho (2000), quando a perda auditiva é detectada precocemente, o profissional se preocupa inicialmente em fornecer informações aos pais, para que eles saibam o que fazer e, principalmente, possam acolher esse filho e aprender a lidar com a situação inesperada. A surdez deveria ser diagnosticada o mais cedo possível, mas não é o que acontece na maior parte das vezes. Com frequência, a criança fica sem atendimento até o momento de ir para a escola. Quanto mais tempo se passa, maiores são as dificuldades de desenvolvimento, tanto no campo da linguagem quanto nos níveis social, psíquico e cognitivo.

Há vários métodos para o desenvolvimento da linguagem de pessoas com deficiência auditiva que são empregados no Brasil (REDONDO E CARVALHO, 2000):

Método oral unissensorial : usa apenas a pista auditiva. Por meio do aparelho auditivo, integra a audição à personalidade da criança com perda auditiva; não enfatiza a leitura labial nem utiliza a língua de sinais.

Método oral multissensorial : usa todos os sentidos: audição com apoio de aparelhos auditivos, visão com apoio da leitura labial, tato etc.. Não utiliza a língua de sinais.

## Método de comunicação total

'É uma filosofia, não simplesmente um outro método, cuja premissa básica é utilizar tudo o que seja necessário para o indivíduo com deficiência auditiva como meio de comunicação: oralização, prótese auditiva, gestos naturais, linguagem de sinais, expressão facial, alfabeto digital, leitura labial, leitura da escrita, enfim, tudo aquilo que sirva de meio para ajudar a desenvolver o vocabulário, linguagem e conceito de ideias entre o indivíduo surdo e o outro' (MARTA CICCONE citada por REDONDO E CARVALHO, 2000).

Bilinguismo : essa abordagem pretende que ambas as línguas - os sinais (LIBRAS,) e a oral (português) - sejam ensinadas e usadas sem que uma interfira ou prejudique a outra. Elas se destinariam a situações diferentes.

Em todos os níveis escolares (infantil, fundamental, médio e superior), e principalmente quando o estudante apresenta perda auditiva severa ou profunda, é necessário levar em conta, tanto para o atendimento escolar comum quanto para o especializado, que existe um sujeito que precisa se desenvolver, aprender o conteúdo programático escolar e adquirir conhecimento do mundo e de si mesmo (social/escolar/psíquico).

Conforme Marques (1999, p. 38), o obstáculo sensorial cria situações comunicativas específicas para o surdo, sem impedi-lo de adquirir uma linguagem e desenvolver sua capacidade de representação. Os mecanismos mentais envolvidos nesse processo não são os mesmos do ouvinte. Por isso, tornam-se responsáveis pela construção de esquemas de pensamento e de estratégias intelectuais que dependem da natureza do desenvolvimento linguístico cognitivo de cada um.

- O conteúdo curricular a ser desenvolvido pelo professor da escola regular deve ser exatamente o mesmo trabalhado com os estudantes ouvintes, com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2000). E o mesmo ocorre com a metodologia de ensino. Isso é inclusão, mas a forma como as metodologias de

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ensino são empregadas deixam a desejar, prejudicando a aprendizagem dos estudantes. O uso de materiais variados contribui para motivar os estudantes, mas esta é somente uma das consequências de seu uso.

A metodologia de ensino aliada a um recurso didático, quando empregados de forma correta, se tornam um mecanismo indispensável para a aprendizagem do estudante. Se o professor fundamenta sua aula nos princípios do ensino inclusivo, o ensino de física e outras disciplinas tomariam outra roupagem, pois todos seriam envolvidos no processo de ensino aprendizagem.

## METODOLOGIA

A primeira etapa consistiu em estudar os temas relevantes para a inclusão no ensino de ciências, com os estudos das leis e documentos relacionados com a inclusão de estudantes com deficiência no ensino básico. Em reuniões semanais nos grupos de estudo, discutíamos metodologias e estratégias de ensino na perspectiva inclusiva que poderiam auxiliar os estudantes, levando em consideração os estudantes com deficiências visuais e/ou auditivas. Estudantes estes que participam do CENAV.

A monitoria ocorria uma vez na semana, com duração de três a cinco horas aproximadamente, na sede no CENAV na cidade de Lavras. Esta consistia em tirar dúvidas dos estudantes sobre conteúdos de física e auxiliar no que precisassem. Auxiliamos cinco estudantes do ensino médio no decorrer da monitoria. Por medida de assegurar a identidade deles, cada um foi associado a um número da seguinte maneira: Estudante 1; Estudante 2; Estudante 3; Estudante 4; Estudante 5.

## COLETA E ANALISE DOS DADOS

A partir do momento em que a monitoria auxiliava os estudantes surdos, obtivemos os relatos dos problemas enfrentados por eles nas aulas de física, que também foram percebidos por nós durante a monitoria. A análise apresentada focouse em um estudante em especial (Estudante 5), pois foi alfabetizada na língua de sinais (LIBRAS), fazia leitura labial e dispunha de um aparelho auditivo que permitia que ela escutasse melhor. Então qual seria o problema enfrentado por esta estudante? Seria o mesmo enfrentado pelos estudantes ouvintes?

- O relato foi transcrito e separado em categorias: professor - estudante, estudante - turma, professor - intérprete - estudante, intérprete - professor.

A análise dos dados iniciou com a categorização dos relatos (BARDIN, 1977). Dividimos em quatro categorias: C1: professor - estudante; C2: estudante turma; C3: professor - intérprete - estudante; C4: intérprete- professor (Tabela 01). Analisamos pelo relato do Estudante 5 os principais problemas relacionados a cada categoria. Analisamos em uma segundo momento o relato, observações gerais e as concepções da monitora voluntária de licenciatura em física sobre a monitoria e os estudantes.

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Tabela 01: Categorias

## ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS: AS CATEGORIAS

Seguem alguns trechos do relato do Estudante 5 e as análises sobre cada categoria.

## C1: professor - estudante

A estudante nos relatou que sua maior dificuldade na escola era a disciplina de física. Um dos fatores era a fala do professor.

Estudante 5: 'o professor fala muito rápido e não consigo acompanhar'.

Ele nos relatou que sabe fazer a leitura labial (habilidade em compreender o que as pessoas falam observando o movimento de seus lábios) e interpretar as expressões faciais do professor, desde que ele se encontre posicionado a sua frente. Isto é muito importante para que o surdo possa compreender o que é passado para ele. O fato de usar aparelho auditivo faz com que consiga escutar, mas o professor ainda precisa estabelecer este contato, além disso falar mais alto e de forma pausada. Os aparelhos auditivos, assim como os óculos, não curam a surdez, mas fazem a pessoa ouvir um pouco, o que é um primeiro passo para o restabelecimento de um bem-estar individual social, econômico e emocional.

## C2: estudante - turma

O barulho excessivo feito pelos colegas de sala, é um dos fatores que também atrapalha o desempenham do estudante.

Estudante 5: 'o ruído atrapalha muito, pois fico sem concentração, sem contar que dificulta mais ainda ouvir o professor'

## C3: professor - intérprete - estudante

Estudante 5: 'não sei o que fazer durante as aulas, fica tudo muito confuso, pois não sei se presto atenção no professor ou no intérprete'.

Estudante 5: 'Quando vou tentar fazer os exercícios em casa não consigo fazer, pois perdi muita informação no meio do caminho durante as aulas'

## C4: intérprete- professor

Estudante 5: 'Como vou saber se os sinais estão relacionados com os conceitos? Não tem muitos sinais para os conceitos físicos'

Estudante 5: 'O professor e o interprete deviam ter uma estratégia melhor para auxiliar os estudantes durante a aula'

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## Observações da monitora voluntária

Durante a monitoria, percebemos que os estudantes apresentavam vários problemas em relação as aulas de física,que são comuns a maioria dos estudantes do ensino médio. Porém, alguns são relacionados a sua condição de estudante surdo. As aulas de física, da maneira que comumente é ensinada no ensino médio, acarretam várias falhas para a aprendizagem dos estudantes, conforme explicitam Lima e Gaio

- (...) As aulas são ministradas de forma estritamente teórica, enfatizando somente a memorização de leis, fundamentos e conceitos, aulas repletas de expressões matemáticas e fora do contexto do aluno, e consequentemente apresentam dificuldades de aprendizagem dos conteúdos, em decorrência disso, as notas são as piores, em vista as demais disciplinas (LIMA e GAIO, 2009).

Diversos fatores têm contribuído para o alto índice de reprovação e desinteresse dos alunos pela disciplina de Física no ensino médio, sendo que uma das principais causas para este quadro preocupante é a falta de conexão aparente dos conteúdos ensinados com a realidade e cotidiano da maioria dos aluno s.

A monitora voluntária observou que o problema linguístico cognitivo foi um agravante no processo. Os estudantes dominam muito bem a LIBRAS, que é sua língua materna. Porém, não conseguem formalizar bem as respostas dos problemas e tem dificuldade na escrita. A questão de formalizar os conceitos é um problema geral para os estudantes, sendo que eles não conseguem colocar no papel o que estão pensando. Este problema é agravado nos estudantes surdos possuem, pois devem se expressar em sua segunda língua, mas pode ser atenuado com o tempo.

Vários problemas relatados pela Estudante 5 foram observados também durante a monitoria. O que mais se evidenciou foi a dificuldade nas resoluções de problemas. Foi possível observar que, ao trabalharmos as leis de Newton, a dificuldade era imensa para os estudantes, pois não sabiam o que fazer. Foi possível perceber que eles se 'perdiam' no meio do exercício. Do relato da Estudante 5, era o que acontecia nas aulas.'

Os exercícios envolvendo as Leis de Newton são considerados muito complicados pelos estudantes, por envolverem tantos passos. Se o estudante não consegue acompanhar a demonstração do professor, complica ainda mais. E é o que relatam os estudantes surdos e isso que acontece com a grande maioria dos estudantes ouvintes.

Isso aparece nas falas dos estudantes. A Estudante 5 relatou que ' Nos exercícios relacionados às leis de Newton, onde os problemas envolvem substituições de dados nas fórmulas, não conseguia compreender o que precisava ser feito, pois quando o professor fez em sala o desenvolvimento do problema, ao mesmo tempo o intérprete traduzia o que foi feito em datilologia'

- O problema interprete - professor chamou muita atenção e pode ser um problema maior do que o esperado. O interprete não é um professor da área normalmente, então acredito que ele e o professor deveriam ter um contato antes das aulas, pois a aprendizagem do estudante fica prejudicada, isto em qualquer disciplina do currículo escolar, se não utilizarmos uma estratégia definida.

A partir desse momento, começamos a pensar em formas de minimizar os problemas enfrentados pelos estudantes, simples ações que podem melhorar muito

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a vida dos alunos surdos e dos ouvintes também. Figuras, desenhos, objetos reais como parte dos problemas; Detalhamento do exercício, leitura pausada identificando o que se pede e os dados contidos, para verificar o que usar e como usar para resolver o problema. Fazendo todas as etapas de forma clara e propondo a formalização de respostas com o intuito de fazer aluna assimilar o resultado do problema proposto. Utilizamos na monitoria e percebemos a melhora dos estudantes, não somente nas notas, mas também no comportamento.

## CONCLUSÕES

A monitoria voluntária trouxe ganho para ambas as partes envolvidas no processo. O ganho de experiência para a formação docente é imenso. A maioria dos estudantes de licenciatura não tem contato com esse tipo de atividade. Em geral, os currículos quase não apresentam disciplinas que preparam o estudante para trabalhar com estudantes com deficiência. E os estudantes sofrem nas aulas com isso, pois fica evidente, segundo os relatos, o despreparo do professor.

Esbarramos aqui em problemas evidentes nos dias de hoje. Isso é uma grande falha na formação docente. O professor, independente da área de atuação, deve estar atento e se manter informado sobre qualquer tipo de deficiência para que quando ele estiver em uma situação como esta, ele possa saber ao menos como agir para auxiliar na aprendizagem desse estudante, sempre visando um ensino para todos, que é a proposta do ensino inclusivo. Na situação atual das escolas com turmas superlotadas e com a grande diversidade de estudantes, a tarefa do professor é muito difícil, mas não é impossível.

Com a esta monitoria percebemos que os estudantes apresentam certo grau de timidez e insegurança. Portanto, discussões devem ser incentivadas, não apenas entre o professor e o estudante, mas também, com os demais colegas de classe, promovendo assim, não somente a inclusão didática, mais também a social.

Muito dos problemas observados poderiam ser minimizados se o professor se propuser a utilizar uma abordagem inclusiva nas suas aulas. Existem metodologias de ensino e os recursos diversos a serem utilizados que vão auxiliar os estudantes surdos e também os ouvintes.

- O professor, para auxiliar os estudantes, pode adotar algumas estratégias que foram testadas na monitoria: Exemplos com objetos reais, figuras. Detalhamento dos exercícios, fala pausada e de frente para os estudantes. Entregar a dedução do exercício para o estudante, explicado para a passo. Fazer um contrato didático com a turma, para amenizar o barulho na hora da explicação. Trabalhos em grupo em sala de aula, entre outros.
- O relato do Estudante 5 nos trouxe grande aprendizado e muitos questionamentos. Temos que melhorar muito a nossa forma de educação, em todos os seus níveis. O direito a educação é garantido, mas não é uma educação de qualidade e não é para todos. Estamos caminhando a passos lentos, mas estamos caminhando, o que é um começo. Tivemos um grande avanço no processo educacional, a própria monitoria faz parte disso, mas sabemos que podemos fazer bem mais, este processo não envolve somente o professor, mas todo o corpo escolar, a família e o governo.

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Enfim, os relatos dos estudantes são um sinal de alerta para todos nós de que muita coisa tem que mudar, mas que é possível mudar se tivermos um pouco de sensibilidade e nos situarmos no mundo em que estamos vivendo. Cada vez mais estudantes com deficiência estão chegando ao ensino médio, então cabe a nós, futuros professores de física (e também todos os outros, inclusive na formação continuada), nos preparamos para atender a todos os estudantes.

## REFERÊNCIAS

BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Lisboa: Edições 70, 1977.

BRASIL. Casa Civil. Brasília: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Alterada em 04/04/2013. Casa Civil, 2013. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/leis/L9394.htm>. Acesso em 21/08/2016.

BRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica . Secretaria de Educação Especial - MEC; SEESP, 2001.

BRASIL. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio . Brasília: MEC. 2000. Disponível em

<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/blegais.pdf>. Acesso em 21/08/2016.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Adaptações Curriculares . Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC /SEF/SEESP, 1998.

BRASIL. Casa Civil. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Casa Civil, 1988. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em 21/08/2016.

LIMA, E. A. GAIO, D. C. FÍSICA: a importância da experimentação associada ao lúdico. Cuiabá, 2009.

MARQUES, C. V. M. 'Visualidade e surdez: a revelação do pensamento plástico', Revista Espaço. Rio de Janeiro, Ines-MEC, dezembro de 1999. Disponível em < http://www.abrapabr.org.br/artigo1.htm>. Acesso em 21/08/2016.

MENDES, T. P. Formação de Conceitos Matemáticos em Deficientes Visuais. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Matemática). UFLA. Lavras, 2011.

REDONDO, M. C. F.; CARVALHO, J. M. Deficiência auditiva . Brasília: MEC. Secretaria de Educação a Distância, 2000. Disponível em < http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/deficienciaauditiva.pdf>. Acesso em 21/08/2016.

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